sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Eça & Outras Setembro

A INTERNET MULTIPLICA A PULHICE

Recentemente a Confraria Queirosiana viu-se na obrigação de anular o endereço electrónico queirosiana@hotmail.com devido ao facto de o mesmo estar a servir de porta de entrada de mensagens pulhas disfarçadas sob a indicação de Eça de Queirós ou Queirosiana, ou Confraria Queirosiana, iludindo assim os destinatários, que seriam levados a pensar que se trataria de informação fidedigna da confraria, mas sendo na prática mensagens piratas que escondiam vírus informáticos.
Ninguém poderá dizer que a internet não é hoje um instrumento privilegiado de comunicação. Mas o que mais dói a quem a usa para trabalhar e para comunicar com os outros é a insensatez e a ligeireza de pensamento dos que a usam para brincar, passar tempo, ou mesmo prejudicar terceiros, pensando ou fazendo crer que o seu uso indevido é «normal», que «tem de ser assim» ou que «não há volta a dar-lhe». São os cibercrentes. Ora tal não é, nem pode ser, verdade, sob risco da espécie humana abdicar de algumas das suas prerrogativas, nomeadamente o sentido ético das coisas e a superioridade moral dos valores culturais. Suponho que, com alguma paciência, se poderão ensinar macacos a usarem o Magalhães para pedirem amendoins. Mas isso não tem nada a ver com inteligência, cultura, ou moral.
Tanto quanto sabemos da história da informática, teria sido possível desde o início prever que, tal como com outras ferramentas, a utilidade final da internet fosse subordinada aos seus objectivos e à maneira como é utilizada, ou seja, tornada útil. Um martelo pode ser usado para pregar pregos, mas também para assassinar. E depois, como noutras coisas, na utilização das estradas electrónicas as regras e as leis andam sempre a reboque da realidade, e a punição dos prevaricadores, além de ser morosa e difícil, tem chegado muito tarde ou nunca.
O que interessou ao senhor Bill Gates e continuadores foi a ganhuça, a tecnologia “pura”, aquelas mesmas razões dos pulhas da bomba atómica: «fui eu quem a fiz (e por isso sou um grande engenheiro ou cientista), mas não fui eu quem a deitei em Hiroshima (isso foram os pulhas dos políticos e os militares). Sabe-se onde levou este raciocínio: por um lado as bombas atómicas «boas» (Estados Unidos, Israel, África do Sul, Inglaterra, França, etc); por outro as bombas atómicas «más» (Rússia, Irão, India, China, etc.). O problema é que será difícil saber a opinião de quem, ou já levou com elas (por enquanto só com as «boas») ou de quem com elas vai levar um dia destes sem contar («boas» ou «más»).
Numa escala mais caseira divulga-se o mesmo raciocínio para a utilização da internet: os inventores e os administradores de sistemas informáticos são uns “técnicos”; a culpa da pulhice do sistema é dos “outros”. Ora os mecanismos electrónicos são vendidos sem quaisquer condicionalismos de controlo de qualidade e, ao democratizarem a informação, divulgam também tudo quanto é lixo cultural, estimulam o anonimato, o roubo de direitos autorais, a preguiça intelectual que aceita tudo o que dali sai sem qualquer crítica, o desmazelo intelectual de quem ali coloca textos sem revisão prévia dos mesmos. Os mais tecnocratas dirão que uma coisa são os sítios, outra os endereços electrónicos: mas para o consumidor final é tudo na mesma maquineta e é esta que condiciona as suas diversas utilizações. E sendo nela difícil separar o trigo do joio, estando constantemente através das suas mensagens a entrar palha onde dificilmente se apanha algum grão, compete ao utilizador defender-se de todos os assaltos dos néscios, pulhas e piratas informáticos. Os hackers e crakers não são teenagers com muita queda para a informática que ainda não tiveram a sua oportunidade: são criminosos que assaltam propriedade alheia e lhe roubam, se maior não for o prejuízo, tempo e conteúdos. Ou estão ao serviço de vendedores de maquinetas, programas, ou sistemas que o cidadão se vê compelido a comprar, sob risco de não poder rentabilizar o aparelho que já tem. Porque isto de computadores são “cafeteiras” que dão para fazer café durante muito pouco tempo; mal o cidadão domina a maquineta já esta exige novos “filtros” ou o “café” não sai. E lá se volta a ter de comprar tudo de novo. Está pois o internauta nas mãos “deles” e “eles” não têm ética. E lá se vai a tal democratização do conhecimento que a internet prometia. Porque democratização sem valores é a generalização da barbárie.
Isto de ter um endereço electrónico afinal é como morar numa casa com caixa de correio postal: se se mora num prédio simpático com gente trabalhadora e capaz, com algum nível de vida e cultura suficientes para entender o mundo, não teremos grandes problemas com a vizinhança, pois terão discernimento para saberem o que querem receber e enviar pela internet. E sempre se pode ter um apartado.
Se, pelo contrário, se mora num bairro problemático, com gente que não tem que fazer, que vive deslumbrada com todos os concursos televisivos que oferecem um balde de plástico, que gosta de “aparecer no ecrã”, que passa a vida na conversa fiada, que vive acima das suas posses, que acredita em todos os aldrabões bem falantes que lhe batem à porta (que lhe entram pelo ecrã), então é certo e sabido que quem não é assim mas tem de os aturar ou de neles tropeçar, vai ter problemas com a vizinhança e com os seus contactos.
Foi o que aconteceu ao endereço electrónico da confraria: como o mesmo já estava transformado em «albergue espanhol» onde entrava gente, endereços e conteúdos que não tinham nada a ver com a instituição, começaram os problemas, e não houve outro remédio senão mandar vir o bulldozer e demolir o “domicílio”.
A internet é, com certeza, fruto da inteligência humana. Mas, quando funciona sem obrigações éticas e culturais, transforma qualquer endereço num bairro periférico problemático.

J. A. Gonçalves Guimarães

NÚCLEO DOCUMENTAL J. RENTES DE CARVALHO

Os Amigos do Solar Condes de Resende- Confraria Queirosiana colocaram à disposição de todos os interessados um primeiro catálogo do espólio do escritor depositado e exposto no Solar Condes de Resende.
Entretanto a revista Notícias Magazine do passado dia 30 de Agosto publicou um artigo de Sara Adamopoulos intitulado «Rentes de Carvalho com os holandeses» sobre a vida e obra deste escritor que em Portugal é apreciado como um Porto Vintage de 1930, mas que o próprio não se importa de dialogar com todos os seus leitores com o café da manhã, ou com o “fino” de fim de tarde, ou ainda, sempre à mão, no seu blogue Tempo Contado. “Vá lá” e leia.

SALON D’AUTOMNE

Amanhã, dia 26 de Setembro, sábado, abre ao público no Solar Condes de Resende o Salon d’Automne queirosiano 2009 com obras de arte executadas pelos sócios e confrades dos ASCR-CQ, profissionais e amadores, numa grande variedade de propósitos, estilos, temas e preços.
O catálogo deste ano abre com um prefácio de Mário Dorminsky, vereador do Pelouro da Cultura da Câmara de Gaia e confrade queirosiano e um texto antológico do grande escultor e crítico de Arte gaiense, Diogo de Macedo, intitulado «O que deve ser a Arte».
A mostra-venda estará aberta ao público até ao final de Outubro.

CURSOS DO SOLAR

Em colaboração com a Academia Eça de Queirós, estão abertas as inscrições para os cursos livres de Danças de Salão, Pintura e a 4.ª edição do curso sobre História de Gaia e do Grande Porto, desta vez dedicado a Biografias de Homens e Mulheres que marcaram as diversas épocas na região.
Todos estes cursos são ministrados por professores devidamente habilitados e com curriculum universitário no caso do Curso de História.

PARQUE BOTÂNICO DO CASTELO

No passado dia 13 de Setembro foi inaugurado o Parque Botânico do Castelo/Sítio Arqueológico na freguesia de Crestuma, Vila Nova de Gaia, pelo Dr. Luís Filipe Menezes, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e o Dr. Nuno Oliveira, presidente do conselho de administração do Parque Biológico de Gaia, EEM, ambos confrades queirosianos.
Para além de muito público e candidatos autárquicos, presentes também outros confrades, alguns dos quais arqueólogos do Gabinete de História, Arqueologia e Património, o grupo de trabalho profissional que vai realizar escavações no local no próximo ano no Verão.


Confrades queirosianos na Pesqueira

CONFRARIA QUEIROSIANA NA PESQUEIRA E EM POIARES

No passado dia 29 de Agosto uma delegação da Confraria Queirosiana deslocou-se a São João da Pesqueira de comboio para o Grande Capítulo da Confraria O Rabelo, o qual decorreu no auditório municipal, tendo o almoço sido servido na Cooperativa Agrícola local.
Presidiu à mesa o Eng.º António José Lima Costa, presidente da edilidade, tendo dirigido a cerimónia Alberto Silva Fernandes, ambos membros dos corpos gerentes daquela Confraria e confrades de honra da Queirosiana.
No passado dia 13 de Setembro uma delegação da direcção da Confraria Queirosiana participou também no VIIIº Grande Capítulo da Confraria da Chanfana que se realizou em Vila Nova de Poiares.

TOMAR CAFÉ, OU CHÁ… OU NÃO

Continua o passatempo de querer ir tomar café, ou chá, com personalidades públicas, ou não, nem públicas, nem café, nem chá, nem nada.
Pode ser um amuo momentâneo ou uma opção para toda a vida. Cada um é que sabe.
Os nomes são propostos ao redactor de serviço; a identificação dos personagens é da sua inteira responsabilidade.
Até breve, em Setembro, 25.

Não quero ir tomar café com:

Alberto João Jardim, político regional que gosta de insultar jornalistas; Avelino Ferreira Torres, definitivamente ex-autarca do Marco de Canaveses e, supomos, de qualquer outra autarquia; Bernard Madoff, banqueiro de referência dos neo-liberais actualmente preso e que deve ser libertado em 2159; Michael Jackson, cantor e bailarino estadunidense que não gostava de si próprio; Netanyahu, político israelita que não respeita o direito internacional.

Gostaria de tomar café com:

Aníbal Cavaco Silva, presidente da República Portuguesa que percebeu que a lei das uniões de facto era mais um negócio de advogados contra as liberdades individuais; Gonçalo Amaral, escritor a quem o poder judicial quer proibir um livro sobre um assunto que esse mesmo poder não conseguiu tirar a limpo em tempo útil; Jorge Sampaio, autor de um interessante manual de política para jovens; Lubna al-Hussein, senhora ex-jornalista do Sudão que teima em usar calças; Muntadar al–Zaidi, jornalista iraquiano com pouca pontaria quando atira sapatos; Roberto Saviano, escritor perseguido pela Camorra; Shirin Ebadi, juíza iraniana, Prémio Nobel da Paz.


Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 13 – Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
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redacção: Fátima Teixeira;
inserção: Amélia Cabral.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Eça & Outras Agosto

SALON D’AUTOMNE 2009

No próximo dia 26 de Setembro, sábado, pelas 17 horas abrirá ao público o IV Salon d’Automne queirosiano, no Solar Condes de Resende, iniciativa da Confraria Queirosiana que este ano conta com a participação de Alexandre Rufo, Amélia Traça, António Rua, Cerâmica do Douro, Ilda Gomes, Luísa Prior, Rosalina Pinto, Rosário Sousa, Rui Soares, Simões Duarte e Valença Cabral, sócios dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, entre os quais Ariosto Madureira, professor do “Curso de Pintura e outras Expressões Plásticas” do Solar e alguns dos seus alunos.
A mostra e venda das obras estará patente até ao fim do mês de Outubro.


Dagoberto Carvalho Júnior
FLIPORTO 2009

Em Novembro próximo, dias 5 a 8, decorrerá em Porto de Galinhas município de Ipojuca, Pernambuco, Brasil, a quinta edição da Festa Literária Internacional sob o tema “Literatura Iberoamericana: Interdependências e contemporaneidades”, sobre a qual se pode ver novidades em www.fliporto.net.
Como antecipação a este evento, no passado dia 25 de Julho o médico e escritor Dagoberto Carvalho Júnior, presidente da Sociedade Eça de Queiroz do Recife e grão-louvado da Confraria Queirosiana, proferiu uma palestra sobre “A Boa Mesa de Eça de Queiroz” no Restaurante Capitania do Sabor naquela famosa praia, a que se seguiu uma refeição tipicamente portuguesa, constituída por “Bacalhau à Eça de Queiroz”, vinhos portugueses e pasteis de Belém, preparada pelo chefe Claudemir, do Wiella Bistrô do Recife.
Por fim, actuou a fadista Margot Cavalcanti que interpretou música também portuguesa. A organização teve o patrocínio da Editora FliPORTO e do Instituto Maximiano Campos.
Entretanto aquele autor vai lançar neste evento a sua mais recente produção de análise e crítica literárias, intitulada Eça de Queiroz e Machado de Assis: o Realismo de cada um, a qual inclui conferências, discursos, prefácios e artigos, alguns apresentados em Portugal quando aqui esteve a propósito do centenário do célebre escritor brasileiro que ocorreu em 2008 (e a que o nosso país, tão justamente quão timidamente se associou) e outros publicados no Diário de Pernambuco. O livro será também apresentado no Festival de Cultura de Oeiras do Piauí (Brasil).

FORUM DE AVINTES

No próximo ano de 2010 decorrerá o centenário da implementação do regime republicano em Portugal, com comemorações oficiais que terão pelo menos o mérito de propiciarem a oportunidade a cada cidadão de se debruçar sobre a História local, nacional e mundial e os seus reflexos na mudança do regime político no nosso país ao longo da 1.ª República (1910 – 1926); Estado Novo (1926 – 1974) e 3.ª República: 100 anos, 3 Repúblicas.
No Forum de Avintes, cuja edição decorre nos próximos dias 11 e 12 de Setembro naquela freguesia gaiense, entre vários outros oradores, falará J. A. Gonçalves Guimarães, historiador e director do Gabinete de História, Arqueologia e Património sobre “Os vereadores avintenses da Câmara de Gaia durante a 1.ª Republica”.

Cerâmica arqueológica de S. Salvador do Mundo
ESCAVAÇÕES EM S. SALVADOR DO MUNDO

Entre 18 e 31 de Julho decorreu a terceira fase da intervenção arqueológica que o Gabinete de História, Arqueologia e Património está a realizar em S. Salvador do Mundo, S. João da Pesqueira, dirigida pelo arqueólogo J. A. Gonçalves Guimarães. Na presente campanha ficou completo o estudo da área de implantação de uma grande galeria porticada da Época Moderna, cujo entulhamento continuou a evidenciar a ocupação deste local desde a Pré-história recente. Foram ainda prospectados outros locais com vestígios arqueológicos que recomendam a continuação dos trabalhos, o que aquele grupo profissional vai propor para o Verão do próximo ano.
Como habitualmente, a equipa ficou alojada na aldeia de Pereiros, por protocolo entre a Confraria Queirosiana e a Associação dos Amigos de Pereiros.

VIAGEM AO EGIPTO E ISRAEL

Conforme já noticiamos continuam abertas as inscrições para a programada visita ao Egipto e a Israel, organizada pela Confraria Queirosiana com a colaboração de diversas outras entidades, para comemorar os 140 anos da viagem de Eça de Queirós e do Conde de Resende aquando da abertura do Canal de Suez.
Porém, ao contrário do que aqui divulgamos na página de 25 de Junho, a viagem está efectivamente a ser organizada pela agência Abreu e não pela agencia então indicada, pelo que as inscrições deverão ser feitas para aquela agência e não para qualquer outra.
A viagem terá início a 26 de Dezembro em Lisboa, a passagem de ano será em Jerusalém e o regresso a Lisboa a 3 de Janeiro.

Amélia Traça

QUEIROSIANA GALARDOADA

No passado dia do Município de Vila Nova de Gaia foi galardoada com a Medalha de Mérito Cívico pelo presidente da Câmara, a autarca Amélia Traça, que faz parte da Junta de Freguesia de Mafamude e dos corpos gerentes dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, sendo ainda pintora amadora de reconhecido mérito.


FEIRA DE GASTRONOMIA DE VILA DO CONDE

A convite da Câmara Municipal, no passado dia 21 de Agosto a Confraria Queirosiana esteve presente na abertura da Feira de Gastronomia de Vila do Conde, mostra variadíssima do muito e bom que há para comer e beber neste país. Os confrades queirosianos presentes não resistiram a, antes do jantar, provarem os saborosos rojões de redenho e outros mimos colesterólicos num afamado restaurante da região. Ao jantar, confeccionado com gosto e saber, estiveram presentes os membros da direcção de diversas confrarias e vereadores da câmara local.

TOMAR CAFÉ, OU CHÁ

Isto de pôr o público a falar tem que se lhe diga pois ele, o público, tem exigências que são de respeitar. Assim, fomos intimados a pôr à frente de cada nome quem é o cidadão e o que faz (ou que se supõe que faça ou não faça), pois de outro modo poderá haver confusões, mesmo neste gesto tão simples de querer ir (ou não) tomar café com alguém. Para além de haver muitos cidadãos em todo o mundo com o mesmo nome, é certo que nem todos são iguais.

Não quero ir tomar café com:

Isaltino Morais; Fátima Felgueiras; Hugo Chavez

Gostaria de tomar café com:

Marques Mendes; Henrique Barreto Nunes; Zeca Afonso; Dalila Rocha; Joe Olenton; Miguel Sousa, John Cleese; José Silva; Naide Gomes.

Até 25 de Setembro!

Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 12 – Sábado, 25 de Junho de 2009
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Redacção: Fátima Teixeira
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Colaboradores desta edição:
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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Eça & Outras Julho

Sábado, 25 de Julho de 2009

O EX-MINISTRO PINHO E A CASA DE GARRET

A democracia, se não for o governo dos melhores eleitos pelos seus pares, é uma tragicomédia como outra forma de governo qualquer, com a agravante de, as mais das vezes, apresentar piores resultados imediatos no que diz respeito ao bem estar e à curta felicidade terrena possível para o comum dos mortais. Os exemplos são conhecidos, ainda que deliberadamente sonegados pelas máquinas de propaganda.
Por isso não se percebe porque é que determinados indivíduos querem chegar a ministros. Talvez apenas porque sim, porque há que preencher todos os lugares da lista de ministérios, assim como quem preenche o boletim do totobola: para ter o 13 há que preencher todas as colunas, nem que seja com empates (ou “empatas”). Estará fora de questão remodelar ministérios ou, pior ainda, suprimi-los. Se agora temos um ministro das Finanças que também o é da Economia, essa solução inicial tinha-nos poupado Manuel Pinho e as gaffes de quem chegou mal dormido do voo de Londres e não percebeu bem onde aterrou nem qual o seu papel nas circunstâncias.
Mas o homem achou bem ser ministro e pronto. Pode ter sido a vontade de ficar na História, mas aí se fica por boas e más razões. Ou no olvido eterno. E seria muito mau que o ex-ministro Pinho ficasse na História por ter feito no Parlamento um gesto muito popularacho a um deputado no meio de uma acesa discussão em que este o acusou de, na prática, andar a servir de moço de recados da EDP ao levar um chequezito do nosso monopólio privado da electricidade ao clube de futebol local. Se assim for, tal significa que a História já está inquinada pelos faits divers das revistas de publicidade. Que diabo! Um homem às vezes excede-se, perde a cabeça, diz o que não devia dizer. É normal. É humano. Depois pede, sinceramente, desculpa a quem ofendeu. Promete, sinceramente, corrigir-se. E a coisa esquece-se, passa-se à frente. Por aqui o ex-ministro tinha toda a benevolência da História a sério.
Mas sobre esta figura, o que não se esquecerá jamais, é que sendo proprietário de uma das casas onde Almeida Garret viveu em Lisboa, a qual, para além do seu interesse épocal e arquitectónico, era uma referência incontornável no roteiro literário do escritor e da capital, mandou-a demolir em 2006 para lá mandar fazer uns apartamentozecos, contra o parecer da Sociedade Portuguesa de Autores, do Centro Nacional de Cultura, do PEN Clube, e de 2300 assinaturas de cidadãos portugueses, uns mais conhecidos do que outros, a quem o ex-ministro fez assim, não talvez os seus primeiros, mas uns bem mais graves “corninhos”, que causaram tanta indignação que houve quem devolvesse à Câmara de Lisboa condecorações autárquicas, a qual, neste processo, se portou com indiferença de igual jaez, empatando a questão durante anos até ao esperado consumatum est, empurrando as culpas para o IPPAR e este para a autarquia. O pingue-pongue habitual.
Ora se este ex-ministro mandou demolir a casa de tão notável parlamentar e figura cimeira da cultura portuguesa, estando-se nas tintas para tais bagatelas, acham realmente que ele alguma vez teria categoria para, mais tarde ou mais cedo, não estalar o verniz no Parlamento? Sinceramente, não sei em que fantasia de país é que vocês vivem.

J. A. Gonçalves Guimarães, cidadão eleitor


EXPOSIÇÃO DE HELDER DE CARVALHO

Até 8 de Agosto está patente ao público na Galeria Artes Solar Santo António na Rua do Rosário no Porto a exposição “Formas de continuidade no espaço” do escultor Helder de Carvalho, autor das estátuas de Eça de Queirós no Solar Condes de Resende e em Canelas e de muitas outras obras espalhadas pelo país. Nos últimos tempos tem dado a Trás-os-Montes algumas esculturas entrecruzadas com a paisagem, trabalhadas como se a teia de Ariadne fosse tecida a partir da roca e do fuso manejados por Vulcano, mostrando assim que a perenidade e a inovação podem ser irmãs e filhas do mesmo pai.

REGISTOS DA ALDEIA

Num simpático livro de bolso, como convém neste caso, A. Silva Fernandes recolheu e publicou as “Orações, rezas e benzeduras” da sua aldeia natal de Pereiros, S. João da Pesqueira. Enquanto é tempo, que estas coisas agora já só se encontram na memória dos velhos ou nestas colectâneas que aliam à beleza poética o lastro de crenças vindas, muitas vezes, de tempos pré-cristãos para o cenário evangélico onde nem sempre se confinam. Para além do interesse monográfico local, interessante também para os que estudam as crenças populares durienses.
Edição da Associação dos Amigos de Pereiros e da “Douro em mim”, também com a chancela da Confraria Queirosiana, 66 páginas, 3 € PVP.

TEMPO DE CONGRESSOS

No final do mês de Junho, princípio de Julho, membros do Gabinete de História, Arqueologia e Património e da Academia Eça de Queirós da Confraria Queirosiana estiveram presentes nos seguintes congressos onde apresentaram diversos trabalhos de investigação: nos dias 26 e 27 de Junho no Quartel de Santo Ovídio no Porto, no congresso sobre o Bicentenário das Invasões Francesas, organizado pela Área Metropolitana do Porto; nos dias 30 de Junho e 1 de Julho em Trancoso e Vila Nova de Foz Côa no congresso sobre Património e Desenvolvimento, organizado pelo Instituto Piaget; nos dias 2 e 3 de Julho no congresso de História da Misericórdia do Porto no Seminário de Vilar.
Entre 5 e 8 de Novembro decorrerá o Congresso Internacional sobre Turismo Cultural e Religioso, organizado pelo ISMAI e pelo GEHVID, o qual terá a presença de membro do GHAP, sempre com comunicação.
Os membros deste Gabinete, constituído exclusivamente por profissionais daquelas áreas, estão permanentemente a ser convidados para apresentarem os seus trabalhos em variadíssimos congressos e colóquios, mas têm recusado a sua presença naqueles cuja organização junta “alhos e bugalhos”, ou quando são marcados sem a antecedência necessária para os temas serem devidamente tratados.

OS MAIAS (N’)UMA ANTOLOGIA ILUSTRADA

Sobre Os Maias já se disse tudo? Sobre Os Maias já se mostrou tudo? Não, não e não! Acaba de ser editado pela Parceria A. M. Pereira um interessantíssimo álbum antológico com uma selecção de textos e imagens da autoria de Rui Campos Matos, arquitecto e ilustrador radicado no Funchal que à temática queirosiana tem emprestado o seu traço elegante e descritivo, certeiro nas linhas essenciais, não longe da caricatura, mas com um absoluto enquadramento artístico que lhe dá qualidade, leveza e um indispensável poder gráfico e descritivo épocal, mas com laivos de actualidade.
Este álbum passa assim a sintetizar a própria obra, mas também tudo o que sobre ela se disse pela escrita, pelas artes cénicas e pelo próprio cinema. É igualmente um valioso auxiliar para os estudantes do secundário que, sem menosprezarem o texto, entram nos caracteres criados por Eça também pela via iconográfica. Uma pérola queirosiana com 160 páginas que será vendida a 17,5 € PVP.

CURSOS DO SOLAR

A partir dos próximos meses de Agosto, Setembro e Outubro, o Solar Condes de Resende, com a colaboração da Confraria Queirosiana e da Academia Eça de Queirós e o patrocínio da GAIANIMA, EEM, vai relançar os cursos de Pintura e Expressão Plástica, dirigido pelo Professor Ariosto Madureira, de Danças de Salão, com a colaboração da Global Dance, e uma nova edição do curso sobre “História do Grande Porto”, desta vez a partir da biografia de grandes homens e mulheres que marcaram a região e os seus municípios.
As inscrições abrem em Agosto. Estes cursos são ministrados por profissionais devidamente habilitados, e com currículo de excelência conhecido.
No curso do ano transacto, coordenado por J. A. Gonçalves Guimarães, sobre “Eça de Queirós, sua vida, sua obra, sua época”, leccionaram Isabel Pires de Lima, Mário Vieira de Carvalho, Carlos Fiolhais, José Manuel Tedim, Nuno Resende, Norberto Barroca, Maria Teresa Lopes da Silva, Arie Pos, Luis Manuel de Araújo e o próprio coordenador do curso.


D. FREI PATRÍCIO DA SILVA EM LIVRO

No passado dia 17 pelas 18 horas na sacristia da Sé Catedral de Leiria foi lançado o livro D.Frei Patrício da Silva, um cardeal leiriense patriarca de Lisboa (1756 – 1840), da autoria do nosso confrade Ricardo Charters de Azevedo, sobre este «… único purpurado agostinho de toda a história de Portugal, professor de Teologia na Universidade de Coimbra, [que] gozou sempre de grande prestígio entre o clero e os políticos do seu tempo. Numa altura complicada da vida em Portugal, mais valor tem ainda a acção que ele desenvolveu». A edição é da Textiverso.

TOMAR CAFÉ, OU CHÁ

Alguns dos nossos leitores, através do email queirosiana@hotmail.com manifestaram-nos o desejo de Não quererem ir tomar café com: Alberto João Jardim, Cristiano Ronaldo, Dias Loureiro, Jardim Gonçalves, João Rendeiro, Manuel Pinho, Manuela Aguiar, Robert MC Namara.
Quanto aos sins, apenas alguns desejos para ir tomar uma chávena de chá com Rebiya Kadeer, Lubna Ahmed al-Ussein, e de café com Luís Raposo e Cláudio Torres.
Recordamos, mais uma vez que este simples gesto social não vincula os ASCR-CQ nem a página Eça & Outras, mas apenas os leitores que sobre tal se pronunciam.


Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 10 – Sábado, 25 de Junho de 2009
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Redacção: Fátima Teixeira
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quinta-feira, 25 de junho de 2009

Eça & Outras de Junho

Os que nos governam

O país tem assistido, entre a estupefacção e o divertido, à tardia apresentação de certas partes dos curricula daqueles que nos governam. Enterrada que foi a questão do diploma de engenheiro do Senhor Primeiro Ministro, aliás idêntico ao de milhares de doutores, engenheiros, arquitectos, biólogos e outros diplomados, licenciados, pós-graduados, mestres e doutores que por aí pululam, desta vez ficamos a saber que o Senhor Governador do Banco de Portugal, supremo guardião do nosso ouro, do nosso mealheiro e da gestão das nossas dívidas, além de ser um homem de fé na bondade da espécie humana, dirige um departamento onde uma das virtudes é a ingenuidade. Por sua vez o Senhor Presidente da República, tido como grande economista, aliás, professor catedrático de Economia, ex-Primeiro Ministro, inspirador do Dicionário de Língua Portuguesa onde se deverá ler em breve a palavra cavaquismo e cavaquista, que corresponderá à sua governação dos idos de noventa do século passado quando terá proferido a célebre frase (cito de cor): «raramente tenho dúvidas e nunca me engano», pois Sua Excelência afirmou com a maior humildade perante as câmaras das TVs que aplicou mal as suas poupanças e que com isso perdeu imenso dinheiro, destruindo assim numas breves e hesitantes palavras a aura de economista científico e sagaz que lhe era atribuída pelos milhões de portugueses que nele votaram.
E agora, amigos meus, a quem vamos pedir conselhos para aplicar as nossas quase inexistentes poupanças? Ao Dr. Vale e Azevedo? Ao Dr. Oliveira e Costa? Ao Major Valentim Loureiro? A D. Branca está a gerir o offshore da Madeira?
Realmente é preocupante: a descrença, o anarquismo e os taliban esperam a sua oportunidade nos para mostrarem o que valem face a estes crentes em quem, ingenuamente, ainda confiamos à portuguesa, com pena deles mas não de nós, os que não «podem».
Entretanto, não sei bem por alma de quem, reuniram-se informaticamente uma quantidade muito razoável de sábios das finanças, economia e oficíos correlativos para repensarem os dinheiros da pátria e as suas aplicações, gesto meritório mas que, tal como a bela da fábula, tem pelo menos vários senões: olhando para o painel vemos que muitos destes salvadores têm mais de sessenta anos, o que quer dizer que já tiveram tempo para acumular sabedoria e experiência; vemos também que muitos foram ministros, secretários-gerais, directores-gerais, enfim, responsáveis pela coisa pública. Há também professores, conferencistas, com muitas pós-graduações e MBAs, e aqui o assunto começa a ser grave, pois é gente que tem estado a preparar as novas gerações, se é que não a servir-lhes de modelo. Estamos bem aviados! É que muitos deles falharam, falharam estrondosamente, ainda que com estampido discreto, quando tiveram o poder na mão, quando foi suposto terem feito alguma coisa para melhorar o regabofe nacional saído dos equívocos de Abril, e não o fizeram, nem bateram com a porta. Alguns apenas saíram do poder devido àquele capricho democrático chamado eleições, caso não, ainda lá estavam, a gerir mal, a enganarem-se nas previsões económicas muito mais do que a astróloga Maya. Alguns preparam-se para voltar, para substituírem o ingénuo Constâncio ou os amigos seguríssimos da banca e dos seguros, que falharam porque “tiveram azar”. E assim, com esta científica conclusão sobre os males nacionais, vamos todos agradecidos a pé a Fátima, que para tal não é necessário o TGV.

J. A. Gonçalves Guimarães, cidadão eleitor

Eça de Queirós no 10 de Junho

Na cerimónia de atribuição de condecorações no passado dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas, o Professor Doutor António Barreto, para além das referências ao poeta e até a propósito da instituição do seu dia em 10 de Junho de 1880, citou o que então sobre tal disse Eça de Queirós, palavras bronzinas que ainda hoje colhem para que este não seja apenas um dia habitual em que marcham militares e medalhas ao peito de gente mais ou menos conhecida, às vezes por motivos pouco relevantes, se comparados com a enormidade humana de Camões e da sua portugalidade. Às vezes festeja-se o modelo mas não se lhe estuda a lição, como salientou aquele sociólogo.


Leiria queirosiana

No passado dia 20 de Junho celebrou-se em Leiria a 1.ª edição de Olhares Queirosianos, a recreação da Leiria do século XIX, organizado pela Junta de Freguesia de Leiria. Do programa constou a animação de rua do Roteiro Queirosiano da cidade, um concurso de fotografia e uma mesa redonda na qual falaram os confrades queirosianos Orlando Cardoso, sobre “À volta do Padre Amaro”, e Ana Margarida Vieira Dinis sobre “O olhar na construção do Crime do Padre Amaro”, a qual decorreu na esplanada do Restaurante Porto Artur.
O que talvez mais importe salientar nesta primeira edição foi a adesão do público a todo o programa e também dos restaurantes, onde os empregados trajados a rigor, serviram os pratos que Eça refere nas suas obras.
A Confraria Queirosiana aconselha os seus confrades a colocarem este evento na sua agenda do próximo ano.

Novo livro sobre Eça

No passado dia 24 de Junho, na Livraria Bertrand do Chiado, em Lisboa, pelas 18.30h foi lançado um novo livro sobre Eça de Queirós, de Maria Filomena Mónica, apresentado por António Sousa Homem e Francisco José Viegas, o qual continua a produção sobre temas queirosianos da conhecida socióloga.

Viagem ao Egipto e Israel

Comemorando os 140 anos da viagem de Eça de Queirós e do Conde de Resende ao Egipto e Palestina em 1869, está a ser organizada uma viagem ao Egipto e Israel entre 26 de Dezembro e 3 de Janeiro pelas seguintes entidades, destinada aos seus sócios e acompanhantes: Confraria Queirosiana – Academia Eça de Queirós; Instituto Oriental da Faculdade de Letras de Lisboa; Associação Cultural de Amizade Portugal-Egipto; Associação de Amizade Portugal-Israel e Grupo de Amigos do Museu Nacional de Arqueologia.
Partindo a 26 de Dezembro de Lisboa por Madrid, a chegada ao Cairo está prevista para as 21, 30 horas. Desta cidade serão feitas excursões a Guiza, Sakara, Mênfis, Alexandria, Suez e Taba, de onde os viajantes seguirão para Jerusalém, onde será festejada a passagem de ano. Daí partirão as visitas a Belém, Jericó, Mar Morto e Tel-Aviv. O regresso a Lisboa está previsto para o dia 3 de Janeiro pelas 23,10.
As inscrições deverão ser feitas para tneves@tuiviagens.pt mencionando a associação em que o viajante está filiado e o seu número de sócio.

Tomar café

Alguns dos nossos leitores, através do email queirosiana@hotmail.com manifestaram-nos o desejo de irem tomar café com: Ana Maria Bettencourt, Carlos Esperança, Delara Derabi, Francisco Louçã, Hans-Peter Martin, João Ubaldo Ribeiro, Mahmoud Abbas, Marinho e Pinho, Pablo Fajardo, Pete Seeger, Rui Tavares, Sequeira Costa, Suu Kyi, Vasco Granja, um variadíssimo leque de personalidades vivas e já falecidas.
Muito maior é a lista daqueles com quem Não querem sequer ir tomar café: Alberto João Jardim, Berlusconi; Condoleeza Rice, Daniel Drumond, Dias Loureiro, Gouveia Barros, Helena Lopes da Costa, João Costa Miranda, João Machado (cap.), João Rendeiro, Manuel Pinho, Netanyahu, Nunes Correia, Oliveira e Costa, Vital Moreira, Vitor Constâncio.
Nesta listagem aparecem nomes já habituais e ilustres desconhecidos, ou mais ou menos. Voltamos a referir que este passatempo não vincula a redacção do Eça & Outras às opiniões expressas, nem é um juízo de valor sobre os nomes referidos. É apenas o direito inalienável de qualquer cidadão do mundo livre de expressar-se publicamente e por escrito sobre esse gesto social tão simples, o de querer, ou não, ir tomar café com qualquer outro cidadão, famoso ou não.


Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 9 – Quinta-feira, 25 de Junho de 2009
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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Eça & Outras Maio

CAPÍTULO EM LEIRIA







Capítulo extraordinário da Confraria

Nos passados dias 1 e 2 a Confraria Queirosiana organizou uma visita ao Roteiro queirosiano de Leiria. Tendo partido do Solar Condes de Resende pelas sete horas da manhã, os confrades e acompanhantes de Gaia juntaram-se aos de Lisboa no Posto de Turismo da cidade do Lis, tendo em seguida partido para a Marinha Grande onde visitaram o deslumbrante Museu do Vidro











Visita ao roteiro queirosiano de Leiria

Da parte da tarde iniciaram a visita na igreja de S. Pedro, junto ao castelo, tendo sido guiados pelo Dr. Orlando Cardoso, autor do roteiro, que viria a ser insigniado como sócio de honra da Confraria, grau louvado, no capítulo extraordinário que ao fim da tarde teve lugar na Junta de Freguesia de Leiria. A delegação da Confraria Queirosiana foi recebida pela presidente Dr.ª Laura Esperança, que presidiu à sessão, sendo ladeada pelo mesário-mor Gonçalves Guimarães, pela Doutora Ana Margarida Dinis Vieira, que na ocasião dissertou sobre a sua tese de doutoramento intitulada As vertentes do olhar na ficção queirosiana, e pelo Dr. Armínio Azevedo da Confraria Gastronómica de Pinhal do Rei.
O mesário-mor fez o elogio do agraciado, que na circunstância recebeu as insígnias da parte da Dr.ª Fátima Teixeira membro da Mesa da Confraria. Seguiu-se a troca de lembranças entre as entidades representadas e os presentes e depois um jantar.
No dia dois, sábado, os participantes dirigiram-se à freguesia de Santa Eufémia para visitarem o Vale e o Centro de Interpretação do Menino do Lapêdo, tendo sido guiados pelo seu descobridor, quando ainda estudante de Património na Universidade de Évora, Dr. Pedro Ferreira.

Visita ao Vale do Lapêdo
Após o almoço na freguesia de Cortes, a comitiva visitou a Casa-Museu João Soares, onde apreciou uma exposição sobre Leiria no tempo das Invasões Francesas e a exposição residente sobre a implantação da Republica e o trajecto político português até à actualidade.
Esta visita, para além da visita ao Roteiro queirosiano de Leiria, teve como objectivo recordar o centenário de Darwin (200 anos do nascimento e 150º aniversário da publicação de A origem das espécies), a evocação dos 200 anos das Invasões Francesas, nas quais lutou na região de Leiria o bisavô dos filhos de Eça de Queirós, Manuel Pamplona Carneiro Rangel, 1º visconde de Beire, e a preparação da evocação do centenário da Republica, que decorrerá em 2010.









Local onde Eça se apeou em 1870

O OLHAR DE EÇA


A editora Nova Vega, L.da publicou recentemente a obra As Vertentes do Olhar na Ficção Queirosiana, tese de doutoramento de Ana Margarida Dinis Vieira apresentada em 2006 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, uma exaustiva abordagem da estrada de dois sentidos que é o acto de olhar na obra de Eça, desenvolvendo a análise desse acto fisiológico pelos domínios do animal, do antropológico, do social e do cultural até à sua magistral utilização pelo escritor como uma ferramenta para criar a obra de arte, neste caso literária.
Em capítulos intensos e bem documentados a autora aborda a “utilização” do olhar na ficção oitocentista, escalpelizando a dicotomia entre o olhar masculino e o olhar feminino, pormenorizando com o caso das diversas figuras queirosianas. Esta abordagem, naturalmente muito erudita, mas aqui explorada de forma agradável e de descoberta permanente, termina com propostas de releitura entre a «ciência do olhar» e a «ciência da paixão».
Se alguém, sem ler o livro, pode pensar que estamos perante mais uma abordagem intelectual das imensíssimas leituras possíveis da obra deste escritor oitocentista com notáveis propostas de permanência que nos levam a lê-lo sempre com prazer, não quero aqui desenganá-lo. O livro é isso mesmo. Mas se se lembrarem que um recente êxito musical do diseur Pedro Abrunhosa é exactamente sobre a sedução do olhar, então esta obra está exactamente a falar, a partir de Eça de Queirós, de algo que é muito caro a qualquer jovem actual de dezoito anos e portanto, não estamos apenas perante uma obra academicamente muito bem elaborada, mas também capaz de nos ajudar a compreender as seduções do olhar no nosso quotidiano em que o telemóvel e a internet levam os nossos olhares escritos a toda a parte, muito para além dos óculos de sol das conveniências sociais e das gradações luminosas deste nosso viver ainda, malgré tout, tão queirosiano.


CONFRARIA DA FOGAÇA NO SOLAR


A Confraria da Fogaça no Solar Condes de Resende

No passado dia 6 de Maio visitou o Solar uma delegação da Confraria da Fogaça de Santa Maria da Feira, para reunir com a Mesa da Confraria Queirosiana no sentido de serem estreitadas relações entre ambas as instituições e planear projectos conjuntos.
Ao jantar foi servido um queirosiano “cozido à portuguesa” acompanhado com o reserva tinto “Homenagem ao Marquês de Soveral”, a que se seguiram as tradicionais fogaças e queijos feirenses, muito bem acompanhados pelo reserva tawny “Confraria Queirosiana”.
Deste encontro resultaram duas linhas de trabalho a concretizar: a realização de um Roteiro Queirosiano da Terra de Santa Maria e a organização de um encontro de Confrarias do Entre-Douro-e-Vouga no Castelo da Feira a propor à Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas e com a colaboração de outras entidades ligadas à Cultura e ao Turismo.

SINGULARIDADES DE MANOEL

Está nos cinemas a adaptação de Manoel de Oliveira do conto de Eça de Queirós «Singularidades de uma Rapariga Loura» com Catarina Wallenstein, Leonor Silveira, Rogério Samora e Ricardo Trêpa.
Depois do cineasta ter passado por um ciclo camiliano e por um ciclo agustiniano, esta adaptação de um conto do autor de Os Maias transporta as interrogações sobre o afecto e a dureza da realidade quotidiana do século XIX para os nossos dias mostrando a perenidade da fragilidade humana, independentemente do desandar da carruagem das sociedades e das ideologias. Afinal é isso que faz a genialidade dos dois, do José que escreveu, do Manoel que pôs em “fita”. É ler, ver e pensar, minhas senhoras e meus senhores, que a vida é mesmo assim. A Arte é a habilidade de escolher um seu bocado para encaixilhar e isolar do ruído existencial em que estamos mergulhados.

DE NOVO AS MINAS
Uma antiga edição das Minas de Salomão
Em nova edição de Nelson de Matos chegou ao mercado a tradução de As Minas de Salomão de Rider Haggard, publicada pela primeira vez em 1885 com sucesso continuado. Relatando as explorações e aventuras de um inglês vitoriano em África, com outros livros de igual teor, como A Estrela do Sul de Júlio Verne, este tipo de descrições fantasiam as verdadeiras viagens de geógrafos e outros descobridores do interior do continente que deixaram livros muito mais verdadeiros. Estamos a pensar, por exemplo, em Serpa Pinto, Brito Capelo, Roberto IIvens e outros, verdadeiros “Indiana Jones” do século XIX. Outro aspecto não menos interessante a investigar é o “processo” desta tradução na obra de Eça de Queirós, tendo já sido estudado o que é que o escritor acrescentou ao original, ou seja, o que da sua veia melhorou a estorieta de Haggard.

SERPA PINTO

Promovido pela Associação Cultural Serpa Pinto está a decorrer um ciclo de palestras intitulado «O Explorador Serpa Pinto e o Mundo», com sessões na Casa da Cultura de Cinfães e no Clube Literário do Porto.
Neste último local o novo consócio Mestre Dr. Nuno Resende proferirá no próximo dia 20 de Junho, às 15 horas, uma palestra intitulada «As vistas estereoscópicas da Quinta do Paço (Cinfães, séc. XIX): uma visão de mundos num Portugal em mudança». A sessão terá como moderador o Dr. Manuel Castro Monteiro, vice-presidente daquela associação.

CANONIZAÇÃO DE NUN’ ÁLVARES


Em 25 de Abril, estivemos em Roma, assistindo à cerimónia da canonização do novo Santo Português. Com a Praça de S. Pedro completamente cheia, Sua Santidade o Papa Bento XVI, elogiou os valores de São Nuno, destacando o facto de, mesmo em confrontos militares, ter mantido os valores e princípios cristãos.
Sua Santidade referiu ainda, com particular destaque, a Sua emoção pela presença de tantas personalidades de destaque da vida portuguesa. De assinalar a considerável participação de cidadãos brasileiros traduzida pela exuberante e natural alegria dos mesmos e pelo elevado numero de bandeiras brasileiras presentes.
No dia anterior e na Igreja de Santo António dos Portugueses, em Roma, o Cardeal Patriarca de Lisboa, durante a vigília de preparação para a cerimónia do dia seguinte, teve ocasião de referir que a figura de D. Nuno é inconciliável com a mediocridade, frisando que a vida do Condestável é «uma denúncia muito grande para os homens do nosso tempo».
Referindo-se ainda á participação oficial portuguesa D. José Policarpo sublinhou: «Penso que foi pouco. Se fosse noutros contextos, o relevo dado seria maior»… «até fiquei contente que a reacção oficial fosse discreta, porque penso que a reacção mais verdadeira compete-nos a nós, a todos os que estão sensíveis a estes valores». Nun’Alvares, Condestável e Santo é o título de um livro de D. António dos Reis Rodrigues, professor de alguns de nós.
Pereira Gonçalves

TOMAR CAFÉ SIM OU NÃO

A lista estava a ficar interminável e muito repetitiva. Por isso decidimos só incluir em cada número as novas sugestões, que às vezes são nomes que já constam da listagem anterior. Voltamos a reafirmar que este passatempo é apenas a expressão da simpatia ou antipatia dos participantes pelos visados, direito inalienável que lhes assiste, e não qualquer outro juízo de valor pela sua pessoa, actos ou obras.

Sim, gostaria de tomar café com:

Dalai Lama, Luis Portela, Miguel Castelo Branco, Patxi Andion, Roxana Siberi.

Não gostaria de tomar café com:

Berlusconi, Condolleza Rice, Dan Harel, Daniel Dayan, Eduardo Costa, Esther Mucznik, Gordon Brown, Jean-Marie Le Pen, Joaquim Rocha, João Lourenço, João Rendeiro, Lopes da Mota, Manuel Pinho, Medvedev, Michael Martin, Pinto Monteiro, Ricardo Rodrigues, Vitor Constâncio.

Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 8 – Segunda feira, 25 de Maio de 2009
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sexta-feira, 24 de abril de 2009

Eça & Outras Abril

Eça & Outras, IIIª série

n.º 1 – 25 de Setembro de 2008
n.º 2 – 25 de Outubro de 2008
n.º 3 – 25 de Novembro de 2008
n.º 4 – 25 de Dezembro de 2008
n.º 5 – 25 de Janeiro de 2009
n.º 6 – 25 de Fevereiro de 2009
n,º 7 – 25 de Março de 2009
n.º 8 – 25 de Abril de 2009


Portugal “descobre” J. Rentes de Carvalho




J. Rentes de Carvalho, Estevais do Mogadouro, Abril de 2009




Nos últimos tempos e na sequência da publicação do livro Com os Holandeses pela Quetzal, a opinião pública portuguesa “descobre” J. Rentes de Carvalho, o escritor nascido em 1930 em Vila Nova de Gaia que vive nos Países Baixos desde 1956 e que tão bem (e também) escreve sobre Portugal. Revistas de prestígio, como Ler e Actual (do Expresso, que puxou o escritor à primeira página em 18 de Abril), falam agora do autor de Ernestina, de A Sétima Onda e outros romances que o grande público há-de “redescobrir” em breve e que podem ser comprados (ainda) na Loja do Solar Condes de Resende, pois até aqui têm sido tratados entre nós como aquele precioso tabaco holandês, de perfume inigualável, que só se partilha com amigos e amigas muito íntimos.
Entretanto estivemos recentemente com o escritor em Estevais do Mogadouro, no seu avoengo refúgio transmontano, falando deste nosso mundo e das suas performances estupefactivas e malgré tout da vida simples e desprendida de quem apenas se importa com o que realmente é importante.
Depois do almoço no Artur de Carviçais, o jantar foi em casa e preparado por sua esposa Loechie que sabe há muito que estes gaienses/durienses são doidos por petiscos e vinhos e as restantes seis coisas boas que há na vida, incluindo nelas o estudo e a convivialidade. E desta feita o professor de Amsterdam ofereceu à Confraria Queirosiana do seu espólio pessoal mais alguns objectos muito do afecto, entre eles o seu computador portátil IBM de 1992 (que ainda funciona!), vários livros que foram de seu pai, publicações com artigos seus ou sobre si, diplomas da instrução primária quando havia prémios famosos, e uma notável colecção de suas fotografias feitas por grandes fotógrafos retratistas. Todo este espolio está catalogado e vai ser posto na Internete no blogue confrariaqueirosiana.blogspot.com.
A Confraria está a elaborar um projecto para a criação de uma Casa Rentes de Carvalho no Centro Histórico de Gaia, se possível no lugar, ou mesmo na casa, onde o escritor nasceu em 1930.

A “Ramalhal figura” em livro

Pela mão do incansável A. Campos Matos acaba de ser publicado pela Livros Horizonte mais uma obra imprescindível para os estudiosos, os amantes e os simples curiosos do universo queirosiano. Trata-se de Eça de Queiroz - Ramalho Ortigão. Retrato da “Ramalhal Figura”. Como o autor explica no texto introdutório, «só por alturas de 1995… nos pudemos dar nitidamente conta de que algo de estranho existia na amizade entre os dois confrades, que, no que a Ramalho dizia respeito, suava a falso». E vai daí este livro analisa exaustivamente, para além de aspectos biográficos dos dois escritores, os “dossiers” A Batalha do Caia; a Revista de Portugal; Ramalho e a morte de Eça; Ramalho e as obras póstumas; a autoria e as correcções de O Mistério da Estrada de Sintra; a revisão de A Cidade e as Serras, tudo muito bem documentado com correspondência entre ambos e de ambos para outros, o que leva o autor a concluir que, sobre a amizade de Ramalho por Eça, «temos razões de sobra para pensar que Eça talvez se tenha enganado nesta apreciação, ou que, pelo menos, ela merece cuidadosos matizados».
Como sempre nas suas obras, A. Campos Matos dá-nos Eça “ao vivo” e, desta vez, também Ramalho Ortigão, esse verdadeiro poseur oitocentista, que para a posteridade quis fazer-se passar por santarrão no que ao amigo diz respeito. O autor usa de todas as cautelas e elegâncias de escrita para não ter de ter um duelo com algum ramalhista na Arca d’Água do Porto, como aconteceu com Antero e o autor de A Holanda. Sobre este livro, certo de que há quem ainda ache que, se «em Eça não se pode tocar nem com uma flor» como disse um dia, piadalando, o pouco risonho José Régio, talvez os mesmos achem que em Ramalho não se mexe nem com um alho-porro.
Lembro-me aqui das palavras de A. de Almeida Fernandes quando mexeu na sacrosanta convicção regionalista de que D. Afonso Henriques teria nascido em Guimarães: «coragem intelectual é o mesmo que honestidade intelectual, porque a verdadeira coragem é sempre honesta, mesmo quando erra» (Viseu - Pátria de D. Afonso Henriques).
Neste livro sobre as relações de Eça com Ramalho só vi honestidade intelectual e, além do mais, nenhum erro. Ramalho foi assim. As grandes figuras têm todas as suas grandezas e misérias.

Confraria das Tripas do Porto

No passado dia 18 de Abril a Confraria Queirosiana fez-se representar no VIII Capítulo da Confraria Gastronómica das Tripas à Moda do Porto que se realizou no Palácio da Bolsa daquela cidade e de que é presidente da Direcção o Chefe Hélio Loureiro.
Na ocasião foram insigniados, entre outros novos confrades de honra e de número, os queirosianos D. Duarte Pio e o Prof. Doutor José Manuel Tedim, da Academia Eça de Queirós.
Depois da homenagem ao Infante D. Henrique, patrono da Confraria, na sua estátua da autoria de Tomás Costa que se ergue no jardim fronteiro, e do magnífico jantar, seguiu-se animado baile que durou até às tantas, como antigamente e também agoramente e como, assim o esperamos, também futuramente.


Porto Palácio Hotel:
Jantares com Confrarias


O Porto Palácio Hotel e a Solinca, pela mão do Chefe Hélio Loureiro, estão a organizar um conjunto de jantares temáticos com algumas confrarias portuguesas que têm pugnado pela defesa das nossas boas tradições gastronómicas e culturais. O primeiro desses jantares decorreu no passado dia 27 de Março no Restaurante Le Coin, tendo como convidada a Confraria Queirosiana. Participaram no repasto na mesa de honra, presidida pelo Chefe Hélio Loureiro, vários confrades, alguns dos quais vindos de Lisboa para saborearem o “Caldo de galinha com fígado e moela”, o “Bacalhau com pimentos e grão-de-bico” o “Arroz de favas e perna de vitela assada”, os “Ovos queimados”, as “Trouxas de ovos” e a “Charlotte russe”, menu incontornável do universo gastronómico queirosiano, executado com rigor e qualidade, mas com o toque actual que o próprio Eça deve ter aplaudido, pois ele próprio esteve permanentemente à mesa ao longo da animada conversa em que se transformou este jantar-tertúlia com conversadores natos e infatigáveis.











Caricatura de Eça de Queirós, Barros 1979,
Núcleo J. Rentes de Carvalho, S.C.R.





CAFÉ SIM E CAFÉ NÃO ATÉ AGORA:

Continuam a chegar-nos sugestões para aceitação de convites para ir tomar café com gente ilustre ou com simpáticos(as) desconhecidos(as) ou recusas perentórias com outros tantos. Informamos, mais uma vez, que não há aqui qualquer ideia prévia ou de censura, e a prova de tal é que aparecem alguns nomes comuns nos sins e nos nãos. Este passatempo é uma mera curiosidade, mas que dá que pensar, lá isso dá. Aliás também é a única coisa que “dá”.

Sim, gostaria de tomar café com:
Aldo Naouri; Alexandre Soares dos Santos; Ana Gomes; Augusto Mateus; Beyoncé; Beppino Englaro; Carlos Pinto Coelho; Charles Darwin; Dalai Lama; Dom Duarte Pio; Elvira Fortunato; Eva Hábil Kyrolos; Harrison Ford; Hugo Chavez; Isabel Pires de Lima; Jamie Oliver; João Cravinho; Jorge Miranda; José Mourinho; José Rentes de Carvalho; José Sócrates; Leonard Cohen; Luís Afonso; Luís Filipe Menezes; Manuel Alegre; Manuel Maria Carrilho; Manoel de Oliveira; Miguel Esteves Cardoso; Muntadhar al-Zaidi; Norah Al Fayez; Orlando Figes; Rui Sá; Rui Vilar; Salman Rushdie; Vasco Pulido Valente.

Não gostaria de tomar café com:
Adão da Fonseca; Alberto Costa; Alberto João Jardim; Albino Almeida; Armando Vara; Augusto Santos Silva; Avelino Ferreira Torres; Avigdor Lieberman; Bento XVI; Berlusconi; Bill Gates; Carolina Salgado; Dias Loureiro; Domingos Névoa; Durão Barroso; Ehud Barak; Esther Mucznik; Fátima Felgueiras; Ferreira de Oliveira; George Bush; Hugo Chavez; Isaltino Morais; Jaime Gama; Jaime Neves; Jean-Marie Le Pen; João Cordeiro; João Rendeiro; Joaquim Jorge; Joe Berardo; Jorge Nuno Pinto da Costa; José António Pinto Ribeiro; José Sócrates; Lopes da Mota; Luís Caprichoso; Manuel Fino; Manuel Pinho; Manuela Ferreira Leite; Margarida Moreira; Mário Nogueira; Mesquita Machado; Mikhail Khochorkovski; Netanyahu; Nino Vieira; Oliveira e Costa; Omar al-Bashir; Paulo Portas; Pedro Passos Coelho; Robert Mugabe; Santana Lopes; Valentim Loureiro; Vasco Graça Moura; Vieira da Silva.

Próxima actualização: 25 de Maio

CLUBE DE GENEALOGIA

Anda por aí muita gente à procura dos avós para saber, documentalmente falando, de quem descende. É simples, nem sempre é fácil, não é caro, é instrutivo e permite descobrir no presente e no futuro um passado às vezes insuspeitado. Além do mais, coleccionar avós é uma actividade muito menos solitária do que coleccionar selos, pois podem sempre partilhar-se as “descobertas” com milhares de outros cidadãos vivos que têm os mesmos antepassados comuns.
É assim que às quintas-feiras, de quinze em quinze dias, reúne no Solar dos Condes de Resende o “Gota gaiense, club de genealogia”, para troca de opiniões, métodos, fontes, problemas, obras feitas e por fazer, para iniciados e veteranos. O objectivo último seria fazer o Gota gaiense, uma obra informática onde se registassem o nome e demais dados de todos os nascidos em Vila Nova de Gaia ou gaienses de adopção.
A família de Eça de Queirós, seus ascendentes e descendentes, se bem que já estudada, carece de uma muito boa actualização. É um bom ponto de partida.

VERDEMILHO SERÁ DESTA?

De há anos a esta parte que o arquitecto A. Campos Matos vem escrevendo cartas ao presidente da Câmara de Aveiro para que a autarquia assuma a dignificação da Casa do avô de Eça de Queirós em Verdemilho, onde o escritor viveu em criança, tempo esse importante na sua vocação futura de contador de estórias, evitando a sua derrocada, libertando-a de acrescentos espúrios, recolocando o brasão na platibanda da fachada e consolidando o que há de autêntico no edifício através de uma intervenção minimalista. Posteriormente, «quando houver dinheiro» o mesmo arquitecto propõe que seja construído por detrás da consolidada fachada um espaço-museu discreto e útil.
Finalmente o Sr. Presidente da Câmara, Dr. Élio Maia, respondeu-lhe a dizer que a Câmara vai expropriar o edifício por «interesse municipal», a figura jurídica que pode cobrir estas situações.
Se bem se recordam, o município de Aveiro foi um daqueles que gastou milhões num inútil e caro estádio de futebol que custará ainda mais inúteis milhões se Portugal e Espanha tiverem de organizar o Campeonato não sei quê de Futebol, lá para o ano de dois mil e não sei quantos. Mas para isso tem havido, há, e continuará a haver dinheiro, pois assim como o Estado impede que bancos de banqueiros pulhas vão à falência, também a classe dirigente tudo fará (à nossa custa, claro) para que o seu amado futebol não vá à falência, ainda que os estádios continuem vazios.
Regressando a coisas concretas, já agora também convinha que no pacote de dignificação da Casa de Verdemilho não fosse esquecido o jazigo da família paterna de Eça existente no cemitério da terra.
Será desta? Ou será só campanha eleitoral? Veremos o que o tempo nos reserva, pois é nele que as verdades e as mentiras se inscrevem, às vezes disfarçadas umas nas outras.

ECOTURISMO E CONSERVAÇÃO DA NATUREZA

No passado dia 22 de Abril o Parque Biológico de Gaia inaugurou o seu parque para autocaravanas, equipamento imprescindível nesta instituição cada vez mais procurada por turistas em busca de valores naturais.
Na ocasião foi lançado o novo livro de Nuno Oliveira intitulado Ecoturismo e Conservação da Natureza, com uma excelente introdução teórica sobre o assunto, seguida de bons, maus e exemplos assim assim um pouco por todo o mundo, desde o Quénia, passando por S. Tomé e Príncipe, Reino Unido, Vinhais e Vila Nova de Gaia, aqui com a interrogação prospectiva de saber-se se uma grande cidade pode ainda ser destino ecoturístico. Em anexo final as declarações do Quebeque e de Alcanena sobre a temática deste livro.
Lembram-se das preocupações ambientalistas de Eça de Queirós em A Cidade e as Serras? Vão ler outra vez, fazem favor!


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Fátima Teixeira; A. Campos Matos

quarta-feira, 25 de março de 2009

Eça & Outras Março

Confrades queirosianos no Recife


António Alberto e Carolina Calheiros Lobo,
Dagoberto Carvalho J.or e Gonçalves Guimarães
em Espinho, 14 de Outubro de 2008.

Dagoberto Carvalho J.or, o grande presidente da Sociedade Eça de Queiroz do Recife, acaba de receber os confrades António Alberto e Carolina Calheiros Lobo em digressão por terras brasileiras.
No passado dia 20 de Fevereiro no Diário de Pernambuco publicou uma das suas deliciosas crónicas que teve a gentileza de nos enviar e que a seguir transcrevemos com a devida vénia:

Estante da Confraria: os Guimarães de “Canelas”

Dagoberto Carvalho Jr.
Escritor
dagobertocjr@hotmail.com


Volto da temporada portuguesa com a estante eciana renovada. Não só de títulos temáticos, mas de novidades editoriais como um todo, indivisível e rico. Portugal é assim. Trata seus livros como ninguém. Assim chegaram-me às mãos, com toda a qualidade gráfica possível, do mesário-mor da Confraria Queirosiana de Vila Nova de Gaia, J. A. Gonçalves Guimarães, Marquês de Soveral Homem do Douro e do Mundo e, de sua filha Susana (Cristina Gomes Gonçalves) Guimarães, A Quinta da Costa em Canelas – Vila Nova de Gaia (1766–1816) Família, Patrimônio e Casa.
Conheci Joaquim António Gonçalves Guimarães através de alguns bons ensaios e do discurso com que me recebeu em sua Confraria. Entre aqueles, destaca-se Brasileiros Ilustres de Vila Nova de Gaia – quinhentos anos de relações humanas, artísticas e literárias entre a terra das caves do Vinho do Porto e o império da doce fala, publicado pela Universidade Portucalense Infante D. Henrique, Porto, como separata da revista Africana, nº 26 / 27, 2003.
Realiza sério trabalho de historiador, arqueólogo e patrimoniólogo – sem deixar de fazer boa literatura – porque como ele mesmo diz na apresentação do livro Contos Anacrônicos, de António Eça de Queiroz, Porto: Campo das Letras, 2003, “a literatura é a história possível da gente anônima”–; na página “Eça & Outros” do jornal O Primeiro de Janeiro e na Revista de Portugal, que resgatou como órgão oficial da Confraria que dirige. A revista de mesmo título – daí a razão da homenagem – foi, talvez, o maior projeto editorial (1889) de Eça de Queiroz, motivo pelo qual também foi reerguida, nos anos trinta do século passado, por Vitorino Nemésio. Já em o nº 2 de sua Revista de Portugal divide com Eva Baptista a autoria do substancioso “A Família e a Maternidade na Imaginária Religiosa do Século XVIII: O Caso Gaiense”. Não poderíamos ter marcado – até porque não o foi, mesmo – encontro lítero-sócio-antropológico tão do meu agrado e grato ao saber especializado de ambos. Agradeci a oportunidade da leitura com o envio de Arte Sacra Popular e Resistência Cultural e A Talha de Retábulos no Piauí, livros resultantes de pesquisas na área.
Marquês de Soveral, Homem do Douro e do Mundo é competente biografia do diplomata português Luís Maria Pinto de Soveral, um dos famosos “Vencidos da Vida” – por haver integrado, com o patrono de nossos grêmios, o conhecido grupo lisboeta –, com a marca de seriedade e o gosto da boa literatura de Gonçalves Guimarães. É livro de fôlego, a que não escapa, dentro do amplo painel das conquistas amorosas de Soveral, um possível namoro de férias deste e Emília de Castro.
A propósito do dândi que foi, também, proprietário e produtor de vinhos em São João da Pesqueira e, como curiosidade, guardo – troféu de escritor enófilo – há uns trinta anos, um rosé “ Marquis de Soveral – Portuguese TableWine”, da Real Vinícola.
O livro de Susana Guimarães – sua dissertação ao Mestrado da Faculdade de Letras da Universidade do Porto – é a mais completa pesquisa já publicada sobre a casa e a própria Quinta (para nós, estudiosos do “pobre grande homem da Póvoa de Varzim”) de Canelas, definitivamente incorporada ao roteiro queiroziano internacional por haver acumpliciado o início do romance Eça de Queiroz–Emília de Castro. É a mais rica história social da Quinta e “sabe” à literatura. Das boas.

Curso sobre Eça de Queirós

Com uma lição sobre “Eça de Queirós e a Literatura Contemporânea” proferida por Isabel Pires de Lima, encerrou no passado dia 21 de Março o curso livre “Eça de Queirós, sua vida, sua obra, sua época”, organizado pelo Solar Condes de Resende com a colaboração da Academia Eça de Queirós. Na ocasião aquela professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e membro daquela academia analisou a influência de Eça em escritores como Mário Cláudio, em As batalhas do Caia e de Eduardo Agualusa em Nação Crioula, referindo-se ainda à obra artística de Paula Rego inspirada em O Crime do Padre Amaro.
A Academia Eça de Queirós, para além de outras acções de formação, está a organizar para o próximo Inverno a quarta edição do curso livre sobre Historia de Gaia e do Grande Porto, desta vez a partir da biografia das grandes mulheres e dos grandes homens com quem a região se identifica e, para o Inverno de 2010, um novo curso sobre Eça de Queirós e outros escritores seus contemporâneos.


Confraria Queirosiana vai a Leiria





Eça de Queirós em Leiria
obra pouco conhecida de Júlio de Sousa e Costa
publicada em 1953.




Nos próximos dia 1 e 2 de Maio a Confraria Queirosiana vai percorrer o itinerário de O Crime do Padre Amaro na cidade do Lis. Assim, no dia 1, os confrades partem de manhã cedo do Solar Condes de Resende e de Lisboa, encontrando-se naquela cidade para se dirigirem ao Museu do Vidro da Marinha Grande. Da parte de tarde irão percorrer o itinerário proposto por Orlando Cardoso, desde a Igreja de S. Pedro até ao Marachão. No dia seguinte visitarão o Centro de Interpretação do Menino do Lapedo e de tarde irão ao Museu João Soares. A visita conta com o apoio da Junta de Freguesia de Leiria e do Turismo de Leiria/Fátima.

Eça na Galiza

A Editora Candeia, de Santiago de Compostela, lançou recentemente uma nova edição de O Mandarim de Eça de Queirós, em português, dirigida a alunos do secundário.
Entretanto está previsto para Gaia Capital da Cultura do Eixo Atlântico a realização de um colóquio queirosiano luso-galaico no próximo Verão, organizado pelo Pelouro da Cultura da Câmara de Gaia com a colaboração da Confraria Queirosiana.

Eça em Matosinhos

A Escola Secundária do Padrão da Légua, Matosinhos, sob a orientação do professor de Filosofia Paulo Pais, organizou uma exposição intitulada “Um olhar sobre Eça de Queiroz”, composta por 22 paineis sobre a vida, obra e época do escritor a partir da exposição organizada pelo Instituto Camões em 2000.
Paralelamente à exposição foram apresentadas algumas teatralizações de textos de Os Maias. A exposição estará patente nesta escola até ao final do ano lectivo.

Passatempo do eca-e-outras

TOMAR OU NÃO TOMAR CAFÉ COM ELAS OU COM ELES

O nosso passatempo causou alguma perplexidade nos leitores, muitos dos quais não blogaram, mas que telefonaram e emailaram connosco. E deram sugestões e pediram explicações. Algumas explicações possíveis: querer ou não tomar café com alguém é um direito que assiste a qualquer cidadão, bem assim como o direito a manifestá-lo sob qualquer forma, incluindo por escrito; o mundo não é apenas dos famosos, mas de todos os viventes, incluindo plantas e animais, embora seja difícil ir tomar café com um pinheiro, mas já não tanto com uma mosca ou um caniche, por exemplo. A opinião das pessoas felizmente não é toda igual; por isso não se estranhe encontrar alguns mesmos nomes nos sins e nos nãos. E as opiniões e a liberdade de as ter respeitam-se. Não querer ir tomar café com alguém não é uma sentença, uma acusação ou um insulto; é apenas um direito. Do mesmo modo o querer fazê-lo pode ser apenas um desejo, um sonho, um capricho, um investimento dificilmente concretizável. E, além do mais, todos podem querer ir tomar café consigo próprios, ou seja, sozinhos, ou até detestarem-se de tal modo que nem consigo próprios querem tomar alguma coisa, seja ele café, água ou mesmo ar. Tal coisa só com alguém pior do que os próprios, pois melhor é difícil arranjar quem a tal se preste, a não ser os desesperados da lista de espera dos media, de arranjismo social, político, religioso, desportivo, etc. desde que algum jornalista os acompanhe. Temos visto muita coisa dessa nos media, indivíduos a conviverem com o seu triste ego e a darem entrevistas sobre isso.
Entretanto, como a lista promete engordar damos-lhe novo formato. E já sabem: cinco nomes com quem querem ir tomar café; cinco nomes com quem não querem tomar café ou outra bebida qualquer. Basta enviar e ver o resultado. Este passatempo não dá prémios, nem descontos, nem qualquer outra benesse; é apenas puro prazer intelectual. Supomos que ainda não é proibido.

Sim, gostaria de tomar café com:
Alexandre Soares dos Santos; Ana Gomes; Beyoncé; Beppino Englaro; Charles Darwin; Dalai Lama; Dom Duarte Pio; Elvira Fortunato; Harrison Ford; Hugo Chavez; Isabel Pires de Lima; José Mourinho; José Sócrates; Luís Afonso; Luís Filipe Menezes; Manuel Alegre; Manuel Maria Carrilho; Manoel de Oliveira; Muntadhar al-Zaidi; Norah Al Fayez; Orlando Figes; Rui Sá; Salman Rushdie; Vasco Pulido Valente.

Não gostaria de tomar café com:
Adão da Fonseca; Alberto João Jardim; Armando Vara; Avelino Ferreira Torres; Bento XVI; Berlusconi; Bill Gates; Carolina Salgado; Dias Loureiro; Domingos Névoa; Durão Barroso; Ehud Barak; Esther Mucznik; Fátima Felgueiras; Ferreira de Oliveira; George Bush; Hugo Chavez; Isaltino Morais; Jaime Gama; João Rendeiro; Joaquim Jorge; Joe Berardo; Jorge Nuno Pinto da Costa; José António Pinto Ribeiro; José Sócrates; Luís Caprichoso; Manuel Fino; Manuel Pinho; Manuela Ferreira Leite; Margarida Moreira; Mário Nogueira; Mikhail Khochorkovski; Netanyahu; Nino Vieira; Oliveira e Costa; Omar al-Bashir; Paulo Portas; Pedro Passos Coelho; Robert Mugabe; Santana Lopes; Valentim Loureiro; Vasco Graça Moura; Vieira da Silva.

Dia 25 de Abril actualizaremos os resultados


Eça & Outras, IIIª. série n.º 5 – Quarta-feira, 25 de Março de 2009
Cte. n.º 506285685
NIB: 001800005536505900154
IBAN: PT50001800005536505900154
Email :
queirosiana@gmail.com
confrariaqueirosiana.blospot.com
eca-e-outras.blogspot.com
Coordenação da página:
J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638)
Redacção: Fátima Teixeira
Inserção: Amélia Cabral

Colaboradores desta edição:
J. A. Gonçalves Guimarães; Dagoberto Carvalho J.or
Fátima Teixeira; Henrique Guedes; Simões Duarte.