sábado, 25 de abril de 2026

 

 

Eça & Outras, III.ª série, n.º 212, sábado, 25 de abril de 2026

Os videirinhos

Há adjetivos muito curiosos na língua portuguesa, e um deles será videiro, «o que trata cuidadosamente da sua vida ou dos seus interesses; fura-vidas», normalmente até apresentado como videirinho «… o que, para chegar aos seus fins, não olha aos meios nem hesita em cometer baixezas», como podemos encontrar em FIGUEIREDO, Cândido, 1949, Dicionário da Língua Portuguesa de Cândido de Figueiredo, volume II, 14.ª edição. Lisboa: Livraria Bertrand, página 1303. Estes conceitos usámo-los correntemente em situações coloquiais, acompanhado de um piscar de olhos ou um sorriso benevolente a desculpar ou sancionar muito ligeiramente os assim classificados que nos rodeiam com mais ou menos sucesso.

Não é meu propósito dissertar aqui sobre o bem e o mal, dos dias de hoje ou desde os tempos bíblicos, ou chamar à colação uma legião de teólogos, filósofos, moralistas diversos nas doutrinas e nas escolas a que pertencem, todos eles munidos de preconceitos e preceitos salvíficos. Mas também não vou dar qualquer crédito aos inúteis relativistas, os imediatistas que logo vociferam que a vida, o ser humano, a sociedade, o universo, o euromilhões, ou outra banalidade qualquer, são mesmo assim, não têm emenda, seja lá ela qual for, que não há nada a fazer, que cada um safe-se como puder. A tarefa seria demasiado árdua e enfadonha, com descrições desmesuradas, exemplos intermináveis, e alguém diria: «deixa lá isso, oh Guimarães!». Outros, quiçá mais prudentes e avisados, «olha que já te lixaste e ainda te lixas mais!». Tudo videiros; videirinhos, epítetos que julgo não ter nem merecer, pois não me agradam nem os almejo. Quem os tiver que lhe façam bom proveito, pois a inveja também não faz parte do meu ideário, associando-lhe, empiricamente já se vê, uma cor de pele esverdeada e problemas de vesícula.

Mas há uma área onde estas questões se me põem com alguma acuidade desde que na faculdade me comecei a interrogar à procura das normas do meu exercício profissional como historiador e “ofícios correlativos” (arqueólogo, historiador da Arte, patrimoniólogo…), alguns dos quais foram entretanto valorizados academicamente com licenciaturas ou pós-graduações próprias e outros graus, mas muito pouco, ou nada, nas suas definições éticas e na sua prática quotidiana, onde está muito mais presente a constatação comezinha de que «bem prega frei tomás, olha para o que ele diz, mas não para o que ele faz…».

Repito, para que conste, quando frequentei a Faculdade de Letras da Universidade do Porto estas questões eram, pura e simplesmente, ou ignoradas ou escamoteadas. Por parte dos professores, alguns de efetivo mérito que o passar do tempo registou e dourou, outros nem por isso (videiros, videirinhos…), não havia qualquer alusão ao exercício profissional e como fazê-lo, quais as suas normas e como as aprender, debater e por em prática. O ensino era apenas erudito (ou nem isso…), apologista do “empinanço”, do salamaleque, da reverência institucional, da inevitabilidade das “cunhas” e do “salve-se quem puder”, quando muito em direção ao “contingente geral” no ensino público e privado, onde impera o administrativismo exacerbado ou mesmo as “seleções silenciosas”, que pouco ou nada têm a ver com a qualidade profissional do professor. E quem disser o contrário, ou já usou para si próprio o detergente mental das conveniências, ou anda aí feito caixeiro-viajante de prêts-a-porter ideológicos.

Tudo isto a propósito de que anda meio mundo muito preocupado com a dita “inteligência artificial” (e quem não anda finge andar para estar à la page) contando-se horrores da manipulação informática (sempre humana, não se esqueçam…) de textos, imagens, sons ou com a sua apresentação ou utilização. O “fim-do-mundo”, o apocalipse manipulado desde tempos antigos para meter medo a crianças grandes que aparece em cena de tempos a tempos. Que há doidos à solta e bezerros de ouro, agora informáticos, todos o sabemos, aclamados pelo povo, que muitos dos que estudaram História a correr ou não refletiram sobre o que leram, julgaram e têm como a reserva última da sinceridade e da moralidade. Ilusão que nos tem saído cara  a todos.

Mas as gravuras de Foz Côa são manuais de biologia? São reportagens jornalísticas? São verdades de uma época e de uns humanos ali presentes? Não, não são e tal deveria ser óbvio, e por isso carecem de ser estudadas e interpretadas pelos profissionais. Os antigos textos históricos são relatórios científicos? Foram escritos por gente conhecedora das leis da Física e isenta de mistificações e de preconceitos errados? Não, não são, e por isso precisam de ser enquadrados e escalpelizados à luz dos conhecimentos atuais, já sabemos que sempre precários, mas os que valem nos dias de hoje. E o fundamento dos caminhos de Santiago, de milagres e prodígios vários, da mitologia de algumas instituições, da origem de algumas convicções, costumes e tradições, não carecem da mesma metodologia de análise? Ou só pelo facto de existirem já tal chega para as institucionalizar, mandar pintar, estatuar, vitralizar ou designizar e vender em coloridos volumes impressos, projeções multimédia, souvenirs e recuerdos, «que o turismo é outra coisa» e «o povo gosta de fantasias». Ou seja de “inteligência artificial”, agora computacional, mas desde longa data à frente dos nossos olhos através das pinturas de Giotto, de milhentos textos literários, do teatro de Gil Vicente, do cinema de Manoel de Oliveira e de tutti quanti, a pedirem, ao menos, uma elementar analisesinha e algum bom senso interpretativo.

Os historiadores portugueses não têm ainda uma ordem profissional, mas quando a tiverem, como lidarão com os seus colegas que, deliberadamente, apregoam ou embandeiram fake news do passado sem qualquer sentido crítico, colaboram com programas de inteligência artificial para “preencher” consciências, sancionam com os seus textos ou presença mistificações cronológicas e antiguidades inventadas? E o que farão aos profissionais de outras áreas (ou aos sem profissão nenhuma….!) que ousam invadir a sua esfera de competências com despudorada desresponsabilização igualmente as dando como sólidas verdades? E que dizer dos colégios que fabricam classificações, das faculdades que têm licenciaturas por créditos horários, do despudorado anúncio de empresas que elaboram dissertações de mestrado e teses de doutoramento para vários cursos desde que se pague? Enfim, videiros, videirinhos, quem vende e quem compra.

Escreveu Eça de Queirós, há mais de século e meio: «… entre nós, a mentira é um hábito público. Mente o homem, a política, a ciência, o orçamento, a imprensa, os versos, os sermões, a arte, e o País é todo ele uma grande consciência falsa. Vem tudo da educação» (Eça de Queirós, Uma Campanha Alegre). Um País de videiros, de videirinhos, de videiras, de videirinhas. E de uvas.

J. A. Gonçalves Guimarães

historiador


Eça & Outras

J. Rentes de Carvalho nas Seleções

 


«Oficialmente, entrei hoje na velhice». Foi esta a nota que escreveu José Rentes de Carvalho na última entrada do seu diário, precisamente no dia em que completou 65 anos, em 1995. Agora, que já ultrapassa a barreira dos noventa e seis, o autor de “Ernestina”, “A Amante Holandesa”, “O Meças” ou “Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia” continua a olhar Portugal como o único território transportado pela sua obra, como quem analisa tudo o que guarda de recordações ou anota de vivências soltas.

Traça, na sua escrita, um retrato sentimental onde vivem quase todas as personagens que habitam os seus livros — retratos que projetam os nossos sonhos e pesadelos, inquietações e sobressaltos que ele confessa assim: «Se não escrever, não tenho lugar para pôr a minha raiva. Não para pôr o meu amor, isso é fácil. Pôr a raiva naquilo que se escreve, isso é que é difícil.»

José Rentes de Carvalho nasceu a 15 de maio de 1930, em Vila Nova de Gaia. Cresceu a ver o Porto do outro lado do rio. Neto de um avô sapateiro e de outro avô guarda-fiscal na Alfândega do Porto, ele é uma alma transmontana que veio desaguar, ao fim desse rio vital - o Douro - onde se encontra com o mar de onde depois partiu para o mundo.

 (Excerto da entrevista do confrade Mário Augusto, jornalista de televisão, publicada neste número das Seleções).

Entretanto o escritor confidenciou-nos que estará em Portugal no próximo mês de maio, estando a ser-lhe preparada uma homenagem publica em Estevais de Mogadouro.

 

Professora Cristina Petrescu entre nós

 

Como noticiamos na página de 25 de março, esteve em Portugal entre os dias 23 e 27 de março a nossa confrade Prof. Doutora Cristina Petrescu da Universidade Babes-Bolyai de Cluj-Napoca, Roménia, estudiosa e divulgadora das literaturas e culturas Portuguesa e Brasileira, além do Jazz universal. Naquele último dia a associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, de que é confrade de honra, promoveu-lhe no restaurante A Regaleira do Porto um jantar de aniversário e confraternização com vários confrades que assim a quiseram felicitar pelo trabalho que vem desenvolvendo e que veio partilhar com diversas instituições académicas portuguesas. Referiu-nos ainda que está em preparação um evento queirosiano na Roménia em data a divulgar oportunamente.

 

Fundação Eça de Queiroz

 

No passado dia 17 de abril a Eng.ª Paula Carvalhal, ex-vereadora da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, tomou posse como presidente da Fundação Eça de Queiroz (FEQ) para o triénio 2026-2028, sucedendo ao escritor Afonso Reis Cabral. Tinha já presidido ao conselho de curadores entre 2017 e 2025, na qualidade de representante daquela autarquia. Do conselho cultural para o mandato 2026-2028, a que preside aquela nossa confrade de honra, fazem parte os nossos associados com o mesmo grau, Afonso Reis Cabral, Ana Teresa Peixinho, Carlos Reis, Guilherme d’Oliveira Martins e Maria João Pires de Lima, além de Irene Fialho que deverá ser insigniada no mesmo grau no próximo capítulo. A própria Confraria Queirosiana foi nomeada para fazer parte este órgão consultivo.

 

Amigos dos Museus

 

Com a presença de treze grupos de amigos vindos de todo o país decorreu no passado dia 11 de abril no Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha, a

assembleia geral ordinária para análise discussão e aprovação do relatório anual e contas referentes a 2025, os quais foram aprovados por unanimidade, tendo igualmente sido aprovado o orçamento e plano de atividades para 2026 integrado no atual mandato dos corpos gerentes 2025-2029). Na ocasião foi muito apreciada a intervenção dos Jovens Amigos dos Museus (JAM), cujo projeto de colaboração com os grupos já existentes está a ganhar forma em alguns dos mais prestigiados.

Foram também abordadas questões relacionadas com o prémio "Cultura Sustentável ODS" - Amigos dos Museus/ Fundação Millennium bcp 2026, ganho pela Liga dos Amigos do Douro Património Mundial, recentemente atribuído, e o Prémio Professor Reynaldo dos Santos, bem assim como a representação da FAMP nos encontros e atividades internacionais da WFFM – World Federation of Friends of Museums; a comemoração do Dia Europeu dos Amigos dos Museus; a articulação com o ICOM e a APOM.

Esta ação foi complementada com um intenso programa cultural de visitas a diversos espaços museográficos das Caldas da Rainha.

 

A ASCR-CQ organiza e promove…

 

No passado dia 30 de março decorreu no salão nobre do Solar Condes de Resende, presidida pelo Dr. Carlos Sousa e secretariada pelo Dr. Henrique Guedes, a assembleia geral ordinária da ASCR-CQ para análise e aprovação do relatório e contas, e leitura do parecer do conselho fiscal referente a 2025, tendo sido aprovadas por unanimidade.

 

Lançamento de publicações

 


No passado dia 21 de abril pelas 18 horas, na empresa de Vinho do Porto Quinta da Boeira - Arte e Cultura em Vila Nova de Gaia, decorreu o lançamento do livro Património Cultural de Gaia. Gaia, Século XX, o terceiro volume do projeto Património Cultural de Gaia (PACUG), em concretização pelo Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-CQ, desta feita apresentado por J. A. Gonçalves Guimarães, autor e coordenador geral do projeto, e pelo Professor Doutor José Alberto Rio Fernandes, coordenador deste volume; Vinho Verde. História e Património. History and Heritage, n.º 04, revista editada pela APHVIN/ GHEVID - Associação Portuguesa de História da Vinha e do Vinho, com protocolo de colaboração com a ASCR-CQ e colaboração de três confrades queirosianos, apresentada pelo seu coordenador Prof. Doutor António Barros Cardoso; e Gaya. Estudos de História, Arqueologia e Património, n.º 03, revista daquele gabinete apresentada pelo seu coordenador Prof. Doutor António Manuel S. P. Silva. Para além da apresentação destas obras o espaço onde decorreu o evento proporcionou aos presentes um animado convívio.


Curso sobre Camilo Castelo Branco

 

Com uma aula sobre «J. Rentes de Carvalho, escritor entre Portugal e a Holanda» pelo Doutor Arie Pos, doutorado em Literatura Comparada pela Universidade de Leiden, ex-professor de Literatura e Cultura Neerlandófonas nas universidades de Coimbra, Lisboa e Porto e tradutor e divulgador daquele escritor nos Países Baixos, terminou a parte letiva deste curso no Solar Condes de Resende, o qual terá com uma visita e sessão de encerramento no dia 23 de maio no Centro de Estudos Camilianos em São Miguel de Seide, Famalicão, com a atuação do grupo coral Eça Bem Dito acompanhado pela pianista Maria João Ventura na interpretação de canções do tempo de Camilo, algumas das quais com versos do escritor.


Palestra das primeiras quintas-feiras do mês

 

Prosseguem as habituais palestras no Solar Condes de Resende sobre os mais variados temas culturais. No passado dia 2 de abril foi palestrante o Dr. Sérgio Barros, investigador do Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-CQ sobre o escultor ceramista gaiense Mário Ferreira da Silva, que terá um estudo analítico sobre a sua vida e obra escrito por este investigador publicado no próximo número da revista Gaya. Estudos de História, Arqueologia e Património, n.º 04.

 

A ASCR-CQ esteve em…

 

No dia 28 de março, J. A. Gonçalves Guimarães e Maria de Fátima Teixeira do Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-CQ estiveram reunidos com a direção de uma coletividade de Vila Nova de Gaia para sugerirem motivos para as marchas sanjoaninas deste ano em que o tema a apresentar deve ser baseado nas tradições locais. Como se trata de um concurso entre diversas coletividades e autarquias locais, não vamos ainda aqui revelar a coletividade.

No passado dia 31 de março a direção da ASCR-CQ esteve presente na assembleia geral ordinária da Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia para apresentação e votação do relatório e contas referente ao exercício de 2025

 

Associados…

Conferências e palestras

 

A 16 de abril passado no Auditório do Metro do Alto dos Moinhos em Lisboa, o Prof. Doutor João Emílio Almeida, confrade queirosiano e membro dos atuais corpos gerentes, foi o keynote speaker do painel I de um colóquio sobre o Sistema de Proteção Contra Incêndios em edifícios (SCIE).

No dia 18 de abril na Biblioteca Municipal de Gaia o Doutor Eng.º Salvador Almeida fez uma conferência intitulada «Camilo Castelo Branco e os seus editores - Eduardo Costa Santos, comandante dos bombeiros de Vila Nova de Gaia» integrada nas comemorações do duplo centenário do escritor.

 

No dia 22 de abril na Escola Superior de Educação de Coimbra – Instituto Politécnico de Coimbra (ESEC), o Professor Doutor Carlos Reis, catedrático da Universidade de Coimbra e confrade de honra da Confraria Queirosiana proferiu uma conferência sobre «Figuras Queirosianas: Fradique Mendes e mais gente de papel».

 



No próximo dia 28 de abril, terça-feira, pelas 21,30 horas, na Casa da Cultura de Avintes, o Dr. Silvestre Lacerda, do Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-CQ e ex-diretor do Arquivo Nacional Torre do Tombo vai proferir uma palestra sobre «Constituição de 1976, um fruto do 25 de Abril», numa organização da associação Abientes – Centro de Documentação e Investigação em História Local.

 

Destaques e distinções

Recentemente estiveram em destaque os seguintes associados:

14 de março – Dr. José Luís Carneiro,  confrade de honra da Confraria Queirosiana foi reeleito secretário-geral do Partido Socialista.

21 de março – Dr. Manuel Moreia, confrade de honra da Confraria Queirosiana e membro da atual direção, foi eleito em Lisboa, no congresso ordinário e eletivo da Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto, presidente do congresso e presidente do conselho nacional.

29 de março – Dr. Francisco José Viegas, confrade de honra da Confraria Queirosiana foi nomeado consultor de Cultura do Presidente da República Prof. Dr. António José Seguro.

23 de abril – Dr.ª Ana Casas, confrade da ASCR-CQ e CEO da empresa Mesosystem foi distinguida pelo Rotary Club de Vila Nova de Gaia com o título de Profissional do Ano em homenagem que decorreu no Hotel Holiday Inn Porto Gaia, em Vila Nova de Gaia.

 

Publicações…

 

Do projeto Património Cultural de Gaia (PACUG), em concretização pelo Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-CQ, tendo J. A. Gonçalves Guimarães como autor e coordenador geral e do qual já foram publicados os volumes Património Cultural de Gaia. Património Humano – Personalidades Gaienses (PACUG 1), 2018, coordenador Gonçalo Vasconcelos e Sousa; e Património Cultural de Gaia. Património de Gaia no Mundo (PACUG 2), 2022, coordenado por Francisco Queiroz, foi agora lançado o terceiro volume, Património Cultural de Gaia. Gaia, Século XX (PACUG 3), 2025, o qual teve como coordenador o Professor Doutor José Alberto Rio Fernandes, catedrático de Geografia na FLUP, e como autores Cristina Baeta; Fátima Matos; J. A. Gonçalves Guimarães; Jorge Ricardo Pinto; José Pedro Tenreiro; Pedro Chamusca e Susana Guimarães.

 



Referente também a 2025, foi lançado na mesma sessão o n.º 03 da revista Gaya. Estudos de História, Arqueologia e Património, apresentada pelo seu coordenador Prof. Doutor António Manuel S. P. Silva, que publica textos de Alcina Manuela de Oliveira Martins; Fernando Peixoto (póstumo); Humberto Baquero Moreno (póstumo); J. A. Gonçalves Guimarães e Sérgio Veludo Coelho.

 

Ainda na mesma sessão foi também lançado o n.º 04 da revista Vinho Verde. História e Património. History and Heritage, publicada pela APHVIN/ GEHVID – Associação Portuguesa de História da Vinha e do Vinho, entidade protocolada com a ASCR-CQ, apresentada pelo coordenador Prof. Doutor António Barros Cardoso, tendo como outros autores Dora Simões; Henrique Rodrigues; J. A. Gonçalves Guimarães; José António Oliveira e Maria de Fátima Teixeira.

 

Lançado no passado dia 28 de março no auditório do Ponto C em Penafiel, As Rosas de Barbacena, o mais recente romance do escritor Alberto S. Santos, confrade de honra da Confraria Queirosiana e atual Secretário de Estado da Cultura, segundo a divulgação editorial é «Um romance sobre silêncio, memória e responsabilidade – e sobre o que acontece quando lembrar se torna um ato de justiça». Trata-se de um relato ficcionado sobre uma chocante realidade que conduziu à desumanização da sociedade brasileira no Hospital Colónia de Barbacena, Minas Gerais, Brasil, mas que poderia ser em Portugal ou noutro pais onde as instituições que deveriam servir para tratar as doenças do foro psiquiátrico são usadas para camuflar situações que a “normalidade” tem como incómodas, mas quantas vezes convenientes, para um certo status quo. Com a insólita e não menos chocante situação de que a cidade onde este impressionante relato se desenrola ser conhecida pela sua atividade de produção de belíssimas e perfumadas rosas exportadas para todo o lado. Uma jovem internada grávida “desaparece” num conveniente anonimato que desta vez se salvou da vala comum real e da memória graças também à investigação que levou à elaboração deste romance.

A este lançamento o autor e a editora trouxeram descendentes da jovem Teresinha que permanecem como recordações vivas desta sua avó, tendo ainda sido apresentado um pequeno trecho da teatralização desta estória comovente e alarmante.

A Confraria Queirosiana esteve representada no lançamento desta obra por J. A. Gonçalves Guimarães e Maria de Fátima Teixeira.


  

No próximo dia 28 de abril, no auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett no Palácio de Cristal no Porto, pelas 17,45, será feito o lançamento do livro Salamaleques - 29 estórias de protocolo, da autoria do confrade de honra da Confraria Queirosiana e cônsul honorário de França na cidade do Porto, Dr. Manuel de Novaes Cabral.

Com desenhos de Alberto Péssimo, «lendo este título, perguntará o leitor o que faz aqui, neste livro, uma referência de inspiração muçulmana: Salaam Aleikum, ou a paz esteja convosco (na grafia e na tradução mais comuns). É consabida a longa permanência árabe e muçulmana na Península Ibérica, da qual herdamos muito conhecimento, muitos hábitos e também relevantes elementos linguísticos. Salaam Aleikum corresponde a um cumprimento cerimonioso na língua árabe, em particular para os muçulmanos...» (da divulgação da obra pela Afrontamento, Editora).

__________________________________________________________

Eça & Outras, III.ª série, n.º 212, sábado, 25 abril de 2026; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana (Instituição de Utilidade Pública), Solar Condes de Resende, Travessa Condes de Resende, 110, 4410-264, Canelas, Vila Nova de Gaia; C.te n.º 506285685; NIB: 001800005536505900154; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www. queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot. com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação do blogue e publicação no jornal As Artes Entre As Letras: J. A. Gonçalves Guimarães; redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: Carlos Sousa