domingo, 26 de março de 2017

Eça & Outras

Eça & Outras, sábado, 25 de março de 2017

30 anos de Concertos de Primavera

           Tendo o Conservatório Regional de Gaia celebrado este ano os seus trinta anos de existência com um Concerto de Primavera com o Requiem de Mozart no dia 25 de março, escrevemos algumas breves palavras sobre a sua existência e mais algumas outras relacionadas com a efeméride.
           Vila Nova de Gaia sempre foi terra de músicos e de apetências musicais: provam-nos tal afirmação as notícias dos grandes Te Deum organizados pela Confraria do Santíssimo Sacramento de Santa Marinha, a criação de um Clube Musical com orquestra própria na rua Direita em 1877, os concertos promovidos pela Assembleia da Granja onde, entre outros, atuaram Pablo Casals, Guilhermina Suggia e Alfredo Napoleão, este último compositor e pianista filho de mãe gaiense e de quem este ano se comemora o centenário do falecimento, irmão do muito mais célebre Artur Napoleão, talvez o maior pianista mundial entre Liszt, que conheceu, e Rubinstein, e que se radicou no Brasil. Poderíamos falar de outros expoentes musicais aqui nascidos ou aqui radicados, como Armando Leça, César Morais, Günther Arglebe, pianistas como Maria José Morais, melodistas como Adriano Correia de Oliveira, guitarristas como Jorge Fontes, interpretes e promotores da antiga música portuguesa de órgão, como Simões da Hora, e uma mais nova geração de compositores como António Pinho Vargas e maestros como Cesário Costa ou Rui Massena.
           Mas até aos anos oitenta do século passado, para além da ação individual, da docência no Conservatório do Porto e do recurso à migração para Lisboa ou para o estrangeiro, não tinha então o município estruturas organizadas, leia-se escolas e instituições, que praticassem e divulgassem a grande música europeia e mundial, quer no que diz respeito ao nível profissional dos seus executantes, quer dos seus apreciadores, o seu público afinal. Para além da ação, certamente meritória, das tunas e bandas locais, algumas centenárias, da persistência da atividade orfeónica na Madalena e Valadares e de ações pontuais com a realização de alguns concertos, só a partir de então se criaram aqui escolas que viriam a suprir e a elevar essa apetência musical da sociedade gaiense. De entre elas sobressai o Conservatório Regional de Gaia, sob a direção dos professores Mário Mateus e Fernanda Correia. Para além da sua criação e dos seus programas de docência cada vez mais altos, desde aquela época que promoveram ações paralelas que trouxeram a Vila Nova de Gaia grandes nomes da música erudita aos Festivais Internacionais de Canto Francisco de Andrade, ao Festival Internacional de Gaia, cuja primeira edição decorreu em 1985 no Ano Europeu da Música, ou buscando origens com o agrupamento Musica Reservata para a música medieval e do Renascimento, ou contrapontando-o com o Centro de Estudos de Música Vocal Contemporânea que interpretou as Missas de Stravinsky (1944-1948) e de Maurice Ohana (1977), num memorável concerto na igreja do Mosteiro da Serra do Pilar a que assistiu este último compositor. E também na criação dos grandes Concertos de Primavera, a que a colaboração com a autarquia gaiense associava alguns eventos como foi o caso do centenário da morte de Soares dos Reis e do nascimento de Diogo de Macedo, em que a 29 de maio de 1989, na igreja de Mafamude, se tocou e cantou o Requiem de Mozart, que teve como intérpretes Fernanda Correia, soprano, Mário Marques, contra-tenor, Rui Taveira, tenor, Walter Raninger, baixo, e o coro e orquestra do Conservatório, sob a direção de Mário Mateus. Ou no ano seguinte, na evocação do centenário de Camilo Castelo Branco, também na igreja de Mafamude, a Missa Solene de Rossini, em que foram intérpretes Bettina Cosack, soprano; Marianne Schartner, contralto; Seiji Makino, tenor; Walter Raninger, baixo, coro e orquestra do Conservatório e a direção de Mário Mateus, a que outros grandes e marcantes concertos se seguiram. Mas se todos os anos houve primavera, durante alguns a dureza de ouvido institucional não colaborou na realização destes concertos e o calendário cultural de Gaia, quando tal aconteceu, ficou muito mais pobre. A quem vinha com outras prioridades talvez valesse a pena lembrar que um tal Platão em tempos já muito remotos escreveu em A República (III – 401d) «…a educação pela música é capital, porque o ritmo e a melodia penetram mais fundo na alma e afetam-na mais fortemente, trazendo consigo a perfeição e tornando aquela perfeita».
           Felizmente hoje há um outro entendimento do vetor cultura na sociedade gaiense e voltamos a ter um grande Concerto de Primavera com um sempre renovado Requiem de Mozart, a sua última e incompleta obra, composta em 1791, quando em Portugal reinava uma rainha com problemas mentais, em França a Revolução em marcha capturava o rei Luís XVI em fuga, que então juraria apressadamente a nova Constituição, e por aqui se continuava um então florescente comércio naval com o Brasil e os países do Norte da Europa, que permitia a realização dos grandes Te Deum já referidos.
           Um requiem é muito mais do que um «ofício clerical em dia de mortos», como em determinado contexto mundano se lhe referiu Eça de Queirós (Omphalia de Benoiton), e faz todo o sentido como concerto de primavera, não apenas por se inserir na tradição ocidental judaico-cristã de que é nesta quadra do ano que à morte de Jesus Cristo sucede a sua ressurreição, mas também porque, num conceito mais universal e transverso a todas as civilizações, devemos refletir, certamente com mágoa, sobre a precaridade da vida de todos os que nos são queridos quer como familiares próximos, quer como membros a nossa comunidade local, nacional ou universal, para tentarmos entender  melhor esta perpetuidade da renovação da natureza, e logo humana, dada pela sequência das ressurreições, dos renovos, das primaveras desde o sempre.
           Creio que é essa a mensagem que nos quis deixar «o divino Mozart», como também Eça sem blasfémia lhe chamou, como conhecedor de que Deus se tem revelado à Humanidade através da sua música, gerando certamente um grande consenso mundial de harmonia entre os homens e as nações. A este De profundis sucederá sempre a luminosa constelação da obra do músico de Salzburgo e de Viena que em tão boa hora o Conservatório de Gaia nos trouxe em mais este Concerto de Primavera.

J. A Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria Queirosiana

Prémio literário SPA

J. Rentes de Carvalho
J. Rentes de Carvalho acaba de ser galardoado com mais um prémio literário, desta vez pela sua obra ficcional O Meças, publicado em 2016 pela Quetzal e considerado o “Melhor Livro de Ficção”, o qual lhe foi atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores. A obra retrata o português retornado da emigração cheio de problemas e frustrações por resolver e para quem a violência e a mediocridade rural são a normalidade, em completa oposição ao falso mito dos “brandos costumes” que o Estado Novo formatou e divulgou, e o pós-25 de Abril reinventou, para um “povo” que só existe na ficção literária. Recentemente numa entrevista concedida à revista Observador disse: «Nada tenho a ver com os meus leitores, não lhes devo coisa nenhuma, tão-pouco me interessa o seu favor ou desfavor, ou que eles suponham poder-me associar com Wilders, a islamofobia, a extrema-direita, o partido dos animais ou os vegetarianos. Não pertenço, não me associo, não tiro proveito. Sou livre e ajo com liberdade, nenhum interesse material, político, económico, social ou outro tem poder para coartar a minha liberdade».
Sabendo-se que a maior parte dos escritores das bolas de sabão literárias que por aí se publicam fazem todo o tipo de malabarismos para venderem e serem conhecidos, estas declarações, ainda que tenham de ser enquadradas no contexto daquela entrevista sobre a situação político-social na Holanda e na Europa, só serão surpreendentes para os que não conhecem a obra desassombrada deste escritor. O próximo livro de J. Rentes de Carvalho, a sair em breve, será sobre Trás-os-Montes.

Roteiros queirosianos

Casa de Verdemilho, Aveiro


A Casa do avô de Eça de Queirós, o juiz Joaquim José de Queirós, mentor da revolta de Aveiro e depois do Porto em 1828 contra D. Miguel, que o condenou à morte de que logrou escapar, vai finalmente ser recuperada para memória museológica queirosiana pela Câmara Municipal de Aveiro. Aí passou o escritor a infância aos cuidados de sua avó e ouvindo as estórias do escravo negro que seu avô trouxe do Brasil. No cemitério da terra, em jazigo próprio, repousam os restos mortais de seu avô e de seu pai, o juiz Teixeira de Queirós, aquele que absolveu Camilo e Ana Plácido do crime de adultério e mandou deter para levar a julgamento por corrupção e branqueamento de capitais o Conde do Bolhão, um dos “donos disto tudo” da época. Propriedade particular abandonada durante anos e quase reduzida à fachada, teve em tempos um projeto de recuperação do arquiteto A. Campos Matos. Presentemente a Câmara fez um protocolo com os proprietários do terreno e das ruinas para a sua dignificação e rentabilização do espaço e da área envolvente.
A melhor bibliografia sobre este assunto é o livro de Jorge Campos Henriques, Eça em Aveiro. Raízes e outras histórias, Aveiro: Câmara Municipal, 2001 e o Dicionário de Eça, de A. Campos Matos.

Mestrado

         
Mestre Maria de Fátima Teixeira
No passado dia 16 de março defendeu na Faculdade de Letras da Universidade do Porto a sua dissertação de mestrado em História Contemporânea a investigadora do Solar Condes de Resende Dr.ª Maria de Fátima Teixeira, sobre o tema “A Companhia de Fiação de Crestuma. Do fio ao pavio”, a qual teve como orientador o Professor Doutor Jorge Fernandes Alves, como arguente a Professora Doutora Teresa Soeiro e como presidente do júri a Professora Doutora Conceição Meireles. Perante uma numerosa assistência a mestranda apresentou a história desta marcante empresa têxtil do município gaiense e da região, a qual presentemente se encontra em fase de reabilitação patrimonial do seu complexo edificado, mas também do seu espólio documental e artístico por vontade e empenho do seu atual proprietário Dr. Ricardo Haddad, que também esteve presente nestas provas, bem assim como diversos coordenadores e investigadores do projeto do Património Cultural de Gaia (PACUG), outros técnicos, autarcas amigos e familiares da candidata autora deste estudo que lhe valeu o grau de mestre no qual foi aprovada por unanimidade com dezanove valores, devendo o mesmo ser publicado em livro em breve

Livros & Revistas

Luís de Camões continua a ser um tema dominante na cultura portuguesa, tendo dado origem a uma vastíssima bibliografia, iconografia, óperas, filmes e outras manifestações culturais, simbólicas, institucionais literárias e historiográficas. Camões é a Pátria Portuguesa e as suas messiânicas contradições, como já em tempos equacionaram Almeida Garrett (Camões, 1825); Arnaldo Gama (A Caldeira de Pero Botelho, 1856); George Le Gentil (Camões, 1952); Bernardo Xavier Coutinho (Camões, Arte e História Portuense, 1975); Hermano José Saraiva (Vida ignorada de Camões, 1978), e muitos outros, sendo talvez estes os mais populares. Foi agora a vez de Mário Cláudio nos propor uma revisitação romanceada do homem e do mito através de Os Naufrágios de Camões, editado pelas Publicações D. Quixote e lançado no passado dia 7 de março no Porto e no dia 17 de março na Biblioteca Nacional de Portugal em Lisboa.


Na mais pequena e remota aldeia ou nas muitas aldeias existentes dentro de cada cidade, a memória oral foi efabulando historietas que procuram preencher as lacunas do espírito comunitário construído ao longo dos tempos e dar-lhe conteúdos. No que à cidade invicta diz respeito a recolha desses relatos tem vindo a ser recentemente empreendida por Joel Cleto, que acaba de lançar no passado dia 8 de março na Biblioteca Pública Municipal de Vila Nova de Gaia o quarto volume de Lendas do Porto. A obra tem fotografias de Sérgio Jacques.



Cursos, palestras, colóquios, jornadas…

Colóquio em Évora
        

No passado dia 17 de março decorreu em Évora no salão nobre dos Paços do Concelho um colóquio comemorativo dos 150 anos da passagem de Eça de Queirós por esta cidade alentejana em 1867, cuja conferência de abertura foi proferida pela Professora Doutora Ana Teresa Peixinho, da Universidade de Coimbra, continuada depois com diversos outros oradores. Este evento insere-se nas comemorações promovidas pela Câmara Municipal em parceria com um grupo de cidadãos eborenses e várias instituições locais que promovem diversas iniciativas ao longo do ano.

         Com o mesmo objetivo a Confraria Queirosiana está a programar uma visita a Évora Queirosiana nos dias 20 e 21 de maio próximos, estando a decorrer as inscrições.

Castelos

         No próximo dia 30 de março, na habitual palestra da última quinta-feira do mês do Solar Condes de Resende, o Dr. Tiago Carmo falará sobre “Os castelos da Terra de Santa Maria nos séculos X-XII, segundo o Cartulário Baio-Ferrado”, tema da sua tese de mestrado recentemente apresentada na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Sendo poucos os estudos sobre a Idade Média da região, este tema apresenta-se como da mais relevante importância para a sua compreensão.

Dia Internacional dos Monumentos e Sítios

         No próximo dia 18 de abril lembram-se estas referências da cultura dos povos, este ano sob o tema “Património Cultural e Turismo sustentável”, num colóquio no Solar Condes de Resende com a participação de diversos profissionais do património e do Turismo, tendo como moderador J. A. Gonçalves Guimarães.

Confraria Queirosiana

Aviões da TAP

         No passado dia 14 de março a TAP festejou os seus 72 anos, apresentando ao público uma nova frota de 20 aviões para voos regionais batizados com os nomes e iconografia dos antigos 18 distritos de Portugal continental e das regiões autónomas, num programa justamente intitulado “TAP abraça Portugal”. A Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas associou-se ao evento estando presente através dos seus órgãos dirigentes e de numerosas confrarias que apresentaram os melhores produtos de todo o país, tendo estado presente o Cante Alentejano interpretado por 160 elementos de diversos grupos. Na ocasião o Dr. Fernando Pinto, presidente executivo da empresa felicitou a presidente da FPCG, Dr.ª Olga Cavaleiro, pelo trabalho desenvolvido em prol desta iniciativa. A Confraria Queirosiana esteve representada pelo seu dirigente Dr. Manuel Nogueira.

Jantar de encerramento do curso

Exposição na Quinta da Boeira
No passado dia 18 de março, com uma aula sobre “O Porto de Leixões” pelo Prof. Doutor Jorge Fernandes Alves, encerrou no Solar Condes de Resende o curso sobre História Naval do Noroeste de Portugal organizado pela Academia Eça de Queirós, que ali decorreu ao longo de treze sessões. Seguiu-se uma visita à exposição de modelos de embarcações históricas da Quinta da Boeira guiada por Gonçalves Guimarães, uma prova de vinhos do Porto na “maior garrafa do mundo” e um jantar no seu palacete para quarenta confrades e convidados, o qual foi abrilhantado com a atuação do grupo musical Eça Bem Dito, que interpretou canções antigas, fados e tangos, que hoje são Património Cultural da Humanidade.
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Eça & Outras, III.ª série, n.º 100 – sábado, 25 de março de 2017; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te. n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: Susana Moncóvio; Manuel Nogueira.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Eça & Outras

Eleições! Eleições!

           A 24 de Agosto de 1820 eclodiu no Porto uma revolução organizada por civis que pretendiam devolver aos portugueses algum do rumo perdido após as Invasões Francesas, a transferência da Corte para o Brasil e a sujeição do governo interino de Lisboa ao exército de ocupação inglês. Vivendo do comércio transatlântico, os negociantes portuenses, cujos filhos entretanto tinham ido a Coimbra bacharelar-se em Direito, pretendiam também continuar a ter acesso aos mercados, nomeadamente o brasileiro, pelo menos em igualdade de circunstâncias com ingleses e os negociantes de outros países do norte da Europa. Depois queriam uma Constituição, uma lei matricial que refundasse a comunidade nacional e que abrangesse todos os portugueses, que fizesse elevar da condição de súbditos e os transformasse em cidadãos.
           Como nisto de revoluções as armas são importantes, aliciaram para a causa alguns militares para garantirem não só que não se oporiam à revolta, mas que depois do seu triunfo assegurariam que essa mudança não redundaria em anarquia generalizada, até porque o povo tinha fome e esta não se compadece com muitas demoras bem intencionadas ou teóricas. Aos militares que aderiram interessava-lhes sobretudo correrem com os oficiais ingleses, cuja presença os humilhava, e que o rei voltasse do Brasil para redistribuir promoções e titulaturas. Não seriam todos, mas a maioria não queria sequer ouvir falar em Constituição. Vencida a causa, logo em dezembro de 1820 convocam-se eleições para deputados às Cortes, ou seja para uma assembleia nacional que colocasse Portugal na Europa do seu tempo. O círculo eleitoral de base considerado foi a paróquia, pois não havia outro. Assim se iniciou entre nós a Democracia que, como é sabido, tem no ato eleitoral o seu mais expressivo ritual. Desde então, com muitos avanços e recuos, no último trimestre deste ano de 2017 e a caminho de 200 anos de eleições, vamos outra vez às urnas, desta feita para eleger os responsáveis pela administração local, juntas de freguesia (ou uniões) e respetivas assembleias de freguesia, e câmaras municipais e respetivas assembleias municipais. Ficará ainda desta vez de fora do sufrágio direto e universal a eleições dos representantes dos cidadãos para as assembleias metropolitanas e respetivas juntas. Lá chegaremos; será uma questão de tempo.
           As eleições no tempo de Eça de Queirós motivaram-lhe alguns saborosos comentários que hoje importa reler e confrontar com a realidade atual, tendo em conta que já não trocamos a intenção de voto, nesta ou naquela lista de candidatos, por um prato de carneiro com batatas nem pelo pipo de vinho com torneira disponível. Já estamos longe da situação em que no século XIX se realizava «…o cerimonial exterior das suas eleições: - porque as eleições, elas próprias, já estavam feitas havia muito, segundo o costume consagrado e venerável, por meio de uma lista de círculos e um lápis, no remanso das secretarias. Restava só a solenidade de ir o povo às urnas. Todos sabemos, porém, que em muitos círculos se evita o barulho e a poeira desta cerimónia – reduzindo a eleição a uma simples ata que as autoridades lavram depois da missa, a um canto da sacristia. O povo, esse, fica nas suas moradas, quieto e certo de que o senhor administrador está «fazendo» o senhor deputado» (Eça de Queirós, Da colaboração no «Distrito de Évora», III, (1867)). É que, entretanto, também passamos pelo Estado Novo, em que existia «Uma maioria nomeada pelo Governo e que passivamente obedece às instruções do Governo: um Governo organizado por um chefe, e que fielmente segue as indicações desse chefe» (Idem), como Eça muito bem adivinhou, mas que não queremos repetir, pois não queremos voltar à «cauda da Europa».
           Quanto aos candidatos que nos querem representar, embora muitos falem como se se quisessem representar a eles próprios, ouçamos ainda as sábias palavras do senhor cônsul: «Dir-me-ão que eu sou absurdo ao ponto de querer que haja um Dante em cada paróquia, e de exigir que os Voltaires nasçam com a profusão dos tortulhos. Bom Deus, não! Eu não reclamo que o país escreva livros, ou que faça artes: contentar-me-ia que lesse os livros que já estão escritos, e que se interessasse pelas artes que já estão criadas. A sua esterilidade assusta-me menos que o seu indiferentismo. O doloroso espetáculo é vê-lo jazer no marasmo, sem vida intelectual, alheio a toda a vida nova, hostil a toda a originalidade, crasso e mazorro, amuado ao seu canto, com os pés ao sol, o cigarro nos dedos, e a boca às moscas… É isto que punge» (Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra).
           Hoje, felizmente, tudo entre nós é muito diferente. E se tu meu caro leitor (permita-se-me este tom coloquial) ainda não deste pelas diferenças, então convém que te prepares, pois vai haver eleições para escolher quem vai governar o Teu município, a Tua cidade, a Tua aldeia. A Tua terra. Eleições! Eleições!

J. A Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria Queirosiana

Roteiros queirosianos

Visita a Évora

         Nas comemorações dos 150 anos da estadia de Eça de Queirós na capital do Alentejo a dirigir o semanário Distrito de Évora, a associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana vai organizar uma visita a esta cidade nos dias 20 e 21 de Maio.
         As inscrições podem ser feitas junto da entidade organizadora.

Livros & Revistas

        

O Chefe Hélio Loureiro, com a colaboração de outros chefes, acaba de lançar um novo livro intitulado À Moda do Porto, o qual apresenta um conjunto de receitas tidas como tradicionais daquela cidade com o respetivo enquadramento gastronómico. O autor é membro de 25 confrarias nacionais e estrangeiras, incluindo a Confraria Queirosiana.



Cursos, palestras, colóquios, jornadas…

Fórum de Avintes

         No passados dias 17 e 18 de fevereiro de correu na Junta de Freguesia de Avintes o XXVII Fórum Avintense, organização anual da autarquia local com a colaboração da Confraria da Broa de Avintes, o qual tem como objetivo «apresentar e debater os mais diversos temas…sobre o passado, o presente ou o futuro….de Avintes.
No presente ano, apresentaram comunicações Eva Baptista sobre “A Festa escolar em Avintes na aurora do século XX”; J. A. Gonçalves Guimarães sobre “José de Almeida Celorico um negociante de Vila Nova de Gaia devoto do Senhor do Palheirinho”; Abel Ernesto Barros sobre “Os azulejos no nosso concelho”; e Nuno Gomes Oliveira “História Natural do Rio Febros”, entre outros.

Professor José Manuel Tedim

         No passado domingo, dia 19 de fevereiro, o historiador da Arte, professor da Universidade Portucalense e presidente da direção dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, falou no Museu e Igreja da Misericórdia do Porto sobre a benfeitora desta instituição Luzia Joaquina Bruce.
         A partir do próximo dia 15 de março, às quartas-feiras, das 18,30 às 19, 45, na Associazione Socio-Culturale Italiana del Portogallo Dante Alighieri, rua da Restauração 409 no Porto, este professor iniciará um novo ciclo de “Encontros com a Arte” desta vez sobre Escultura Italiana.

Conde de Burnay

         Conforme divulgamos anteriormente, no dia 23 passado, nas habituais palestras das últimas quintas-feiras do mês do Solar Condes de Resende, o Professor Doutor Gonçalo de Vasconcelos e Sousa, coordenador do volume do Património Humano do Projeto de Levantamento do Património Cultural Gaiense (PACUG), apresentou a conferência “ O Conde de Burnay e a sua época”, cuja casa na Granja ainda existe e foi mesmo objeto de recuperação em data recente.

O Cerco do Porto

         Ontem, dia 24 de fevereiro, decorreu na Ordem da Lapa, na Galeria dos Retratos da Irmandade de Nossa Senhora da Lapa, no Porto, um seminário sobre “ O Cerco do Porto”, organizado pela Universidade Portucalense Infante D. Henrique e pela Venerável Irmandade de Nossa Senhora da Lapa, com a colaboração da Direção Geral de Recursos da Defesa Nacional, o qual teve como orador na sua abertura o Prof. Doutor Francisco Ribeiro da Silva, mesário para a Cultura desta irmandade e também da Misericórdia do Porto. Sobre este acontecimento da história nacional, que incidiu com particular relevância nos atuais municípios de Porto, Vila Nova de Gaia, Vila do Conde, Matosinhos, Maia e Gondomar, entre os diversos oradores falaram José Manuel Tedim, sobre “Patrimónios desaparecidos com o Cerco do Porto”, e J. A. Gonçalves Guimarães sobre “A outra margem do Cerco do Porto”.
         No encerramento a representante da Câmara Municipal do Porto apresentou o projeto de turismo militar intitulado “O Porto Liberal”, que será centrado no mausoléu com o coração de D. Pedro existente na igreja da Lapa.

Jantar de encerramento do curso sobre História Naval

         Nos próximos dias 4 e 18 de março, sábados à tarde, entre as 15 e as 17 horas, prosseguirá no Solar Condes de Resende o curso livre sobre História Naval do Noroeste de Portugal, organizado pela Academia Eça de Queirós com a colaboração da Câmara Municipal de Gaia e do Solar Condes de Resende. No dia 4, o Prof. Doutor Álvaro Garrido, da Universidade de Coimbra falará sobre “A Pesca do Bacalhau, apenas uma epopeia?” e no dia 18 o Prof. Doutor Jorge Alves falará sobre “O Porto de Leixões” na aula de encerramento.
         Nesse mesmo dia haverá um jantar de encerramento do curso na Quinta da Boeira em Vila Nova de Gaia, precedido de uma visita comentada à sua coleção de modelos de embarcações históricas e prova de vinhos. No final do jantar atuarão os Eça Bem Dito, o coro do Solar com a pianista Maria João Ventura. As inscrições, abertas a todos os sócios inscritos ou não no curso, podem ser feitas para a direção da Confraria Queirosiana.


Camélias do Solar Condes de Resende
Pompónia, Pamplona, Pompom,
Da beleza sem aroma têm o dom.
Quinta, Solar, propriedade,
No centenário jardim sabem toda a Verdade.
Da Casa, dos Convidados, dos Senhores,
Todas as histórias, amores e desamores.

Anseiam pela frescura que tem tardado
Para as belas flores abrir
Pelo manto da noite orvalhado
E os luares de Inverno a sorrir.

Pomponia, Pamplona, Pompom…

Susana Guimarães, 25.01.2017

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 99 – sábado, 25 de fevereiro de 2017; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te. n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: Susana Guimarães.







quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Eça & Outras

Nos 150 anos de Eça em Évora:
Roteiro queirosiano do Alentejo
No presente ano de 2017 comemoram-se os 150 anos da presença de Eça de Queirós na capital do Alentejo a dirigir o bissemanário Distrito de Évora, publicado entre 6 de janeiro e 26 de agosto de 1867, no qual o escritor, então com apenas 22 anos, deixou páginas ainda hoje admiráveis, depois recolhidas em “Páginas de Jornalismo” (ed. Lello) e em “Da colaboração no «Distrito de Évora»”, ed. Livros do Brasil. Mais recentemente estes textos têm dado origem a trabalhos académicos, como a dissertação de mestrado de Ana Paula Fernandes Rodrigues, intitulada “Eça de Queirós e as páginas desconhecidas do Distrito de Évora”, apresentada na Universidade Aberta em 2008, e a novas análises sobre a sua vida e obra naquelas paragens, já muito distantes de “Eça de Queiroz em Évora” de Celestino David, publicado em 1945. Um bom pretexto para irmos a Évora, Serpa e Corte Condessa, percorrer o mais esquecido e desconhecido dos roteiros queirosiano, o qual, como todos os outros, também deixou mais valias culturais para hoje usufruirmos. É a isso que chamamos Património: o passado estudado, trabalhado, protegido e explicado por profissionais, para ensino e deleite dos cidadãos atuais que dele possam obter algum ganho, espiritual ou material, participando conscientemente na missão, ou simplesmente na disposição, de o legar em melhores condições às gerações vindouras, para que sejam mais sábias e mais felizes.
Recordemos então as circunstâncias que levaram Eça a Évora. Em Junho de 1866, depois de concluir o bacharelato em Direito na Universidade de Coimbra, veio viver para Lisboa. Em Outubro inscreve-se como advogado no Supremo Tribunal de Justiça, mas a vida para o filho de um magistrado sério não estava fácil na capital e por isso o pai arranja-lhe o emprego de ir dirigir aquele jornal alentejano de oposição ao governo. Ali chegado, além dessa tarefa, estabelece na redação do jornal, à praça D. Pedro (hoje Joaquim António de Aguiar) a sua banca de advogado, mas parece que apenas levou ao foro um único caso de diferendo entre um inquilino da Casa Pia local e o senhorio. Vivendo na travessa dos Frades Grilos e absorvido pela tarefa de produzir a totalidade do jornal, parece não ter prestado muita atenção à realidade circundante para além dos monumentos, das feiras e dos roubos. A solidão de um jovem daquela idade sem companhias, num ambiente com o qual não tinha afinidades, segundo João Gaspar Simões na biografia que dele escreveu, «constitui[u] ensaio decisivo da sua vocação literária», permanentemente posta à prova nas páginas daquele periódico durante mais de seis meses. Mas foi ali que Eça se revelou o jornalista consciente da sua missão e da importante função social e moral da Imprensa, ao escrever no seu primeiro editorial, precisamente no n.º1 daquele jornal: «É o grande dever do jornalismo fazer conhecer o estado das coisas públicas, ensinar ao povo os seus direitos e as garantias da sua segurança, estar atento às atitudes que toma a política estrangeira, protestar com justa violência contra os actos culposos, frouxos, nocivos, velar pelo poder interior da pátria, pela grandeza moral, intelectual e material em presença de outras nações, pelo progresso que fazem os espíritos, pela conservação da justiça, pelo respeito do direito, da família, do trabalho, pelo melhoramento das classes infelizes.» (Eça de Queirós, Da Colaboração no «Distrito de Évora», I, LB, p. 9).
Regressado a Lisboa no final de Agosto, intenta também ali abrir banca de advogado. Pouco se sabe da sua vida desde então até agosto de 1869, quando está presente na inauguração da escola primária em Canelas, Vila Nova de Gaia, patrocinada pelo seu antigo condiscípulo do Colégio da Lapa, D. Luís Benedito, 5º Conde de Resende, que aí possuía a Casa e Quinta de Costa (Solar Condes de Resende). Partem depois ambos em outubro em viagem ao Egito e à Terra Santa, para a inauguração do Canal de Suez, chegando a Lisboa em Janeiro de 1870. Tão cedo Eça não voltará ao Alentejo, mas apenas em 1898, quando vai a Serpa e à herdade de Corte Condessa, no concelho de Beja, herança de sua mulher, de sua cunhada Benedita e de seu cunhado Alexandre.
Entretanto, talvez em Lisboa e antes de 1884, vem a conhecer Francisco Manuel de Mello Breyner, Conde de Ficalho, professor da Escola Politécnica, botânico e biógrafo de Garcia da Orta e de Pero da Covilhã, autor de contos e de livros sobre plantas e um dos Vencidos da Vida, proprietário em Serpa, que o acompanha e hospeda, fazendo-lhe «as honras do seu solar!», constatando Eça no dia seguinte que estava em «terra lindamente pitoresca». Parte então para a herdade que fora dos Condes de Resende, onde «o monte está[va] muito habitável, restaurado de novo, com agradáveis quartos, e tudo da quase inverosímil limpeza alentejana. Estive ali três dias. Vida de lavrador. Passeios de léguas, através da herdade, sob soalheiras violentas. Madrugadas. Comezainas enormes (e deliciosas). Cenas pitorescas. E sobretudo a satisfação de ver a herdade admiravelmente tratada. Parece outra. Já tem largos montados limpos; tem hortas, vai ter vinha; há cinco poços abertos; e já se caminha durante horas ao longo de campos de trigo e centeio…». Depois de impressionantes descrições gastronómicas, as quais, «logo pela manhã, às 10 horas os almoços eram temerosos – porque o prato mais insignificante era sempre um imenso peru», escreve que «quase dá vontade de ali viver – se não fosse a imensa solidão, a melancolia da paisagem, e a insalubridade do sítio. O Guadiana faz sezões», que os rendeiros pensavam combater plantando um grande bosque de eucaliptos. «Mas a eficácia do eucalipto é problemática – e malária do Guadiana é certa», sabia já então o escritor (Eça de Queirós. Correspondência, coordenação de A. Campos Matos, 2008-II, p. 406/4079.
Por todos estes motivos a Câmara Municipal de Évora fez um programa comemorativo que começou no passado dia 6 de Janeiro e que se prolongará ao longo do ano com diversas manifestações culturais. A Confraria Queirosiana prepara uma viagem ao roteiro queirosiano do Alentejo para o próximo mês do Maio para assinalar com a sua presença esta data jubilar do universo queirosiano.

J. A Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria Queirosiana

Livros & Revistas

Entre 13 de junho e 30 de outubro do ano passado estiveram patentes ao público na Casa Museu Marta Ortigão Sampaio no Porto, e no Museu da Quinta de Santiago em Matosinhos, duas exposições comemorativas dos150 anos do nascimento de Aurélia de Sousa (1866-1922) das quais resultou o livro “Aurélia, mulher artista (1866-1922)”, editado pelas câmaras de ambos os municípios. Entre os diversos estudos publicados que analisam a sua vida, obra e época encontra-se o de Susana Moncóvio, intitulado “Mulheres artistas antes de Aurélia de Sousa: a lenta metamorfose de uma condição no espaço da Academia Portuense de Belas-Artes”, p. 125-135. Esta investigadora do Gabinete de História, Arqueologia e Património tem vindo a publicar diversos trabalhos sobre as mulheres artistas do século XIX que foram teimando para terem lugar no mundo da Arte por mérito próprio, bem evidente em algumas das obras que foram produzindo.





Está em distribuição o boletim “O Amigo dos Museus”  n.º 25, propriedade da Federação de Amigos dos Museus de Portugal referente a dezembro de 2016, que apresenta com especial destaque uma viagem ao Japão organizada pelo Grupo de Amigos do Museu do Oriente. A Federação, que representa em Portugal a World Federation of Friends of Museums (WFFM) tem como associada, entre os seus aderentes nacionais, os Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana.



Também em distribuição o n.º 59 da revista “Islenha – Temas Culturais das Sociedades Insulares Atlânticas”, referente a julho-dezembro de 2016 e publicada pela Secretaria Regional da Economia, Turismo e Cultura da Região Autónoma da Madeira. Este número, entre outros artigos, apresenta o de João Medina intitulado “Os Judeus e a Questão Judaica na obra de Eça de Queiroz”, uma leitura do que o escritor equacionou à luz dos acontecimentos do passado e da sua época, com notável equidistância em relação ao que é humanamente aceitável e ao que é oportunismo mascarado de religião. Curiosamente, Eça de certo modo profetizou as tragédias que haveriam de acontecer com os judeus na primeira metade do século XX e no nosso tempo. O escritor não teria certamente poderes divinatórios, mas como cidadão conhecedor e atento à política internacional, “adivinhou”, sobre este e outros assuntos, o que os tempos seguintes trariam. Este artigo suscita pois uma profunda análise que agora se não fará, mas que merece desde já alguns reparos em relação a pequenos erros impressos, que depois outros repetem e perpetuam, como, por exemplo, o de se escrever que Eça foi ao Egito «em companhia do futuro cunhado Luís, conde de Resende». Ora o 5º conde de Resende efetivamente acompanhou o escritor naquela viagem, mas nunca foi seu cunhado, pois morreria novo e antes do casamento. Cunhado do escritor foi seu irmão mais novo, Manuel, o 6º conde de Resende. Erros destes são hoje desnecessários pois a família de Emília está suficientemente bem estudada e divulgada nas biografias credíveis do próprio Eça e no Dicionário, organizado por A. Campos Matos.




Também presente o n.º 83 do Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia, referente a dezembro de 2016 o qual, entre outros artigos, insere “Plano de Intervenção na Salvaguarda do Património. Plano 3P – o Património Edificado do Centro Histórico de Vila Nova de Gaia”, por Salvador Almeida; “O escultor Joaquim Gonçalves da Silva (1863 – 1912): a propósito da escultura funerária «A Dor», no Cemitério de Mafamude (2ª parte)”, por Susana Moncóvio; e “ O Cemitério Paroquial de Santa Marinha e a sua Capela (1873 – 1931)”, por Virgília Braga da Costa.


     


Entre 24 de julho e 27 de setembro de 1870 o Diário de Notícias publicou uma série de cartas dirigidas ao diretor do jornal dando conta de estranhos acontecimentos que prefiguravam uma estória de crime e suspense, que os deixou expetantes ao longo de semanas. Os autores da invenção eram Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, e assim nasceu o primeiro romance policial português, depois publicado em 1884 em livro com o título “O Mistério da Estrada de Sintra”. Para recordar essa primeira edição em folhetins, aquele jornal lançou agora uma nova composta por 20 folhetins e uma capa colecionáveis desde 22 de janeiro passado.






Cursos, palestras, colóquios, jornadas… 
Curso sobre História Naval do Noroeste de Portugal

      No Solar Condes de Resende continuam aos sábados à tarde, entre as 15 e as 17 horas e de quinze em quinze dias, as aulas do curso livre sobre História Naval do Noroeste de Portugal, organizado pela Academia Eça de Queirós com a colaboração da Câmara Municipal de Gaia e do Solar Condes de Resende. Assim, no passado dia 7 de janeiro, J. A. Gonçalves Guimarães falou sobre “Memórias marinheiras do Noroeste de Portugal” e no dia 21, a Prof. Doutora Teresa Soeiro sobre “A pesca no Noroeste de Portugal”. No próximo dia 4 de fevereiro, o Dr. César da Fonseca Veloso falará sobre “Percursos do direito comercial marítimo em Portugal”, e no dia 18 o Comandante Hugo Bastos sobre “Turismo Fluvial e Marítimo”.

Palestras e colóquios

            No passado dia 13 de janeiro, na sede da associação gaiense Os Mareantes do Rio Douro e na antevéspera da primeira romaria do ano, o historiador J. A. Gonçalves Guimarães falou sobre “ A Festa de S. Gonçalo em Gaia: origens e evoluções de um culto de mareantes”, no início da sessão solene anual desta coletividade, cujas raízes remontam ao século XVII, quando os mamposteiros recolhiam esmolas e donativos para a beatificação de S. Gonçalo de Amarante.
            No próximo dia 24 de Fevereiro este historiador do Gabinete de História, Arqueologia e Património apresentará num colóquio sobre o Cerco do Porto, organizado pela Universidade Infante D. Henrique, pela Ordem da Lapa e pelo Ministério da Defesa, na sala dos retratos da igreja da Lapa, o tema “A outra margem do Cerco do Porto”.
            No dia anterior, às 21,30 horas, nas habituais palestras das últimas quintas-feiras do mês do Solar Condes de Resende, o Professor Doutor Gonçalo de Vasconcelos e Sousa, coordenador do volume do Património Humano do Projeto de Levantamento do Património Cultural Gaiense (PACUG), apresentará a conferência “ O Conde de Burnay e a sua época”

Estatuária



No próximo dia 27 de janeiro será inaugurada em Braga, na praça de S. Paulo, a estátua em bronze de D. Frei Bartolomeu dos Mártires, da autoria do escultor Hélder de Carvalho, o qual é autor de numerosas obras de arte pública e de bustos de personalidades. É também o autor da estátua de Eça de Queirós existente no Jardim das Camélias do Solar Condes de Resende.




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Eça & Outras, III.ª série, n.º 98 – quarta-feira, 25 de janeiro de 2017; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te. n.º 506285685 ; IBAN: PT50001800005536505900154;
email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.




sábado, 24 de dezembro de 2016

Eça & Outras, domingo, 25 de dezembro de 2016

Afinal qual é “a nossa terra”?

         Os cristãos, e de um modo geral o mundo ocidentalizado a partir da civilização mediterrânica, celebram tradicionalmente, três dias depois do solstício do Inverno, o nascimento de Jesus em Belém, também conhecido como Jesus de Nazaré ou Jesus da Galileia, duas povoações e uma região da antiga Palestina. Mas nunca é dito como Jesus de Jerusalém. E no entanto esta cidade é o lugar maior da sua biografia. Este exemplo, de todos conhecido, apresentamo-lo aqui para reflectirmos sobre qual é afinal a nossa terra, se aquela onde vimos pela primeira vez a luz do dia, ou se aqueloutra que depois escolhemos ou nos calha nas sortes ou azares da vida. Ou se a que nos adopta, quando temos alguma importância para tal. E se, seja ela aldeia ou metrópole, nos contentamos com a sua história verdadeira ou se para ela preferimos mitologias engrandecedoras, que quantas vezes apagam singelas e úteis virtudes cívicas.
         De muitos dos grandes humanos não sabemos sequer onde nasceram. Veja-se o que aconteceu quando a investigação histórica se debruçou sobre o berço de D. Afonso Henriques, mudando-o de Guimarães para Viseu. Camões é também um desses casos: dão-se-lhe terras, cidades, vilas, aldeias de nascimento e de itinerário em Portugal, em África, na Índia e outras partes, algumas sabe-se que ficcionais, mas com monumentos a celebrar a sua passagem, se não em vida, certamente na imaginação de alguém depois que morreu. E não inventou ele “ilhas dos amores”? A sua biografia não coincide pois com a sua mitologia. Não é caso único e muito menos raro. Sobre Eça de Queirós disse e escreveu sua mãe que ele lhe nasceu na Póvoa de Varzim: mas há quem o queira nascido em Vila do Conde ou até em Aveiro e morador em Baião. Camilo, tão do Porto ou do Minho, nasceu afinal em Lisboa. A outros constroem-se-lhes maternidades em terras que nunca a mãe viram, como tem sido o caso de Fernão de Magalhães. E tal como existem mais de duas catedrais que dizem possuir o crânio de um só e mesmo santo, também a várias personalidades se lhes apontam várias terras natais. Santo António é de Lisboa para os Portugueses, de Pádua para os Italianos, não pelo nascimento mas pelo percurso de vida.
Para seres mais comuns e em tempos mais recentes, a partir da proliferação dos estabelecimentos de saúde nas cidades, o local de nascimento deixou de ser a casa materna e passou a ser uma realidade administrativa que falseia as estatísticas. Em tempos, na Maternidade Júlio Dinis no Porto, “nascia-se” alternadamente, conforme os dias da semana, numa ou noutra freguesia limítrofe, para as impertinências da vida não cansarem em demasia uns ou outros dos seus funcionários. Agora pode oficializar-se que se nasceu na morada da mãe, ainda que a mesma diste cem quilómetros do verdadeiro local do parto, que pode acontecer a bordo de um helicóptero ou de uma ambulância do INEM. Um problema para os historiadores biógrafos do futuro. E há muita gente que, tal como Chopin, tendo nascido numa Zelazowa qualquer, prefere bacocamente dizer que nasceu numa Varsóvia de prestígio. Feitios.
         Nascidos então, muitas vezes a vida muda-nos de terra, e é noutra bem diversa que nos fazemos ou acabamos como gente. A primeira poderá ser sempre uma referência, sobretudo se a família a que pertencemos lá tiver origens e memórias ativas. Veja-se Garrett que escreveu no prefácio da 1.ª edição de O Arco de Sant’Ana: «Ora eu nasci no Porto e criei-me em Gaia». É pois lícito ser-se de mais do que uma localidade. E nem será preciso filosofar-se agora muito sobre a matéria pois sobre tal se legislou já em tempos antigos. No Foral de D. Manuel de Vila Nova de Gaia, 1518, encontra-se esta clara definição: «E para se saber quais serão as pessoas que são havidas por vizinhos dalgum lugar para beneficiarem da liberdade dele, declaramos que por vizinho dalgum lugar se entenda o que for dele natural ou nele tiver alguma dignidade. Ou ofício nosso ou do senhorio da terra, pelo qual razoavelmente viva e more no tal lugar, ou se ali for feito livre da servidão em que era posto. Ou seja aí perfilhado por algum morador e o perfilhamento por nós confirmado. Ou se tiver aí o seu domicílio ou a maior parte dos seus bens com o propósito de ali morar. E o dito domicílio se entenderá onde cada um casar e enquanto aí morar. E mudando-se para outra parte com sua mulher e fazenda com intenção de se para lá mudar, voltando depois não será tido por vizinho, salvo se morando aí de novo quatro anos continuadamente com sua mulher e fazenda, e então será de novo tido por vizinho. E assim o será quem vier com sua mulher e fazenda viver para algum outro lugar, estando nele os ditos quatro anos. E além dos ditos casos não será ninguém havido por vizinho de algum lugar…» (texto actualizado). Este sábio princípio dos quatro anos mínimos de residência efectiva para se ser considerado vizinho do lugar foi anulado pelo liberalismo, quando passou a permitir que os “condes de abranhos” chegados de qualquer terra pudessem ser candidatos a eleições locais, regionais ou mesmo nacionais, por um círculo eleitoral bem distante do da sua terra natal e onde até nunca terão posto os pés, a não ser nas vésperas da abertura das urnas. E o povo, como a história o anota, vota neles, sobretudo nas cidades e vilas onde a população adventícia é em maior número, ou tem mais força social, do que a dos naturais. Daí a haver adeptos do Olhanense em Monção vai apenas um pequeno passo. Claro que também existem os que, tendo nascido nas berças de Trás-os-Vales, mal se apanham seguros no poder, compram uma vivenda na Quinta da Marinha, ou mesmo numa zona de protecção da natureza perto da capital, confiantes de que o sistema político os candidatará por qualquer outra terra, nem que seja pelas Berlengas, et voilà, aí temos o povo no poder!
Há ainda um outro estranho fenómeno a considerar, complementar daquele outro: a invenção ou perpetuação de mitologias locais pelos forâneos desenraizados. Mal montam a sua banca na cidade onde chegaram, ei-los a reescrever ou a apadrinhar a divulgação de lendas sobre a terra onde têm a nova morada, as quais a história não abona, com cujas inverdades se indigna ou das ingenuidades se ri. E quase sempre os vizinhos recentes são muito mais assanhados na defesa dessas fantasias do que os indígenas. Poderíamos dar exemplos destas situações, mas elas são bem conhecidas. E nem vale a pena, pois elas vão persistir: Verona continuará a vender o seu balcão de Julieta, Santiago o seu apóstolo.
         Tudo isto para nos ancorarmos na memória dos nossos percursos de vida. Mas valerá a pena? Lembremos aqui as palavras de Eça nas Cartas de Inglaterra: «Não há nada tão ilusório como a extensão de uma celebridade; parece às vezes que uma reputação chega até aos confins de um reino – quando na realidade ela escassamente passa das últimas casas de um bairro».
As terras a que pertencemos são afinal apenas o cenário da nossa maior ou menor efemeridade: e mais do que as memórias, as vontades de cada tempo fazem o resto.
J. A Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria Queirosiana

Livros & Revistas

João Nicolau de Almeida

João Nicolau de Almeida com o seu livro.
        O autor dos vinhos “Duas Quintas”, e agora do “Quinta do Monte Xisto”, acaba de ser homenageado com um singular e raro livro cuja edição é apenas de 2 (dois) exemplares. Numa época em que tudo tende para a massificação, há gestos que se ficam por isso mesmo, por uma afetiva exceção. Assim, a administração da Casa Ramos Pinto contatou os inúmeros amigos e admiradores do enólogo um pouco por todo o mundo para deixaram os seus textos neste “liber amicorum”, que tem uma excelente apresentação gráfica, oferecendo um exemplar ao homenageado e ficando com o outro no arquivo da empresa. Também de exceção é a edição de uma garrafa com um Porto tawny de 40 anos, tantos quantos os que trabalhou na empresa, com um artístico rótulo com o seu perfil e caixa-estojo com a sua fotografia, das quais foram feitas apenas 320 exemplares.
         O enólogo esteve presente no dia 21 de dezembro no magnífico almoço de Natal que todos os anos a administração da Casa Ramos Pinto celebra com algumas personalidades ligadas ao mundo dos Vinhos, da Arte e da Cultura, durante o qual foi feito um brinde ao atual secretário geral das Nações Unidas, Eng. António Guterres, o primeiro ministro que suspendeu a barragem que ia afogar a Arte Paleolítica do Côa, tendo visitado a Quinta de Ervamoira em 1996, onde então se inteirou do projeto para a criação do seu Museu de Sítio inaugurado a 1 de novembro do ano seguinte e que desde então acolhe visitantes à procura de lugares de exceção.

A Ira de Deus sobre a Europa


Publicado pela primeira vez nos Países Baixos em 2008 com o título Gods toorn over Nederland (A Ira de Deus sobre a Holanda), ao contrário de a maior parte dos seus livros anteriores este foi então muito mal recebido, por vir denunciar o politicamente correcto que, segundo J. Rentes de Carvalho, está a destruir a Holanda e a Europa, avassalada por uma onda de gentes e interesses que, na melhor das hipóteses, não lhe trazem nada nem coisa nenhuma, mas que a coberto da lassidão dos burocratas vão instalando os fundamentalismos vindos com as fomes e as ignorâncias de outras latitudes. Não se trata, obviamente, de propor uma nova batalha de Poitiers, como pretendem os belicistas, que com as suas estúpidas estratégias apoiaram os estadunidenses para mexerem no vespeiro do petróleo do Iraque e da Líbia, dando origem à actual desgraçada vaga de refugiados que querem da Europa aquilo que ela sempre foi, mas que hoje tem dificuldades em manter: uma terra de tolerância e de esperança. Mas para tal terá de repensar a sua estratégia mundial e entender-se internamente.
Alargando agora a questão, a Quetzal acaba de publicar A Ira de Deus sobre a Europa – Testemunho de Um Meio Século (1956-2006), com o texto inicial revisto e atualizado no prefácio pelo autor, que equaciona igualmente o papel de Portugal nessa realidade hesitante que é a Comunidade Europeia. Lá pela Holanda já há quem diga, oito anos depois, que afinal o texto era uma séria reflexão sobre o que haveria de vir e hoje aí está. Lembra-nos um outro livro, Estes Dias Tumultuosos de Pierre Van Paassen, que também ninguém quis levar a sério antes da desgraça de 1939-1945 ter batido à porta da Europa.

A Amante Holandesa
         

Agora em edição de bolso da Bertrand, para ler no comboio ou no avião, um dos melhores romances de J. Rentes de Carvalho, publicado pela primeira vez em Amsterdam no ano 2000 e já com várias edições em português, um delírio obsessivo em ambiente transmontano, onde a fantasia e a realidade se casam em insuperável narrativa. O autor, por entre as suas regulares estadias na capital holandesa e em Estevais de Mogadouro prossegue entretanto a sua atividade literária e de reflexão sobre a maneira de ser da Europa e de Portugal. Numa recente visita que lhe fizemos confidenciou-nos que no próximo ano publicará, pelo menos, mais uma obra sobre uma região de Portugal.

Cadernos Culturais

         Acaba de ser publicado o n.º 9 da segunda série dos Cadernos Culturais. Lumiar – Olivais – Telheiras, editados pelo Centro Cultural Eça de Queirós de Lisboa, dedicado aos 750 anos da freguesia do Lumiar (1266-2016). Nas suas 475 páginas apresenta artigos de Fernando Andrade Lemos (com Carlos Revez Inácio e José António Silva) sobre “Apontamentos sobre as origens dos mitos – sobretudo no mundo ocidental” e (com José António Silva e Pedro Sá Nogueira Saraiva) sobre “O painel de azulejos de Gabriel del Barco existente na entrada nobre do palácio da Sociedade Histórica da Independência de Portugal. Reflexões de hipótese no campo da Simbólica”; e de César Veloso (com Vanessa Omena) sobre o “V Centenário da reconquista do Maranhão” no Brasil.

Memórias da Primeira Grande Guerra

         No passado dia 10 de dezembro foi apresentado no Ginásio do Torne em Vila Nova de Gaia o livro Memórias de um Expedicionário a Moçambique (1917-1919), de José Pereira do Couto Soares, um relato da sua vivência pessoal prefaciado pelo jornalista e historiador Manuel Carvalho, complementado pela sua antologia poética e por um texto autobiográfico, tudo isto escrito num álbum que esperou quase cem anos para ser publicado. Na ocasião, estando presentes vários descendentes e familiares do autor, o livro foi apresentado pelo seu neto Dr. Rui Soares e por J. A. Gonçalves Guimarães em nome da Confraria Queirosiana, a entidade editora.

Lendas do Porto, volume IV




Prosseguindo na recolha das narrativas lendárias do Porto e cidades vizinhas, Joel Cleto apresentou no passado dia 15 de dezembro no Museu da Quinta de Santiago em Matosinhos o IV volume de “Lendas do Porto” num lançamento enquadrado na Feira do Livro Municipal daquela autarquia. Nestas obras o autor tem procurado que o leitor consiga distinguir a possível verdade histórica das fantasias acrescentadas pelos tempos e pelas gentes.




Cursos, palestras, colóquios, jornadas…

Palestras do Solar

         Prosseguem no Solar Condes de Resende as palestras das últimas quintas-feiras do mês. Assim, no próximo dia 29 de dezembro, pelas 21,30 horas, o medievalista Dr. Paulo Costa falará sobre “As comunidades gaienses nos reinados de D. Dinis e D. Afonso IV. História e Património”; no dia 26 de janeiro, o contemporanista Dr. Licínio Santos falará sobre “O mutualismo em Gaia: origens e evolução até ao tempo presente”. Ambas as palestras decorrem da execução pelo Gabinete de Historia, Arqueologia e Património do Projeto de levantamento, estudo e divulgação do Património Cultural de Gaia (PACUG). A entrada é livre.

Curso de História Naval do Noroeste de Portugal

Também no Solar Condes de Resende prossegue este curso organizado com a colaboração da Academia Eça de Queirós e certificado pelo Centro de Formação de Associação de Escolas Gaia Nascente do Ministério da Educação. No dia 7 de janeiro o Professor Dr. Álvaro Garrido da Universidade de Coimbra e diretor do Museu de Ílhavo falará sobre A frota do bacalhau e o Museu Marítimo de Ílhavo, prosseguindo no dia 21 com a pesca no Noroeste português pela Professora Doutora Teresa Soeiro da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. A frequência do curso implica inscrição prévia.
Para o ano de 2017/2018 o tema do curso do Solar será sobre Música & Músicos da região norte, numa perspetiva da História da Música e da Musicologia.

Prémios


A monografia “Rota do Românico”, da autoria de Lúcia Rosas, Nuno Resende e Maria Leonor Botelho, editada em novembro de 2014, recebeu uma Menção Honrosa do prémio A. de Almeida Fernandes 2016, destinado a galardoar estudos sobre História Medieval Portuguesa. Esta obra descreve com rigor muitos dos monumentos medievais de vários municípios do vale do Douro contemporâneos da fundação da nossa nacionalidade.


Outros eventos

Feiras das Novidades e de Troca de Livros

         A Feira das Novidades do Solar Condes de Resende realiza-se no próximo dia 8 de janeiro. A partir de fevereiro voltará a realizar-se no primeiro domingo de cada mês. Também excecionalmente a Feira de Troca de Livros e outros objetos culturais prosseguirá no terceiro domingo de janeiro, voltando depois a realizar-se no segundo domingo de cada mês.
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Eça & Outras, III.ª série, n.º 97 – domingo, 25 de dezembro de 2016; 
propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te. n.º 506285685;
NIB: 001800005536505900154 ; IBAN: PT50001800005536505900154; 
email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; 
eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: Ana Filipa Correia (fotografia 1)