sábado, 25 de fevereiro de 2017

Eça & Outras

Eleições! Eleições!

           A 24 de Agosto de 1820 eclodiu no Porto uma revolução organizada por civis que pretendiam devolver aos portugueses algum do rumo perdido após as Invasões Francesas, a transferência da Corte para o Brasil e a sujeição do governo interino de Lisboa ao exército de ocupação inglês. Vivendo do comércio transatlântico, os negociantes portuenses, cujos filhos entretanto tinham ido a Coimbra bacharelar-se em Direito, pretendiam também continuar a ter acesso aos mercados, nomeadamente o brasileiro, pelo menos em igualdade de circunstâncias com ingleses e os negociantes de outros países do norte da Europa. Depois queriam uma Constituição, uma lei matricial que refundasse a comunidade nacional e que abrangesse todos os portugueses, que fizesse elevar da condição de súbditos e os transformasse em cidadãos.
           Como nisto de revoluções as armas são importantes, aliciaram para a causa alguns militares para garantirem não só que não se oporiam à revolta, mas que depois do seu triunfo assegurariam que essa mudança não redundaria em anarquia generalizada, até porque o povo tinha fome e esta não se compadece com muitas demoras bem intencionadas ou teóricas. Aos militares que aderiram interessava-lhes sobretudo correrem com os oficiais ingleses, cuja presença os humilhava, e que o rei voltasse do Brasil para redistribuir promoções e titulaturas. Não seriam todos, mas a maioria não queria sequer ouvir falar em Constituição. Vencida a causa, logo em dezembro de 1820 convocam-se eleições para deputados às Cortes, ou seja para uma assembleia nacional que colocasse Portugal na Europa do seu tempo. O círculo eleitoral de base considerado foi a paróquia, pois não havia outro. Assim se iniciou entre nós a Democracia que, como é sabido, tem no ato eleitoral o seu mais expressivo ritual. Desde então, com muitos avanços e recuos, no último trimestre deste ano de 2017 e a caminho de 200 anos de eleições, vamos outra vez às urnas, desta feita para eleger os responsáveis pela administração local, juntas de freguesia (ou uniões) e respetivas assembleias de freguesia, e câmaras municipais e respetivas assembleias municipais. Ficará ainda desta vez de fora do sufrágio direto e universal a eleições dos representantes dos cidadãos para as assembleias metropolitanas e respetivas juntas. Lá chegaremos; será uma questão de tempo.
           As eleições no tempo de Eça de Queirós motivaram-lhe alguns saborosos comentários que hoje importa reler e confrontar com a realidade atual, tendo em conta que já não trocamos a intenção de voto, nesta ou naquela lista de candidatos, por um prato de carneiro com batatas nem pelo pipo de vinho com torneira disponível. Já estamos longe da situação em que no século XIX se realizava «…o cerimonial exterior das suas eleições: - porque as eleições, elas próprias, já estavam feitas havia muito, segundo o costume consagrado e venerável, por meio de uma lista de círculos e um lápis, no remanso das secretarias. Restava só a solenidade de ir o povo às urnas. Todos sabemos, porém, que em muitos círculos se evita o barulho e a poeira desta cerimónia – reduzindo a eleição a uma simples ata que as autoridades lavram depois da missa, a um canto da sacristia. O povo, esse, fica nas suas moradas, quieto e certo de que o senhor administrador está «fazendo» o senhor deputado» (Eça de Queirós, Da colaboração no «Distrito de Évora», III, (1867)). É que, entretanto, também passamos pelo Estado Novo, em que existia «Uma maioria nomeada pelo Governo e que passivamente obedece às instruções do Governo: um Governo organizado por um chefe, e que fielmente segue as indicações desse chefe» (Idem), como Eça muito bem adivinhou, mas que não queremos repetir, pois não queremos voltar à «cauda da Europa».
           Quanto aos candidatos que nos querem representar, embora muitos falem como se se quisessem representar a eles próprios, ouçamos ainda as sábias palavras do senhor cônsul: «Dir-me-ão que eu sou absurdo ao ponto de querer que haja um Dante em cada paróquia, e de exigir que os Voltaires nasçam com a profusão dos tortulhos. Bom Deus, não! Eu não reclamo que o país escreva livros, ou que faça artes: contentar-me-ia que lesse os livros que já estão escritos, e que se interessasse pelas artes que já estão criadas. A sua esterilidade assusta-me menos que o seu indiferentismo. O doloroso espetáculo é vê-lo jazer no marasmo, sem vida intelectual, alheio a toda a vida nova, hostil a toda a originalidade, crasso e mazorro, amuado ao seu canto, com os pés ao sol, o cigarro nos dedos, e a boca às moscas… É isto que punge» (Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra).
           Hoje, felizmente, tudo entre nós é muito diferente. E se tu meu caro leitor (permita-se-me este tom coloquial) ainda não deste pelas diferenças, então convém que te prepares, pois vai haver eleições para escolher quem vai governar o Teu município, a Tua cidade, a Tua aldeia. A Tua terra. Eleições! Eleições!

J. A Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria Queirosiana

Roteiros queirosianos

Visita a Évora

         Nas comemorações dos 150 anos da estadia de Eça de Queirós na capital do Alentejo a dirigir o semanário Distrito de Évora, a associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana vai organizar uma visita a esta cidade nos dias 20 e 21 de Maio.
         As inscrições podem ser feitas junto da entidade organizadora.

Livros & Revistas

        

O Chefe Hélio Loureiro, com a colaboração de outros chefes, acaba de lançar um novo livro intitulado À Moda do Porto, o qual apresenta um conjunto de receitas tidas como tradicionais daquela cidade com o respetivo enquadramento gastronómico. O autor é membro de 25 confrarias nacionais e estrangeiras, incluindo a Confraria Queirosiana.



Cursos, palestras, colóquios, jornadas…

Fórum de Avintes

         No passados dias 17 e 18 de fevereiro de correu na Junta de Freguesia de Avintes o XXVII Fórum Avintense, organização anual da autarquia local com a colaboração da Confraria da Broa de Avintes, o qual tem como objetivo «apresentar e debater os mais diversos temas…sobre o passado, o presente ou o futuro….de Avintes.
No presente ano, apresentaram comunicações Eva Baptista sobre “A Festa escolar em Avintes na aurora do século XX”; J. A. Gonçalves Guimarães sobre “José de Almeida Celorico um negociante de Vila Nova de Gaia devoto do Senhor do Palheirinho”; Abel Ernesto Barros sobre “Os azulejos no nosso concelho”; e Nuno Gomes Oliveira “História Natural do Rio Febros”, entre outros.

Professor José Manuel Tedim

         No passado domingo, dia 19 de fevereiro, o historiador da Arte, professor da Universidade Portucalense e presidente da direção dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, falou no Museu e Igreja da Misericórdia do Porto sobre a benfeitora desta instituição Luzia Joaquina Bruce.
         A partir do próximo dia 15 de março, às quartas-feiras, das 18,30 às 19, 45, na Associazione Socio-Culturale Italiana del Portogallo Dante Alighieri, rua da Restauração 409 no Porto, este professor iniciará um novo ciclo de “Encontros com a Arte” desta vez sobre Escultura Italiana.

Conde de Burnay

         Conforme divulgamos anteriormente, no dia 23 passado, nas habituais palestras das últimas quintas-feiras do mês do Solar Condes de Resende, o Professor Doutor Gonçalo de Vasconcelos e Sousa, coordenador do volume do Património Humano do Projeto de Levantamento do Património Cultural Gaiense (PACUG), apresentou a conferência “ O Conde de Burnay e a sua época”, cuja casa na Granja ainda existe e foi mesmo objeto de recuperação em data recente.

O Cerco do Porto

         Ontem, dia 24 de fevereiro, decorreu na Ordem da Lapa, na Galeria dos Retratos da Irmandade de Nossa Senhora da Lapa, no Porto, um seminário sobre “ O Cerco do Porto”, organizado pela Universidade Portucalense Infante D. Henrique e pela Venerável Irmandade de Nossa Senhora da Lapa, com a colaboração da Direção Geral de Recursos da Defesa Nacional, o qual teve como orador na sua abertura o Prof. Doutor Francisco Ribeiro da Silva, mesário para a Cultura desta irmandade e também da Misericórdia do Porto. Sobre este acontecimento da história nacional, que incidiu com particular relevância nos atuais municípios de Porto, Vila Nova de Gaia, Vila do Conde, Matosinhos, Maia e Gondomar, entre os diversos oradores falaram José Manuel Tedim, sobre “Patrimónios desaparecidos com o Cerco do Porto”, e J. A. Gonçalves Guimarães sobre “A outra margem do Cerco do Porto”.
         No encerramento a representante da Câmara Municipal do Porto apresentou o projeto de turismo militar intitulado “O Porto Liberal”, que será centrado no mausoléu com o coração de D. Pedro existente na igreja da Lapa.

Jantar de encerramento do curso sobre História Naval

         Nos próximos dias 4 e 18 de março, sábados à tarde, entre as 15 e as 17 horas, prosseguirá no Solar Condes de Resende o curso livre sobre História Naval do Noroeste de Portugal, organizado pela Academia Eça de Queirós com a colaboração da Câmara Municipal de Gaia e do Solar Condes de Resende. No dia 4, o Prof. Doutor Álvaro Garrido, da Universidade de Coimbra falará sobre “A Pesca do Bacalhau, apenas uma epopeia?” e no dia 18 o Prof. Doutor Jorge Alves falará sobre “O Porto de Leixões” na aula de encerramento.
         Nesse mesmo dia haverá um jantar de encerramento do curso na Quinta da Boeira em Vila Nova de Gaia, precedido de uma visita comentada à sua coleção de modelos de embarcações históricas e prova de vinhos. No final do jantar atuarão os Eça Bem Dito, o coro do Solar com a pianista Maria João Ventura. As inscrições, abertas a todos os sócios inscritos ou não no curso, podem ser feitas para a direção da Confraria Queirosiana.


Camélias do Solar Condes de Resende
Pompónia, Pamplona, Pompom,
Da beleza sem aroma têm o dom.
Quinta, Solar, propriedade,
No centenário jardim sabem toda a Verdade.
Da Casa, dos Convidados, dos Senhores,
Todas as histórias, amores e desamores.

Anseiam pela frescura que tem tardado
Para as belas flores abrir
Pelo manto da noite orvalhado
E os luares de Inverno a sorrir.

Pomponia, Pamplona, Pompom…

Susana Guimarães, 25.01.2017

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 99 – sábado, 25 de fevereiro de 2017; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te. n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: Susana Guimarães.







quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Eça & Outras

Nos 150 anos de Eça em Évora:
Roteiro queirosiano do Alentejo
No presente ano de 2017 comemoram-se os 150 anos da presença de Eça de Queirós na capital do Alentejo a dirigir o bissemanário Distrito de Évora, publicado entre 6 de janeiro e 26 de agosto de 1867, no qual o escritor, então com apenas 22 anos, deixou páginas ainda hoje admiráveis, depois recolhidas em “Páginas de Jornalismo” (ed. Lello) e em “Da colaboração no «Distrito de Évora»”, ed. Livros do Brasil. Mais recentemente estes textos têm dado origem a trabalhos académicos, como a dissertação de mestrado de Ana Paula Fernandes Rodrigues, intitulada “Eça de Queirós e as páginas desconhecidas do Distrito de Évora”, apresentada na Universidade Aberta em 2008, e a novas análises sobre a sua vida e obra naquelas paragens, já muito distantes de “Eça de Queiroz em Évora” de Celestino David, publicado em 1945. Um bom pretexto para irmos a Évora, Serpa e Corte Condessa, percorrer o mais esquecido e desconhecido dos roteiros queirosiano, o qual, como todos os outros, também deixou mais valias culturais para hoje usufruirmos. É a isso que chamamos Património: o passado estudado, trabalhado, protegido e explicado por profissionais, para ensino e deleite dos cidadãos atuais que dele possam obter algum ganho, espiritual ou material, participando conscientemente na missão, ou simplesmente na disposição, de o legar em melhores condições às gerações vindouras, para que sejam mais sábias e mais felizes.
Recordemos então as circunstâncias que levaram Eça a Évora. Em Junho de 1866, depois de concluir o bacharelato em Direito na Universidade de Coimbra, veio viver para Lisboa. Em Outubro inscreve-se como advogado no Supremo Tribunal de Justiça, mas a vida para o filho de um magistrado sério não estava fácil na capital e por isso o pai arranja-lhe o emprego de ir dirigir aquele jornal alentejano de oposição ao governo. Ali chegado, além dessa tarefa, estabelece na redação do jornal, à praça D. Pedro (hoje Joaquim António de Aguiar) a sua banca de advogado, mas parece que apenas levou ao foro um único caso de diferendo entre um inquilino da Casa Pia local e o senhorio. Vivendo na travessa dos Frades Grilos e absorvido pela tarefa de produzir a totalidade do jornal, parece não ter prestado muita atenção à realidade circundante para além dos monumentos, das feiras e dos roubos. A solidão de um jovem daquela idade sem companhias, num ambiente com o qual não tinha afinidades, segundo João Gaspar Simões na biografia que dele escreveu, «constitui[u] ensaio decisivo da sua vocação literária», permanentemente posta à prova nas páginas daquele periódico durante mais de seis meses. Mas foi ali que Eça se revelou o jornalista consciente da sua missão e da importante função social e moral da Imprensa, ao escrever no seu primeiro editorial, precisamente no n.º1 daquele jornal: «É o grande dever do jornalismo fazer conhecer o estado das coisas públicas, ensinar ao povo os seus direitos e as garantias da sua segurança, estar atento às atitudes que toma a política estrangeira, protestar com justa violência contra os actos culposos, frouxos, nocivos, velar pelo poder interior da pátria, pela grandeza moral, intelectual e material em presença de outras nações, pelo progresso que fazem os espíritos, pela conservação da justiça, pelo respeito do direito, da família, do trabalho, pelo melhoramento das classes infelizes.» (Eça de Queirós, Da Colaboração no «Distrito de Évora», I, LB, p. 9).
Regressado a Lisboa no final de Agosto, intenta também ali abrir banca de advogado. Pouco se sabe da sua vida desde então até agosto de 1869, quando está presente na inauguração da escola primária em Canelas, Vila Nova de Gaia, patrocinada pelo seu antigo condiscípulo do Colégio da Lapa, D. Luís Benedito, 5º Conde de Resende, que aí possuía a Casa e Quinta de Costa (Solar Condes de Resende). Partem depois ambos em outubro em viagem ao Egito e à Terra Santa, para a inauguração do Canal de Suez, chegando a Lisboa em Janeiro de 1870. Tão cedo Eça não voltará ao Alentejo, mas apenas em 1898, quando vai a Serpa e à herdade de Corte Condessa, no concelho de Beja, herança de sua mulher, de sua cunhada Benedita e de seu cunhado Alexandre.
Entretanto, talvez em Lisboa e antes de 1884, vem a conhecer Francisco Manuel de Mello Breyner, Conde de Ficalho, professor da Escola Politécnica, botânico e biógrafo de Garcia da Orta e de Pero da Covilhã, autor de contos e de livros sobre plantas e um dos Vencidos da Vida, proprietário em Serpa, que o acompanha e hospeda, fazendo-lhe «as honras do seu solar!», constatando Eça no dia seguinte que estava em «terra lindamente pitoresca». Parte então para a herdade que fora dos Condes de Resende, onde «o monte está[va] muito habitável, restaurado de novo, com agradáveis quartos, e tudo da quase inverosímil limpeza alentejana. Estive ali três dias. Vida de lavrador. Passeios de léguas, através da herdade, sob soalheiras violentas. Madrugadas. Comezainas enormes (e deliciosas). Cenas pitorescas. E sobretudo a satisfação de ver a herdade admiravelmente tratada. Parece outra. Já tem largos montados limpos; tem hortas, vai ter vinha; há cinco poços abertos; e já se caminha durante horas ao longo de campos de trigo e centeio…». Depois de impressionantes descrições gastronómicas, as quais, «logo pela manhã, às 10 horas os almoços eram temerosos – porque o prato mais insignificante era sempre um imenso peru», escreve que «quase dá vontade de ali viver – se não fosse a imensa solidão, a melancolia da paisagem, e a insalubridade do sítio. O Guadiana faz sezões», que os rendeiros pensavam combater plantando um grande bosque de eucaliptos. «Mas a eficácia do eucalipto é problemática – e malária do Guadiana é certa», sabia já então o escritor (Eça de Queirós. Correspondência, coordenação de A. Campos Matos, 2008-II, p. 406/4079.
Por todos estes motivos a Câmara Municipal de Évora fez um programa comemorativo que começou no passado dia 6 de Janeiro e que se prolongará ao longo do ano com diversas manifestações culturais. A Confraria Queirosiana prepara uma viagem ao roteiro queirosiano do Alentejo para o próximo mês do Maio para assinalar com a sua presença esta data jubilar do universo queirosiano.

J. A Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria Queirosiana

Livros & Revistas

Entre 13 de junho e 30 de outubro do ano passado estiveram patentes ao público na Casa Museu Marta Ortigão Sampaio no Porto, e no Museu da Quinta de Santiago em Matosinhos, duas exposições comemorativas dos150 anos do nascimento de Aurélia de Sousa (1866-1922) das quais resultou o livro “Aurélia, mulher artista (1866-1922)”, editado pelas câmaras de ambos os municípios. Entre os diversos estudos publicados que analisam a sua vida, obra e época encontra-se o de Susana Moncóvio, intitulado “Mulheres artistas antes de Aurélia de Sousa: a lenta metamorfose de uma condição no espaço da Academia Portuense de Belas-Artes”, p. 125-135. Esta investigadora do Gabinete de História, Arqueologia e Património tem vindo a publicar diversos trabalhos sobre as mulheres artistas do século XIX que foram teimando para terem lugar no mundo da Arte por mérito próprio, bem evidente em algumas das obras que foram produzindo.





Está em distribuição o boletim “O Amigo dos Museus”  n.º 25, propriedade da Federação de Amigos dos Museus de Portugal referente a dezembro de 2016, que apresenta com especial destaque uma viagem ao Japão organizada pelo Grupo de Amigos do Museu do Oriente. A Federação, que representa em Portugal a World Federation of Friends of Museums (WFFM) tem como associada, entre os seus aderentes nacionais, os Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana.



Também em distribuição o n.º 59 da revista “Islenha – Temas Culturais das Sociedades Insulares Atlânticas”, referente a julho-dezembro de 2016 e publicada pela Secretaria Regional da Economia, Turismo e Cultura da Região Autónoma da Madeira. Este número, entre outros artigos, apresenta o de João Medina intitulado “Os Judeus e a Questão Judaica na obra de Eça de Queiroz”, uma leitura do que o escritor equacionou à luz dos acontecimentos do passado e da sua época, com notável equidistância em relação ao que é humanamente aceitável e ao que é oportunismo mascarado de religião. Curiosamente, Eça de certo modo profetizou as tragédias que haveriam de acontecer com os judeus na primeira metade do século XX e no nosso tempo. O escritor não teria certamente poderes divinatórios, mas como cidadão conhecedor e atento à política internacional, “adivinhou”, sobre este e outros assuntos, o que os tempos seguintes trariam. Este artigo suscita pois uma profunda análise que agora se não fará, mas que merece desde já alguns reparos em relação a pequenos erros impressos, que depois outros repetem e perpetuam, como, por exemplo, o de se escrever que Eça foi ao Egito «em companhia do futuro cunhado Luís, conde de Resende». Ora o 5º conde de Resende efetivamente acompanhou o escritor naquela viagem, mas nunca foi seu cunhado, pois morreria novo e antes do casamento. Cunhado do escritor foi seu irmão mais novo, Manuel, o 6º conde de Resende. Erros destes são hoje desnecessários pois a família de Emília está suficientemente bem estudada e divulgada nas biografias credíveis do próprio Eça e no Dicionário, organizado por A. Campos Matos.




Também presente o n.º 83 do Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia, referente a dezembro de 2016 o qual, entre outros artigos, insere “Plano de Intervenção na Salvaguarda do Património. Plano 3P – o Património Edificado do Centro Histórico de Vila Nova de Gaia”, por Salvador Almeida; “O escultor Joaquim Gonçalves da Silva (1863 – 1912): a propósito da escultura funerária «A Dor», no Cemitério de Mafamude (2ª parte)”, por Susana Moncóvio; e “ O Cemitério Paroquial de Santa Marinha e a sua Capela (1873 – 1931)”, por Virgília Braga da Costa.


     


Entre 24 de julho e 27 de setembro de 1870 o Diário de Notícias publicou uma série de cartas dirigidas ao diretor do jornal dando conta de estranhos acontecimentos que prefiguravam uma estória de crime e suspense, que os deixou expetantes ao longo de semanas. Os autores da invenção eram Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, e assim nasceu o primeiro romance policial português, depois publicado em 1884 em livro com o título “O Mistério da Estrada de Sintra”. Para recordar essa primeira edição em folhetins, aquele jornal lançou agora uma nova composta por 20 folhetins e uma capa colecionáveis desde 22 de janeiro passado.






Cursos, palestras, colóquios, jornadas… 
Curso sobre História Naval do Noroeste de Portugal

      No Solar Condes de Resende continuam aos sábados à tarde, entre as 15 e as 17 horas e de quinze em quinze dias, as aulas do curso livre sobre História Naval do Noroeste de Portugal, organizado pela Academia Eça de Queirós com a colaboração da Câmara Municipal de Gaia e do Solar Condes de Resende. Assim, no passado dia 7 de janeiro, J. A. Gonçalves Guimarães falou sobre “Memórias marinheiras do Noroeste de Portugal” e no dia 21, a Prof. Doutora Teresa Soeiro sobre “A pesca no Noroeste de Portugal”. No próximo dia 4 de fevereiro, o Dr. César da Fonseca Veloso falará sobre “Percursos do direito comercial marítimo em Portugal”, e no dia 18 o Comandante Hugo Bastos sobre “Turismo Fluvial e Marítimo”.

Palestras e colóquios

            No passado dia 13 de janeiro, na sede da associação gaiense Os Mareantes do Rio Douro e na antevéspera da primeira romaria do ano, o historiador J. A. Gonçalves Guimarães falou sobre “ A Festa de S. Gonçalo em Gaia: origens e evoluções de um culto de mareantes”, no início da sessão solene anual desta coletividade, cujas raízes remontam ao século XVII, quando os mamposteiros recolhiam esmolas e donativos para a beatificação de S. Gonçalo de Amarante.
            No próximo dia 24 de Fevereiro este historiador do Gabinete de História, Arqueologia e Património apresentará num colóquio sobre o Cerco do Porto, organizado pela Universidade Infante D. Henrique, pela Ordem da Lapa e pelo Ministério da Defesa, na sala dos retratos da igreja da Lapa, o tema “A outra margem do Cerco do Porto”.
            No dia anterior, às 21,30 horas, nas habituais palestras das últimas quintas-feiras do mês do Solar Condes de Resende, o Professor Doutor Gonçalo de Vasconcelos e Sousa, coordenador do volume do Património Humano do Projeto de Levantamento do Património Cultural Gaiense (PACUG), apresentará a conferência “ O Conde de Burnay e a sua época”

Estatuária



No próximo dia 27 de janeiro será inaugurada em Braga, na praça de S. Paulo, a estátua em bronze de D. Frei Bartolomeu dos Mártires, da autoria do escultor Hélder de Carvalho, o qual é autor de numerosas obras de arte pública e de bustos de personalidades. É também o autor da estátua de Eça de Queirós existente no Jardim das Camélias do Solar Condes de Resende.




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Eça & Outras, III.ª série, n.º 98 – quarta-feira, 25 de janeiro de 2017; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te. n.º 506285685 ; IBAN: PT50001800005536505900154;
email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.




sábado, 24 de dezembro de 2016

Eça & Outras, domingo, 25 de dezembro de 2016

Afinal qual é “a nossa terra”?

         Os cristãos, e de um modo geral o mundo ocidentalizado a partir da civilização mediterrânica, celebram tradicionalmente, três dias depois do solstício do Inverno, o nascimento de Jesus em Belém, também conhecido como Jesus de Nazaré ou Jesus da Galileia, duas povoações e uma região da antiga Palestina. Mas nunca é dito como Jesus de Jerusalém. E no entanto esta cidade é o lugar maior da sua biografia. Este exemplo, de todos conhecido, apresentamo-lo aqui para reflectirmos sobre qual é afinal a nossa terra, se aquela onde vimos pela primeira vez a luz do dia, ou se aqueloutra que depois escolhemos ou nos calha nas sortes ou azares da vida. Ou se a que nos adopta, quando temos alguma importância para tal. E se, seja ela aldeia ou metrópole, nos contentamos com a sua história verdadeira ou se para ela preferimos mitologias engrandecedoras, que quantas vezes apagam singelas e úteis virtudes cívicas.
         De muitos dos grandes humanos não sabemos sequer onde nasceram. Veja-se o que aconteceu quando a investigação histórica se debruçou sobre o berço de D. Afonso Henriques, mudando-o de Guimarães para Viseu. Camões é também um desses casos: dão-se-lhe terras, cidades, vilas, aldeias de nascimento e de itinerário em Portugal, em África, na Índia e outras partes, algumas sabe-se que ficcionais, mas com monumentos a celebrar a sua passagem, se não em vida, certamente na imaginação de alguém depois que morreu. E não inventou ele “ilhas dos amores”? A sua biografia não coincide pois com a sua mitologia. Não é caso único e muito menos raro. Sobre Eça de Queirós disse e escreveu sua mãe que ele lhe nasceu na Póvoa de Varzim: mas há quem o queira nascido em Vila do Conde ou até em Aveiro e morador em Baião. Camilo, tão do Porto ou do Minho, nasceu afinal em Lisboa. A outros constroem-se-lhes maternidades em terras que nunca a mãe viram, como tem sido o caso de Fernão de Magalhães. E tal como existem mais de duas catedrais que dizem possuir o crânio de um só e mesmo santo, também a várias personalidades se lhes apontam várias terras natais. Santo António é de Lisboa para os Portugueses, de Pádua para os Italianos, não pelo nascimento mas pelo percurso de vida.
Para seres mais comuns e em tempos mais recentes, a partir da proliferação dos estabelecimentos de saúde nas cidades, o local de nascimento deixou de ser a casa materna e passou a ser uma realidade administrativa que falseia as estatísticas. Em tempos, na Maternidade Júlio Dinis no Porto, “nascia-se” alternadamente, conforme os dias da semana, numa ou noutra freguesia limítrofe, para as impertinências da vida não cansarem em demasia uns ou outros dos seus funcionários. Agora pode oficializar-se que se nasceu na morada da mãe, ainda que a mesma diste cem quilómetros do verdadeiro local do parto, que pode acontecer a bordo de um helicóptero ou de uma ambulância do INEM. Um problema para os historiadores biógrafos do futuro. E há muita gente que, tal como Chopin, tendo nascido numa Zelazowa qualquer, prefere bacocamente dizer que nasceu numa Varsóvia de prestígio. Feitios.
         Nascidos então, muitas vezes a vida muda-nos de terra, e é noutra bem diversa que nos fazemos ou acabamos como gente. A primeira poderá ser sempre uma referência, sobretudo se a família a que pertencemos lá tiver origens e memórias ativas. Veja-se Garrett que escreveu no prefácio da 1.ª edição de O Arco de Sant’Ana: «Ora eu nasci no Porto e criei-me em Gaia». É pois lícito ser-se de mais do que uma localidade. E nem será preciso filosofar-se agora muito sobre a matéria pois sobre tal se legislou já em tempos antigos. No Foral de D. Manuel de Vila Nova de Gaia, 1518, encontra-se esta clara definição: «E para se saber quais serão as pessoas que são havidas por vizinhos dalgum lugar para beneficiarem da liberdade dele, declaramos que por vizinho dalgum lugar se entenda o que for dele natural ou nele tiver alguma dignidade. Ou ofício nosso ou do senhorio da terra, pelo qual razoavelmente viva e more no tal lugar, ou se ali for feito livre da servidão em que era posto. Ou seja aí perfilhado por algum morador e o perfilhamento por nós confirmado. Ou se tiver aí o seu domicílio ou a maior parte dos seus bens com o propósito de ali morar. E o dito domicílio se entenderá onde cada um casar e enquanto aí morar. E mudando-se para outra parte com sua mulher e fazenda com intenção de se para lá mudar, voltando depois não será tido por vizinho, salvo se morando aí de novo quatro anos continuadamente com sua mulher e fazenda, e então será de novo tido por vizinho. E assim o será quem vier com sua mulher e fazenda viver para algum outro lugar, estando nele os ditos quatro anos. E além dos ditos casos não será ninguém havido por vizinho de algum lugar…» (texto actualizado). Este sábio princípio dos quatro anos mínimos de residência efectiva para se ser considerado vizinho do lugar foi anulado pelo liberalismo, quando passou a permitir que os “condes de abranhos” chegados de qualquer terra pudessem ser candidatos a eleições locais, regionais ou mesmo nacionais, por um círculo eleitoral bem distante do da sua terra natal e onde até nunca terão posto os pés, a não ser nas vésperas da abertura das urnas. E o povo, como a história o anota, vota neles, sobretudo nas cidades e vilas onde a população adventícia é em maior número, ou tem mais força social, do que a dos naturais. Daí a haver adeptos do Olhanense em Monção vai apenas um pequeno passo. Claro que também existem os que, tendo nascido nas berças de Trás-os-Vales, mal se apanham seguros no poder, compram uma vivenda na Quinta da Marinha, ou mesmo numa zona de protecção da natureza perto da capital, confiantes de que o sistema político os candidatará por qualquer outra terra, nem que seja pelas Berlengas, et voilà, aí temos o povo no poder!
Há ainda um outro estranho fenómeno a considerar, complementar daquele outro: a invenção ou perpetuação de mitologias locais pelos forâneos desenraizados. Mal montam a sua banca na cidade onde chegaram, ei-los a reescrever ou a apadrinhar a divulgação de lendas sobre a terra onde têm a nova morada, as quais a história não abona, com cujas inverdades se indigna ou das ingenuidades se ri. E quase sempre os vizinhos recentes são muito mais assanhados na defesa dessas fantasias do que os indígenas. Poderíamos dar exemplos destas situações, mas elas são bem conhecidas. E nem vale a pena, pois elas vão persistir: Verona continuará a vender o seu balcão de Julieta, Santiago o seu apóstolo.
         Tudo isto para nos ancorarmos na memória dos nossos percursos de vida. Mas valerá a pena? Lembremos aqui as palavras de Eça nas Cartas de Inglaterra: «Não há nada tão ilusório como a extensão de uma celebridade; parece às vezes que uma reputação chega até aos confins de um reino – quando na realidade ela escassamente passa das últimas casas de um bairro».
As terras a que pertencemos são afinal apenas o cenário da nossa maior ou menor efemeridade: e mais do que as memórias, as vontades de cada tempo fazem o resto.
J. A Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria Queirosiana

Livros & Revistas

João Nicolau de Almeida

João Nicolau de Almeida com o seu livro.
        O autor dos vinhos “Duas Quintas”, e agora do “Quinta do Monte Xisto”, acaba de ser homenageado com um singular e raro livro cuja edição é apenas de 2 (dois) exemplares. Numa época em que tudo tende para a massificação, há gestos que se ficam por isso mesmo, por uma afetiva exceção. Assim, a administração da Casa Ramos Pinto contatou os inúmeros amigos e admiradores do enólogo um pouco por todo o mundo para deixaram os seus textos neste “liber amicorum”, que tem uma excelente apresentação gráfica, oferecendo um exemplar ao homenageado e ficando com o outro no arquivo da empresa. Também de exceção é a edição de uma garrafa com um Porto tawny de 40 anos, tantos quantos os que trabalhou na empresa, com um artístico rótulo com o seu perfil e caixa-estojo com a sua fotografia, das quais foram feitas apenas 320 exemplares.
         O enólogo esteve presente no dia 21 de dezembro no magnífico almoço de Natal que todos os anos a administração da Casa Ramos Pinto celebra com algumas personalidades ligadas ao mundo dos Vinhos, da Arte e da Cultura, durante o qual foi feito um brinde ao atual secretário geral das Nações Unidas, Eng. António Guterres, o primeiro ministro que suspendeu a barragem que ia afogar a Arte Paleolítica do Côa, tendo visitado a Quinta de Ervamoira em 1996, onde então se inteirou do projeto para a criação do seu Museu de Sítio inaugurado a 1 de novembro do ano seguinte e que desde então acolhe visitantes à procura de lugares de exceção.

A Ira de Deus sobre a Europa


Publicado pela primeira vez nos Países Baixos em 2008 com o título Gods toorn over Nederland (A Ira de Deus sobre a Holanda), ao contrário de a maior parte dos seus livros anteriores este foi então muito mal recebido, por vir denunciar o politicamente correcto que, segundo J. Rentes de Carvalho, está a destruir a Holanda e a Europa, avassalada por uma onda de gentes e interesses que, na melhor das hipóteses, não lhe trazem nada nem coisa nenhuma, mas que a coberto da lassidão dos burocratas vão instalando os fundamentalismos vindos com as fomes e as ignorâncias de outras latitudes. Não se trata, obviamente, de propor uma nova batalha de Poitiers, como pretendem os belicistas, que com as suas estúpidas estratégias apoiaram os estadunidenses para mexerem no vespeiro do petróleo do Iraque e da Líbia, dando origem à actual desgraçada vaga de refugiados que querem da Europa aquilo que ela sempre foi, mas que hoje tem dificuldades em manter: uma terra de tolerância e de esperança. Mas para tal terá de repensar a sua estratégia mundial e entender-se internamente.
Alargando agora a questão, a Quetzal acaba de publicar A Ira de Deus sobre a Europa – Testemunho de Um Meio Século (1956-2006), com o texto inicial revisto e atualizado no prefácio pelo autor, que equaciona igualmente o papel de Portugal nessa realidade hesitante que é a Comunidade Europeia. Lá pela Holanda já há quem diga, oito anos depois, que afinal o texto era uma séria reflexão sobre o que haveria de vir e hoje aí está. Lembra-nos um outro livro, Estes Dias Tumultuosos de Pierre Van Paassen, que também ninguém quis levar a sério antes da desgraça de 1939-1945 ter batido à porta da Europa.

A Amante Holandesa
         

Agora em edição de bolso da Bertrand, para ler no comboio ou no avião, um dos melhores romances de J. Rentes de Carvalho, publicado pela primeira vez em Amsterdam no ano 2000 e já com várias edições em português, um delírio obsessivo em ambiente transmontano, onde a fantasia e a realidade se casam em insuperável narrativa. O autor, por entre as suas regulares estadias na capital holandesa e em Estevais de Mogadouro prossegue entretanto a sua atividade literária e de reflexão sobre a maneira de ser da Europa e de Portugal. Numa recente visita que lhe fizemos confidenciou-nos que no próximo ano publicará, pelo menos, mais uma obra sobre uma região de Portugal.

Cadernos Culturais

         Acaba de ser publicado o n.º 9 da segunda série dos Cadernos Culturais. Lumiar – Olivais – Telheiras, editados pelo Centro Cultural Eça de Queirós de Lisboa, dedicado aos 750 anos da freguesia do Lumiar (1266-2016). Nas suas 475 páginas apresenta artigos de Fernando Andrade Lemos (com Carlos Revez Inácio e José António Silva) sobre “Apontamentos sobre as origens dos mitos – sobretudo no mundo ocidental” e (com José António Silva e Pedro Sá Nogueira Saraiva) sobre “O painel de azulejos de Gabriel del Barco existente na entrada nobre do palácio da Sociedade Histórica da Independência de Portugal. Reflexões de hipótese no campo da Simbólica”; e de César Veloso (com Vanessa Omena) sobre o “V Centenário da reconquista do Maranhão” no Brasil.

Memórias da Primeira Grande Guerra

         No passado dia 10 de dezembro foi apresentado no Ginásio do Torne em Vila Nova de Gaia o livro Memórias de um Expedicionário a Moçambique (1917-1919), de José Pereira do Couto Soares, um relato da sua vivência pessoal prefaciado pelo jornalista e historiador Manuel Carvalho, complementado pela sua antologia poética e por um texto autobiográfico, tudo isto escrito num álbum que esperou quase cem anos para ser publicado. Na ocasião, estando presentes vários descendentes e familiares do autor, o livro foi apresentado pelo seu neto Dr. Rui Soares e por J. A. Gonçalves Guimarães em nome da Confraria Queirosiana, a entidade editora.

Lendas do Porto, volume IV




Prosseguindo na recolha das narrativas lendárias do Porto e cidades vizinhas, Joel Cleto apresentou no passado dia 15 de dezembro no Museu da Quinta de Santiago em Matosinhos o IV volume de “Lendas do Porto” num lançamento enquadrado na Feira do Livro Municipal daquela autarquia. Nestas obras o autor tem procurado que o leitor consiga distinguir a possível verdade histórica das fantasias acrescentadas pelos tempos e pelas gentes.




Cursos, palestras, colóquios, jornadas…

Palestras do Solar

         Prosseguem no Solar Condes de Resende as palestras das últimas quintas-feiras do mês. Assim, no próximo dia 29 de dezembro, pelas 21,30 horas, o medievalista Dr. Paulo Costa falará sobre “As comunidades gaienses nos reinados de D. Dinis e D. Afonso IV. História e Património”; no dia 26 de janeiro, o contemporanista Dr. Licínio Santos falará sobre “O mutualismo em Gaia: origens e evolução até ao tempo presente”. Ambas as palestras decorrem da execução pelo Gabinete de Historia, Arqueologia e Património do Projeto de levantamento, estudo e divulgação do Património Cultural de Gaia (PACUG). A entrada é livre.

Curso de História Naval do Noroeste de Portugal

Também no Solar Condes de Resende prossegue este curso organizado com a colaboração da Academia Eça de Queirós e certificado pelo Centro de Formação de Associação de Escolas Gaia Nascente do Ministério da Educação. No dia 7 de janeiro o Professor Dr. Álvaro Garrido da Universidade de Coimbra e diretor do Museu de Ílhavo falará sobre A frota do bacalhau e o Museu Marítimo de Ílhavo, prosseguindo no dia 21 com a pesca no Noroeste português pela Professora Doutora Teresa Soeiro da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. A frequência do curso implica inscrição prévia.
Para o ano de 2017/2018 o tema do curso do Solar será sobre Música & Músicos da região norte, numa perspetiva da História da Música e da Musicologia.

Prémios


A monografia “Rota do Românico”, da autoria de Lúcia Rosas, Nuno Resende e Maria Leonor Botelho, editada em novembro de 2014, recebeu uma Menção Honrosa do prémio A. de Almeida Fernandes 2016, destinado a galardoar estudos sobre História Medieval Portuguesa. Esta obra descreve com rigor muitos dos monumentos medievais de vários municípios do vale do Douro contemporâneos da fundação da nossa nacionalidade.


Outros eventos

Feiras das Novidades e de Troca de Livros

         A Feira das Novidades do Solar Condes de Resende realiza-se no próximo dia 8 de janeiro. A partir de fevereiro voltará a realizar-se no primeiro domingo de cada mês. Também excecionalmente a Feira de Troca de Livros e outros objetos culturais prosseguirá no terceiro domingo de janeiro, voltando depois a realizar-se no segundo domingo de cada mês.
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Eça & Outras, III.ª série, n.º 97 – domingo, 25 de dezembro de 2016; 
propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te. n.º 506285685;
NIB: 001800005536505900154 ; IBAN: PT50001800005536505900154; 
email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; 
eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: Ana Filipa Correia (fotografia 1)




sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Eça & Outras

Os avós portugueses da Europa

            Certamente que já ouvimos falar dos “pais fundadores da Comunidade Europeia” entre os quais Jean Monnet, Robert Schuman, Alcide de Gasperi, Konrad Adenauer e Paul-Henri Spaak. Mas, como acontece com todas as ideias humanas, também a atual união europeia teve os seus bisavôs e avós. Poderíamos começar no Império Romano, centrado no Mediterrâneo. Ou em Carlos Magno. Mas tal não abrangeria a totalidade do território europeu. A uma Europa de guerras e de conflitos permanentes pretendeu, na 2.ª metade do século XVI, o rei Henrique IV de França contrapor a ideia de uma união federal dos diferentes estados e reinos europeus, mas foi assassinado. Em 1693 o quaker William Pen pretendeu relançar a ideia, mas acabou por ir fundar a colónia da Pensilvânia na América do Norte. Em 1790, Benjamin Franklin, embaixador dos Estados Unidos da América na Europa, advoga a velha ideia de Henrique IV, o que viria a inspirar Napoleão para o seu Império Francês. Regressados à Europa das Nações pelo Tratado de Berlim de 1815, anos depois, em 1849, Vítor Hugo retoma a ideia de uns futuros Estados Unidos da Europa, da qual falará ao longo da vida. Por volta do virar do século o jornalista inglês W. T. Sead faz conferências nas capitais europeias para difundir a ideia, a qual se torna mais urgente após a carnificina europeia de 1914-1918. Assim, logo em 1923, o conde Kalergi organiza um movimento pan-europeu em Viena de Áustria e em 1929 Aristides Briand, ministro dos negócios estrangeiros francês advoga a criação de uma federação de povos europeus junto da Sociedade das Nações. Curiosamente, a ideia absolutamente contrária partiu de Inglaterra: nas vésperas da 2.ª Grande Guerra, lord Halifax, ministro dos estrangeiros britânico manifestava-se abertamente contra a ideia de uma Europa federal. O atual Brexit tem também os seus antepassados.
            E em Portugal, o que se pensava sobre o assunto? Os europeístas nasceram todos anteontem? Existem pelo menos dois “avós” da Comunidade Europeia que os portugueses em geral ignoram, embora conheçam outros figurões recentes que ajudaram a conduzi-la à debilidade atual da qual oxalá se reforce, depois de assentar um certeiro pontapé no cós do fraque inglês, e de acolher pacificamente a futura adesão da Escócia, da Catalunha, do País Basco e da Suíça, depois de clarificada a posição da Europa perante países liliputianos como o Vaticano, o Mónaco, as repúblicas de Andorra e de S. Marino e o Principado do Liechtenstein, que também será pacífica.
            Um dos primeiros “avós” portugueses terá sido o padre Manuel António Gomes Himalaia, o Edison português, pioneiro entre nós da ecologia e notável inventor da himalaíte, um poderoso explosivo de cuja patente os americanos se apropriaram, e do pirelióforo, o forno solar, entre muitas outras coisas, hoje esquecidas. Nascido em 1868 em Arcos de Valdevez e falecido em 1933 em Viana do Castelo, depois de um grande périplo cosmopolita que o levou aos Estados Unidos, à França e à Argentina, e da publicação de muitos artigos e livros sobre os mais diversos assuntos, em 1911, numa conferência proferida em Lisboa na Academia das Ciências de Portugal, defendeu a criação de uma confederação europeia de estados, como forma de evitar a guerra que se aproximava.
            Um outro foi Francisco António Correia, professor da Escola Superior de Ciências Económicas e Financeiras de Lisboa, nascido em Moncorvo em 1877 e falecido em Lisboa em 1938. Em 1920 foi ministro dos negócios estrangeiros, em 1921 das Finanças e depois representante de Portugal na Sociedade das Nações. Publicou numerosos trabalhos e obras sobre Economia, Direito e Política, tendo sido condecorado pelos governos de diversos países e de Portugal. Foi um paladino de uma democrática Comunidade Europeia, conforme podemos ler num artigo de Adolfo Benarús intitulado “A utopia da paz. Os Estados Unidos da Europa. Uma ideia que muitos classificam de lindo sonho evanescente”, publicado na revista Arquivo Nacional de 14 de Agosto de 1940, p. 520/521.
Eça de Queirós escreveu também muitos textos sobre a situação na Europa do seu tempo, mas parece não lhe ter traçado qualquer futuro federativo. No artigo A Europa em Resumo, publicado a 18 de janeiro de 1892 no “Suplemento Litterario” da Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro, explicou aos brasileiros que «A Europa é por isso, sobre o nosso globo, o mais delicioso dos teatros públicos. Dentro dos seus amplos bastidores de mar e céu, representam então dezasseis nações, algumas supremamente inteligentes. O pano nunca desce: e, em qualquer momento que chegue, o homem doutros continentes tem a certeza de se entreter magnificamente com o que no palco se está dizendo ou se está fazendo, constantemente se desenrola aí alguma cena dessas velhas e sempre refeitas tragicomédias que se chamam a Política, a Religião, o Dinheiro, a Sociedade…».
Atualmente, estando o estorvo inglês para sair da Comunidade Europeia, mas querendo deixar nela uma casa de penhores permanente, a “representação” continua tendo como atores principais a Alemanha, a França e a Inglaterra, que faz o papel de vilão, tendo como compère a Hungria. O ponto é russo e a orquestra estadunidense, que será substituída a partir de janeiro, trocando a música de jazz pelo country. 
Muitos portugueses, que sabem de cor e salteado a vida de qualquer charlatão nascido nas pátrias berças, ignoram solenemente a existência destes seus “avós da Europa” e a de outros qualificados compatriotas que não chutam bolas de futebol, com o argumento «que não se pode saber tudo». Pois não: bastava apenas saber mais um pouco daquilo que é realmente importante para o nosso futuro e um pouco menos das fúteis efemeridades. Eu, cá por mim, voto numa Europa dos cidadãos que estão agradecidos aos grandes e esforçados utópicos da civilização.

J. A Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria Queirosiana

Confraria Queirosiana

14.º Capítulo

Manuel Carvalho apresenta o livro sobre a Primeira Grande Guerra em Moçambique

        Como habitualmente, e desde 2003, decorreu no passado dia 19 de novembro no Solar Condes de Resende o 14.º capítulo anual da Confraria Queirosiana comemorativo do aniversário de Eça de Queirós. Esta festa reúne confrades espalhados pelo país, estando também presentes outras confrarias e outras entidades ligadas à Cultura. O discurso de abertura do capítulo foi proferido pelo presidente da direção, Prof. Doutor José Manuel Tedim, que fez um balanço das atividades desenvolvidas no presente ano e as perspetivadas para 2017, seguindo-se a apresentação das entidades presentes por César Oliveira, presidente da assembleia geral da associação, Olga Cavaleiro, como presidente da direção da Federação das Confrarias da Gastronomia Portuguesa e Manuel Monteiro em representação do presidente da Câmara de Gaia. Foram lançados o n.º 13 da nova série da Revista de Portugal, fundada em 1889 por Eça de Queirós, o livro Memórias de um Expedicionário a Moçambique (1917-1919), da autoria de José Pereira do Couto Soares, prefaciado pelo jornalista Dr. Manuel Carvalho, que fez a sua apresentação, e o Livro da Confraria 2016. Foi ainda prestada homenagem ao geógrafo Dr. Américo Oliveira falecido em 2016. A cerimónia contou com a colaboração dos professores e alunos da Escola de Música de Perosinho.
Foram seguidamente insigniados, como novos confrades: António Manuel S. P. Silva; João Emílio Santos Carvalho de Almeida; José Valle de Figueiredo; Maria Mercês Duarte Ramos Ferreira e elevados ao grau de mecenas Ricardo Charters de Azevedo e Ricardo Haddad.
Seguiu-se o jantar de confraternização abrilhantado pelo grupo cantante Eça Bem Dito, danças de salão pela Academia de Dança Gente Gira e desfile de moda pela estilista Maria José Gomes, terminando com o Baile das Camélias.

Dagoberto entre nós

Dagoberto Carvalho J.or e Cristina com J. A. Gonçalves Guimarães e 
Alberto Calheiros Lobo

     Tendo vindo a Portugal em visita privada na companhia de sua esposa Cristina, deslocou-se propositadamente a Vila Nova de Gaia para um jantar de cortesia em “petit comité” o nosso caro confrade honorário e grande animador da Sociedade Eça de Queiroz do Recife, Dr. Dagoberto Carvalho J.or, médico, historiador da Arte e eciano maior com basta bibliografia e colaborador do monumental “Dicionário de Eça de Queiroz” de A. Campos Matos. O jantar, com ementa verdadeiramente queirosiana, foi servido num dos mais emblemáticos restaurantes gaienses e teve à mesa, para além dos nossos prezados visitantes, o mesário-mor J. A. Gonçalves Guimarães, Susana Moncóvio da direção e Carolina e Alberto Calheiros Lobo, nossos embaixadores itinerantes no Brasil que deram a conhecer a Confraria Queirosiana à Sociedade Eça de Queiroz do Recife. Dagoberto prometeu que no próximo ano virá ao Capítulo.

Livros & Revistas

Eça de Queiroz artista plástico

Hoje, dia 25 de novembro, dia de aniversário de Eça de Queirós, será lançado no Grémio Literário em Lisboa a obra “Eça de Queiroz em Casa – Desenhos de Textos Inéditos” organizada por Irene Fialho, investigadora do Centro de Língua Portuguesa da Universidade de Coimbra. Finalmente encontram-se assim reunidos muitos dos desenhos, caricaturas, pinturas e esculturas ou modelações feitas pelo escritor ao longo da sua vida, alguns deles acompanhados de textos alusivos às imagens, bem assim como o Caderno de D. Emília de Castro, a esposa do escritor por sua vez filha da Condessa de Resende, pintora amadora de mérito e neta do Visconde de Beire, o primeiro inspetor da Academia de Belas Artes do Porto que lhe deu bons mestres daquela instituição. Para além da curiosidade e habilidade próprias, viveu pois Eça de Queirós num ambiente onde se cultivavam e apreciavam as Artes Plásticas e até a Fotografia, de que foi apaixonado cultor. Como diriam os jovens de hoje, «Eça continua a bombar!» no 171.º aniversário.
            Entretanto o Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) de Lisboa publicou recentemente o Novo Atlas da Língua Portuguesa pelo qual ficamos a saber que, entre 1979 e 2015, Eça de Queirós foi o 6º escritor mais traduzido no mundo lusófono, logo após cinco autores do século XX, aparecendo Machado de Assis
em 10.º lugar.

Primeira Grande Guerra em Moçambique

Escrito por José Pereira do Couto Soares, o livro “Memórias de um Expedicionário a Moçambique (1917-1919), é um relato da sua vivência pessoal, prefaciado por Manuel Carvalho, o autor de “A Guerra que Portugal quis esquecer - O desastre do Exército em Moçambique na Primeira Guerra Mundial”, um outro livro sobre o enquadramento histórico de «um dos maiores desastres militares de Portugal em África desde os primórdios dos Descobrimentos». Couto Soares, que perfilhava o ideal anarquista, para ganhar a vida sustentar a família teve de ser polícia. Ao seu «pungente testemunho pessoal» segue-se uma não menos interessante antologia poética, com versos de muitos poetas famosos nas primeiras décadas do século XX, mas hoje geralmente esquecidos, e um conto autobiográfico no estilo de Edgar Allan Poe. Um livro verdadeiramente interessante que esperou cem anos para ver a luz do dia e que até fala do Natal.

Livro da Confraria Queirosiana 2016
      



Em 2004 a Confraria Queirosiana, a parte mais visível dos ASCR-CQ, editou o seu primeiro “Livro da Confraria”, que rapidamente esgotou. Saiu agora uma nova edição organizada por Amélia Cabral, J. A. Gonçalves Guimarães e Susana Moncóvio, atualizada com um texto de apresentação da associação, os corpos gerentes para o quadriénio 2016-2020, os Estatutos e Regulamento Interno recentemente revistos, a lista geral de sócios, a lista de confrades, os sócios e confrades falecidos e outros aspetos da vida da agremiação, nomeadamente o trajo, o hino, as edições, as atividades e os produtos queirosianos.



Viajar com…Ramalho Ortigão

            Ontem, dia 24 de novembro, pelas 18,30 horas foi lançado no Forte de S. João da Foz no Porto o livro de José Valle de Figueiredo “ Viajar com… Ramalho Ortigão”, editado pela Direção Regional de Cultura do Norte e apresentado pelo autor, numa iniciativa da entidade editora e da União de Freguesias de Aldoar, S. João da Foz e Nevogilde.

Revista de Portugal

Dedicado aos 175 anos do nascimento de Alberto Sampaio, cujo retrato de 1884 da “Ilustração Universal” lhe faz a capa, colaborador que foi da Revista de Portugal de Eça de Queirós, onde publicou “Ontem e Hoje”, agora reeditado no n.º 13 desta nova série, que foi lançado no passado dia 19 no capítulo da Confraria Queirosiana com artigos de José António Afonso: “Património e Ação Cívica”; Susana Moncóvio. “D. Luís Manuel Benedito da Natividade de Castro Pamplona de Sousa Holstein e a escola de Canelas…”; Susana Guimarães: “Francisco da Silva, enfermeiro hípico na 1.ª Guerra Mundial”; J. A. Gonçalves Guimarães: “Macau na Primeira Exposição Colonial Portuguesa – Porto, 1934. A viagem à China ao pé da porta”. Seguem-se duas recensões do diretor da revista, Luís Manuel de Araújo, de livros sobre “Njinga, rainha de Angola. A Relação de Antonio Cavazzi de Montecuccolo (1687)” e “Grandes conflitos da História da Europa. De Alexandre Magno a Guilherme «O Conquistador»”, de João Gouveia Monteiro. Este número presta ainda homenagem ao geógrafo Dr. Américo Oliveira, falecido em 2016, apresentando no final a Bibliografia dos sócios e confrades dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, bem assim como o Relatório e Contas, ambos referentes a 2015. No lançamento esteve presente a Eng.ª Emília Nóvoa do Arquivo Alberto Sampaio de Vila Nova de Famalicão.

Cursos, palestras, colóquios, jornadas…

Temas gaienses

     Vários investigadores do Gabinete de História, Arqueologia e Património dos ASCR-CQ, no âmbito do projeto do levantamento, estudo e divulgação do Património Cultural de Gaia (PACUG), têm vindo a fazer diversas palestras sobre temas gaienses em diversas circunstâncias e para diversificados públicos. Assim, e para além dos que abaixo se indicam, no passado dia 8 de novembro, J. A. Gonçalves Guimarães e Susana Guimarães apresentaram no salão nobre da Câmara de Gaia para alunos e professores do programa Erasmus provenientes de vários países da Comunidade Europeia o tema “Gaia Todo Um Mundo”, sobre as relações desta cidade com o Rio Douro. O primeiro apresentará no próximo dia 27 na festa de aniversário do jornal Gaia Semanário o tema “Elementos identificadores da Comunidade Gaiense”, que repetirá no dia 29 no aniversário da Gaiacoop – União das Cooperativas de Habitação, UCRL.
        Hoje, dia 25 de novembro, pelas 21,30 horas, Maria de Fátima Teixeira apresentará no Auditório do Centro Social e Cultural de Olival no âmbito da festa escolar do Agrupamento de Escolas Diogo de Macedo o tema “A Companhia de Fiação de Crestuma: 100 anos de História”.

Arqueologia do Vale do Douro

            Nos dias 17, 18 e 19 passados decorreram no Porto na Casa das Artes as “VI Jornadas no Vale do Douro. Do Paleolítico até à Idade Média”, organizadas pela Associacion Científico-Cultural Zamora Proto-histórica, com a colaboração do Lab2PT Universidade do Minho, nas quais participaram, entre outros, os arqueólogos António Manuel S. P. Silva, Bárbara Alves, Joana Brito, Laura C. P. Sousa e Teresa Pires de Carvalho, que apresentaram várias comunicações baseadas no projeto de investigação arqueológica do Castelo de Crestuma coordenado pelo Gabinete de História, Arqueologia e Património da Confraria Queirosiana, nomeadamente “Materiais proto-históricos do Castelo de Crestuma (Vila Nova de Gaia)”; “Pesos, percutores e outros objetos em pedra do Castelo de Crestuma (Vila Nova de Gaia)” e “A Terra Sigillata do Castelo de Crestuma, Vila Nova de Gaia (2010-2015) e o comércio no Baixo Douro no período tardo-antigo”.

Invasões Francesas no Porto

            No passado dia 18 de novembro decorreu no Forte de S. João Baptista no Porto um Seminário de História, Património e Turismo Militar organizado pela Universidade Portucalense Infante D. Henrique com o apoio do Instituto da Defesa Nacional e da União das Juntas de Freguesia de Nevogilde, Foz e Aldoar, sob o tema “As Invasões Francesas na cidade do Porto. Foram palestrantes, entre outros, José Manuel Tedim, atual professor daquela Universidade, que falou sobre “Marcas Iconográficas da 2ª Invasão Francesa no Porto”; Francisco Ribeiro da Silva e J. A. Gonçalves Guimarães ex-professores daquela universidade que falaram, respetivamente, sobre “As circunstâncias da 2ª Invasão Francesa” e “Desastre da Ponte das Barcas: os que se salvaram?”.

Palestras do Solar

            Prosseguem no Solar Condes de Resende as palestras das últimas quintas-feiras do mês apresentadas por investigadores do projeto do levantamento, estudo e divulgação do Património Cultural de Gaia (PACUG). Assim, ontem dia 24 de novembro, Eva Baptista falou sobre “Educação e Caridade: Uma primeira abordagem à influência da Maçonaria em Vila Nova de Gaia, na viragem para o século XX”. No dia 29 de dezembro Paulo Costa falará sobre “As comunidades gaienses nos reinados de D. Dinis e D. Afonso IV. História e Património”.

Curso de História Naval do Noroeste de Portugal

Este curso, organizado pelo Solar Condes de Resende com a colaboração da Academia Eça de Queirós e certificado pelo Centro de Formação de Associação de Escolas Gaia Nascente do Ministério da Educação, prosseguirá nos dias 26 de novembro com o tema “Estaleiros do Douro no período da Expansão”, por Amândio Barros, no dia 3 de dezembro “Vila do Conde e a Expansão” por Amélia Polónia e no dia 10 “A Frota Mercantil do Porto no período constitucional” por J. A. Gonçalves Guimarães. Entretanto a sensibilização criada por este curso para os assuntos em volta da História Naval, levou já à recolha de uma peça de madeira de uma embarcação antiga no Rio Douro que se encontra depositada no Solar Condes de Resende para ser estudada.
Para o ano de 2017/2018 o tema do curso do Solar será sobre Música & Músicos da região norte, numa perspetiva da História da Música e da Musicologia.

O Antigo Egito

            Nos próximos dias 28 de novembro e 12 de dezembro, segundas-feiras, pelas 18,30 horas, o Prof. Doutor Luís Manuel de Araújo, egiptólogo, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, vice-presidente da ASCR-CQ e diretor da Revista de Portugal fará uma palestra em cada uma daquelas datas no Museu da Farmácia de Lisboa e do Porto sobre “O Antigo Egipto: uma viagem de 3000 anos”, promovidas pela empresa de viagens Tryvel. A participação implica inscrição prévia.

Exposições

Salon d’ Automne queirosiano
           

No passado dia 12 de novembro abriu ao público no Solar Condes de Resende o 11.º Salon d’Automne queirosiano 2016, com obras de pintura, desenho, cerâmica, fotografia e escultura de Abel Barros, Angelina Rodrigues, António Almada, António Pinto, António Rua, Carolina Calheiros Lobo, Cerâmica do Douro, Emília Maia, Ilda Gomes, Luísa Tavares, Rosalina Sousa, Susana Moncóvio e Valença Cabral. A vernissage teve a presença dos corpos gerentes da Confraria e de vários confrades artistas e do seu público. As obras, que estarão patentes ao longo do mês de dezembro, destinam-se à venda.


Major Simões Duarte
            


No próximo dia 29 de outubro pelas 17,30 horas abrirá ao público na Junta de Freguesia de São Mamede de Infesta a “Exposição de Retrato, Figura Humana e Paisagens” do Major Simões Duarte, com numerosos óleos de figuras públicas portuguesas e mundiais, bem assim como de cidadãos comuns e locais a que a arte perpetua a alma.




Outros eventos

Feiras das Novidades e de Troca de Livros

            A Feira das Novidades do Solar Condes de Resende teve mais um dos seus momentos altos nos passados dias 12 e 13 de novembro com a realização de Feira de S. Martinho. Para além dos vendedores e produtos habituais vieram o bom fumeiro e outros produtos de Pereiros, S. João da Pesqueira, graças ao protocolo da Confraria com a Associação dos Amigos daquela localidade. A noite de sábado foi abrilhantada com o lançamento de um CD de fados de Coimbra e sessão de poesia pelos Antigos Estudantes da Universidade do Porto. No domingo atuaram os “Eça Bem Dito” com canções da Belle Èpoque no auditório do Solar e um agradecimento público em nome da direção da ASCR-CQ a Ilda Castro, que durante quase três anos geriu este evento com sucesso.
            A Feira prosseguirá, como habitualmente, no próximo dia 4 de dezembro, primeiro domingo do mês, mas em janeiro, por exceção, será no dia 8, segundo domingo.
            Entretanto prossegue no Solar no segundo domingo de cada mês a Feira de Troca de Livros e Objetos Culturais, completamente grátis.
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Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 96 – sexta-feira, 25 de novembro de 2016; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te. n.º 506285685 ; NIB: 001800005536505900154 ; 
IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: 
J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: Susana Guimarães; Susana Moncóvio (fotografias 1 e 2).