quarta-feira, 25 de março de 2020

Eça & Outras, quarta-feira, 25 de março de 2020


 Os Comentários de A. Campos Matos
            Enquanto esperamos pelas suas Fotobiografia de António Sérgioe pela Bibliografia de António Sérgio, que estão no prelo, A. Campos Matos vai-nos enchendo a mesa de leitura com alguns volumes de preciosidades adquiridas no seu longo e frutuoso trajeto de vida que tem recusado o cansaço de uma longa e jubilosa estrada da vida, seguindo a lição de Goethe: «transforma a tua dor num poema». Desta feita um livro de Comentários, publicado por Edições Colibri, título inspirado nos Comentarii de BelloGallico de Júlio César, neste caso um livro de crónicas, diz o autor que despretensiosas, mas que, como tudo que lhe vem da mente, da sensibilidade e da escrita, aspiram sempre à correção dos humanos aleijões, mormente os do campo da Cultura, onde era suposto a civilização cesariana se encontrar com o melhor da espontaneidade e respeito pela espécie por parte dos indígenas de todas as tribos de todas as latitudes. Mas adiante.
            Nestas crónicas, como não podia deixar de ser vindo deste autor, encontramos referências múltiplas a aspectos vários da vida e obra de António Sérgio e da sua incontornável importância na História do Pensamento em Portugal e, naturalmente, sobre Eça de Queirós onde, para além da referência a mais uma carta inédita de Eça no conjunto das 913 que já publicou, não será de menor importância o desfazer do mito (mais um!) do nascimento do escritor na casa da Praça do Almada na Póvoa de Varzim que ostenta placa alusiva à efeméride, facto recordado na carta, até então sem resposta, sobre o para quando da abertura ao público do Centro de Estudos Queirosianos onde será disponibilizado aos interessados o espólio que A. Campos Matos reuniu desde os catorze anos e que continua a enriquecer com novos contributos de valia.
            Noutras crónicas, na salutar, mas talvez vã, tentativa de que não se continuem a erguer estátuas com pés de barro, o autor apela à revisitação crítica da obra de Saramago, Agustina e Eduardo Lourenço, mas também de Luiz Pacheco, Alçada Baptista, Agualusa, Miguel Sousa Tavares, José Rodrigues dos Santos, Filomena Mónica, Eduardo Prado Coelho, Manuel Alegre e Costa Pinto, alguns dos quais deram origem a estranhos clubes de devotos, muitos dos quais os leram apressadamente, outros já “naquele engano da alma ledo e cego. Que a fortuna não deixa(rá) durar muito”. Não se trata de demolir estátuas já existentes, mas procurar que elas, e as que por aí se programam, apenas estejam adequadas às sensatas dimensões dos “cultos”. Que “atrás de tempo, tempo vem”. Entretanto outros textos falam dos seus diálogos e encontros com Carlos Reis, Eugénio Lisboa, Vasco Graça Moura e Wilson Martins. E ainda recordações de viagens na juventude à Bretanha e a Paris e seus environs, que muitas vezes depois percorreu à procura das sombras dos dias em que Eça aí viveu e morreu. A indelével memória da visita ao impressionante Monumento das Crianças de Lídice, Checoslováquia, massacradas pelos nazis.
            Não adivinhando por certo as quarentenas destes nossos dias fatídicos, mas com a experiência de quem já viveu outros incertos e ansiosos tempos, A. Campos Matos diz-nos qual seria o seu conteúdo para «Duas malas de livros numa emergência», uma interrogação a que cada um pode responder antes de o ler e depois comparar. Cada um de nós tem a sua biblioteca da ilha perdida, mas será espantoso descobrirmos preferências e coincidências.
             Este livro não foi por certo arrumado segundo os critérios de Diderot e D’Alembert, mas antes destinado a quem como que passeie num jardim botânico à procura de espécies raras, como são algumas das suas crónicas, às vezes muito ilustradas para melhor se entenderem, como é o caso daquela sobre a variedade e diversidade das dedicatórias dos autores a amigos, conhecidos e eventuais admiradores dos seus livros, neste caso ao autor destas crónicas, preâmbulo de uma verdadeira Dedication. Segue-se o que diz serem várias trivialidades sobre pessoas conhecidas, resistentes e desistentes e também os animais de companhia mais ou menos fieis. O suicídio do pacifista Stefan Zweig. A “Santinha” de Balazar, a da Arrifana e outras.
            Lá pelo meio «alguns poemas excepcionais», enquanto não sai o seu estudo sobre Eça Poeta, que em tempos me confidenciou ter muito adiantado e que já deve jazer numa das suas gavetas à espera da luz da imprensa. Mas por enquanto antologia aqui Leonor Almeida, Fernando Pessoa, Natália Correia, Vasco Graça Moura, Camões, Camilo Pessanha e António Feijó. E aí, a Ricardo Reis, vou buscar as palavras que este delicioso livro me inspira sobre o seu autor: «Segue o teu destino/ Rega as tuas plantas/ Ama as tuas rosas. O resto é a sombra/ De árvores alheias».
            Comentários sobre o que é efémero. Comentários sobre o que perdurará no tempo. Quererá o autor entendê-los?

J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria Queirosiana

Eventos alterados e adiados
            No passado dia 7 de março, no curso sobre Revoluções & Constituições, a aula sobre o «25 de Abril de 1974», que estava previsto ser apresentada pelo Prof. Manuel Loff da FLUP, foi dada por J. A. Gonçalves Guimarães. Entretanto devido à pandemia em curso e à implementação das medidas profiláticas recomendadas pelas autoridades sanitárias, as duas aulas que faltavam para terminar o curso, respetivamente ministradas pelos professores Pedro Bacelar de Vasconcelos e Vital Moreira foram adiadas para data oportuna a anunciar. Também pelo mesmo motivo não se concretizaram alguns dos eventos culturais anunciados na página anterior, nomeadamente a palestra do dia 12 de março sobre «Mafamudenses Ilustres».
          Devido ao encerramento temporário ao público do Solar Condes de Resende, onde a associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana tem a sua sede por protocolo com a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, e a sequência daquelas recomendações, a direção decidiu suspender temporariamente as seguintes actividades por si organizadas ou com a sua colaboração: curso de Pintura e outras expressões plásticas; ensaios do grupo musical Eça Bem Dito; curso livre sobre Revoluções & Constituições; palestras das últimas quintas-feiras do mês; assembleias geral para apresentação do Relatório e Contas de 2019 e Programa e Orçamento para 2020 e assembleia eleitoral para eleição dos corpos gerentes para o quadriénio 2020-2024, as quais serão reconvocadas para data oportuna.
            Com os cuidados convenientes e as recomendações adequadas mantêm-se em funções os corpos gerentes atuais e os grupos de trabalho que realizam projetos nas diversas áreas, nomeadamente os cometidos aos investigadores tarefeiros no Solar; ao Gabinete de História, Arqueologia e Património (PACUG; Castelo de Gaia; Capela do Sr. d’ Além; acompanhamentos arqueológicos; transcrições paleográficas e vários projetos de investigação em curso); à Academia Eça de Queirós (finalização do curso Revoluções & Constituições; curso compacto sobre Azulejaria de fachada; curso livre sobre o Antigo Egito; curso livre sobre Arte Sacra); à Comissão Editorial (Revista de Portugal, blogue Eça & Outras, revista Gaya e outras edições); à Comissão de Arte (Salon d’ Automne 2020) e à Comissão de Itinerários (organização de roteiros queirosianos para quando for possível a sua realização).

AINDA O FÓRUM AVINTENSE
            No 30º Fórum Avintense que decorreu na Casa da Cultura de Avintes nos passados dias 28 e 29 de fevereiro, apresentaram comunicações, entre outros, Abel Ernesto Barbosa Barros, «Os temas tratados durante estes 30 anos de Trabalhos»; J. A. Gonçalves Guimarães, «Análise dos contributos de 30 anos de Fórum Avintense. Para um novo paradigma da História Local»; José Augusto Maia Marques, «Avintes e o “Porto Liberal”. Notas para uma Exposição»; José Vaz «30 anos de Fórum Avintense. Valeu a pena?»; Nuno Gomes Oliveira, «Xylello, a bactéria que entrou em Portugal por Avintes – Uma história mal contada?»; Paulo Jorge Cardoso de Sousa e Costa, «A origem dos nossos avós».

Autores, Livros e Revistas


            No passado dia 7 de março, no Auditório D. Pedro IV no Palacete Araújo Porto foi lançado o volume intitulado Pessoa(s). Arte. Benemerência. IV Congresso de História da Santa Casa da Misericórdia do Porto, correspondente às Atas daquele acontecimento cultural. Apresentado na ocasião por Nassalete Miranda, diretora do jornal As Artes Entre As Letras, além dos habituais textos de abertura do provedor António Tavares e do mesário do Culto e da Cultura, Francisco Ribeiro da Silva, de entre as trinta e nove comunicações publicadas destacamos: «A Santa Casa e o Vinho do Porto – a Quinta da Romaneira», de António Barros Cardoso; «Os cartorários e o Arquivo Histórico da Misericórdia do Porto. O caso de Querubino Henriques Lagoa» de Francisco Ribeiro da Silva; «O Castelo de Gaia, um sítio arqueológico excecional e um valor cultural a potenciar» de António Manuel S. P. Silva; e «Política e Misericórdia – algumas incidências dos mandatos do provedor da SCMP António Luís Gomes relativas ao Hospital do Conde de Ferreira» de Jorge Fernandes Alves.


            No mesmo dia, mas no Celeiro da Casa do Terreiro em Leiria, foi apresentado o livro Estórias da nossa história de Ricardo Charters d’ Azevedo, editado pela Hora de Ler, o qual reúne uma coletânea de textos publicados em tempos recentes no Jornal de Leiria sobre aspetos curiosos da história e património locais.

____________________________________________________________.
Eça & Outras, III.ª série, n.º 139, quarta-feira, 25 de março de 2020; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te. n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Licínio Santos.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Eça & Outras

Eça & Outras, terça-feira, 25 de fevereiro de 2020
O DIREITO A UMA BOA MORTE
         Recentemente em Portugal voltou a discutir-se a eutanásia, cujo significado é, recorde-se, o «ato intencional de proporcionar a alguém uma morte indolor para aliviar o sofrimento causado por uma doença incurável ou dolorosa», ou «morte medicamente assistida pedida pelo cidadão que a deseja». Na discussão gerada, que levou à aprovação pela Assembleia da República da despenalização do ato médico que a concretiza, e que segue agora para discussão na especialidade até aprovação final, muitas outras definições foram produzidas, muitas delas segundo a “tática do polvo”, o escurecer as águas para esconder as verdadeiras questões, ou a pretensão de que os princípios humanos valem mais do que os humanos que os criam para seu bem. Na realidade o problema é velhíssimo e situa-se em volta de duas questões: o que é a vida e o que nela vale a pena para o próprio, para os outros e para a comunidade; e se o cidadão tem direito a decidir quando deve dela “desligar-se” e se, não sendo de tal capaz por incapacidade física ou mental, pode antecipar essa vontade designando quem por si o faça em determinada altura e condições que o entenda. Creio que estas são as duas grandes questões a debater, sendo o resto “a tinta preta do polvo na poça de água da discussão”. Mas sobre estas duas questões há ainda uma outra que talvez condicione toda a discussão sobre elas: o que é que viemos “cá” fazer, e se a nossa passagem por esta vida deixa um traço efémero ou mais eterno, sendo que este só pode ser concretizado na memória que de nós a sociedade recolha e alimente pelos tempos fora. Recordemos que, mesmo muito poderoso, após a sua morte, não passa de «…uma forma inerte, embrulhada num pano, que cabe num caixão esguio: dois meses rolam, como duas gotas numa vaga, e já nem mesmo se lhe distingue o vulto na vasta impersonalidade do pó!» (Eça de Queirós, Notas Contemporâneas «No mesmo hotel»). Ou seja. todos iguais, todos reduzidos a um montezito de poalha química depois de abandonarmos a vida.
         Ao longo da História, muitos seres que de si deixaram famas, outros que nem por isso, foram obrigados a abreviar a vida, quer por batalhas voluntárias ou não, quer por fatalidades inesperadas, quer por condenações mais ou menos injustas. Nestes casos houve sempre um agente externo a consumar a interrupção vital, um guerreiro inimigo ou um salteador, uma tempestade ou um acidente, um tribunal e um carrasco. Na atual sociedade portuguesa é hoje felizmente rara a morte guerreira e os tribunais já não condenam à morte física; mas ainda é vulgar a morte não prevista provocada por acidentes ou tempestades. A morte por doença súbita ou degenerativa prolongada não devia contar muito para o caso: todo o ser biológico sente, sabe ou entende que, desde que nasce tem um tempo de vida determinado, quer pelas qualidades e defeitos do invólucro corpóreo, quer pelas agressões que o mesmo irá sofrer ao longo da sua trajetória vital. E se é certo que as Ciências Médicas e a Arte da Medicina muito têm contribuído para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos em geral, sempre em nome de princípios universalizantes, quando o seu exercício é confrontado com a vontade individual, aí surgem reticências e medos de punições corporativas, jurídicas e sociais. Não será por acaso que alguns médicos declararam que a eutanásia não era um ato médico.
A eutanásia, em última instância, é um suicídio e a sociedade lida mal com ele. Normalmente mais utilizado por seres excecionais do que pelos cidadãos vulgares, a não ser em situação patológica grave onde a dor física se tornou insuportável, recordemos aqui os casos de Soares dos Reis (1889, 41 anos), Camilo Castelo Branco (1890, 65 anos) e Antero de Quental (1891, 49 anos): os três decidiram por fim à vida com um tiro de revólver na cabeça, por razões que a família e os literatos que fizeram as suas biografias se apressaram a justificar, mas que talvez valesse a pena rever à luz da crítica atual e das fontes disponíveis. Outra questão é o tempo de agonia que cada um deles teve, sabendo-se que uma bala na cabeça nem sempre é sinónimo de morte instantânea, havendo até quem escape e recupere das lesões. Mas agonia, isto é, sofrimento físico irreversível, estes três homens maiores da cultura portuguesa tiveram, mais ou menos prolongada. À época não puderam recorrer à eutanásia, e, pelo menos dois, o escultor e o poeta, foram julgados pela opinião pública como sendo ainda muito novos para desejarem por fim à vida. Ninguém aceitou que eles tal desejassem e o concretizassem pelas próprias mãos. Mas todos estaremos de acordo que o que ficou deles não foi tanto esse efémero ato final, mas sim aquilo que viveram transformado em Arte e Literatura, esse seu legado que ainda hoje acolhemos e transmitimos como sua eternidade garantida.
         No passado, em certos locais, erguiam-se ermidas ao Senhor (ou Senhora) da Boa Morte, ou seja, da eutanásia, que é o significado radical da palavra, crenças à parte. Afinal porque todo o ser deseja uma despedida da etapa da vida «…sem sofrimento, tão serenamente, que durante algum tempo [alguém o julgasse] adormecido… Não acaba mais docemente um belo dia de Verão» (Eça de Queirós, A Correspondência de Fradique Mendes). Por isso só nos importa desejar que a inevitável morte individual não seja apropriada pelos burocratas, pelos judicialistas e pelos vendedores de quimeras na concretização da lei. Ainda há por aí muito carrasco a querer punir-nos por termos vivido e gostado da vida. Deixem-nos pois morrer em paz, felizes e de bem com a Humanidade, eventualmente com uma pequena, desejada e consentida ajuda. O direito à nossa própria morte é o último bem que teremos em vida.

J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria Queirosiana

Eventos passados 
NOVA ESTÁTUA DE HÉLDER DE CARVALHO
         No passado dia 2 de fevereiro foi inaugurada na Póvoa de Varzim, perto do seu Casino, uma estátua de Fernando da Silva Gonçalves, o Nando (1940-2018), artista plástico, criador do cartoon Zé da Fisga, soldado anarquista cuja guerra era outra, desenhador publicitário e músico amador, desta feita imortalizado no bronze em pé e a tocar violino, da autoria do escultor Hélder de Carvalho, que se vem afirmando como um dos mais marcantes estatuários do nosso tempo. Na Póvoa é também de sua autoria a estátua de Rocha Peixoto junto da Biblioteca Municipal.

MUSEU NACIONAL FERROVIÁRIO
      No dia 3 de fevereiro, por despacho conjunto dos membros do Governo responsáveis pelas áreas governativas Infraestruturas e Habitação e Cultura , Manuel de Novaes Cabral, ex-diretor do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto e quadro das Infraestruturas de Portugal, S.A.,  foi designado para presidente do conselho de administração da Fundação Museu Nacional Ferroviário Armando Ginestal Machado, com sede no Entroncamento. Este museu conta a história do caminho-de-ferro em Portugal enquadrada na história da Europa e do Mundo, com um legado de 160 anos e 36 mil objetos desde os primórdios da locomotiva a vapor ao transporte ferroviário do futuro.

FOTOGRAFIA E SAÚDE
         No dia 17 de fevereiro na Casa Comum da Reitoria da Universidade do Porto, organizado pelo GERMEN - Grupo de Estudos e Reflexão em Medicina Narrativa, decorreu um colóquio sobre Fotografia e Saúde no qual participou, entre outros oradores o prof. Doutor Nuno Resende, como investigador do CITCEM.

PEDRA DE ARMAS AUTÁRQUICA
         No passado dia 19 de fevereiro, com a presença da Prof.ª Doutora Alexandra Leitão, ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública, do presidente da Câmara de Gaia, Prof. Doutor Eduardo Vítor Rodrigues, do presidente da Junta de Canelas, Sr. Arménio Costa, e do autor do projeto arquiteto Daniel Couto, entre muitos outros convidados e cidadãos da freguesia, foi inaugurada o novo edifício do Fórum de Cidadania de Canelas, o qual apresenta na fachada sul uma pedra de armas em granito da Vila de Canelas, Vila Nova de Gaia, executada pelo canteiro-ornatista Sr. António Pinto daqui natural.

Autores, Livros e Revistas


No passado dia 14 de fevereiro, no Arquivo Alfredo Pimenta na cidade de Guimarães, foi feito o lançamento das Atas do II Congresso Histórico Internacional «As Cidades na História: Sociedade», que aí decorreu em 2017, editadas pela respetiva autarquia, compostas por seis volumes impressos, mas também disponíveis online em: ch.guimaraes.pt/minutes/2chi , nas quais, no seu vol. III – Cidade Industrial, se apresentam quatro comunicações de membros do Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR- Confraria Queirosiana e Faculdade de Letras da Universidade do Porto: BAPTISTA, Eva (2019) – “Pela Creche!” As dinâmicas sociais em torno da proteção da prole infantil na sede do concelho de Vila Nova de Gaia, na viragem para o século XX. In II Congresso Histórico Internacional As Cidades na História: Sociedade, 2017- Atas, vol. III – Cidade Industrial. Guimarães: Câmara Municipal, p. 157-186; GUIMARÃES, J. A. Gonçalves (2019) -Vila Nova de Gaia, a “Southwark do Porto” nos primórdios da época industrial, p. 209-240; PACHECO, Elsa; ALVES, Jorge Fernandes (2019) – Porto: a cidade industrial e o sistema portuário, p. 135-156; e SANTOS, Licínio; TEIXEIRA, Maria de Fátima (2019) – O centro urbano de Vila Nova de Gaia em finais de Oitocentos, p. 323-350.



         Está em distribuição o Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia n.º 89 referente ao mês de dezembro de 2019 o qual apresenta, entre outros, artigos de COSTA, Virgília Braga da (2019) – A epidemia de cólera mórbus de 1855 e a construção de cemitérios em Vila Nova de Gaia, p. 41-46; e de MONCÓVIO, Susana (2019) – Tapeçarias de Guilherme Camarinha (1912-1994) na época áurea dos paquetes, p. 19-28.


         Também em distribuição o Boletim da Associação Cultural Amigos do Porto, 4.ª série n.º 4, de 2019, o qual apresenta, entre outros, artigos de MONCÓVIO, Susana (2019) – O Escultor João Joaquim Alves de Sousa Alão (1777-1837): contributos para a sua biografia, p. 95-116.

Próximos eventos
SOARES DOS REIS EM FILME
       Na habitual palestra das últimas quintas-feiras do mês no Solar Condes de Resende, a 27 de fevereiro pelas 21,30 horas, J. A. Gonçalves Guimarães falará sobre «Soares dos Reis na ficção áudio-visual: o filme de Francisco Manso para a série Outonos da RTP2 (1993)», em grande parte filmado no roteiro biográfico e artístico soaresiano de Gaia e Porto.

30.º FÓRUM AVINTENSE
        Nos próximos dias 28 e 29 de fevereiro decorrerá na Junta de Freguesia de Avintes o 30º Fórum Avintense, acontecimento único no panorama da cultura local, o qual procurará fazer um balanço destas três décadas de reflexão sobre esta freguesia gaiense. Os textos das comunicações apresentadas entre 1990 e 2008 estão já publicados, prevendo-se a publicação dos restantes a breve trecho. Nesta edição, entre vários participantes e temas, J. A. Gonçalves Guimarães falará sobre «Análise dos contributos de 30 anos de Fórum de Avintes. Para um novo paradigma da História Local».

V CONGRESSO DA MISERICÓRDIA
         Nos próximos dias 5, 6 e 7 de março decorrerá o V Congresso de História da Misericórdia do Porto subordinado ao tema Misericórdia, Liberdade, Património, que decorrerá no Auditório D. Pedro IV no Palacete Araújo Porto. Entre as comunicações a apresentar encontram-se as seguintes pela ordem de apresentação: «Alguns negociantes da praça do Porto irmãos da Misericórdia no período constitucional» por J. A. Gonçalves Guimarães; «As Misericórdias na conjuntura crepuscular da I Republica: o I Congresso das Misericórdias (1924)», por Jorge Fernandes Alves; «O “Álbum Sancta Casa da Misericórdia Porto”: produção e reprodução de uma fonte histórica», por Nuno Resende; «Mercadores de Vinho do Porto, beneméritos da Santa Casa (século XVIII)», por António Barros Cardoso; e «A Santa Casa da Misericórdia do Porto nos inícios da Restauração (1640-1650)» por Francisco Ribeiro da Silva.

MAFAMUDENSES
         Para o programa “Meu Bairro, Minha Rua” implementando pela Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, no próximo dia 12 de março às 21 horas no Little Coffee, localizado perto da Biblioteca Pública Municipal, J. A. Gonçalves Guimarães falará sobre «Mafamudenses Ilustres». Os objetivos deste programa passam também pela sensibilização dos moradores para os valores culturais dos locais de onde são naturais ou onde residem, neste caso o lugar de Paço de Rei na freguesia de Mafamude.

CURSO SOBRE REVOLUÇÕES E CONSTITUIÇÕES
Prossegue no Solar Condes de Resende o curso sobre Revoluções & Constituições comemorativo dos 200 anos da Revolução de 1820. Assim, a 15 de fevereiro teve lugar a 9.ª sessão sobre «A Revolução da China (1911-1949)» por Fernando Rosas, Professor Catedrático jubilado e Professor Emérito da FSCH/NOVA e investigador do Instituto de História Contemporânea daquela universidade e, no dia 29 de fevereiro terá lugar a 10.ª sessão sobre «O Maio de 1968» por J. A, Gonçalves Guimarães, coordenador do Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-CQ.
____________________________________________________________.
Eça & Outras, III.ª série, n.º 138, terça-feira, 25 de fevereiro de 2020; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te. n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Licínio Santos.

sábado, 25 de janeiro de 2020

Eça & Outras

A Arte está na rua
         Nos últimos tempos pode dizer-se que a Arte está a ser debatida na praça pública. Ainda bem. Não é assunto menor, ou escusado, e tem muito mais interesse do que muitos outros que suscitam paixões efémeras na “opinião pública”. Recordemos o já sabido: a arte (vamos lá por a maiúscula para dar credibilidade à divagação…) a Arte é um devaneio muito antigo do sapiens; alguns outros animais têm manifestações comportamentais idênticas mas, se não teorizam sobre elas, também as suas obras não vão à praça por milhares ou milhões. Querem exemplos: as “instalações” vegetalistas dos castores, de fazerem inveja a um Alberto Carneiro; o croché de muitos ninhos de tantas joanas vasconcelos com penas e asas verdadeiras; os gigantescos formigueiros de barro de milhares de artistas da classe insecta, enfim, se quiserem ver mais vão à mãe-natureza e perguntem-se porque é que outros mamíferos, aves e insetos também capricham na utilização artística de materiais nas suas variadas formas, quando para a função imediata podiam gastar muito menos calorias. Alguns, sabe-se já, é apenas para impressionarem a fêmea, ou o macho, e garantirem descendência em melhores condições na competição da sobrevivência. Uns animalescos primários, obviamente atrasados na Teoria da Evolução. No que à humana Arte diz respeito podemos também teorizar sobre as suas componentes e a sua grande dose de inutilidade prática, quase sempre disfarçada, no caso da Arte do passado, por uma maciça incorporação de saber fazer ou maestria oficinal nas suas manifestações, o que a Arte Contemporânea tinha vindo a dispensar, até que, curiosamente, alguma da Street Art agora recupera. Ou também pelo recurso a uma indispensável presença da simbologia, as mais das vezes tão particular que só o próprio artista (chamemos ainda assim ao seu fazedor, que tem agora horror a que lhe chamem pintor, ou escultor…) a “compreende”, ou inventa para ela “compreensões” de “difícil” entendimento para os demais. Muitos destes, para não passarem por ignorantes, iconoclastas, rústicos, démodés, ou pior, apressam-se a extasiar-se perante “a obra”, abanando a cabeça com ar sério e entendido face às hilariantes legendas, que bem poderiam dizer simplesmente o seguinte: «o artista Tal, do alto da sua montanha, diz que isto é uma Obra de Arte; tu, cidadão comum, na pequenez das tuas incapacidades intelectuais, ainda que a não entendas, ou mesmo – oh suprema heresia – a aches um desperdício completamente inútil, deves prostrar-te perante ela e adorá-la como tal, deixando a sua magnificência (aparente ou subjectiva) esmagar as tuas dúvidas».
Não nos esqueçamos nunca que a tal Arte vale, pelo menos, a despesa dos subsídios concedidos à organização que a fotografa, carrega, transporta, expõe, divulga, e a consequente remuneração de carregadores, motoristas, empregados de limpeza, eletricistas, fotógrafos, curadores, texteiros, jornalistas, seguradoras, seguranças, banqueiros… Estes últimos, quando a adquirem, atribuem-lhe um preço que lhes dá jeito para inflacionar junto das instituições de controlo da bondade capitalista os pseudo-ativos dos seus bancos, enquanto apostam os seus saldos verdadeiros em operações especulativas ou fraudulentas. E de um coleccionador de tralha a um “entendido” em Arte, às vezes vai apenas um pequeno passo. Se no inventário da colecção do banco diz que um rail ferrugento mandado entortar “artisticamente” por um certo artista vale umas centenas de euros, é porque sim senhor, vale o que os sábios disserem, mesmo que ninguém depois o queira comprar ao quilo e ao preço da sucata para reciclar. Creio que não serão precisos aqui exemplos de banqueiros entendidíssimos em Artes, com oportuno aplauso de quantos com eles competem nesta filosofia da religião dos novos Olimpos da passerelle social.
         Nos últimos tempos dei conta de vivíssimos debates de Filosofia da Arte em torno de várias exposições dos gatafunhos de alguns arquitetos-artistas; de uma obra de serralharia colocada em Leça da Palmeira, que entretanto foi corrigida na sua pintura por um graffiter anónimo, o que lhe deu alguma da notoriedade que ainda não tinha; das reluzentes nádegas de bronze da senhora que Camilo homenageia na estátua colocada em frente da Cadeia da Relação no Porto, sobre a qual li sugestões de expurgo por parte de indignados facebokeiros que apelavam à possível colaboração dos ladrões de metal, isto enquanto não se cria uma comissão de censura de Arte pública; de “instalações” de caixotes de madeira com lâmpadas fluorescentes, as quais, tal como os mata-moscas dos talhos e restaurantes, se destinam a atrair a atenção dos tótós com ar entendido para os esturricarem, em sentido nietzscheniano. Já para não falar dos que, embevecidos, fotografam a várias horas do dia e da noite, de vários ângulos, um grande sifão de cano de esgoto em ferro fundido pintado de vermelhão, existente numa praia da nossa costa, pensando tratar-se de mais uma das obras de arte que têm vindo a ser colocadas no litoral, e que com esse estatuto o colocam nas redes sociais por acharem que até é das obras mais bem conseguidas que ali têm sido plantadas, mesmo sem sequer atingirem o seu útil e verdadeiro interesse. Entretanto, e para ajudar à festa, no orçamento recentemente negociado na Assembleia da República, o governo anuncia que vai disponibilizar mais dinheiro para comprar Arte contemporânea, o que levou a uma frenética agitação no meio artístico parecida com a entrada da saca do milho no galinheiro (peço desculpa aos metropolitanos artistas e seus agentes por esta metáfora rural, mas não me ocorreu nada de mais cosmopolita).
Se é certo que os filósofos portugueses andam por aí apagaditos, tendo sido substituídos na comunicação social pelos tudólogos, têm agora nesta onda opiniática uma boa oportunidade para nos brindarem com novas e atualíssimas lucubrações sobre a importância do uso artístico do Viarco n.º1; da capacidade estética da barra de ferro de 20 polegadas pintada de branco; das consequências públicas da exibição de glúteos femininos ainda que literários, ou sobre a instalação de rampas artísticas em madeira que nem nos levam ao céu nem a lado nenhum.
         Podia aqui chamar em meu socorro os textos de Eça sobre Arte, mas não sei se sabem que ele, além de não ser filósofo encartado, não passou de um artista frustrado, que também ousou pinturas e até modelações passadas ao bronze (coisa que uma doméstica que eu conheço também faz…), mas que nem sequer chegou à categoria de amateur. Ainda por cima escreveu: «Tudo neste século é toilette…O apreço exterior pela arte é a sobrecasaca da inteligência. Quem quererá apresentar-se diante de seus amigos com uma inteligência nua? (Eça de Queirós, Cartas de Paris).
         Convém pois que continuemos a debater, acaloradamente, a Arte dos nossos dias, sem tabus nem preconceitos, mas também sem salivações escusadas. Sobre o saber-se o seu real valor, sobre a sua previsível nulidade ou o seu contributo para a civilização como mais-valia da sociedade do nosso tempo, a questão é triste, mas não tem remédio: teremos de esperar que passem, pelo menos, duas gerações, cinquenta anos, esse maldito tempo que goza continuamente com as mais elaboradas idealizações humanas. Não sei se então já haverá uma comissão nacional para o abate e descarte de obras de Arte inúteis, as quais, ainda que tenham sido caras e pagas por todos nós, para além do seu preço, dos megafones da fama e da mise-en-scène a que foram submetidas por parte de opinion makers, nomeadamente banqueiros, jornalistas, curadores, galeristas e outros que tais, nem a nossa geração nem as seguintes à nossa, conseguiram ver nelas qualquer interesse cultural, para além de mais uma repetição, com novos formatos, da antiga estória infantil “O Rei Vai Nu”, com várias versões intituladas ”A Rainha Vai Nua” ou “O Nu Não Reina, A Não Ser Vestido Seja Lá Do Que For”.
          
J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria Queirosiana

Eventos passados
FORAL DA MAIA
            No passado dia 14 de dezembro, nas comemorações dos 500 anos do Foral da Maia, o Professor Doutor Francisco Ribeiro da Silva proferiu aí uma conferência subordinada ao tema «Forais Manuelinos do Porto e seu Termo»

O PRIMO BASÍLIO BAILADO
            Com coreografia de Solange Melo e Fernando Duarte, música de Fernando Lopes-Graça e Luís de Freitas Branco e figurinos de José António Tenente estreou no Teatro Circo de Braga um espectáculo intitulado «O Primo Basílio – Bailado em II Actos»

S. GONÇALO
            No passado dia 11 de janeiro, a propósito da romaria gaiense a S. Gonçalo, realizou-se no Mosteiro de Corpus Christi um colóquio integrado nas II Jornadas Culturais Festas Velhas? Novos Tempos?, onde foram palestrantes, entre outros, Paula Carvalhal e Gonçalves Guimarães.

PAIVA FREIXO
No passado dia 17 de janeiro, numa sessão do III Encontro Indústria, História e Património realizado no complexo museológico da Torre Oliva em S. João da Madeira, Maria de Fátima Teixeira, mestra em História Contemporânea pela FLUP e investigadora do Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-Confraria Queirosiana, apresentou em formato comunicação “Os Paiva Freixo e a indústria de fundição de ferro em Crestuma” o seu mais recente trabalho sobre a industrialização do vale do Uíma, a qual repetirá em formato conferência no Solar Condes de Resende dia 30 de janeiro.
JOSÉ RÉGIO
            No dia 23 de janeiro, integrado no ciclo de roteiros literários e conferências Foz Literária e a propósito dos 50 anos da morte de José Régio (1901-1969), decorreu no Forte de S. João Baptista da Foz do Douro uma tertúlia e uma exposição documental apresentadas por José Valle de Figueiredo com a participação de Isabel Cadete Novais e Isabel Ponce e Leão.

Autores e Livros


O n.º 7 da revista Douro – Vinho, História e Património – Wine, History and Heritage, referente a 2018 e editado pela Associação Portuguesa da História da Vinha e do Vinho (APHVIN/GEHVID), foi lançado no passado dia 9 de janeiro pelas 17,30 horas na sede do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto na cidade do Porto, tendo esta edição sido apresentada pelo Professor Doutor Francisco Ribeiro da Silva. Entre outros, apresenta os seguintes estudos: «A origem da “Real Companhia Velha” revisitada através de alguns documentos», por António Barros Cardoso; «Produção de vinhos de marca em contexto urbano: o caso dos Nicolau de Almeida em Vila Nova de Gaia» por J. A. Gonçalves Guimarães e Licínio Santos; «”Vinho e medo descobrem o segredo”. O vinho e a vinha no discurso intra e interfamiliar em casas do Douro (séculos XVI – XIX)», por Nuno Resende. A APHVIN/GEHVID e a ASCR-Confraria Queirosiana celebraram um protocolo de colaboração no capítulo de novembro passado.


No número 23 da Sarmiento: revista galego-portuguesa de História da Educação, referente a 2019, publicação das três universidades galegas, acabado de ser divulgado, entre outros artigos, «Património educativo edificado gaiense. Um primeiro ensaio de sistematização», de José António Afonso, Eva Baptista e Ana Vaz. Neste mesmo número é publicada uma nota de leitura do livro escrito por Eva Baptista, Associação das Creches de Santa Marinha. Espaço de Modernidade Educativa (2018), da autoria de Luís Alberto Marques Alves e Francisco Diogo Mota Soares Pereira, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.



No passado dia 23 de Janeiro decorreu na Sociedade Histórica da Independência de Portugal, no Palácio da Independência em Lisboa, o lançamento do livro Capitão Jerónimo de Azevedo e seus descendentes, da autoria de Ricardo Charters d’ Azevedo, João Figueiredo Pereira e Eduardo Martins Zúquete. O referido militar, que viveu entre 1624 e 1699, participou em muitas das campanhas e batalhas da Guerra da Independência.


No próximo dia 30 na Galeria Fernando Pessoa, no Largo do picadeiro, em Lisboa, será apresentado o novo livro de Guilherme d’Oliveira Martins intitulado Património Cultural: Realidade Viva, numa sessão onde será orador, além do autor, Luís Raposo, presidente do Conselho Internacional de Museus na Europa, com moderação do jornalista Henrique Monteiro do Expresso.

Próximos eventos
LEVI GUERRA E JÚLIO DINIS
            Hoje dia 25 de janeiro, a partir das 16 horas, terá lugar no Museu Júlio Dinis em Ovar uma «Conversa à Volta do Tanque» entre Levi Guerra, cientista, artista plástico e humanista, e Salvato Trigo, reitor da Universidade Fernando Pessoa, a qual terá como moderador Paulo Sá Machado. Do programa consta ainda uma visita orientada à exposição de pintura “Levi Guerra e Júlio Dinis”.
FUNDIÇÃO EM CRESTUMA
            No próximo dia 30 de janeiro, nas habituais palestras das últimas quintas-feiras do mês no Solar Condes de Resende, será apresentada a conferência “Os Paiva Freixo e a indústria de fundição de ferro em Crestuma”, por Maria de Fátima Teixeira, investigadora do Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-Confraria Queirosiana, autora de Companhia de Fiação de Crestuma. Do fio ao pavio, com prefácio de Jorge Fernandes Alves e editado pela confraria em 2017.
Curso sobre Revoluções e Constituições
Prossegue no Solar Condes de Resende o curso sobre Revoluções e Constituições comemorativo dos 200 anos da Revolução de 1820. Assim, a 25 de janeiro terá lugar a 7.ª sessão sobre: «O outro lado das Revoluções (1820-1919)» por Nuno Resende Mendes, professor da Faculdade de letras da Universidade do Porto e no dia 1 de fevereiro a 8.ª sessão sobre «A Revolução Russa» pelo Prof. Doutor Pedro Aires Oliveira, do Departamento de História da Universidade Nova de Lisboa – FCSH e diretor do seu Instituto de História Contemporânea.

Eça & Outras, III.ª série, n.º 137, sábado, 25 de janeiro de 2020; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te. n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Licínio Santos.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Os Direitos do Homem na obra de Eça de Queirós
Celebra-se a 10 de dezembro o dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos, evocativo da data de 1948 em que a assembleia geral das Nações Unidas proclamou os seus princípios destinados então a evitar que voltassem a ocorrer os horrores da 2.ª Grande Guerra. Este documento foi o corolário de uma longa caminhada iniciada com o Código de Hamurábi no século XVIII antes da era corrente, a que se seguiu o Cilindro de Ciro II de 539 a. C., os códigos de cidadania e o conceito de direito natural romano, os princípios filosóficos igualitários do Cristianismo desde a Alta Idade Média, a Magna Carta inglesa de 1215, os princípios filosóficos de Locke, Hobbes e Rousseau, a Declaração da Virgínia (EUA) de 12 de junho de 1776; a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão saída da Revolução Francesa em 1789 e, já depois daquela primeira declaração, a Convenção Europeia do Direitos Humanos de 1950. Mas ainda hoje estes princípios são pontualmente postos em causa ou violados nas suas tendências de liberdade, igualdade e fraternidade e na protecção da pessoa humana contra prepotências várias exercidas pelos diversos poderes um pouco por todo o mundo.
            Sendo conhecido que Eça de Queirós retratou nos seus romances muitas questões sociais em volta dos ambientes domésticos ou das sociedades urbanas e rústicas do seu tempo, onde as mudanças chegavam devagar e a mundividência era uma miragem, mas onde mesmo aí espelha a situação dos mais pobres e dos marginalizados, noutros escritos não ficcionais aborda claramente a situação das crianças, dos doentes, dos inválidos, dos deficientes, dos velhos, dos incapazes, dos pobres e carenciados, dos escravizados, dos famintos, dos presos, dos desempregados, dos espoliados, dos perseguidos. Não será difícil encontrar em algumas das suas obras – e porventura mais exemplos nas menos conhecidas – alusões diretas ao drama humano da falta de direitos, havendo mesmo uma delas – o conto S. Cristóvão – que é uma verdadeira e genial metáfora à capacidade individual de superação do sofrimento físico e social através da contínua redenção contra todas as adversidades. Escrita na última década da sua vida, e publicado a primeira vez em edição póstuma, dirão alguns: uma bela metáfora literária, um belo conto de natal, mas longe das realidades da vida. Mas para que servirá a Literatura se não para ser a síntese admirável, artística e universal das duras prosas da vida, capaz de ser entendida por todos os que lêem, quando o tema é grande e a linguagem é bela? Só a Arte trata a miséria humana em imagens que nos impulsionam, não a aceitá-la como inevitável e irresolúvel, mas antes a querer dirimi-la como má memória a abater. Os “realismos”, contraditoriamente, banalizam-na, podendo levar-nos a virar-lhe a cara na hora de agir ou ao engano de a considerar alheia quando ela nos é irmã.
            Num outro texto da mesma época - «A Rainha», publicado em 1898 -  escreveu claro e direto sobre os direitos humanos remetendo à compassividade esmoler de D. Amélia «a presença angustiosa das misérias humanas, tanto velho sem lar, tanta criancinha sem pão, e a incapacidade ou indiferença de monarquias e repúblicas para realizar a única obra urgente do mundo – a “casa para todos, o pão para todos”». Dir-me-ão que são textos da maturidade, do final da vida, quando Eça se dizia um «…vago anarquista entristecido, idealizador, humilde, inofensivo», a dois anos de distância da sua morte física. Mas estas suas convicções de profunda e verdadeira preocupação pelos direitos humanos vinham já desde a juventude, ou pelo menos do início da vida adulta, certamente pelas suas próprias vivências e convicções, mas também pelas reflecções sobre a leitura de textos de Augusto Comte, Victor Hugo, Proudhon, Renan, Taine, e ainda Darwin, Bakunin e Marx.
            Num extenso e bem fundamentado relatório que elaborou em 1874 (aos vinte e nove anos) para o seu chefe, o ministro dos Negócios Estrangeiros, termina com as seguintes palavras «discutida a emigração assalariada nas suas correntes e nos seus resultados sociais, eu julgo terminado este trabalho, que é a afirmação, e direi mesmo a apologia, da emigração como força civilizadora». Ainda hoje é um texto muito pouco conhecido, pois só foi publicado em 1979 por Raúl Rego, que o intitulou justamente com as últimas palavras atrás citadas: «A Emigração como Força Civilizadora», tendo depois mais duas edições preparadas por Isabel Pires de Lima Se é certo que o tema central é o resultado da sua experiência consular em Havana entre 1872 e 1874, onde teve um papel ativo na defesa dos direitos dos emigrantes chineses escravizados pelos fazendeiros espanhóis, os princípios que o informam são muito mais universalizantes e intemporais, considerando-os «criadora ciência e, pelos seus movimentos grandiosos e fecundos, uma força civilizadora na humanidade», concluindo e prognosticando que «A liberdade política sincera, o derramamento da instrução, a moderação dos impostos, a acessibilidade à propriedade, a desamortização da terra, a liberdade industrial, a criação fecunda da vida comercial – eis o que fixa o homem ao seu solo». Ou seja, preconizando a aplicação concreta da Declaração Universal dos Direitos Humanos, não apenas para os da sua etnia, credo ou tradição cultural, mas para todos os habitantes do planeta, os atuais descendentes dos hominídios que nele deambulam desde remotas eras em busca de um concreto e inadiável paraíso terrestre.
           
J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria Queirosiana

Eventos passados
Honoris Causa
Recentemente foram agraciados com o grau de Doutor honoris causa dois ilustres queirosiano. Assim, no dia 26 de novembro         na Aula Magna da Universidade de Sófia Kliment Ohridski (Bulgária), por proposta da sua Faculdade de Filologia Clássica e Moderna foi distinguida Isabel Pires de Lima, Professora Emérita da Universidade do Porto e convidada de diversas outras universidades europeias, africanas, americanas e asiáticas, que no ato dissertou sobre «O poder das Humanidades: o lugar da Literatura». No dia 11 de dezembro, no salão nobre da reitoria da Universidade do Porto, no encerramento das comemorações do seu primeiro centenário e por proposta da sua Faculdade de Letras, foi outorgado aquele grau ao escritor Mário Cláudio, autor de mais de 60 títulos publicados nos seus 50 anos de vida literária, tendo estado presente ao ato o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.



            No dia 27 de novembro celebraram-se no Porto na sede da Obra Vicentina de Auxílio aos Reclusos (O.V.A.R.) os 50 anos desta instituição com um dia aberto à comunidade subordinado ao tema «Diálogo sobre o sistema prisional» e uma sessão solene de homenagem aos fundadores com a edição de uma publicação alusiva, que procura dar a conhecer esta problemática de tão transcendente importância na sociedade portuguesa atual, bem assim como as dificuldades com que se deparam os voluntários visitadores e ainda alguns testemunhos sobre a reinserção social dos detidos. A esta sessão estiveram presentes vários confrades queirosianos, nomeadamente o presidente da O.V.A.R., Eng. Manuel Hipólito Almeida dos Santos, o mesário-mor J. A. Gonçalves Guimarães e o presidente da Obra Diocesana de Promoção Social, Dr. Manuel Maria Moreira.

A delegação da Confraria Queirosiana (fotografia de Susana Moncóvio)

             No passado dia 1 de dezembro decorreu em Arouca o capítulo anual da Confraria Gastronómica da Raça Arouquesa, tendo estado presente uma delegação da Confraria Queirosiana composta pelo mesário-mor J. A. Gonçalves Guimarães, os membros da direcção Susana Moncóvio e António Pinto Bernardo e os confrades Ricardo Haddad e António Pinto. As cerimónias decorreram no Convento de Arouca e o almoço foi servido no restaurante de uma quinta deste concelho adaptada ao Turismo Gastronómico. Da ementa, para além da vitela, foram servidos outros mimos do cardápio arouquense.

Museu do Douro
No dia 3 de dezembro, Manuel de Novaes Cabral, presidente do conselho de fundadores do Museu do Douro entre 2011 e 2018, recebeu naquela instituição duriense o título de fundador honorário, materializado numa escultura de Norberto Jorge.


            No dia 9 de dezembro ocorreu em Lisboa, no Teatro da Trindade do Inatel, a estreia da longa-metragem de Francisco Manso intitulada «O Nosso Cônsul em Havana», anteriormente passada em série televisiva na RTP. Nesta versão, para além do tema, salientemos a rara beleza das imagens encantatórias, filmadas em Portugal e em Cuba, já habitual nos filmes deste realizador, mas também uma melhor afinação de aspectos biográficos de Eça de Queirós que tinham sido demasiadamente ficcionados nos episódios da série. Este filme aborda a acção humanitária do escritor em prol dos escravos chineses que trabalhavam para os fazendeiros espanhóis da cana do açúcar, tendo como base o relatório que elaborou em 1874, mas que apenas foi divulgado por Raúl Rego em livro em 1979 e intitulado “A Emigração como Força Civilizadora”, um dos poucos escritos não ficcionais de Eça, para além dos de índole epistolar e jornalística.
            Com casa cheia, festejando o realizador, os atores e a equipa técnica, entre muitos outros convidados, estiveram presentes vários confrades queirosianos: para além do próprio realizador, assistiram a esta estreia o mesário-mor J. A. Gonçalves Guimarães, o vice-presidente da direcção Luís Manuel de Araújo, o ex-Secretário de Estado das Comunidades José Luís Carneiro, e o chefe da Casa Real portuguesa D. Duarte Pio.

Caminhos de Santiago
         No dia 10 de dezembro decorreu na Universidade Portucalense um seminário sobe “O Porto nos Caminhos de Santiago: cidade de partida e de passagem”, realizado em parceria com o Albergue de Peregrinos do Porto. Foram palestrantes, entre outros, José Manuel Tedim sobre “O Porto nos Caminhos de Santiago” e Joel Cleto sobre “Da intolerância à construção de uma unidade europeia: o longo Caminho de Santiago”.

Árvore de Jessé
            No dia 14 de dezembro, pelas 18 horas, a convite da Câmara Municipal do Porto e do provedor da Ordem Terceira de São Francisco, Professor Doutor Gonçalo de Vasconcelos e Sousa, o professor e teólogo Doutor Abel Canavarro e o professor e historiador da Arte, Doutor Nuno Resende, falaram sobre o retábulo que representa a Árvore de Jessé existente na igreja de S. Francisco, «um dos seus exemplares mais exuberantes» de quantos se conhecem, no programa “Um objecto e seus discursos por semana», organizado pela Casa do Infante / Câmara Municipal do Porto.

Prémio Virgílio Ferreira
         Na passada sexta-feira 20 de dezembro o júri do Prémio Literário Virgílio Ferreira 2020, instituído pela Universidade de Évora, distinguiu Carlos Reis, professor catedrático da Universidade de Coimbra, onde leciona Literatura Portuguesa, Teoria da Literatura e Estudos Queirosianos, coordenador do Centro de Literatura Portuguesa e conhecido ensaísta especializado em Literatura Portuguesa dos séculos XIX e XX e Teoria da Narrativa, além de professor convidado de várias universidades estrangeiras. O prémio será entregue em cerimónia a convocar para o efeito para 1 de março, dia da morte do seu patrono.


Autores e Livros

            Vindo do Recife, chegou-nos um novo livro de Dagoberto Carvalho J.or intitulado «Posta-Restante». Como outros da sua safra anual de recordações, vivências e afetos, este apresenta muitos dos passos das suas deambulações queirosianas, lembrando «Noventa anos de Campos Matos»; «Eça e o solar queiroziano de Aveiro»; «No capítulo da Confraria Queirosiana de Vila Nova de Gaia, Portugal» (com fotografia de Dagoberto na mesa que presidiu a 24 de novembro de 2018); «Outras notícias queirosianas: Campos Matos e “Eça de Queiroz segundo Fradique Mendes”»; «Na “Estação de Caldas de Aregos” com Eça de Queiroz»; de novo «Eça de Queiroz segundo Fradique Mendes» e «António Alberto de Amaral Coutinho Calheiros Lobo». Como escreveu num dos textos deste livro de bela capa – outra constante das suas obras - «que todos os outros - e são muitos – se deixem por eles representar nesta página». Na contracapa a sua foto com Cristina Carvalho no Solar Condes de Resende, sorrindo cúmplices a Eça e Emília na casa onde estes se enamoraram.

Roteiro Literário da Foz
            No dia 1 de dezembro na capela de Nossa Senhora da Conceição na Foz do Douro, Manuel de Novaes Cabral apresentou a 2.ª edição do “Roteiro Literário da Foz” de José Valle de Figueiredo e do “Mapa Literário da Foz” de Joaquim Pinto da Silva, numa iniciativa da União das Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde.

Gravuras de Leiria
            No dia 8 de dezembro, no Celeiro da Casa do Terreiro em Leiria decorreu o lançamento do magnífico álbum editado por “Hora de ler” intitulado «Leiria. O século XIX em gravuras» de Ricardo Charters d’Azevedo, que à sua terra natal tem dedicado várias publicações que dão a conhecer o seu passado e as suas potencialidades nos domínios do Património Cultural, como é o caso de um outro livro anterior intitulado «Leiria e as Invasões Francesas» também apresentado na ocasião.



No passado dia 21 de dezembro teve lugar no auditório do Solar Condes de Resende o lançamento de um novo livro da autoria de Francisco Barbosa da Costa, intitulado “Retalhos da Minha Vida”. Assumidamente autobiográfico, o autor percorre com o olhar das lembranças a sua terra natal e muitos dos seus familiares e conterrâneos desde a infância, passando pelo seu percurso profissional como professor, o serviço militar, a dedicação autárquica, a missão política de deputado, o dirigente associativo e o homem público presente em todas estas valências.

Exposições

Prato comemorativo da inauguração da Ponte da Arrábida (fotografia de Susana Guimarães)

            No Solar Condes de Resende, nas salas de exposições temporárias, encontra-se patente ao público desde 23 de novembro uma exposição de oito dezenas de Pratos-Souvenir em faiança e porcelana da Coleção de Fernando de Oliveira Pinho (1910-1996), vindos de várias cidades de países da Europa, América, Ásia e Oceânia, com representação de paisagens, monumentos, instituições, figuras, heráldica, acontecimentos e comemorações. Para além dos motivos que fazem deles Pratos-Documento, podem ainda ser constatadas as produções de fábricas famosas, como a Vista Alegre, e as diferentes técnicas de pintura ou estampagem dos motivos, monocromáticos e em policromia. A curadoria da exposição é de Susana Guimarães.

Próximos eventos
Vidros tardo-romanos
             Amanhã, quinta-feira, dia 26 de dezembro, na habitual palestra das últimas quintas-feiras do mês, o arqueólogo e mestre em Arqueologia, Joaquim F. Ramos, dando seguimento aos estudos que têm vindo a ser realizados sobre os materiais recolhidos em escavações arqueológicas no Castelo de Gaia, apresentará publicamente o seu mais recente trabalho sobre «O Vidro Tardo-Romano da Igreja do Bom Jesus de Gaia.
            O vidro foi sempre um elemento presente no quotidiano do homem desde as primeiras notícias da sua descoberta até aos dias de hoje. Em época tardo-romana não era diferente: depois da invenção do processo de soflagem (vidro soprado), tornou-se um material versátil, de acesso fácil e com várias utilidades, acumulando principalmente a função de utensílio de cozinha e serviço de mesa.
            Este espólio vítreo é bastante diferenciado, tendo sido recolhidos fragmentos de vários tipos de objetos com diferentes formas e particularidades. Assim sendo, esta apresentação focar-se-à nos fragmentos da Antiguidade tardia, apresentando o trabalho desenvolvido até ao momento no Solar Condes de Resende.

Curso sobre Revoluções e Constituições
No próximo mês de janeiro, no sábado dia 4, prossegue no Solar Condes de Resende o curso livre sobre Revoluções e Constituições com a 6.ª sessão sobre «A Revolução de Setembro (1836/1837) no Portugal liberal», por Jorge Fernandes Alves, professor da FLUP, seguindo-se a 18 a 7.ª sessão sobre: «O outro lado das Revoluções (1820-1919)» por Nuno Resende Mendes, também professor daquela faculdade.

______________________________________________________________________
Eça & Outras, III.ª série, n.º 136, quarta-feira, 25 de dezembro de 2019; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te. n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Licínio Santos; colaboração : , Joaquim Ramos, Susana Guimarães; Susana Moncóvio.