sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Eça & Outras


sábado, 25 de agosto de 2018

Fake News

         Imaginemo-nos numa máquina do tempo qualquer a ler em julho de 1139 a seguinte notícia no então inexistente semanário Notícias de Portugal, sediado em Coimbra, de reduzidíssima tiragem, copiado à mão em pergaminho, mas desde há pouco tempo mais divulgado graças ao novo método de impressão através de pranchas de madeira com letras móveis sobre um produto até agora por aqui desconhecido chamado papel, trazido de Bizâncio através de Veneza por uma família de chineses que aqui aportou com a sua carroça. Aí se poderia ler: “Grande vitória do Príncipe Alfonso ben Enrik. No passado dia 25 de julho, em que se celebra o glorioso apóstolo da Hispânia S. Tiago, o príncipe portucalense ido do Coimbra por Leiria com uma pequena mesnada, internou-se no território ocupado pelos infiéis, tendo derrotado nos campos do além Tejo um numeroso exército de islamitas chefiado por cinco reis mouros, que foram todos mortos e os guerreiros sobreviventes feitos escravos pelos cristãos combatentes. O príncipe nem sequer hesitou em dar-lhes combate pois, estando em oração com os seus cavaleiros antes da refrega, apareceu-lhes sobre as nuvens Jesus Cristo abençoando-os, pelo que os heroicos guerreiros tencionam vir em penitência ao Mosteiro de Santa Cruz agradecer a intervenção divina que de forma tão clara protegeu mais esta ação de Alfonso como rei ungido de Portugal a haver.”
Regressados, felizmente, aos dias de hoje, facilmente percebemos que acabamos de ler uma bem antiga fake new, uma notícia falsa, que hoje qualquer cidadão minimamente letrado desmonta. Provavelmente esta “batalha” nunca ocorreu, pois ninguém sabe o local certo onde poderá ter ocorrido, não houve nesta data nenhuma ação de “cinco reis” na fronteira descrita nas crónicas árabes, nem se lhes sabe o nome. Tudo leva a crer que estamos perante uma notícia fabricada para ajudar a campanha de marketing de D. Afonso Henriques na fundação de Portugal como reino independente de Leão e Castela do ponto de vista político, de Santiago de Compostela no simbólico-religioso, dos mouros na supremacia militar, para fazer curriculum junto do papado, então potência supranacional e sancionadora do poder real. E se na época pode muito bem ter sido redigida com os elementos acima referidos, e até com outros que não chegaram até nós, na realidade o relato mais antigo que sobre ela conhecemos data apenas do início do século XV, ou seja cerca de duzentos e setenta e cinco anos depois da data em que poderia ter ocorrido. Essas narrativas muito posteriores foram-lhe acrescentando pormenores e significantes: seria por ali ter visto as cinco chagas de Cristo que D. Afonso Henriques teria inventado os cinco besantes heráldicos das quinas portuguesas, os quais, como é sabido, são mais tardios e de outra origem bem mais prosaica, e outros mimos de fantasia que hoje apenas olhamos com alguma condescendência patriótica para com as crendices de tão longínquos e simples avós, mas não sem a crítica da razão que gerações de gente honesta e estudiosa aplicaram às fake news da História nacional. Se nos lembrarmos o que foi na primeira metade do século XIX o combate de Herculano contra a demagogia crendeira de “autoridades” da sua época (BUESCU, O Milagre de Ourique…, 1987) e que eu próprio, em menino, ainda ouvi esta versão na escola primária, e que em tempos muito mais recentes, para estupefação minha, ainda ouvi um jovem professor de História debitar ingenuamente a versão da origem divina das quinas sem qualquer sentido crítico, então, mesmo sem “máquinas do tempo”, só nos resta continuar a refletir sobre o que é a verdade da História na comunicação social e sobre a possibilidade de perenidade de algumas fake news, se estas não forem de imediato desmentidas ou, pelo menos, enquadradas num grau de plausibilidade mínimo, tentando descortinar qual o pérfido objetivo da sua manipulação. Ora, como concluiu Eça de Queirós, que não era cientista, mas a quem a ciência e o seu exercício não eram indiferentes, «…fora da observação dos factos e da experiência dos fenómenos, o espírito não pode obter nenhuma soma de verdade» (colaboração no Distrito de Évora).
No que diz respeito a mitologias antigas, por estranho que pareça, à medida que o conhecimento científico é cada vez mais divulgado e com ele melhorado o sentido crítico dos cidadãos escolarizados, muitas vezes as fake news de crendices e obscurantismo com séculos de existência, em vez de regredirem no seu impacto social e cultural, apresentam-se de novo muito ampliadas, graças a “romances históricos” (na realidade balelas literárias pseudo-históricas feitas por não profissionais), à ficção cinematográfica divulgada acriticamente pelos canais televisivos (mesmo os que têm o rótulo de “História”) e sobretudo por um certo Turismo, que impinge ao viajante “balcões de Julieta” não apenas em Verona mas, se for preciso, em Las Vegas ou em Macau, que o turista de pacote tudo compra e leva à família como recuerdo. Mas quem inventa ou desfactualiza notícias dos dias de hoje, tenha lá os motivos mais santos que tiver, presta um mau serviço à sociedade e, no fundo, acha que os destinatários do que escreve ou divulga são ingénuos facilmente manipuláveis. Talvez as notícias falsas de hoje não tenham possibilidades de uma vida tão longa como a da “batalha de Ourique”, mas também sabemos que os objetivos dos seus promotores não são exatamente os de alcançarem o paraíso depois de mortos, mas sim o de conseguirem negócios muito palpáveis e rendosos a seu favor a breve trecho neste mundo.
            Já no seu tempo Eça de Queirós escreveu que «é o grande dever do jornalismo fazer conhecer o estado das coisas públicas, ensinar ao povo os seus direitos e as garantias da sua segurança, estar atento às atitudes que toma a política estrangeira, protestar com justa violência contra os atos culposos, frouxos, nocivos, velar pelo poder interior da pátria, pela grandeza moral, intelectual e material em presença das outras nações, pelo progresso que fazem os espíritos, pela conservação da justiça, pelo respeito do direito, da família, do trabalho, pelo melhoramento das classes infelizes» (colaboração no Distrito de Évora). Se este ainda hoje é o grande código de conduta dos bons profissionais da comunicação social, e por extensão os dos historiadores, esses profissionais da comunicação social de antanho, também muitos outros historiadores e jornalistas existem ao serviço de interesses particulares que nos querem fazer crer que a divindade lhes costuma aparecer nas nuvens. Ora uma forma de distinguirmos uns dos outros, de nos precavermos contra as fake news é não as repetirmos de imediato sem passarem pelo contraditório, o procurarmos saber sempre se a sua fonte é séria e credível, e mesmo assim o tentarmos descortinar que doutrinação escondida transportam para além dos factos, devendo estes serem obviamente sempre verdadeiros na origem.
            Estamos também fartos dos órgãos de comunicação social «…que por um lado inflama[m] as exigências mais vorazes – e por outro fornece[m] pedra e cal às resistências mais iníquas…, os que não só atiça[m] as questões já dormentes, como borralhos de lareira, até que delas salte novamente uma chama furiosa…» (Eça de Queirós, Correspondência de Fradique Mendes) .
Face ao gigantismo comunicativo em que hoje estamos mergulhados, convém termos sempre à mão um bom e despejado caixote do lixo para tanta fake new, mas também uma boa gaveta sempre arrumada e disponível para acolhermos o inalienável direito à informação, à crítica das fontes, dos conteúdos e da qualidade dos seus profissionais, e ao livre debate das ideias. É o que devemos a todos aqueles que no passado e no presente se bateram em nome da Verdade honesta e humanamente possível.

J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria Queirosiana

Carta do Brasil

Casa de Verdemilho no estado a que chegou nos dias de hoje;
fotografia de Jorge Campos Henriques

Eça e o solar queiroziano de Aveiro
                                                                                 
Não calaremos ao silêncio da Sociedade Eça de Queiroz, do Recife, no que respeita ao abandono e indiferença – que aos ecianos de verdade tanto nos incomoda – a que vem sendo relegado o Solar dos Queirozes, em Verdemilho, Aveiro, Portugal. Tão distante e perdido no mapa e na memória (dos que não leram o autor de ‘Os Maias’ ou, apenas, superficial e ligeiramente o fizeram); o sítio onde viveu significativa parte da infância, nosso patrono literário, José Maria Eça de Queiroz, há de resistir às intempéries do tempo e ao desinteresse de muitos.  Poucos, decerto, os brasileiros que – por preceito e fidelidade ao grande escritor português e, por consequência, ao mundo de sua vivência física e intelectual – incluíram em suas vilegiaturas ao país fundador e irmão, obrigatória e ritual passagem pela eciana (dizemos nós) casa solarenga da hoje cidade universitária de Aveiro, onde estivemos desde primeira viagem – e não foram poucas – àquela boa terra. Haja esperança!
O alerta de risco iminente do patrimônio histórico-literário representado pela casa vem da Confraria Queirosiana de Vila Nova de Gaia, que não esquece seu ‘Grão Louvado’ no Recife – bondade deles –, em erudito e oportuno editorial do mesário mor J. A. Gonçalves Guimarães que, do alto de seu saber literário e de historiador, além de respeitado ‘patrimoniólogo’, a todos nos convoca para a defesa da nobre causa.
A casa construída pelo avô paterno de Eça de Queiroz, Joaquim José de Queiroz (formado em Direito, por Coimbra, juiz e fidalgo cavaleiro da Casa Real), incorporava à fachada o brasão que lhe fora concedido em 30 de junho de 1835. Ali viveu o futuro grande romancista significativa parte da infância, começada por Vila do Conde. O imóvel que pertenceu à família até 1904 (A. Campos Matos/EQ – Fotobiografia), perdeu o brasão – ainda bem que recolhido ao Museu de Aveiro – foi descaracterizado por um primeiro andar. Não podemos compactuar com o abandono que o ameaça, mesmo discordando do personagem maior do grande Eça, Carlos Fradique Mendes, o segundo (pois há um primeiro Fradique, poeticamente coletivo, do tempo lisboeta do Cenáculo); para quem “tudo tende à ruína num país de ruínas.” Sobretudo, porque Portugal já não é o mesmo dos tempos fradiqueanos e tem consciência cultural e patrimonial de seus mais caros valores. A europeização política muito terá contribuído para isso.
Aos aveirenses deveria bastar e muito honrar (também a todos os portugueses, brasileiros e demais ‘falantes’ do mesmo idioma), o reconhecimento do próprio Eça, em carta de 1884, a Oliveira Martins, seu companheiro no mais famoso grupo intelectual português, a ‘Geração de 70’: “Filho de Aveiro, educado na Costa Nova, quase peixe de ria, eu não preciso que mandem ao meu encontro caleches e barcaças. Eu sei ir por meu próprio pé...”. 

29 de julho de 2018
Dagoberto Carvalho Jr.

Carlos Reis no Brasil

 Professor Carlos Reis na TV Paranaíba
            No passado dia 3 de agosto o Professor Doutor Carlos Reis deu uma entrevista à TV Paranaíba em que falou sobre «A grande arte de Eça: Eça renovou a língua portuguesa; ele tem graça, tem agilidade, tem sátira, é cómico, é divertido, sem deixar, ao mesmo tempo, de ser muito sério, sob essa graça que ele tem, porque é assim que se faz a grande arte.
No Brasil há uma espécie de meio irmão de Eça de Queirós, chamado Machado de Assis, que, sob a capa de uma ironia às vezes uma pouco melancólica, também faz passar, como Eça, mensagens muito importantes sobre a vida, sobre o amor, sobre a morte, sobre a esperança, sobre a decadência, sobre tudo isso de que se fez a arte destes grandes escritores do século XIX ».

Feira de Gastronomia

            Como habitualmente a Confraria Queirosiana, a convite da Câmara Municipal de Vila do Conde, terra queirosina, fez-se representar por alguns elementos dos seus corpos gerentes na abertura da sua 20.ª Feira de Gastronomia no passado dia 17 de agosto, este ano dedicada aos países da União Europeia. Após a visita aos diversos stands por parte da presidente da autarquia, acompanhada pelos responsáveis pela organização, Dr. António Saraiva Dias, diretor da Casa de Antero de Quental e Carlos Laranja, e pelos representantes de várias confrarias, seguiu-se um jantar, no início do qual J. A. Gonçalves Guimarães fez uma breve alusão a aspetos históricos de Vila do Conde. Também presente a presidente da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas Dr.ª Olga Cavaleiro, e o Dr. Manuel Pinheiro, chanceler da Confraria do Vinho Verde.

Palestras

No próximo dia 30 de agosto, na habitual palestra da última quinta-feira do mês do Solar Condes de Resende, o Dr. Rui Ferreira, mestre em Património, Arte e Turismo Cultural pelo Instituto Politécnico do Porto/ Escola Superior de Educação, falará sobre “O Núcleo de Armas de Fogo da Coleção Marciano Azuaga”, que tem vários e curiosos exemplares desde o século XVII até ao século XX. O acervo desta Casa foi recentemente enriquecido com a oferta à Confraria Queirosiana pelo escritor J. Rentes de Carvalho da espingarda de caça que pertenceu a seu avô, uma Tower de carregar pela boca de meados do século XIX, a qual já se encontra em exposição na mostra evocativa que lhe é dedicada ali patente ao público.

Jornadas de Balsamão

         Nos próximos dias 4 a 7 de outubro decorrem no Convento de Balsamão, Macedo de Cavaleiros, as XXI Jornadas Culturais de Balsamão, organizadas pelo Centro Cultural local com o apoio da autarquia local e de outras entidades. As sessões de apresentação de trabalhos decorrerão naquele convento e na Casa do Povo de Rio de Onor. Entre os diversos palestrantes, Fernando Andrade Lemos, do Centro Cultural Eça de Queirós de Telheiras, falará em colaboração, sobre D. Tomás de Almeida: uma «autopsicografia» deste antigo cardeal patriarca de Lisboa filho dos Condes de Avintes. Será também feito o lançamento do livro de Actas das XX Jornadas.
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Eça & Outras, III.ª série, n.º 120, quarta-feira, 25 de agosto de 2018; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te. n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração Dagoberto Carvalho J.or.


quarta-feira, 25 de julho de 2018

Eça & Outras

Não desistiremos de Verdemilho
            «Filho de Aveiro, educado na Costa Nova, quase peixe da ria, eu não preciso que mandem ao meu encontro caleches e barcaças. Eu sei ir por meu próprio pé ao velho e conhecido palheiro de José Estêvão». Isto escreveu Eça de Queirós a Oliveira Martins em 1884. Hoje, caro leitor, terás sérias dificuldades em visitar e perceber o abandono a que têm sido votadas as ruinas da Casa de Verdemilho, onde o escritor viveu com sua avó em menino, o que o levou àquela afetiva afiliação aveirense, e que foi de seu avô Joaquim José de Queirós, o magistrado que organizou a revolta de 1828 contra o absolutismo persecutório de D. Miguel, ali perto onde seu pai, o também juiz José Maria de Almeida Teixeira de Queirós, viveu e foi o redator principal de O Campeão do Vouga. Ambos estão sepultados em jazigo de família no próximo cemitério do Outeirinho, onde Eça também deveria estar – ou no Panteão Nacional – se não tivesse sido entregue às mitologias familiares.
            Pelas mais variadas razões – e nem sempre as melhores, convenhamos – Eça não nos sai do quotidiano. Mérito seu, sem dúvida; mediocridade nossa quantas vezes e quase sempre. Recentemente a parte do país que lê ficou chocada por ter constatado que Os Maias já não são leitura obrigatória no ensino secundário. Não seria tanto para tal se isso não se inserisse num plano geral de banalização da Cultura portuguesa: o próprio escritor considerou a obra «uma coisa extensa e sobrecarregada» (carta a Oliveira Martins, 1888), caraterística que não terá muita aceitação nos dias de hoje em que tudo é pack e take away, quando temos as séries de TV e o filme, os resumos comentados para “tirar” boa nota nos exames e as facilidades da internet. Ouvi em tempos dizer a A. Campos Matos (que escreveu a continuação da “vida” de Carlos da Maia num notável Diário) que a leitura daquele romance não deveria ser obrigatória, por assim afastar a juventude, que naturalmente não vai lá com obrigações, do prazer de ler a obra por gosto e com gosto. Por sua vez J. Rentes de Carvalho (que também a continuou em Os Novos Maias. O Rio Somos Nós, coleção Eça Agora, Expresso, 2013), num recente apontamento intitulado «O ukase sobre “Os Maias”» publicado no Expresso Diário no dia 19 passado, insurge-se contra tal explicando «Não é porque a Eça de Queirós devo muito e sei o seu valor, que me põe de avesso o ukase dos senhores da Educação, mas porque o considero um crime. Qualquer português adulto, em seu juízo e um mínimo de escolaridade, sabe que Eça de Queirós é mais que um nome, uma estátua ou uma placa de rua». E a alternativa de que a obra pode ser substituída por qualquer outra do mesmo autor, não nos deixa sossegados, pois com a falta de estudos e conhecimento que sobre o autor e a obra têm muitos professores que a “deram” na faculdade pelas sebentas do costume, com a regionalização do ensino, também Eça irá ser divulgado em “batuques literários” (a expressão é de JRC) locais, e lá veremos os alunos a estudarem livros que nunca escreveu, como “As Cidades e as Serras de Baião”, ou “A Ilustre Casa de Ramires de Resende”, ou quiçá “O Conde de Abranhos de Freixo-de-Espada-à-Cinta, essa linda terra do nosso Minho”, como o senhor deputado se apresentava. Continuando a citar JRC, «pelo que a nós, os de boa vontade, cientes do valor da obra do “pobre homem da Póvoa de Varzim”, resta-nos fazer trabalho de missão: convencer os que o ignoram, que a obra de Eça de Queirós nos dá um genial retrato do país que éramos, fomos, continuamos a ser, mas onde para mal de todos nós os mangas-de-alpaca só conhecem uma velocidade: a marcha atrás». Mesmo quando tudo parece juntar-se para nos tentar desanimar.
            Recentemente Jorge Campos Henriques, autor de Eça em Aveiro. Raízes e outras histórias, editado pela Câmara Municipal local em 2001, o mais completo estudo-síntese sobre, afinal, este “peixe da ria” e os seus antepassados do Solar dos Queirozes em Verdemilho, colecionador durante toda a vida de bibliografia queirosiana, incluindo primeiras e raras edições, além de documentação sobre o avô liberal, e desde sempre esperançado na dignificação do jazigo e na recuperação das ruinas da casa para um Centro Cultural Queirosiano (para o qual o Arq.to A. Campos Matos chegou a fazer um anteprojeto tão singelo quanto funcional) ao qual ofereceria o seu espólio, perante a sucessiva indiferença das administrações municipais e da Universidade de Aveiro, acabou por oferecer uma parte do seu espólio à Casa de Antero de Quental de Vila do Conde, a terra onde Eça foi batizado, e o restante a um colecionador privado. É triste, mas acontece. A Jorge Campos Henriques resta-nos dizer: não vamos desistir de Verdemilho nem da sua dignificação, até porque se aproxima o duplo centenário da Revolução de 1820, quando um grupo de portugueses arriscou a vida e a fortuna para regenerar o país. Deu no que deu, mas desde então outras gerações de homens e mulheres de Aveiro e de outras terras, até à atualidade, ainda não desistiram. Como do célebre forte Álamo se diz, repetiremos: Remember Verdemilho.

J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria Queirosiana



Foral de 1518
            Decorrem no Município de Vila Nova de Gaia as comemorações dos 500 anos do Foral Manuelino de 1518 com várias iniciativas. Assim, no passado dia 28 de junho, na celebração do Dia do Município no Auditório Municipal, foram agraciados pelo presidente da Câmara, Eduardo Vitor Rodrigues, com a Medalha de Ouro de Mérito Municipal, Sebastião Feyo de Azevedo, ex-reitor da Universidade do Porto e Manuel de Novaes Cabral, presidente do Instituto dos Vinhos do Porto e do Douro. No início dessa mesma sessão, J. A. Gonçalves Guimarães fez a apresentação do livro aí lançado O Foral Manuelino de Vila Nova de Gaya. 1518-2018, editado pela autarquia, o qual, para além da edição fac-similada o documento e respetiva transcrição, apresenta uma introdução de Cândido dos Santos, vertida para inglês por Susana Guimarães, e ainda estudos de Francisco Ribeiro da Silva e de Amândio Barros, sobre a cidade e o município no século XVI.

J. Rentes de Carvalho
           
        No passado dia 3 de julho uma delegação da Câmara Municipal de Gaia e da Confraria Queirosiana deslocou-se a Estevais do Mogadouro para retribuir e agradecer ao escritor J. Rentes de Carvalho a sua presença no ciclo de atividades que lhe foram dedicadas no passado mês de maio em Vila Nova de Gaia. Entretanto está patente ao público uma exposição evocativa da sua vida e da sua obra na Biblioteca Pública de Perosinho, continuando no Solar Condes de Resende a exposição do seu espólio depositado na Confraria Queirosiana, recentemente acrescido com 10 videocassetes com entrevistas em programas televisivos sobre a sua obra, desde a década de noventa do século passado, realizados na Holanda e em Portugal, além de uma espingarda caçadeira de carregar pela boca, marca Tower, século XIX, que pertenceu a seu avô.
           Entretanto no passado mês de dezembro as Edições Lusitânia do Porto publicaram um livro de Caros Nogueira, doutorado em Literatura Portuguesa pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto e co-regente da cátedra José Saramago da Universidade de Vigo, intitulado São feitas de palavras as palavras. Ensaios de Literatura Portuguesa, no qual, entre muitos outros ensaios, apresenta «Montedor, de J. Rentes de Carvalho: romance clássico moderno», p. 261-283 e «Autobiografia, memória e tempo nos romances de J. Rentes de Carvalho», p. 285-312.

Confrarias
A delegação da Confraria Queirosiana no cortejo evocativo do Foral de1518
        No dia 30 de junho a Confraria Queirosiana, através de uma sua delegação, esteve presente no cortejo comemorativo da outorga do Foral manuelino a Vila Nova de Gaia, o qual percorreu a Avenida da República entre o Jardim do Morro e a nova praça do Município, e no qual participou a vereação e dezenas de associações cívicas e recreativas, tendo o desfile terminado com uma recreação histórica daquele acontecimento histórico, cuja importância para os dias de hoje na coesão da comunidade gaiense foi na ocasião sublinhada pelo presidente da Câmara, Prof. Doutor Eduardo Vitor Rodrigues.

Ofertas à Confraria Queirosiana
Ao longo dos anos vários têm sido os sócios dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana e outros doadores que legaram à instituição diversos espólios bibliográficos e outros que se encontram depositados e disponíveis na sua sede: entre várias peças avulsas resultado de várias doações, recordamos os espólios de Manuel Inácio Luiz (doado por seu filo Acácio Luís), Prof. J. Rentes de Carvalho, Dr.ª Júlia Cunha (doado pelo Dr. Marcus Vinicius Cocentino Fernandes), Dr. Raúl Ferreira da Silva, Rocha Artes Gráficas, Eng.º Charters de Azevedo, Carlos Alberto de Jesus Almeida (partituras musicais e outros doadas por sua filha Paul Almeida) e Arq.to António Rocha Ferreira. No que se refere a obras de Arte, para além de um quadro a óleo do Visconde de Beire, de Susana Guimarães, de um de Eça de Queirós, de A. Dias Machado, de um retrato de J. Rentes de Carvalho de Adélio Martins, do busto em bronze do mesmo escritor por Hélder de Carvalho, recentemente foram oferecidos uma paisagem a óleo de Alexandre Rufo, e dois outros quadros a óleo de Adélio Martins, representando o Largo dos Judeus e a paisagem de Gaia e do Porto que dele se avista, baseados na obra Ernestina de J. Rentes de Carvalho.

As Artes entre as Letras
        
         Com data de 27 de junho foi lançado o n.º 221 do jornal As Artes Entre as Letras comemorativo do seu 9.º aniversário, o qual foi celebrado com uma sessão no salão nobre da Reitoria da Universidade do Porto no passado dia 30 de junho, na qual a Confraria Queirosiana esteve representada por José Manuel Tedim e António Pinto Bernardo, respetivamente presidente e vogal da sua direção. Este número, entre outros autores, apresenta textos da sua diretora, Nassalete Miranda, de Guilherme de Oliveira Martins (e um notável retrato seu da autoria de Hélder de Carvalho), Sebastião Feyo de Azevedo, José Valle de Figueiredo, Manuel de Novaes Cabral, A. Campos Matos, J. A. Gonçalves Guimarães, J. Rentes de Carvalho e Francisco Ribeiro da Silva.


Hélder de Carvalho
Edgar Cardoso por Hélder de Carvalho
Nos últimos tempos o escultor Hélder de Carvalho tem apresentado ao público notáveis trabalhos seus, quer magníficos retratos publicados no jornal As Artes Entre as Letras, como o de Guilherme de Oliveira Martins no recente numero de aniversário, quer obras modeladas em barro e vertidas em bronze. Para além do busto do escritor J. Rentes de Carvalho, inaugurado no Solar Condes de Resende no passado dia 19 de maio, no dia 22 de junho, durante a visita do II World Heritage Congresss. Steel Bridges of Large Arch ao Laboratório Edgar Cardoso, situado em Gaia junto à Ponte Maria Pia, apresentou aos congressistas um estudo para um busto do patrono da instituição. No dia 29 de junho inaugurou um grande busto de Alberto Amaral, ex-reitor da Universidade do Porto, na respetiva Faculdade de Ciências.

Psicanálise e Cultura
           
Nos próximos dias 9 e 10 de novembro, na Fundação Eng. António de Almeida no Porto, vai decorrer o XI Colóquio sobre Psicanálise e Cultura, sob o tema “A Civilização e os seus (Des)Contentamentos”, o qual tem como presidente honorário Jaime Milheiro, médico, psicanalista e autor de notável obra sobre os desafios do quotidiano numa sociedade que já não tem as sobrevivências como horizonte. Do programa constam abordagens sobre “Inteligência artificial, civilização artificial… subjetividades artificiais?”; “O admirável mundo novo”; “O futuro de uma ilusão”; e “A arte de fazer a arte”. O programa divulgado apresenta-se com o texto “No tropel dos bisontes” de Jaime Milheiro que nos interroga: «Seremos apenas, de facto, uns cabeçudos sem história nem memória?».

Livros e Periódicos

Douro
           Douro. Vinho, História & Património. Wine, History and Heritage, propriedade da Associação Portuguesa da História da Vinha e do Vinho (APHVIN/GEHVID), dirigida pelo Prof. Doutor António Barros Cardoso, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, que fez a sua apresentação, seguido do diretor do IVPD, Dr. Manuel de Novaes Cabral, que salientou a importância desta revista para a contextualização da História dos vinhos portugueses, seguido da Prof. Doutora Célia Taborda, da Universidade Lusófona do Porto, que fez a apresentação do seu conteúdo. Este número, entre vários estudos de investigadores portugueses e estrangeiros, apresenta, do seu diretor, para além do editorial, «Douro e Porto – destinos cruzados pelos meandros de um Rio»; de Maria de Fátima Teixeira, investigadora do Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-Confraria Queirosiana, «A Fábrica de Arcos de Ferro da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas o Alto Douro»; e de Nuno Resende, também da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e coordenador no PACUG, «Imagens e caminho: a fotografia como fonte para o estudo das vias. O caso da cidade do Porto (1849-1930)», e ainda uma recensão sobre «Judeus de Lamego e outros cristãos-novos do Alto Douro (séculos XV-XVIII)» de J. M. Braz.

No dia 19 de julho no Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto teve lugar a sessão de lançamento do número 6 da revista

Poemas da minha vida

Na sequência do que vem fazendo há anos com personalidades marcantes da vida portuguesa, desta vez a editora Modo de Ler do Porto convidou Manuel de Novaes Cabral, diretor do IVDP a reunir em livro os seus “Poemas da Minha Vida”, uma coletânea de versos escritos por amigos seus, os quais foram lançados em agradáveis sessões, no passado dia 5 de julho na Cooperativa Árvore no Porto, e no dia 11 na Livraria Buchholz em Lisboa. A apresentação contou com a presença de literatos, diseurs, cantores, confrades e amigos do autor desta antologia.


Tendais
Nuno Resende autografa a sua obra mais recente
No passado dia 22 de julho, pelas 11,30 horas da manhã, foi lançado na residência paroquial de Santa Cristina de Tendais, Município de Cinfães, um novo livro de Nuno Resende, professor na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, intitulado A Igreja de Tendais. Culto, comunidade e Memória, que vem assim adicionar mais um volume à já sua notável bibliografia sobre o património duriense.

Palestras
 Na habitual palestra das últimas quintas-feiras do Solar Condes de Resende, excecionalmente no passado dia 5 de julho por no dia 28 se ter comemorado o Dia do Município, o Dr. André Macedo apresentou o seu estudo sobre “A necrópole romana do Monte Sameiro em Valadares”; na próxima quinta-feira, 26 de julho pelas 21,30 horas, o Dr. Paulo Costa, falará sobre “Os forais medievais de Vila Nova de Gaia”.
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Eça & Outras, III.ª série, n.º 119, quarta-feira, 25 de julho de 2018; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te. n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Eça & Outras




Homenagem nacional a A. Campos Matos

            Conforme o anunciado, decorreu no passado dia 5 de junho na Biblioteca Nacional de Portugal a homenagem a A. Campo Matos na passagem do seu 90º aniversário, a qual teve início com a abertura na Sala de Leitura de uma exposição de objetos, edições, documentos e iconografia pessoais deste autor a quem a Cultura Portuguesa e sobretudo os estudos e a divulgação da vida e obra de Eça de Queirós tanto devem. Presentes muitos familiares, amigos e companheiros de jornada, a Confraria Queirosiana e o jornal As Artes Entre As Letras fizeram-se representar por J. A. Gonçalves Guimarães e Maria de Fátima Teixeira. A sessão no auditório teve início com as palavras proferidas sobre o homenageado pela diretora da BNP, Doutora Maria Inês Cordeiro, a que se seguiram diversos oradores, amigos ou colaboradores do coordenador do Dicionário de Eça de Queirós, entre eles o Doutor Américo Guerreiro de Sousa, doutorado por Oxford com uma tese sobre o escritor e autor de Inglaterra e França n’ Os Maias: Idealização e Realidade.
            Entretanto recebemos do Brasil o texto do nosso caro confrade e também amigo e admirador de A. Campos Matos, Dagoberto Carvalho J.or, que a seguir se publica como testemunho e contributo para esta homenagem, que assim passa a ser luso- brasileira.

J. A. Gonçalves Guimarães
mesário-mor da Confraria Queirosiana

Noventa anos de Campos Matos

Velho amigo e grande admirador do arquiteto-escritor Alfredo Campos Matos, regozijo-me com o mestre eciano (ou queirosiano, como lá dizem, os ‘patrícios’), pela pública, honrosa e – particularmente – justa homenagem que lhe presta o país irmão através da Biblioteca Nacional de Portugal, no transcurso de seus noventa anos de vida bem vivida. Na família, na Arquitetura e na Literatura em que se tornou mestre-doutor, sobretudo, nas leituras, saberes e interpretações referidas ao maior romancista português de todos os tempos, seu conterrâneo, poveiro, José Maria Eça de Queiroz.
Conheci o homenageado deste registro por expressa recomendação de Paulo Cavalcanti – nosso referencial eciano no Recife e, mesmo, no Brasil – em minha viagem de ‘descoberta’ do Portugal eciano/queiroziano, posto que as primeiras foram de pesquisa histórica sobre Arte Sacra, para a dissertação de Mestrado em História (A Talha de Retábulos no Piauí); e ‘pombalinas’, buscando a geminação cultural entre as Oeiras de cá (minha terra do nascimento) e de lá que emprestou o título de Conde ao futuro Marquês de Pombal. Encontramo-nos, o autor e Campos Matos e, por sugestão deste, n ‘A Brasileira’, do Chiado, no coração, mesmo, da Lisboa eciana. Desse encontro, em que passamos em revista a bibliografia do patrono, guardo ‘risco’ da Largo da Sé de Leiria – a Catedral, a Administração do Conselho (onde Eça trabalhou), a Botica do Carlos –, em guardanapo, da casa. Foi o roteiro, que, no dia seguinte, fiz com Cristina, Clélia e José Quidute, outro eciano histórico do Recife, companheiro de primeira hora na velha Sociedade EQ.
A grande homenagem a Campos Matos, divulgada pelo informativo digital da Casa, consta de Mostra sobre sua vida e obra. Conferências de Eugênio Lisboa, João Medina e Marie Hélène Piwnik, com moderação Luís Santos Ferro. Testemunhos de Helena Buescu, João Bigotte Chorão, Luís Santos Ferro, Manuel Frias Martins, Américo Guerreiro de Sousa, José Carlos Vasconcelos, Victor Viçoso e Jorge Martins. Moderação, também, de Luís Santos Ferro. Ainda, o lançamento da obra 94 reflexões queirosianas, apresentada por Eugênio Lisboa.
O Recife conhece-o e seus ecianos que já representei – e, de algum modo, represento, pela dedicação de tantos anos de estudos e encontros literários especializados (alguns, de alcance internacional) – congratulamo-nos com o maior de todos nós no estudo e na devoção literária (no que pese o lugar comum) do ‘pobre (grande) homem da Póvoa de Varzim’.
Para participar de eventos na Sociedade EQ e na Universidade Federal de Pernambuco, Campos Matos esteve duas vezes no Recife. Em uma delas, levei-o a conhecer a cidade de Goiana, por onde o criador de Os Maias chegou ao Brasil, com As Farpas, em 1872. O roteiro turístico-cultural incluiu visitas, também, à Igarassu e Itamaracá. Na segunda ocasião participou de seminário e mostra comemorativos do sesquicentenário da morte de Eça, bem como do 28º Jantar Eciano da Sociedade EQ. Tem seu nome escrito em letras de bronze no obelisco da Praça Eça de Queiroz, no bairro recifense da Madalena.
Acompanho-lhe a rica bibliografia da que destaco o Dicionário de Eça de Queiroz (todas as edições) da qual, a seu honroso convite, participo como autor de alguns verbetes; Imagens do Portugal Queirosiano (duas edições); Eça de Queiroz – Emília de Castro – Correspondência Epistolar; EQ uma Biografia; EQ Fotobiografia; Dicionário de citações de EQ; Sexo e sensualidade em EQ; EQ Silêncios Sombras e Ocultações; Diário Íntimo de Carlos da Maia; EQ – Ramalho Ortigão; e, last but not least Roteiro da Lisboa de Eça de Queiroz e seus arredores, onde apareço no verbete relativo à Travessa da Trabuqueta, página 125. Lá ele já estivera com Paulo Autran, Paulo Gracindo e Dário Moreira de Castro Alves.
Bem haja, do alto da idade que não o envelhece, mas o faz maior, o arquiteto escritor Alfredo Campo Matos!

Dagoberto Carvalho Jr.
Ex-presidente da Sociedade Eça de Queiroz, Recife – Brasil
Grão-Louvado da Confraria Queirosiana de Vila Nova de Gaia, Portugal
13 de junho de 2018


Homenagem a Manuel Novaes Cabral

            Um conjunto de curiosas circunstâncias tem levado a que diversas instituições nacionais e locais tenham vindo nos últimos tempos a homenagear várias personalidades que, entre muitos outros aspetos profissionais e curriculares de exceção, são também sócios de honra da Confraria Queirosiana. Depois do escritor J. Rentes de Carvalho ter sido homenageado pela Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia no passado mês de maio e de A. Campos Matos ter sido homenageado pela Biblioteca Nacional de Portugal, no passado dia 7 de junho Manuel de Novaes Cabral foi homenageado pela Árvore – Cooperativa de Actividades Artísticas, C. R. L. do Porto. À sessão compareceram grande número de seus amigos e colaboradores, tendo sido oradores Eduardo Vitor Rodrigues, sociólogo, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e da Área Metropolitana do Porto, e António Fontaínha Fernandes, engenheiro zootécnico, reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas. Entretanto o n.º 219 do jornal As Artes entre As Letras, com data de 30 de maio passado dedicou-lhe a capa e uma página interior, sob o título «Manuel de Novaes Cabral Um Porto de Honra Cultural». Entretanto no próximo dia 5 de julho no Porto, e depois no dia 11 na livraria Bucholz em Lisboa, Maria Isabel Pires de Lima e Fernando Alves, respetivamente, apresentarão o livro editado pela Mododeler, «Os poemas da minha vida» de Manuel de Novaes Cabral, antologia de poemas de amigos ou de poetas com quem se cruzou em diferentes circunstâncias da vida.

Dia de Itália
            Como vem acontecendo de há anos a esta parte, o Consulado Honorário de Itália no Porto comemorou o Dia Nacional de Itália na Pousada do Freixo no passado dia 3 de junho, com a presença de Giuseppe Morabito, embaixador de Itália em Portugal, Paolo Pozzan, cônsul honorário no Porto, e Ângelo Arena, presidente da Associazione Socio-Culturale Italiana del Portogallo Dante Alighieri. No evento, entre muitos outros convidados, estiveram presentes, José Manuel Tedim, J. A. Gonçalves Guimarães e António Pinto Bernardo dos corpos gerentes da Confraria Queirosiana, Maria de Fátima Teixeira e ainda outros confrades a título pessoal ou em representação das mais diversas instituições.

José Manuel Tedim na Confraria de Valongo
Confrarias

            
No passado dia 2 de junho decorreu em Valongo o 3.º Capítulo da Confraria do Pão, da Regueifa e do Biscoito de Valongo, com a insigniação de novos confrades. Para além da preservação e divulgação destes produtos tradicionais de altíssima qualidade e sabor, esta confraria está também interessada na investigação histórica sobre a sua ancestral atividade moageira e de panificação para abastecimento da cidade do Porto feita por profissionais. A Confraria Queirosiana esteve representada pelo professor de História da Arte, José Manuel Tedim, seu presidente da direção, que é igualmente confrade de honra desta outra, o mesmo acontecendo com o confrade Chefe Hélio Loureiro
           
Festivais, palestras e cursos
            Nos passados dias 8 e 9 de junho decorreu no Forte de S. João da Foz, no Porto, promovido pela União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, o II Encontro Nacional de Literaturismo, onde foram palestrantes, entre outros, o seu comissário José Valle de Figueiredo, criador do conceito de Literaturismo, J. A. Gonçalves Guimarães, que falou sobre “Eça em Évora – roteiro queirosiano do Alentejo”; “ Manuel Novaes Cabral sobre “O Vinho do Porto e a Literatura”; José Augusto Maia Marques sobre “Os escritores e o lazer”, estando a evocação dos escritores locais, nomeadamente Raúl Brandão, a cargo de Joaquim Pinto da Silva. Este encontro terminou com um painel sobre Literatura, Turismo e Gastronomia no qual foram oradores Ricardo Valente, vereador do Turismo do Porto, Pedro Machado, presidente do Turismo do Centro, J. A. Gonçalves Guimarães, mesário-mor da Confraria Queirosiana e Luís Costa, do Centro de Estudos e Interpretação do Caramulo. O encontro encerrou com m balanço da atividade cultural daquela União de freguesias pela voz do seu presidente Nuno Ortigão.
            No dia 16 de junho, sábado, na Casa-Museu Teixeira Lopes, pelas 16,30 horas, no concerto pelo Trio Vermeer (piano, violoncelo e violino), constituído por membros da orquestra do Concertgebow de Amesterdam, que interpretou obras de Beethoven, Schumann e Smetana integrado no 25.º Festival Internacional de Música de Gaia, organizado pelo Conservatório local, J. A. Gonçalves Guimarães falará sobre “A Música e os Músicos na vida e obra de Teixeira Lopes”.
            No dia 22 de junho, no Mercado Ferreira Borges no Porto, na sessão de História do II World Heritage Congress – Steel Bridges of Large Arch, o qual decorreu entre os dias 21 e 23 nas cidades de Gaia e Porto, organizado pelas respetivas autarquias, J. A. Gonçalves Guimarães falou sobre “Atravessamentos antigos do Rio Douro antes das pontes”.
            Nos próximos dias 30 de junho e 1 de julho, no âmbito do Open House Porto 2018 o mesmo investigador fará visitas guiadas ao edifício da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia da autoria do arquiteto gaiense Oliveira Ferreira.
             
Prémios
O Chefe Hélio Loureiro, autor de “À Moda do Porto”, um livro sobre a gastronomia portuense partilhado com os chefes Cordeiro e Rui Paula, na sua versão em inglês, “Eating à la Porto” editado pela Almedina, ficou em 3.º lugar na categoria “Local” no World Cuisine of Gourmand Awards, o equivalente aos óscares da Gastronomia, em cerimónia que teve lugar na China no passado dia 26 de maio (comunicado Almedina 2018.06.06).

Livros, revistas e outras publicações


            No passado dia 7 de junho, na Fundação Eng.º António de Almeida, no Porto, Mário Cláudio lançou o seu mais recente livro, intitulado “Memórias Secretas” editado pelas Publicações D. Quixote.
No dia 8 de junho, no palácio do Bolhão no Porto, o escultor Hélder de Carvalho apresentou o seu mais recente livro de retratos intitulado Porque não existe um único olhar, a que já fizemos referência na página de abril.

No dia 9 de junho em Leiria foi lançado o n.º 16 dos Cadernos de Estudos Leirienses, evocativo d’ Os Militares do Distrito de Leiria na 1.ª Grande Guerra em França e em África. Entre a variada colaboração publicada apresentam-se os artigos «Peniche e a Primeira Guerra Mundial» de Sílvia Santos, Raquel Janeirinho e Rui Venâncio e «Luís Charters d’ Azevedo – um oficial médico de Leiria na 1.ª Grande Guerra» de Ricardo Charters d’ Azevedo.
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Eça & Outras, III.ª série, n.º 118, segunda-feira, 25 de junho de 2018; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te. n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: Dagoberto Carvalho J.or.



sexta-feira, 25 de maio de 2018

Eça & Outras



O escritor J. Rentes de Carvalho no Mercado de Gaia
J. Rentes de Carvalho de regresso a casa

            Este mês de maio o escritor J. Rentes de Carvalho (JRC) regressou a casa, à terra que o viu nascer. Foi ele próprio quem escreveu «Deus criou o mundo em Vila Nova de Gaia, numa tarde quente de Maio em 1930», logo no início do romance Ernestina. Daqui saído para Viana do Castelo em 1945 e daí para muitos outros lugares no mundo, desde 1956 radicado em Amsterdam e daí regressado a Estevais do Mogadouro, a terra dos antepassados, muitas vezes deve ter pensado voltar à sua terra de nascimento, mas tal não tem sido fácil, não pela resistência do escritor, mas por um, talvez divertido, conjunto de circunstâncias. Qualquer um de nós o pode fazer, sossegado, anónimo, disfarçado de turista, mira e remira, mete conversa, tira fotos, chega a casa e confronta memórias, separa a ganga da fantasia do minério da possível verdade, e pronto. Sabe quem é, de onde veio, que grandes e pequenas coisas carrega desde a infância. Mas para J. Rentes de Carvalho não tem sido assim, e no entanto nunca “arredondou” o local do seu nascimento, como outros candidatos à celebridade, falhos de geografias, que aqui tendo nascido, se dizem “do Porto”, quiçá da Torre dos Clérigos.
Até tempos recentes, o Município de Gaia, entretido com as suficiências locais, ignorava nomes como Afonso Ribeiro, Fernando Azevedo, António Sampaio, Eduardo Luís, Jorge Fontes, Simões da Hora, António Reis e tantos outros que, como J. Rentes de Carvalho, se distinguiram noutras terras. Curiosamente tem homenageado alguns “rabelos e rabelas” que pouco ou nada lhe têm dado. JRC desde sempre tentou retribuir à sua terra natal o luminoso acaso de aí ter descoberto a criação do seu mundo. Mas não tem sido fácil. Tendo aqui vivido na infância os cenários reais do Aniki-Bóbó, procurou sempre acompanhar a evolução da cidade e do município e até meter as suas prendas nos livros-roteiro que foi escrevendo sobre Portugal. A 23 de março de 1987 enviou uma carta de Amsterdam para a Biblioteca Municipal, na qual pedia alguns elementos sobre a realidade local, mas pôs no envelope a morada da Câmara Municipal. Esta (o presidente? A chefe da secretaria? O contínuo que fazia a triagem do correio?) devolveram a carta para a Holanda por a morada estar “incorreta”, como se não soubessem onde era a Biblioteca Municipal! Pacientemente JRC lá longe descobre a morada certa e volta à carga em abril seguinte, e desta vez obtém resposta de alguém que sabia quem ele era e do prestígio que já então tinha na cultura portuguesa, e que tenta salvar a “honra do convento” enviando-lhe «duas grandes e pesadas caixas, onde além das informações que eu esperava [JRC] me eram ainda mandadas mostras de carinho». O escritor agradece os elementos enviados e renova a fé na «constância das tantas coisas que a nossa terra continua a ter». Em 1987 o Gaia Semanário publica um conto seu, a que outros se seguem, confidenciando então o autor que de «todos os livros que até agora publiquei, as centenas, se não milhares de artigos que tenho publicado nos jornais, poucos foram os que me deram um sentimento igual». Ainda em junho desse ano aquele semanário publica uma outra carta do escritor dirigida a Hélder Pacheco onde conta as suas raízes gaienses, e em junho do ano seguinte Alberto Andrade, ex-diretor daquele jornal, entretanto extinto, publica no Boletim dos Amigos de Gaia uma «Notícia sobre um escritor holandês chamado Rentes de Carvalho». Em 1992 a Câmara atribui-lhe a medalha de ouro de mérito municipal, mas que só virá a entregar-lhe em 2001 quando finalmente o escritor vem a Gaia em visita restrita para a qual nem sequer foram convidados aqueles que em Gaia o conheciam e que estudavam e divulgavam a sua obra.
            Em março de 2005, estando o autor destas linhas de férias em S. João da Pesqueira, com a equipa do Gabinete de História, Arqueologia e Património a estudar S. Salvador do Mundo, o amigo comum Nelson Rebanda avisou-me que JRC estava em Estevais, e logo decidi ir visitá-lo e, finalmente, conhecê-lo pessoalmente, o que fiz com as colegas Maria de Fátima Teixeira e Eva Baptista. Mas fomos ter à aldeia de Estevais errada, onde naturalmente ninguém o conhecia. Só depois de muita curva chegamos a Estevais do Mogadouro, onde nos indicaram logo a sua casa que recebeu esta inesperada delegação gaiense de braços abertos. Falamos-lhe então da Confraria Queirosiana e ficou o convite para dela vir a fazer parte, o que veio a acontecer no capítulo realizado no Solar Condes de Resende em novembro seguinte. Confiado na instituição, logo nas visitas seguintes ofereceu à sua guarda muito do seu espólio português e da sua passagem pela Universidade de Amsterdam, concretizando a oferta através de protocolo assinado a 19 de junho de 2011 numa visita da Confraria a Mogadouro. Entretanto em abril de 2007 o escritor voltara de novo a Gaia, tendo-se então realizado uma sessão sobre a sua vida e obra na Casa Barbot. No dia seguinte, fizemos uma peregrinatio ao Monte dos Judeus, onde entretanto um influente local tinha mandado edificar um mamarracho indescritível que espera por melhores dias, e à Afurada, onde o pai de JRC, embevecido, um dia o pôs a cantar o fado no posto da Guarda Fiscal.
            Mais de um ano depois, em julho de 2008 recebo um e-mail de uma instituição que pretendia divulgar a sua obra, propondo, entre muitas outras coisas, que «a Homenagem póstuma ao Escritor completará ainda esta iniciativa». Respondi: «Tanto quanto sei o Prof. Rentes de Carvalho está vivo e não tenciona morrer brevemente pelo que tudo leva a crer que será difícil fazer-lhe uma homenagem póstuma nos tempos mais próximos. Para lhe ser feita uma homenagem em vida, que aliás merece, penso que o primeiro passo seria…contactá-lo por escrito…». Não sei se o fizeram, mas entretanto continuamos a nossa troca de correspondência e a ir visitá-lo a Estevais sempre que voltava da Holanda. O que então mais me doía era não haver em Portugal uma boa e renovada edição das suas obra, que incluísse as publicadas na Holanda entre nós desconhecidas. Falei então com a responsável pelas Edições Gailivro e que sim senhor, estavam interessados em fazer-lhe um contrato para a edição das “Obras Completas”. Já era um começo para Gaia e a Pátria se redimirem de distrações. Mas pouco depois a Gailivro é vendida ao grupo LeYa e antes disso dá como sem efeito o contrato com o escritor. Este encolhe os ombros, habituado que estava a que o seu país o ignorasse. Senti uma enorme frustração, jurando vinganças não sei bem a quem.
            Entretanto, talvez por indicação celestial de Eça de Queirós, que segundo J. Rentes de Carvalho, «ele, que me conhece desde criança», surge Francisco José Viegas e a editora Quetzal que sistematicamente, regularmente, profissionalmente, põe nas mãos dos portugueses a obra muito completa deste escritor gaiense, a que outros também chamam seu, o que não tem mal nenhum, pois como é sabido, Gaia é a deusa da Terra e os escritos de JRC são do tamanho da humanidade que vive e luta para ser feliz, tanto quanto possível, neste mundo.
            Finalmente neste ano de 2018, nas comemorações dos 50 anos da sua vida literária, pela mão do Município de Gaia, da Confraria Queirosiana e da editora Quetzal, JRC voltou a casa. Creio que tal é digno e redentor, mas certo de que a vida e obra do escritor irão continuar a descrever as maneiras de se ser gaiense e português com a frontalidade que lhe é reconhecida. Agora, que os navios amarrados ao cais de Gaia já são outros, JRC voltará a partir para Trás-os-Montes e Amsterdam. Mas sabe que poderá sempre voltar a casa pois os seus vizinhos não o esquecem.

J. A. Gonçalves Guimarães
mesário-mor da Confraria Queirosiana
amigo e admirador de J. Rentes de Carvalho

 Homenagem a J. Rentes de Carvalho
Ao longo do mês de maio o Município de Vila Nova de Gaia, com a colaboração da Confraria Queirosiana e da Quetzal, Editores, prestou uma homenagem ao escritor J. Rentes de Carvalho, nascido no seu centro histórico em 1930. Assim, no dia 4 realizou-se a abertura de uma exposição na Biblioteca Pública Municipal, organizada pelo Pelouro da Cultura e da Programação Cultural sobre a vida e obra do escritor, a qual incluiu algumas peças do seu espólio à guarda da Confraria Queirosiana, tendo no ato J. A. Gonçalves Guimarães falado sobre as suas ligações ao município.
Busto de J. Rentes de Carvalho de Hélder de Carvalho,
no Solar Condes de Resende.
No dia 18 decorreu no Auditório Municipal um colóquio sobre a sua obra com a participação do escritor Bruno Vieira Amaral, do editor Francisco José Viegas e do historiador J. A. Gonçalves Guimarães e moderação do jornalista Mário Augusto. Depois de o escritor ter revisitado alguns recantos da sua infância, no sábado dia 19, teve em sua honra um capítulo extraordinário da Confraria Queirosiana no Solar Condes de Resende, com a abertura ao público de uma outra exposição do seu espólio acrescentado com doações recentes, como dois quadros a óleo do Monte dos Judeus, o local onde nasceu, da autoria de Adélio Martins aí presente, estando também expostos dois retratos seus, um deste pintor e um outro do major Simões Duarte, cedido para o efeito. Seguiu-se uma sessão no salão nobre do Solar, com a participação da Escola de Música de Perosinho, através do professor de piano João Queirós, de Carolina Costa, violoncelo e de Inês Marques, violino, que interpretaram obras de Joly Braga Santos e de Gabriel Fauré. Foram insigniados como confrades de honra, o escritor e editor Francisco José Viegas e o escultor Hélder de Carvalho, apadrinhados por JRC. Após a colocação de uma coroa de louros na estátua de Eça de Queirós no Jardim das Camélias, seguiu-se o descerramento de um busto em bronze do escritor, também da autoria de Hélder de Carvalho, no hall do auditório do Solar, onde seguidamente decorreu um jantar de confraternização durante o qual foram declamados versos de Fernando Peixoto e cantadas canções dos anos 30 pelo agrupamento musical Eça Bem Dito.

Capítulo extraordinário da Confraria Queirosiana
Dia Nacional da Gastronomia
           
No próximo fim de semana, dias 26 e 27 de maio, vai decorrer no Cais de Vila Nova de Gaia (Centro Histórico) o Dia Nacional da Gastronomia promovido pela Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, com o patrocínio do Município de Gaia e a colaboração de muitas confrarias nacionais, que apresentarão aos visitantes e turistas os produtos tradicionais das mais diversas regiões do país.
            Do programa consta ainda a distinção pela FPCG de diversas entidades, entre elas o Dr. Manuel Novais Cabral, presidente do IVDP e confrade queirosiano, o lançamento de um selo postal pelos CTT e um brinde coletivo com Vinho do Porto oferecido pelas empresas ali sediadas.
            A Confraria Queirosiana estará presente com a divulgação e venda das suas publicações e do seu Vinho do Porto 10 e 20 anos.

Homenagem nacional a A. Campos Matos
         No próximo dia 5 de junho a Biblioteca Nacional de Portugal vai promover uma homenagem nacional ao arquiteto e queirosianista A. Campos Matos, nascido na Póvoa de Varzim em 1928, autor de um conjunto de incontornáveis publicações sobre a vida, obra e ambientes de Eça de Queirós e a sua época, nomeadamente “Eça de Queiroz – Uma Biografia”, Afrontamento, 2010, com posterior edição em Campinas, Brasil, 2014; “Dicionário de Eça de Queiroz”, 3.ª edição, organização, coordenação e textos, INCM/ Imprensa Oficial do Governo do Estado de São Paulo e da Academia Brasileira das Letras, 2015, e essa inusitada obra de ficção, que só este autor poderia conceber com propriedade, intitulada “Diário Íntimo de Carlos da Maia (1890-1930)”, Colibri, 2017, já em 3.ª edição revista e aumentada. A homenagem a este notável homem de Letras, galardoado com varias distinções em Portugal, Brasil e França, também confrade de honra da Confraria Queirosiana que se fará representar no ato, constará de um colóquio com vários interventores e de uma exposição de objetos e documentos pessoais reunidos ao longo dos seus profícuos noventa anos.

Confrarias
         No dia 3 de maio decorreu no Mosteiro de Corpus Christi, em Gaia, uma conferência de imprensa sobre o Dia Nacional da Gastronomia que este ano terá lugar no Cais de Gaia nos próximos dias 26 e 27 no Cais de Gaia, como acima se referiu. Para além da Dr.ª Olga Cavaleiro, presidente da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas que apresentou o programa, falaram ainda representantes do Turismo do Norte de Portugal e de outros departamentos governamentais, tendo encerrado a sessão o presidente da edilidade gaiense, Prof. Doutor Eduardo Vitor Rodrigues. A Confraria Queirosiana fez-se representar pelo seu mesário-mor.
No dia 5 de maio decorreu em Oleiros o III.º capítulo da Confraria Gastronómica do Cabrito Estonado, no qual estiveram presentes 40 confrarias e 160 pessoas. A Confraria Queirosiana fez-se representar pela Dr.ª Alda Barata Salgueiro.
            No dia 12 de maio decorreu na Quinta da Boeira, em Vila Nova de Gaia, o XXV.º capítulo da Ordem dos Companheiros de São Vicente – Confraria dos Vinhos de Portugal da Bélgica, pela primeira vez celebrado em Portugal. Apadrinhada pela Confraria dos Sabores e Saberes da Beira – Grão Vasco, reuniu na “Maior garrafa do Mundo” existente naquele espaço gaiense várias dezenas de confrarias portuguesas, belgas e francesas, não apenas enófilas ou gastronómicas, mas também de natureza convivial em volta de uma singularidade humana, como uma de alopéticos belgas, cujo emblema é um pente dourado.
Iniciado o desfile das confrarias presentes com a fanfarra dos Bombeiros de Valadares à frente, seguiu-se a entronização de dezenas de novos confrades, entre os quais Olga Cavaleiro, presidente da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, e os queirosianos Albino Jorge, aí representando a Confraria do Vinho do Porto, e J. A. Gonçalves Guimarães e Maria de Fátima Teixeira, representando a Confraria Queirosiana.
            Seguiu-se um almoço no restaurante da Quinta da Boeira, com fados e folclore.
    
Palestras e cursos
Na Escola de Hotelaria de Viana
         No passado dia 27 de abril o mesário-mor da Confraria Queirosiana proferiu na Escola de Hotelaria de Viana do Castelo, no seu dia dedicado a Eça de Queirós, uma palestra para alunos e professores sobre «Gastronomia e Enofilia queirosianas», a qual teve a presença da Dr.ª Olga Cavaleiro, presidente da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas.
            No dia 24 de maio, na habitual palestra das últimas quintas-feiras do mês do Solar Condes de Resende, o mesmo investigador falou sobre «O Museu da Universidade de Manchester e as coleções oitocentistas», fazendo um paralelo com a Coleção Marciano Azuaga.

Encontro Associativo
            Decorreu no dia 28 de abril no Parque Biológico de Gaia um Encontro Associativo, organizado pela Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia com a colaboração da Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto e da Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia, o qual abordou a seguinte temática: “Estratégias de desenvolvimento associativo – organização administrativa”, por Augusto Flor; “Identidade do setor não lucrativo – Contabilidade/ Fiscalidade”, por Carlos Balreira; “Higiene e segurança alimentar”, por Susana Rocha; “Medidas preventivas de segurança contra incêndios e medidas de autoproteção”, por Paula Azevedo, Vitor Primo e Fátima Januário. A Confraria Queirosiana esteve representada por César Oliveira, aí como presidente da FCVNG, J. A. Gonçalves Guimarães da direção da ASCR-CQ e Licínio Santos também desta associação.

Prémio
Maria de Azevedo C. de Vasconcelos e Sousa
            A Federação de Amigos dos Museus de Portugal (FAMP), no dia Internacional dos Museus (18 de maio) anunciou a instituição do prémio Maria de Azevedo Coutinho de Vasconcelos e Sousa, sua fundadora, com o propósito de contribuir para o aumento da participação de jovens adultos nas atividades dos museus, no valor de 5.000 euros.
            Podem concorrer grupos de amigos de museu que tenham promovido até 31 de dezembro deste ano ações que visem a angariação de associados jovens e a sua participação nas atividades que cada grupo desenvolva em apoio do seu museu.

Feiras do Livro
        

Nesta época do ano, para além das grandes feiras do livro de Lisboa e Porto, muitas outras decorrem noutros pontos do país. É o caso de Aveiro, que vai ter a 43ª edição da sua própria feira sob a designação de “Aveiro de Eça”, a qual decorrerá entre 25 de maio e 10 de junho no Mercado Manuel Firmino. Como é sabido, Aveiro é terra eminentemente queirosiana, pois o escritor aí viveu em criança em Verdemilho, na casa que fora de seu avô, o juiz Joaquim José de Queiroz, à data já falecido, o mentor da revolta de 1828 contra o governo miguelista. Este, tal como seu pai, o também juiz José Maria de Almeida Teixeira de Queiroz, que mandou prender por corrupção o homem mas rico do seu tempo – o Conde do Bolhão – e absolveu Camilo e Ana Plácido do crime de adultério, estão ambos sepultados em jazigo próprio no cemitério do Outeirinho. Tanto aquela casa como o jazigo aguardam há muito a prometida dignificação como monumentos do Roteiro Queirosiano de Aveiro e Nacional.  


Curso de Verão
           

Como habitualmente todos os anos, a Fundação Eça de Queiroz, vai promover o seu Curso Internacional de Verão – Seminário Queirosiano, entre os dias 16 e 21 de julho próximos, este ano subordinado ao tema “As questões da civilização em Eça de Queiroz e Oliveira Martins”, especialmente vocacionado para professores e estudantes universitários portugueses e estrangeiros, estando prevista a atribuição de 20 bolsas a estudantes, cujo prazo de candidatura decorre até 15 de junho próximo. O curso tem a coordenação científica de Orlando Grossegesse, da Universidade do Minho, e como professores convidados Hélder Garmes, da Universidade de São Paulo, Maria Helena Santana da Universidade de Coimbra e Pedro Schacht Pereira, da Ohio State University (EUA).
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Eça & Outras, III.ª série, n.º 117 – sexta-feira, 25 de maio de 2018; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te. n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.