quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Eça & Outras

Vão proibir a Carmen?

Tempos de Verão no hemisfério norte, seria suposto esperar-se ser esta a época da fraternidade dos povos ao ar livre, das viagens à terra dos outros para ver as pequenas diferenças da grande semelhança da família humana, reunida através dos seus representantes olímpicos no hemisfério sul, no Brasil. Enfim, quase o paraíso na Terra, não fora, mais uma vez o pequeno preconceito, a inútil malvadez, as leis da tribo a sobreporem-se ao bom senso e bom gosto universais.
 Não exatamente só porque a lei o obriga - nem sempre bem pois não desarmadilha os possíveis conflitos a haver - sou pelo respeito e pela defesa da cultura e bem estar das minorias étnicas, simplesmente porque ninguém, nenhuma filosofia, nenhuma religião, nenhum estado, nenhuma sociedade grande ou pequena é dona de qualquer outra, pequena ou mais numerosa, e quanto a umas serem mais “aceitáveis” do que outras, temos falado. Porque desejo exatamente a felicidade de todos os seres humanos no seu corpo físico, espiritual e social; porque são muitas vezes as minorias que dão grandes contributos para o bem estar de toda a humanidade – lembrem-se da borracha dos índios da Amazónia quando olharem para os pneus do vosso automóvel -. Mas o contrário também deve ser verdadeiro: a minoria tem de respeitar a maioria da população onde vive e, se exige respeito para si, também tem de o retribuir, ou seja não deve nem pode criar problemas aos outros. Tudo isto, dito assim, à mesa da esplanada, entre pessoas cultas das democracias ocidentais, parece óbvio, simples e banal. Mas não é. Há quem permanentemente, ainda que de forma velada ou escudada na lei, atice a chama da intolerância mútua e defenda privilégios ou preconceitos de uns sobre os outros. Recentemente alguns municípios franceses proibiram o burquini, por o considerarem um trajo étnico revelador de crença religiosa. Ao contrário da burka, completamente inaceitável em qualquer sociedade, até por violar o princípio do respeito pelo direito à livre identidade pessoal, quer o burquini quer o “lenço islâmico” - este último muito usado em trajes regionais portugueses - não tapam a cara das senhoras que os usam, logo serão apenas uma questão de moda, independentemente dos significados que lhes atribuam. Percebe-se o recente traumatismo humano e social causado por um assassino louco que se dizia islâmico em Nice, mas na França da laicidade, da liberdade e da fraternidade tal é difícil de aceitar, até porque o dito traje de praia representa para as mulheres muçulmanas um enorme avanço na sua libertação da prisão secular que os costumes religiosos lhes impõem: o poderem ir à praia - protegidas do sol demasiado -; o poderem conviver com outras mulheres de outras crenças ou de crenças nenhumas é um enorme avanço. O preconceito contra o burkini ditado pelo tal trauma recente, remete as mulheres islâmicas, ou outras que o queiram usar, de novo para o cativeiro doméstico. O terrorista afinal, desta vez, ganhou. E não tenham esperanças de que o assunto possa vir a ser calmamente discutido nos tempos mais próximos. Como já Eça de Queirós escreveu no século XIX, «o árabe evita falar nas mulheres por um sentimento de extrema reserva, de pudor sensível, de delicadeza áspera. E suponho ainda que evita falar nelas, como duma grande fraqueza. Porque a mulher é realmente a grande fraqueza do árabe» (Eça de Queirós, O Egito).
Em Portugal existem minorias protegidas pela lei e pelo bom senso humanitário e culto de muitos portugueses. Mas nem sempre se espere que essas minorias retribuam essa generosidade. Como é sabido, alguns dos seus elementos tentam delas tirar proveitos indevidos em benefício próprio ou do gruo, pagos pela restante comunidade. O que não é por si só de espantar, pois além de serem, no geral, constituídas por pessoas vulgares, com todos os defeitos e virtudes da espécie humana, da condição social em que se encontram, e até de traumas reais ou imaginários que incorporaram na sua maneira de ser, essa situação dá-lhes, às vezes, alguns privilégios que o cidadão comum não tem. Não vou aqui dizer a que minorias me refiro, pois não tenho tempo nem paciência para aturar eventuais compungidos por dores alheias. Recentemente assistimos a algum sururu levantado pelas declarações de um psicólogo na televisão sobre o comportamento anti-social por parte de alguns membros de uma certa minoria, o que todos sabemos ser verdade, quantas vezes até por má experiência própria de que não fomos ressarcidos. Mas também sabemos que essa parte não é o todo nem os pode caraterizar sob risco de sermos injustos e preconceituosos, e que entre os outros cidadãos “maioritários” também há comportamentos idênticos, ou piores, que baste: veja-se a ação das hordas selvagens de certos adeptos do futebol, aliás protegidos e desculpados pelas direções das empresas milionárias que os sustentam e da “vista grossa” das autoridades.
Refletindo sobre estas questões dei por mim a pensar que se fossemos a dar crédito a  alguns cidadãos, até reunidos em associações, e que destas coisas fazem profissão ou escadaria curricular, a ópera Carmen de Georges Bizet teria de ser banida da programação do S. Carlos e de outros teatros de ópera, ou então o libreto teria de ser profundamente alterado e basear-se, não já na novela de Prosper Mérimée ou no libreto de Henri Meilhac e Ludovic Halévy mas, talvez, nos relatórios dos técnicos de inserção social do Instituto do Emprego e Segurança Social. A protagonista representa, ainda que artisticamente, muito do que de pior existe na idiossincrasia atribuída à etnia a que dizem pertencer: não se adapta ao trabalho “normal”, sempre que pode destrói a ordem estabelecida, tenta subornar a autoridade com meneios de assédio sexual, anda metida em contrabandos e fugas ao fisco, e por fim, faz do amor livre a sua bandeira. Neste aspeto, tanto o novelista como o libretista inventaram, pois na tal minoria étnica a que é suposto pertencer isso não é assim, aquela coisa do «L’amour est un oiseau rebelle…» não se lhes aplica, pois os casamentos, regra geral, são combinados pelas famílias, como aliás acontece em muitas outras “etnias”. Aqueles autores aproveitaram a onda de folclorismo andaluz, sevilhano e gaditano oitocentista que neste caso exaltou uma minoria asiática chegada à Europa ocidental no século XIV em desfavor – e desprezo, já agora – para com os mouriscos, os descendentes dos vencidos do Reino de Granada, que são o mais enraizado fundo étnico da região. Mas vá lá a gente fiar-se no bom senso e sabedoria de alguns literatos e outros que tais: inventa-se, divulga-se, aplaude-se e olé! Tem sido assim em muitos aspetos da cultura popular, cuja interpretação é sempre feita à posteriori, quando o fenómeno já está consolidado.
Ora uma das caraterísticas da civilização ocidental sempre foi transformar as diferenças em valores, pois quase sempre perseguidores e perseguidos são farinha do mesmo saco. A Carmen até tem uma estátua em Sevilha, mas creio que não foram os da sua “tribo” que a mandaram erguer.
Cá por mim, se me deixarem, vou continuar a ir ver e ouvir as óperas Carmen, a Guarani de Carlos Gomes, a Porgy and Bess de George Gershwin, e outras obras de Arte em que as diferenças humana, com todos os seus possíveis defeitos e eventuais prejuízos, sejam respeitadas e valorizadas para glória da comunidade universal. Pessoalmente não sei se quero - provavelmente não - ter uma Carmen em casa, mas pelo menos na Literatura e na Ópera não abdico da sua existência e das mais valias civilizacionais que ela me dá.
E já agora, aproveito para pedir, que em nome da civilização, da liberdade e do direito da livre escolha das cidadãs, que parem de perseguir as mulheres, muçulmanas ou outras, que queiram usar o burkini e o tal lenço muito parecido com os das nossas beiroas e alentejanas de antanho. Embora esteja convencido de que, tal como aconteceu com a mini-saia e o biquíni, será tudo uma questão de tempo e de bom senso, duas das leis mais antigas que têm protegido a espécie humana da fúria dos fundamentalistas religiosos ou laicos de todas as épocas e latitudes.

J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria Queirosiana

Revistas

Revista de Portugal

            O confrade Dr. Ricardo Hadadd ofereceu à Confraria os quatro volumes primorosamente encadernados da Revista de Portugal fundada e dirigida por Eça de Queirós e publicada no Porto entre 1889 e 1892 por Lugan & Genelioux e de que foram secretários Manuel da Silva Gaio, Luís de Magalhães e Rocha Peixoto. No ano em que se comemoram os 175 anos do nascimento de Alberto Sampaio, um dos seus mais notáveis colaboradores, esta oferta será oficialmente entregue no próximo capítulo no dia 19 de novembro e passará a integrar o espólio queirosiano da Confraria depositado no solar Condes de Resende.

Paskim


Em distribuição o número 45 da IV série do Paskim, de maio a junho de 2016, com o subtítulo “A Confraria de S. Gonçalo de Aveiro, a mais antiga, a mais ativa e a mais divertida de Portugal”, uma publicação que a brincar escreve, desenha e diz coisas muito sérias e, indiscutivelmente, muito próprias. Com a pasmaceira que vai na Universidade Sénior Celestial, nos últimos anos vários confrades inesquecíveis desta confraria “foram chamados” para animar com a sua irreverência os domínios etéreos, para desgosto nosso.

Revista de Marinha
           

          Acaba de sair o número 992 da Revista de Marinha, correspondente aos meses de julho/agosto de 2016, dedicada à Marinha de Comércio, com um destaque para a Construção e Reparação Naval. Sobre a História da Marinha Mercante inclui um artigo de J. A. Gonçalves Guimarães intitulado “A Frota Mercantil do Porto no Período Constitucional”.

Revista Douro


        No passado dia 29 de julho foi lançado na Casa Ramos Pinto no Centro Histórico de Gaia o número 04 da revista Douro, Vinho História & Património/ Wine, History and Heritage, propriedade da APHVIN/GEHVID, de que é diretor António Barros Cardoso, professor de Faculdade de Letras da Universidade do Porto e tem nos conselhos editorial e consultivo vários confrades queirosianos e outros aí publicam trabalhos de investigação, como é o caso neste número de Nuno Resende sobre “Cales: a pedra e a palavra. Propostas para uma análise do nascimento e percurso histórico de um santuário”.

Boletim dos Amigos de Gaia
            

Acaba de sair o número 82 de julho de 2016 do Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia quase inteiramente preenchido com artigos de sócios e confrades queirosianos: “Educação Cívica e Património Local (Atividade de Enriquecimento Curricular) aplicada à freguesia de Mafamude” por Eva Baptista, Fátima Teixeira e J. A. Gonçalves Guimarães; “Vulnerabilidade a sismos e incêndios no município de Vila Nova de Gaia (2ª parte) por Salvador Almeida; “Cultura e lazer operários em Mafamude, entre o final da Monarquia e o início da República (1893-1914) por Licínio Santos; “A Documentação da Câmara de V. N. de Gaia entre 1832 e2002” por Abel Barros; “ O escultor Joaquim Gonçalves da Silva (1863-1912): a propósito da escultura funerária «A Dor», no cemitério de Mafamude (1ª parte) por Susana Moncóvio.

Homenagem  a  Mário  Cláudio

            Entre 2 e 18 de setembro vai decorrer no Palácio de Cristal no Porto a Feira do Livro, a qual incluirá no seu programa uma homenagem ao escritor Mário Cláudio, que assim verá o seu nome associado a uma das centenárias árvores da Avenida das Tílias.

Palestras,  Colóquios,  Jornadas  e  Cursos

Prosseguem no Solar Condes de Resende as habituais palestras das últimas quintas-feiras do mês às 21,30 horas, sobre os mais variados temas do projeto de levantamento do Património Cultural de Gaia (PACUG) em execução pelo Gabinete de História, Arqueologia e Património dos ASCR – Confraria Queirosiana. Assim no dia de hoje, 25 de agosto, J. A. Gonçalves Guimarães falará sobre “Filantropos, benfeitores e altruístas de Vila Nova de Gaia”.
No próximo dia 16 de setembro, sexta-feira, decorrerá nas instalações do Palácio Conde de Silva Monteiro no Porto, na Comissão de Vitivinicultura da Região dos Vinhos Verdes, um colóquio inserido na programação das comemorações dos 175 anos do nascimento de Alberto Sampaio promovidas pelas Câmaras de Vila Nova de Famalicão, Guimarães e Braga. Neste colóquio sob o tema “O Vinho Verde e Alberto Sampaio” organizado pela Associação Portuguesa da História da Vinha e do Vinho, J. A. Gonçalves Guimarães falará sobre “Alberto Sampaio e a Revista de Portugal”.
Promovidas pelo Conselho da Europa e em Portugal pela Direção Geral do Património Cultural, este ano com o tema “Comunidades e Culturas”, vão decorrer no sábado, dia 24 de setembro próximo no Solar Condes de Resende as Jornadas Europeias de Cultura 2016, com uma sessão pública entre as 15 e as 19 horas em que serão apresentados os seguintes temas por investigadores do GHAP da Confraria Queirosiana: “Urbanismo e comunidades” por Eduardo Vítor Rodrigues; “Elementos identificadores da comunidade gaiense”, por J. A. Gonçalves Guimarães; “Comunidades e culturas pré-romanas do Baixo Douro”, por António Manuel Silva; “Comunidades gaienses nos reinados de D. Dinis e D. Afonso IV” por Paulo Costa; “Grupos populares de teatro em Vila Nova de Gaia”, por José Vaz; “O Club de Gaia e as Creches de Santa Marinha. Diferentes credos, diferentes hinos, a mesma identidade”, por Eva Baptista; “A comunidade operária da Companhia de Fiação de Crestuma”, por Fátima Teixeira; “O bairro habitacional dos trabalhadores ferroviários em Vila Nova de Gaia a (re)construção da memória de uma comunidade através da história oral”, por Joana Ribeiro.
A partir de 15 de outubro próximo, o Solar Condes de Resende e a Academia Eça de Queirós, grupo de trabalho profissional dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, em colaboração com outras entidades, tendo em conta que a História Naval da região é pouco conhecida do público em geral, dos docentes e dos alunos dos vários graus de ensino, e que em 2019 se comemoram os 500 anos da primeira circum-navegação empreendida por Fernão de Magalhães, um navegador nascido nesta região, vão realizar um curso livre sobre História Naval do Noroeste de Portugal. Este é o 23º dos cursos organizados pelo Solar nas mais diversas áreas, sempre com temas inovadores. Desta vez serão apresentadas por professores e investigadores profissionais com grande capacidade de comunicação, e que ao seu estudo se têm devotado nos últimos anos, as mais recentes novidades sobre esta quase desconhecida história, quando as atividades marítimas e fluviais recrudescem todos os dias em importância económica e social.
Serão conferencistas: Álvaro Garrido, Amândio Barros, Amélia Polónia, César da Fonseca Veloso, Eduardo Vitor Rodrigues, Hugo Barros, J. A. Gonçalves Guimarães, Jorge Fernandes Alves, Luís Manuel de Araújo, Luís Miguel Duarte, Rui Morais, Teresa Soeiro,
Destinado ao público em geral, mas em particular àqueles que têm tradições familiares marinheiras ou que se dedicam às atividades navais, é também particularmente interessante para professores e estudantes das áreas de História, Arqueologia, Património, Sociologia, Comunicação Social e Turismo, bem assim como para os interventores nas áreas da Construção Naval, Pesca, Marinharia, Atividades subaquáticas, Transportes Marítimos e Museologia.
O curso decorrerá ao longo de 13 sessões, aos sábados à tarde no Solar Condes de Resende, entre as 15 e as 17 horas, ao ritmo de duas por mês. O programa definitivo poderá ser visto em confrariaqueirosiana.blogspot.com
A todos os participantes será entregue no final do Curso um certificado de frequência e um CD com os textos dos professores sobre a matéria dada.

Feira  de  Gastronomia  de  Vila  do  Conde

 Dedicada à Cozinha Portuguesa e às comemorações dos 500 anos do Foral manuelino, abriu ao público no passado dia 19 de agosto a 18ª Feira de Gastronomia de Vila do Conde, na terra onde Eça de Queirós foi batizado. A inauguração foi feita pela presidente da edilidade e vereação, com a presença de muitas confrarias gastronómicas e enófilas, entre elas a Confraria Queirosiana representada pelos membros dos corpos gerentes J. A. Gonçalves Guimarães e César Oliveira, os investigadores do GHAP Fátima Teixeira, Licínio Santos e outros confrades como António Pinto, canteiro ornatista e Ricardo Haddad, proprietário do Hotel Lawrence em Sintra, cada vez mais queirosiano.
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Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 94 – quinta-feira, 25 de agosto de 2016; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; Cte. n.º 506285685 ; NIB: 001800005536505900154 ; 
IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com;
 coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.


sexta-feira, 22 de julho de 2016

Eça & Outras

Eça & Outras, segunda-feira, 25 de julho de 2016

 “A emigração como força civilizadora”
António Aresta, autor de diversos estudos sobre a história macaense, acaba de publicar na Revista de Cultura editada pelo Instituto Cultural de Macau, n.º 52 referente a 2016, uma nova abordagem sobre “Eça de Queiroz e a emigração chinesa de Macau”, assunto esse que tem vindo a merecer a atenção de um cada vez maior número de investigadores que, para além de disponibilizarem cada vez mais e mais cuidada informação sobre a debandada forçada de milhões de chineses para fora da sua terra natal motivada pelos interesses imperialistas de ingleses, franceses, alemães, estadunidenses e japoneses que no século XIX puseram a China a ferro e fogo, os quais também estranham o facto de Eça de Queirós, que humanamente exorbitou das suas funções como cônsul funcionário público para proteger os culies chineses em Havana contra o esclavagismo dos fazendeiros espanhóis de Cuba, ainda não tenha sido reconhecido como um dos benfeitores da Humanidade pelas instancias internacionais precisamente pela sua ação na defesa ativa dos milhares de refugiados/ emigrados/ escravizados chineses que ali chegavam. Sabendo ele do seu embarque em Macau e dando aplicação efetiva à legislação oficial ali publicada, que entendia não ser só “para inglês ver”, registou todos os emigrantes com aquela proveniência no seu consulado e deu-lhes um visto, o que teoricamente transformava em cidadãos portugueses estes refugiados de uma guerra que não pediram nem queriam, mas que foi feita em nome do “progresso” e dos “supremos valores da civilização ocidental”. Não, caro leitor, não estou a falar das guerras da Europa, da Palestina, do Vietname, do Afeganistão, dos Balcãs, da Ucrânia, do Iraque e da Síria, entre outras, e dos seus milhões de refugiados, mas apenas a lembrar-lhe que os governantes que tem elegido democraticamente nos últimos cento e cinquenta anos não têm aprendido nada com a História. E afinal, você que os elege, também não!
E já que falamos em escravatura, perante algumas ideias e organizações simplistas, ou mesmo mistificadoras, que por aí andam, lembremos que essa abjeção humana não tem cor de pele nem crença religiosa que lhe valha. Também houve escravos brancos ao longo das épocas – nem vale a pena aqui lembrar a origem da palavra escravo, do baixo latim sclavus/slavus, em alemão der Sklave, em inglês slave, muito parecida com a palavra eslavo, do latim slavi, no alemão der Slave, no inglês slav. A libertação de escravos brancos, «o resgate de cativos tornar-se-á num dos maiores negócios especializados do Mediterrâneo medieval e moderno» (DUARTE, Luís Miguel (2012) – Ceuta 1415. Seiscentos anos depois. Lisboa: Livros Horizonte, p. 218), o qual só terminaria na I Grande Guerra devido à intensa militarização europeia do norte de África. Por sua vez, se é certo que foram as nações coloniais europeias que mais ganharam com a escravatura africana, as que iam comprar seres humanos aos portos de mar, convém não esquecer que grande parte deles eram capturados por africanos, quantas vezes da mesma etnia, em guerras tribais ou razias organizadas para tal, e depois vendidos na costa. Ou seja, a perfídia não era exclusiva dos “brancos”, mas nascia “ em casa”. Os povos “vermelhos” do Brasil e América do Sul e Central, logo após a chegada dos cristãos europeus, entraram em “resistência pacífica” – como no século XX faria Gandhi na Índia – e por isso preferiam suicidar-se a serem escravizados. Tiveram também um indefetível defensor português da sua condição de liberdade que por pouco não foi sentenciado pela “Santa Inquisição”, o humanista e homem maior da Humanidade chamado Padre António Vieira. Na América do Norte os “vermelhos” foram sistematicamente eliminados pelos colonos protestantes europeus, autores de verdadeiros genocídios sobre os indígenas norte-americanos. Hoje os E. U. A. têm um presidente humanista afro-havaiano – e a história de como os estadunidenses se apoderaram do Havai não é nenhum feito de glória, mas de vergonha, o que poderá explicar o ataque japonês a Pearl Harbor em 1941, que a propaganda estadunidense sempre apresenta como um ataque à traição, mas nunca explica como é que os “americanos” lá foram parar e o que estavam a fazer num território alheio no meio do Pacífico, com soberania própria antes da perfídia colonial dos yankees. Obama é um homem que transporta consigo muita da memória do sofrimento humano de África e do Novo Mundo, mas também da esperança da Humanidade. O seu provável sucessor poderá vir a ser um símbolo assumido de tudo aquilo que de mentecapto existe na sociedade americana e ocidental. A sua vitória implicaria um enorme retrocesso, pelo menos cultural, para a Humanidade. Hitler também foi democraticamente eleito pelo povo alemão, e deu o que deu. Isto para dizer que, do politicamente popular até ao politicamente correto, dificilmente algum dia veremos nos E. U. A. um presidente Cherokee, Sioux, Comanche ou Apache, o mesmo acontecendo no Canadá, onde os descendentes dos colonos ingleses ainda mantêm a bizarria de terem aquela fleumática velhota que é a rainha de Inglaterra como chefe de estado. Ele há coisas que a razão não entende ou vai demorar séculos a alterar.
            Escravos chineses, ou asiáticos, têm demorado a ser considerados na triste história da escravatura, não apenas por causa do conhecimento dos seus pressupostos civilizacionais estribados no confucionismo, no taoismo ou no budismo, mas porque eles foram, em termos globais, os “últimos a chegar”, numa época em que já era suposto que a Humanidade tivesse vergonha do fenómeno. Por isso os diversos autores lhes chamam “emigrantes asiáticos”, culies, chinas, ou outras designações injuriosas ou sofismáticas. Foram tão escravos como os brancos cativos, os negros capturados ou os vermelhos abatidos, seres humanos a quem alguém entendeu em nome do costume, da religião oficial, da lei do estado ou simplesmente da ganhuça, privar da sua terra e da família, dos meios de subsistência próprios e da condução do seu destino. Afinal é isso a escravatura.
            Já em 2012 tentei perceber o fascínio de Eça de Queirós pela civilização chinesa em “ A representação dos chineses na obra de Eça de Queirós” (GUIMARÃES, J. A. Gonçalves, Revista de Estudos Chineses Zhongguo Yanjiu, Lisboa: Instituto Português de Sinologia, n.º 8, 2012, p. 59-74. Nesse mesmo ano Elina Maria Correia Batista apresentou na Universidade da Madeira a tese de doutoramento “Da emigração entre continentes em Eça de Queiroz: da correspondência consular à obra literária”, onde analisa a emigração dos culies no enquadramento mais geral do “sonho americano”, que igualmente atraiu muitos portugueses insulares e continentais, depois dos anos da “escravatura branca” para o Brasil imperial e republicano.
            Este artigo que agora consideramos dá particular relevância à posição das autoridades de Macau à época, apresentando uma listagem das embarcações que transportaram do porto de Macau para Havana, Calláo de Lima e outros destinos americanos os milhares de escravos chineses perante a indiferença internacional apenas amenizada no caso de Cuba pelo cônsul Eça de Queirós que nem sequer tinha sangue asiático nem era confucionista. Era apenas «um pobre homem da Póvoa de Varzim» e isso lhe bastava para o seu sentido de solidariedade para com as vítimas daquela gritante exploração a que não quis nem pode ficar intelectual, burocrática e humanamente indiferente.
            Terminemos com uma boa notícia: o atual Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Dr. José Luís Carneiro, está a providenciar uma nova edição do notável relatório de Eça de Queirós escrito em 1874 e publicado pela primeira vez em 1979 por Raúl Rego sob o título “A Emigração como força civilizadora” e depois em duas outras edições promovidas por José Lello e Isabel Pires de Lima em 2000 e 2001, que rapidamente esgotaram. Aí escreveu Eça: «Estudadas as feições da emigração livre, a história dos seus movimentos, as suas causas, as suas consequências económicas, as suas relações com o Estado e a possibilidade da sua organização universal, discutida a emigração assalariada nas suas correntes e nos seus resultados sociais, eu julgo terminado este trabalho que é a afirmação, e direi mesmo a apologia, da emigração como força civilizadora». Valeria a pena traduzi-lo para inglês e difundi-lo pelos fóruns mundiais, pois a Humanidade teria muito a ganhar com as reflexões que este texto de Eça viesse a provocar na atual classe política. Talvez também provocasse a ira de um certo senhor que os estadunidenses se preparam para eleger como seu presidente. E o problema não será só deles, mas do mundo inteiro. Já nos chegava Putin e a sua sociedade dopada.

J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria Queirosiana

Biblioteca Queirosiana
        
A Confraria Queirosiana foi brindada com a oferta de uma parte muito substancial da Queirosiana do confrade Eng.º Ricardo Charters de Azevedo, composta por muitos títulos antigos, edições clássicas, primeiras edições e raridades bibliográficas, que assim vem enriquecer os seus núcleos bibliográficos de ofertas e depósitos anteriores, como os de Manuel Alves Luís, Prof. José Rentes de Carvalho, Dr.ª Júlia de Castro, Dr. Raúl Ferreira da Silva e Rocha Artes Gráficas, além de doações avulsas por vários sócios. A entrega oficial será feita no próximo capítulo, dia 19 de novembro, havendo notícias de que se preparam outras doações. Estas obras, devidamente catalogadas e referenciadas em nome dos doadores, ficarão no Solar Condes de Resende para consulta dos interessados.

Mestrado
        
Mestre Paulo Sousa Costa


No passado dia 13 de julho prestou provas públicas de dissertação de mestrado na Faculdade de Letras da Universidade do Porto o Dr. Paulo Sousa Costa sobre o tema “Alfândega da Fé de Sobre a Valariça: o domínio senhorial ao senhorio régio (séculos XII – XIV), tendo sido seu orientador o Prof. Doutor José Augusto de Sottmayor-Pizarro. Foi aprovado por unanimidade com distinção e com a classificação de 19 valores, passando pois a Mestre em História – Estudos Medievais.


Livros

A Igreja e Escola do Prado
       

Coordenado por António Manuel S. P. Silva e com textos seus, de José António Afonso e de Alexandra Vidal, foi recentemente publicada a brochura “A Igreja e Escola do Prado. Cento e quinze anos de instrução e testemunho cristão em Coimbrões, Vila Nova de Gaia”, editada pela Igreja Lusitana, a qual faz a memória e a história desta congregação irmã da Igreja e Escola do Torne, ambas fundadas por Diogo Cassels e ambas referência incontornável na História da Educação em Portugal.



Misericórdia do Porto
           
No passado dia 30 de junho foi lançado no Museu da Misericórdia do Porto o volume das Atas do III Congresso de História da Santa Casa da Misericórdia do Porto, subordinado ao tema Saúde, Ciência, Património, o qual decorreu na Casa da Prelada no Porto entre 13 e 15 de novembro de 2014. Na sequência das atas dos dois congressos anteriores este volume apresenta o mesmo bom aspeto gráfico e contém, entre outros, os estudos de Francisco Ribeiro da Silva, mesário da SCMP e coordenador do volume, também aqui autor das “Palavras de abertura do III Congresso” (p. 11-13) e de “ A proclamação da República e as imediatas tentativas de interferência do Estado na administração da Santa Casa da Misericórdia do Porto” (p. 515-540); Jorge Fernandes Alves “O legado do Conde de Ferreira e o Hospital de Alienados na reconfiguração da filantropia tradicional”; J. A. Gonçalves Guimarães e Susana Guimarães “José Pamplona Carneiro Rangel (1805-1811) e Manuel Pamplona Carneiro Rangel (1824), Provedores da Santa Casa da Misericórdia do Porto” (401 – 416).

Os Caminhos da Europa


No passado dia 4 de julho as Edições Afrontamento, com a presença do Autor, lançaram no Museu da Misericórdia do Porto o livro “Os Caminhos da Europa. Dez anos no Comité das Regiões 2006 – 2015”, o qual foi apresentado por Margarida Marques e José da Silva Peneda. O conteúdo está assim resumido na contracapa:
«Durante dez anos, de 2006 a 2015, no quadro do comité das Regiões da UE, o autor teve, a oportunidade de participar no debate político europeu sobre o melhor modo de conceber e aplicar as políticas públicas. O presente livro apresenta precisamente alguns dos textos que nesse período escreveu e algumas das intervenções e contributos que nesse âmbito protagonizou e ilustra o modo como a União Europeia e os seus Estados-membros foram capazes de edificar um conceito de desenvolvimento profundamente integrado e inovador - inteligente, sustentável, inclusivo - mesmo no quadro de um modelo mais territorializado de governação - governo multinível -, mas, ao mesmo tempo, a insuficiência do processo decisório europeu, quer no plano económico, quer no plano político.»

O Porto Romântico II


Acabam de ser publicadas em edição digital as Actas do II Congresso “O Porto Romântico”, publicadas pela Universidade Católica do Porto e coordenadas por Gonçalo de Vasconcelos e Sousa, que assina a Introdução. De entre os muitos conferencistas que aqui publicaram trabalhos destaquemos os de Susana Móncóvio sobre “Christina Amélia Machado (1860 – 1884): a primeira aluna da Academia portuense de Belas Artes ou a prefiguração de um destino coletivo”; de Teresa Campos dos Santos (com Eva Mesquita Cordeiro) “Irmandade de Nossa Senhora da Lapa: uma leitura do seu espólio museológico”; e de Laura Cristina Peixoto de Sousa “Faiança do Romantismo: a produção da Fábrica de Santo António de Vale da Piedade”. De entre os restantes autores alguns deles são também coordenadores e investigadores no projeto de levantamento do Património Cultural de Gaia em execução pelo Gabinete de História, Arqueologia e Património da Confraria Queirosiana, patrocinado pela Câmara Municipal de Vila nova de Gaia.

O Cavalo e o Touro
            Acabam de ser editadas em versão digital as Atas do 1º Congresso Internacional – o cavalo e o touro na Pré-história e na História, organizado pelo Centro Português de Geo-História e Pré-história, coordenadas por Fernando Augusto Coimbra e editadas por Cordero Editore, Génova. Nestas Atas podemos encontrar, entre outros, os seguintes trabalhos: ARAÚJO, Luís Manuel de, «O cavalo no Egito Faraónico: uma civilizadora semiótica do poder»; «KA NAKHT, “Touro Poderoso”: um expressivo título da realeza egípcia»; COIMBRA, Fernando Augusto, «O cavalo como animal psicopompo na Europa do 1º milénio a. C.»; «Homem versus touro: contributo para a história de um confronto»; COIMBRA & ILIADIS, Giorgos, «A possible horse hunting scene in the rock art from Philippi (Greece)»; COIMBRA & SOUSA, Rosário «30.000 anos de História do Cavalo: sua divulgação através da pintura contemporânea»; GUIMARÃES, J. A. Gonçalves & GUIMARÃES, Susana, «Aprestos e representações equestres da Coleção Marciano Azuaga».

Auxílio aos Reclusos
         A maior parte das pessoas, ainda que de formação cristã, ignora, ou não quer saber, que visitar os presos é uma das 14 obras de misericórdia, a 6ª das corporais. Para os cidadãos humanistas sem religião tal é simplesmente um gesto de solidariedade para com os seus concidadãos detidos pela comunidade, quantas vezes injustiçados se compararmos as suas culpas com as de outros que continuam em liberdade e a quem essa mesma comunidade disponibiliza justificações e meios para se entenderem com o sistema judicial. Grandes homens e grandes mulheres, com e sem culpa, foram reclusos ao longo da História da Humanidade. A Obra Vicentina de Auxílio aos Reclusos (O.V.A.R.), de que é presidente o nosso confrade Eng.º Manuel Hipólito Almeida dos Santos, disponibiliza a página na internet http://ovarprisoes.wix.com/ovar e a página no facebook https://www.facebook.com/ovarprisoes/ para a obtenção de informação sobre a realidade prisional.

Palestras, colóquios e conferências
         O Património Construído de Gaia: proposta de sistematização e de estudo – Conferência apresentada no dia 30 de junho (noite de S. Futebol!) no Solar Condes de Resende pelo Prof. Doutor Nuno Resende, docente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e coordenador do PACUG (Projeto de Levantamento do Património Cultural de Gaia) em execução pelo GHAP dos ASCR-CQ, com o patrocínio da Câmara Municipal de Gaia.
            Roteiros de Inovação PedagógicaNo passado dia 16 de julho decorreu em Lisboa, na Escola Oficina n.º 1 no Largo da Graça, a 1ª Reunião Plenária do Projeto INOVAR – Roteiro de Inovação Pedagógica sobre “Experiências de Referência em Portugal no século XX”, financiado pela FCT, o qual reuniu investigadores de diversas universidades portuguesas, entre os quais José António Afonso e Eva Baptista, que ali apresentaram os seus projetos de investigação nesta área.
            Instituições de Assistência em Vila Nova de Gaia ao longo dos tempos. A propósito dos 40 anos da Cercigaia ao serviço da criança, da família e da sociedade – Palestra proferida por J. A. Gonçalves Guimarães nas comemorações que decorreram na Escola Secundária Inês de Castro no dia 23 de julho.
            Pontes sobre o Rio Douro. Abraços e beijos entre Gaia, Porto e Gondomar – Palestra do ciclo das últimas quintas-feiras do mês no Solar Condes de Resende, a proferir por J. A. Gonçalves Guimarães no dia 28 de julho, coordenador-geral do PACUG.

Medalhas de mérito municipal

João Nicolau de Almeida e Paulo Talhadas dos Santos com J. A. Gonçalves Guimarães
No passado dia 28 de junho no dia do Município em cerimónia no Auditório Municipal, a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia distinguiu com medalhas de mérito municipal vários cidadãos e instituições, alguns dos quais sócios dos ASCR - Confraria Queirosiana, nomeadamente, com a medalha de mérito profissional, o enólogo Doutor João Rosas Nicolau de Almeida, criador do vinho Duas Quintas e de outros vinhos do Douro, ex-administrador da Casa Ramos Pinto e atualmente da Quinta Monte do Xisto em Vila Nova de Foz Côa, mentor dos museus de Sítio da Quinta da Ervamoira no Vale do Côa e do da Casa Ramos Pinto em Vila Nova de Gaia, e também, com medalha de mérito universal o Prof. Doutor Paulo José Talhadas dos Santos, biólogo, professor da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, fundador do FAPAS, autor e coordenador de diversos livros e manuais sobre temas da Natureza e coordenador dos estudantes de Biologia das semanas de estudos especializados que se realizaram entre 1996 e 2004 organizadas pelo Gabinete de História e Arqueologia de Vila Nova de Gaia no Museu de Ervamoira, bem assim como autor do estudo de biologia do projeto de São Salvador do Mundo, São João da Pesqueira, levado a cabo pelo mesmo Gabinete, já então integrado na Confraria Queirosiana, o que proporcionou um inesperado encontro dos dois galardoados com o coordenador de ambos os projetos.
Foi também galardoado com a medalha de valor e altruísmo o Doutor Eng.º Salvador Almeida, ex-comandante dos Bombeiros Sapadores de Vila Nova de Gaia.

Centro Interpretativo de Tongobriga

No passado dia 22 de julho, pelas 17,30 horas, com a presença do ministro da Cultura, Dr. Luís Filipe Castro Mendes, do diretor regional da Cultura do Norte, Dr. António Ponte, do presidente da Camara Municipal do Marco de Canavezes, Dr. Manuel Moreira, do diretor da Estação Arqueológica do Freixo, Prof. Doutor Lino Tavares Dias e de muitos convidados foi inaugurado o Centro Interpretativo de Tongobriga, que passará a colher os visitantes desta cidade romana do Baixo Douro.
Entretanto foi recentemente publicado o guia ilustrado intitulado “Tongobriga há 1900 anos - Mapa”, coordenado por António Lima que elucida de forma rigorosa e artística o enquadramento e significado as ruínas.

Vivências de Gaia 2016

         Nos dias 22, 23 e 24 esteve aberto ao público no Monte Murado – Pedroso, Vila Nova de Gaia a VI Feira dos Saberes e Sabores – Vivências de Gaia 2016, com programa de animação contínua, gastronomia, jogos tradicionais e artesanato, organizada pela federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia, de que é presidente César Oliveira.
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Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 93 – segunda-feira, 25 de julho de 2016; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; Cte. n.º 506285685 ; NIB: 001800005536505900154 ; 
IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: António Manuel S. P. Silva, Fernando Coimbra, Manuel Hipólito Almeida dos Santos, Paulo Costa, Susana Moncóvio.



sábado, 25 de junho de 2016

Eça & Outras

«Hontem e hoje»

            Celebra-se este ano o 175º aniversário do nascimento de Alberto Sampaio, autor de «O Norte Marítimo: notas para uma história» (1890); «Ontem e hoje» (1892) e «As Villas do Norte de Portugal» (1892), todos estes textos publicados na Revista de Portugal de Eça de Queirós, depois revistos muitas vezes pelo autor à procura da máxima exatidão fatual e da coerência do discurso até à perfeição possível, republicando-os na Revista de Guimarães, na Revista de Ciências Naturais e Sociais e na Portugália, reunidos enfim por Luís de Magalhães nos Estudos Históricos e Económicos em 1923, reeditados em 1979, e mais recentemente nas Obras, em 2008, onde os podemos encontrar e voltar a ler.
            Alberto Sampaio pertence àquela geração de inquietos do século XIX, o grupo de jovens estudantes mais interrogador que jamais houve em Portugal, os quais puseram em causa o ensino obsoleto da lenta sebenta de Coimbra e relançaram a cultura portuguesa para horizontes até então nunca atingidos entre nós nas ciências da natureza, nas ditas exatas ou nas humanas, na Literatura, na Filosofia e nas Artes. É certo que os movia a vontade de acompanharem o progresso que chegava lá de fora a um Portugal então camiliano, ou mesmo castilhiano, chaguiano e ortigoniano e outros que se lhes seguiram até aos dias de hoje, com a luzinha do talento alimentada pela candeia provinciana. Alberto Sampaio e Antero de Quental foram aos Estados Unidos ver o mundo novo e Eça também, a desenjoarem dos milagres de Ourique, enquanto a chegada do darwinismo dava ocasião para duelos à espada. É a geração coimbrã de Adriano de Paiva, o criador do princípio da transmissão de imagens à distância que depois se chamaria televisão, e de muitos outros que se interrogavam sobre tudo o que até aí era tido como certo e inalterável na política, na economia, na religião, na história, no pensamento, na cultura, dando conta dessas interrogações em conferências, relatórios, jornais e revistas, criação de instituições, escrevendo romances como A Relíquia, publicando banda desenhada como a de Rafael Bordalo Pinheiro, divulgando os benefícios da pasteurização e da agronomia, tudo na grande esperança de que o povo, através da escola, “chegasse lá”. Esta geração tinha a clara ideia de que não havia um país para privilegiados e eruditos e um outro para os analfabetos ou os precariamente letrados e que haveria que conciliar o fim das fomes do corpo com as seculares fomes do espírito, das urbanas viagens do comboio com as efémeras felicidades campestres. Esta geração adivinhou mundos a haver porque se interrogava permanentemente e desconfiava das respostas imediatas, sabendo que “a luz” poderia demorar, e que, quando viesse, não vinha para ficar, podendo mesmo tratar-se de encandeamentos temporários, tão enganadores como os existentes, e que só a interrogação permanente era caminho a percorrer na luta constante contra a nacional pasmaceira. No que à História pátria dizia respeito, se já então se ouvia o bronzino sino de Herculano sobre os alvores da nacionalidade, as interrogações sobre o entre-tempo desde as ruínas castrejas de Martins Sarmento até ao das reconquistas aos mouros, compostelanos e leoneses era nesses dias solitariamente percorrido por Alberto Sampaio, que percebera que Portugal era o resultado de uma lenta evolução organizativa de populações camponesas e marinheiras litorâneas contra o norte asturo-galego, o leste leonês e o sul muçulmano, ajudadas pelos cavaleiros moçárabes de Lamego e Coimbra e pela autoridade religiosa da Bracara Augusta contra a Compostela feudal, e não o fiat lux de elites predadoras.
            E no entanto esta geração de interrogadores era humilde perante a ciência: «a chamada ”Luz da Ciência”, a cada instante mais viva e mais alta, só nos serve, por isso mesmo que a aumenta em altura e brilho, para nos mostrar quanto é infinita e inacessível, em redor, a tremenda treva metafísica. A ciência realmente só tem alcançado tornar mais intensa e forte uma certeza – a velha certeza socrática da nossa irreparável ignorância. De cada vez sabemos mais – que não sabemos nada» (Eça de Queirós, Notas Contemporâneas).
Esta humildade dos que procuravam a possível verdade das coisas, além de não ter tido continuidade, tem sido nos nossos dias despudoradamente aproveitada por novos bonzos de templos de velhas divindades travestidas, armados em messias universais ou pandilheiros de atividades ditas culturais para entreter reformados que não sabem o que fazer ao tempo livre e remunerado que a atual sociedade lhes proporciona. Daí à indústria da mitomania vai apenas um pequeno passo, que os turismos organizados em instituições acolhem, acalentam e promovem através de novos conselheiros acácios, os opinion makers que a geração dos anos sessenta e setenta do século XIX ridicularizou e depôs, pelos vistos temporariamente, no tapete das inutilidades. Mas ei-los, que aí os temos de novo, ferozes e maléficos nas suas tiradas e nas suas ações, sacudindo no bolso das calças o ódiozinho de estimação por tudo quanto cheire a livre pensamento. Para tal tentar esconjurar, vou propor que a atual Revista de Portugal volte a publicar o texto «Ontem e hoje» de Alberto Sampaio, uma das mais notáveis sínteses de análise sobre a História pátria e a maneira de ser dos portugueses que jamais li, entretanto, sem o prever, emoldurada pelo experimentalismo dos acontecimentos de mais de um século, o que alguns negam como possibilidade às ciências humanas: o texto foi inicialmente publicado em 1892 e o autor não podia saber o que desde então para cá se ia passar. Mas acertou em cheio: continuamos a ser e a agir como ele anotou até aí nesse seu texto. Mas creio que, tal como outros pensadores do seu tempo, também o autor de Vila Nova de Famalicão teria preferido ter-se enganado e concluído que desde o 31 de janeiro, o 25 de abril, o 13 de maio, o 10 de junho, o 5 de outubro, além de outros feriados religiosos de data hesitante que poucos sabem o que pretendem significar, já somos muito melhores na nossa vida pessoal e coletiva. Afinal é lícito ter ilusões.
Não direi, como o miúdo esperto da fábula, que “o rei vai nu”. Perguntarei apenas aos poucos preocupados com estas coisas que ainda falam comigo se acham que essa gente, os batedores de palmas e abanadores de circunspetas cabeças, se interrogam? Se põem questões? Se usam a dúvida metódica sobre o que lhes é dado como manifestações da verdade e do saber? Se vão à forja da vida temperar as suas certezas?
Não, não creio. Nem precisam. Afirmem eles, alto e bom som, que acreditam em meia dúzia de “verdades feitas”, não as contestem, não as interroguem, nem a bondade dos seus promotores: vão a pé pelos antigos caminhos romanos e chamem-lhes de S. Tiago, imaginando no passado inexistentes multidões com liberdade, tempo e subsídio de férias para os percorrer; continuem a afirmar que D. Afonso Henriques nasceu no berço onde a mãe não cabia; que o Infante D. Henrique mandou aviar uns pratos de tripas com o feijão e as especiarias que só estariam disponíveis entre nós séculos depois; venerem o galo de Barcelos, a padeira de Aljubarrota ou a santinha de qualquer ladeira ou azinhal; que Fernão de Magalhães nasceu em Sabrosa numa adega cooperativa; que umas certas “aparições” foram as únicas e verdadeiras que jamais aconteceram neste abençoado país; vão visitar o destruído muro da Europa reerguido na Terra Santa, tenham uma fé infinita nas virtudes do futebol e nos angélicos dirigentes das empresas desportivas, na seriedade dos banqueiros, na eficiência dos juízes, na bondade do povo e seus eleitos, entre muitas outras “certezas”, e o mundo continuará a girar, não apenas para cumprir a lei da atração universal, como seria de esperar desde Copérnico e Galileu, mas também para proveito e prestígio próprios destes cidadãos de sucesso.
Meu caro Alberto Sampaio, que juventude ainda para aí vai nos teus 175 anos! Continuo tão embasbacado com a nossa realidade de portugueses como tu o estiveste. Mas graças a um qualquer anterior acordo ortográfico que já nenhum “conselheiro” contesta, suponho que a principal diferença entre nós é que eu já não escrevo ontem com h. Como vês, já houve progressos!

J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria Queirosiana

O Mandarim no Teatro

Em 2008 José Leitão, ator e encenador publicou as suas adaptações ao teatro de duas obras de Eça de Queirós, respetivamente “Não matem o mandarim”, com prefácio de António Coimbra Martins, e “Que relíquia”, com prefácio de Carlos Reis, publicadas num volume editado pela Câmara Municipal da Maia. Mais recentemente, no passado mês de maio, esteve em cena entre os dias 9 e 19 no Teatro Nacional São João no Porto a peça de teatro “Nunca mates o mandarim”, adaptação de Rui Pina Coelho encenada por Gonçalo Amorim para o Teatro Experimental do Porto (para quem já anteriormente tinha encenado uma versão de Os Maias), integrada também no programa do FITEI. Continua assim a ter uma leitura perfeitamente atual a novela que Eça escreveu como vingança intelectual contra aqueles que, apoiados no status quo internacional vigente e bem pensante da segunda metade do século XIX, ganhavam dinheiro com os escravos chineses criados pela guerra imperialista a que as potências ocidentais (EUA, Inglaterra, França, Alemanha) submeteram a China, muitos deles enviados para a Cuba espanhola da cana do açúcar. Eça, que poderia ter ficado rico para o resto da vida bastando para tal “fechar os olhos”, em 1873 preferiu desafiar a ira dos fazendeiros coloniais e do governo espanhol e outros, passando a dar um “visto” consular a todos os colies chegados a Havana, com o argumento de que, se vinham de Macau, eram portugueses, melhorando assim as perspetivas de vida de milhares de desesperados refugiados que passaram assim a estar registados legalmente e com alguma teórica proteção internacional, uma ação que só teria paralelo mais de sessenta anos depois com Aristides de Sousa Mendes um outro cônsul português que salvou milhares de refugiados na França colaboracionista de Pétain.

Livros e Revistas

Leite e Laticínios. A Confraria Nacional do Leite acaba de publicar o livro “Leite e Lacticínios em Portugal. Digressões históricas” coordenado por Jorge Fernandes Alves, historiador e professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, que assina o capítulo «I – A fileira do leite em perspetiva histórica», a que se segue «II. Testemunhos vividos» sobre o leite e os lacticínios nos Açores e a produção do leite em Portugal Continental por L. H. Sequeira de Medeiros e João Cotta Dias, médicos veterinários. Ainda um anexo final «III. Confraria Nacional do Leite» sobre a instituição e os confrades. Está assim esta instituição de parabéns pela edição desta útil, elucidativa, bem documentada e abrangente obra sobre um universo que nos é, quantas vezes, tão familiar quanto desconhecido, escrita por três profissionais de reconhecido mérito nas respetivas áreas, desde a vertente histórica até aos aspetos técnicos e sanitários da produção deste alimento.

Numismática. Acaba de ser disponibilizado gratuitamente on line pela Universidade do Algarve e o Campo Arqueológico de Mértola a obra “Numismas da Horta da Misericórdia (Faro): Catálogo Geral”, da autoria do arqueólogo Marco Paulo Ferreira Valente, o qual pretende «colmatar algumas lacunas relativamente ao que os estudos da numismática têm sido votados nas últimas décadas – salvo honrosas exceções … os hiatos cronológicos e os estudos, quer de casos específicos, como de áreas mais abrangentes do ponto de vista espacial, estão em larga escala por ser efetuados». Esta obra passará com certeza a ser uma referência nesta área.



As Artes entre as Letras. No passado dia 18 de junho decorreu no Teatro do Campo Alegre no Porto a sessão comemorativa do 7º aniversário deste jornal cultural dirigido por Nassalete Miranda, cujo n.º 172 foi inteiramente dedicado à Sétima Arte, com editorial da diretora e a habitual crónica de Guilherme de Oliveira Martins, magníficos retratos de Manuel de Oliveira e de Raúl Brandão por Hélder de Carvalho, além de vária outra colaboração. Este jornal publica mensalmente a página Eça & Outras da responsabilidade da Confraria Queirosiana.

Confrarias e Gastronomia Portuguesa. No próximo dia 5 de julho decorre no Museu Nacional de Etnologia em Lisboa o lançamento do livro “A minha viagem por Portugal”, editado pelo Casino Figueira, da autoria de Olga Cavaleiro, presidente da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, o qual compactou num só volume os artigos que a autora publicou em 2015 na revista Tabu do semanário Sol sobre muitas das confrarias portuguesas e os produtos e práticas alimentares que promovem, entre as quais a Confraria Queirosiana, que tem vindo a divulgar em Portugal e Brasil a obra queirosiana sobre estas incidências e os mais recentes estudos sobre estes temas.


Congressos, colóquios, conferências, palestras  e visitas guiadas

Construção naval. Decorreu nos passados dias 23 a 25 de maio em Vila do Conde o Congresso Internacional Construção Naval. Arte, Técnica e Património, organizado pela Câmara Municipal, no qual apresentaram comunicações vários especialistas que serão professores no curso sobre História Naval do Noroeste de Portugal, organizado pela Academia Eça de Queirós e que decorrerá no Solar Condes de Resende (Almirantes de Portugal) a partir de outubro próximo, nomeadamente Amélia Polónia (UP/CITCEM), Hugo Bastos (Douro Azul) e Amândio Barros (IPP/CITCEM).

Alunos do mestrado em História Contemporânea da FLUP na CFC
Companhia de Fiação de Crestuma. No passado dia 27 de maio os alunos do mestrado em História Contemporânea da Faculdade de Letras da Universidade do Porto dirigidos pelo professor Jorge Fernandes Alves realizaram uma visita de estudo à recuperação das instalações da centenária Companhia de Fiação de Crestuma, em Lever, objeto da dissertação de mestrado da investigadora Maria de Fátima Teixeira, tendo sido recebidos pelo seu proprietário, Dr. Ricardo Haddad. Em seguida visitaram o Castelo de Crestuma que tem vindo a ser estudado pelo Gabinete de História, Arqueologia e Património da Confraria Queirosiana.

Egiptologia. Luís Manuel de Araújo, egiptólogo e professor na Universidade de Lisboa tem proferido diversas palestras e conferências sobre egiptologia nas seguintes instituições: a 1 de junho no Avditorivm Tryvel no Porto sobre ”Egito na Europa”; no dia 21 de junho no auditório da Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos, em Lisboa, sobre “Viver bem e morrer melhor no Antigo Egito”. Entre 21 e 28 de Agosto próximo vai guiar uma vigem a alguns dos principais museus da Europa que albergam coleções trazidas do Vale do Nilo, desde Lyon, passando por Grenoble, Turim e Milão, organizada pela Tryvel.

Open House Porto 2016. Decorreu nos passados dias 18 e 19 de junho a 2ª edição desta iniciativa promovida pela Open House Worldwide, e na região do Baixo Douro pela Casa da Arquitetura, subordinada ao tema “A Arquitetura de portas abertas” com visitas guiadas a diversos edifícios emblemáticos das cidades de Gaia, Matosinhos e Porto, entre os quais o edifício dos Paços do Concelho de Vila Nova de Gaia, com projeto de 1916 da autoria de Francisco de Oliveira Ferreira, cujas visitas foram guiadas por Eduardo Vitor Rodrigues, sociólogo e presidente da Câmara de Gaia, e J. A. Gonçalves Guimarães, historiador.

23º Festival Internacional de Música de Gaia. Estando a decorrer este festival entre 10 de junho e 16 de julho, no passado dia 18 de junho acolheu na Casa Museu Teixeira Lopes uma conferência por Mário Vieira de Carvalho, musicólogo e professor jubilado da Universidade Nova de Lisboa, sobre “Identidade, Liberdade, Intervenção: Fernando Lopes-Graça e o seu percurso de compositor. Assinalando o 110º aniversário do seu nascimento”, a qual foi ilustrada com a interpretação de várias obras suas pelo pianista Jaime Mota, a soprano Vera Mesquita e a mezzo-soprano Gisela Sachse.

11º Congresso Luso-brasileiro de História da Educação (COLUBHE). Promovido pela Associação de História da Educação de Portugal (HISTEDUP) e pelo CITCEM/Faculdade de Letras da Universidade do Porto, decorreu na cidade do Porto entre os dias 20 e 23 de junho este certame onde estiveram presentes como conferencistas António Manuel Silva, Eva Baptista e José António Afonso, entre cerca de 400 palestrantes de ambos os lados do Atlântico.

2º Colóquio do Lumiar, Lisboa. No próximo dia 2 de julho decorre no Museu do Teatro e Dança do Lumiar este colóquio organizado pelo Centro Cultural Eça de Queirós de Telheiras em que serão palestrantes, César Veloso e Fernando Andrade Lemos, em colaboração com outros, sobre “Uma Questão de Bens da Igreja”, a que se seguirão outros temas.

Exposições e eventos


A Confraria Queirosiana na insigniação do ministro da Economia;
foto de Susana Moncóvio
Dia Nacional da Gastronomia. Como noticiamos na página passada, decorreu no passado dia 29 de maio no mercado Manuel Firmino em Aveiro a primeira comemoração do Dia Nacional da Gastronomia Portuguesa, aprovado pela Assembleia da República e promovido pela Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, em cuja sessão de abertura foram insigniados como Optimus Conviva das Confrarias de Portugal o ministro da economia Manuel Caldeira Cabral, a secretário de estado do turismo Ana Mendes Godinho, o secretário de estado das florestas e desenvolvimento Amândio Torres e a fadista Kátia Guerreiro. Estiveram presentes várias empresas de produtores e vendedores portugueses e espanhóis de produtos gastronómicos e enófilos, além de numerosas confrarias, entre as quais a Confraria Queirosiana representada por quatro elementos da direção.

Dia de Itália. Diversos confrades queirosianos estiveram presentes no passado dia 5 de junho, nas comemorações do Dia de Itália que decorreu no Porto, no Palácio do Freixo, promovido pelo Consulado de Itália no Porto e pela Associazione Socio-Culturale Italiana del Portogallo Dante Alighieri, para a qual, entre abril e junho, José Manuel Tedim, historiador da Arte e presidente da direção dos ASCR – Confraria Queirosiana, lecionou no seu curso “Encontro com a Arte: Pintura Italiana”.


Mesa da Federação das Confrarias Báquicas Portuguesas;
 foto de Carla Marques
Federação das Confrarias Báquicas de Portugal em Madrid. No passado dia 21 de junho decorreu no Hotel Westin Palace a insigniação de diversas personalidades portuguesas e espanholas como membros de honra da Federação das Confrarias Báquicas de Portugal com sede na Quinta da Boeira, Vila Nova de Gaia, entre elas o embaixador de Portugal em Madrid, Dr. Francisco Ribeiro de Menezes. Do evento constou também a apresentação da exposição de modelos de embarcações históricas construídas pelo artesão Albino Costa presentes na sala, por J. A. Gonçalves Guimarães, mesário-mor da Confraria Queirosiana e autor do livro “Modelos de embarcações históricas portuguesas dos séculos XVI a XIX”, edição em português e castelhano que aí teve a sua primeira apresentação pública, a que se seguiu uma prova de 200 anos de vinhos do Porto, através de colheitas de lotes de 10, 20, 30, 40 e 100 anos comercializadas pela Quinta da Boeira, igualmente produtora do “10 anos” e “20 anos” Confraria Queirosiana. Ao ato estiveram presentes dirigentes da AICEP e de outras entidades de promoção em Espanha de produtos portugueses, o vereador da Câmara de Gaia, arq. José Valentim Pinto Miranda, bem assim como produtores de vinhos e confrades das Confrarias do Vinho do Porto, do Vinho Verde, de Nossa Senhora do Tejo, dos Vinhos de Carcavelos, dos Gastrónomos e Enófilos de Trás-os-Montes e da Confraria Queirosiana.

Lvsitania Romana. Origem de dos Pueblos – No próximo dia 30 de junho abre ao público no Museu Arqueológico Nacional de Madrid esta exposição, promovida pelos ministérios da Cultura de Portugal e Espanha. Depois de ter estado patente ao público em Mérida e Lisboa, chegou agora a vez da capital espanhola, onde até 16 de outubro poderão ser vistas, entre muitos outros objetos do período romano, as duas tesserae hospitales do Monte Murado, Vila Nova de Gaia, depositadas no Solar Condes de Resende e que foram objeto de estudo por Armando Coelho Ferreira da Silva, professor catedrático da FLUP e arqueólogo, publicado em 1983 na revista Gaya.

Prémios e distinções

Prémios APOM 2016. Diversas entidades dirigidas por confrades queirosianos, ou onde trabalham dirigentes, confrades ou sócios dos ASCR - Confraria Queirosiana, foram distinguidas pelos prémios APOM 2016, de entre eles o Museu da Misericórdia do Porto, o Centro Interpretativo CM Porto/Casa do Infante e o prémio Melhor Trabalho Jornalístico/Media, atribuído ao programa “Caminhos da História” do Porto Canal, da autoria de Joel Cleto.

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Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 92 – sábado, 25 de junho de 2016; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; Cte. n.º 506285685 ; NIB: 001800005536505900154 ; IBAN: PT50001800005536505900154;
email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: Carla Marques; Susana Moncóvio.