quinta-feira, 25 de abril de 2019

Eça & Outras, quinta-feira, 25 de abril de 2019


Juízos ligeiros
        Numa época em que a informação nos é dada em tempo real, confirma-se o que já em 1878 o físico português Adriano de Paiva, pioneiro do princípio da televisão e professor da Academia Politécnica do Porto, preconizara ao escrever «A ubiquidade deixará de ser uma utopia para tornar-se perfeita realidade. Então, por toda a parte à superfície da terra se cruzarão fios condutores, encarregados de importantíssima missão …  [que] testemunharão por sem dúvida o grau de civilização do grande organismo que se chama – a humanidade» (PAIVA, O Instituto, II série, n.º 9, Março de 1878).
A ideia, sendo certa, era então também boa e generosa. Mas tal não tem acontecido. Governos, agências internacionais, empresas e máfias têm usado essa capacidade, hoje infinita, de armazenagem e controlo da informação, para manipular, condicionar e dirigir, segundo os seus interesses privados, a vida dos cidadãos, não por certo para a felicidade possível neste mundo, mas para a ganhuça autojustificada da sua segurança ou da sobrevivência privilegiada de grupos fechados, sejam eles sociais, económicos, ideológicos ou políticos. Mas o seu problema é que a inteligência humana, bem assim como a definição do que é o bem ou do que é o mal, não são exclusivas de nenhum organismo ou grupo de interesses, o que leva a que, volta e meia, haja dissidentes, quantas vezes arrepiados perante as infâmias  que acabaram por conhecer em escala local ou planetária.
         Todos nós ouvimos falar do estadunidense Edward Snowden, analista de sistemas de computador que trabalhou para a CIA e a NASA, e que acabou por descobrir que o sistema de vigilância dos dados privados dos cidadãos pelo estado violava frequentemente «…o direito fundamental das pessoas livres não serem molestadas em seus pensamentos, associações e comunicações…base da nossa sociedade pensante». Perante as ameaças de morte de que foi alvo teve de pedir asilo político à Rússia em 2013, chegando a ser proposto para o Prémio Nobel da Paz e em 2014 para reitor da Universidade de Glasgow, enquanto os documentos das perfídias que foi descobrindo eram divulgados pela The Courage Foundation.
         Também ouvimos falar do jornalista australiano Julian Assange, fundador da WikiLeaks, que em 2010 publicou uma série de documentos que relatavam atrocidades cometidas no Iraque e no Afeganistão, entretanto premiado por diversas instituições internacionais, mas recentemente detido pela polícia britânica.
         Temos também o hacker português Rui Pinto, fundador do FootballLeaks, que numa entrevista ao Der Spiegel afirmou que «A máfia do Futebol está por todo o lado». O Eurojust declarou-o whistleblower, ou seja, informante protegido pela legislação europeia, mas atualmente está em prisão preventiva em Portugal.
         Os órgãos de comunicação social sobre estas três pessoas e as suas revelações que têm denunciado situações estatais miseráveis, roubos prepotentes e organizações apostadas contra o bem comum, não se têm limitado a dar notícias sobre eles, mas também a opinar sobre a razoabilidade dos seus motivos ou a legalidade das suas ações, quantas vezes discutindo a erva daninha programática, mas ignorando o incêndio na floresta da liberdade humana. Tendo sido inquirido por pessoa amiga, como cidadão e profissional da Cultura, sobre estas personalidades e a sua ação, encontrei em Eça de Queirós as palavras que sobre eles poderia vir a escrever com menor acerto, por certo. Convido-os pois a lerem-nas e a sobre elas meditarem:
«Incontestavelmente foi a imprensa, com a sua maneira superficial e leviana de tudo julgar e decidir, que mais concorreu para dar ao nosso tempo o funesto e já irradicável hábito dos juízos ligeiros. Em todos os séculos se improvisaram estouvadamente opiniões: em nenhum, porém, como no nosso, essa improvisação impudente se tornou a operação corrente e natural do entendimento. Com exceção de alguns filósofos mais metódicos, ou de alguns devotos mais escrupulosos, todos nós hoje nos desabituamos, ou antes nos desembaraçamos alegremente do penoso trabalho de refletir. É com impressões que formamos as nossas conclusões. Para louvar ou condenar em política o facto mais complexo, e onde entrem fatores múltiplos que mais necessitem de análise, nós largamente nos contentamos com um boato escutado a uma esquina. Para apreciar em literatura o livro mais profundo, apenas nos basta folhear aqui e além uma página, através do fumo ondeante do charuto. O método do velho Cuvier, de julgar o mastodonte pelo osso, é o que adotamos, com magnifica inconsciência, para decidir sobre os homens e sobre as obras. Principalmente para condenar, a nossa ligeireza é fulminante. Com que esplêndida facilidade exclamamos, ou se trate de um estadista, ou se trate de um artista: “É uma besta! É um maroto!”. Para exclamar: “É um génio!” ou “É um santo!”, oferecemos naturalmente mais resistência. Mas ainda assim, quando uma boa digestão e um fígado livre nos inclinam à benevolência risonha, também concedemos prontamente, e só com lançar um olhar distraído sobre o eleito, a coroa de louros ou a auréola de luz.» (Eça de Queirós, Cartas de Paris, Ecos de Paris).
«Vemos, ouvimos e lemos/ Não podemos ignorar…», escreveu Sofia, cantou Fanhais e a lição ficou. Eu, cá por mim, sempre tento não fazer juízos ligeiros, mas manter um permanente espírito aberto, curioso e crítico, para não ser enganado por aqueles que me querem por ao seu serviço sem o meu consentimento. Mais uma vez, Eça, muito obrigado.

J. A. Gonçalves Guimarães
mesário-mor da Confraria Queirosiana


Eventos passados
Iª Faculdade de Letras do Porto
     No passado dia 30 d e março teve lugar no Palacete dos Viscondes de Balsemão no Porto uma Tertúlia de Cultura Portuguesa onde foi interveniente como convidado José Valle de Figueiredo que falou sobre a «Atualidade da I Faculdade de Letras do Porto» fechada em 1928 pelo Estado Novo.

Jantar Queirosiano
         No dia 13 de abril no Palacete Conde de Silva Monteiro, no Porto, onde a Comissão de Vitivinicultura da Região dos Vinhos Verdes tem a sua sede, decorreu o primeiro de uma série de Jantares Temáticos comemorativos dos 110 Anos da Região dos Vinhos Verdes, subordinados ao tema “Regresso à Casa do Conde”, inspirados pela história e literatura portuguesas do século XIX, desta feita sobre o vinho descrito em A Cidade e as Serras. Introduzido o tema por Joel Cleto, foi palestrante, em nome da Confraria Queirosiana, o seu mesário-mor e diretor do Solar Condes de Resende, J. A. Gonçalves Guimarães, em breves momentos do repasto, dissertou sobre «A atualidade da obra de Eça de Queirós». O jantar foi animado por dois atores encarnando as figuras do escritor e da sua cunhada Benedita e servido pelo restaurante Tormes da Fundação Eça de Queiroz.

Livros


         No passado dia 29 de março em Penacova, Manuel de Novaes Cabral apresentou o livro As Confrarias de Portugal da autoria de Ana Catarina André e Marta Cardoso, jornalistas da revista Sábado, edição promovida pela Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, onde pode ler-se sobre muitos dos produtos alimentares regionais que tornam Portugal tão rico e variado nas Artes da Cozinha e da Mesa: «Num Portugal Gastronómico pleno de pronúncias alimentares, as Confrarias fazem da mesa o ponto de chegada de uma história da fome e da abundância e ponto de partida para o encontro com o futuro».


Por entre névoa e realidade. Eça e a Filosofia, é o mais recente ensaio publicado de A. Campos Matos, pelas Edições Húmus, Lda, de Vila Nova de Famalicão. Tendo recentemente apresentado a convite da Sociedade Portuguesa de Escritores, na Associação 25 de Abril em Lisboa, um ensaio intitulado António Sérgio. Temas essenciais de vida e obra, que será publicado no próximo número da Revista de Portugal, este outro agora editado em livro visa responder à questão logo formulada na sua «Introdução»: «será a Filosofia um mero ornamento sumptuoso e de efeito, na narrativa queiroziana?» A resposta aparece no fim do ensaio:«Seria estranha obstinação afirmá-lo. Basta lembrar a presença constante de Proudhon na sua obra, para o desmentir. Simplesmente o cepticismo, que vai para ele, assumidamente, de par com a ineficácia da Filosofia, não lhe permite, frequentes vezes, romper com esse filtro ou barreira». Mas para se saber o percurso interrogativo do autor torna-se imprescindível ler todo o texto, que apresenta, como nos tem habituado, um profundo conhecimento de toda a obra do escritor que o habilita às análises mais bem documentadas, como é o caso desta.


          Numa edição on-line do Instituto de História da Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, acaba de ser publicado o Dicionário Quem é Quem na Museologia Portuguesa, coordenado por Emília FERREIRA; Joana d’ Oliva MONTEIRO; e Raquel Henriques da SILVA. As entradas referentes ao colecionador Marciano Azuaga e ao escultor António Teixeira Lopes, de Vila Nova de Gaia, pp. 25-28 e 184-186, são da autoria da investigadora do Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-CQ, Susana Moncóvio.


         A editora Estratégias Criativas e a Igreja Lusitana acabam de reeditar a obra de Diogo Cassels (1844-1923), A Reforma em Portugal. A história resumida já publicada na «Igreja Lusitana» nos anos de 1897 e 1898, revista, aumentada e dividida em cinco capítulos, com uma introdução de António Manuel Silva para o enquadramento desta obra fundamental, «uma narrativa vivida da luta pela diferenciação religiosa no Portugal de Oitocentos».



           O Instituto de Educação da Universidade de Lisboa acaba de publicar Roteiros da Inovação Pedagógica. Escolas e experiências de referência em Portugal no século XX; Itineraries of pedagogical innovation. Reference schools and experiences in Portugal in the twentieth century, o qual, entre outros artigos, apresenta, de José António Afonso e António Manuel Silva «Sob o signo da inovação: a presença protestante em Vila Nova de Gaia (desde 1868)»; e de Eva Baptista «A Creche: Espaço de Modernidade Educativa: Estudo de caso da Associação das Creches de S.ta Marinha de Vila Nova de Gaia», todos investigadores do Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-CQ.

Cursos, conferências e palestras
Encontros com a Arte Italiana
         Tendo tido início no passado dia 3 de abril na Casa de Itália do Porto os “Encontros com a Arte”decorrem às quartas-feiras, de 15 em 15 dias até
29 de Maio, podendo ser frequentados mediante inscrição prévia.
Promovidos pela Associazione Socio-Culturale Italiana Del Portogallo Dante Alighieri, é palestrante o Prof. Doutor José Manuel Tedim, presidente da direção da ASCR-CQ, sendo este ciclo dedicado a Leonardo Da Vinci nos 500 anos da sua morte.

70º Aniversário do Conselho da Europa
            No próximo dia 2 de maio decorrerá na Sala de Atos da Universidade Lusófona do Porto uma sessão comemorativa do 70º Aniversário do Conselho da Europa, fundado a 5 de maio de 1949, com uma conferência sobre Prisões e Liberdade em que será conferencista, entre outros, o Eng.º Manuel de Almeida Santos, presidente da OVAR – Obra Vicentina de Auxílio aos Reclusos, subordinada ao tema «A Realidade Prisional».

10º Aniversário do As Artes Entre as Letras
         No próximo dia 18 de maio, pelas 15,15 horas, na Biblioteca Almeida Garrett no Porto, decorrerá a sessão comemorativa do 10º aniversário do As Artes Entre as Letras, o quinzenário que publica a página Eça & Outras. Serão intervenientes: Dr. Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto; Professor Doutor Salvato Trigo, reitor da Universidade Fernando Pessoa; e Prof. Dr. J. A. Gonçalves Guimarães, mesário-mor da Confraria Queirosiana, que dissertará sobre «O 2.º Centenário da Revolução de 1820: porquê comemorar?». Na ocasião será lançado o livro 10 Anos de As Artes Entre as Letras, que conta a história desta publicação. A sessão encerrará com um Porto de Honra.

Exposições

Obras de Hélder de Carvalho
            No dia 6 de abril teve lugar no Palácio do Raio em Braga a inauguração da exposição de obras de Hélder de Carvalho, intitulada «Redenção», com peças escultóricas alusivas à paixão cristológica, organizada pela Santa Casa da Misericórdia local,. Estará patente ao público até 11 de Maio


3.ª Bienal de Arte de Gaia
            Organizada pela cooperativa cultural Artistas de Gaia, abriu ontem ao público a 3.ª Bienal Internacional de Arte de Gaia 2019, que apresenta mais de 2000 obras de 500 artistas de 14 nacionalidades, entre eles vários sócios e confrades dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana. O certame tem este ano como assento principal as instalações da antiga Companhia de Fiação de Crestuma (CFC) em Lever, propriedade do empresário Ricardo Haddad, que tem vindo a proceder ao restauro daquela unidade fabril têxtil oitocentista também para fins culturais e sociais. Tendo tido origem ainda no século XVIII numas instalações da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, faz assim ali todo o sentido que um dos núcleos artísticos expostos se intitule «Territórios do Vinho», o qual tem como curador Manuel de Novaes Cabral.
A história desta empresa centenária tem vindo a ser feita pela historiadora Maria de Fátima Teixeira, investigadora do Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-Confraria Queirosiana, que sobre a mesma já publicou A Companhia de Fiação de Crestuma. Do fio ao pavio. Vila Nova de Gaia: Confraria Queirosiana/ Edições Afrontamento, 2017; e A Fábrica de Arcos de Ferro da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro. «Douro. Vinho, História e Património; Wine, History and Heritage». Porto: APHVIN/GEHVID, n.º 6, 2017, p. 159-204.
A síntese biográfica dos seus principais fundadores e proprietários encontra-se publicada em GUIMARÃES, J. A. Gonçalves; SOUSA, Gonçalo de Vasconcelos e (2018) – Património Cultural de Gaia. Património Humano – Personalidades Gaienses. Vila Nova de Gaia/ ASCR-Confraria Queirosiana/ Solar Condes de Resende, que em breve aparecerá em edição comercial.
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Eça & Outras, III.ª série, n.º 128, quinta-feira, 25 de abril de 2019; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te. n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira e Amélia Cabral; inserção: Licínio Santos.

segunda-feira, 25 de março de 2019

Eça & Outras


Eça & Outras, segunda-feira, 25 de março de 2019

No centenário de César Morais
         Quando no início de 2018 propus na Confraria Queirosiana o tema para a realização do habitual curso livre a iniciar em outubro, desta feita sobre o Património musical, fi-lo com alguns pressupostos: um deles a consciência de que esta é uma das áreas do saber menos conhecidas, pois a História da Música tem entre nós poucos cultores e a interpretação dos seus significantes ainda menos, dado que a existência de musicólogos é relativamente recente. Um outro era que, de um modo geral, mesmo quando os melómanos conhecem as obras musicais às vezes sabem pouco sobre os seus autores e as circunstâncias da sua produção. Depois, embora sabendo que a prática musical é vasta e multimodal, da música popular até à erudita, importava não ignorar ou menosprezar as suas diversas manifestações. Por fim, se é certo que não há nada mais universal do que a música, o ter vindo a constatar que, desde pelo menos a década de vinte do século passado que Vila Nova de Gaia se tem vindo a afirmar como um potencial alfobre de estudiosos, intérpretes, mestres, compositores, professores, maestros e divulgadores em todas as áreas musicais, nem sempre conhecidos como daqui naturais ou ligados por diversas razões a este município: Artur e Alfredo Napoleão; Armando Leça; Dina Teresa; Loubet Bravo; Adriano Correia de Oliveira; Günther Arglebe; Oliveira Lopes; Jorge Fontes; Maria José Morais; Mário Mateus; António Pinho Vargas; Simões da Hora; Cesário Costa; Rui Massena, ou as escolas e suas orquestras, como as da Academia de Vilar do Paraíso, do Conservatório Regional de Gaia, da Escola de Música de Perosinho e da ACMA, as bandas filarmónicas e certamente outros agrupamentos musicais, os bombos dos Mareantes do Rio Douro, um ou outro rancho folclórico, orfeão ou tuna, acontecimentos como o Festival Internacional de Canto Francisco de Andrade e o atual Festival Internacional de Música de Gaia, são apenas alguns exemplos da afirmação dessa pujança musical, que, quantas vezes, se manifesta com sucesso em palcos distantes. Mas neste programa queríamos também lembrar o compositor César Morais, cujo centenário do nascimento passou em 2018. Se é certo que o seu espólio pessoal e musical está hoje guardado e arquivado na Casa Museu Teixeira Lopes, a figura e a obra estão esquecidas. Quando procurávamos elaborar a aula que sobre tal apresentamos neste curso, deparamos com o seguinte testemunho de Álvaro Silva Teixeira, que não conheço pessoalmente, que diz tudo o que eu  poderia dizer, ainda que por outras palavras, e que aqui reproduzo com a devida vénia ao autor:
«HOMENAGEM PÓSTUMA A UM PROFESSOR. CÉSAR MORAIS foi o meu primeiro professor de harmonia e contraponto. Um bonacheirão. Vivia a vida com alegria. Dispersava tolerância e optimismo. Não aspirava à história! Acho que naqueles tempos de contemporaneidade forçada, estava mesmo convencido que o seu nome seria esquecido mal desaparecesse o último dos seus alunos.
Anos depois eu era compositor. Da contemporaneidade! As minhas obras passavam regularmente em todos, ou quase todos, os programas musicais da TV2. As obras de César Morais não passavam. Na realidade nem eram tocadas. A sua estética era clássica e conservadora. Quando falávamos nele era com um misto de ironia e desconsideração. Os nossos "mestres" nem sequer o consideravam um compositor. Nunca coloquei o nome dele no meu curriculum.
Hoje (16 de Agosto de 2004), por puro acaso do destino, veio-me parar às mãos um cd. No topo em letras grandes e brancas lia-se "César Morais" Não relacionei. Pensei ser um novo "compositor contemporâneo" e decidi escutá-lo. Estranhei. Era lindo mas neoclássico. O tal revivalismo, pensei.
Era uma interpretação belíssima da Orquestra Clássica do Porto sob direção de Werner Stiefel com Martin Ostertag no violoncelo. Continuei a escutar, sempre convencido ser algo conservador mas atual e gostei, apesar da estética "caduca"... Olhei para a contracapa e vi a foto de um busto familiar. Continuei sem relacionar. Talvez seja o maestro, pensei. Comecei a ler a biografia do compositor e ia tendo um "baque"- Mas este foi meu professor! O meu primeiro professor de harmonia, exclamei muito alto espantando todos os que se encontravam na sala.
A história é interessante e implacável: alguns dos "mestres" que desprezavam César Morais estão mais ou menos esquecidos. Espero que alguns venham a ser devidamente "recuperados" e valorizados, pois foram compositores de talento. Eu, por contextos vários, abandonei desde há muitos anos o trabalho de criação e desfiz o grupo de música que fundei e dirigi. Alguns de nós (os "contemporâneos") que mantiveram a produção e se "encostaram" a "mestres" influentes, estão no "top" mas talvez a história lhes venha a passar uma rasteira. E também a alguns dos "mestres" que acreditam já ter o seu nome gravado na eternidade...
César Morais faleceu em Agosto de 1992 e eu não soube de nada. É o único compositor português que figura no Dicionário de Biografias Internacionais publicado em Cambridge. Álvaro Silva Teixeira»
No século XIX, ainda sem a possibilidade de ouvir e degustar a música a qualquer momento reproduzida com incrível fidelidade, Eça de Queirós escreveu: «A nossa época é que devia produzir a música como a Grécia produziu a escultura, como a Europa gótica a arquitetura e a era das monarquias e das academias a tragédia raciniana. Com efeito, nunca, como neste tempo, as profundidades da alma, cavadas e alargadas pelas revoluções, estiveram tão fundas e tão ilimitadas. Durante a lei católica e os embrutecimentos monárquicos, a alma movia-se lenta como o mar, unida, calma, pesada, opaca e coberta de brumas. De repente as revoluções passaram pela noite sacudindo os seus fachos severos, donde saltavam constelações. A alma alumiou-se entre repelões brutais» (Prosas Bárbaras).
E para tal, desde então, também muito tem contribuído todo o Património musical, desde os mais modestos sons campestres até aos sinfónicos e gloriosos hinos à alegria universal.

J. A. Gonçalves Guimarães
mesário-mor da Confraria Queirosiana




150 anos da viagem ao Egito
     Para assinalar os 150 anos da viagem de Eça de Queirós ao Egito na companhia do 5.º Conde de Resende, a Confraria Queirosiana e a empresa de viagens Novas Fronteiras vão estabelecer um protocolo para a realização de Roteiros Queirosianos, o primeiro dos quais a concretizar em dezembro de 2019 com uma viagem ao Egito e Palestina conduzida pelo egiptólogo Professor Luís Manuel de Araújo, decalcada, tanto quanto possível, daquela outra que teve lugar em 1869 e da qual resultou, entre outros textos, o romance A Relíquia. Com partida de Lisboa a 26 de dezembro, os participantes seguirão para o Cairo e Alexandria e daí para a Terra Santa, passando o fim-de-ano em Jerusalém, regressando a 2 de janeiro.
         Entretanto aquele egiptólogo, diretor da Revista de Portugal e autor, entre muitos outros estudos, dos livros Imagens do Egipto Queirosiano e do Dicionário do Antigo Egipto, conduzirá igualmente, em datas mais recentes, nos próximos meses de abril e agosto, outras viagens ao Antigo Egito com a participação dos seus alunos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e membros de várias outras instituições.

Património Cultural de Gaia
Prosseguem os trabalhos de levantamento, estudo e redação de textos para publicação dos diversos volumes do Património Cultural de Gaia (PACUG) em execução por diversas equipas organizadas e coordenadas pelo Gabinete de História, Arqueologia e Património da Confraria Queirosiana, sendo este projeto financiado pela Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia. Tendo já sido publicado o primeiro volume intitulado Património Humano. Personalidades Gaienses, coordenado por J. A. Gonçalves Guimarães e Gonçalo de Vasconcelos e Sousa, encontra-se em trabalhos finais o segundo volume sobre Património de Gaia no Mundo/ Património do Mundo em Gaia, coordenado por J. A. Gonçalves Guimarães e Francisco Queiroz, a publicar em Junho próximo, a que se seguirá o volume sobre Património de Gaia no século XX, coordenado por José Alberto Rio Fernandes.
Como aquela primeira edição se destinou a distribuição institucional a autarquia gaiense celebrou recentemente um outro protocolo com a ASCR-Confraria Queirosiana e as Edições Afrontamento para uma nova edição para distribuição no circuito comercial.

Eventos passados


José Valle de Figueiredo
            No passado dia 8 de março decorreu na Fundação Cupertino de Miranda no Porto, a homenagem «José Valle de Figueiredo: o Homem e a Obra», promovida pela União das Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde «como reconhecimento do incansável labor que, em termos culturais, tem prestado a esta comunidade». O encontro teve início pelas 18 horas com a participação de vários oradores, a que se seguiu um momento poético-musical. Poeta e crítico literário nascido em Tondela em 1942, o homenageado tem uma vasta obra publicadaem livro e artigos dispersos porjornais e revistas. Tem também organizado colóquios, exposições e conferências, e ter produzido uma variada obra literária e ensaística, além de programas para a Rádio Televisão Portuguesa.
         O jornal As Artes entre as Letrasn.º 237 de 27 de fevereiro passado dedicou-lhe a capa sob o título «Um certo Porto grato a Zé Valle de Figueiredo».
        
Antigo Egito
No passado dia 15 de março o Prof. Doutor Luís Manuel de Araújo, esteve no Colégio da Bonança em Vila Nova de Gaia onde proferiu uma conferência sobre a civilização do Antigo Egito, a qual prendeu durante largo tempo a atenção dos muitos alunos e docentes daquele estabelecimento de ensino presentes na mesma.

Cursos, conferências e palestras
        
Fernão de Magalhães
         A propósito do início das comemorações dos 500 anos da 1.ª viagem de circum-navegação, no próximo dia 28 de março, pelas 21,30 horas, na habitual palestra das últimas quintas-feiras do Solar Condes de Resende, o historiador J. A. Gonçalves Guimarães falará sob o tema «Fernão de Magalhães e Vila Nova de Gaia» apresentando as investigações históricas mais recentes que ligam os primeiros anos do futuro navegador a esta povoação ribeirinha da margem esquerda do Rio Douro.

Roteiros queirosianos
         No próximo dia 29 de março o presidente da direção da associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana vai fazer uma conferência no Colégio S. Gonçalo em Amarante sobre «A Confraria Queirosiana e os Roteiros queirosianos».

Caminhos de Santiago
        Nos próximos dias 12 e 13 de abril vai decorrer no Forte de S. João Baptista da Foz do Douro um I Congresso Caminhos de Santiago, no qual serão oradores, entre outros, José Augusto Maia Marques, sobre «A Capela Farol de São Miguel-o-Anjo – início simbólico para o Caminho de Santiago»; Paulo Jorge Sousa Costa sobre «Hagiotoponímia medieval do Norte de Portugal, segundo as inquirições de 1258»; e José Valle de Figueiredo sobre «A poesia no Caminho de Santiago».
         Como vai sendo habitual nas iniciativas sobre este tema, não há comunicações sobre as origens deste mito criado no século IX, nem sobre a sua existência desde então para cá, nomeadamente sobre a sua real incidência nas populações e no território.

Ilustres de Canidelo e 25 de Abril
        No dia 23 de abril, ainda o historiador J. A. Gonçalves Guimarães participará na Associação de Solidariedade Social dos Idosos de Canidelo nas comemorações dos seus 20 anos de existência, proferindo uma palestra sobre «Figuras Ilustres de Canidelo», e no dia 25 de abril, pelas 21,30 horas, no Solar Condes de Resende, falará sobre «25 de Abril: documentos para uma quase História»

Música & Músicos
        Aproxima-se do fim o curso livre do Solar Condes de Resende organizado pela Academia Eça de Queirós, com alguns ajustes em termos de datas e professores, mas cumprindo rigorosamente o programa estabelecido. Assim, no sábado 16 de março, J. A. Gonçalves Guimarães falou sobre «O compositor César Morais» e no dia 23, Rosário Pestana, da Universidade de Aveiro, sobre «O compositor e folclorista Armando Leça: resgate, criação e disseminação da música portuguesa». Em Abril, no sábado dia 6, J. A. Gonçalves Guimarães falará sobre «Música e Músicos em Gaia», terminando o curso nosábado dia 13, com a lição por Elisa Lessa, da Universidade do Minho, sobre «A música nos conventos femininos em Portugal (séculos XVII a XIX): o caso do Mosteiro de Corpus Christi em Vila Nova de Gaia».
         No próximo ano letivo o novo curso terá como tema «Revoluções e Constituições» com a intenção da Confraria Queirosiana dar assim o seu contributo para as comemorações do 2.º Centenário da Revolução de 1820.

Concurso de Poesia
         Até ao dia 31 de maio decorre o prazo para entrega dos trabalhos concorrentes à 20.ª edição do Concurso de Poesia Agostinho Gomes, promovido por uma parceria entre a Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, a Junta de Freguesia de Cucujães e o Núcleo de Atletismo de Cucujães, em homenagem a este homem de Letras daí natural. O regulamento e ficha de inscrição podem ser vistos em https://bit.ly/2UNhPU7.

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 127,segunda-feira, 25 de março de 2019; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te. n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Licínio Santos.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Eça & Outras

A.  Campos Matos, o estudo como busca da justiça social
Não é possível em Portugal falar da vida e obra de Eça de Queirós desde os anos 70 do século passado sem conhecer a obra de A. Campos Matos. Efetivamente, tendo descoberto A Relíquia e o seu positivismo ainda muito novo, que complementou com muitas outras leituras, desde que em 1975 publicou Imagens do Portugal Queiroziano (3.ª edição, 2004), que este autor vem regularmente produzindo estudos, ensaios, recensões, edições críticas, e mesmo algumas polémicas em torno da vida e obra do escritor, hoje fundamentais e imprescindíveis para o seu estudo e compreensão. Referindo agora apenas os seus principais contributos, recordamos obviamente o Dicionário de Eça de Queiroz, 1988, obra monumental com edição mais recente em 2015. Mas também Eça de Queiroz/Emília de Castro. Correspondência Epistolar, 2ª edição 1996, e sobretudo Eça de Queiroz. Correspondência, 2008, já com dois acrescentos epistolares, que tanta luz vieram trazer para desfazer mitologias criadas em volta da vida do escritor por apressados memorialistas. Ainda o Dicionário de Citações de Eça de Queiroz, de 2006, para tentar acabar com as frases apócrifas que o escritor jamais escreveu e que circulam na internet ou em publicaçõeszecas menores. Coroando tudo isto, Eça de Queiroz. Uma Biografia, com edições em Portugal e no Brasil, a última das quais de 2017, o mais sólido retrato da vida do escritor até hoje elaborado. Mas a sua produção em torno do autor de Os Maias de modo algum se esgota nestas obras, produzindo com frequência abordagens pontuais de aspetos muito particulares do universo eciano, reunidos, por exemplo, em Sobre Eça de Queiroz, 2002. Imparável nos seus ativos noventa anos, A. Campos Matos recusa-se a ser «apenas um cansado e velho fazedor de livros, que passa» (Eça de Queirós, A Rainha) continuando a surpreender-nos com coletâneas dos seus estudos, como a recente 94 Reflexões sobre Eça de Queiroz e outros escritos, 2018, onde, entre muitas outras análises, refere alguns dislates balzaquianos contidos na chamada «edição crítica» de O Mandarim (p. 19) ou as gralhas repetidas na Capital! ou em Os Maias, além dos discutíveis critérios da sua não partição em dois volumes (p. 183). Mas também «Eça visto pelos brasileiros», «As namoradas americanas do nosso cônsul em Havana»; «Uma dúzia de perguntas para Eça de Queiroz»; «Efabulações queirozianas»; «Eça provinciano?» e muitas outras entradas, como «Verdemilho em Aveiro. Um escândalo nacional»; «O meu espólio queiroziano» e tantas outras mais, preciosas reflexões ou mesmo provocações para uma sempre renovada leitura da vida e obra do seu autor preferido.
Estamos em condições de afirmar que em breve dará à estampa um novo e surpreendente ensaio sobre um dos aspetos mais notáveis da vastíssima cultura daquele autor e do seu elevado espírito conhecedor das questões filosóficas que ocupavam a mente dos grandes pensadores do seu tempo e, afinal, de todos os tempos, intitulado Perante a Névoa e a Realidade, «algo de novo acerca d’ Os Maias e, de um modo geral, sobre grande parte da sua obra». Sobre a Filosofia em Eça de Queiroz, sobre o Eça filósofo, afinal o amigo do filósofo Antero, ambos discípulos de Hegel, Schopenhauer e Marx.
Mas A. Campos Matos de modo algum se fica pelo universo queirosiano nos seus escritos, ou digamos que, para melhor o entender e testar-se a si próprio na sua capacidade para esse entendimento, reflete também sobre o seu próprio percurso intelectual, desta feita num curioso livro de matéria autobiográfica intitulado Constrvtores do mev Mvndo, assim lapidado na capa como se fora num mármore clássico. Ao longo das suas páginas vai-se reencontrando com os autores e pensadores que lhe modelaram o pensamento, a percepção do quotidiano e do universo, a necessidade de manter eternamente jovens o espírito crítico e a tolerância, mesmo en désaccord avec son temps… (André Gide). Colocados por ordem alfabética autoral, e não cronológica na circunstância de terem passado a fazer parte da sua vida, aí encontramos Camões, Camilo, Eça, Sérgio e Coimbra Martins, entre outros, ao lado de Tolstoi, Flaubert, Malraux, Soljenitsine e também mentores da sua profissão de arquiteto como Le Corbusier e Frank Lloyd Wrigh. Tendo eu me iniciado na estrada da vida separado de A, Campos Matos por mais de uma inteira geração, registo com curioso agrado que ambos fomos marcados pela leitura de Estes Dias Tumultuosos de Pierre Van Paassen (1.ª edição portuguesa, 1946), tendo o meu exemplar, que ainda conservo, escapado a uma rusga da PIDE ao domicílio de um amigo de infância escondido na bacia da roupa lavada para estender que sua mãe preparava, pois era então «livro proibido». A. Campos Matos define o autor desta autobiografia, que se reporta às primeiras quatro décadas do século XX, como um jornalista «excelente observador e lúcido comentarista da História» do seu tempo, que afinal alicerçou o nosso. Ideologicamente talvez um «socialista democrata cristão», de origem holandesa que presenciou em Berlim a ascensão dos nazis, tendo então entrevistado Hitler, que classificou como um «maníaco visionário dominado por uma ideia fixa», tendo sofrido prisão em Dachau por ter usado o seu passaporte para salvar um colega perseguido pela polícia política alemã. Mas antes estivera em África, onde adivinhou a incapacidade dos regimes coloniais para a urgente mudança, o que viria a originar os horrores das descolonizações futuras, e também na Palestina, onde à data, para além da desgraça que se adivinhava para o pós-1948, também partilhou episódios picarescos muito semelhantes aos que Eça descreve em A Relíquia. Esteve também na Espanha republicana que democraticamente tinha herdado «um país ocupado por centenas de milhares de monges, mosteiros e igrejas repletos de tesouros, distritos inteiros povoados por idiotas e prisões superlotadas…, um país balcânico e retrógado», cuja esperança de mudança foi travada por Franco, com a ajuda de Hitler, Mussolini e Salazar, através de uma guerra iníqua, que convém lembrar nestes dias em que a mesma Espanha fascista vocifera ainda nas ruas de Madrid. Por fim o relato termina com a derrocada do exército francês que deu origem ao governo colaboracionista de Vichy.
Tal como A. Campos Matos, considero este relato na primeira pessoa deste autor falecido em Nova Iorque em 1968 um testemunho fundamental para a compreensão do século XX mundial, lamentando também que tal obra não tenha sido reeditada, não se encontrando facilmente disponível para leitura por parte das gerações atuais. Entretanto há por aí bibliotecas públicas que apresentam revistas de salão de cabeleireiro repletas das habituais inutilidades como estímulo à leitura dos seus frequentadores…
Como vimos, nem só de Eça ou para Eça vive este autor, mas para algo tão grande como «um ato de espírito», que o próprio escritor entendia que deveria ser sempre «um ato de grande justiça social» (Eça de Queirós, Notas Contemporâneas).

J. A. Gonçalves Guimarães
mesário-mor da Confraria Queirosiana

Com carimbo do dia 25 de julho de 2018, os CTT lançaram uma emissão filatélica evocativa dos 130 anos da 1.ª edição de Os Maias, composta por sete selos polícromos da autoria de Luiz Duran, um deles alongado com o retrato de Eça de Queirós e o valor facial de 1 €, e seis outros selos de valor facial de 0,53 € com representações idealizadas de algumas personagens do romance, como Afonso da Maia, Carlos da Maia, João da Ega, Maria Eduarda, Condessa de Gouvarinho e Dâmaso Salcede. O texto de apresentação é de Isabel Pires de Lima

Eventos passados
85 anos da Biblioteca Municipal de Gaia
No passado dia 22 de fevereiro decorreu na Biblioteca Municipal de Gaia um colóquio subordinado ao tema “Contributo do movimento associativo para o desenvolvimento cultural de Vila Nova de Gaia e a sua história” em que foram palestrantes, entre outros, J. A. Gonçalves Guimarães, pela ASCR – Confraria Queirosiana; Salvador Almeida, pela Associação Cultural Amigos de Gaia; Isabel Lacerda, pelo Grupo Folclórico de Danças e Cantares de Mafamude.

Exposição de cerâmica
            Também no dia 22 de fevereiro pelas 21,30 horas abriu ao público na Junta de Freguesia de Avintes a exposição «José Ramos – 17 anos de Cerâmica em 80», a qual estará patente ao público até ao dia 30 de março.           

Fórum Avintense
            Ainda nesse dia e no seguinte, decorreu no mesmo local o 29º Fórum Avintense, o qual abriu com uma homenagem ao ceramista acima referido por Cipriano Castro intitulada «José Ramos – o meu professor da primária». Seguiram-se outros conferencistas sobre os mais diversos temas, nomeadamente Abel Barros sobre «Avintes, Passado e Presente: o Areinho»; Nuno Oliveira «Avintes e os rios: A valorização das margens fluviais»; e Paulo Costa «O rio e os poderes feudais».

Cursos, conferências e palestras

Fernão de Magalhães
No próximo dia 28 de fevereiro, pelas 16 horas vai decorrer na Universidade Portucalense o seminário “Ruas do Porto – Avenida Fernão de Magalhães”, no qual serão conferencistas o historiador J. A. Gonçalves Guimarães, sobre «Fernão de Magalhães: figura e obra» e o arquiteto Luís Aguiar Branco sobre «A Avenida Fernão de Magalhães no urbanismo do Porto», tendo como moderador no debate José Manuel Tedim, docente daquela universidade. A participação é gratuita mas obriga a inscrição prévia para: https://bit.ly/2RmyoDW  

Leonardo da Vinci e os discípulos de Ícaro
            Ainda no mesmo dia, mas pelas 21,30 horas, no Solar Condes de Resende, na habitual palestra das últimas quintas-feiras do mês, aquele primeiro historiador falará sobre «Nos 500 anos de Leonardo da Vinci: Vila Nova de Gaia e os discípulos de Ícaro». É entrada é livre e não carece de inscrição prévia.

Vinho do Porto
            No dia 1 de março pelas 18 horas o Prof. Doutor António Barros Cardoso, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e da APHVIN/GEHVID, falará na Reitoria sobre «O Porto do Vinho». A participação obriga a inscrição prévia para geral@gbliss.pt

Música & Músicos
Prossegue no Solar Condes de Resende o curso livre sobre Música & Músicos. Aspetos do Património Musical Português», organizado pela Academia Eça de Queirós, com algumas pequenas alterações de professores motivas por doença de alguns dos inicialmente contatados: assim, no próximo dia 2 de março o Prof. Dr. André Granjo falará sobre Bandas Filarmónicas em Portugal, seguindo-se no sábado, dia 2 de março, «Bandas Filarmónicas em Portugal» por André Granjo, sábado, 09 «O maestro Pedro de Freitas Branco» por Cesário Costa, sábado, 16 «A música nos conventos femininos em Portugal (séculos XVII a XIX): o caso do Mosteiro de Corpus Christi em Vila Nova de Gaia» por Elisa Lessa, sábado, 23, «O compositor e folclorista Armando Leça: resgate, criação e disseminação da música portuguesa» por Rosário Pestana e em abril, sábado dia 6 «O compositor César Morais» por J. A. Gonçalves Guimarães, que no sábado dia 13 apresentará a última aula do curso sobre «Música e Músicos em Gaia».

Livros
94 Reflexões sobre Eça de Queiroz e outros escritos, de A. Campos Matos, Vila Nova de Famalicão: Edições Húmus, novembro de 2018, 316 páginas, ilustrado com muitas imagens do arquivo do autor, uma série de curtos ensaios «Para aqueles que frequentemente me perguntem algo como:”o Eça é único e o maior de todos, não é verdade?”», complementada com uma entrevista publicada no Club do Colecionador dos CTT em Dezembro de 2017 sobre a sua biografia de Eça, e ainda correspondência trocada com o editor francês Antoine Gallimard, um notável texto sobre « Da aniquilação do Património Humano», um outro sobre falsa correspondência de Eça, seguindo-se a apresentação da 1.ª versão francesa da sua biografia de Eça na Gulbenkian de Paris em 2009 e uma carta de sua neta Inês escrita de Londres para o editor francês acima referido com algumas críticas a obras de Eça em jornais ingleses, datada de Maio de 2018.

Constrvtores do mev Mvndo, de A. Campos Matos, Lisboa: Edições Colibri, novembro de 2018, 104 páginas, ilustrado com retratos de diversos autores, incluindo o seu na badana da contracapa, apresenta as impressões que lhe deixaram ao longo da vida as obras de quarenta e seis nomes maiores da Cultura portuguesa e estrangeira. Uma curiosa revisitação pessoal de autores e obras.

Ainda em 2018 foi publicado pela Universidade Federal de Santa Catarina o livro intitulado Gêmeas Imperfeitas - As Repúblicas do Brasil e de Portugal: unidas no ideal e diferenciadas nas práticas, «uma abordagem plurifacetada das relações entre Portugal e o Brasil na viragem dos séculos XIX-XX», coordenado, entre outros, por José Eduardo Franco. A capa recupera uma notável gravura a cores que também foi capa na Ilustração Portuguesa, 2.ª série, n.º 872, 4 de novembro de 1922. De entre os diversos capítulos publicados destacamos «Dos estreitos limites do internato, fui salvo pelo mar - o padre Luiz Gonzaga Cabral e Jorge Amado» da autoria de Manuel de Novaes Cabral.

No passado dia 7 de Fevereiro, na Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) em Lisboa, pelas 18 horas decorreu a abertura da exposição «Em demanda da biblioteca de Fernão de Magalhães» organizada pelo Prof. Doutor Rui Manuel Loureiro, igualmente coordenador e co-autor do livro com o mesmo título aí lançado, que também apresenta textos de Juan Gil, Consuelo Varela e José Manuel Garcia. Esta edição, que teve o patrocínio das câmaras de Vila Nova de Gaia, de Lagos e de Lisboa, apresenta na abertura um texto da presidente daquela autarquia algarvia e um outro pelo Prof. Doutor Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da edilidade gaiense, sobre a ligação desta cidade à vida de Fernão de Magalhães e sobre a importância do projeto PACUG, em realização pela Confraria Queirosiana, para o conhecimento do Património humano local.
            Esta exposição, com documentos e iconografia magalhaniana, tem o maior interesse para o conhecimento do ambiente cultural que rodeou a vida e o feito de Fernão de Magalhães, bem assim como os testemunhos sobre ambos através de autores da época e das alterações cartográficas posteriores à circum-navegação.

Artes
                                    
O bar do Solar Condes de Resende passou a ter mais uma obra de Arte em exposição permanente. Trata-se de uma escultura em pedra de xisto rosa da autoria do canteiro-ornatista António Pinto, denominada Justiça, oferecida pelo autor à associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, da qual é sócio e confrade.


Artigos publicados no blogue eca-e-outras e no jornal As Artes entre As Letras
            Nos últimos números de 2018 e os do princípios de 2019, o responsável por esta página publicou diversos artigos de fundo ou de crítica quer neste blogue (E&O) quer no jornal As Artes entre As Letras os quais, por motivo de gestão e oportunidade da informação neles contida, não seguiram a habitual ligação entre as duas publicações, o que baralhou um pouco os nossos habituais leitores, que julgaram assim ter perdido a oportunidade de terem lido um ou outro texto. Por esse motivo segue em anexo a listagem dos mesmos e a respetivas datas e locais de edição:
- «Os humanos são dados às representações estéticas», E&O n.º 123, 25 de novembro de 2018; As Artes entre as Letras, n.º 233, 26 de dezembro de 2018, p. 12.
- «Ano Europeu do Património Cultural», E&O n.º 124, 25 de dezembro de 2018; As Artes entre as Letras, n.º 233, 26 de dezembro de 2018, p. 4;
- «Uma primorosa edição comemorativa dos 130 anos de Os Maias», As Artes entre as Letras, n.º 235, 30 de janeiro de 2019, p. 6/7.
- «Faltas de visão e outros astigmatismos», As Artes entre as Letras, n.º 235, 30 de janeiro de 2019, p. 20.
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Eça & Outras, III.ª série, n.º 126, segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te. n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.