sexta-feira, 25 de junho de 2010

Eça & Outras

DÁRIO CASTRO ALVES … JOSÉ SARAMAGO…

No passado dia 6 de Junho partiu em Fortaleza, Ceará, a juntar-se àqueles que tanto amaram a língua e a cultura portuguesa, o embaixador Dário Castro Alves, um dos maiores admiradores, degustadores e divulgadores da obra e beleza queirosianas.

Descendente de colonizadores portugueses, a matriz lusógina afirmou-se nele ao longo de toda uma vida repartida entre a carreira diplomática e o cultivo da brasileira portugalidade, ou da portuguesa brasileirania, numa perspectiva universalista. Quando se reformou em 1983 e tinha o cargo de cônsul-geral no Porto, optou por ficar em Portugal e pela dupla nacionalidade, aqui permanecendo até 2003.

Foi membro do Centro Nacional de Cultura, da Academia das Ciências de Lisboa, do Círculo Eça de Queirós, da Sociedade de Geografia de Lisboa, do Grémio Literário, da Confraria do Vinho do Porto e de outras instituições culturais portuguesas, tendo tido uma empenhadíssima acção na consolidação da Comunidade de Países da Língua Portuguesa (CPLP) e foi um dos criadores em 1993 da Fundação Luso-Brasileira para o Desenvolvimento no Mundo da Língua Portuguesa, cujo principal objectivo é a sua divulgação como um dos idiomas universais.

Nascido em Dezembro de 1927, formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais em 1949, ingressando depois, no serviço diplomático, tendo passado por Buenos Aires, Nações Unidas em Nova Iorque, Moscovo, Roma, Organização dos Estados Americanos em Washington e Lisboa.

Além de tradutor de Pushkin, publicou vários livros dedicados à temática queirosiana, entre eles Era Lisboa e Chovia (1984); Era Tormes e Amanhecia (1992); Era Porto e Entardecia (1994) e O Vinho do Porto na obra de Eça de Queirós (2001). Foi casado com a escritora Dinah Silveira de Queiroz e, após ter enviuvado, casou com Rina Bonadier, sua antiga secretária. Após a morte desta em 2002, regressou a Fortaleza, tendo mantido o contacto epistolar com os muitos amigos portugueses. Em 2008 foi homenageado em Brasília.

A sua imagem que ilustra este necrológio, foi trabalhada a partir da fotografia que dele fez Emanuel Pimenta, que partilhou com os amigos a opinião de que o embaixador Dário Castro Alves «era uma daquelas pessoas que nunca deveriam morrer».

O mesmo disseram outros também de José Saramago, que partiu em Lanzarote no passado dia 18 de Junho. Em vão buscamos alguma ponte de ligação entre os romances do prémio Nobel e os de Eça de Queirós. E não tinham que ter: em Saramago não há ironia, mas apenas a tragédia da condição humana e da nossa orfandade perante a indiferença da matéria cósmica.

Não sei mesmo se Saramago apreciava os escritos de Eça ou se alguma vez se lhe referiu e em que tom. Mas há um fio condutor que entretanto me ocorreu e que talvez valesse a pena explorar: o Caím de Saramago poderá ter nascido também no conto de Eça “Adão e Eva no Paraíso” naquela frase interrogativa «Mas não sei se vos felicite, oh Pais veneráveis!» (por terem dado origem à humanidade através de Abel e Caím e outros). Mas ali não há lugar a felicitações, não tanto a Adão e a Eva, presentes nesta estória porque, sem eles, ela não existia, mas a Deus, perdão, a deus. Há ainda outras semelhanças entre alguns pontos dos dois textos: Saramago refere, logo no princípio do capítulo 1 que «não lhes saía uma palavra da boca nem emitiam ao menos um simples som primário que fosse» enquanto Eça, mais generoso, anota que «Adão solta(va) roucas exclamações, gritos… vozes gaguejadas, em que por instinto reproduz(ia) outras vozes, e brados, e toadas…» (penúltimo parágrafo do capitulo 1.º). Mas entre os humanos progenitores de Eça e o seu filho Caim de Saramago falta um elo importantíssimo que muitos literatos terão lido, mas que não o admitirão facilmente em público: referimo-nos à História Universal da Pulhice Humana, 1º volume: Pré-historia, por José Vilhena, publicado em 1960, onde as estórias de Caim, e das primeiras sociedades e desilusões humanas, são contadas com incrível humor, não queirosianos por certo, talvez mais junqueiriano, por este humorista nascido em Figueira de Castelo Rodrigo em 1927, e que Rui Zink dignificou em 1989 com a sua tese de mestrado “O humor de bolso de José Vilhena 1960-1974”. Os puristas de tudo, os defensores de virgindades alheias, talvez achem pouco literária esta “árvore genealógica” da novela de Saramago, mas tenham paciência, se há qualquer coisa que o escritor nos ensinou foi que somos danados para inventar bezerros d’oiro para nosso proveito e para os outros adorarem. Enfim, este Junho vai negro…

Ainda que nunca os tenha encontrado pessoalmente, quer Dário Castro Alves quer José Saramago, creio que a memória de ambos permanecerá viva entre todos aqueles que partilham, ou não, a sua visão do mundo através dos livros que nos deixaram para folhearmos com gosto, ou com desgosto, mas não indiferentes, até quando todos nos encontrarmos suavemente numa boa nuvem desse incomensurável nada que é o Universo. Aí não haverá livros para ler. Aproveitem pois enquanto podem, mesmo que os não apreciem. É que lá, na nuvem, também já não se poderá dizer mal do que alguém um dia escreveu.

J. A. Gonçalves Guimarães

A AMANTE HOLANDESA

Continuam a chegar ao público ledor as obras completas de J. Rentes de Carvalho pela mão da Quetzal, ao ritmo de dois volumes por ano. Depois de Com os Holandeses e de Ernestina, é agora a vez da reedição de um dos seus mais desconcertantes romances publicado em 2003 e com várias edições na Holanda. Imaginem um homem simples de Trás-os-Montes a imaginar um romance com uma bela holandesa, cosmopolita, culta, que ali foi parar àquele mundo em trabalho e que, ao tratá-los com natural humanidade, mais acentuou o contraste com a sua solidão. O resto está no livro.





FLAUBERT E QUEIROZ



A Livros Horizonte, com o patrocínio da Fundação Eça de Queiróz, acaba de publicar Madame Bovary de Gustave Flaubert e o Primo Basílio de Eça de Queiroz, de Dominique Sire, investigadora francesa bolseira da Fundação Calouste Gulbenkien, e que A. Campos Matos traduziu, um ensaio que estabelece «a espantosa afinidade de Eça com Flaubert… mas também as posições tão divergentes que ambos sustentaram quanto ao propósito social desse realismo», ressaltando ainda «a inimitável originalidade do nosso autor», conforme ressalta o tradutor na nota introdutória.



SANTO ANTÓNIO



Tal como também fez seu bisavô, António Eça de Queiroz deu-lhe agora para escrever vidas de santos, começando pelo seu homónimo, o Santo António de Lisboa e de Pádua, o primeiro da tríade celeste do mês de Junho que abençoa os folguedos e os etc… Para além de um gosto familiar, legítimo como qualquer outro, supomos que o motivo será o mesmo para ambos os escritores: cansados da biografia de tantos medíocres nos altares da fama desta nossa sociedade, foram ambos à procura de seres excepcionais pela sua capacidade de doação e abnegação. E Santo António é um desses seres maiores, agora pela escrita de António Eça de Queiroz e editado pela Guerra & Paz.



EÇA E O VINHO VERDE

A Associação Portuguesa de História da Vinha e do Vinho (APHVIN/GEHVID) e a Confraria do Vinho Verde acabam de publicar as Actas do 1.º Congresso Internacional de Vinho Verde, realizado em 2007, que apresentam trabalhos de vários investigadores sobre este vinho, entre os quais um estudo de J. A. Gonçalves Guimarães e Susana Guimarães intitulado «O Vinho Verde na Obra de Eça de Queirós» a partir da exaustiva análise da obra do escritor, da crítica às obras dos seus comentadores e biógrafos, e do recurso às fontes documentais existentes no Solar Condes de Resende, limpando assim a exegese queirosiana de alguns aspectos que lhe não pertencem de todo, e não só no que diz respeito ao Vinho Verde, o terceiro mais referido pelo autor de A Cidade e as Serra, mas não nesta obra.

CONTOS TRADICIONAIS

No passado dia 29 de Maio, Anabela Mimoso apresentou na Biblioteca Municipal de Gaia os seus mais recentes livros: Contos Tradicionais Açorianos de Teófilo Braga e, para os mais novos, Aquela Palavra Mar, os quais foram comentados por Rosário Girão, professora da Universidade do Minho.

CONFRADES QUEIROSIANOS DISTINGUIDOS

Carlos Reis, professor catedrático da Universidade de Coimbra e Reitor da Universidade Aberta foi convidado para presidir à Fundação José Saramago.

A 1 de Junho a escritora Beatriz Pacheco Pereira, directora do Fantasporto, foi distinguida com o Premio Mérito Carreira da Gala dos Eventos que decorreu no Hotel Sheraton no Porto.

No passado dia 10 de Junho o Presidente da República agraciou com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique a ex-ministra da Cultura, deputada e professora catedrática de Literatura, Isabel Pires de Lima.

CONFERÊNCIA QUEIROSIANA

No passado dia 17 de Junho, na abertura do 17º Festival Internacional de Música de Gaia, que decorreu no Auditório Municipal, organizado pelo Conservatório Regional de Musica de Gaia com o apoio do município e de outras entidades, Mário Vieira de Carvalho, professor da Universidade Nova de Lisboa e ex- secretário de estado da Cultura fez uma conferência sobre “ A República e as mudanças na cultura musical”. No final do concerto o Maestro Mário Mateus dirigiu a “ Invocação dos Lusíadas” de Viana da Mota.

EÇA REVISITADO NO SOLAR


No passado dia 19 de Junho, os alunos do Curso Profissional de Técnicos de Turismo da Escola Básica e Secundaria de Canelas, Vila Nova de Gaia, interpretaram no Solar Condes de Resende alguns exercícios escolares sobre a vida, época e obra de Eça de Queirós e de outros autores da mesma geração.

TOMAR CAFÉ OU NÃO

Os tempos não estão para cortesias tolas. Não quero ir tomar café com Benjamin Netanyahu e Ehud Barak por estarem a piorar as condições de vida dos prisioneiros do campo de concentração de Gaza perante a passividade da comunidade internacional; nem com Sarah Ferguson, por a senhora duquesa das banalidades não saber que o vinho em excesso não é desculpa para actos indignos; nem com Tony Hayward director da BP a empresa que está a matar o Golfo do México.
Tomaria café com Carlos Alexandre, o magistrado que não tem tido medo do papão político; com Carlos Alberto de Sousa Monteiro o magistrado atento aos exemplos dos “Frei Tomás” da nossa política; com Rui Tavares para conversarmos sobre os seus textos e a sua proposta de bolsa de investigação.

Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 22 – Sexta, 25 de Junho de 2010
Cte. n.º 506285685 ; NIB: 001800005536505900154; IBAN:PT50001800005536505900154;
Email : queirosiana@gmail.com; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com;
coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redacção: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.



terça-feira, 25 de maio de 2010

Eça & Outras

Eça, Portugal e a Grécia

Vários emails chegados de vários amigos e confrades trouxeram-nos o seguinte texto: «Nós estamos num estado comparável somente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade politica, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento de caracteres, mesma decadência de espírito
Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá… vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se a par, a Grécia e Portugal».
Isto não foi escrito ontem, mas em 1872 por Eça de Queirós n’As Farpas. Já passaram 138 anos e estamos na mesma situação. Se por um lado esta “doença crónica” já nos deu alguma imunidade, até porque, tanto nós como os gregos, temos sobrevivido, não há dúvida que esta quase permanente corda na garganta, cujo nó se apertou, recordemos, no final do século XIX, durante a 1.ª República, a seguir ao 25 de Abril e agora em plena democracia, tem impedido este país de andar de cabeça erguida por entre as demais nações, enquanto as nossas classes dirigentes comemoram mistérios, campeonatos de futebol, feiras diversas e outras fantasias clientelares que os netos e bisnetos dos actuais distraídos, excluídos do sistema ou incapazes de o modificarem, ou seja, os descendentes de quase todos nós, pagarão com empréstimos a juro escandaloso.
Lembram-se daquele senhor que dizia que a Expo 98 se pagava a si mesma e que por isso ainda lhe haviam de erguer uma estátua? Aposto que é descendente do conselheiro Acácio ou do conde de Abranhos ou de quaisquer outras personalidades queirosianas idênticas. Não, meus amigos, isto não é para rir. Eça teria dispensado esta sua capacidade profética em nome de seu grande e lúcido amor pela pátria, que não se alimentava das balelas do seu tempo e que ainda hoje perduram. Passados estes anos todos é uma condenação o estarmos na «mesma decadência de espírito». Mas não tem que ser eterna: o próprio Eça também nos deu a solução: «… as nações têm a vida dura, e … o nosso Portugal tem a vida duríssima. E se os que estão no poder porfiarem sempre em cometer a menor soma humanamente possível de acerto, muitos perigos podem ser conjurados e a hora má adiada», escreveu ele em «Novos factores da política portuguesa». Mas será que os políticos actuais leram Eça? Não creio; terão lido, quando muito a Arte de Falar em Público, em fotocópias piratas de qualquer inútil MBA.
Não estamos em tempos de revolução, é o que dizem os sensatos, como se se pudessem programar as tempestades. Mas que isto tudo precisa de uma vassourada suponho que ninguém tem dúvidas.

J. A. Gonçalves Guimarães

Obras queirosianas

No ano de 2009 foram publicadas mais duas obras com temática queirosiana: de Fernando de Castro Brandão, Eça de Queirós. Uma cronologia, edição da Europress e de António Cirurgião, De Eça a Jorge de Sena, pela Imprensa Nacional – Casa da Moeda.
Continua assim o escritor a ser fonte de inspiração e ponto de partida para novas, renovadas, repetidas, remendadas e requentadas abordagens da sua vida, obra e época. Se este aspecto é altamente positivo, pois nada nem ninguém é dono do escritor e do seu enorme legado cultural, verifica-se, no entanto, uma gritante falta de análise crítica das obras que se vão publicando, talvez porque neste país de moles opiniões sempre se confundiu crítica com maledicência. Falta-nos pois a primeira, que a segunda dispensa-se.


Nova Confraria Queirosiana no Brasil

No passado dia 27 de Fevereiro foi fundada em Oeiras do Piaui a Confraria Eça–Dagobertiana de estudos da obra literária de Eça de Queirós e do ensaísta e historiador oeirense Dagoberto Carvalho J.or. O jantar comemorativo recriou a ementa do Abade de Cortegaça de O Crime do Padre Amaro. Entretanto aquele nosso confrade brasileiro foi alvo de uma justíssima homenagem na sua terra natal, tendo aí sido descerrada uma placa de bronze dizendo a quem passa o seguinte: NESTA CASA/ NASCEU, EM 9 DE MAIO DE 1948,/ O MÉDICO E ESCRITOR/ DAGOBERTO FERREIRA DE CARVALHO JÚNIOR,/ AUTOR – ENTRE OUTROS LIVROS – DE/ “PASSEIO A OEIRAS”./ MEMÓRIA DA/ ACADEMIA PIAUIENSE DE LETRAS/ INSTITUTO HISTÓRICO DE OEIRAS/ FUNDAÇÃO NOGUEIRA TAPETY/ CONFRARIA ECIANA DE OEIRAS/ POUSADA DO CÔNEGO/ EMPRESA LIDER/ 25. IV. 2010.
O homenageado recebeu entretanto também as felicitações e os abraços de afecto, estima e admiração dos seus confrades portugueses na recente digressão que Maria Carolina Calheiros Lobo e António Alberto Calheiros Lobo fizeram pelo Brasil.

Estátua de Rocha Peixoto

No passado dia 2 de Maio foi inaugurada em frente da Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim uma estátua de Rocha Peixoto, etnógrafo, bibliotecário e também último secretário da Revista de Portugal de Eça de Queirós. Da autoria de Helder Carvalho, ela assinala o centenário da sua morte que a edilidade poveira está a comemorar, tendo para o caso nomeado uma comissão da qual fazem parte o presidente da câmara, Dr. José Macedo Vieira, o vereador da cultura Dr. Luís Diamantino, o director da biblioteca, Dr. Manuel Costa, a directora do boletim cultural, Dr.ª Maria da Conceição Nogueira, com a direcção científica do Prof. Doutor João Marques.
Na ocasião foram também lançados os boletins n.os 43 e 44, com artigos sobre a vida e obra de Rocha Peixoto e ainda as Actas do Colóquio que lhe foi dedicado em Maio de 2009.
A terra poveira continua assim a promover os seus filhos mais dilectos e a partilhar a sua obra com todo o mundo. Por todos estes motivos a Confraria Queirosiana esteve presente no evento representada pelo presidente da direcção e mais quatro confrades.

Aniversário de As Artes Entre As Letras

Foi um auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett no Porto completamente cheio que no passado dia 20 de Maio aplaudiu o 1.º aniversário desta revista na pessoa da sua directora Nassalete Miranda, tendo na circunstância falado sobre o projecto Miguel Veiga e Salvato Trigo. A directora agradeceu emocionada esta manifestação de cumplicidade neste projecto cultural que extravasa em muito os horizontes da muralha fernandina, pois o Porto, quando quis ser grande, sempre se foi ao mundo.
A direcção da Confraria Queirosiana fez-se representar nesta simpática comemoração da revista literária que divulga a sua página Eça & Outras.

Jantar queirosiano em Santo Tirso

Na última sexta-feira, 21 deste mês, decorreu no Instituto Nun’Alvres, Santo Tirso, também conhecido por Colégio das Caldinhas, um Jantar Queirosiano no qual participaram a direcção do Colégio, os seus professores e alunos e a Confraria Queirosiana.
Organizado pelo Curso Profissional de Técnicos de Restauração e pelo Departamento de Português, muitos professores e alunos apresentaram-se vestidos à época e as mesas estavam decoradas com um requinte a lembrar as ceias de Os Vencidos da Vida ou de Os Maias, de que foram recriadas algumas passagens. A música de fundo e algumas danças por um par profissional e depois, pelos presentes, ajudaram ao ambiente queirosiano que teve o seu ponto alto na ementa, primorosamente impressa, magnificamente cozinhada e impecavelmente servida.
A Direcção do Instituto presidiu ao repasto, tendo estado presente o próprio Eça, pois a organização não se esqueceu de lhe reservar uma cadeira de honra neste serão em sua homenagem.

O Couseiro de Leiria

No próximo dia 5 de Junho pelas 15 horas na Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, em Leiria, será apresentado pelo Professor Doutor Saul António Gomes o novo livro de memórias leirienses de Ricardo Charters d’Azevedo, Quem escreveu o Couseiro, editado pela Textiverso, abrindo ao público, na ocasião, uma exposição sobre as várias edições desta obra também conhecida por Memórias do Bispado de Leiria, cujo autor, ou autores, se desconhecem, tendo sido escrito há cerca de 400 anos, mas só contado com edições impressas desde 1868. Na presente edição, o autor não só tentou conseguir uma versão mais próxima do original como apresenta novas hipóteses para a identificação do autor.

Curso Internacional de Verão

A Fundação Eça de Queirós vai realizar a 12.ª edição do seu Curso Internacional de Verão – Seminário Queirosiano entre os dias 19 a 23 de Julho de 2010, subordinado ao tema “Da Geração de 70 à República: práticas estéticas e debate ideológico”, especialmente dirigido a professores e estudantes universitários mas também a todos os demais interessados na obra queirosiana. As inscrições decorrem até 12 de Julho. Para a frequência do mesmo existem vinte bolsas para dez estudantes portugueses e dez estrangeiros, cujo prazo de candidatura termina a 15 de Junho.
O curso é coordenado por Isabel Pires de Lima, do Conselho Cultural da FEQ.
Mais informações podem ser pedidas para feq@feq.pt

Café Eça de Queirós

Abertas as suas portas ao mundo em que vivemos neste blogue, este café acolhe-nos a todos, cada um na sua condição e cada um com os seus defeitos e virtudes. Não tem reservado o direito de admissão, mas cada um só toma café com quem quer, um direito que nos assiste e que não alienamos. Assim, não queremos tomar café com:
Ana Raquel da Silva Guerra, por não devolver os livros que não são seus; Armando Vara, porque não nos apetece; Inês de Medeiros porque ser deputada não é um favor que se faz ao eleitorado; Jardim Gonçalves o cabeça de um dos octopus mei que existem neste país; Ricardo Rodrigues, porque empalmar gravadores a jornalistas é pouco ético; Tadeu Soares, porque a representação diplomática de Portugal não pode continuar como no tempo de Eça de Queirós, do que ele então já amargamente se queixava….
Mas gostaríamos de tomar café e dar dois dedos de conversa com: Baltazar Garzon, o “caça-fantasmas” espanhol; Bruna Real, porque a beleza é um dom divino; Lino Maia, o padre bom que sabe que não se podem pôr as crianças numa prateleira; Raquel Henriques da Silva, por saber que a Arte não é alheia ao seu significado social; Saldanha Sanches por ter dado à Fiscalidade muita da dignidade que lhe andava arredada; Vitor Bento por acreditar que a Economia não é a Matemática das contas erradas sempre para os assalariados.

Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 21 – Terça, 25 de Maio de 2010
Cte. n.º 506285685 ; NIB: 001800005536505900154; IBAN:PT50001800005536505900154;
Email :queirosiana@gmail.com;
confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com;
coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638);
redacção: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral;
colaboração: Dagoberto Carvalho J.or; António Eça de Queiroz; Ricardo Charters d’Azevedo.

domingo, 25 de abril de 2010

Eça & Outras

“As Artes entre as Letras” de parabéns

 No próximo mês de Maio a revista quinzenal dirigida por Nassalete Miranda faz um ano. Aí se tem publicado a página Eça & Outras em papel, através de um protocolo celebrado entre a Confraria Queirosiana e a empresa, o qual deu consistência a uma parceria que já vinha de outra publicação. O dizer o quanto esta revista – teimo em chamar-lhe assim – veio preencher uma lacuna é bla-bla fácil de escrever e excessivamente óbvio: que mais tínhamos nós além do Jornal de Lisboa, perdão, de Letras, o JL de José Carlos de Vasconcelos?
Desde que Marilyn Monroe cantou o Happy birthday to you ao presidente Kennedy que já não é suposto ouvir cantar o “Parabéns a você” naquele estilo meloso de cantilena de lar da terceira idade. Por isso, pelos parabéns devidos, eis o que até hoje retive da leitura que dele faço.
Em primeiro lugar as duas crónicas sempre presentes, a de Guilherme de Oliveira Martins e a de Carlos Fiolhais, a primeira sobre esse tema abrangente que é a Cultura, mas que este autor não deixa que seja tomada como uma barraca da feira dos Carvalhos onde se pode vender de tudo, e a segunda com as suas revelações da Ciência e do Pensamento: num país que separou por “canudos” as Ciências Exactas, as da Natureza e a Técnica das Ciências Históricas, é uma página que faz bem.
Depois os artigos e reportagens sobre Património, esse novo menino do conhecimento que entre nós ainda mal saiu da incubadora: a linha do Tua, a calçada à portuguesa, a lusofonia, e pouco mais, não vá o papão acordar. Nesta “Procissão”, para me lembrar de um texto antológico de J. Rentes de Carvalho com este título, vão os grandes autores do passado como Carolina Michaëlis, Joaquim de Vasconcelos, Sampaio Bruno, Fernando Pessoa, Eça de Queirós, Alexandre Herculano, António Nobre, Albert Camus, Machado de Assis, Adolfo Simões Müller, Guerra Junqueiro, Alberto Sampaio, Luiz Pacheco. Mas também os vivos da costa e do interior, José Saramago, Albano Martins, Mia Couto, Beatriz Pacheco Pereira, Helder Pacheco.
As gentes do teatro também nele aparecem, pontuando-se a António Pedro e passando por Júlio Gago, Júlio Cardoso, Nuno Casinhas, Castro Guedes, Eunice Muñoz, Margarida Carpinteiro. Os do cinema, falando de João Bérnard da Costa, Lauro António, o Cinenima, o Fantasporto. Muitos artistas plásticos, José Rodrigues, Armando Alves, Paulo Vilas Boas, Francisco Simões Vieira da Silva, Nadir Afonso, Júlio Resende, o Portocartoon, Serralves e a Casa do Desenho. Com as músicas de Manuel Ivo Cruz, Günther Arglebe Giovanni D’Amore, Jorge Peixinho e a Orquestra Nacional do Porto.
Personalidades como D. Manuel Clemente, bispo, historiador e professor, ou a memória de José Augusto Seabra ou ainda da República, nos cem anos que dela se fazem, são outras tantas rúbricas bronzinas nesta revista. E também, no décimo aniversário da lei que considerou a gastronomia como Património Cultural, a presença do chefe Hélio Loureiro e a Confraria das Tripas e do chefe Hermínio Costa.
Esta é a minha memória imediata do muito mais que As Artes entre as Letras publicaram durante um ano, além da página queirosiana Eça & Outras sobre a qual, obviamente, não me pronuncio. É esta a minha leitura parcelar, pouco isenta, pois é como se tivesse ido a uma garrafeira muito variada e apenas escolhesse as marcas e as colheitas de minha particular estima.
Dei também por algumas ausências nesta rápida memória: a História evocada a propósito de Herculano, teve apenas Francisco Ribeiro da Silva a cultivá-la a propósito do 31 de Janeiro; a Arqueologia, um breve comentário de Joel Cleto. Talvez me tenham escapado outros profissionais destas áreas.
Eis pois o que retive neste seu primeiro ano de vida. Convenhamos que há lá muito mais.
Mas eu bem fui avisando que, depois da Marilyn Monroe o ter feito como vocês sabem, sempre me achei ridículo a cantar os parabéns a você. E não me lembro que Plácido Domingo o fizesse. Prefiro portanto comemorar o seu primeiro aniversário com uma saudação e com um verdadeiro vinho do Porto, Gaia blend, à directora e a todos os colaboradores do As Artes entre as Letras: à vossa saúde, por muitos e bons números.

J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor

Salvemos a dignidade da Arqueologia Nacional

Têm corrido na Internet, e por outras formas de divulgação, várias declarações, petições e outras tomadas de posição que visam alterar o plano para destruir ou inviabilizar o Museu Nacional de Arqueologia, um dos que mais “tesouros nacionais” tem, dos mais visitados do país e daqueles que maior produção científica apresenta.
Uma das formas de o destruir é transferi-lo para os barracões da Cordoaria Nacional situados no leito de cheia do Tejo, onde ficariam, obviamente, muito melhor os barcos do Museu da Marinha.
Muitos dos maiores nomes da arqueologia portuguesa e das outras áreas do conhecimento advogam a necessidade da construção de um edificio de raiz, ou a sua instalação noutro edifício condigno situado em local conveniente e com condições para tal.
O seu actual director, Professor Luís Raposo, tem-se desdobrado em acções de esclarecimento em defesa do nosso (dos portugueses!) Museu Nacional de Arqueologia, que o actual governo pretende ofender de forma irremediável. Desde, pelo menos, o consulado de Santana Lopes como Secretário de Estado da Cultura, que a Arqueologia Nacional é vista pela classe dirigente como um empecilho a abater. Mas não vai ser fácil. Assim Endovélico nos ajude.

Jacinto em Lamego

No passado mês de Dezembro, no salão nobre da câmara de Lamego, Cristina Bernardes apresentou em conferência a sua tese de mestrado intitulada “Da decadência à regeneração: Jacinto e o percurso da auto-descoberta em A Cidade e as Serras”, apresentada em 2007 à Universidade Aberta para a obtenção do grau de Mestre em Estudos Portugueses Interdisciplinares.

J. Rentes de Carvalho em Matosinhos

Coincidindo com a sua estadia em Portugal, J. Rentes de Carvalho foi um dos escritores convidados pela organização do colóquio “Literatura em Viagem” que recentemente decorreu na terra do poeta do Só.
Aproveitando a oportunidade, com mais alguns outros escritores, deu um pulo a Gaia em peregrinação ao Monte dos Judeus, tendo constatado que a casa onde nasceu está à venda. O mamarracho que lhe construíram em frente ainda lá continua, dizem que embargado.

Eça o mais lido em Coimbra

Num recente concurso organizado na Universidade de Coimbra em que participaram cerca de 400 docentes, funcionários e alunos, que deveriam indicar “os três romances escritos em língua portuguesa que mais gostou [gostaram] de ler ao longo da sua vida”, o primeiro lugar, com 198 votos, foi para Os Maias de Eça de Queirós, e o segundo lugar, com uns 75 votos, para Memorial do Convento de Saramago.
Acrescente-se que a cidade do Mondego tem completamente esquecido o Roteiro Queirosiano de Coimbra escrito há anos por Carlos Santarém Andrade.
Lá do alto, Eça deve ter dito: os estudantes da minha universidade nunca se esquecerão de mim. Et voilá!

 Um hotel na Natureza

O Parque Biológico de Gaia, entre os muitos e variados serviços que apresenta, tem também a Hospedaria do Parque destinada a todo o tipo de grupos ou pessoas individuais que queiram desfrutar de um contacto mais próximo com a natureza. As suas características não esqueceram as crianças e aqueles que se movimentam em cadeira de rodas. Os preços são óptimos e há quartos com duas, três, quatro e seis camas, até um total de quarenta e seis camas distribuídas por doze quartos. Um hotel realmente na natureza e perto do centro das cidades de Gaia e Porto.

Eça de Queirós no corta e cola

Saiu mais um livro sobre Citações e Pensamentos de Eça de Queirós editado pela Casa das Letras, e desta vez da autoria de Paulo Neves da Silva, licenciado em Matemáticas Aplicadas que, depois de o ter feito a Fernando Pessoa, Nietzsche e Agostinho da Silva se deu ao trabalho de fatiar a obra de Eça de Queirós e servi-la em nova edição. Face à bibliografia já existente sobre o autor preferíamos que talvez nos desse qualquer coisa como “A Matemática na vida e obra de Eça de Queirós”. Isso é que sim, é que era obra. Suponho que não vamos ter um Clube dos Citadores.

Capital de Cabo Verde em Livro

Acaba de ser editado pelo Instituto do Arquivo Histórico Nacional de Cabo Verde a tese de mestrado de José Silva Évora intitulada “A Praia de 1850 a 1860: o porto, o comércio e a cidade “defendida na Faculdade de Letras em 2007.
Nesta obra o autor analisa exaustivamente a vida desta cidade portuária no tempo dos grandes veleiros, quando ela era o ponto de passagem obrigatório nas viagens atlânticas entre a Europa, as Américas, a África subsariana e até o longínquo Oriente.

Tomar café ou não

Não quero tomar café com:

John Paulson, um dos “génios” financeiros americanos, mais um chico esperto que a única coisa que deixou no bolso dos que investiram nos seus negócios foi cotão; Luís Figo, o herói do vale tudo desde que lhe paguem; Mário Nogueira, o “senhor da guerra” da mediocridade docente; Pinto Ribeiro, outro génio que só tem lucro quando trabalha no sector privado mas não quando o faz no sector público; e ainda há-de receber uma medalha… pública; Marechad António de Spínola, mentor do MDLP responsável pelo roubo e destruição do tesouro da Colegiada de N.ª Sr.ª da Oliveira em Guimarães.

Gostava de ir tomar café com:

Luís Raposo, pela firmeza e autoridade intelectual com que tem defendido o Museu Nacional de Arqueologia; António Sala, o senhor da Rádio; João Canijo que nos pôs ao espelho a ver o retrato deste país cinzentão no cinema..

Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 20 – Domingo, 25 de Abril de 2010
Cte. n.º 506285685 ; NIB: 001800005536505900154
IBAN:PT50001800005536505900154;
Email :queirosiana@gmail.com;
confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com;
coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638);
redacção: Fátima Teixeira;
inserção: Amélia Cabral;

quinta-feira, 25 de março de 2010

Eça & Outras

Maria Helena Rocha Pereira no Solar em 2002

Maria Helena Rocha Pereira:
um prémio literário ao mérito

A sociedade portuguesa vive agudas contradições próprias de um tempo de mudança. Daí não serem de estranhar os diversos sinais contrários que volta e meia nos chegam. Desta vez a Associação Portuguesa de Escritores distinguiu com o Prémio Vida Literária a professora universitária, ensaísta e tradutora Maria Helena da Rocha Pereira, e não sei se em Portugal haveria alguma atribuição tão consensual a premiar a excelência, a dedicação, a produção e a qualidade de profundos e incontornáveis estudos literários no âmbito das línguas grega e latina, da Literatura e da Cultura Portuguesa e Europeia, que é disso que trata uma produção própria de mais de mil títulos onde até encontramos análises sobre a vida e obra de Antero de Quental, Guerra Junqueiro e Ramalho Ortigão, entre muitos outros poetas, escritores e pensadores, que deixaram obra digna de apreço pelas gerações que nos unem aos gregos pré-socráticos, que perante a incerteza dos tempos de então nos legaram um poema imorredouro, um vaso pintado com a beleza da figura humana, ou um discurso de Cícero sobre a supremacia dos interesses da pátria face à ambição dos grupos organizados.
Em 2002 tivemos o gosto e o prazer de ter Maria Helena da Rocha Pereira a demonstrar como se ensina grego no curso que organizamos no Solar Condes de Resende intitulado “Introdução ao estudo das línguas antigas”, e aí constatamos mais uma vez que uma grande professora sabe, gosta e disponibiliza-se para, do alto da sua categoria, ensinar com agrado os rudimentos aos curiosos pela cultura de eleição, e repensar os fundamentos básicos do monumento cultural que irá continuar a erguer ao longo de uma vida.
Desta vez a APE premiou justamente uma vida que tem dado à Literatura o estatuto superior que ela sempre carecerá para além das inspirações e produções de desabafos pessoais que não sabemos se os tempos considerarão. Premiou uma obra erudita, sólida, útil e, além de tudo o mais, artística e abridora das portas do templo da sabedoria que cada um pode tirar para si e a grei para todos.
Mas entretanto chegou-nos também a notícia de que a presidente da Associação Portuguesa de Professores de História se deu conta de que se prepara mais uma machadada no ensino da dita nas escolas, com a proposta da redução de horas lectivas e a abertura do seu ensino aos professores de Geografia, como se a História, depois do saber ler, escrever e contar, não fosse o conhecimento básico para qualquer aprendizagem e qualquer curso. Não faz qualquer sentido haver médicos, economistas, engenheiros, advogados ou políticos que não sabem a história das suas profissões e a sua evolução. Aliás todos nós conhecemos patetas alegres encanuados que não sabem nada de nada e, incapazes de perceberem como se chegou até aqui, também são incapazes de potencializar os cursos que tiraram (a quem?) e de nos darem perspectivas de um melhor amanhã. Mas, dirão eles, o que é que isso interessa no corre-corre actual, quando estão a chegar ao mercado de trabalho as massas de Bolonha de cursos fininhos, tipo esparguete?! O nosso ensino oficial irá pois continuar como mais uma aventura e não como coisa séria.
A Porto Editora acaba de anunciar que vai pôr o resumo de Os Maias nos telemóveis, para ouvir com auriculares, ao preço de 4,99 euros. Não tenho nada contra mais esta brincadeira tecnológica. O problema é que chamarão a isto “estudar”.
Mas, no meio disto tudo, se a Associação Portuguesa de Escritores ainda teve discernimento para galardoar Maria Helena Rocha Pereira, é porque ainda se distingue uma obra séria da bichanice pseudo-cultural que a sociedade portuguesa actual promove como ensino e cultura. Às vezes ainda se distinguem os profissionais dos divulgadores das contrafacções ou das irrelevâncias do momento. E isso honra a galardoada, os promotores do prémio e, afinal nós todos. Os que quiserem.

J. A. Gonçalves Guimarães

Gilberto Freyre 110 anos!

No 110º aniversário do nascimento de Gilberto Freyre, a fundação que tem o seu nome e o Diário de Pernambuco lançaram o seu livro Crônicas do Cotidiano, organizado por Carolina Leão e Lydia Barros, apresentado no passado dia 15 de Março no Espaço Cultural Gilberto Freyre em Apipucos, Recife.
Nesta sessão o nosso prezado confrade Dagoberto Carvalho Júnior falou da colaboração do ensaísta brasileiro nos Diários Associados. Foi também aí oficialmente lançado o 4º Concurso Nacional de Ensaios do Prémio Gilberto Freyre 2010-2011 para o «melhor ensaio inédito sobre as interpretações freyrianas acerca da alimentação e da gastronomia como elemento diferenciador da arte e da cultura do povo brasileiro».

Nova Confraria Brasileira

No passado dia 27 de Fevereiro foi instalada em Oeiras do Piauí a Confraria Eça-Dagobertiana, de estudos da obra literária do romancista português José Maria Eça de Queiroz e do ensaísta e historiador eciense Dagoberto Carvalho Júnior. O jantar de fundação repetiu a ementa do Abade da Cortegaça de O Crime do Padre Amaro.
A nova confraria brasileira, que pretende manter reuniões trimestrais, é presidida pela professora Cassi Neiva, da Universidade Estadual do Piauí em Oeiras e do Colégio Paulo Freire.
A Confraria Queirosiana saúda esta nova agremiação que junta devotos do nosso patrono e amigos e admiradores do seu grande divulgador na América do Sul.

Romance de António Eça de Queiroz

Desde o passado dia 12 está nas livrarias O Romance Ilegal do Sr. Rodolfo, de António Eça de Queiroz, bisneto do autor de O Conde de Abranhos nascido em 1952 na Granja, Vila Nova de Gaia, ex-jornalista de O Comércio do Porto e do Expresso, com trabalhos também publicados noutros títulos. Depois de Contos Acrónicos, Eça de Queiroz e os seus clones, e Porto versus Lisboa (em colaboração), este confrade queirosiano publica agora um romance que envolve um jovem procurador do Ministério Publico, um antiquário espertalhaço e uma mulher misteriosa, em volta do tráfico de esmeraldas. A editora é a Guerra & Paz.

Curso de História no Solar

No próximo dia 10 de Abril decorrerá no Solar Condes de Resende a ultima sessão do curso livre sobre História de Gaia e da Região do Porto, que nesta sua quarta edição versou sobre Homens e Mulheres ilustres. Organizado pela Academia Eça de Queirós, as aulas foram ministradas por Gonçalves Guimarães, Amândio Barros e Nuno Resende.
A sessão de encerramento terá como tema “Os cavaleiros do ideal: monárquicos, republicanos e outros” e estará a cargo do primeiro daqueles professores.
Para o próximo ano lectivo a Academia está a preparar um curso sobre Património Religioso e Arte Sacra que contará com a colaboração de alguns dos melhores investigadores nestas matérias que interessam ao cidadão comum, crente, agnóstico ou não crente, mas também a professores, estudantes universitários, técnicos de restauro, detectives, antiquários, coleccionadores, museólogos, membros de comissões fabriqueiras, sacerdotes, artistas, artífices, técnicos de turismo, historiadores, teólogos, antropólogos, sociólogos, psicólogos, técnicos de protecção civil e designers, pelo menos.

Viagem a Cuba queirosiana

A Confraria Queirosiana está a organizar uma viagem a Habana no final do ano com passagem obrigatória pelos locais onde Eça de Queirós estanciou durante a sua estadia como consule nesta cidade entre 1872 e 1874.
Os interessados deverão contactar a Confraria para tratarem da sua inscrição, dado que o grupo terá um número limitado de lugares à disposição.

Tomar café ou não com:

Não quero tomar café com: Papa Bento XVI, enquanto não me disser que já leu O Crime do Padre Amaro; Alberto João Jardim por ignorar os estudos sobre as ribeiras da Madeira a que teve acesso pelo menos desde 1993; Recep Tayyp Erdogan o político turco que não aprendeu nada com a História do seu país.

Gostaria de ir tomar café com:

Mário Ferreira, o empresário do Douro turístico porque navegar é preciso; Luís Raposo que luta pela dignificação da Arqueologia em Portugal tentando salvá-la de uma decisão absurda; Ban Ki-Moon por falar claro sobre os colonatos ilegais promovidos por Israel na terra dos palestinianos; Roman Polanski por tentar sobreviver a uma acusação da justiça que a alegada vítima diz não ter existido.

Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 19 – Quinta-feira, 25 de Março de 2010
Cte. n.º 506285685 ; NIB: 001800005536505900154
IBAN:PT50001800005536505900154;
Email :queirosiana@gmail.com; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com;
coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redacção: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral;
colaboração: Dagoberto Carvalho Júnior; Dias Costa; José Pereira Gonçalves; António Eça de Queiroz; Luís Manuel de Araújo.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Eça & Outras

Revista de Estudos Chineses - Zhongguo Yanjiu
Não existem em Portugal muitas publicações periódicas sobre outros países e civilizações ou sobre as relações entre a cultura portuguesa e a de outros povos.
Numa rápida abordagem informática encontramos apenas os seguintes títulos: Estudos Italianos em Portugal, publicado pelo Instituto de Cultura Italiana, desde 1939; Estudos Orientais, publicado pelo Instituto Oriental de Lisboa, desde 1990; Estudos Germânicos, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, desde 1998; Revista de Estudos Anglo-americanos e Germanísticos da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, desde 2001, a que poderíamos juntar a revista Africana do Centro de Estudos Africanos e Orientais da Universidade Portucalense Infante D. Henrique, que se publicou ao longo da década de 90 do século passado e que recentemente reapareceu. E pouco ou nada mais.
Sobre a China, supomos ser única a Revista de Estudos Chineses do Instituto Português de Sinologia, que apresentará em breve os n.ºs 4 e 5 em Lisboa e no Porto, durante os trabalhos do 5º Fórum Internacional de Sinologia, mantendo, ou mesmo aumentando, a variedade temática e a qualidade dos artigos que publica.
Sendo uma publicação abrangente sobre um tema universal – os estudos sobre a China e a sua relação com o mundo, ou do mundo com a China – tem vindo a arrumar a colaboração publicada em várias secções. Recordemos que no n.º 1 se podem encontrar artigos Falando sobre Minorias, sobre A nova Economia Chinesa, ou Medicina chinesa um repto às práticas ocidentais; no seu n.º 2 praticamente todos os estudos têm Macau como objecto de análise e no 3.º numero, encontramos análises no âmbito das Ciências Sociais, do Pensamento Jurídico e exercício da Justiça na China, alguns outros Falando de História e, de novo, Macau: memória.
Confrontando os programas dos Fóruns Internacionais de Sinologia já realizados, também pelo Instituto Português de Sinologia (IPS), não é difícil estabelecer uma relação directa entre os temas propostos, e os estudos aí apresentados, com os artigos publicados nesta revista, se bem que os números editados não sejam exactamente as suas Actas. Corroborando a sua internacionalidade (e não o internacionalismo) dos seus colaboradores, alguns deles são presença confirmada, não apenas nas suas páginas, mas também nas diversas publicações nacionais e internacionais que divulgam estudos sobre Sinologia e sobre as relações entre Portugal e os portugueses e a China. Sendo a revista propriedade do IPS, não se estranhará a constância dos temas sobre Macau, sendo pois fácil inferir que nos números futuros este antigo território, que esteve sob administração portuguesa, voltará às suas páginas. Não só sobre o seu passado muito há ainda a investigar e muitas são as novidades a aprender, como quanto aos seus anos mais recentes, a calma marcha do tempo ainda não passou o suficiente para que a serena análise histórica possa ser feita, privilégio que bem podem ir tentando sobre as últimas décadas os geógrafos, os economistas, os sociólogos, os politólogos, tanto quanto estas disciplinas se permitem ter fronteiras entre os seus saberes. Gostamos de os catalogar, mania que nos ficou do enciclopedismo; organizamo-nos em corporações, talvez para melhor nos entendermos e dividirmos as tarefas. Mas entretanto o fluir da vida passada, presente e futura continuará, quase indiferente às nossas escolas, teorias, doutrinas e praxis.
Todo este divagar para dizer que o número 3 da Revista de Estudos Chineses, afinal sobre essa enorme realidade mundial que é a China, é variado de temas, mas sobretudo de perspectivas de abordagem, no tempo e no modo, até porque diversos são os profissionais das áreas de conteúdo dos seus artigos.
Abrindo com um estudo de Óscar Barata, professor catedrático jubilado do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) da Universidade Técnica de Lisboa, intitulado «A Pressão sobre a China no século XIX», recua um pouco mais no tempo e nas referências às relações entre as potências marítimas ocidentais e o Celeste Império, e como elas foram variando ao longo do tempo, acentuando os aspectos comerciais das diversas companhias e as acções militares e diplomáticas dos países em presença, particularmente dos ingleses e dos portugueses e, naturalmente, dos chineses. Neste desiderato é analisada a tentativa dos ingleses para ocuparem Macau, o negócio e as guerras do ópio e a sua fixação em Hong Kong. Um trabalho imprescindível para se compreender a história destes dois territórios até aos nossos dias.
O segundo artigo, da autoria de Wang Tongsan, director do Institut of Quantitative and Technical Economics, Chinese Academy of Social Scienses, intitulado «The Deep-rooted Problems in China’s Macro-economic Operation and Policy Guidance of Macro-economy Control in 2008», traz-nos até ao presente os sucessos da economia chinesa, contrapontados com os problemas a curto e a longo prazo, no primeiro caso a pressão da inflação e as exigências dos mercados internacionais e, no segundo, as relações entre o desenvolvimento económico e social, a inevitável reestruturação dos sectores primário, secundário e terciário, o consumo energético e a poluição ambiental, naquela que virá a ser a maior potência mundial face ao colapso dos Estados Unidos da América, ao reordenamento da Rússia e à emergência da Índia e do Brasil.
Segue-se um artigo de Anne Cheng, professora de l’Institut Nacional dês Langues et Civilisations Orientales, intitulado «Confucian views and laws vs rites in Ancient China» onde analisa aspectos da devoção filial na dinastia Han e a tensão entre os ritos e as leis, os dois maiores reguladores da ordem sociopolítica na história da China. He Weifang, professor da Faculdade de Direito da Universidade de Pequim, escreveu sobre a «China’s Judicial Reform» provocada pelas mudanças estruturais na actual sociedade chinesa, sobretudo depois de 1950, o que gerou antagonismos entre o direito escrito e a sua prática numa sociedade multiétnica, que as autoridades têm procurado aplanar através de oito directivas, a última das quais tem a ver com as relações entre a justiça e a comunicação social.
Problemas, dir-se-á, comuns a todas as sociedades desenvolvidas. Na China, talvez a ancora da tradição – de propósito não disse «o peso» - tenha um particular relevo que este autor não deixa de equacionar, como também o faz José Duarte de Jesus, ex-embaixador, docente no ISCSP e membro fundador do IPS, no artigo seguinte «A Justiça e o Estado na China Imperial e na Primeira República», no qual começa por nos advertir para os perigos da tentação de se estabelecerem paralelos entre conceitos jurídicos – ou outros – da tradição greco-cristã e os da civilização chinesa, nomeadamente os de Lei e Justiça ao longo das épocas, dinastias e períodos. Analisa depois as figuras do advogado e do litigador, até à Primeira República, concluindo, entre outros aspectos não menos interessantes, que, na antiga sociedade chinesa, havia «um humanismo profundamente civil» e que «os pressupostos confucianos antigos apontam bem mais para uma “open society” que os pressupostos platónicos».
Segue-se o artigo do autor desta recensão, sobre «Os estudos sobre as relações entre a região do Porto e a China: ponto da situação», que naturalmente não vou comentar, mas apenas o facto agradável e promissor de já me encontrar acompanhado por dois Amigos e Colegas: nesta revista, Manuel de Sampaio Pimentel A. Graça, professor na Escola Superior Artística do Porto (ESAP), apresenta-nos a sua investigação sobre «Chinoiserie e outros orientalismos no Porto» nos séculos XVIII e XIX, documentando nesta cidade o gosto por aqueles exotismos entre as classes possidentes, que os materializaram na decoração de edifícios, no mobiliário, nos tecidos decorativos, nas louças e em outros objectos de aparato.
Um outro Amigo, que consegui que se interessasse pelo Oporto China Fund criado pelos Cassels no final do século XIX naquela cidade para ajudar as missões do seu irmão William, bispo anglicano no interior da China, foi Fernando Peixoto, igualmente professor na ESAP, que o apresentou no II Fórum em Vila Nova de Gaia em 2007, mas que entretanto faleceu prematuramente no mês de Outubro de 2008, quando tanto ainda tinha para nos dar.
Mas a história dos tempos recentes na China está também analisada nesta revista no artigo «Le mouvement d’envoi des jeunes instruits à la campagne et les autres migrations organisées à l’époque maoiste» por Michel Bonnin, directeur d’études à l’École des Hautes Études em Scienses Sociales, que nos interpreta o que foi a migração de mais de dezoito milhões de jovens citadinos enviados para o campo entre 1968 e 1980, jovens esses que hoje têm 50-60 anos, muitos dos quais no topo da actual sociedade chinesa.
Seguem-se uma série de quatro artigos sobre Macau: «Evolução das árvores de arruamento na cidade de Macau» por António Júlio Emerenciano Estácio, engenheiro técnico agrário, e Fernando A. F. Macedo, arquitecto paisagista; «O cancelamento do IV centenário de Macau em 1955: as reclamações verbais das autoridades chinesas» por Moisés Silva Fernandes; «Bartolomeu Vaz Landeiro: the King of the Portuguese from Macao» por Lúcio de Sousa; e «Macau-Europa: a influência chinesa através dos seus produtos preciosos» por Rui d’Ávila Lourido, quatro importantes contributos para a permanente surpresa histórica daquele território, postos por ordem inversa do seu tempo cronológico e simbólico: os antigos jardins e espaços arborizados de Macau têm vindo a ser mutilados mas, entretanto, novas árvores têm vindo a ser plantadas nos terraplenos conquistados ao mar; em 1955 a China mostrou o seu desagrado pelas programadas comemorações dos quatrocentos anos da permanência dos portugueses no território, mas cuja administração, no entanto, aí permaneceria por cerca de mais meio século; Bartolomeu Landeiro é um daqueles portugueses que se foram ao mundo, capitão, mercador, protector de jesuítas e aventureiro, a quem os japoneses chamavam «o rei dos portugueses», personagem tão fascinante quanto esquecido e que agora aqui fica ao assombro dos leitores desta revista; finalmente o último artigo desta série propõe com bom fundamento o recuo da chinoiserie europeia para o século XVI, dando a Macau uma particular importância na divulgação dos produtos chineses na Europa.
Esta apresentação já vai longa e a ela se pode aplicar o provérbio chinês «Longos fios de seda trazem vantagem numa dança»; esta revista tem peças com certeza de diferentes espessuras e matizes, mas forma um notável conjunto que, mais uma vez, ficará na bibliografia necessária sobre a Sinologia em Portugal e no mundo.

J. A. Gonçalves Guimarães
Membro do IPS


Cartas Públicas de Eça

Uma equipa dirigida por Carlos Reis, professor catedrático da Universidade de Coimbra e actual reitor da Universidade Aberta, está a publicar a edição crítica das obras de Eça de Queirós, fixando o texto a partir dos manuscritos existentes, das edições revistas pelo escritor, das edições publicadas em sua vida, ou, no caso das obras póstumas, anotando a intervenção de outros na publicação do texto, confrontando todas as variantes, versões e edições no sentido de restituir a Eça o que é de Eça. Do Plano de Edição, na secção de obras de Ficção nos textos Não-Póstumos, estão já publicados O Crime do Padre Amaro (2.ª e 3.ª versões) O Mandarim e Contos I; dos Semi-Póstumos e Póstumos estão publicados A Ilustre Casa de Ramires, Contos II, A Capital! e Alves & C.ª; dos Textos de Imprensa, as colectâneas com este mesmo título, I, IV, V e VI; da Epistolografia, as Cartas Públicas, a que a seguir nos referiremos e nas Traduções As Minas de Salomão, faltando publicar, para além de outras obras em cada uma das secções do Plano de Edição, as enquadráveis nas Narrativas de Viagens e Vária.
Recentemente a Imprensa Nacional/Casa da Moeda pôs à disposição do público ledor, mormente os eçófilos e os eçólogos e, de um modo geral, todos os queirosianos, as Cartas Públicas, aqueles escritos a que o escritor «atribuiu forma epistolar» e «maioritariamente destinadas à imprensa», todos com «… o peculiar timbre que lhes foi incutido por um escritor que, além do mais, foi um cidadão do mundo, profundamente interessado na vida pública, nos costumes e nas ideias que atravessaram o seu tempo», conforme salienta Carlos Reis na Nota prefacial.
A presente edição foi estudada e preparada por Ana Teresa Peixinho, que em 2008 se doutorou na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra com uma dissertação sobre A Epistolaridade nos textos de Imprensa de Eça de Queirós, sendo agora professora auxiliar do Instituto de Estudos Jornalísticos daquela Faculdade e investigadora do CEIS 20, tendo já publicado em 2004, em co-autoria com Carlos Reis, os Textos de Imprensa I (da Gazeta de Portugal), e em 2002 a sua tese de mestrado intitulada A Génese da Personagem Queirosiana em Prosas Bárbaras, pela Editora Minerva.




João Nicolau de Almeida
Chevalier de l’Ordre du Mérite Agricole

Hoje, dia 25 de Fevereiro, pelas 18 horas, o Cônsul Geral de França no Porto, Senhor Philippe Barbry irá condecorar na Casa Ramos Pinto em Vila Nova de Gaia com o grau de Cavaleiro da Ordem do Mérito Agrícola, o enólogo João Rosas Nicolau de Almeida, administrador daquela empresa do grupo Roederer.
O agraciado nasceu no Porto em 1949, filho de Fernando Moreira Paes Nicolau de Almeida, o criador do Barca Velha, e de D. Maria José Ramos-Pinto Rosas Nicolau de Almeida. Frequentou as Universidades de Dijon e Bordéus, onde se diplomou em Enologia, Química Agrícola e Prova de Vinhos. Tem leccionado nas Universidades de Bordéus, UTAD e Universidade de Davis (Califórnia). É membro da Confraria do Vinho do Porto, onde tem desempenhado cargos directivos, da American Society of Enologists (EUA), da Associação dos Produtores e Engarrafadores do Vinho do Porto e da Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID). É também sócio dos ASCR-Confraria Queirosiana e do Oporto Golf Club.
Criador do célebre Duas Quintas e de outros vinhos de eleição, é autor de diversos estudos sobre a mecanização da vinha no Douro e sobre as suas castas.

Passeio a Oeiras do Piauí

Em sexta edição acaba de ser publicado Passeio a Oeiras, «Roteiro histórico e sentimental da antiga capital do Piauí» por Dagoberto Carvalho Jr., o notável plumitivo presidente da Sociedade Eça de Queiroz do Recife, médico e historiador encartado que à estampa tem dado outros títulos sobre a história documental, artística, institucional e literária da sua região natal, mas também sobre essa lusitanidade maior que é o espírito universalista queirosiano.
Esta obra, aparecida em 1982, sucessivamente esgotada e em cinco edições rejuvenescida, é um daquele livros de um intenso afecto pelo torrão natal que o autor, percorrendo de braço dado com o leitor os locais que sendo dele, por direito próprio, partilha como que em busca da possível eternidade presente nas calçadas, nos largos, nas casas e na memória das pessoas que os habitaram e a quem chama «velhos fantasmas amigos», simpáticos e carregando as suas idiossincrasias, já não como um embaraço ou pesadelo quotidiano, mas como quem apresenta a corcunda do destino sob casaca de veludo bordada a lantejoulas no desfile do carnaval feliz que são as nossas memórias descritas com arte. Sempre são muito infelizes aqueles que do seu passado carregam amargor, mas tal não é o caso de Dagoberto Carvalho Jr, pois este livro sobre a sua Oeiras natal é tanto um livro de História como de memórias pessoais de uma intensa generosidade sensata para com os que já foram e lhe deixaram um palco onde hoje a vida escorre quotidiana cheia de recordações, que é aquilo que um actual bairro periférico ou uma Brasília demorarão a ter. Não sendo cotada na bolsa, para nosso gáudio e satisfação a Memória conta muito para o equilíbrio intelectual de qualquer cidadão.
Acrescente-se que este livro, graficamente bem urdido, apresenta deliciosas vinhetas de Mário Paciência, mapa de Josevita Pontes e notáveis reconstituições de Zuleica Tapety, numa verdadeira e encantatória arqueologia da paisagem e da arquitectura. Não se trata da presença embonecadora de artistas, mas de um espírito de comunhão entre o autor e os ilustradores que muito enriquece esta obra onde se mostra de uma forma tão elegante como o local pode ser universal, «agora, na lembrança dos que vierem comigo a Oeiras», assim termina o autor, certo de que este passeio, presencial ou literário, ficará na memória dos seus leitores.

Tomar Café com:

Ariel Ramirez, para de novo cantarmos a sua Missa Creoula, em memória da sua apresentação no Teatro Carlos Alberto do Porto já lá vão uns anos; Mikael Anderson, o piloto calmo que aterrou seguro o avião no meio de uma tempestade humana; Orlando Zapata e sua mãe Reina Tamayo, para que um dia Cuba seja a ilha da felicidade.

Não quero ir tomar café com:

Mário Machado, o skin que destila ódio. E tantos outros que nem soube por onde escolher.

Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 18
– Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010
Cte. n.º 506285685 ;
NIB: 001800005536505900154
IBAN:PT50001800005536505900154;
confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com;
coordenação da página:
J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638);
redacção: Fátima Teixeira;
inserção: Amélia Cabral.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Eça & Outras

A.Campos Matos
DE A. CAMPOS MATOS
“A” BIOGRAFIA DE EÇA DE QUEIRÓS

Alguém explicará um dia, mais uma vez, ou através de uma inesperada ideia, o fascínio que portugueses, brasileiros, e já outros grupos cultos de outras falas, têm pela vida e obra de Eça de Queirós, a ponto de em cem anos lhe dedicarem oito biografias, para não falar na autêntica avalanche de artigos, recensões, adaptações, crónicas, revisões, reinterpretações, recriações, inspirações, dicionários, DVD, CD, além das reedições sucessivas das obras maiores, menores e curiosidades ecianas, dos filmes, das séries, das adaptações teatrais, que sei eu, modesto recolector de tudo isto, consciente que estou do muito que se me escapa. Mas desta vez Eça de Queirós – Uma Biografia, da Afrontamento, é incontornável porque o seu autor é A. Campos Matos, o incansável estudioso da vida e obra do “Altíssimo” que desde 1976 (?) tem brindado o público ledor com uma permanente redescoberta do universo queirosiano naquilo que ele tem de permanente frescura, de eternamente humano, de clássico. Partindo então naquele ano simplesmente à procura das Imagens do Portugal Queirosiano, bem depressa o autor da actual biografia descobriu que do escritor só se conhecia, além da obra, a biografia oficial, uma ou outra estátua, uma ou outra instituição que o venerava através dos portadores desse vírus benigno que se designam por queirosianos ou (no Brasil) ecianos. Era muito, e tal fazia já de Eça um inquilino eterno de panteão das letras internacionais. Mas era pouco, muito pouco, comparado com as galáxias a descobrir. E esse espaço cósmico, ao encontro da inteira e vera ideia e palavra do escritor tem sido percorrido permanentemente por A. Campos Matos. Que dívida o país tem para com ele!
Mas então que nos trás de novo esta oitava biografia escrita por quem tão bem escalpelizou as sete anteriores? Para além da sabedoria acumulada por quem se tem debruçado analíticamente sobre o que os outros autores investigaram e escreveram, o autor desta última- que terá em Março em Paris uma edição irmã mignonne- não se contentou com o joeirar dos dados, mas foi buscar à Teoria da Biografia as melhores ferramentas para a sua elaboração, resultando daí um livro bem organizado nas suas monumentais 600 páginas, que são ao mesmo tempo um desafio à curiosidade imediata, um convite à leitura demorada e agradável e um arquivo a consultar para as questões momentâneas ou futuras. Uma biblioteca sobre “todo o Eça” num livro só.
Aí temos novos dados, ou novos reenquadramentos de pormenores ou factos que outros não cuidaram, não interpretaram ou não perceberam: A. Campos Matos coligiu todos os pequenos-grandes contributos da chegada de novos profissionais à exegese queirosiana: arqueólogos, egiptólogos, historiadores, documentalistas, geógrafos, que sei eu, ao longo destes anos todos em que Eça vive agora o seu projecto da Revista de Portugal outra vez na companhia de homens e mulheres das ciências humanas, sociais, políticas, biológicas, matemáticas, médicas, e não apenas entre literatos, juristas e jornalistas, como dantes acontecia.
Mas neste estudo o autor também considera os mais recentes investigadores no âmbito literário e linguístico que, em Portugal e no estrangeiro, tanto têm contribuído para o melhor enfoque do caleidoscópio eciano, às vezes através de obras ainda não publicadas ou apenas conhecidas em restritos meios académicos.
No itinerário biográfico o autor revisitou o Colégio da Lapa, instituição fundamental na formação de Eça, e reequacionou as suas relações com Ramalho Ortigão, Batalha Reis, Camilo, Bulhão Pato, António Feijó, Oliveira Martins, até Fernando Pessoa!
Novos ou pouco conhecidos aspectos da vida do escritor são aqui analisados com surpreendentes resultados, como o seu heterónimo juvenil João Resgate, o papel de Emília de Castro na sua vida, na educação dos seus filhos, e a sua posição perante a obra do marido antes e depois da sua morte, o próprio aspecto físico e psicológico do autor de A Relíquia ao longo dos anos, a sua preocupação com a saúde.
Por fim A. Campos Matos reequaciona a importância dessa genial metáfora que é A Ilustre Casa de Ramires, reconduzindo-a ao seu verdadeiro lugar na ficção queirosiana, resgatando-a das interpretações folcloristas e pseudogeográficas daqueles que costumam ler Eça como se os seus livros fossem um guia de quintas e turismos a haver, querendo reduzir a sua universalidade à anedótica paisagem regional do postal ilustrado.
Tudo isto, que aqui referimos ao correr do teclado, está longe, muito longe, de caracterizar esta monumental biografia que resultou, como já disse, de anos de quotidiano estudo, análise, interrogações, tentando conhecer o escritor, descobrindo-o atrás dos seus biombos, sebes ou nuvens, escutando-o com paciência e cumplicidade, não pretendendo pregar-lhe um sermão – Eça eras assim! Eça devias ser assado! Eça devias ter feito isto! Eça tu deves querer dizer aquilo! - como temos lido em tantos outros estudos analíticos.
Esta biografia ficará pois como uma referência obrigatória pelas novas perspectivas que trás para o estudo da vida, obra e projecção cultural de um dos mais lúcidos espíritos que nasceram em Portugal e com quem os portugueses se identificam.
Como os antigos construtores de catedrais, terminada a obra, A. Campos Matos quer remeter-se ao discreto medalhão calcário com a sua efígie no alto do fecho da abóboda que construiu, descansando do esforço e escutando lá de cima, com bonomia, os ah! e os oh! dos que o lerem. Mas não será por muito tempo, porque esta obra vai dar tal mexedela na sabedoria feita que outras obras suas, por ventura mais leves – gelosias e balcões embora – a terão de acompanhar, pois haverá sempre um Eça disfarçado de Mefistófeles escondido com o rabo de fora.
Mas daqui em diante será impensável falar de Eça e do seu tempo sem ler esta biografia de A. Campos Matos. E só ele a poderia ter escrito.

J. A. Gonçalves Guimarães

O egiptólogo Luís Manuel de Araújo
VIAGEM AO EGIPTO E TERRA SANTA

Conforme já tínhamos referido na página de Agosto, no passado dia 26 de Dezembro partiram para o Egipto e Terra Santa numa evocação comemorativa dos 140 anos da inauguração do Canal de Suez e da viagem de Eça de Queirós e do Conde de Resende, cerca de meia centena de sócios das Associação de Amizade Portugal-Egipto; Associação de Amizade Portugal-Israel, Associação de Amigos do Museu Nacional de Arqueologia e Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, estes representados pelo Professor Doutor Luís Manuel de Araújo, vice-presidente da Direcção e director da Revista de Portugal, que como egiptólogo e especialista em História Antiga conduziu este roteiro, tendo também participado o jornalista Dias Costa.
No Egipto foram visitados os monumentos mais significativos também visitados pelo escritor em 1869, e em Jerusalém foram percorridos diversos lugares referidos em A Relíquia e também o Museu de Yad Vashem, onde os visitantes foram recebidos pelo Dr. Abraham Milgram, e também pelo Dr. Plocker, que os saudaram recordando algumas passagens da obra de Eça de Queirós.
A Confraria Queirosiana na Terra Santa
O importante diário Haaretz publicou um artigo de Ruth Almog, ilustrado com uma fotografia do último capítulo da Confraria Queirosiana e de Eça de Queirós, intitulado “A Ordem da Capa de Eça de Queirós”, o qual, a avaliar pela tradução que nos chegou, para além da simpatia pela visita, demonstra como Eça de Queirós e a sua obra são ainda mal conhecidas na sociedade israelita, onde apenas existe a tradução do conto Civilização por Miriam Tivon, estando neste momento a ser preparada por Rami Saari e Francisco Costa Reis uma tradução de Os Maias, tendo este último também já publicado uma tradução de uma das cartas de A Correspondência de Fradique Mendes. Cumpriu assim a Confraria Queirosiana uma das suas mais simples e importantes missões: levar todos os povos do mundo a partilharem connosco a humanidade das obras de Eça de Queirós, percorrendo um dos itinerários mais marcantes da sua vida e obra: o do Próximo Oriente.

PRÉMIOS EÇA DE QUEIRÓS

Em 2006 a Câmara de Gaia instituiu o Prémio de Literatura “Eça de Queirós” no valor de 25.000 euros destinado «a agraciar o português que, durante o ano, mais se destacou na vida literária». Agora é a vez da Câmara de Baião instituir também um prémio com o mesmo nome para distinguir «diversas expressões culturais», o qual virá a ser regulamentado por Isabel Pires de Lima, confrade honorária da Confraria Queirosiana e membro do conselho cultural da Fundação Eça de Queirós, sediada em Baião. A sua primeira atribuição está prevista para 2011. Passam assim a existir, pelo menos, dois prémios nacionais com o nome do escritor.

SINGULARIDADES DE UM FILME

O filme Singularidades de um Rapariga Loura, realizado por Manoel de Oliveira, a partir da adaptação para a época actual do conto homónimo de Eça de Queirós, foi designado como o quinto melhor filme do ano pela revista Cahiers du Cinema. O realizador está já a trabalhar na realização seu próximo filme.

EÇA EM BD

A editora Ideias Concertadas acaba de lançar no mercado As Minas de Salomão de Henry Rider Haggard, livro traduzido e enriquecido por Eça de Queirós, ou sob a sua orientação e revisão, agora ilustrado por António Lourenço, que adaptou aquela lenda a esta forma de expressão que se começou a desenvolver precisamente no tempo daqueles escritores através de tiras e pranchas publicadas nas grandes revistas ilustradas da época.

FORUM INTERNACIONAL DE SINOLOGIA

Estão abertas as inscrições para a 5.ª edição deste encontro anual, organizado pelo Instituto Português de Sinologia, o qual trará a Lisboa e ao Porto especialistas mundiais sobre os mais diversos aspectos relacionados com a cultura, a economia e a política chinesas e as relações da China com o mundo.
As sessões decorrerão entre os dias 26 e 28 de Fevereiro na Universidade Católica de Lisboa e entre os dias 5 e 7 de Março na Biblioteca Municipal Almeida Garrett no Porto. Para mais informações ver o site www.ipsinologia.com.

TOMAR CAFÉ OU NÃO

Vamos tomar café com:

António Laranjeira Marques da Silva, por ter assumido por inteiro a sua função de jornalista; Edy Epstein, a senhora que defende que o sofrimento humano não é uma questão de religião ou de política; Jorge Fragoso, pela poética do cumprir; Liu Xiaobo, o homem que ousou pensar sobre a China e que ama profundamente o seu país; Padre Martins, que, ousou denunciar que na Madeira os pobres estão cada vez mais pobres.

Não quero tomar café com:

Abdul Mutallab, o patife que não queria ir sozinho para o inferno; Abhisit Vejjajiva, primeiro ministro tailandês que anda a expulsar minorias étnicas;
Gabriela Canavilhas, a ministra que quer afogar nas cheias do Tejo a Arqueologia portuguesa, mandando-a para a Cordoaria Nacional; Gilberto Madail, o homem que incitou os políticos a construírem inúteis estádios de futebol que havemos de pagar;

Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 17 – Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010
Cte. n.º 506285685 ; NIB: 001800005536505900154
IBAN:PT50001800005536505900154;
confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com;
coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638);
redacção: Fátima Teixeira;
colaboração, Dias Costa;
inserção: Amélia Cabral.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Eça & Outras

Sexta-feira, 25 de Dezembro de 2009

Castelo de Leiria
CONFRARIA QUEIROSIANA, 2009

Fundada em 2001, a associação Amigos do Solar Condes - Confraria Queirosiana, até 31 de Novembro passado apresentava um total de 270 associados, dos quais 83 confrades.
Durante o presente ano teve em funcionamento a sua Academia Eça de Queirós, que preparou os cursos livres “Eça de Queirós, sua vida, sua obra, sua época”, terminado em Abril, e o de “História de Gaia e da Região do Porto: Biografia de Homens e Mulheres” que se iniciou em Outubro passado e prosseguirá até Abril de 2010. Deu ainda continuidade aos cursos livres de “Pintura e outras expressões plásticas” e ao de Danças de Salão.
O seu Gabinete de História, Arqueologia e Património realizou escavações arqueológicas em São Salvador do Mundo, São João da Pesqueira, e os seus profissionais desenvolveram investigação em vários temas e áreas, tendo dado início aos trabalhos de prospecção arqueológica e patrimonial no Parque Botânico de Crestuma/Sítio Arqueológico, acionando para a sua persecução um protocolo de colaboração com o Parque Biológico de Gaia, EEM e o Solar Condes de Resende.
Foram igualmente desenvolvidos trabalhos sobre as Invasões Francesas, Museus do Vinho, Misericórdia do Porto, o escultor Raul Xavier, além de outros, alguns dos quais já em fase de publicação.
Esteve também presente em vários congressos, sempre com comunicação a publicar nas respectivas Actas, e noutros eventos de carácter cultural, nomeadamente naqueles em que foi homenageada a memória do colega de direcção Fernando Peixoto, falecido em Outubro de 2008.
Por protocolo com a Gaianima, EEM, também aquele Gabinete, desde Março de 2005, selecciona e prepara jovens licenciados em História e áreas afins para servirem como tarefeiros investigadores, assegurando assim a abertura do Solar Condes de Resende, à semana, entre as 17.30 e as 22 horas, e aos fins de semana e feriados, entre as 8.30 e as 19.45 horas, conduzindo as visitas guiadas e realizando trabalhos de investigação no seu domínio profissional sobre o Solar e Vila Nova de Gaia, proporcionando-lhes, ao mesmo tempo, a oportunidade de trabalharem e exercerem as profissões para que os seus cursos os habilitam em regime compatível com a actividade da docência ou outras.
A Comissão de Itinerários organizou em Maio uma visita ao Roteiro Queirosiano de Leiria, tendo na ocasião aí realizado um capítulo extraordinário. Compilou ainda um estudo sobre os Roteiros Queirosianos em Portugal, Europa, América e Brasil, o qual foi apresentado nas Jornadas Internacionais sobre Turismo Cultural e Religioso que decorreram no início de Novembro no ISMAI na Maia.
Em colaboração com a Associação de Amizade Portugal-Egipto, com quem também tem um protocolo assinado, e com a participação de outras entidades, comemorando os 140 anos da inauguração do Canal de Suez e da viagem que então fizeram Eça de Queirós e o Conde de Resende, vai realizar uma viagem ao Egipto e Israel neste final de ano que certamente ficará na lembrança de todos que nela participam.
A Comissão de Artes realizou a 4.ª edição do Salon d’Automne no passado mês de Outubro, a exposição anual dos sócios e confrades amadores e profissionais nas salas do Solar Condes de Resende.
A Comissão Editorial promoveu a publicação da página Eça & Outras ao dia 25 de cada mês no seu blogue, a qual tem sido também publicada no jornal As Artes entre as Letras, para o que foi assinado um protocolo de colaboração. Organizou igualmente a edição anual da Revista de Portugal, IIIª série, da qual lançou o n.º 6, que teve neste número o patrocínio do Parque Biológico de Gaia e da Coral Seguros. Aí se publica igualmente a bibliografia de 2008 dos sócios e confrades. Esta comissão prepara neste momento a edição de um livro sobre as vereações gaienses durante a 1.ª Republica.
A Comissão Comercial tem tido a seu cargo a gestão do bar e da venda de produtos queirosianos na loja do Solar. Com o objectivo de ligar o nome de Eça de Queirós a produtos de eleição continua a promover os vinhos: “Confraria Queirosiana” Vinho do Porto; “Fraga d’Ouro, homenagem ao Marquês de Soveral” Douro tinto; e o espumante “Eça”, estando prevista para breve a comercialização de novos produtos.
Finalmente, a Confraria tem procurado manter a ligação entre os ecianos de todo o mundo, estando neste momento a trabalhar na proposta de criação de um secretariado permanente que abranja, pelo menos, as seguintes instituições: Fundação Eça de Queirós (Baião); Grémio Literário (Lisboa); Circulo Eça de Queirós (Lisboa); Sociedade Eça de Queiroz do Recife (Brasil) tentando manter uma permanente ligação com estas e outras entidades que perseguem os mesmos fins num sentido de convergência institucional.
Pelo facto de a Gastronomia e a Enologia serem “temas obsidiantes” na obra de Eça de Queirós, está filiada na Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, tendo realizado não só alguns eventos gastronómicos tertulianos, mas também estado presente nos de outras confrarias, sempre que possível, e quando tal é entendido como uma contribuição para o prestígio dessa parte fundamental do Património Cultural Português cuja primeira lei, que por um descuido inaceitável esqueceu as investigações arqueológica e histórica sobre a matéria, fará dez anos em 2010. Está pois na hora de a reformular.
Por todos estes motivos mantém um bom relacionamento com instituições como a Associação dos Amigos de Pereiros, a Associação Cultural Amigos de Gaia, as Câmaras Municipais de Vila Nova de Gaia, (com quem celebrou um protocolo de colaboração no passado dia 4 de Abril) e a de S. João da Pesqueira, o Instituto Português de Sinologia, a Federação dos Amigos de Museus de Portugal (onde está filiada) e aquelas outras que já referimos.
Não tendo no presente ano recebido qualquer subsídio ou apoio monetário às suas iniciativas por parte de qualquer entidade pública ou privada, salvo as já referidas como apoiantes da Revista de Portugal, a direcção, cujo mandato agora termina, tem feito uma gestão equilibrada de acordo com as receitas e os objectivos traçados, pelo que a associação não tem dívidas, e recorre sempre a uma prévia e rigorosa orçamentação antes de concretizar qualquer tarefa do seu programa, tendo em ordem as suas contribuições fiscais e sociais.
Há porém um outro capital que não é contabilizado, o trabalho não remunerado dos investigadores que mandam artigos para a revista e os apresentam em congressos, dos professores dos seus cursos que recebem um agradecimento simbólico, dos amigos e confrades que procuram Eça pelos quatro cantos da rosa-dos-ventos, pelos membros da direcção que dão muitas horas do seu tempo à Confraria.
Mas também não poderá existir de outra maneira uma associação de Amigos e de Confrades que tenha como patrono Eça de Queirós.

J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor

ISABEL PIRES DE LIMA NO BRASIL

No passado dia 25 de Novembro, dia natalício do nosso Patrono, a Sociedade Eça de Queirós do Recife realizou o seu jantar eciano anual o qual contou com a professora doutora Isabel Pires de Lima, que aí foi feita Sócia Honorária da instituição, tendo igualmente sido recebida como nova sócia a antropóloga Ciema Silva Mello.

POEMAS NOVOS DE FERNANDO MORAIS

No passado dia 22 de Novembro, no Púcaros Bar na cidade do Porto, João Arezes apresentou o novo livro de poemas de Fernando Morais, Canções para o Anthero, o qual apresenta uma sugestiva capa bem de acordo com as reflexões estéticas referidas num texto de Diogo de Macedo que serve de prefácio ao catálogo do Salon d’Automne 2009.

PARQUE BIOLÓGICO DE GAIA E TIMOR

O Parque Biológico de Gaia e o Ministério da Economia e Desenvolvimento de Timor-Leste assinaram um protocolo de cooperação no passado dia 10 de Dezembro em Vila Nova de Gaia, cujo objectivo é a elaboração das bases legislativas da política ambiental daquele estado asiático, o levantamento do seu Património Natural e a cooperação nas áreas de formação e divulgação dos valores da Natureza e da necessidade da sua preservação.

O MISTÉRIO DA ESTRADA

Realizado por Jorge Paixão da Costa e com os actores Ivo Canelas, António Pedro Cerdeira, Bruna Di Tullio e ainda Nicolau Breyner, Rogério Samora e Gisele Itié, passou no pequeno ecran da RTP1 O Mistério da Estrada de Sintra de Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, cuja publicação se iniciou no Diário de Notícias de 24 de Julho de 1870. Mais uma co-produção brasileira e portuguesa a mostrar o encanto permanente das criações ecianas, desta vez com o confrade Ramalho.
Esperemos que esta produção venha também fazer com que o roteiro queirosiano de Sintra deixe de estar encerrado aos sábados, domingos e feriados, com certeza um dos mistérios que ainda estão por resolver.

CLUBE DE DANÇAS DE SALÃO

A partir do próximo mês de Fevereiro o curso de Danças de Salão da Confraria vai passar a designar-se Clube de Danças Queirosiano e assumir a nova modalidade em que os/as inscritos/as podem levar para o ensaio o par que entenderem sem que o mesmo tenha de estar previamente inscrito, dando assim continuidade ao trabalho já iniciado com a Global Dance. É que os/as inscritos/as, tal como Eça de Queirós escreveu em As Farpas, acham que a dança é «… higiénica, moral, depurativa, educadora e positiva».

TOMAR OU NÃO CAFÉ COM…

Tempo natalício, propício à hipocrisia social e às mensagens douradas pouco concretas, o director da página desta vez não quer ir tomar café com:
Barack Obama – milhões de mortos, estropiados, refugiados e espoliados sabem muito bem o que significa o bla-bla das “guerras justas”. O Prémio Nobel da Paz, desta vez, nem dignificou quem o concedeu nem quem o recebeu. É o problema dos prémios “à priori” e dos prémios encomendados e comprados. Só iludem os tolos; Ricardo Rodrigues – deputado português muito bem relacionado.
Mas gostaria de o fazer com:
Aminatu Haidar – mulher saraui que apenas deseja que o seu povo viva livre e feliz no seu território; Lula da Silva – um presidente da República que fala claro para os cidadãos do Brasil e do Mundo.

Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 16 – Sexta-feira, 25 de Dezembro de 2009
Cte. n.º 506285685 ;

NIB: 001800005536505900154
IBAN:PT50001800005536505900154;
confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com;
coordenação da página:J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638);
redacção: Fátima Teixeira; colaboração: Dagoberto Carvalho J.or;
inserção: Amélia Cabral.