quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Eça & Outras

Festas de Natal da minha escola primária

         Sou um daqueles que guardam com apreço e inalterável afeição as recordações da sua escola primária. Situada ao fundo da rua onde vivia, voltada para a grande avenida, ficava a cinco minutos a pé de casa. Sendo eu oriundo de uma família tradicionalmente católica, a escola era evangélica, mas uma das suas virtudes que rapidamente assimilei foi a do horror a qualquer discriminação. Entendiam ali que cada um, no seu foro íntimo, privado ou familiar, era o que lhe ensinaram a ser, pelo menos até à emancipação, mas publicamente todos deveríamos ser iguais e solidários. Essa era a grande mensagem do seu fundador, o industrial têxtil de origem inglesa Diogo Cassels, que por vontade própria se fez benemérito e pedagogo e depois clérigo da Igreja Lusitana. Outra lição que deixou foi a de que a riqueza, sempre fruto do trabalho, devia ser reinvestida para se multiplicar e ser partilhada com os que pouco ou nada tinham. E ajudar a prepará-los para a vida, como bons cidadãos e trabalhadores capazes de proverem ao seu sustento e ao dos seus. Quando morreu em 1923 foi este o carisma que deixou na escola que fundou e que eu frequentei. Para além desta aura, pouco mais ali havia diferente das outras escolas: as professoras também eram idosas e o programa era o b-a-bá oficial. Os rios e os afluentes. As estações do caminho-de-ferro. As províncias ultramarinas. O instrutor de ginástica fardado de legionário e as catequistas católicas que as autoridades concelhias impunham, o primeiro a todos os alunos, as segundas, em reprise da catequese da paróquia católica de Mafamude, apenas aos alunos desta confissão dominante, que assim tinham duas doses semanais de catecismo romano, não fossem eles ficarem contaminados pelo luteranismo. A ideia que me ficou é que as autoridades civis, nomeadamente as ligadas ao ensino, respeitavam a Escola do Torne, talvez pelos seus princípios republicanos e beneméritos do Senhor Dioguinho, que era tido como santo, não só pelos que ainda o tinham conhecido, mas também pelos bons resultados que os alunos da sua escola continuaram a obter nos exames oficiais. Mas pelas autoridades religiosas católicas locais nem por isso: os alunos do Seminário de Trancoso, quando em grupos de dois iam passear as suas negras sotainas até ao Porto, eram instruídos para que, quando passassem em frente da Escola do Torne, deveriam virar a cara para o lado oposto em sinal de repúdio. Mas isso era lá com eles. Nós gostávamos da nossa escola, mesmo com uma ou outra reguada por lição mal estudada. Mas, pensando melhor, afinal havia ali algumas diferenças no ensino: a D. Francelina, professora da segunda e da quarta classes, mais nova do que as outras, falava-nos do Rei Ramiro e do Castelo de Gaia e certas manhãs, quando a grande porta se abria e por ela víamos entrar o Joaquim Pina Cabral, que já trabalhava naquela coisa recente que era a Rádio Televisão Portuguesa, era recebido com uma estrondosa salva de palmas, porque a seguir, montada a máquina de projetar, lá vinham os filmes de Charlie Chaplin, do Bucha e Estica e outros. Um regalo para nós.

         Outra realização muito esperada no calendário escolar era Festa do Dia de Natal. Na manhã do normalmente gélido dia 25 de dezembro a sala grande da escola apresentava-se diferente, com cadeiras destinadas ao bispo Senhor Fiandor, ao Senhor Soeiro do relatório da Associação dos Antigos Alunos, às autoridades da Câmara Municipal e da Delegação Escolar, aos pais e outros convidados, às professoras e aos alunos. Depois de uns discursos muito aplaudidos, lá vinham alguns alunos declamar versos, depois a moralizadora peça de teatro histórico, para a qual os diversos papéis eram distribuídos conforme as posses dos pais para alugarem o traje no Jaime Valverde. Por isso uns iam de reis, outros de mendigos. E o Madureira foi de Rainha Santa, que a escola não tinha meninas. Um ano houve cantoria, ensaiada por um senhor velhinho que usava chapéu, tocava harmónio e morava perto, que depois descobri que se chamava Armando Leça e era maestro e compositor. Canções de Natal. Mas o melhor de tudo eram os envelopes com os prémios em dinheiro, dados em nome de pessoas com nomes estrangeiros, como o de Horace Arnesby da Casa Sandeman que me calhou. O nosso tempo era então lento e esperançoso e por isso ficamos para sempre colegas de escola, na mesma ou adversária equipa de jogo de futebol de rua, antes que a rebeldia juvenil nos juntasse um dia mais tarde nos Jovens do Torne para tentarmos dar a volta ao mundo e à vida, enquanto recitamos Neruda, Brecht, Daniel Filipe, Mayakovski, e eu descobria Rendes de Carvalho, supondo então que deveria ser um jovem escritor cabeludo disfarçado de adequado “caixa d´óculos” pelo editor, enquanto cantávamos Zeca Afonso, Adriano e outros cantautores e Abril não chegava, apanhando-nos um dia na tropa ou noutras paragens europeias. De um modo especial a vida sorriu-nos, mas nunca esquecemos os que «vivem em buracos ignorados, dormem pelos bancos, escondidos nas sombras dos entulhos… comem de vez em quando; têm todas as dores que dá o frio, todas as agonias que dá a fome; … desejam o hospital como um refúgio, e um dia…» (Eça de Queirós, Uma Campanha Alegre). Apesar de tudo o que este texto, passados cento e cinquenta anos, ainda mantém de tristemente verdadeiro, dele excluímos que os pobres já não são «acolhidos pelos cocheiros na palha das cavalariças», por já não haver cavalariças; também não «andam sob o terror da polícia» porque esta geralmente se humanizou, e já não se vêm que «embrulhados numa serapilheira, são deitados à vala». Mas para melhorar o enorme resto de quanto tempo ainda precisaremos?

         Deixem-me regressar à escola da minha infância ao fundo da rua onde morava. E recordar a lição de Diogo Cassels, de que o que afinal verdadeiramente importa na vida é aquilo que partilhamos com os outros e que a todos faz falta. E entre outras coisas que a vida nos trouxe, as afetuosas memórias daquelas festas das manhãs de Natal.   

J. A. Gonçalves Guimarães

secretário da direção

Capitulo da Confraria Queirosiana 2021

Aspeto do capítulo; fotografia de Fátima Teixeira

Como habitualmente e desde 2003 (com a exceção de 2020, o primeiro ano da pandemia) a associação Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana comemorou no passado sábado dia 20 de novembro o aniversário de Eça de Queirós, realizando o seu capítulo anual, este ano e pela primeira vez a partir das onze da manhã, quando os associados, confrades, convidados, individualidades, autoridades e outras instituições ali se deslocaram para o efeito, tendo-se dirigido em cortejo até ao salão nobre onde foram recebidos num primeiro momento musical interpretado por Iris Lopes, Joana Couto e Maria João Bernardino, violinos; Sara Barbosa, contrabaixo e Carla Quelhas, piano, todas professoras e alunas da Escola de Música de Perosinho que interpretaram o 1.º rondeau da suíte Adbelazer de Henry Purcell (1659-1695), após o que o presidente da mesa da assembleia geral, Cesar de Oliveira, apresentou e saudou as instituições presentes. 

Seguidamente o presidente da direção, José Manuel Tedim, fez uma breve alusão às atividades realizadas no presente ano pela associação e o secretário da direção J. A. Gonçalves Guimarães referiu-se aos associados e confrades que se distinguiram ou foram galardoados no presente ano, quer como cidadãos, quer como profissionais nas áreas sociais e políticas, na obtenção de graus académicos ou empregos, na publicação de livros e produção de obras, ou através de distinções públicas. 

         Na ausência de Luís Manuel de Araújo, diretor da Revista de Portugal, forçada por motivos de saúde, o secretário convidou os presentes a verem a apresentação do n.º 18, nova série, gravada on line, mencionando ali apenas os autores que colaboraram no presente número.

Seguiu-se um novo momento musical no qual Sara Barbosa em contrabaixo e Carla Quelhas ao piano, interpretaram o allegro da Sonata n.º 6 de Benedetto Marcello (1686-1739), procedendo-se depois à insigniação dos novos confrades: Dr.ª Ana Maria Alves Casas, administradora e acionista de sociedade comercial no grau de leitora; Dr. José Manuel Pedrosa Moreira, professor do Ensino Secundário e o Doutor Adrião Pereira da Cunha, historiador e produtor de vinho Verde, ambos no grau de louvados; e a Prof.ª Dr.ª Olga Cavaleiro, professora de Gastronomia e presidente da direção da Confraria da Doçaria Conventual de Tentúgal, como confrade de honra no grau de mecenas, que agradeceu em nome dos novos confrades e de si própria a distinção que lhe foi concedida. Encerrou a sessão a vereadora do pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Eng.ª Paula Carvalhal, aludindo à boa parceria entre a autarquia e a ASCR-CQ, a que se seguiu um terceiro momento musical no qual Mariana Lebre em violoncelo e Carla Quelhas ao piano interpretaram a Elegie de Gabriel Fauré (1845-1924).

Os confrades dirigiram-se em seguida ao jardim das Camélias onde depuseram uma coroa de louros na estátua de Eça de Queirós ali existente, sendo na ocasião recordadas pelo diretor da instituição as suas passagens por esta Casa. De novo no seu interior, a vereadora Pula Carvalhal procedeu à abertura da exposição «Água Fresca: Cerâmica Tradicional Portuguesa do Solar Condes de Resende», que ficará patente ao público nos próximos meses.

Seguiu-se o almoço de confraternização no pavilhão do Solar, com a atuação do guitarrista José Bordelo e do grupo cantante “Eça Bem Dito”, que entoou canções da Belle Èpoque.

História – Património - Turismo

Tendo tido início a 16 de outubro, prossegue no Solar Condes de Resende o curso livre sobre Historia, Património e Turismo, o 29.º desta instituição, desde 2003 realizados em colaboração com a Academia Eça de Queirós da ASCR – CQ. Assim, no próximo dia 27 de novembro, entre as 15 e as 17 horas, presencialmente e por videoconferência, o Prof. Doutor Barros Cardoso falará sobre «Turismo Enófilo» e a 4 de dezembro, o Professor Doutor José Alberto Rio Fernandes apresentará o tema «Turistas na cidade e cidade de turistas». No dia 11, o Prof. Dr. D. Américo de Aguiar dissertará sobre «Turismo religioso».

Nos passados dias 4 e 5 de novembro, no Centro de Literatura Portuguesa da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (CLP-FLUC), em colaboração com a Facoltà di Interpretariato e Traduzione da UNINT - Università degli Studi Internazionali di Roma, decorreu um colóquio sobre «Viagens e Diplomacia. Um olhar sobre o Mundo» centrado em Eça de Queirós como diplomata e viajante, de cuja comissão científica fizeram parte, entre outros, Carlos Reis e Ana Teresa Peixinho, da Universidade de Coimbra, que apresentaram, respetivamente, as comunicações «Eça de Queirós ou o escritor como diplomata» e «Newcastle-on-Tyne, o primeiro posto consular europeu». Entre os muitos outros oradores das universidades Estadual de Londrina, Federal do Paraná, Firenza, La Sapienza, Minho, Napoli “I Orientale”, Roma Tre, São Paulo, e Torino, Annabela Rita da Universidade de Lisboa falou sobre «A fenomenologia da preocupação em Eça de Queirós». Numadas sessõs foi também lançada a obra «Eggitto. Appunti di viaggio» de Eça de Queirós, tradução de Federico Giannattacio.

Livros e Revistas

No passado dia 20 foi apresentado no capítulo da Confraria Queirosiana o n.º 18 da Revista de Portugal. Dedicada aos 150 anos do passamento de Júlio Dinis, conforme está devidamente referido no editorial assinado por um dos diretores-adjuntos, segue o artigo «Uma Coleção Internacional de Pratos-souvenir no Solar Condes de Resende», de J. A. Gonçalves Guimarães e Susana Guimarães, seguido de «As Pequenas Diferenças» de Jaime Milheiro. Este número consagra uma parceria que se prevê frutuosa entre a associação Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana e a Academia Alagoana de Letras, aqui expressa pelos artigos de três dos seus académicos; «Nas Asas da Esperança, uma Academia Centenária», por Alberto Rostand Lanverly, «Os Dois Melros» por Carlos Méro, e cinco textos de Diógenes Tenório de Albuquerque Júnior. Prossegue depois o levantamento dos «Hotéis Queirosianos. Grande Hotel do Porto» de Maria Iolanda Pinto Sanches Ferreira de Almeida, e uma recensão sobre «J. A. Gonçalves Guimarães, Eça & Outras. Crónicas Queirosianas» por Luís Manuel de Araújo. Como habitualmente a revista apresenta a Bibliografia dos associados e confrades (referente ao ano 2020), organizada por Celeste Pinho, a que se segue o «Relatório de atividades…» referente ao mesmo ano e o «Acordo de Cooperação entre os Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana (ASCR-CQ) e a Academia Alagoana de Letras (AAL).

        


No dia 28 de outubro a Academia Alagoana de Letras fez 102 anos de existência. Assinalando a efeméride foi lançado o n.º 25 da sua revista, que apresenta colaboração dos confrades queirosianos Ricardo Charters d’ Azevedo, «Faz 200 anos este ano que a Inquisição foi extinta»; de Maria Teresa Girão, «Corpo e Alma» (poema), e de J. A. Gonçalves Guimarães «De braço dado pelo Brasil com Eça e Dagoberto», iniciando-se assim a colaboração transatlântica que acima referimos também partilhada no nº. 18 da Revista de Portugal.

 

Os nomes Aurélio da Paz dos Reis, Alvão, Beleza, Medina e muitos outros, que desde o século XIX encontramos na cidade do Porto, recordam-nos que esta cidade está indiscutivelmente ligada à História da Fotografia em Portugal, todos eles aparecendo na obra «Prontuário de Fotógrafos e Casas Comerciais de Fotografia no Porto (~1840~1980)», editado como e-book pelo CITCEM, mas que em breve estará impresso em edição em papel. Livro indispensável para a história da Fotografia e da sua indústria e comércio, mas também com importantes pistas para os investigadores da iconografia, da antropologia física, dos trajos e costumes, dos monumentos e paisagens, da publicidade e do imaginário portuense e da região envolvente fixados em imagens fotográficas.

Tendo como revisores científicos, entre outros, António Barros Cardoso (UP-Faculdade de Letras); Francisco Ribeiro da Silva (UP-Faculdade de Letras); J. A. Gonçalves Guimarães (Solar Condes de Resende); e Nuno Resende (UP-Faculdade de Letras), acaba de ser publicado o n.º 8 da revista «Douro, Vinho, História, Património, Wine, History and Heritage» 2019, dedicado ao Professor Doutor Alberto Vieira (1956-2019), ex-diretor do Centro de Estudos de História do Atlântico – CEAH e um dos fundadores da Associação Portuguesa da História da Vinha e do Vinho/ GEHVID, além de autor de numerosa bibliografia sobre a História vinícola, sobretudo a da Madeira. Entre os artigos publicados neste número, destaquemos o do diretor da revista, António Barros Cardoso, sobre «Contrabando e contrabandistas de vinho no Douro (1756-1770)», que igualmente assinou o In memoriam e o editorial.



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Eça & Outras, III.ª série, n.º 159, quinta-feira, 25 de novembro de 2021; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.

 

 

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Eça & Outras

Bicentenário da Revolução de 1820

        
        No mesmo dia 12 de outubro em que o atual governo entregou na Assembleia da República o orçamento para 2022, escassas horas antes, pelas 17 horas, decorreu na sala do senado a abertura solene do Congresso Internacional do Bicentenário da Revolução de 1820, adiado desde agosto do ano passado devido à pandemia. A sessão foi aberta pelo Presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, que deu as boas-vindas aos congressistas, seguindo-se no uso da palavra o Presidente das Comemorações do Bicentenário do Constitucionalismo Português, Guilherme de Oliveira Martins, a Presidente da Comissão Organizadora deste congresso, Maria Halpern Pereira, tendo o discurso de encerramento sido proferido pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que lembrou que, passados duzentos anos, alguns dos ideais vintistas ainda são objetivos para os dias de hoje.

         Mas os trabalhos já tinham começado pela manhã em duas salas de reuniões do Palácio de S. Bento, abrindo assim um extenso programa, distribuído pelos seguintes temas: as revoluções na América do Sul; as revoluções na Europa do Sul; cortes e constituição; cultura e redes políticas de exílio; economia e finanças públicas; educação, cultura e ciência; estado e poderes periféricos; estado, igreja e religo; ideologias e correntes de pensamento político; indivíduos, grupos e movimentos sociais; linguagens, representações e opinião pública; nação e império; processo político: revolução e contrarrevolução, os quais viriam a ser desenvolvidos por dezenas de investigadores vindos de Portugal, da Europa e da América do Sul de muitas universidades e outras instituições académicas, para além de investigadores a título individual. Estiveram presentes representantes de: Agrupamento de Escolas de Vila Verde; Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana (Gabinete de História, Arqueologia e Património); Athens School of Fine Arts, (Department of Theory and History of Art); British School at Athens; Centro Universitário de Brasília; École Pratique des Hautes Études; Escola Superior de Educação do Porto; Hemeroteca Municipal de Lisboa; Instituto Politécnico de Bragança; Instituto Politécnico de Leiria; Instituto Politécnico de Viseu; Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE); Ministério das Relações Exteriores do Brasil; Northumbria University; Queen Mary University of London; Universidad Autónoma de Madrid; Universidad Complutense de Madrid; Universidad de la República (Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación); Universidad de La Rioja; Universidad de Sevilla; Universidad del País Vasco/ Euskal Herido Unibersitatea; Universidad Nacional de Educación a Distancia; Universidade Católica de Pernambuco; Universidade Católica Portuguesa; Universidade da Madeira (Centro de Investigação em Estudos Regionais e Locais); Universidade de Aveiro; Universidade de Coimbra (Faculdade de Letras, CEIS20; Centro de História da Sociedade e da Cultura; Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos); Universidade de Évora (CIDEHUS); Universidade de Lisboa (Faculdade de Letras, CLEPUL; Instituto de Ciências Sociais; Centro de História; Centro de Estudos Anglísticos, Instituto de Educação); Universidade de São Paulo (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas); Universidade do Estado do Rio de Janeiro; Universidade do Minho; Universidade do Porto (Faculdade de Letras, CITCEM); Universidade dos Açores; Universidade Estadual de Londrina; Universidade Estadual do Maranhão; Universidade Federal de Juiz de Fora; Universidade Federal de Ouro Preto; Universidade Federal de São Paulo (Departamento de História); Universidade Federal do Espírito Santo; Universidade Federal Fluminense; Universidade Nova de Lisboa (Centro de Estudos de História Religiosa; Centro de Humanidades; Centro de I&D sobre Direito e Sociedade; Centro de Investigação em Arquitetura, Urbanismo e Design; Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, FCSH; FCSI; Faculdade de Direito; IHC); Universidade Pablo de Olavide; Università di Pisa (Dipartiment di Civiltà e Forme del Sapere); Universitat de Barcelona; Universitat de València; Universitat Rovira i Virgili.

         Destas instituições vieram nomes consagrados da historiografia nacional e internacional, mas também muitos jovens investigadores que revisitaram os temas propostos ou trouxeram novidades esquecidas nos arcanos da História sobre uma realidade por nós ainda hoje vivida, e desejada noutras latitudes geográficas e ideológicas: a responsabilidade individual e coletiva vivida numa liberdade convencionada, consentida e consensualizada. O autor destas linhas, no dia 12 na Fundação Calouste Gulbenkian, numa sessão coordenada pelos professores Jorge Fernandes Alves e Viriato Capela, recordou na comunicação «Os negociantes da praça do Porto e a Revolução de 1820» que a mesma não foi levada a cabo apenas por jurisconsultos e militares, mas também pelos representantes das forças produtivas da região, os armadores-negociantes que se iniciavam então na indústria. No dia 13 o congresso encerrou com uma mesa redonda que teve a participação de Miriam Halpern Pereira, Gabriel Paquette e Guilherme d’ Oliveira Martins, dissertando sobre «O Antigo Regime em questão: continuidades e mudança».

         Eça de Queirós, de certo modo ele próprio imbuído do perdurar dos valores vintistas – seu pai nasceu no Rio de Janeiro, onde seu avô se encontrava ao serviço da Corte de D. João VI, o qual em 1828, já em Portugal, viria a ser o mentor da revolta de Aveiro e depois do Porto contra o absolutismo miguelista, o que levou a que fosse condenado à morte, felizmente não concretizada – ainda muito jovem escreveu: «As revoluções sociais são revoluções de princípios: é a antiga luta da luz com a sombra, e de Deus com Satã; é a liberdade que quer expulsar o privilégio; a razão que quer expulsar o preconceito; a justiça que quer substituir o arbitrário; a lei que pretende excluir a vontade. É uma nobilíssima luta em que vêm para a arena os grandes sentimentos, as fecundas dedicações, as nobres esperanças e os santos heroísmos. Pretende-se então reformar. Pretende-se extinguir o sofrimento social causado pela política deplorável dos herdeiros das tradições: pretende-se que todos tenham a igualdade, a abundância, o bem-estar, o trabalho livre, a propriedade respeitada. Pretende-se enfim aquele decálogo social que é o evangelho da democracia moderna, como foi outrora o código da velha liberdade. Código austero então; doce evangelho hoje!» (Eça de Queirós, Distrito de Évora, 1867).

As atas deste congresso deverão aparecer em tempo breve ficando assim uma memória criativa deste bicentenário que irá continuar a ser recordado em outras das suas consequências: o constitucionalismo, a extinção da Inquisição, a independência do Brasil, a vontade de um constante aperfeiçoamento do indivíduo e da sociedade formando comunidades livres e solidárias.

J. A. Gonçalves Guimarães

secretário da direção

História – Património - Turismo

No passado dia 16 de outubro, com uma aula sobre «Le Grand Tour e o fenómeno do turismo de massas» pelo Prof. Doutor José Manuel Tedim, abriu este curso livre no Solar Condes de Resende e também por videoconferência, o qual contou com a presença da vereadora do pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Eng.ª Paula Carvalhal, que na ocasião referiu a já longa tradição destes cursos na programação deste equipamento municipal, de que este é o 29.º curso. Seguiu-se no dia 23 a segunda sessão sobre «Roteiros Queirosianos e outros» pelo Prof. Doutor J. A. Gonçalves Guimarães. Prosseguirá no dia 6 de novembro com uma aula intitulada «Da jornada à viagem: o Turismo e a Literatura» pelo Prof. Doutor Nuno Resende

Entretanto a direção do Solar Condes de Resende e a Academia Eça de Queirós da associação Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana estão já a organizar o curso do próximo ano letivo que será integrado nas comemorações do bicentenário da independência do Brasil e do centenário da Primeira Travessia Aérea Lisboa-Rio de Janeiro.

Investigadores do GHAP

         Vários historiadores profissionais do Gabinete de História, Arqueologia e Património (GHAP), ainda que convidados ou integrados noutras instituições, prosseguem a sua ação no levantamento, estudo e divulgação de variados temas nas áreas da História, Arqueologia, História da Arte, Património e outras especialidades, apostando também na realização de visitas guiadas a vários locais que as materializam. Assim, no passado dia 2 de outubro, José Manuel Tedim conduziu uma visita à igreja da Confraria das Almas do Corpo Santo de Massarelos subordinada ao tema «O porto de Miragaia, organizada pela confraria local. E no passado dia 23 de outubro, o mesmo investigador e professor de História da Arte, para a Associação Cultural Amigos de Gaia conduziu uma visita de estudo à capela de S. Mateus em Arnelas e a sua notável talha joanina.

         Entretanto no Castro da Madalena, Vila Nova de Gaia, terminou no passado dia 5 de outubro a segunda campanha de escavações arqueológicas, que pôs a descoberto duas casas castrejas, deixando assim adivinhar a existência de um povoado que deverá estender-se por toda a evidente colina. O projeto é conduzido pelo arqueólogo António Manuel Silva do Centro de Arqueologia de Arouca, com o patrocínio da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, tendo a colaboração do Solar Condes de Resende. Os trabalhos foram visitados pela vereadora da Cultura da CMVNG, Eng.ª Paula Carvalhal, e pelo diretor do Solar e coordenador do GHAP, J. A. Gonçalves Guimarães.

Livros e Revistas


Atas do Congresso Douro e Porto – Memória com Futuro

            Foram recentemente publicadas pelo Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, IP, no formato e-book, as atas deste congresso que decorreu entre 19 a 22 de julho passado, depois de adiado um ano devido à pandemia. Entre muitas outras comunicações, aí se apresentam os textos das seguintes: «O Vinho do Porto – um trunfo no jogo da diplomacia luso-britânica de Pombal», por Francisco Ribeiro da Silva; «Arte Publicitária dos Vinhos do Douro e do Porto: os artistas estrangeiros», por J. A. Gonçalves Guimarães; «Do Vinho do Douro ao Porto do Vinho», por António Barros Cardoso; «O Anuário da Região Duriense 1940: uma fonte para o estudo sincrónico do Douro», por Nuno Resende; «O Visconde de Beire produtor de Vinhos do Douro no século XIX – novos dados», por Suana Guimarães.

O Padre Luiz Cabral e Jorge Amado


No passado dia 1 de outubro, integrados numa homenagem ao Padre Luís Cabral, SJ (Foz do Douro 1.10.1866; Baía, Brasil 28.1.1939), foi lançado o livro O P.e Luiz Cabral e Jorge Amado. Dos estreitos limites do internato fui salvo pelo mar, da autoria do seu sobrinho-bisneto Manuel Novaes Cabral, edição de O Progresso da Foz, no qual descreve, com aparato documental, como o grande escritor brasileiro quando era menino sujeito ao cinzento programa de ensino num colégio jesuíta da Baía, jamais esqueceu as fascinantes lições deste seu professor de Literatura Portuguesa, um episódio pouco conhecido da sua biografia. Desta celebração do seu 155.º aniversário constou ainda o descerramento de uma placa evocativa na casa onde nasceu na rua que ostenta o seu nome na Foz, seguida de um Porto de Honra no Orfeão da Foz do Douro, ao Passeio Alegre.

Convento de Santa Clara, no Porto


    Numa ocasião em que o Convento de Santa Clara no Porto reabre ao público completamente restaurado, a Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN) acaba de lançar o primeiro de quatro livros da coleção “Património a Norte”, que lhe são totalmente dedicados, apresentando o resultado de dois anos de investigação histórica e patrimonial dos historiadores da Arte e professores da FLUP Cristina Sousa e Nuno Resende, os quais contribuem assim para um olhar mais íntimo sobre um dos mais belos monumentos da cidade do Porto. 

Colóquio Queirosiano

Nos próximos dias 22 a 27 de novembro vai decorrer em Lisboa o 6.º Colóquio Internacional Luso-Brasileiro e o 26.º Colóquio Eça de Queiroz, organizado pelo Centro Cultural Eça de Queirós de Telheiras, Lisboa, sob o tema «O Mundo novo pós-Pandemia», com sessões que decorrerão na Escola Secundária Eça de Queirós, Escola Secundária António Damásio, Junta de Freguesia de Telheiras e no Palácio da Independência. Entre muitos outros oradores estarão presentes a Prof.ª Doutora Annabela Rita, Arquiteto Campos Matos, Dr. Fernando Andrade Lemos e a Dr.ª M. Alda Salgueiro. 

Capitulo da Confraria Queirosiana 2021

No próximo dia 20 de novembro, sábado, a partir das 11 horas da manhã, vai realizar-se no Solar Condes de Resende o 18º Capítulo anual da Confraria Queirosiana. Não se tendo realizado no ano transato devido à pandemia, sido então simbolicamente substituído por uma videoconferência, este ano os Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana vão comemorar o aniversário de Eça de Queirós pela primeira vez a partir das 11 horas da manhã com a entronização de novos confrades, a que se seguirá o habitual almoço com animação, além de outros contributos queirosianos, no salão nobre, no jardim das Camélias e no pavilhão do Solar. Será também lançado o n.º 18 da nova série da Revista de Portugal, pela primeira vez com colaboração dos membros da Academia Alagoana de Letras do Brasil.

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 158, segunda-feira, 25 de outubro de 2021; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.

 

sábado, 25 de setembro de 2021

Eça & Outras

Na Feira do Livro do Porto

          Este ano a associação Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana esteve presente na Feira do Livro do Porto pela primeira vez. Produzindo e publicando diversos títulos escritos pelos seus associados e confrades, e a Revista de Portugal, quis assim ir ao encontro de um público mais vasto e diversificado. Sendo também herdeira do Gabinete de História e Arqueologia de Vila Nova de Gaia, fundado na Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 1982, e da Cooperativa Afons’eiro (1987), que também publicaram diversas edições ainda hoje procuradas, como a revista Gaya e o Al-manak de Gaia, além de outras raridades, a continuação das edições exige a procura de novas oportunidades de divulgação, até porque o mercado livreiro mudou muito. Esta presença, para além da venda das edições referidas, teve também como objetivo a divulgação da associação, das suas atividades e dos seus propósitos a um público mais vasto, entre eles a vida, obra e consequentes reflexões de Eça de Queirós e da sua época, e dar a conhecer o Solar Condes de Resende como casa queirosiana internacional, congregando os interessados nestas problemáticas que ainda hoje nos rodeiam a estabelecerem uma rede institucional que a elas se dedique no mundo lusófono e internacional, contribuindo na medida das suas possibilidades para o apoio aos que as estudam, produzem textos e oportunidades para, compreendendo o passado, querem modernizar a sociedade pondo fim às suas misérias ancestrais.

       Durante a feira a direção organizou a sua presença através de turnos de atendimento com membros dos corpos sociais e investigadores dos seus projetos para atenderem os clientes e estabelecerem contatos, não apenas com o público em geral, mas também com profissionais da História e da escrita em geral, da imagem, das artes cénicas, editores e agentes culturais. Na duração dos seus quinze dias foi assim o que as feiras costumam ser: um local de convívio, de oportunidade de negócios, neste caso de edições raras ou recentes, mas também de acumulação de ideias para o que virá a seguir.

       Os jardins do Palácio de Cristal são um ótimo local para este evento organizado pela Câmara Municipal do Porto, que atraiu milhares de pessoas, tendo a organização sido eficiente. Já o mesmo não poderemos dizer do enquadramento dito cultural, sobretudo por falta de compreensão do que é, ou deve ser, uma feira, um local de festa, de alegria, de divertimento, de perspetivas de futuro. A programação foi entregue a uma empresa que deve ter uma estranha e deprimente ideia do que tal deve ser: começando logo pelo programa distribuído à entrada, impresso a prata sobre fundo vermelhão, o calendário de atividades era ilegível porque alguém deixou os designers à solta a fazerem coisas para a satisfação do seu ego. Depois, na maior parte do tempo, uma música ambiente experimental, mais adequada para uma visita de estudo noturna ao Cemitério da Lapa, mas não para uma ocasião destas. Quando muito apenas nas horas previstas para alguns criadores nos informarem da sua criatividade.

       Livros e suportes de texto e imagem havia-os para todos os gostos e bolsas, desde os livros raros e os clássicos, aos indispensáveis, os que fazem falta, os para ter, para ler e para trabalhar, mas também muito desabafo pessoal, memórias, versos e literatura de supermercado. Alguns autores presentes e apresentações na Capela de Carlos Alberto, excelente cenário para tal pelo seu intimismo, e uma extensa fila de gente com um livro da autoria de uma menina que tem um blogue de banalidades que certo público gosta muito, e que ali perto do lago dava autógrafos.

     No meio de tudo isto a cereja em cima de qualquer coisa que ainda está a ser digerida, a reabertura do Museu Romântico com o desaparecimento de cena dos seus objetos alusivos à denominação e a sua substituição por um conjunto d’“aquilos”. Este museu tem estado amaldiçoado em anos recentes: não vai há muito tempo que lá foi filmada uma sessão de culinária, não na cozinha a ser confecionada, ou numa sala de jantar a ser servida, como seria de esperar, mas numa sala com reposteiros, quadros e bibelots a assistirem ao refogado numa panela sobre um fogão ladeada por um chefe de cozinha e um presidente da Câmara. Não acreditam? Vejam nos arquivos, que deve lá estar. Depois gastaram um dinheirão a refrescar a museografia daquele atordoado cenário. Mas agora chegou a suprema ousadia performativa de quase só lá deixar uma folha de loureiro do herbário de Júlio Dinis, condimento insuficiente para os 150 anos do seu Romantismo tardio. Parece que só quatro tipos de público gostaram da gracinha: os que a encomendaram, os que a conceberam e uns sujeitos que sempre aparecem nestas circunstâncias a engraxar ao promotores para um dia mais tarde também terem a sua oportunidade para exibirem as suas bizarrias de efémero efeito destinadas ao fracasso. Mas o problema maior não é serem “avançados”, mas sim avençados.

   Mas então isto fica assim? Fica, pois já nem sabemos mimoseá-los com uma boa gargalhada. Já Eça o lamentava no seu tempo: «Eu ainda me recordo de ter ouvido, na minha infância e na minha terra, a gargalhada – a antiga gargalhada, genuína, livre, franca, ressoante, cristalina !... Vinha da alma, abalava todas as vidraças duma casa, e só pelo seu toque puro, como o do ouro puro, provava a força, a saúde, a paz, a simplicidade, a liberdade! Nunca mais a tornei a ouvir, esta gargalhada magnífica da minha infância. O que hoje se escuta, às vezes, é uma casquinada ou uma cascalhada (por ter o som do cascalho que rola), seca, dura, áspera, curta, que vem através de uma resistência como arrancada por cócegas e que bruscamente morre, deixando as faces mudas e frias. Eis a risada do nosso século!» (Eça de Queirós, Notas Contemporâneas). A deste é pior, pois é quase só um esgar e um encolher de ombros.

  Para o ano deveremos voltar à Feira do Livro do Porto, um excelente local e acontecimento que continua com potencialidades para ser um grande fórum cultural.

J. A. Gonçalves Guimarães

Curso livre sobre História – Património - Turismo


    A direção do Solar Condes de Resende e a Academia Eça de Queirós da associação Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana vão realizar o 29.º curso livre (2021/2022) sobre um dos fatores mais importantes da retoma económica, a área do Turismo Cultural, onde a História e o Património são a base indispensável. Com início a 16 de outubro, ao ritmo de duas sessões mensais, presenciais e por videoconferência, serão professores, entre outros, Prof. Doutor José Manuel Tedim sobre «Le Grand Tour e o fenómeno do turismo de massas»; Prof. Doutor Nuno Resende, «Da jornada à viagem: o Turismo e a Literatura»; Prof. Doutor J. A. Gonçalves Guimarães sobre «Roteiros Queirosianos e outros roteiros literários»; Professor Doutor José Alberto Rio Fernandes, sobre «Turistas na cidade e cidade de turistas»; Prof. Dr. D. Américo de Aguiar, sobre «Turismo religioso»; Prof.ª Mestre Olga Cavaleiro, sobre «Ao Sabor de Portugal – Rotas de Turismo Gastronómico»; Prof. Doutor Barros Cardoso, sobre «Turismo Enófilo»; Prof.ª Doutora Elisa Lessa, sobre «Turismo Musical»; Prof. Doutor Sérgio Veludo Coelho, sobre «Turismo Militar»; Prof.ª Mestre Fátima Teixeira, sobre «Hotéis queirosianos»; Prof. Doutor Luís Manuel de Araújo sobre «O roteiro queirosiano do Egito e Terra Santa; Professor Doutor Carlos Costa sobre «Turismo como fator económico, social e cultural».

Livros e Revistas

  No passado dia 8 de setembro foi lançado em Lisboa o livro Homo Líder – Histórias de Homens Comuns, da autoria de Luís Filipe Menezes, médico e político, ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, editado pela Lisbon Press, depois também apresentado no auditório da Santa Casa da Misericórdia do Porto no passado dia 16. Segundo o autor, «este livro mostra a forma como convivi com homens e mulheres normais, que com mais ou menos merecimento chegaram ao topo.

Se ele servir para que cada vez mais cidadãos aceitem esta verdade como sendo inevitável e até desejável, estaremos sempre mais defendidos das tentações providenciais que procuram reeditar cenários passados, indesejáveis e inconsequentes».


    Também a 15 de setembro foi apresentado na Biblioteca Municipal Tomaz Ribeiro em Tondela o número 7 da revista D. Jaime: Cadernos de Cultura, de que é diretor o Dr. José Valle de Figueiredo.

«Por Ordem na História?»


 No passado dia 9 de setembro, pelas 21,30 horas decorreu por vídeo-conferência um colóquio sobre o tema em epígrafe, o 6.º Encontro com História organizado pela associação Histórias Sábias – Património Cultural, Arqueológico e Artístico, através da respetiva página do Facebook, para «debater a regulação da profissão de historiador e a sua credibilização».
Participaram como convidados André Varela Remígio, conservador-restaurador; Cristina Moscatel, historiadora e arquivista, J. A. Gonçalves Guimarães, arqueólogo e patrimoniólogo; e José Pedro Tenreiro, arquiteto e investigador em História da Arquitetura, tendo o debate sido moderado por Francisco Queiroz, historiador da Arte e genealogista.
Foram referidas as tentativas de organização profissional de historiadores e arqueólogos ao longo do tempo e debatida a pertinência da fundação de uma associação atuante contra os atropelos ao seu exercício profissional quer no setor público quer privado.

Museu Ubuntu Gaia

          No passado dia 11 de setembro, no Auditório do Centro Paroquial de Mafamude, Vila Nova de Gaia, com a presença da vereadora do Pelouro da Cultura, Eng.ª Paula Carvalhal, foi inaugurado o Museu Ubuntu Gaia, numa iniciativa do Instituto Padre António Vieira com o patrocínio da Câmara Municipal local. Dedicado às pessoas, falou na ocasião o historiador J. A. Gonçalves Guimarães sobre os gaienses constantes no livro Património Cultural de Gaia – Património Humano. Personalidades Gaienses, primeiro volume de um projeto em curso realizado pelo Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-CQ com a colaboração do Solar Condes de Resende e patrocinado pela autarquia. Na ocasião foram também apresentados outros gaienses que estão a liderar projetos atuais de cidadania e promoção social da comunidade. Aquele historiador passou a ter uma galeria com o seu nome no referido museu virtual, no qual, entre muitos outros casos de afirmação identitária local, também se podem visualizar doze entrevistas sobre gaienses singulares do passado através do endereço wwwgaia.museuubuntu.org.

Roteiros Queirosianos

            O Prof. Doutor Luís Manuel de Araújo, egiptólogo e vice-presidente da direção da ASCR-CQ, em colaboração com a empresa Novas Fronteiras, continua a dirigir viagens de estudo ao Próximo Oriente ( e também aos países do Mediterrâneo e do leste europeu). Assim, entre 18 e 30 de setembro estará no Cáucaso em viagem pela Geórgia e Arménia; entre 9 e 18 de outubro na Grécia e entre 28 de outubro e 7 de novembro, de novo no Egito, onde regressará entre 26 de dezembro e 3 de janeiro, para nova visita com festa de passagem de ano em cruzeiro no Nilo.

Amigos dos Museus de Portugal

          No passado dia 22 de setembro reuniram por videoconferência os corpos sociais da Federação dos Amigos dos Museus de Portugal, da qual faz parte a associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, tendo em vista a organização de um encontro nacional no próximo ano. Entretanto no dia 24, com um jantar de associados, retomou as suas atividades públicas a Associação de Amigos do Museu do Azulejo em Lisboa, tendo estado presentes representantes daquelas duas primeiras entidades. O tema em destaque foi a necessidade de admissão de sócios jovens para renovação das associações aderentes a este ativo movimento cultural.

Homenagem a Carlos Reis

Nos próximos dias 27 de setembro, segunda-feira, ente as 14 e as 18 horas, e dia 28, terça-feira, entre as 9,30 e as 18 horas, decorrerá no Teatro Paulo Quintela, em Coimbra, um Colóquio de Homenagem ao Professor Doutor Carlos Reis, ex-professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e grande estudioso da obra de Eça de Queirós, promovido pelo Centro de Literatura Portuguesa daquela faculdade. A entrada é livre sujeita a inscrição prévia.

Jornadas Europeias de Património 2021

          No próximo sábado, dia 2 de outubro, decorrerá no Solar dos Condes de Resende de forma presencial e por videoconferência a partir das 15 horas uma sessão das Jornadas Europeias de Património 2021, organizadas em Portugal pela Direção Geral do Património Cultural, este ano sob o lema «Património Inclusivo e Diversificado», e localmente organizadas pelo Solar Condes de Resende com a colaboração do Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-CQ. Do programa constam as seguintes participações: «As fábricas de Sulfureto de Carbono em Vila Nova de Gaia» por Cristiana Borges; «Transporte humano de cargas como modo de vida» por Tânia Ferreira; «A Coleção de Cerâmica Tradicional Portuguesa do Solar Condes de Resende» por J. A. Gonçalves Guimarães e Susana Guimarães; «A Villa Portela em Leiria», por Ricardo Charters d’ Azevedo; «O Leverense, um jornal republicano» por Maria de Fátima Teixeira; «Algumas escavações arqueológicas recentes em Vila Nova de Gaia» por Joaquim Ramos» e «O movimento associativo centenário», por Licínio Santos. Entre as sessões e no final haverá debate sobre os temas apresentados.

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 157, sábado, 25 de setembro de 2021; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.

 

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Eça & Outras

Também Eça falou do Afeganistão…

            E de repente estamos todos a opinar sobre a situação nesse país sobre o qual pouco mais sabemos do que o estar sempre a ser invadido por estrangeiros, logo permanentemente em guerra; de ter papoilas brancas de onde se extrai o velho anfião da antiga farmacopeia, usado desde longa data como anestésico, mas a que a sociedade ocidental que o invadiu no século XIX deu outros usos, nomeadamente o de ter com ele tentado destruir a China através do consumo do ópio para aí levado pelos ingleses; de ter uns belíssimos galgos esguios de pelo comprido; de ser um país de cavaleiros. E, de uns tempos a esta parte, o ter também soviéticos, mujahedins, talibans, Bin Laden, americanos, e outros nomes mais a que nos fomos habituando, quantas vezes sem saber o que realmente significam e o contexto em que apareceram, persistem ou desaparecem. Mas uma coisa é certa: o Afeganistão não tem tido só afegãos no seu chão ancestral, e sobre este velho país asiático corre o epíteto militar de “cemitério de impérios”, mais concretamente e nos últimos duzentos anos, do inglês, do otomano, do russo e, ultimamente, do estadunidense e seus aliados, incluindo Portugal. Uma gloriosa história na defesa do seu território e dos seus costumes, fator muito prezado pelos países ocidentais em sua casa, mas tido como desprezível quando cultivado pelos países que invadem com os mais variados pretextos.

         A questão não é nova, mesmo entre nós. Não ficando o Afeganistão nas rotas de curiosidade expansionista dos portugueses de antanho, nunca tivemos muitos de nós por aquelas paragens. Mas mesmo assim o tema não deixou de interessar Eça de Queirós quando vivia como cônsul em Bristol em 1880, como escreveu numa das crónicas enviada para a Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro, depois republicada postumamente em Cartas de Inglaterra, certamente também como resultado do seu espírito cosmopolita atento a uma sociedade que se ia globalizando. Refletindo sobre o velho aforismo muito pouco académico de que «A História é uma velhota que se repete sem cessar», sobre o tema escreveu: «Em 1847 os ingleses, “por uma razão de Estado, uma necessidade de fronteiras científicas, a segurança do Império, uma barreira ao domínio russo da Ásia…” e outras coisas vagas que os políticos da Índia rosnam sombriamente retorcendo os bigodes – invadem o Afeganistão, e aí vão aniquilando tribos seculares, desmantelando vilas, assolando searas e vinhas: apossam-se, por fim, da santa cidade de Cabul; sacodem do serralho um velho emir apavorado; colocam lá outro de raça mais submissa, que já trazem preparado nas bagagens, com escravas e tapetes; e logo que os correspondentes dos jornais têm telegrafado a vitória, o exército, acampando à beira dos arroios e nos vergéis de Cabul, desaperta o correame, e fuma o cachimbo da paz… Assim é exatamente em 1880».

         E continuou: «No nosso tempo, precisamente como em 1847, chefes enérgicos, Messias indígenas, vão percorrendo o território, e com os grandes nomes de Pátria e Religião, pregam a guerra santa: as tribos reúnem-se, as famílias feudais correm com os seus troços de cavalaria, príncipes rivais juntam-se no ódio hereditário contra o estrangeiro, o homem vermelho, e em pouco tempo é todo um rebrilhar de fogos de acampamentos nos altos das serranias, dominando os desfiladeiros que são o caminho, a estrada da Índia… e quando por ali aparecer, enfim, o grosso do exército inglês, à volta de Cabul, atravancado de artilharia, escoando-se espessamente, por entre as gargantas das serras, no leito seco das torrentes, com as suas longas caravanas de camelos, aquela massa bárbara rola-lhe em cima e aniquila-o. Foi assim em 1847, é assim em 1880…» (Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra). E acrescentamos agora todos nós: é assim em 2021! Afinal não se aprendeu nada com «a velhota que se repete sem cessar…».

Mas um pouco por todos os media lemos e ouvimos descansadas opiniões sobre "a solução ideal para o Afeganistão" que nos fazem lembrar aquelas outras proferidas em 1974/1975 (e desde então para cá por alguns que querem fazer-nos acreditar que é possível rejuvenescer a «velhota») sobre o que deveria ter sido a "descolonização ideal das colónias portuguesas". Pois é tudo muito bonito à posteriori, repimpados no sofá, distribuindo ideias que seriam belas se tivessem vindo a tempo e alguém as tivesse querido por em prática. Esquecem os opinadores duas coisas elementares: no primeiro caso, o futuro do Afeganistão compete aos seus habitantes sem interferências de estrangeiros, a não ser quando por eles tolerados para ajudarem em nome da paz entre os povos, e não da encapotada ganhuça internacional; no segundo, que já não havia ânimo, nem tempo, nem plano para tal. O sono foi longo e só do pesadelo acordamos a 25 de Abril de 1974.

Ninguém ignora que na sociedade afegã existem ideias, crenças e valores muito diferentes dos nossos e que sobre os quais não convergimos. Mas manda o princípio da tolerância que respeitemos os deles e que eles respeitem os nossos para que assim nos tentemos entender no que é essencial nesta vida. E já agora, muitos dos "desvios civilizacionais" que lhes atribuem, também existem noutros países ditos "civilizados", muitas vezes de forma mais encapotada, e em pequenos grupos, mas existem. E assim como os países ocidentais, de um modo geral, puderam ilustrar-se e evoluir, também esses dons são inerentes a todos os seres humanos, incluindo os afegãos. O problema são os indefetíveis fundamentalistas. Lá e cá.

Correndo o risco de abusar de citações, aqui vai mais uma, desta feita sobre os “americanos”, os estadunidenses recém-derrotados no Afeganistão, os quais, segundo Eça, quando vistos de perto, o observador «compreende logo que está entre um povo bárbaro, que aprendeu a civilização de cor. Mas bárbaro como é – que força, que originalidade inventiva, que perseverança, que firmeza! – É estranho! E ao mesmo tempo que grosseria de maneiras: revólver, praga e empurrão, algumas palavras de inglês e muita saliva – eis o que é a língua americana. Como eu detesto esta canalha! (Eça de Queirós, Correspondência, carta a Ramalho Ortigão, 20.7.1873). Será que também, com os “americanos” algo mudou desde aquela data? Creio antes que Eça continua a estar terrivelmente certo.

J. A. Gonçalves Guimarães

secretário da direção da Confraria Queirosiana

Feira do Livro do Porto

Entre 27 de agosto e 12 de setembro decorre nos Jardins do Palácio de Cristal a habitual Feira do Livro do Porto, este ano dedicada aos 150 da morte do médico e professor da Escola Médico-Cirúrgica do Porto, Joaquim Guilherme Gomes Coelho, aqui divulgado e homenageado no seu pseudónimo literário Júlio Dinis (tendo também usado o de Diana de Aveleda). O autor de A Morgadinha dos Canaviais, e de outros romances de grande sucesso popular, aparece assim evocado numa programação que, segundo a organização, «convoca o universo vegetal e o ideário romântico».

Este ano, e pela primeira vez, a associação Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana vai estar presente disponibilizando ao público ledor as suas já numerosas e diversificadas edições e coedições com diversas entidades, num total de 37 títulos. Estão representados autores como A. Silva Fernandes, Álvaro Gonçalves, Amélia Cabral, António Manuel Silva, Domingos A. Moreira, Francisco Barbosa da Costa, Gonçalo de Vasconcelos e Sousa, Joana Almeida Ribeiro, João de Sousa, J. A. Gonçalves Guimarães, José Joaquim Dias dos Santos, José Pereira do Couto Soares, Júlio Duarte, Licínio Santos, Luís Manuel de Araújo, Maria de Fátima Teixeira, Nuno Resende, Romero Vila, Susana Guimarães, Susana Moncóvio e outros.

Ainda a festa de 3 de julho passado

       Em rigoroso exclusivo, e devido a várias solicitações, abaixo se publica, em edição fac-similada, a carta que Eça de Queirós nesse dia enviou a J. A. Gonçalves Guimarães:


Livros

No passado mês de junho a Quetzal lançou um novo livro do escritor J. Rentes de Carvalho, intitulado O País do Solidó. Segundo o editor: «São histórias reais de gente inventada e histórias inventadas de gente real, mulheres destemidas e homens combativos, mas também capazes de momentos desprezíveis e de atitudes medrosas. Corajosos e malandros, mentirosos, que fazem pela vida. Gente de carne e osso que aprendeu a desconfiar e a sobreviver num país do solidó, sempre com aquela musiquinha em fundo, atrevida e monótona, divertida e medíocre. No país do solidó, estes retratos são instantâneos das vidas verdadeiras que não aparecem nos jornais nem na sociologia universitária, mas frequentam as redes sociais e as igrejas que ainda restam. Entre o conto e a crónica, trocando os nomes e avariando as grandes teorias sobre o funcionamento da pátria, J. Rentes de Carvalho não dá explicações sobre um mundo que não quer ser explicado - mas observa-o com humor, cumplicidade, atrevimento, uma compreensão que não pede distância mas proximidade. São personagens que não receberão medalhas no Dia de Portugal; mas compõem um dos melhores retratos de todos nós».

O novo livro de Mário Cláudio, publicado em junho pela D. Quixote, é assim apresentado pela editora: «Depois da edição de alguns volumes de poesia assinados por Tiago Veiga, o escritor Mário Cláudio decidiu dar à estampa em 2011 uma biografia exaustiva que tirasse definitivamente do anonimato este poeta que foi contemporâneo de Pessoa, Almada e Pascoaes e que, tendo conhecido figuras de renome em toda a Europa, como Yeats ou Cocteau, escolheu, ao contrário do que se esperava de um português culto e cosmopolita, retirar-se da vida mundana e internar-se no campo com a mulher, Ellen Rassmunsen, pintora irlandesa que logo se identificou com a paisagem e o clima do Alto Minho. Já depois da publicação de Tiago Veiga: Uma Biografia, descobriram-se, contudo, novos documentos que vieram trazer uma nova luz sobre a figura do poeta que era bisneto de Camilo Castelo Branco, em particular um diário extremamente interessante de Ellen Rassmunsen durante a sua permanência no Sanatório do Caramulo, aonde se deslocara para fotografar os doentes e acabara por contrair a doença que conduziria ao seu internamento. Esses achados levaram então Mário Cláudio a escrever o presente volume que, dividido em três partes, sela e conclui o relato da sua relação com Veiga».

Entretanto no passado dia 11 de agosto, no Centro Cultural de Paredes de Coura abriu ao público a Coleção Mário Cláudio com muitas obras de Arte e outros documentos que evidenciam as relações do escritor com muitos cultores da Arte Contemporânea portuguesa.

Investigadores do GHAP

   Desde o final do mês de julho que diversos investigadores do GHAP, a título pessoal, em representação da ASCR-CQ, ou de outras instituições de que fazem parte, estiveram presentes em diversos eventos culturais a apresentar trabalhos de investigação profissional.

Assim, entre os dias 19 e 22 de julho decorreu o congresso Douro & Porto – Memória + Futuro, organizado pelo Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, I. P., com sede na cidade do Porto, maioritariamente por videoconferência, onde, entre muitas outras, foram apresentadas as seguintes comunicações: no dia 21 de julho, “O Vinho do Porto e a Diplomacia (séc. XVIII)”, por Francisco Ribeiro da Silva; “O Anuário da Região Duriense 1940: uma fonte para o estudo sincrónico do Douro”, por Nuno Resende; “O Visconde de Beire produtor de Vinho do Douro no século XIX – novos dados”, por Susana Guimarães; “Arte Publicitária dos Vinhos do Douro e do Porto: os artistas estrangeiros”, por J. A. Gonçalves Guimarães. No dia 22, “Do Vinho do Douro ao Porto do Vinho”, por António Barros Cardoso, que fez parte da comissão científica do Congresso.

Entre os dias 18 e 24 de julho decorreu a partir de Vila Nova de Foz Côa, com extensão a vários outros municípios do Douro, organizada pela Universidade do Porto através do CITCEM/ Faculdade de Letras com a colaboração de outras universidades europeias e outras entidades, a International Heritage Summer School 2021, a qual teve a presença de vinte alunos vindos de Argélia, Brasil, Estados Unidos da América, Hong Kong, Itália, Macau, Portugal e República Checa. A comissão organizadora contou com a participação de Nuno Resende, docente na FLUP, e o corpo docente teve, entre outros, a participação de Luís Raposo do ICOMOS e da Associação dos Arqueólogos Portugueses, que dissertou sobre “Património Cultural, Cidadania e Turismo” na conferência de abertura no dia 19 no Museu do Côa, e de J. A. Gonçalves Guimarães, coordenador do Gabinete de História, Arqueologia e Património (ASCR-CQ) que falou sobre “S. Salvador do Mundo e a aldeia de Pereiros, S. João da Pesqueira: dois locais singulares do Património Duriense” no Museu do Vinho de S. João da Pesqueira no dia 21 de julho, tendo nesse mesmo dia guiado uma visita àquele primeiro espaço. Seguiu-se uma visita guiada com A. Silva Fernandes, presidente da Associação dos Amigos de Pereiros àquela aldeia e seu património recuperado, onde decorreu um jantar ao ar livre sendo servida a gastronomia local. Entre vários outros locais dedicados à produção vinícola e olivícola, no dia 23 foi visitada a Quinta do Vale Meão, de Francisco de Olazabal & Filhos, sendo os participantes recebidos numa visita à Adega dos Novos, onde foram inteirados das diversas etapas da produção dos seus famosos vinhos, a que se seguiu uma alegre degustação perante o seu esplendoroso cenário.

Entre 30 de julho e 21 de agosto decorreu na Casa da Cultura Francisco Marques Rodrigues Jr. em Avintes um ciclo de palestras sobre temas locais, tendo sido palestrantes, entre outros, no dia 5 de agosto o Dr. Paulo Costa sobre “Fernão Brandão Pereira – o 1.º escritor de Avintes” e no dia 21 do mesmo mês o Dr. José Vaz sobre “O livro infanto/juvenil”. 

Monumento a três escritores 

Monumento aos Escritores, de Hélder de Carvalho, Torre de Moncorvo.

No passado dia 15 de agosto em Torre de Moncorvo foi apresentado ao público o Monumento aos Escritores da autoria do escultor Hélder de Carvalho, complementado com uma visita à exposição “A Ideia, o Mestre e a Obra”, a qual mostra como nasceu, se desenvolveu e se concretizou este projeto que perpetuará três autores de raízes locais: os portugueses Miguel Torga e José Saramago e o argentino de ascendência transmontana Jorge Luís Borges.

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 156, quarta-feira, 25 de agosto de 2021; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.