sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

 

Eça & Outras, III.ª série, n.º 208, quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

IIº Centenário do nascimento de Camilo Castelo Branco (1825-1890)

Instituições e Associações, organizações de cidadãos


Desde os primórdios da sociedade humana que os indivíduos depressa entenderam que era mais vantajoso para todos e para cada um o agruparem-se em sociedades com pré-determinados objetivos ou simplesmente para organizarem a sobrevivência do grupo. Essa é a remota origem das atuais instituições e associações. Distinguimo-las, as primeiras por terem uma origem relacionada com a integração dos seus elementos num todo internacional, continental, nacional, regional, municipal ou local, desde as Nações Unidas, passando pelo Parlamento Europeu, a Républica Portuguesa e o seu governo, as Comissões de Coordenação de Desenvolvimento Regional, as câmaras municipais, até às juntas de freguesia. Todas estas instituições são formadas em livre associação de aderentes, que as financiam, com dirigentes eleitos que por sua vez administram a equipa técnica e a máquina administrativa necessária ao seu funcionamento. Dentro da esfera dos interesses que defendem a adesão dos cidadãos é universalista, isto é, qualquer indivíduo pertencente ao grupo e é por ele reconhecido, pode estar integrado na sua representatividade sem restrições ou descriminações e ter voz ativa no seu funcionamento em circunstâncias pré-definidas e escalonadas da base ao topo das hierarquias. Estas instituições têm sedes mundiais, mas também delegações geográficas, às vezes até ao nível local.
As associações, embora com idêntico desenho geográfico, são agremiações de cidadãos para fins mais específicos ou particulares, de índole social, relacionadas com a proteção dos ecossistemas terrestres, a boa habitabilidade das cidades, as necessidades básicas de casa, comida, roupa, transportes e cuidados médicos, a ocupação de tempos livres e a convivialidade dos cidadãos. Também para fins culturais, como o cultivo ou acesso às ciências, letras, artes, desportos e técnicas, para a preservação das memórias do grupo ou das federações ou confederações de que fazem parte. Ou como grupos de análise, reflexão e proposição de alterações políticas nas instituições, como é o caso das associações constituídas como partidos ou movimentos políticos em volta de uma visão mais particular ou restrita do todo coletivo. Também neste caso existem associações de diferentes escalonamentos geográficos desde a mundialidade até à associação de rua ou de bairro. Reguladas pelas legislações internacionais e nacionais (Declaração Universal dos Direitos do Homem e constituições dos diversos países), nos seus princípios e funcionalidades tendem para a universalidade e democraticidade, ainda que com objetivos finais muito específicos, sem descriminações ou restrições de cidadania.

Um outro tipo de associações, logo à partida diferentes por autodefinição, são as confessionais, aquelas que são fundadas, promovidas e mantidas por confissões religiosas, normalmente denominadas como religiões, igrejas, crenças, congregações religiosas. Igualmente neste grupo existem as de carácter mais internacional, com presença e propriedades e várias partes do mundo, outras mais totémicas, mais perto de grupos étnicos, funcionando até como elementos identificadores da comunidade, mas com a sua universalidade logo comprometida pelo facto de serem só para crentes em determinadas convicções ou doutrinas, independentemente de algumas praticarem um maior ou menor proselitismo nas comunidades onde estão instaladas e, tal como as associações cívicas denominadas partidos políticos, também estas têm, às vezes, relações privilegiadas com as instituições internacionais, nacionais ou locais. Enquadradas e protegidas por lei, para além das atividades religiosas, afinal a sua principal razão de existirem, têm também ações no domínio do social e do cultural, confundindo-se, muitas vezes, com as associações laicas, disputando-lhes o território de atuação, as isenções de impostos e os subsídios disponíveis, quando não mesmo resquícios de privilégios de outras épocas em que havia «religião do estado», situação hoje banida nas constituições dos estados laicos do chamado mundo ocidental. Noutras partes, em muitas outras latitudes, existem estados teocráticos (Israel, por exemplo); de religião de estado (Inglaterra, por exemplo); estados que são sede de religião (Vaticano, por exemplo) e várias outras situações que se refletem, obviamente, nas instituições ou associações de naturais desses países quando existentes na emigração.

Se é certo que o decreto-lei n.º 594/4 consagrou que: «O direito à livre associação constitui uma garantia básica de realização pessoal dos indivíduos na vida em sociedade. O Estado de Direito, respeitador da pessoa, não pode impor limites à livre constituição de associações, senão os que forem direta e necessariamente exigidos pela salvaguarda de interesses superiores e gerais da comunidade política. No processo democrático em curso, há que suprimir a exigência de autorizações administrativas que condicionavam a livre constituição de associações e o seu normal desenvolvimento. O direito à constituição de associações passa a ser livre e a personalidade jurídica adquire-se por mero ato de depósito dos estatutos.», o que se compreendia numa sociedade a sair de uma ditadura onde o direito de associação era frequentemente aviltado, condicionado ou mesmo negado. Lembro-me, por exemplo, de que a Confraria do Vinho do Porto quis ter os seus estatutos aprovados nos anos sessenta o que lhe foi negado pelo governo civil do Porto de então pelo simples motivo de que só poderia haver confrarias religiosas, só tal conseguindo depois o 25 de Abril. Mas já nos anos trinta do século passado tinha existido em Gaia e Porto uma Confraria dos Carolas Agrícolas do Norte, mas que foi mandada encerrar pelo Estado Novo, enquanto por toda a Europa existiam em alguns países muitas confrarias e irmandades laicas. Exceto na Espanha de Franco e no Portugal de Salazar. Por que seria!?

Este assunto do associativismo tem já merecido alguns estudos académicos nas áreas da História e da Sociologia. Mas poucos, parcelares e raramente do ponto de vista que nos interessa aqui abordar: o do Património Cultural. Por isso a ele voltaremos, pois se nos afigura rico de memórias e significantes, pois quer as instituições quer as associações evoluíram muito nos últimos cinquenta anos. Mas ainda há quem tudo confunda e muitas delas se aproveitam da confusão. Mas já não estamos no tempo em que «… nesta nossa triste terra, quando a gente se quer alegrar e folgar um pouco, tem de recorrer às instituições, que são entre nós – pilhérias organizadas funcionando publicamente.» (Eça de Queirós, Uma Campanha Alegre).

J. A. Gonçalves Guimarães

historiador

 

A ASCR-CQ organiza e promove…

 

                                                                             Camilo por António Rua, 1970

Curso sobre Camilo Castelo Branco

Depois de a 29 de novembro a Doutora Cármen Matos Abreu ter falado sobre «Retratos de Gaia pela objetiva literária» no curso livre evocativo dos 200 anos do nascimento de Camilo Castelo Branco (1825-2025) organizado pela Academia Eça de Queirós dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana iniciado a 4 de outubro passado, a 13 de dezembro foi a vez da Dr. Irene Fialho do Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra.

Palestra das últimas passam a primeiras quintas-feiras do mês

Hoje, dia 25 de dezembro, por ser dia de Natal e feriado não haverá a habitual palestra das últimas quintas-feiras do mês. E haverá mesmo uma mudança de paradigma para o próximo ano, em que passaremos a ter as Palestras da primeira quintas-feiras do mês. Porém como a primeira coincide com a dia 1 de janeiro, Dia da Fraternidade Universal e por isso também feriado, a primeira palestra do novo ano será na quinta-feira dia 8 de janeiro, sendo palestrante J. A. Gonçalves Guimarães sob o tema «Os pilares da City Mark gaiense».

 

Visitas da Confraria

 

                                 A ASCR-CQ e a Academia Alagoana de Letras, Brasil, no Palácio da Bolsa do Porto

 

No passado dia 22 de novembro uma luzida delegação da Academia Alagoana de Letras de Maceió, Brasil, chefiada pelo seu presidente da direção Doutor Albert Rostand Lanverly e que trouxe consigo o Ator Francisco de Assis, participou no capítulo da Confraria Queirosiana. Mas foi igualmente recebida por outras entidades sempre acompanhada por J. A. Gonçalves Guimarães e António Pinto Bernardo, dirigentes da associação portuguesa.

Assim, no dia 21 a delegação foi recebida na Palácio da Bolsa pelo vice-presidente da Associação Comercial do Porto, que conduziu a visita, tendo Chico de Assis declamado com inesquecível emoção poemas brasileiros e portugueses no salão árabe.

No dia 26 a delegação foi recebida na Casa Ramos Pinto na Beira-rio gaiense, tendo visitado o seu Museu cheio de alusões à presença desta empresa de Vinho do Porto no Brasil, nomeadamente a oferta ao Rio de Janeiro da monumental Fonte Adriano Ramos Pinto em 1906, painéis de azulejos que estiveram na Exposição do Centenário de 1922 e a garrafa que acompanhou Gago Coutinho e Sacadura Cabral na pioneira travessia aérea daquele ano.

 

A ASCR-CQ esteve em

 


No dia 6 de dezembro a Confraria Queirosiana esteve representada por J. A. Gonçalves Guimarães e Maria de Fátima Teixeira no capítulo da Confraria dos Sabores Poveiros que decorreu no Cine-Teatro Garrett na Póvoa de Varzim, comemorativo dos 180 anos do nascimento do escritor nesta cidade, tendo sido palestrante o Dr. Adelino Tito de Morais sobre o tema «Eça à Mesa».

Nesse mesmo dia, pelas 15 horas, a ASCR-CQ esteve representada pelo dirigente Prof. Doutor António Manuel S. P. Silva na sessão dos 111 anos dos Bombeiros Voluntários de Valadares. Este arqueólogo tem dirigido os trabalhos arqueológicos no Castro da Madalena, propriedade daquela associação humanitária, presentemente suspensos à espera de continuidade. Os resultados dessas campanhas podem ser lidos no estudo SLVA, António Manuel S. P. (2024) – Trabalhos arqueológicos no Castro da Madalena, Vila Nova de Gaia (2020-2023) – revelar um passado ou inventar um futuro?, «Gaya. Estudos de História, Arqueologia e Património», n.º 2. Vila Nova de Gaia: ASCR-CQ, pp. 9-42.

Nesse mesmo dia pelas 21 horas e no Auditório Municipal de Gaia, os mesmos confrades estiveram presentes na gala de homenagem realizada pela Federação das Coletividades e Vila Nova de Gaia à Tuna Musical “A Vencedora” de Vilar e Andorinho que fez 100 nos de existência.

 


No dia 11 a ASCR-CQ realizou o seu habitual Jantar de Natal, desta feita num restaurante perto do Solar Condes de Resende em Canelas que juntou mais de trinta comensais. Boas conversas sobre as realizações do ano e das perspetivas futuras.

No dia 16, J. A. Gonçalves Guimarães, presidente da direção da ASCR-CQ e membro dos corpos gerentes da Associação Portuguesa da História da Vinha e do Vinho (APHVIN/ GEHVID), instituição protocolada com a primeira, esteve presente na assembleia geral que decorreu no Palacete Conde de Silva Monteiro no Porto, dirigida pelo seu presidente da mesa, Professor Doutor Francisco Ribeiro da Silva, Entre vários assuntos foram eleitos os novos corpos gerentes para 2026-2029, continuando o Prof. Doutor António Barros Cardoso como presidente da direção e os dois elementos acima nomeados nas mesmas funções.

No dia 17, o mesmo dirigente esteve reunido com o Dr. Gustavo Gama, recém-eleito presidente da Junta de Freguesia de Mafamude, Vila Nova de Gaia, sobre vários assuntos que se prendem com a atividade da ASCR-CQ, nomeadamente o levantamento do Património Cultural de Gaia - Instituições e associações (PACUG 5); a necessidade de uma nova monografia de Mafamude, elaborada por historiadores profissionais; a necessidade de preservação e valorização da estátua A Dor, de Joaquim Gonçalves da Silva (1863-1912), uma obra prima da escultura portuguesa existente no Cemitério de Mafamude e propriedade da Junta de Freguesia; e Mafamude e a festa de São Gonçalo.

No dia 18, J. A. Gonçalves Guimarães e Maria de Fátima Teixeira estiveram presentes na sessão evocativa dos 18 anos da elevação da povoação de Canelas a vila, presidida pela Dr.ª Ana Luísa Ferreira e em que foi palestrante o Arquiteto Daniel Couto que dissertou sobre a evolução urbana da freguesia depois da década de sessenta do século passado até aos nossos dias. Nesta freguesia gaiense fica localizado o Solar Condes de Resende onde a ASCR-CQ tem a sua sede por protocolo com a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia.

Distinções

 

                                                     Isabel Pires de Lima, Legião de Honra do Governo Francês

No passado dia 4 de dezembro Isabel Pires de Lima, Professora Emérita da Universidade do Porto, Ministra da Cultura do XVII Governo Constitucional de Portugal, e confrade queirosiana de honra, grau grã-louvada recebeu a Legião de Honra do Governo Francês, sendo assim a segundo confrade a receber esta honrosa distinção, a seguir ao Dr. Manuel de Novaes Cabral, ex-presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto e atual diretor do Museu Nacional Ferroviário. A direção da associação Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana felicitou-a pela distinção recebida que muito a honra e a nós nos honra, mas também a Cultura europeia e Portugal.

 

                                         António Pinto Bernardo 50 anos ao serviço da Publicidade Exterior

No passado dia 28 de novembro a Associação Portuguesa de Publicidade Exterior (APEPE), Lisboa, na comemoração dos seus 50 anos de existência prestou homenagem ao Dr, António Pinto Bernardo, profissional de publicidade exterior, fundador da Urbiface e membro dos seus corpos gerentes. No ato foi-lhe atribuída uma placa «… em reconhecimento à notável contribuição de António Pinto Bernardo, cuja dedicação, visão e compromisso foram fundamentais para o fortalecimento e prestígio da nossa associação ao longo de cinco décadas. Com gratidão e admiração. Lisboa, 28 de novembro de 2025.

 

Associados & Outras

 

Entre 16 e 26 de outubro esteve em cena no Teatro Camões, em Lisboa, o bailado em três atos inspirado em Os Maias de Eça de Queirós, coreografado por Fernando Duarte e interpretado pela Companhia Nacional de Bailado. Depois da Literatura, da Sociologia, do Teatro, do Cinema, da Fotografia, chegou a vez desta obra se ver engrandecida na Dança.

 

No passado dia 25 de novembro, o Professor Doutor David António Rodrigues, professor catedrático jubilado da Universidade de Lisboa apresentou no Auditório Milton Santos do Instituto de Geociências da Unicamp, Brasil, uma conferência sobre «Direitos e Deveres Humanos: uma agenda humanista».

 

Entre 1 de dezembro e 10 de janeiro próximo, no Cabido da Sé Catedral do Porto, estará patente ao público a exposição Nasoni 300, que evoca o tricentenário da chegada de Nicolau Nasoni à região portuense em 1725 mandado vir de La Valletta pela família gaiense dos Cernache, cavaleiros e bailios da Ordem de Malta, a qual mostra desenhos da coleção Ciaccheri da Biblioteca communale degli Intronati de Siena. A curadoria portuguesa é do Prof. Doutor Nuno Resende, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e esta exposição teve o apoio, entre outras entidades, do Ministério da Cultura e da Associazione Sócio-Culturale Italiana Del Portogallo Dante Alighieri.

 

LIVROS e periódicos

 

Com os seus 95 anos ativos J. Rentes de Carvalho continua a publicar novos volumes de crónicas e outros escritos com a sua marca inconfundível. Assim, no passado mês de setembro a Quetzal, a sua meritória editora em Portugal, apresentou ao mercado livreiro e ao público ledor o seu Recordações e Andorinhas, um quase diário de entre 2007-2008 sobre as andanças e desandanças do nosso país em pequenas crónicas sobre figuras gradas e degradadas, sorumbáticas, umas risíveis outras, observadas e escalpelizadas pelo bisturi literário deste discípulo assumido de Eça de Queirós, cuja tradução das principais obras em tempos promoveu na terra das tulipas.

Entretanto como noticiamos na Eça & Outras de 25 de novembro passado, nesse mesmo dia no início do capítulo da Confraria Queirosiana no Solar Condes de Resende, o secretário de estado da Cultura, Dr. Alberto Santos, procedeu ali à abertura ao público da Sala Rentes de Carvalho que mostra algumas das peças mais significativas do seu espólio oferecido à associação e em fase de catalogação sob a curadoria de J. A. Gonçalves Guimarães e Maria de Fátima Teixeira, e que ali permanecerá a homenagear a vida e obra deste escritor nascido em Vila Nova de Gaia e que presentemente vive em Amsterdam, tendo esta mostra sido montada sob a supervisão de António Manuel S. P. Silva e Maria de Fátima Teixeira. Sobre a obra Ernestina, recentemente a Prof.ª Doutora Cristina Petrescu da Universidade de Cluj Napoca, Roménia, escreveu o seguinte: «Acabei de ler “Ernestina”, romance de uma impressionante qualidade literária e humana, e que me foi oferecido por um generoso e extraordinário amigo meu [Henrique Guedes], no mesmo dia em que chegou pelos correios este outro livro magnífico, em que J. A. Gonçalves Guimarães, que tenho a honra de chamar de amigo e confrade, homenageou o grande J. Rentes de Carvalho.

Agradeço, do fundo do meu coração, aos dois amigos que me revelaram o universo literário deste extraordinário autor que, por ignorância minha, desconhecia, e que já está entre os meus preferidos».

 

Referente a 2024 mas agora em distribuição na versão “papel” e na versão digital encontra-se a revista Vinho Verde. História e Património. History and Heritage, n.º 4, editada pela Associação Portuguesa da História da Vinha e do Vinho (APHVIN/GHEVID) do Porto, e coordenada pelo seu diretor Prof. Doutor António Barros Cardoso. Neste número, por entre os vários artigos que a compõem encontram-se os do coordenador que assina In Memoriam Dr. Mário Cerqueira Correia (1935-2024) e Vinhos Verdes – da planta ao copo; de J. A. Gonçalves Guimarães, O culto a São Gonçalo no Alto Minho. Vinho na Cultura Popular; e de Maria de Fátima Teixeira, A fábrica de destilação de aguardente de Jerónimo Pinto de Paiva Freixo. A APHVIN tem um protocolo de colaboração com a ASCR-CQ.

 

                            

Referente ao ano de 2025 acaba de ser posto à venda o n.º 3 da revista Gaya. Estudos de História, Arqueologia e Património, 174 pp., publicada pela associação ASCR-CQ sob a orientação de J. A. Gonçalves Guimarães e António Manuel S. P. Silva, coordenadores do Gabinete de História, Arqueologia e Património, estrutura profissional dedicada a estes estudos. Este número abre com um texto de apresentação dos investigadores atrás referidos, e logo a seguir o estudo A Cultura no Município de Vila Nova de Gaia, antes, após o 25 de Abril de 1974 e hoje: conceitos, instituições e agentes, por J. A. Gonçalves Guimarães, seguido de Revisitando o Castelo de Crestuma: para uma nova agenda de investigação e patrimonial por António Manuel S. P. Silva. Seguem-se três outros estudos nunca antes publicados recuperados para esta edição: O Julgado de Gaia nos séculos XIV e XV por Humberto Baquero Moreno (1934-2015) e Alcina Manuela de Oliveira Martins; Oporto China Fund: sementes de evangelização por Fernando Peixoto (1947-2008); e Uma coleção de Armaria no quartel da Serra do Pilar por Sérgio Veludo Coelho. O número fecha com a Vária, que apresenta as Edições da ASCR-CQ desde 2002 até à atualidade; o Estatuto editorial e as Normas para submissão de textos.

Declarada de Interesse Cultural pela Ministra da Cultura Dalila Rodrigues, teve o apoio mecenático de um confrade que preferiu manter o anonimato.

__________________________________________________________

Eça & Outras, III.ª série, n.º 208, quinta-feira, 25 de dezembro de 2025; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana (Instituição de Utilidade Pública), Solar Condes de Resende, Travessa Condes de Resende, 110, 4410-264, Canelas, Vila Nova de Gaia; C.te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www. queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot. com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação do blogue e publicação no jornal As Artes Entre As Letras: J. A. Gonçalves Guimarães; redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: António Manuel S. P. Silva; António Pinto Bernardo.

terça-feira, 25 de novembro de 2025

 

Eça & Outras, III.ª série, n.º 207, terça-feira, 25 de novembro de 2025

 

IIº Centenário do nascimento de Camilo Castelo Branco (1825-1890)

 

A Coleção Azuaga regressa ao usufruto dos cidadãos

Em quatro salas da ala norte do Solar Condes de Resende recentemente reencontrou o seu público uma boa parte da coleção oitocentista organizada por Marciano Azuaga (1840-1905), antigo ferroviário que foi chefe da estação das Devesas e que em 1904 a doou ao Município de Vila Nova de Gaia que nunca a tratou devidamente, sequer como decorria do compromisso de a ter recebido. O Museu Azuaga e o Museu de Numismática eram as duas únicas coleções públicas locais no princípio do século XX, tendo estado abertas ao público, em más condições, até aos anos trinta, quando a autarquia decidiu comprar ao escultor Teixeira Lopes (1866-1942) a casa-atelier onde este vivia e trabalhava com o seu recheio, que daí em diante passou a ser designada como Casa-Museu com o seu nome, e onde ele continuou a viver até à sua morte. Esta opção “encaixotou” as peças daqueles dois “museus”, tendo a coleção Azuaga sofrido desde então diversas vicissitudes, até que nos anos setenta transitou para uma arrecadação do novo edifício da Biblioteca Municipal, onde se quedou até aos anos oitenta afastada do público. Em 1987 transitou para o Solar Condes de Resende, então ainda em obras de adaptação, que não contemplaram a criação de salas adequadas para reservas desta coleção.

Com mais de duas mil e setecentas peças provenientes de todos os continentes, de várias épocas e de diversíssimos materiais, foi recebendo “incorporações posteriores” aos inventários iniciais, nomeadamente peças arqueológicas e etnográficas locais ou regionais, além de outra natureza, que lhe foram sendo acrescentadas. Mas até à década de noventa do século passado muito poucas destas peças foram estudadas e os seus estudos publicados, conforme se pode constatar pela sua bibliografia. E, no entanto, a coleção, no seu todo ou algumas delas, tinham já recebido a atenção de Leite de Vasconcelos, Ricardo Severo, José Fortes e sobretudo de Armando de Mattos, que nos anos trinta, como diretor da Biblioteca e dos Museus Municipais de Vila Nova de Gaia (o Azuaga e o de Numismática), e sobretudo como investigador, não só sobre elas publicou vários estudos, como os deu a conhecer e tentou impedir a sua anulação cultural. Quando tal aconteceu, foi-se embora.

Desde então, a falta de quadros profissionais no município nas áreas da História, História da Arte, Arqueologia, Antropologia Cultural e Museologia mantiveram a coleção num olvido indicador de forte atraso cultural. Já vários investigadores compararam esta coleção com a do Museu Allen do Porto, do Museu de Manchester ou do Museu de Artes e Tradições Populares de Paris, mas essas coleções caíram em boas mãos, quer autárquicas, quer universitárias, quer estaduais, para até hoje cumprirem com garbo e novidade as suas missões. Com a coleção Azuaga, só após a criação do Gabinete de História e Arqueologia de Vila Nova de Gaia na Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 1982 e da sua implantação como grupo de trabalho autárquico em Vila Nova de Gaia é que a situação começou a mudar, devagar certamente, mas de forma decidida. Com a transferência de boa parte da coleção para o Solar Condes de Resende em 1987, onde já vinham sendo estudadas pelo Gabinete desde 1984 as peças da Necrópole de Gulpilhares e outras do núcleo de Arqueologia, é que na realidade começou o estudo pontual de algumas outras peças e núcleos. Como seu responsável a partir daquela data, não só estudei alguns e os dei a conhecer, como procurei atrair para essa tarefa, normalmente não remunerada, alguns especialistas de várias universidades, estagiários académicos bem orientados, alunos meus da Universidade Portucalense Infante D. Henrique e docentes e alunos da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto que comigo colaboravam nas semanas de estudos especializados do Museu de Sítio de Ervamoira no Vale do Côa, e outros investigadores profissionais com créditos firmados. Tendo a coleção uma muito significativa variedade e qualidade de núcleos cerâmicos, não admira que tenha sido em sua volta que se desenvolveram muitos dos seus estudos, para além de outros trabalhos. Assim foram sendo publicados, ou ainda estão à espera de publicação, de J. A. Gonçalves Guimarães (espólio do III.º milénio de Sintra, 1990; cerâmica esmaltada peninsular, 1992; núcleos cerâmicos, 1996; Bordalo Pinheiro, 1997; Ossela (com António Manuel S. P. Silva), 1998; retratos reais (com Susana Guimarães), 2000; 2006 e 2008; faianças, 2001; documentos chineses, 2005; objetos arqueológicos e outros de Trás-os-Montes e Alto Douro (com Eva Cristina Baptista e Maria de Fátima Teixeira), 2006; porcelanas chinesas, 2006; núcleo chinês (com Susana Guimarães), 2010; militária das Invasões Francesas (idem), 2011; aprestos e arreios equestres (idem), 2016; faiança inglesa, 2011; arqueologia em geral e vaso grego (idem), 2022; Maria José Lobato (machados de bronze, 1993; necrópole de Gulpilhares, 1996); Maria Cristina de Mendonça (cabeças humanas mumificadas, 1994); Mário Pedro Ribeiro Cordeiro Peneda (armas de fogo, 1994); Carla Cristina Teixeira Pinto (cerâmica popular, 1995; Niza e Estremoz, 1996; barros negros, 1997); Luís Manuel de Araújo (núcleo egípcio, 1995); António Sérgio dos Santos Pereira (índios do Brasil, 1995); Sónia Oliveira; Isabel Ferreira; Ana Cristina Prata (azulejos holandeses, 1996); José Manuel Grosso Silva (organismos marinhos, 1997); Sandra Passos Osório Arteiro Moreira (fósseis, 1999); Susana Cistina Gomes Gonçalves Guimarães (alfaias agrícolas, 2000); Elizabete Maria C. A. Martins de Carvalho; Paulo António dos S. P. da Rocha (núcleo mineralógico, 2007); Susana Moncóvio (peças artísticas, 2012); e Maria Inês Pires Vinagre (azulejos, 2019).

Importa também aqui recordar que nesta ação de valorização da coleção Azuaga várias das suas peças foram, entretanto, apresentadas em exposições temáticas, não apenas em Vila Nova de Gaia, mas também na Bretanha, França (Abadia de Daoulas); Lisboa (Museu de Etnologia e Museu das Comunicações); Oliveira de Azeméis (Museu local); Régua (Museu do Douro) e Vila Real (Museu de Arqueologia e Numismática).

Deixo aqui um agradecimento muito especial a Susana Guimarães que durante anos comigo trabalhou no Solar Condes de Resende na gestão desta coleção, na sua conservação e disponibilização para estudo, tendo realizado ela própria os trabalhos que acima se indicam e em 2018 comigo elaborado o estudo «Universalidade da coleção Marciano Azuaga e incorporações posteriores» desde então ali disponível e recentemente publicado com o título O Museu Azuaga na génese dos museus gaienses. Vila Nova de Gaia: ASCR – Confraria Queirosiana, 2025.

Agora que uma boa parte da coleção voltou a encontrar-se com o seu público com o apoio da vereadora Paula Carvalhal e com a qualidade profissional pelos colegas João Luís Fernandes e Lídia Baptista, aqui fica assinalada esta recente reparação que o município de Gaia devia à memória de Marciano Azuaga e à sua generosidade. E também aos investigadores profissionais que a mantiveram viva e que, com os seus trabalhos, evidenciaram a sua mais valia cultural, pelo menos «entre aqueles, porém, felizmente numerosos, que têm a religião do objeto de arte, e para quem o colecionar é a forma superior do viver…» (Eça de Queirós, Notas Contemporâneas).

 

J. A. Gonçalves Guimarães

historiador

 

XXIII.º Capítulo Anual



No passado dia 22 de novembro decorreu no Solar Condes de Resende o XXIIIº capítulo da Confraria Queirosiano com a presença de oitenta confrades e acompanhantes de Portugal e do Brasil, a partir das 10, 30 da manhã, quando o Secretário de Estado da Cultura, Dr. Alberto Santos, o adjunto da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Dr. Paulo Ferreira do Amaral em representação do presidente Dr. Luís Filipe Meneses, J. A. Gonçalves Guimarães, presidente da Confraria Queirosiana e o Dr. João Fernandes responsável pelo Solar Condes de Resende, estando também presente a ex-vereadora do pelouro da Cultura da Câmara de Gaia, Eng.ª Paula Carvalhal na sua qualidade de confrade e dos novos que iam ser insigniados na sessão que em breve iria decorrer, procederam à abertura ao público da Sala Rentes de Carvalho que passa ali a homenagear a vida e obra do escritor que presentemente se encontra em Amsterdam com os seus 95 anos ativos e atentos. Após este ato dirigiram-se ao salão nobre já cheio de confrades e acompanhantes onde formaram a mesa e o agrupamento musical Eça Bem Dito entoou o Hino de Gaia. Seguidamente o presidente da assembleia geral Prof. Doutor José Manuel Tedim saudou as entidades e associações presentes e lembrou os confrades que foram distinguidos no ano presente.

Seguidamente o Prof. Doutor Luís Manuel de Araújo, diretor da Revista de Portugal, apresentou o seu nº 22, a que se seguiu a interpretação do Hino D. Pedro IV para introduzir o momento da saudação da Academia Alagoana de Letras feita pelo seu presidente Doutor Alberto Rostand Lanverly, que na ocasião entregou à Confraria Queirosana uma placa comemorativa desta visita.

Foram insigniados os novos confrades, grau leitor: Dr.ª Ângela Moreira; Dandara Correia de Lima; e Eng.ª Nádia Oliveira. Grau Leitor: Dr. João Bernardo Pena Gouveia de Campos e Dr. Manuel Gonçalves Morim. Como confrades de honra, grau mecenas, a Dr.ª Manuela Fernanda da Rocha Garrido; e o Eng.º Mário Armando Martins Duarte; grau louvado, o Ator Francisco de Assis; grau mecenas, o Dr. Alberto Santos, secretário de estado da Cultura; escritor e fundador da Escritaria. Pelos insigniados falou o Ator Francisco de Assis que declamou alguns poemas e exprimiu o quanto se sentia honrado por passar a fazer parte da confraria falando seguidamente o Dr. Alberto Santos sobre a vida e obra de Eça de Queirós, após o que os novos confrades, acompanhados por toda a assistência fizeram o juramento e entoaram, com os Eça Bem Dito, o Hino da Confraria. A mesa e os novos confrades dirigiram-se depois ao jardim das Camélias onde depor uma coroa de loureiro na estátua de Eça de Queirós e fazer as fotografias habituais, bem assim como na escadaria do pátio do Solar.

O programa continuou com um almoço numa quinta de eventos perto, no final do qual atuou a Academia do Fado, da Canção e da Guitarra de Coimbra aqui representada por Hélder Ribeiro (guitarra); João Figueiredo (viola); António Ribeiro e Luís Réis (cantores), a que se seguiu um novo momento literário pelo ator e poeta brasileiro Francisco de Assis, com poemas de José Régio e prosa de Eça de Queirós.



A ASCR-CQ esteve em…

No sábado, dia 1 de novembro, os dirigentes J. A. Gonçalves Guimarães e António Manuel S. P. Silva estiveram na Biblioteca Pública de Perosinho no lançamento do livro do nosso confrade escritor Afonso Reis Cabral, O Último Avô recentemente editado pela D. Quixote. Perante uma sala repleta o autor explicou a génese do livro e as andanças interiores da narrativa até esta forma agora publicada, que bem trazer ao seu público a problemática das memórias da geração que esteve na Última Guerra Colonial Portuguesa, no caso vertente a inventar uma narrativa para esconder frustrações desenvolvidas naquele conflito, uma espécie de trauma deixado pelo que não foi, mas poderia ter sido. Esta obra foi Prémio Leya e Prémio Literário José Saramago.

No dia 20 de novembro, J. A. Gonçalves Guimarães, por convite do Chefe do Estado Maior do Exército e do Ajudante-General do Exército, esteve presente a representar a associação no Dia Festivo do Comando do Pessoal do Exército que decorreu no Quartel de Santo Ovídio no Porto, com a presença das mais altas hierarquias deste ramo das Forças Armadas, de militares no ativo e na reserva, pessoal civil, familiares e convidados, durante o qual foi apresentado pelo coronel Homero Abrunhosa comandante da unidade aquartelada na Serra do Pilar, o livro por si organizado Quartel da Serra do Pilar: Fé e Fortaleza, com a presença dos autores (ver abaixo). Seguiu-se um momento musical por uma orquestra destacada da Banda Militar em que atuaram três dos seus solistas, seguindo-se um almoço de confraternização.

 


Nesse mesmo dia, António Pinto Bernardo, em representação da direção da ASCR-CQ e o ator Francisco de Assis confrade de honra a ser insigniado dia 22, estiveram presentes na abertura do Congresso Internacional Eça com Norte nos 180 anos do seu nascimento, o qual decorreu no Marco de Canavezes no Centro Cultural Emergente, organizado pela autarquia local com a colaboração da Clepul (Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias), universidades de Aveiro, Lisboa, Complutense (Madrid) e Porto (FLUP) e o apoio da Confraria Queirosiana e da Fundação Eça de Queiroz, ente outras entidades. A conferência de abertura, sobre o tema «Eça de Queirós e a estética como revolução», foi proferida pela nossa confrade honorária Professora Doutora Isabel Pires de Lima. Nas diversas sessões participaram, entre outros, os nossos associados e confrades Irene Fialho e Mário Cláudio.

Ainda no dia 20 de novembro, mas às 21 horas, J. A. Gonçalves Guimarães em representação da direção, participou na 1.ª Mostra Associativa de Canelas organizada pela respetiva Junta de Freguesia, onde apresentou os objetivos da associação e as suas principais atividades nesta realização que juntou quinze coletividades das mais diversas atividades e enquadramentos institucionais da Igreja Católica, da Igreja Adventista e associações laicas.

 

A ASCR-CQ organiza e promove…

Palestra das últimas quintas-feiras do mês

A próxima palestra será na quinta-feira, dia 27 de novembro, entre as 18,30 e as 19,30 horas e terá como tema «As capas da nova série da Revista de Portugal» e será palestrante J. A. Gonçalves Guimarães, presidente da direção da ASCR-CQ.

Curso sobre os 200 anos de Camilo Castelo Branco

Prossegue no Solar Condes de Resende este curso livre evocativo dos 200 anos do nascimento de Camilo Castelo Branco (1825-2025) organizado pela Academia Eça de Queirós dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana iniciado a 4 de outubro passado. Depois da primeira lição proferida pelo Prof. Doutor Sérgio Sousa, da Universidade do Minho, sobre «Teoria da Literatura: o que é? Para que serve?», a segunda sobre «Camilo Castelo Branco e Vila Nova de Gaia» realizou-se no dia 11 de outubro, proferida pelo Prof. Doutor J. A. Gonçalves Guimarães, da Academia Eça de Queirós e a terceira no dia 25 de outubro sobre «A Gastronomia em Camilo» pela Prof. Dr.ª Elzira Queiroga, da Casa de Camilo – Centro de Estudos Camilianos de Vila Nova de Famalicão. No dia 8 de novembro o Dr. João Luís Fernandes falou sobre «Abade Santana de Mafamude, personagem camiliano» e no próximo dia 29 de novembro, a Prof.ª Doutora Cármen Matos Abreu falará sobre «Retratos de Gaia pela objetiva literária»

 

Atividades dos Associados

 


No passado dia 7 de novembro no Engenho da Barra, Barra de São Miguel, Alagoas, Brasil, uma mesa redonda sobre os 200 Anos de Camilo Castelo Branco e das Relações Diplomáticas entre Brasil e Portugal promovida pela Academia Alagoana de Letras, na qual foram palestrantes Alberto Rostand Lanverly, Diógenes Tenório Júnior e Fernando Maciel.

A 22 de novembro o nosso confrade de honra Eng.º Ricardo Charters-d’Azevedo proferiu uma conferência sobre o Almanach de Gotha na Casa das Artes em Arcos de Valdevez no âmbito do 7.º Congresso Internacional “A Casa Nobre um património para o futuro”

 

Publicações: livros e revistas




No passado dia 20 de novembro no Quartel de Santo Ovídio no Porto, conforme acima se noticia, foi lançado o livro Serra do Pilar Fé e Fortaleza Faith and Strength, organizado pelo Coronel Homero Gomes Abrunhosa, com a colaboração de Micael Angelo de Oliveira Fernández, e a autoria de vários autores nas suas 168 páginas: J. A. Gonçalves Guimarães que escreveu o capítulo I. Moldura Paisagística Landscape Framework (pp. 6-16); II. O Mosteiro, Edificação e Ocupação Religiosa The Monastery, Edification and Religious Occupation (pp. 7-41); e ainda O culto religioso na Serra do Pilar The religious worship in Serra do Pilar (pp. 129/130); o capítulo III, O Quartel da Serra do Pilar ao longo da História é da autoria do Prof. Doutor Sérgio Veludo Coelho; o capítulo IV, O quartel da Serra do Pilar desde a segunda metade do século XX, da autoria dos Tenentes Coronéis José Baptista e Alexandra Nascimento. O capítulo V, Património e Memória relata diversos aspetos específicos ou muito localizados no tempo, escritos ou compilados por J. A. Gonçalves Guimarães, Dr.ª Manuela Alves, Sérgio Veludo Coelho e pelos organizadores da edição, equipa que trabalhou a partir do Quartel da Serra do Pilar, Vila Nova de Gaia, sendo a edição inteiramente bilingue da responsabilidade do Exército Português.

A obra foi prefaciada pelo General Chefe do Estado-Maior do Exército, Eduardo Manuel Braga da Cruz Mendes Ferrão; pelo Bispo do Porto, Dom Manuel da Silva Rodrigues Linda; pelo Tenente-General Ajudante-General do Exército, João Pedro Rato Boga de Oliveira Ribeiro, com uma Introdução do Coronel Comandante do Quartel da Serra do Pilar, Homero Gomes Abrunhosa. Tem ainda ilustrações especialmente concebidas para esta edição por Ekaterina Ivannikova, fotografias de Hélder Rodrigues, e o planeamento da edição da Dr.ª Inês Costa e direção de impressão e design de Dr. Lopes de Castro e Dr. Pedro E. Santos, e tradução da Dr.ª Maria Elisa Teixeira.

 


Pela mão da delegação da Academia Alagoana das Letras (AAL) presente no Capítulo da Confraria chegou-nos à mão a Edição 29 da sua Revista anual que tem colaboração de membros da entidade editora, da Academia Brasileira de Letras, da Academia Paulista de Letras e da Confraria Queirosiana. Com uma introdução de Alberto Rostand Lanverly e um seu artigo nas páginas seguintes, aí encontramos textos de confrades comuns como Arnaldo Paiva Filho e Carlos Méro. A Confraria Queirosiana está representada nesta edição por Alexandre Farinhote, historiador e secretário da direção da ASCR-CQ, com o estudo «Emigração gaiense para o Brasil durante a 1.ª Grande Guerra», pp. 203-208; J. A. Gonçalves Guimarães, historiador, presidente da direção da ASCR-CQ e sócio correspondente da AAL, o estudo «O culto de São Gonçalo Garcia: do Japão para o Porto e daí para o Recife e Alagoas», pp. 209-212; e J. Pereira da Graça, juiz conselheiro jubilado e associado da ASCR-CQ, com o texto «Camilo Castelo Branco e a justiça», pp. 213-217.

Como habitualmente, também neste capítulo da Confraria Queirosiana foi lançado mais um número, o n.º 22, desta nova série anual, apresentado pelo seu diretor Prof. Doutor Luís Manuel de Araújo, o qual apresenta o seguinte conteúdo nas suas páginas: o editorial «Eça de Queirós no Panteão» subscrito por J. A. Gonçalves Guimarães, seguido do «In Memoriam de Francisco Javier de Olazabal» associado queirosiano  recentemente falecido, a que se seguem os discursos proferidos no Panteão Nacional aquando da trasladação no dia 8 de janeiro de 2025 por Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República Portuguesa; por José Pedro Aguiar-Branco, presidente da Assembleia da República; a «Evocação fúnebre de Eça de Queiroz» por Afonso Reis Cabral, presidente da administração da Fundação Eça de Queiroz e confrade queirosiano; a «Honras de Panteão Nacional Português a Eça de Queiroz» por Dagoberto Carvalho J.or, confrade queirosiano do Recife, Brasil. Segue-se o exaustivo artigo «Eça de Queirós na Roménia» por Cristina Petrescu professora na Universidade de Cluj-Napoca e, abrindo o outro tema desta revista, o artigo «Camilo a bicentenarizar-se» por J. A. Gonçalves Guimarães. Segue-se a colaboração dos membros da Academia Alagoana de Letras e também confrades queirosianos, o texto «O monstro despertado pelas mãos do homem» por Alberto Rostand Lanverly; «Consequências das publicações das Farpas no Brasil» por Arnaldo Paiva Filho; e «Testemunha de vista» por Carlos Méro. Segue-se o artigo «Rotary Clube de Lisboa, cem anos de solidariedade» por Luís Manuel de Araújo que assina as duas seguintes recensões: «Teresa Pinto Coelho, Eça de Queirós no Egipto e a Abertura do Canal de Suez. Viagem, Orientalismo e Império»; e «António Carlos Silva, Memórias das Pedras Talhas. Fragmentos da vida de um arqueólogo acidental», seguindo a recensão de António Manuel S. P. Silva ao livro lançado na pretérita Feira do Livro do Porto «J. A. Gonçalves Guimarães, Eça & Outras 2. J. Rentes de Carvalho 95 Anos». Segue-se a «Bibliografia 2024» dos associados da ASCR-CQ e o «Relatório de atividades em 2024 da associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana» e a divulgação da capa do estudo «O Museu Azuaga na génese dos Museus Gaienses» de J. A. Gonçalves Guimarães e Susana Guimarães. A capa da revista, da autoria de António Rua, apresenta sobre uma gravura do Panteão Nacional em 1863 o cabeçalho registado da revista e as indicações editoriais, as efígies de Eça e de Camilo a dourado legendadas a caixa alta «EÇA NO PANTEÃO» e «CAMILO 200ANOS» com o logótipo da ASCR-CQ: na contra-capa o cartaz do curso a decorrer no Solar Sobre Camilo Castelo Branco, também do mesmo artista gráfico.

 


«…dentro das prisões estão pessoas. Pessoas como todas as outras, com defeitos mas também com qualidades ( e tenho visto reclusos com mais qualidades do que têm pessoas que nunca foram presas), pessoas possuidoras de afetos, pessoas com famílias que as querem bem, pessoas que em fases da vida trilharam cainhos que as levaram à prisão». Esta é uma das frases que o Eng.º Manuel Hipólito Almeida dos Santos, da Obra Vicentina de Apoio aos Reclusos (O.V.A.R.), nos deixa para reflexão como cidadãos preocupados com o seu semelhante neste seu livro sobre o Panorama do Sistema Prisional Português, recentemente editado a propósito de uma amnistia/perdão de penas aceite pela Assembleia da República a propósito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril e da Bula do Papa Francisco para o Jubileu de 2025, mas rejeitada pela maioria dos partidos políticos. A obra apresenta uma detalhada análise da atual realidade prisional em Portugal.

 


Na já abundante biografia publicada pelo Doutor Joaquim Armindo Pinto de Almeida sobressaem os livros de poesia e das suas memórias de vida e dos amigos, de infância, dos Jovens do Torne, da tropa, de outras lides profissionais e sociais, de ecologia, de teologia, de ecumenismo, de abraços fraternos. Desta feita, e tal como o livro anterior assinado simplesmente como Joaquim Armindo, Neste livro onde falamos de ti poesia, dedicado aos seus netos, apresenta-nos uma mão cheia de reflexões poéticas e de estórias e pessoas que com o autor calcorrearam em tempos as mesmas ruas de Gaia e do Porto, emoldurados por uma bela pintura de Isabel Ribas que também lhe assina o prefácio.

 

____________________________________________________________

Eça & Outras, III.ª série, n.º 207, terça-feira, 25 de novembro de 2025; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana (Instituição de Utilidade Pública), Solar Condes de Resende, Travessa Condes de Resende, 110, 4410-264, Canelas, Vila Nova de Gaia; C.te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação do blogue e publicação no jornal As Artes Entre As Letras: J. A. Gonçalves Guimarães; redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: Guilherme Silva, fotografia.