quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

 

Eça & Outras, quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

A propósito dos 500 anos da morte de Vasco da Gama

Neste ano de 2024 em que celebramos os 500 anos do nascimento de Luís de Camões, estamos também a recordar os cinco séculos passados sobre a morte de Vasco da Gama, de quem o primeiro fez a grandeza literária logo nas páginas de Os Lusíadas, com conhecimento biográfico e literário, sem dúvida, mas também saber de «experiência feito» por ter percorrido a mesma rota marítima e também ter aportado ao mesmo deslumbramento da Índia das especiarias e de outras conceções do Mundo, onde os Portugueses haveriam de ficar como feitores de alguns enclaves territoriais durante mais de quatrocentos anos e até aos dias de hoje como construtores de afetos e mundividências que os futuros no porvir certamente também celebrarão com padrões de gentileza civilizacional. Um dia encontrei num restaurante um casal de jovens universitários indianos que andavam por Portugal a descobrir, deslumbrados, o «país de Vasco da Gama» e já tinham ido a Lisboa admirar o cenotáfio. E diziam em inglês fluente: «vocês, os Portugueses, fizeram as pontes mais longas e duradouras da História e aqui estamos nós estudantes indianos encantados por vos conhecer na praia atlântica de onde partiram até nós». Sendo ela aluna de mestrado em Turismo e ele em Informática, sabiam o suficiente de História para terem consciência das diferenças entre os séculos XV e XVI e os dias de hoje, e de que esse conhecimento mútuo nem sempre foi pacífico ou sequer aceitável, mas estavam agora aqui pelo saldo humanístico de hoje e não pelas passageiras desgraças de antanho que não são nem a essência dos feitos nem lições de coisa alguma.

Da vida de Vasco da Gama sabe-se o essencial, se bem que debaixo dos seus títulos e encómios grandiloquentes dos textos, dos monumentos e da fama, a sua biografia tenha titubeado à procura de realidades comprovadas. Passando adiante as interrogações, hoje já muito esclarecidas, sobre se Vasco da Gama foi realmente um navegador, com ciência náutica adquirida e assimilada, ou tão só um capitão de frota nomeado para comandar uma embaixada político-militar metida a bordo de embarcações muito bem artilhadas e da melhor construção naval que então se fazia, lembro que, perante a importância mundial deste feito e do seu protagonista, muitas outras questões têm vindo a ser analisadas e esclarecias pelos historiadores portugueses, indianos e de outras nacionalidades, com avanços e recuos, pois a História nunca é simples e linear, mas sim poliédrica e caleidoscópica. Recordo aqui, por exemplo, um estudo de Humberto Baquero Moreno sobre um jovem Vasco da Gama no qual este experiente historiador foi enganado pela existência, não apena de um, mas de vários homónimos contemporâneos, ainda por cima aparentados, que confundiu com o navegador, mas que a sua probidade profissional o levou a retratar-se do equívoco num segundo estudo que depois publicou. Ou mesmo sobre a identificação por Costa Brochado em 1958 do piloto muçulmano amigo dos portugueses como sendo o almirante e cosmógrafo Ibn-Madjid, o que Luís de Albuquerque pôs posteriormente em causa. Uma vez mais, e sempre, deixo aqui a recomendação de que, sobre História, leiam apenas livros de historiadores profissionais e não de literatos e memorialistas diversos, pois os primeiros, quando se enganam ou erram, se retratam e emendam publicamente, enquanto aqueles outros mandam encadernar os seus equívocos com capas de couro e letras douradas na lombada. Adiante.

Para além da contínua e exigente reflexão crítica que devemos fazer sobre os feitos históricos de todas as épocas, certo é que o encurtamento prático do Mundo se deve a Vasco da Gama, que partindo a 8 de julho de 1497 de Lisboa, chegou ao Oriente pela rota marítima do Cabo, quebrando assim o exclusivo comercial dos muçulmanos sobre as importações dos produtos asiáticos que chegavam à Europa, o que facilmente se percebe que não podia ser pacífico. A que juntaríamos o facto de um outro Português, contemporâneo do primeiro e também ele militar e navegador, de seu nome Fernão de Magalhães, em 1520 comandou a frota que cruzou a ponta Sul do Novo Mundo para chegar pelo Oceano Pacífico ao então ainda longínquo Oriente, abraçando assim para todo o sempre a esfericidade da Terra. O desconhecimento, ou melhor, a falta de divulgação de estudos históricos sobre a sua biografia, degenerou entre nós em ingénuas fantasias perpetuadas em estátuas, obras literárias e festividades paroquiais e, a nível governamental nas recentes comemorações, em decisões políticas pouco relevantes, ao contrário do que aconteceu na vizinha Espanha. Ainda há, pois, quem da Expansão espere o retorno das naus para colher em saldo os restos dos porões. Adiante.

No mundo atual, como sabemos, defrontam-se três grandes blocos geográficos e políticos à procura de um inevitável e desejável equilíbrio mundial: o bloco europeu-norteamericano; o asiático; e o dos países do hemisfério Sul. No meio deles existem três hesitantes grupos de países com posições político-económico-militares herdeiras de velhos impérios ou de ideologias religiosas suprematistas e fundamentalistas que seguem a via do confronto e impedem a concertação mundial preconizada pelas Nações Unidas: a Federação Russa e seus satélites; os interesses israelitas internacionais; e o das diversas correntes muçulmanas nacionalistas ou expansionistas. Para as bem entendermos podemos lembrar-nos que foi a viagem de Vasco da Gama que agitou aquele velho mundo e deu origem à Época Moderna e Contemporânea, que d’ O Livro de Marco Polo medieval passou às desejadas esperanças da Ode à Alegria de Schiller cantadas na 9.ª Sinfonia de Beethoven. E de que foi um Português quem a realizou.

Nestas efemérides outras memórias se avivam, algumas pouco conhecidas e outras a relembrar: das quatro poderosas embarcações da armada inicial que D. João II encomendou para D. Manuel I concretizar o seu plano de mandar chegar à Índia, pelo menos três foram construídas nos estaleiros do Rio Douro, ou seja “no Porto”. E que a 25 de dezembro de 1497 esta mesma frota balizou a costa da atual província sul-africana de KwaZulu-Natal, que a partir daí tomou o nome com que os Portugueses a nomearam. Mais perto de nós, a 20 de maio de 1898, durante a passagem do cortejo evocativo do 4.º Centenário deste feito realizado em Lisboa, Eça de Queirós, que a ele assistia da varanda da casa dos pais no Rossio, viu o mesmo deter-se debaixo dela e os participantes, em grande parte estudantes, mimosearem-no com uma espontânea e prolongada ovação de deferência para com o escritor que já tinha escrito «A Índia não nos serve senão para nos dar desgostos» e «A única coisa por que conservamos a Índia, é por ser uma glória do passado» (Eça de Queirós, Uma Campanha Alegre). Como ninguém ligou aos seus sensatos avisos, em 1925 o burlão Alves dos Reis conseguiu mandar falsificar notas do Banco de Portugal com a efígie de Vasco da Gama, no valor de 500 escudos, até ser descoberto e condenado. Em 1961, depois de o Estado Português da Índia ter sido pacificamente reivindicado pela União Indiana, foi militarmente tomado ao Estado Português. Nestas duas desgraças Vasco da Gama não teve qualquer responsabilidade, pois ele foi “apenas” o descobridor do caminho marítimo até à Índia, depois escasso governador e vice-rei daquelas possessões, quando aí faleceu de malária em Cochim a 24 de dezembro de 1524.

J. A. Gonçalves Guimarães

Historiador


Comemorações queirosianas

                                                    Professores e alunos da Escola Eça de Queirós de Olivais, Lisboa.

O aniversário de Eça de Queirós do passado dia 25 de novembro foi também celebrado pelos professores e alunos da Escola de que é patrono nos Olivais, Lisboa. Assim, por ação do nosso confrade Dr. Fernando Pinto e com a presença do Dr. Afonso Cabral, nosso confrade de honra e presidente do Conselho de Administração da Fundação Eça de Queiroz, Baião, decorreu uma sessão evocativa no grande auditório da Escola com exultante regozijo.

 

A ASCR-CQ esteve presente em…

A 7 de dezembro na sessão de encerramento das comemorações do centenário da Tuna Musical de Santa Marinha, Vila Nova de Gaia, vários dirigentes, alguns dos quais também em representação de outras entidades e associações.

A 16 de dezembro no tradicional jantar de Natal dos corpos sociais e funcionária no Solar Condes de Resende com os funcionários deste equipamento municipal e a presença da vereadora do Pelouro da Cultura e da Programação Cultural da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Eng.ª Paula Carvalhal.

A 18 de dezembro na assembleia geral da Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia para apresentação do programa e orçamento para 2025.

Ainda que ao serviço de diversas outras entidades alguns dos nossos dirigentes organizaram, participaram ou estiveram presentes em diversas realizações culturais. Assim, o Prof. Doutor Nuno Resende da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, no dia 13 de novembro participou na inauguração da exposição «O Porto de João Amaral (1874-1955). Nos cinquenta anos do seu nascimento» na Casa dos Livros no Porto, da qual, com Alexandra Braga, foi curador. No dia 14 participou no lançamento do livro de sua autoria Portoscópio – A Cidade pelo olhar de Guilherme Camarinha, ensaio sobre as tapeçarias deste pintor gaiense realizadas na Fábrica de Portalegre que ornam a sala das sessões municipal. No dia16 novembro, o guiou uma visita pela Cidade de Ovar inserida nas I.as Jornadas Dinisianas sob o lema «Que romantismo passou por Ovar na Arte e na Arquitetura?». No dia 29 de novembro conduziu no Museu Pio XII, em Braga a tertúlia «O Inventário do Património Cultural Religioso Católico em Portugal: um desígnio por cumprir». A 8 de dezembro esteve presente em Ovar no lançamento do n.º 24 da «Revista Dunas – Temas & Perspetivas», onde publicou um ensaio.

Por sua vez o Prof. Doutor José Manuel Tedim, no passado dia 16 de novembro conduziu uma visita guiada ao Santuário Mariano localizado perto do Observatório Astronómico Professor Doutor Manuel de Barros no Monte da Virgem, Vila Nova de Gaia, para a Associação Cultural Amigos de Gaia.

O coordenador desta página, J. A. Gonçalves Guimarães, no dia 19 de dezembro, por convite dos professores de História da Escola Sophia de Mello Breyner, em Gulpilhares, Vila Nova de Gaia, realizou aí perante uma entusiástica plateia de alunos e docentes, uma palestra sobre o tema «Gaia e Porto na Expansão Europeia»

 

Concerto de Natal

No passado dia 13 de dezembro, pelas 21 horas, o agrupamento musical Eça Bem Dito dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, realizou um verdadeiro concerto de Natal na Igreja de São João Evangelista do Torne, Vila Nova de Gaia (Igreja Lusitana). No início, o presidente da direção da ASCR-CQ dirigiu aos presentes umas breves palavras sobre a origem e objetivos deste agrupamento e dos programas temáticos já apresentados, tendo a sua última atuação decorrido no capítulo da Confraria Queirosiana do passado dia 23 de novembro, terminando por ler os parágrafos finais do conto «O Suave Milagre» de Eça de Queirós que tão bem se ajustam à beleza de um dos magníficos vitrais desta igreja, entre os quais um outro com o Presépio reproduzido no cartaz do concerto. Seguidamente o Dr. Henrique Guedes fez uma breve abordagem musicológica às melodias Portuguesas e Brasileiras dos séculos XVIII a XX ali interpretadas, as primeiras de extração popular e as segundas de vários compositores dos anos quarenta e cinquenta. Foi também entoado o conhecido Adeste Fideles, com uma breve explicação sobre a sua verdadeira origem e autoria e por fim, os cantores pediram à assistência que com eles entoasse o hino Hark! the herald angels sing, com música de Félix Mendelssohn, numa versão portuguesa que faz parte do hinário desta comunidade. Ao órgão esteve a pianista Maria João Ventura, diretora musical do agrupamento. Após o concerto seguiu-se um convívio entre a comunidade e o agrupamento musical nas instalações da antiga Escola do Torne.

 

Palestras e Curso


Prosseguem as palestras das últimas quintas-feiras do mês, presenciais e por via Zoom, que a seguir proporcionam um informal convívio entre palestrantes e ouvintes num restaurante popular nas imediações do Solar Condes de Resende. Assim, depois de no dia 28 de novembro o Dr. Marcus Vinícius Cocentino Fernandes ter falado sobre a sua biblioteca de literatura fantástica e já longa reflexão sobre os «Gabinete[s] de “misteriosidades”), no próximo dia 26 de dezembro J. A. Gonçalves Guimarães dissertará «A propósito dos 500 anos da morte de Vasco da Gama» e o encontro de culturas que a sua ação proporcionou.

O curso livre sobre “Portugal, a Flor e a Foice” (J. Rentes de Carvalho), comemorativo dos 50 anos da Revolução do 25 de Abril prossegue como programado; depois de no passado dia 7 de dezembro o Prof. Doutor Adrião Pereira da Cunha ter falado sobre «Reformas e Revoluções do séc. XX: Salazar e a Guerra Civil de Espanha 1936-39», no próximo dia 4 de janeiro a Prof.ª Doutora Rita Luís da Universidade Nova de Lisboa vai apresentar o tema «A Censura, a PIDE, as cadeias, o Tarrafal», e a 18 de janeiro o Prof. Doutor António Barros Cardoso sobre «A Rádio e o 25 de Abril».

 

Ordem dos Economistas

No passado dia 4 de dezembro realizaram-se eleições para os corpos sociais da Ordem dos Economistas, tendo sido eleita a lista que na direção tem como membro o Prof. Doutor Carlos Brito, Professor Associado da Faculdade de Economia da Universidade do Porto e, entre outros cargos e afiliações, presidente da Associação Portuguesa de Management, presidente do Observatório do Vinho do Porto e confrade da Confraria Queirosiana.

 

Livros

A 30 de novembro no Mira Fórum foi apresentado o livro de contos Delírio Animal de João Habitualmente com ilustrações originais do escultor Hélder de Carvalho, autor da mais recente estátua do escritor J. Rentes de Carvalho inaugurada em Mogadouro e confrade de honra da Confraria Queirosiana.

 

Prosseguindo na tarefa de recolha dos seus textos dispersos, desde a juventude até aos dias de hoje, por muitas e variadas publicações, o Doutor Joaquim Armindo Pinto de Almeida publicou agora o livro Águas agitadas porque turvas, crónicas publicadas no jornal “O Primeiro de Janeiro” (2003 a 2008), com prefácio do médico Dr. Andrade Ferreira, nas quais explana a sua visão do mundo e da vida e uma permanente vontade de interação com os seus semelhantes.

 

Retificação

Na página passada, nas referências ao Capítulo da Confraria queirosiana de 23 de novembro passado, onde se diz que «ao uso da palavra por Rostand Lanverly, presidente da Academia Alagoana de Letras, que salientou as relações entre ambas as instituições, tendo na ocasião entregue o diploma de membro correspondente ao Dr. António Pinto Bernardo», deve ler-se que foi lida uma «proclamação da congregação de afilhados na Irmandade Queirosiana de Alagoas» que tem como patrono o Dr. António Pinto Bernardo.

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 196, quarta-feira, 25 de dezembro de 2024; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana (Instituição de Utilidade Pública), Solar Condes de Resende, Travessa Condes de Resende, 110, 4410-264, Canelas, Vila Nova de Gaia; C.te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação do blogue e publicação no jornal As Artes Entre As Letras: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.

terça-feira, 26 de novembro de 2024

 

Eça & Outras, segunda-feira, 25 de novembro de 2024

 

Dia do 179º aniversário de Eça de Queirós

Gaia, Século XX

O Gabinete de História, Arqueologia e Património da associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana tem em execução há vários anos um projeto que lhe foi sugerido pelo professor de Sociologia e presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Eduardo Vitor Rodrigues, que veio a ser denominado Património Cultural de Gaia (PACUG). Organizado e teorizado pelo autor desta crónica, enquanto professor de Património e como seu coordenador geral, foram as suas áreas temáticas distribuídas por dez livros, dos quais começou por ser  publicado Património Humano – Personalidades Gaienses, coordenado pelo historiador da Arte, Gonçalo Vasconcelos e Sousa e que teve a colaboração de vinte e cinco investigadores profissionais de História que elaboraram duzentas e cinquenta resenhas biográficas de gaienses de nascimento, de adoção ou de circunstância, desde o século primeiro da nossa era até aos que faleceram antes de 31 de dezembro do ano dois mil, baliza cronológica escolhida, não apenas para este volume, mas para o próprio projeto. É sabido o porquê de, em matérias históricas, haver necessidade de algum distanciamento temporal, e uma geração não é demasiado.

O segundo volume já publicado intitula-se Património de Gaia no Mundo, e foi coordenado pelo historiador da Arte, Francisco Queiroz, que reuniu uma equipa de vinte e oito investigadores das áreas da História, História da Arte, Museologia e Arquitetura, portugueses e brasileiros, para escreverem quarenta e um textos sobre estatuária, escultura, cerâmica, tapeçaria, artes industriais e arquitetura, com obras criadas por artistas gaienses ou identificados com a “Escola de Gaia” e disseminadas por todo o território nacional, mas também por Angola, Moçambique, Espanha, França e com grande representatividade no Brasil, desde pelo menos o século XVIII.

Não tendo uma ordem de publicação pré-determinada, pois as diferentes matérias encontram-se em diferentes estados de conhecimento e de desenvolvimento, o que leva a que os coordenadores de volume e as suas equipas trabalhem a ritmos diferentes, o que se reflete na conclusão dos textos e no seu aprontamento para publicação, está agora em vias de ser apresentado o terceiro volume intitulado Gaia, Século XX, coordenado pelo geógrafo e professor universitário José Alberto Rio Fernandes, que reuniu uma equipa de oito investigadores, na sua maioria geógrafos, mas também um arquiteto e dois historiadores para escreverem sobre o Património mais recente. E desde logo uma diferença ressalta em relação ao Património mais antigo: enquanto esse normalmente aparece avulso e individualizado – “o” mosteiro, “a” obra de Arte, “o” documento, “a” sinfonia, “a” paisagem, “a” estação arqueológica… - ainda que depois o seu estudo e divulgação agrupem as identidades, este volume leva-nos a concluir rapidamente que o Património aqui é, em grande parte, o território municipal como um todo, um objeto de estudo  com quase todas as suas valências, habitado e transformado por uma determinada população que foi aumentando e mudando drasticamente no espaço de cem anos, e com essas mudanças as sua vontades e perceções sobre o como querem o espaço em que se movimentam, balizando-o com referências urbanísticas, edificadas ou simbólicas. Também por motivos de organização temática alguns aspetos mais específicos desse território aparecerão tratados noutros volumes, como é o caso do Património Natural, desde a Geologia e a Geomorfologia até à Botânica e a Flora, que também sofreram pressões e alterações determinantes no último século. Lembro-me de numa das reuniões preparatórias com o coordenador deste volume ele me ter dito: «O século XX em Gaia começou em 1864, quando o comboio chegou às Devesas» e não posso deixar de estar mais de acordo pois esse facto, efetivamente, condicionou todo o desenvolvimento futuro do território, das populações e das suas atividades, assentes na continuidade do ancestral transporte rodoviário e perdida que foi a tradição marítima transatlântica dos cais de Gaia e a hipótese aeroportuária momentaneamente sonhada para Valadares-Madalena. Só o caminho-de-ferro trouxe aqui novidade e universalidade, até na museografia, como veremos.

Para além dos prefácios do presidente da Câmara a dar conta de uma nova realidade sociológica, do coordenado-geral a teorizar sobre o enquadramento da matéria deste livro e do coordenador do volume a fazer uma síntese das matérias tratadas, na secção População, Fátima Matos apresenta a «Evolução da residência, política de habitação e mosaico residencial», que Pedro Chamusca esmiúça na «Distribuição e alteração recente da população» e em «Desruralização e terciarização: um percurso» traçado a partir do tratamento estatístico dos censos e de outros indicadores. Na secção Economia, a «Indústria» e as suas evoluções foram analisadas por Jorge Ricardo Pinto, e o «Comércio e Serviços», igualmente mutantes, por Pedro Chamusca. Na secção Urbanização e urbanismo, Cristina Baeta dá-nos conta dessa particular novidade, não apenas geográfica mas sociológica, que foi a transformação de «A orla costeira», enquanto Jorge Ricardo Pinto analisa o «Urbanismo» geral do município e José Pedro Tenreiro as excecionalidades do «Património edificado» de evidente autoria em algumas construções comunitárias, como escolas, templos ou hospitais, mas sobretudo em habitações com caráter da classe alta, média ou trabalhadora que os arquitetos produziram com inegáveis marcas deste tempo novo. Por fim, na secção Representações, alusivas aqui a uma ideia certamente renascentista, a do gabinete de curiosidades, mas que aqui chegou, como atrás dissemos, graças ao comboio e ao chefe de estação das Devesas, Marciano Azuaga, apenas nas últimas décadas das vésperas do século XX, J. A. Gonçalves Guimarães e Susana Guimarães estudaram e sintetizaram um capítulo sobre «O Museu Azuaga na génese dos museus gaienses», uma insólita coleção universalizante que inspirou, condicionou ou foi comparativamente ignorada por todas as apostas museográficas gaienses até ao século XXI. Desde 1904 que ela discretamente abriu portas à city mark «Gaia todo um Mundo» bem patente nos seus quase quarenta núcleos distintos de objetos de todas as épocas e de todas as proveniências que aqui foram reunidos para proveito dos gaienses e da vocação universalista de alguns dos seus estudiosos.

Todos estes investigadores em conjunto, ou cada um deles em particular, que trabalharam durante meses ou anos para produzirem livros como estes, certamente que se interrogaram sobre a sua utilidade, sobre se eles vão contribuir para uma maior reflexão sobre o território e as ações da sua administração, das empresas, das instituições e dos particulares sobre o seu Património, a sua memória e qualidade que certamente desejamos numa sociedade mais justa e evoluída. Deixem que lembre aqui uma asserção queirosiana cujo alcance nunca compreendi inteiramente, mas que também vale como adivinha: «Que o talento seja imposto como o serviço militar. Recrutem-se soldados para caçadores 5, mas recrutem-se também génios para Vila Nova de Gaia» (Eça de Queirós, As Farpas, setembro de 1871). É certo que já não vamos lá com imposições e existem génios gaienses espalhados pelo mundo. Mas seria bom que alguns fossem recrutados para voltarem para este município. Mas, entretanto, creio que este livro pode servir para ir preparando a sua chegada.

J. A. Gonçalves Guimarães

Historiador

 

                                            Capítulo da Confraria Queirosiana; fotografia de Fátima Teixeira


Capítulo da Confraria Queirosiana

No passado sábado 23 de novembro, a partir das 10,30 horas, decorreu no Solar Condes de Resende o XXII capítulo da associação Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana, que anualmente comemora o aniversário de Eça de Queiroz no sábado anterior ao dia 25 de novembro, o qual contou este ano com a presença da Ministra da Cultura, Professora Doutora Dalila Rodrigues, que foi insigniada na cerimónia como confreira de honra. Para além de muitos associados e confrades, estiveram também presentes representantes da Academia Alagoana de Letras (Maceió, Alagoas, Brasil), da Associação Portuguesa da História da Vinha e do Vinho (APHVIN/GEHVID), da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, da Confraria Gastronómica O Galo de Barcelos, da Confraria dos Ovos Moles de Aveiro, da Confraria dos Velhotes - Valadares, Vila Nova de Gaia, da Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia (FCVNG), da Federação de Amigos dos Museus de Portugal (FAMP), do Gabinete de História, Arqueologia e Património (ASCR-CQ), do jornal As Artes Entre As Letras, do jornal O Gaiense, da Junta de Freguesia de Canelas, Vila Nova de Gaia, do Rancho Regional de Gulpilhares, Vila Nova de Gaia, da Real Confraria da Cabra Velha – Miranda do Corvo, da Real Confraria Villa de Comité de Vila do Conde, da Sudantex e da Urbiface, tendo outras enviado saudações como foi o caso da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas (FPCG). A mesa da sessão foi presidida por José Manuel Tedim, presidente da assembleia geral da Confraria Queirosiana; Dalila Rodrigues, Ministrada Cultura; Dário Silva, Vereador da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia; João Fernandes, responsável pelo Solar Condes de Resende e J. A. Gonçalves Guimarães, presidente da direção da Confraria Queirosiana, que conduziu o desenrolar da cerimónia. Depois dos confrades seguirem em cortejo a acompanhar os novos membros a insigniar até ao salão nobre, a sessão abriu com o grupo musical Eça Bem Dito, dirigido pela pianista Maria João Ventura, a entoar o Hino de Gaia antes das palavras de abertura do Vereador Dário Silva. Seguidamente José Manuel Tedim apesentou as instituições e associações presentes, seguindo-se nova exibição musical dos Eça Bem Dito que interpretaram as canções brasileiras «Azulão» e «Luar do Sertão» como introdução ao uso da palavra por Rostand Lanverly, presidente da Academia Alagoana de Letras, que salientou as relações entre ambas as instituições, tendo na ocasião entregue o diploma de membro correspondente ao Dr. António Pinto Bernardo, e a J. A. Gonçalves Guimarães o troféu da participação da Confraria Queirosiana no recente festival literário, uma concha com uma placa com a seguinte legenda «V FLIBARRA – 2024/ Eça de Queiroz/ (in memorial)/ Homenageado/ Prefeito Benedito Lira/ Barra de São Miguel/ 61 anos».  E em nome da sua própria instituição, uma placa metálica com os seguintes dizeres: «(Emblema da AAL)/ Academia Alagoana de Letras/ A parceria histórica firmada em maio de 2021, entre a/ Academia Alagoana de Letras e a Confraria Queirosiana,/ mais que um farol que se ergue para futuras gerações,/ representa não somente elo histórico, mas celebração contínua/ de laços culturais e intelectuais que atravessam o atlântico./ Maceió, novembro de 2024.». Seguidamente José Manuel Tedim apresentou um resumo das atividades da associação no presente ano e os confrades que foram objeto de distinções. O n.º 21 da Revista de Portugal, nova série, foi apresentado pelo seu diretor, o egiptólogo Prof. Doutor Luís Manuel de Araújo, a que se seguiu a insigniação de Filipe Machado da Costa, grau leitor, padrinho Dr. Fernando Rui Morais Soares; Eng.º António Bartolomeu de Almeida Pinto Pereira, grau leitor, padrinho Eng.º José Ferraz; Dr.ª Engrácia Maria da Costa Tavares, grau leitora, madrinha Dr.ª Filomena Aguiar; Arq.to José Alberto de Carvalho Couto, grau leitor, padrinhos Dr.ª Maria de Fátima Teixeira e Senhor António Pinto; Prof.ª Doutora Ana Paula Ferreira de Brito, grau louvada, padrinho Eng.º Manuel Névoa; Dr.ª Carla Alexandra de Jesus Almeida, grau louvada, padrinho Dr. António Pinto Bernardo; Professor Engenheiro Fernando Alberto Nogueira da Rocha, gau louvado, padrinho Dr. Vitor Ferraz; Dr. Jerónimo Dias Moreira de Sousa, grau louvado, padrinho Dr. Vitor Ferraz; Doutora Maria da Glória Salgado Gonçalves, grau louvada, padrinho Dr. António Pinto Bernardo; Jornalista Mário Augusto, como confrade de honra, grau louvado, padrinho Prof. Doutor José Manuel Tedim; Prof. Doutora Cristina Petrescu, da Universidade de Cluj-Napoca (Roménia), como confreira de honra, grau louvada, padrinho Dr. Henrique Guedes; Professora Doutora Maria Dalila Aguiar Rodrigues, confrade de honra, grau mecenas, padrinho Prof. Doutor José Manuel Tedim, a que se seguiu o juramento dos confrades: «Nós, Confrades Queirosianos, juramos ler, estudar e divulgar a obra de Eça de Queirós em Portugal e no Mundo com sabedoria, elegância e bom gosto». Na ocasião, J. A. Gonçalves Guimarães referiu ainda que, por motivos de saúde, não esteve presente o ator brasileiro Francisco de Assis Carvalho Júnior que será insigniado num capítulo comemorativo do segundo centenário de Camilo Castelo Branco a realizar em 2025.

Seguidamente Cristina Petrescu, que além de professora universitária é também cantora lírica, interpretou para os presentes a canção romântica «Sara pe Deal…», com versos de Mihai Eminescu composta por Popovici, após o que a Ministra da Cultura Dalila Rodrigues encerrou a sessão com palavras de apreço para com o trabalho desenvolvido pela Confraria Queirosiana e também as restantes associações presentes, nomeadamente as confrarias gastronómicas.

Seguiu-se a deposição de uma coroa de louros na estátua de Eça de Queirós no Jardim das Camélias e as habituais fotografias que ficarão a recordar este capítulo.

O almoço de confraternização, devido ao facto de o pavilhão do Solar Condes de Resende estar encerrado a aguardar obras de beneficiação, decorreu numa quinta de eventos localizada na vizinha freguesia de Perosinho, tendo o mesmo sido abrilhantado pelo Rancho Regional de Gulpilhares com demonstração de usos, costumes, cantares e danças da região que encantaram os presentes que participaram nas danças.

E assim celebrou a Confraria Queirosiana o 179º aniversário do seu patrono.

 

                                                        Placa oferecida pela AAL à Confraria queirosiana


A associação esteve presente

No passado dia 28 de outubro, segunda-feira, pelas 18 horas, realizou-se no Solar Condes de Resende, presencial e por videoconferência, a assembleia geral ordinária da ASCR-CQ que, ao abrigo dos estatutos, apreciou, discutiu e votou o plano de atividades e orçamento para 2025, proclamou os associados honorários, institucionais e confrades apresentados pela direção para serem insigniados no próximo capítulo, e ainda outros assuntos julgados de interesse para a associação, tendo no final sido elaborada e aprovada a respetiva ata.

No passado dias 15 de novembro, J. A. Gonçalves Guimarães, co-coordenador do Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-CQ esteve presente no VIII Congresso de História Local subordinado ao tema Conceitos, Práticas e Desafios na Contemporaneidade, organizado pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, onde apresentou o tema «A Cultura no Município de Vila Nova de Gaia, antes e depois do 25 de Abril de 1974 e hoje».

No mesmo dia, mas à noite, o mesmo dirigente da ASCR.CQ e a investigadora daquele Gabinete, Maria de Fátima Teixeira, estiveram presentes na Gala dos 100 anos da Tuna Musical de Santa Marinha que se realizou no Auditório Municipal de Vila Nova de Gaia, organizada pela Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia, para a qual aquela historiadora contribuiu graciosamente com o texto «Centenário da Tuna Musical de Santa Marinha: das origens à consolidação» editado na brochura evocativa.

Na segunda-feira dia 18 na sede da associação foi recebida a visita do confrade brasileiro Dr. Marcelo Malta de Maceió, Alagoas, acompanhado pelo dirigente Dr. António Pinto Bernardo, o qual veio dar conta da tristeza do ator Francisco Assis em não poder estar presente no próximo capítulo devido a motivos de saúde, mas também da possibilidade de um documentário sobre José Bonifácio de Andrada e Silva, naturalista, professor e político considerado o pai da pátria brasileira, em tempos realizado a partir de um trabalho de investigação publicado pelo confrade biólogo Doutor Nuno Oliveira, pelo também nosso confrade realizador de Cinema Francisco Manso, poder vir a transformar-se numa série televisiva. Como não conhecia a obra original, providenciamos-lhe junto do autor a sua obtenção.

 


2.º Centenário de Camilo… e Eça

No passado dia 22 de novembro as comemorações do 2.º Centenário do nascimento do escritor Camilo Castelo Branco tiveram como início a realização de uma conferência pelo Professor Doutor Carlos Réis, da Universidade de Coimbra, nosso confrade de honra, que na Sala da Cultura da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo em Vila Nova de Famalicão falou sobre «Camilo Castelo Branco e Eça: contratos narrativos ou o relato como interpelação».

Entretanto este mesmo conferencista vai participar no VI Encontro Internacional do Grupo Eça, que terá lugar nos próximos dias 2 a 4 de dezembro no Campus Central da Universidade Estadual de Ponta Grossa (Paraná), consagrado ao romance A Ilustre Casa de Ramires.

Curso livre sobre os 50 Anos do 25 de Abril

Prossegue no Solar Condes de Resende, presencialmente e por videoconferência este curso. Assim, no passado dia 9 de novembro, J. A. Gonçalves Guimarães falou sobre «As Guerras Coloniais» desde 1415 até aquela que intitula “A última Guerra Colonial Portuguesa”. No sábado 16 de novembro José António Oliveira, professor do Instituto Politécnico do Porto, apresentou o tema «O Estado Novo: uma “nova e estimulante” interpretação», baseado na mais recente bibliografia sobre o assunto. No próximo dia 7 de dezembro, Adrião Pereira da Cunha no tema «Reformas e Revoluções do séc. XX» falará sobre a Guerra Civil de Espanha e os seus reflexos em Portugal. As aulas serão retomadas depois no mês de Janeiro. A frequência do curso obriga ao pagamento prévio de inscrição.

 

Palestras

Prosseguem igualmente as palestras das últimas quintas-feiras do mês no Solar Condes de Resende, presenciais e por videoconferência: assim, no passado dia 31 de outubro pelas 18, 30 horas a Dr.ª Inês Alves, licenciada e mestre em Química, especialista em perícias forenses pela Universidade do Porto, falou sobre «A Química oculta nas Ciências Forenses: a relevância da recolha e tratamento de amostras na construção da Cadeia de Custódia»; no próximo dia 28 de novembro o médico radiologista Dr. Marcus Vinícios Cocentino Fernandes vai falar sobre «Percurso por uma coleção privada apresentando as diversas vertentes dos chamados fenómenos paranormais e pseudociências». A frequência destas palestras presenciais ou via Zoom é livre.

 

                                                                        Doutor João Nicolau de Almeida


Personalidade do Norte 2024

Depois de, em 2023, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) ter concedido o troféu “Personalidade do Norte” ao nosso confrade de honra escritor José Rentes de Carvalho, neste ano de 2024 tal distinção foi atribuída ao enólogo, empresário e nosso associado, Doutor João Rosas Nicolau de Almeida, que o recebeu no passado dia 12 de novembro em Guimarães, sendo assim o segundo associado da ASCR-CQ a receber este galardão em anos consecutivos.

 


Mestre Cristiana Borges; Arquivo ASCR-CQ


Provas de Mestrado

No passado dia 25 de outubro realizou com sucesso as suas provas de Mestrado em Ensino de História no 3º Ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário na Faculdade de Letras da Universidade do Porto a investigadora do Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-CQ, Dr.ª Cristiana Filipa Borges Ferreira sobre o tema «Entre o Cálice e a História: O Património do Vinho do Porto na sala de aula (e fora dela)».

 

Livros


Pela mão de Alberto Rostand Lanverly, chegou-nos a edição n.º 28 referente a 2024 do Livro da Academia Alagoana de Letras, organizada pelo académico Jorge Tenório, com artigos daquele presidente da instituição e nosso confrade de honra e dos confrades queirosianos Arnaldo Paiva Filho, Carlos Méro e J. A. Gonçalves Guimarães que aqui publicou o ensaio “Brasileiras” sobre as visões que os Portugueses têm da mulher brasileira desde a Carta de Pero Vaz de Caminha até aos dias de hoje.

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 195, segunda-feira, 25 de novembro de 2024; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana (Instituição de Utilidade Pública), Solar Condes de Resende, Travessa Condes de Resende, 110, 4410-264, Canelas, Vila Nova de Gaia; C.te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação do blogue e publicação no jornal As Artes Entre As Letras: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.

 

sexta-feira, 25 de outubro de 2024

 

Eça & Outras, sexta-feira, 25 de outubro de 2024

 

500 anos do nascimento de Luís de Camões;

100 anos do passamento de Teófilo Braga

 




Eça de Queirós na Barra de São Miguel, Brasil

Entre 8 e 13 de outubro decorreu na Barra de São Miguel, Alagoas, a 5.ª edição da Festa Literária FliBarra, que incluiu a 7.ª edição do Festival Portugal em Cena, com curadoria do escritor Carlito Lima, que homenageou o escritor português Eça de Queirós tomado como patrono. Estes eventos foram organizados e acolhidos pela Prefeitura Municipal de Barra de São Miguel com o apoio da Academia Alagoana de Letras e, em Portugal, com a colaboração da associação Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana, agraciada pelo município local com o troféu comemorativo.

Para além das manifestações sobre a Língua Portuguesa com a evocação de seus poetas e músicos de ambos os países, outros aspetos da vida em comunidade foram considerados e também aí tiveram lugar intervenções sobre a problemática do ambiente, e mais concretamente sobre a proteção da Amazónia; a abordagem de casos de desastres ambientais de repercussão internacional; e a inteligência artificial e a transformação digital. Programa rico e variado apresentou acontecimentos verdadeiramente atraentes para todo o tipo de públicos, tais como: «O que é um museu e suas finalidades»; peças de teatro para os mais novos; «Poesia, para quê e para quem?» e «minerando poesia»; música coral, «oficina de ritmos nordestinos», banda de pífanos, fado tropical, samba de periferia e outras músicas e sons; aula show com alunos e professores dos cursos de Gastronomia e Letras «cozinhando e recitando poesias»; «Literatura e Cinema»; exibição de ponto cruz, croché, filé e macramê. E ainda a saída da escuna Poética a navegar na Lagoa com músicos e poetas; uma Oficina de Nós com a Marinha do Brasil; uma exibição do tradicional Bumba Meu Boi; atuação do Rancho Folclórico de Portugal do Colégio Marista do Recife e, por fim, show clube do Fado e show Ritmos Nordestinos, e uma celebração religiosa católica com atuação de quarteto e solistas na Igreja Matriz, que encerrou as festividades.

Na parte do programa especialmente dedicada ao autor de A Relíquia, foi exibida a longa metragem O nosso cônsul em Havana. Eça de Queirós em defesa dos direitos humanos, com a presença do realizador Francisco Manso (também ele confrade de honra da Confraria Queirosiana e que já filmou no Solar Condes de Resende) e Gabriel Gomes, apresentado pelo ator Chico de Assis, este último que também será em breve feito confrade no próximo capítulo de 23 de novembro.

Na sexta-feira 11 de outubro, pelas 20,30 horas da noite de Portugal (16,30 no Brasil), a partir do Solar Condes de Resende em Vila Nova de Gaia sede da Confraria Queirosiana, encontravam-se J. A. Gonçalves Guimarães, historiador, presidente da ASCR-CQ, membro honorário da Sociedade Eça de Queiroz do Recife e sócio correspondente da Academia Alagoana de Letras; Irene Fialho, investigadora na área da Literatura e especialista em Eça de Queirós; e António Pinto Bernardo também da direção da associação portuguesa, preparados para entrarem em contacto por vídeoconferência em transmissão simultânea pela TV ALAGOANA do evento da Barra de São Miguel, onde se encontravam Maurício Melo, jornalista e apresentador de Tv; Ricardo Cavalliere, da Academia Brasileira de Letras, e Alberto Rostand Lanverly, presidente daquela academia e confrade de honra da Confraria Queirosiana, também ele homenageado neste evento, e que em conjunto iriam debater aspetos da vida e obra do escritor e as relações culturais entre os dois países.

Irene Fialho começou por falar sobre a revisitação da obra de Eça de Queirós por diversos públicos e estudiosos contemporâneos, nomeadamente através do projeto da edição crítica das suas obras dirigido pelo Professor Doutor Carlos Réis, no qual colabora, e de que a Imprensa Nacional já editou duas dezenas de volumes, a que outros em breve se seguirão até à totalidade da obra. Abordou também a possibilidade de ainda poderem aparecer textos desconhecidos do escritor, nomeadamente correspondência, tendo mostrado as edições que em tempos preparou de A Morte do Diabo, fragmentos de uma opereta por Eça de Queirós, Jaime Batalha Réis e Augusto Machado, que publicou com Mário Vieira de Carvalho (também Confrade Queirosiano) e José Brandão em 2013 pela Editorial Caminho, e Eça de Queiroz em Casa. Desenhos e Textos Inéditos, Editorial Presença, 2016, como exemplos dessa possibilidade.

Por sua vez, Gonçalves Guimarães, referiu-se às instituições que em Portugal e no Brasil preservam a memória e a obra deste grande escritor português de fama internacional e as ações que a Confraria tem desenvolvido para o aumento do seu conhecimento, nomeadamente através da participação em roteiros e itinerários que ajudam a compreender a sua obra, não apenas o de Vila Nova de Gaia, mas também o de Lisboa-Sintra, descrito por A. Campos Matos, e o do Egito, tantas vezes revisitado pelo vice-presidente, o egiptólogo Luís Manuel de Araújo. E a continuidade de uma certa literatura de índole queirosiana, questionadora de Portugal e dos Portugueses, hoje desenvolvida pelo confrade J. Rentes de Carvalho, na sua opinião o maior escritor português dos nossos dias que, em tempos, também teve o seu percurso brasileiro como jornalista e correspondente. Lembrou ainda a continuada paixão que o Brasil demonstra pela obra de Eça, de que é exemplo o presente festival. À pergunta sobre qual a obra que dele recomendaria, apontou uma das mais desconhecidas, intitulada Emigração como força civilizadora (2.ª edição, Publicações D. Quixote, 2001), cuja reflexão merece ser acatada nos diversos fóruns nacionais e internacionais dos dias de hoje. Por fim, em nome da Confraria Queirosiana felicitou a organização da 5.ª FliBarra e do 7.º Portugal em Cena e a sua homenagem a Eça de Queirós, lembrando que a barra do Douro (Vila Nova de Gaia e Porto), noutros tempos, tantos barcos enviou ao outro lado do Atlântico e outros tantos recebeu com abraços do Brasil, que agora reenviou aos queirosianistas do país irmão.

Por sua vez, António Pinto Bernardo, neste colóquio apresentado também como cidadão alagoano e seu embaixador cultural, tendo em conta as regulares viagens que de Portugal aí o levam e ao número de confrades que tem apadrinhado na sua filiação na Confraria Queirosiana.

Neste pôr-do-sol alagoano recordemos umas palavras de Eça de Queirós que aqui ficam bem: «Do lado do mar subia uma maravilhosa cor de ouro pálido, que ia lá no alto diluir o azul, dava-lhe um branco indeciso e opalino, um tom de desmaio doce; e o arvoredo cobria-se todo de uma tinta loira, delicada e dormente. Todos os rumores tomavam uma suavidade de suspiro perdido. Nenhum contorno se movia como na imobilidade de um êxtase. E as casas, voltadas para o poente, com uma ou outra janela acesa em brasa, os cimos redondos das árvores apinhadas, descendo a serra numa espessa debandada para o vale, tudo parecera ficar de repente parado num recolhimento melancólico e grave, olhando a partida do Sol, que mergulhava lentamente no mar…» (Eça de Queirós, Os Maias). Na barra de São Miguel e na do Douro, em Vila nova de Gaia e Porto.

 

J. A. Gonçalves Guimarães

historiador

 

Presenças da associação




Como anteriormente noticiamos, o vogal da direção da ASCR-CQ Dr. António Pinto Bernardo esteve recentemente em Maceió, Alagoas, Brasil, onde continuou a missão que desenvolve desde longa data, a ligação afetiva e cultural entre as duas margens lusófonas do Atlântico, desta feita em torno da participação da ASCR-CQ na 5.ª edição da Festa Literária FliBarra, que incluiu o 7.º Festival Portugal em Cena (ver acima). Na imagem podemos ver um dos momentos do seu recente convívio com diversos outros confrades brasileiros em Maceió, gentileza do confrade Dr. Fernando Maciel.

No dia 12 de outubro uma delegação da ASCR-CQ composta pelo presidente da direção, J. A. Gonçalves Guimarães, pelo tesoureiro Fernando Rui Morais Soares e pelo vogal António Manuel Silva, no propósito de apresentação de cumprimentos dos novos corpos sociais e de apresentação do plano de atividades para 2024-2028, reuniu na Casa-Museu Teixeira Lopes com a vereadora do pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Eng.ª Paula Carvalhal e outros elementos da administração autárquica, tendo sido analisadas, entre outras questões, o andamento do projeto Património Cultural de Gaia, o projeto dos investigadores-tarefeiros, a necessidade de uma outra sede para a associação e a realização de programas comuns no Solar Condes de Resende.

 

Dia dos Amigos dos Museus

No passado dia 13 de outubro comemorou-se o II Dia Europeu dos Amigos dos Museus, dinamizado pela Federação de Amigos dos Museus de Portugal (FAMP) e celebrado em diversos museus e espaços musealizados com iniciativas promovidas pelas associações.

Para assinalar esse dia a Federação organizou um evento no Museu do Oriente em Lisboa, onde foi assinada pelo ICOM Europa, pela World Federation of Friends of Museums (WFFM) e pela FAMP a «Actualização da Declaração do Funchal», subscrita por muitas associações no último Congressos, tendo estado presentes o Dr. Alexandre Pais, presidente do conselho de administração da Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E. em representação da secretária de estado da Cultura; o Dr. Mário Antas, diretor do Museu dos Coches e representante do ICOM Europa; a Dra. Graça Mendes Pinto diretora do Museu do Oriente; e membros dos órgãos sociais da FAMP, nomeadamente a presidente da direção, Dr.ª Maria do Rosário Alvellos, a secretária Dr.ª Leonor Marinho, o Dr. Luís Brito Correia presidente da MAG, e Hermann Scheufler vogal do conselho fiscal; e ainda representantes de diversas instituições convidadas e vários grupos de amigos associados. Os Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana (ASCR-CQ) estiveram representados pelo seu vice-presidente Prof. Doutor Luís Araújo e pelo vogal Dr. Manuel Nogueira.

Comemorando também este evento, na véspera dia 12, a ASCR-CQ promoveu uma reunião presencial e por videoconferência entre diversas associações de amigos de museus da região Norte, tendo especialmente convidado amigos de museus públicos e privados de Vila Nova de Gaia que ainda não têm associação organizada. A sessão foi dinamizada pelo presidente da direção, J. A. Gonçalves Guimarães, e pelo secretário Nuno Resende, tendo estado presentes, entre outros, a Dr.ª Sofia Silva, do Grupo de Amigos do Museu D. Diogo de Sousa, Braga, que abordou a questão dos grupos de jovens e a do Turismo Arqueológico, e Paulo Rodrigues, da Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia que abordou questões ligadas ao associativismo. Foram ainda referidos os diversos museus e espaços musealizados em Vila Nova de Gaia e a necessidade da continuação destas reuniões.

Nos dias 25 a 27 de outubro decorrerá em Parma o «WFFM European meeting», no qual a FAMP estará representada pela presidente da sua direção.

 



Curso livre sobre os 50 Anos do 25 de Abril

Como vem acontecendo desde o ano letivo de 1991/1992, então organizados pelo Gabinete de História e Arqueologia de Vila Nova de Gaia e desde 2004 pela Academia Eça de Queirós, grupo de trabalho para o Ensino da associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, e desde sempre em colaboração com o Solar Condes de Resende, teve início no passado sábado dia 19 de outubro o 32.º curso livre intitulado «“Portugal, a Flor e a Foice” (J. Rentes de Carvalho), comemorativo dos 50 anos da Revolução do 25 de Abril», o qual decorrerá aos sábados entre as 15 e as 17 horas até abril de 2025. Este curso terá como mote os textos daquele escritor «A Revolução Exemplar e a Revolução Invisível», publicado no catálogo da exposição Bewusttwording in Portugal (Consciencialização em Portugal) pelo Museum Boymans-van Beuningen, Roterdam em 1978, e o livro Portugal, a Flor e a Foice, publicado na Holanda em 1975 e em Portugal pela Quetzal em 2014. Também como de há anos a esta parte tem acontecido, este curso será certificado por Gaia Nascente - Centro de Formação de Associação de Escolas do Ministério da Educação, tendo ainda sido solicitada a colaboração de outras entidades académicas e cívicas de índole nacional, como é o caso do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa. A lição de abertura estava prevista ser dada pelo sociólogo e presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Prof. Doutor Eduardo Vitor Rodrigues que, por razões imponderáveis, teve de a adiar para data a divulgar. Em substituição, o coordenador do curso e historiador J. A. Gonçalves Guimarães deu a aula intitulada «Portugal, a Europa e o Mundo desde o Ultimatum», prosseguindo no próximo dia 09 de novembro com uma outra aula sobre «As Guerras Coloniais». Esta sessão de abertura, presencial e por videoconferência, teve a presença da vereadora do pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Eng.ª Paula Carvalhal, em representação do presidente da autarquia.

Para além dos referidos, o curso terá como professores José António Oliveira; Adrião Pereira da Cunha; António Barros Cardoso; Nuno Resende; David Rodrigues; Jorge Castro Ribeiro; Ricardo Noronha; José Manuel Tedim; Luís Raposo e Silvestre Lacerda.

 

 



Revista de Portugal

No próximo capítulo anual da Confraria Queirosiana, que se realizará no Solar Condes de Resende no sábado dia 23 de novembro, pelo seu diretor, o egiptólogo Prof. Doutor Luís Manuel de Araújo, será apresentado o n.º 21 da nova série da Revista de Portugal, fundada por Eça de Queirós em 1889. Com a capa dedicada ao V Centenário de Luís de Camões com a reprodução de um medalhão de Soares dos Reis, criado para as comemorações de 1880 e pertencente à Coleção Marciano Azuaga que se guarda no Solar Condes de Resende, este número homenageia também Teófilo Braga, professor universitário, investigador, publicista e presidente da República e também ele colaborador de Eça na primeira série desta revista, no centenário do seu passamento. Homenageia ainda Salgueiro Maia nos 50 anos do 25 de Abril de 1974 e o escritor J. Rentes de Carvalho, recentemente perpetuado com uma escultura de Hélder de Carvalho no Centro Cultural com o seu nome em Mogadouro. O conteúdo deste número apresenta: o editorial «Centenários e outras memórias», subscrito pelo diretor-adjunto J. A. Gonçalves Guimarães, a que se segue a evocação do confrade Eng.º Amílcar Salgueiro recentemente falecido. «Lembrar Camões, a vida em pedaços repartida» é o título do texto do confrade Guilherme d’ Oliveira Martins na abertura das comemorações camonianas em Lisboa a que a ASCR-CQ se associou. José António Afonso é o autor de um exaustivo artigo sobre «A “Dilecta Discípula” de Teófilo Braga. Memórias dos anos de formação de uma professora portuense na década de 1920». Cinquenta anos passados, J. A. Gonçalves Guimarães foi ao seu arquivo buscar inéditos «Documentos pessoais em volta do 25 de Abril de 1974, com um abraço para Salgueiro Maia» que enquadrou num artigo evocativo do antes, do durante e do depois. Segue-se uma antologia de discursos de Márcia Barros, vereadora do pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Mogadouro; António Pimentel, presidente desta edilidade, do editor e amigo Francisco José Viegas e do reconhecido e agradecido J. Rentes de Carvalho proferidos na sessão de homenagem que aquele município recentemente dedicou a este último, seguida de um artigo referente ao espólio que doou à Confraria Queirosiana, presentemente em tratamento arquivístico e museográfico. Seguem-se três trabalhos de membros da Academia Alagoana de Letras, igualmente confrades queirosianos, notáveis pela sua capacidade da arte de contar: «Estefânia», de Carlos Méro; «Riqueza que nada vale», por Alberto Rostand Lanverly, presidente daquela instituição, e «O comendador Teixeira Basto», de Arnaldo Paiva Filho. Desta vez uma recensão sobre a obra de «Fernando Fonseca, Oníricos, Lisboa: edição do Autor, 2023, 106 pp.» por Luís Manuel de Araújo, a que se segue a sempre abundante e variada Bibliografia dos associados publicada em 2023, terminando este número, também como habitualmente, com o Relatório de atividades da associação referente àquele mesmo ano. A contracapa apresenta o cartaz do curso «“Portugal, a Flor e a Foice” (J. Rentes de Carvalho), comemorativo dos 50 anos da Revolução do 25 de Abril».

A Revista de Portugal tem um preço de capa de 10€, sendo distribuída gratuitamente aos associados e permutada com as publicações de muitas instituições em Portugal, Europa e Brasil.

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 194, sexta-feira, 25 de outubro de 2024; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana (Instituição de Utilidade Pública), Solar Condes de Resende, Travessa Condes de Resende, 110, 4410-264, Canelas, Vila Nova de Gaia; C.te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação do blogue e publicação no jornal As Artes Entre As Letras: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: Fernando Maciel.