sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Eça & Outras

Ano do Centenário da 1.ª Travessia Aérea Lisboa – Rio de Janeiro

e do Bicentenário da Independência do Brasil

Vinho do Porto: entre mitos e História

            Começaria hoje por uma declaração de interesses: além de ter progenitores de Lamego e do Porto, nasci em Vila Nova de Gaia, bem perto das empresas exportadoras de Vinho do Porto e não me lembro de quando escorropichei os primeiros cálices. Isto para dizer que praticamente nasci com o dito vinho como parceiro em casa e na paisagem urbana onde me cresci e me fui conhecendo. Pese embora essa familiaridade ele foi sempre um produto de exceção, bebido sobretudo no Natal, talvez porque fosse inverno e esse vinho aquecia o corpo e o ânimo, mas também porque ele era indispensável nesse cenário de gostos, aromas e afetos da nossa infância. E sempre conheci gente que tinha quintas no Douro ou que trabalhava nos armazéns de Vila Nova, desde operários a administradores, portugueses ou “ingleses”. Depois fui-me à História para perceber a longa vida da atividade vinhateira e de como ela moldara o Douro, Gaia e o Porto, e mesmo a barra do Douro e o jovem porto de Leixões. E fui-me à Arqueologia a procurar os antigos cultivadores e degustadores da bebida inigualável apercebendo-me de ancestralidades, ciclos, modas, grandezas e misérias e de que o vinho só muito recentemente atingira uma preponderância assombrosa na paisagem, na economia e na simbólica local e regional que fez esquecer por aqui os seus outros companheiros de exportação: o azeite, as frutas secas e frescas; a cortiça, o sumagre, os presuntos. Ainda me lembro do Pomar das Carvalhas, da Real Companhia Vinícola do Norte de Portugal e dos seus múltiplos produtos durienses, onde os figos, as peras e as ameixas secas eram sublimes companhias de um Porto Velho. Desde muito novo que lia aqueles rótulos que avisavam que «o Vinho do Porto é um produto natural sujeito a criar depósito com a idade. Recomenda-se que seja servido com o cuidado indispensável para não turvar». Pesem embora os excecionais vintages ou outros lotes engarrafados, o Porto para mim será sempre um blend saído da maestria de um antigo provador ou atual enólogo, e tenho alguns “10” ou “20 anos” que ainda consigo encontrar e partilhar com os amigos. Sendo conhecedor deste mundo duriense, da fronteira até à foz, fizeram-me cavaleiro da Confraria do Vinho do Porto e confrade de outras agremiações enófilas.

         Mas também fui assistindo a um estranho fenómeno contrário à marcha natural dos acontecimentos, que foi a mais recente e desenfreada divulgação de mitos sobre o Vinho do Porto, aldrabeiros e escusados. E digo contrário ao que seria de esperar, pois não tem hoje comparação o nosso conhecimento sobre a sua produção e comercialização, elaborado por historiadores profissionais, se comparado com os textos de memorialistas que predominavam antes da década de oitenta do século passado, mas que ainda hoje fazem carreira. É mesmo um ramo de atividade onde o mito sobreleva de longe a História e, para tal constatar, basta ler os delirantes textos de algumas das casas produtoras, muitas delas só recentemente chegadas ao setor, vindas de outras realidades económicas e até geográficas, contratando para a sua promoção alguns mitómanos que inventam despudoradas mentiras, ou pelo menos, incompreendidas descrições. Dir-me-ão que o assunto é velho, que talvez até sempre tenha sido assim, mas hoje é muito mais chocante. Mas afinal que mistificações são essas: a primeira é a tentativa de dizer que aquilo que conhecemos e gostamos como Vinho do Porto, um vinho fortificado para embarque marítimo, já existia em tempos antigos, o que não é verdade pois o seu envelhecimento forçado e consequente apuro de qualidades, deveu-se muito ao desastre económico europeu criado pelas Guerras Napoleónicas, Os clássicos Porto aparecem no mercado londrino a partir de 1815 e hoje estão a desaparecer porque as condições de produção e de loteamento também se alteraram ou já são raros desde os anos sessenta do século passado. Outra mistificação é o hábito de chamarem “negociantes de Vinho do Porto” aos homens (e mulheres!) de comércio que transacionavam todo o tipo de mercadorias produzidas no Douro, cujas mais importantes acima mencionamos, e também de muitos outros produtos vindos dos países do Norte da Europa, da América ou do Brasil. Esta designação é recente e tem a ver com a especialização comercial que só começa a verificar-se na segunda metade do século XIX, aumentando certamente a partir da criação do Entreposto de Gaia em 1926. Mesmo a denominação de Vinho do Porto demorou tempo a generalizar-se e se lhes disserem que também foi inventada pela Companhia pombalina desenganem-se pois nesse tempo seria designado por vinho de feitoria, de “embarque” e “separado”, além do “de ramo”, isto é, o vinho mais comum. E quando lhes cantarem loas à geomorfologia e geografia dos armazéns de Gaia, saibam que isso no tempo do Marquês era “chinês” e que a localização dos armazéns e respetivas firmas terá mais a ver com a proximidade do embarque ou desembarque no rio, no século XIX, com a chegada do comboio e no século XX, com o transporte rodoviário, os três fatores que justificaram a “dança” das empresas ao longo dos dois últimos séculos no centro histórico vilanovense. Outra mitologia é a do papel dos ingleses neste negócio, o qual se deve primordialmente ao facto de o Império Britânico ter dois dos maiores clientes mundiais de vinho: as Armadas de Guerra e a Mercante, ambas carecendo de grandes abastecimentos do produto. Mas se é certo que entre os exportadores predominavam alguns ingleses protestantes, pois os católicos, bem assim como os negociantes holandeses, hannoverianos ou franceses, tinham de contentar-se com o comércio de outros produtos que não o do vinho em larga escala. Enfim, se é certo que todos os produtos excecionais normalmente geram mitologias, quase diríamos que em relação ao Vinho do Porto a sua História é mais fantástica do que as propaladas fantasias que por aí circulam. Só que é preciso lê-la em obras credíveis e ter em conta que cada época cria os seus “Porto”.

         Como diria uma personagem criada por Eça de Queirós em A Cidade e as Serras: «Este Porto de 1834, aqui em casa de Jacinto, deve ser autêntico…Hem? Assegurei ao Mestre dos Ritmos que o “Porto” envelhecera nas adegas clássicas do avô Galião». Preservemos pois a prática dessas velhas adegas, tanto quanto possível, e deixemo-nos de mitos desnecessários.

J. A. Gonçalves Guimarães

Historiador; secretário da direção

Capítulo Extraordinário


Nos próximos dias 14 e 15 de março, no âmbito das comemorações conjuntas do Centenário da 1.ª Travessia Aérea Lisboa – Rio de Janeiro e do Bicentenário da Independência do Brasil, pelos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana e pela Academia Alagoana de Letras, desloca-se a Portugal uma delegação desta última instituição brasileira composta pelo Prof. Doutor Alberto Rostand Lanverly, presidente da direção, e pelo académico Dr. Carlos Méro e respetivas senhoras, com o seguinte programa: na segunda-feira, dia 14, pelas 11, 30, uma delegação conjunta de ambas as instituições será recebida no Palácio da Bolsa da Associação Comercial do Porto pelo seu presidente e confrade queirosiano Dr. Nuno Botelho. No dia seguinte, 15 de março, o dia será passado em Vila Nova de Gaia, começando com uma visita ao Museu de uma empresa de Vinho do Porto com passagem pelo Mosteiro da Serra do Pilar; pelas 17 horas no Solar Condes de Resende terão lugar duas conferências pelos delegados brasileiros, seguidas de um Capítulo Extraordinário no salão nobre do Solar com a sua insigniação como confrades queirosianos honorários, a que se seguirá a deposição de uma coroa de louros na estátua de Eça de Queirós.

650 anos de aliança

Decorrem também no presente ano as comemorações dos 650 anos da Aliança Luso-Britânica, a mais antiga aliança diplomática do mundo ainda em vigor, a qual teve início com a assinatura do Tratado de Tagilde, a 10 de Julho de 1372, concretizada no ano seguinte, com a assinatura do Tratado de Paz, Amizade e Aliança, selado na catedral de São Paulo, em Londres, a 16 de junho de 1373. Foi depois renovada através do Tratado de Windsor de 1386 e por outros atos sucessivos ao longo dos séculos, tendo no final do século XIX sido fundamental para a sua permanência a ação diplomática do “Vencido da Vida”, embaixador Marquês de Soveral, amigo e superior hierárquico de Eça de Queirós, que tinha sido cônsul de Portugal em Inglaterra entre 1874 e 1888. As presentes comemorações tiveram já início sob o Alto Patrocínio do Presidente da República Portuguesa com a presença de autoridades de ambos os países. Para além da celebração das datas mais importantes, 10 de julho de 2022 e 16 de junho de 2023, o programa Portugal-UK 650 engloba ainda outras atividades, tais como investigação, educação e cultura. 

Curso de Turismo

Aos sábados à tarde no Solar Condes de Resende, presencial e por videoconferência, prossegue o curso sobre História - Património – Turismo, organizado pela Academia Eça de Queirós (ASCR-CQ), com o patrocínio da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e certificado pelo Centro de Formação de Associação de Escolas Gaia Nascente (M.E.). No dia 12 de fevereiro decorreu a 9.ª sessão sobre o tema «4 Roteiros Turistico-Musicais em Vila Nova de Gaia» pela Prof.ª Doutora Elisa Lessa, professora agregada da Universidade do Minho; no dia 26, o Prof. Doutor Sérgio Veludo Coelho, do Instituto Politécnico do Porto, falará sobre «Turismo Militar». Já no mês de Março, na 11.ª sessão, dia 12, o Professor Doutor Carlos Costa, da Universidade de Aveiro, falará sobre «Turismo como fator económico, social e cultural» e no dia 19, na 12:ª sessão a Prof. Mestre Maria de Fátima Teixeira falará sobre «Hotéis queirosianos».

Livros e Revistas

Morte no Estádio

Colocada à venda nova edição do romance de Francisco José Viegas cujo enredo é o seguinte: «Um famoso futebolista do FC Porto é assassinado num bar irlandês em plena Foz. Para Jaime Ramos, inspetor da Polícia Judiciária do Porto, e Filipe Castanheira, que interrompe um exílio autoimposto nos Açores, há vários implicados no crime: Alexandra, a mulher da vítima, Susana, casada com outro futebolista e amante do morto, Serafim, o amante da amante, e outras figuras mais ou menos sombrias que evocam as relações obscuras do mundo do futebol. Enquanto as investigações decorrem, vão emergindo as muitas paixões que envolvem todas as personagens - a de Jaime Ramos e de Filipe Castanheira pela comida; a de Jorge Alonso, o dono do bar irlandês, pela Irlanda, e de quase todos pelo futebol - suposto móbil do livro. São essas paixões que acabam por dar sentido à falta de sentido da vida. Este é o romance onde, em 1991, aparecia pela primeira vez o inspetor Jaime Ramos - que, ao longo de trinta anos, tem sido personagem de livros como Longe de Manaus, A Luz de Pequim, ou O Mar em Casablanca, ou A Poeira que Cai Sobre a Terra e Outras Histórias de Jaime Ramos, entre outros.» 

Colóquio/Letras

O n.º 208 desta revista publicada pela Fundação Calouste Gulbenkian, nas suas cerca de 300 páginas é, em grande parte, dedicado à obra de Mário Cláudio, um dos mais conhecidos romancistas portugueses. Com variadíssima colaboração, onde serão difíceis de destacar os ensaios sobre o universo Claudiano, anotemos por exemplo, «A infância é esta casa: algumas notas a propósito de “Astronomia” de Mário Cláudio», por Maria João Reynaud; «Mário Cláudio e o fascínio da biblioteca intertextual: re-visões de Eça de Queirós e de Portugal», por José Cândido de Oliveira Martins; «Histórias da literatura portuguesa [crítica a “As Literaturas em Língua Portuguesa (Das Origens aos Nossos Dias)”, de José Carlos Seabra Pereira]», por Miguel Real; e «Embora Eu Seja Um Velho Errante, de Mário Cláudio», por José Vieira.

Mestrado sobe Eça       

    Embora já de 2013, temos presente a dissertação para a obtenção do título de mestre em Letras intitulada Eça de Queirós e o Extremo Oriente, «apresentada ao Programa de Pós Graduação em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo», orientada pela Prof.ª Doutora Aparecida de Fátima Bueno e da autoria de José Carvalho Vanzelli. Através das obras do escritor, mas também de outros textos, crónicas e do famoso relatório consular A Emigração como Força Civilizadora, compulsando teóricos do Orientalismo da sua época e do nosso tempo, o autor faz uma exaustiva análise das representações do Extremo Oriente na obra de Eça.

Conferências e palestras



Ontem, dia 24 de fevereiro os Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana promoveram mais uma das palestras das últimas quintas-feiras do mês a partir do Solar Condes de Resende, entre as 18,30 e as 19,30 horas. Desta vez o tema foi «O Vinho do Porto: entre mitos e História», por J. A. Gonçalves Guimarães. Para além da transmissão via Zoom, com disponibilização gratuita do respetivo link, estiveram presentes diversos associados e confrades que depois seguiram para um jantar tertúlia num restaurante próximo.


         Tem início hoje, dia 25 de fevereiro, a partir das 21 horas o 32.º Fórum Avintense promovido pela Junta de Freguesia de Avintes, este ano dedicado à evocação do cantautor Adriano Correia de Oliveira, o qual terá início com uma homenagem ao memorialista Joaquim Costa Gomes, recentemente falecido, por José Vaz, seguida de outras comunicações. No dia 26, sábado, os trabalhos prosseguem com apresentação de diversas comunicações, entre as quais, «A natureza e o ambiente na poesia e a trova», por Nuno Oliveira; «Memória de Adriano Correia de Oliveira junto dos amigos mais chegados» por Abel Barros; «A singularidade da Pedra da Audiência de Avintes», por José Vaz; «A canção coimbrã em Vila Nova de Gaia: a propósito de Adriano Correia de Oliveira» por J. A. Gonçalves Guimarães. No próximo dia 10 de abril, pelas 21 horas, Adriano terá um Espetáculo de Homenagem na Casa da Música no Porto.

Exposições


Na Póvoa de Varzim, paralela ao festival Corrente d’ Escritas, abre hoje dia 25 de fevereiro, pelas 18 horas, a exposição de esculturas de Hélder de Carvalho, A Origem da Imperfeição, onde o autor mostra algumas das suas mais recentes criações e exercícios criativos que vão da fragilidade do barro, passando pela eternidade do gesso, até à solidez eterna do bronze.

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 162, sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: Ricardo Charters d’ Azevedo.

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Eça & Outras

Ano do Centenário da 1.ª Travessia Aérea Lisboa – Rio de Janeiro

e do Bicentenário da Independência do Brasil

Centenários com o Brasil em Portugal

Decorrem no presente ano de 1922 o centenário da 1.ª Travessia Aérea Lisboa – Rio de Janeiro e o bicentenário da Independência do Brasil. No primeiro caso a façanha iniciada a bordo do hidroavião Lusitânia, pilotado por Sacadura Cabral, sentado na parte dianteira da nave, tendo como navegador Gago Coutinho, sentado no assento imediatamente atrás, que no dia 30 de março, pelas sete horas da manhã, levantaram voo no Rio Tejo, junto da Torre de Belém, rumo ao Brasil. Levavam consigo o aperfeiçoado sextante Gago Coutinho e o “corretor de abatimento” Coutinho-Sacadura; 220 galões de gasolina e 15 de óleo; duas maletas pessoais que não excediam os cinco quilos; uma mala de ferramenta e ambulância; os casacos e bonés do uniforme, uma edição de Os Lusíadas de Luís de Camões, impressa em 1670, para oferecer ao Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro, uma carta do presidente da República Portuguesa, Dr. António José de Almeida, para o presidente da República do Brasil, Dr. Epitácio da Silva Pessoa; e uma garrafa de Vinho do Porto Adriano oferecida pela Casa Ramos Pinto de Vila Nova de Gaia. Entre “papéis de navegação”, cada um deles levava também o seu “livro dos recados” e respetivo lápis, onde foram escrevendo mensagens de um para o outro ao longo da viagem. Não havia outra forma de o fazer para obviar ao barulho do motor, senão bater nas costas do parceiro da frente e passar a folha escrita, ou o da frente esticar o braço e passar a folha para trás, evitando ambos largá-las ao vento.

Após passarem pelas Canárias, e Cabo Verde, fazendo 2.906 quilómetros, amararam com incrível precisão junto dos minúsculos penedos de S. Pedro e S. Paulo no meio do mar, de onde foram resgatados pelo navio português República. Depois de mudarem para o hidroavião Portugal, e ainda depois para o Santa Cruz, chegam a 17 de junho ao Rio de Janeiro ao fim de 8.311 quilómetros e várias atribulações, sendo recebidos em apoteose pelos brasileiros e pela comunidade portuguesa aí residente. O Conde de Sabugosa, escritor queirosiano, escreveu então que estes heróis do ar «…atravessaram a maior saraivada de adjetivos, de advérbios, de hipérboles, de metáforas, de ditirambos, de beijos, de abraços, de condecorações, de títulos, de aclamações, de sorrisos, de coroas sem que o ridículo os atingisse, e sem que perdessem a elegante simplicidade própria de quem é realmente superior». Um feito que levou o abraço de Portugal ao Brasil de Bartolomeu de Gusmão e Santos Dumond e que espantou então o mundo. Por isso vale a pena comemorá-lo.

Quanto ao duplo centenário da Independência do Brasil recordemos aqui os principais passos que a tal levaram: contrariando os intentos de Napoleão, a 27 de janeiro de 1808 a família real e a Corte portuguesa chegam ao Brasil, desembarcando pouco depois no Rio de Janeiro que passa a ser a capital do Império português. A 16 de dezembro de 1815 deixa de ser colónia, passando a fazer parte do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, do qual no ano seguinte D. João VI será rei. Mas pouco depois, em abril do 1817, Pernambuco acolhe a primeira revolta republicana em território português, que será esmagada. A 24 de Agosto de 1820 ocorre no Porto a Revolução Constitucional, que rapidamente foi seguida por diversas capitanias brasileiras que elegem deputados às Cortes que haveriam de reunir em Lisboa no ano seguinte, tendo, entretanto D. João VI regressado a Lisboa. Tal como acontecera com as Cortes de Cádis de 1812, que menosprezaram os interesses representados pelos deputados das colónias espanholas da América do Sul, também os constitucionalistas portugueses vão destratar os deputados brasileiros e as vontades locais que representavam. Do outro lado do Atlântico, D. Pedro, príncipe herdeiro, é chamado a Portugal, mas, a pedido dos brasileiros, resolve ficar e a 7 de setembro de 1822 declara a independência, sendo a 12 de outubro proclamado Imperador do Brasil. Após demoradas negociações entre portugueses e brasileiros, com a mediação da Inglaterra, para acautelar os interesses dos portugueses ali residentes, e os interesses daquela potência nas terras e nos mares do Atlântico. Portugal reconhece a independência do Brasil a 29 de agosto de 1825. D. João VI morrerá envenenado por alguém da sua esfera a 10 de março do ano seguinte. Após este breve período de cissiparidade dos dois países, a História de ambos irá continuar interligada até aos dias de hoje.

Sobre o Brasil sempre os portugueses tiveram opinião como assunto de família que é, pois não haverá cidadão do lado de cá que não tenha tido um antepassado ou contemporâneo que para lá emigrasse. O contrário também será verdade para muitos brasileiros. E até nos permitimos opinar sobre os acertos dos seus destinos, como o fez Eça de Queirós em vários escritos e ocasiões: «nos começos do século [XIX], há uns [cento e] cinquenta e cinco, [cento] e sessenta anos, os brasileiros, livres dos seus dois males de mocidade, o ouro e o regime colonial, tiveram um momento único, e de maravilhosa promessa. Povo curado, livre, forte, de novo em pleno viço, com tudo por criar no seu solo esplêndido, os brasileiros podiam, nesse dia radiante, fundar a civilização excecional que lhes apetecesse, com o pleno desafogo com que um artista pode moldar o barro inerte que tem sobre a tripeça de trabalho, e fazer dele, à vontade, uma vasilha ou um Deus. Não desejo ser irrespeitoso, caro Prado; mas tenho a impressão que o Brasil se decidiu pela vasilha» (Eça de Queirós, Cartas e Outros Escritos (Carta de Fradique a Eduardo Prado). Respeitemos a sua opção pelas coisas mais humanas em detrimento das sobrenaturais, que sempre lá estarão, pois a sua felicidade, como se fora a de um parente que só estivesse temporariamente longe, é aquela que a todos nos importa. E sabemos que os ventos nem sempre correm de feição. Mas numa coisa acreditamos: a Independência do Brasil merecerá aos portugueses um brinde ao futuro dos dois países. 

J. A. Gonçalves Guimarães

secretário da direção


Cursos

Prossegue o curso sobre História - Património – Turismo, organizado pela Academia Eça de Queirós (ASCR-CQ) e pelo Solar Condes de Resende, com o patrocínio da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e certificado pelo Centro de Formação de Associação de Escolas Gaia Nascente (M.E.), presencial e por videoconferência. Depois de no sábado dia 8 de janeiro ter decorrido a 7.ª sessão intitulada «Ao Sabor de Portugal – Rotas de Turismo Gastronómico» pela Dr.ª Olga Cavaleiro, no dia 22 será a 8.ª sessão pelo Dr. Luís Pedro Martins, presidente da Associação de Turismo do Porto e Norte sobre «O Turismo na pós-pandemia». Prosseguirá a 12 de fevereiro com o tema «Turismo Musical» pela Prof.ª Doutora Elisa Lessa, e no dia 26 sobre «Turismo Militar» pelo Prof. Doutor Sérgio Veludo Coelho. 

                Depois do sucesso do ano transato, de novo no próximo mês de julho, entre 17 e 22, organizado pela Universidade do Porto através do CITCEM/FLUP e com a colaboração de universidades estrangeiras e diversas entidades portuguesas, vai realizar-se em Vila Nova de Foz Côa o International Heritage Summer School Douro’22. Terá como conferencistas, entre muitos outros, Nuno Resende, professor da FLUP e membro da comissão organizadora deste curso universitário de verão, que falará sobre «On the threshold of imagination»; J. A. Gonçalves Guimarães, ex-professor da Universidade Portucalense Infante D. Henrique e atual coordenador do Gabinete de História, Arqueologia e Património (ASCR-CQ), que falará sobre «Quinta da Ervamoira, Vale do Côa: das escavações arqueológicas ao Museu de Sítio»; e João Duarte, investigador do CITCEM/FLUP; IACOBUS-USC que falará sobre «Architecture and landscape in the Alto Douro Wine Region».

Livros e Revistas

Finalmente o correio trouxe até nós a edição em papel do n.º 25 da Revista da Academia Alagoana de Letras, a qual, ao abrigo do acordo de cooperação entre os Amigos do Solar Condes de Resende-Confraria Queirosiana (ASCR-CQ) e aquela instituição sediada em Maceió, Alagoas, cujo edifício sede está presentemente a ser alvo de obras de beneficiação que lhe estão a devolver a singularidade da sua arquitetura, apresenta, para além da colaboração de três confrades queirosianos portugueses, a que já nos referimos no número anterior deste blogue, nas suas 102 páginas, para além daqueles textos os de mais cinco ensaístas, e mais outros vinte e três autores de artigos, crónicas, contos e poesia, sobre diversos temas de sempre e da atualidade. Número dedicado ao centenário do médico, contista e jornalista Breno Accioly (1921-1966), aqui estudado no ensaio «Medo do Medo» escrito pela professora e académica da AAL, Edilma Acioli Bonfim, apresenta na capa a pintura Minutos antes da ceia da autoria de Juarez Orestes Gomes de Barros.

«A edição crítica d’A Relíquia que agora se publica integra-se numa série editorial que chega agora ao seu vigésimo volume. A presente publicação é, então, o resultado parcial de um projeto de investigação designado como Edição Crítica das Obras de Eça de Queirós, projeto desenvolvido desde há quase três décadas, com a colaboração de alguns dos mais destacados estudiosos em matéria queirosiana; trata-se, como é sabido, de rever e de fixar o cânone textual queirosiano, objeto de percalços vários, desde o tempo de Eça e por razões que os títulos já publicados têm procurado esclarecer. Para além disso, a Edição Crítica das Obras de Eça de Queirós propõe-se fazer a história de cada texto, entendida como contributo decisivo para incutir segurança e fundamento àquela revisão.

O romance A Relíquia, publicado pela primeira vez em 1887, ocupa um lugar singular na produção literária queirosiana. Estamos perante uma obra que se se situa na linha da literatura e do pensamento anticlericais, muito férteis no século XIX, e que diretamente se relaciona com as resistências e com as contradições que a laicização da vida pública portuguesa enfrentou, desde o advento do Liberalismo. Por isso, a história do texto, no caso d’A Relíquia, não pode deixar de contemplar esta que é uma questão com larga tradição na cultura portuguesa.

O relato em que Eça quis pôr “o manto diáfano da Fantasia” sobre “a nudez forte da Verdade” tem uma outra história, esta de caráter pessoal. Liga-se ela à experiência do escritor como viajante e à digressão que, ainda jovem, fez por terras do Egito e da Palestina. Muito do que ficou dessa jornada está projetado no texto d’A Relíquia e ainda em abundantes e quase sempre saborosas notas de viagem, muitas delas deixadas inéditas. Na época, estava ainda bem viva uma sensibilidade romântica que não resistia ao forte apelo das origens do Cristianismo, nos lugares exóticos que foram o seu berço. Eça não desprezou esse apelo.»

(“Nota Prefacial”; Eça de Queirós, A Relíquia. Edição de Carlos Reis e Maria Eduarda Borges dos Santos. Lisboa: Imprensa Nacional, 2021, pp. 11-12) publicada em «Eça de Queirós. Investigação, ensino, e debate sobre temas queirosianos» queirosiana.wordpress.com, 13 de janeiro de 2022.


         Acaba de ser publicada pela Scortecci Editora a mais recente obra de Carlos Méro intitulada Contos Covidianos, «coletânea… [de] narrativas sem nenhum compromisso com o que quer que seja» onde o autor assume «que a melhor maneira de mentir é dizer a verdade que convém», ou seja «contar, com aparência de alguma idoneidade, o que no fim não passa de ostensivo fingimento». Postas estas e outras advertências, seguem-se os contos com títulos como «A Praga», «Trancelim», «Um herói sem juízo», «Queda Livre», «O Retrato Improvável», «A Degola», «A Implicância de Oxóssi», «Abelardo e Adalgisa», «Os Dois Melros», «A Lapinha» e «A Escolha de Jacó» que decorrem no contexto de medo e alguma paranoia que a pandemia veio trazer numa época em que o statos quo já não acreditava que estas coisas pudessem acontecer. Carlos Méro é advogado, natural de Penedo, Alagoas, Brasil e vive em Maceió. Autor de uma vasta e diversificada obra publicada por diversas editoras é académico da Academia Alagoana de Letras, da similar Penedensee, e do Instituto Histórico e Geográfico do Estado de alagoas.

Conferências e palestras

    No próximo dia 27 de janeiro os Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana vão retomar as palestras das últimas quintas-feiras do mês. O tema será «Os centenários com o Brasil em Portugal», por J. A. Gonçalves Guimarães. Será tentada uma nova modalidade: para além das palestras passarem a ser presenciais e via Zoom, com disponibilização gratuita do respetivo link, o horário será entre as 18,30 e as 19,30 horas. Seguir-se-á, para os presentes que o desejarem, um jantar por marcação num restaurante próximo para assim poder ser continuada a conversa sobre o tema em foco.

      Nesse mesmo dia, pelas 21 horas, o Prof. Doutor Carlos Brito, professor de Marketing na Faculdade de Economia da Universidade do Porto e na Porto Business School falará online sobre «O que é Marketing num mundo Digital» Para participar basta aceder a https://www.linkedin.com/.../um:li:ugcPost.../

      No dia 9 de fevereiro, o Prof. Doutor Luís Manuel de Araújo, académico correspondente da Academia Portuguesa da História, e vice-presidente da ASCR-CQ ainda recentemente regressado de mais uma viagem de estudo ao Egito, apresentará nesta instituição em Lisboa o tema «Os primórdios da Egiptologia em Portugal».

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 161, terça-feira, 25 de janeiro de 2022; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.

 

 

sábado, 25 de dezembro de 2021

Eça & Outras

 N.º 160

O desconhecido sábio da minha rua

  Nesta estrada larga da vida passamos por muita gente em quem não reparamos, nós e eles metidos nos nossos mundos particulares. Quando nos lembramos do quanto poderíamos ter tido algum humano gosto se tivéssemos parado a conversar com eles na esquina, já é tarde, a roda do tempo já desandou e eles já cá não estão. Vem-nos então uma certa vontade de rebobinar a fita do tempo, puxar atrás o filme da nossa existência, mesmo sabendo que tal sempre será uma míngua da realidade e, quantas vezes, uma quase completa ficção motivada pela perda de pedaços do tempo que poderiam ter sido mais belos. Fazemo-nos então reparadores de factos passados com todos os equivocos que daí advêm, pois para eles reconstruímos palcos, repintamos cenários, inventamos falas e queremos que os enredos terminem em apoteoses. Esta é a pecha dos literatos. Nós, os historiadores, somos mais aprendizes de sacerdotes de Chronos, os únicos capazes, através de rituais próprios, muita insistência e adequados incensos, de ressuscitarmos aqueles que por nós passaram, para os voltarmos a trazer ao proscénio da vida. Ainda que por um novo breve instante.

  Todo este bocado de prosa surgiu porque o meu amigo Tony Klauf, mago do Ilusionismo, sem saber e sem querer (que o assunto era outro) me veio recordar que na rua da minha infância havia um sábio com quem nunca falei, mas de quem seguia com curiosidade os raios da sua aura que os vizinhos dispersavam em vaguíssimas alusões. Dele recordo a figura corpulenta, face bondosa quase sempre distante, cigarrilha no canto da boca, a originar um certo trejeito de olhos pisquentos, gabardine castanha sazonal, carregando duas amplas pastas de couro, uma de cada lado, que volta e meia pousava no chão para acariciar uma nossa gata gorda e ladina a quem dispensava regularmente tal familiaridade no trajeto entre a casa onde vivia e a paragem do elétrico (e depois do trólei) que o levavam e traziam do Porto, onde se dizia que dava aulas, mas ninguém sabia dizer ao certo em que academia, e por ali não havia aluno seu que o esclarecesse. Morava na casa do senhor Alberto alfaiate, que pouco tempo antes da sua morte descobriu que o sábio era seu pai e assim o divulgou urbi et orbi para espanto da vizinhança, que entre outras estorietas contava que o professor (assim o referiam e toda a gente logo sabia de quem se tratava) só estivera casado quinze dias até que a esposa fugiu irritada por todos os dias acordar com a cama conjugal pejada de livros. Os poucos que iam lá a casa, na rara oportunidade de tirar medidas para um novo fato ou para uns calções mais elegantes ou calças tipo golf, ficavam abismados com a quantidade de estantes a treparem pelas paredes das escadas de vários andares acima, ajoujadas de livros e revistas, não ao alto, como na biblioteca do liceu, mas deitados, empilhados uns sobre os outros, tantos eles eram. E, pelo meio, em vitrinas, estranhos aparelhos com ponteiros e quadrantes que certamente mediriam enigmáticos valores.

  Vim mais tarde a saber que “o professor” era o Dr. Mário de Morais Afonso, licenciado em Ciências Filosóficas pela primeira Faculdade de Letras da Universidade do Porto, que foi, pelo menos, professor do Instituto Industrial do Porto, esteve ligado à Escola Moderna desta cidade, de inspiração anarquista, e que terá chegado a trabalhar com o Professor Santos Júnior na Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia então sediada na Faculdade de Ciências. Mas para que quereria ele o baú de aparelhos e truques de Ilusionismo fabricado por um nome de referência na Arte do início do século XX e que um dia, após muita insistência, vendeu a Tony Klauf?

A geração formada naquela primeira faculdade era bastante erudita, mas também demasiado eclética, conforme se pode verificar pelas obras e trabalhos que publicaram os seus professores e alunos, aliás na velha tradição dos deslumbrados enciclopedistas tardios do século XIX, quase que diríamos incapazes de se fixarem numa só ciência, de se especializarem. Sobre tal até Eça de Queirós escreveu a propósito do seu antigo professor Ramalho Ortigão, quando em determinada época «…o seu trabalho tinha… a irregularidade da sofreguidão: ia do socialismo à astronomia, da história à química, lendo hoje um estudo sobre o Jubileu de Bonifácio VIII, amanhã um compte-rendu sobre a refinação dos açúcares. Enchia-se de noções, de factos, de pontos de vista, de ideias» (Eça de Queirós, Notas Contemporâneas). E quantos eu tenho, entretanto, assim conhecido, mestres e discípulos de uma nunca consistente “Escola de Antropologia do Porto”?

Já nos anos oitenta do século passado, após a morte do professor, o alfaiate, seu revelado filho, vendeu a biblioteca a um alfarrabista de Braga, dispersando-se assim um espólio interessantíssimo reunido durante décadas, à excepção de algumas obras compradas por alguns avisados que moravam perto. A casa onde vivia foi demolida bem assim como outras antigas existentes na mesma rua, que hoje não passa de mais um local incaraterístico. A sua memória foi-se apagando e iria desaparecendo aos poucos não fora um acaso fortuito ter lançado nestes dias pontes de convergências diversas entre Tony Klauf e o Ilusionismo, António Manuel Silva e a Arqueologia, Nuno Oliveira e a Biologia e as memórias de infância do autor destas linhas. Havia efetivamente um sábio na rua da minha infância, mas por agora só estas recordações de cada um dos nomeados o voltaram a trazer ao convívio possível que a História proporciona.

J. A. Gonçalves Guimarães

secretário da direção

Autores, livros e revistas


Ricardo Charters d’ Azevedo, que tem dado à estampa diversas obras monográficas sobre Leiria e a sua região, acaba de publicar uma nova edição de Couseiro ou Memórias do Bispado de Leiria, descrições das Terras do Lis nos séculos XVI e XVII, a partir de uma cópia de 1898, com um exaustivo estudo prévio sobre esta curiosa obra e as informações que disponibiliza aos leitores de hoje.



No passado dia 2 de dezembro no Palacete Araújo Porto da Santa Casa da Misericórdia do Porto, foi apresentado por Francisco Ribeiro da Silva, mesário para a Cultura, o volume com 484 páginas das Atas do V Congresso da instituição, o qual decorreu em março de 2020. Com uma comissão científica composta, entre outros, por Francisco Ribeiro da Silva, António Barros Cardoso, Jorge Fernandes Alves e José Manuel Tedim, o volume abre com o texto «Misericórdia, Liberdade e Património» pelo provedor António Tavares, e «Palavras de Apresentação do Congresso» por Francisco Ribeiro da Silva, a que se seguem as comunicações ali apresentadas, entre as quais, «Alguns Negociantes da Praça do Porto, Irmãos da Misericórdia no Período Constitucional (1818-1825)» por J. A. Gonçalves Guimarães (p. 103-120); «As Misericórdias na Conjuntura Crepuscular da I República: o I Congresso das Misericórdias (1924)», por Jorge Fernandes Alves (p.139-156); «O “Álbum da Sancta Casa da Misericórdia do Porto”, Fonte Histórica e Objeto Artístico», por Nuno Resende (p. 231-250); «Mercadores de Vinho do Porto, Beneméritos da Santa Casa (Século XVIII) – Fortaleza de Fé Manifestada em Boas Práticas», por António Barros Cardoso (p. 341-350); e terminando com «A Santa Casa da Misericórdia do Porto nos inícios da Restauração (1640-1650): Conflito Laboral com o Cirurgião Sucarelo e Suspeitas de Fraude na Eleição do Provedor» por Francisco Ribeiro da Silva (p. 459-479). Foi aí anunciado que o VI Congresso decorrerá em 2023.
     

Acaba de ser divulgado o e-book Sepulturas escavadas na rocha da fachada atlântica da Península Ibérica. Atas do Congresso Internacional que decorreu em 19 e 20 de outubro de 2017 na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Coordenado pelo Professor Mário Jorge Barroca e editado pelo CITCEM, entre os muitos trabalhos publicados sobre o tema apresenta o estudo «As sepulturas escavadas na rocha do Castelo de Crestuma (Vila Nova de Gaia, Norte de Portugal). Contexto e problemática» da autoria de António Manuel S. P. Silva, Laura C. P. Sousa, Paulo A. P. Lemos e Filipe M. S. Pinto, arqueólogos da equipa da intervenção arqueológica no Castelo de Crestuma organizada pelo Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR – Confraria Queirosiana.


No passado dia 10 de dezembro foi lançado na Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto o 2.º volume da sua coleção “Memória Perecível” intitulado O Mundo que Vivi, tal como o colóquio organizado em 2015 por esta centenária instituição e que terminou em julho do ano seguinte. Apresentam-se agora publicadas as intervenções feitas nesse âmbito por César Príncipe, Fernanda Gomes e Júlio Gago. Memórias de outros tempos mas ainda presentes nestas primeiras pessoas.
 

Mário Cláudio

         Na sequência da edição em Espanha do livro Buenas noches señor Soares, no passado dia 14 de dezembro na Livraria Lé em Madrid decorreu «Uma Conversa com Mário Cláudio» integrada nas sessões “Diálogos com a Literatura” promovidas pelo Instituto Camões e a Embaixada de Portugal. No dia 18 de dezembro, na Biblioteca Municipal de Amarante, pólo de Vila Meã, este autor apresentou a sua recente obra Embora Eu Seja Um Velho Errante integrada no ciclo «Encontros com Autores», e que teve como enquadramento a inauguração da exposição «Cadernos, cartas, papéis e notas de um velho errante» pertença do autor.

Brasil

Alberto Rostand Lanverly; foto Felipe Camelo
Alberto Rostand Lanverly; foto Felipe Camelo

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Alagoas, Brasil, conferiu recentemente ao Professor Engenheiro Civil Alberto Rostand F. Lanverly de Melo a Comenda Professor Engenheiro Civil Hermano Cardoso Pedrosa «pelos relevantes serviços prestados à Engenharia, Agronomia e Geociências alagoanas». O agraciado é atualmente o presidente da Academia Alagoana de Letras.


Acaba de ser publicado no Brasil um novo livro de Mário Cláudio intitulado Um sopro em Nazaré e outros contos de Natal pela editora Pontes, Campinas, São Paulo, o qual reúne textos anteriormente dispersos por antologias, jornais e revistas.
 

Cinema

Eça de Queirós no Auditório de Gaia

         No passado dia 25 de novembro, dia de aniversário de Eça de Queirós, foi exibida no Auditório Municipal de Gaia a longa-metragem O Nosso Cônsul em Havana, do realizador Francisco Manso, filme muito belo – como é timbre das realizações deste cineasta – que recria a passagem ficcionada de Eça de Queirós por Havana enquanto cônsul em Cuba em 1872-1874, com viagem intercalar ao Canadá e Estados Unidos da América. Desta experiência profissional e política resultaram o relatório «A Emigração como Força Civilizadora», publicado a primeira vez apenas em 1979 por iniciativa do jornalista Raúl Rego; a novela O Mandarim (uma subtil vingança intelectual contra o status quo internacional); e as suas relações, ainda hoje mal conhecidas, com a estadunidense Mollie Bidwel recriada no filme e de quem chegou a estar noivo, e com a dinamarquesa Anna Conover, então ainda casada e curiosamente aqui omitida, relação essa que haveria de perdurar até ao fim das suas vidas.

Cursos

História – Património - Turismo

         Prosseguirá no próximo mês de janeiro no Solar Condes de Resende o curso livre sobre Historia, Património e Turismo, presencial e por vídeo conferência. Assim, no sábado dia 8, como habitualmente entre as 15 e as 17 horas, terá lugar a 7.ª sessão intitulada «Ao Sabor de Portugal – Rotas de Turismo Gastronómico» pela Prof.ª Dr.ª Olga Cavaleiro, do Instituto Politécnico do Porto e no dia 22 a 8.ª sessão pelo Dr. Luís Pedro Martins, presidente da Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal

Escultura


No passado dia 27 de novembro o escultor Hélder de Carvalho apresentou ao público a sua mais recente obra, desta feita a estátua em meio corpo em bronze patinado do patrono da Fundação Eng.º António de Almeida, inaugurada na sua sede na cidade do Porto. São já numerosas as obras deste escultor espalhadas pelos espaços públicos e privados de Braga, Lisboa, Porto, Póvoa de Varzim, Torre de Moncorvo, Vila Nova de Gaia, onde tem o seu ateliê. E outras terras do país.
 

Exposições

Água Fresca. Exposição de Cerâmica Popular Portuguesa

         No Solar Condes de Resende continua patente ao público esta mostra de dezenas de peças recolhidas por Armando de Mattos em 1938 para a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, e desde então acrescentadas com novas peças dos centros oleiros de Nisa, Bisalhães, Estremoz, Barcelos, Ossela, Açores, Loulé, Felgar, Caldas da Rainha e outros espalhados pelo país, tendo alguns destes núcleos sido já estudados e publicados por investigadores do Gabinete de História, Arqueologia e Património, cuja bibliografia também aqui se disponibiliza.  

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Eça & Outras; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.

 

 

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Eça & Outras

Festas de Natal da minha escola primária

         Sou um daqueles que guardam com apreço e inalterável afeição as recordações da sua escola primária. Situada ao fundo da rua onde vivia, voltada para a grande avenida, ficava a cinco minutos a pé de casa. Sendo eu oriundo de uma família tradicionalmente católica, a escola era evangélica, mas uma das suas virtudes que rapidamente assimilei foi a do horror a qualquer discriminação. Entendiam ali que cada um, no seu foro íntimo, privado ou familiar, era o que lhe ensinaram a ser, pelo menos até à emancipação, mas publicamente todos deveríamos ser iguais e solidários. Essa era a grande mensagem do seu fundador, o industrial têxtil de origem inglesa Diogo Cassels, que por vontade própria se fez benemérito e pedagogo e depois clérigo da Igreja Lusitana. Outra lição que deixou foi a de que a riqueza, sempre fruto do trabalho, devia ser reinvestida para se multiplicar e ser partilhada com os que pouco ou nada tinham. E ajudar a prepará-los para a vida, como bons cidadãos e trabalhadores capazes de proverem ao seu sustento e ao dos seus. Quando morreu em 1923 foi este o carisma que deixou na escola que fundou e que eu frequentei. Para além desta aura, pouco mais ali havia diferente das outras escolas: as professoras também eram idosas e o programa era o b-a-bá oficial. Os rios e os afluentes. As estações do caminho-de-ferro. As províncias ultramarinas. O instrutor de ginástica fardado de legionário e as catequistas católicas que as autoridades concelhias impunham, o primeiro a todos os alunos, as segundas, em reprise da catequese da paróquia católica de Mafamude, apenas aos alunos desta confissão dominante, que assim tinham duas doses semanais de catecismo romano, não fossem eles ficarem contaminados pelo luteranismo. A ideia que me ficou é que as autoridades civis, nomeadamente as ligadas ao ensino, respeitavam a Escola do Torne, talvez pelos seus princípios republicanos e beneméritos do Senhor Dioguinho, que era tido como santo, não só pelos que ainda o tinham conhecido, mas também pelos bons resultados que os alunos da sua escola continuaram a obter nos exames oficiais. Mas pelas autoridades religiosas católicas locais nem por isso: os alunos do Seminário de Trancoso, quando em grupos de dois iam passear as suas negras sotainas até ao Porto, eram instruídos para que, quando passassem em frente da Escola do Torne, deveriam virar a cara para o lado oposto em sinal de repúdio. Mas isso era lá com eles. Nós gostávamos da nossa escola, mesmo com uma ou outra reguada por lição mal estudada. Mas, pensando melhor, afinal havia ali algumas diferenças no ensino: a D. Francelina, professora da segunda e da quarta classes, mais nova do que as outras, falava-nos do Rei Ramiro e do Castelo de Gaia e certas manhãs, quando a grande porta se abria e por ela víamos entrar o Joaquim Pina Cabral, que já trabalhava naquela coisa recente que era a Rádio Televisão Portuguesa, era recebido com uma estrondosa salva de palmas, porque a seguir, montada a máquina de projetar, lá vinham os filmes de Charlie Chaplin, do Bucha e Estica e outros. Um regalo para nós.

         Outra realização muito esperada no calendário escolar era Festa do Dia de Natal. Na manhã do normalmente gélido dia 25 de dezembro a sala grande da escola apresentava-se diferente, com cadeiras destinadas ao bispo Senhor Fiandor, ao Senhor Soeiro do relatório da Associação dos Antigos Alunos, às autoridades da Câmara Municipal e da Delegação Escolar, aos pais e outros convidados, às professoras e aos alunos. Depois de uns discursos muito aplaudidos, lá vinham alguns alunos declamar versos, depois a moralizadora peça de teatro histórico, para a qual os diversos papéis eram distribuídos conforme as posses dos pais para alugarem o traje no Jaime Valverde. Por isso uns iam de reis, outros de mendigos. E o Madureira foi de Rainha Santa, que a escola não tinha meninas. Um ano houve cantoria, ensaiada por um senhor velhinho que usava chapéu, tocava harmónio e morava perto, que depois descobri que se chamava Armando Leça e era maestro e compositor. Canções de Natal. Mas o melhor de tudo eram os envelopes com os prémios em dinheiro, dados em nome de pessoas com nomes estrangeiros, como o de Horace Arnesby da Casa Sandeman que me calhou. O nosso tempo era então lento e esperançoso e por isso ficamos para sempre colegas de escola, na mesma ou adversária equipa de jogo de futebol de rua, antes que a rebeldia juvenil nos juntasse um dia mais tarde nos Jovens do Torne para tentarmos dar a volta ao mundo e à vida, enquanto recitamos Neruda, Brecht, Daniel Filipe, Mayakovski, e eu descobria Rendes de Carvalho, supondo então que deveria ser um jovem escritor cabeludo disfarçado de adequado “caixa d´óculos” pelo editor, enquanto cantávamos Zeca Afonso, Adriano e outros cantautores e Abril não chegava, apanhando-nos um dia na tropa ou noutras paragens europeias. De um modo especial a vida sorriu-nos, mas nunca esquecemos os que «vivem em buracos ignorados, dormem pelos bancos, escondidos nas sombras dos entulhos… comem de vez em quando; têm todas as dores que dá o frio, todas as agonias que dá a fome; … desejam o hospital como um refúgio, e um dia…» (Eça de Queirós, Uma Campanha Alegre). Apesar de tudo o que este texto, passados cento e cinquenta anos, ainda mantém de tristemente verdadeiro, dele excluímos que os pobres já não são «acolhidos pelos cocheiros na palha das cavalariças», por já não haver cavalariças; também não «andam sob o terror da polícia» porque esta geralmente se humanizou, e já não se vêm que «embrulhados numa serapilheira, são deitados à vala». Mas para melhorar o enorme resto de quanto tempo ainda precisaremos?

         Deixem-me regressar à escola da minha infância ao fundo da rua onde morava. E recordar a lição de Diogo Cassels, de que o que afinal verdadeiramente importa na vida é aquilo que partilhamos com os outros e que a todos faz falta. E entre outras coisas que a vida nos trouxe, as afetuosas memórias daquelas festas das manhãs de Natal.   

J. A. Gonçalves Guimarães

secretário da direção

Capitulo da Confraria Queirosiana 2021

Aspeto do capítulo; fotografia de Fátima Teixeira

Como habitualmente e desde 2003 (com a exceção de 2020, o primeiro ano da pandemia) a associação Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana comemorou no passado sábado dia 20 de novembro o aniversário de Eça de Queirós, realizando o seu capítulo anual, este ano e pela primeira vez a partir das onze da manhã, quando os associados, confrades, convidados, individualidades, autoridades e outras instituições ali se deslocaram para o efeito, tendo-se dirigido em cortejo até ao salão nobre onde foram recebidos num primeiro momento musical interpretado por Iris Lopes, Joana Couto e Maria João Bernardino, violinos; Sara Barbosa, contrabaixo e Carla Quelhas, piano, todas professoras e alunas da Escola de Música de Perosinho que interpretaram o 1.º rondeau da suíte Adbelazer de Henry Purcell (1659-1695), após o que o presidente da mesa da assembleia geral, Cesar de Oliveira, apresentou e saudou as instituições presentes. 

Seguidamente o presidente da direção, José Manuel Tedim, fez uma breve alusão às atividades realizadas no presente ano pela associação e o secretário da direção J. A. Gonçalves Guimarães referiu-se aos associados e confrades que se distinguiram ou foram galardoados no presente ano, quer como cidadãos, quer como profissionais nas áreas sociais e políticas, na obtenção de graus académicos ou empregos, na publicação de livros e produção de obras, ou através de distinções públicas. 

         Na ausência de Luís Manuel de Araújo, diretor da Revista de Portugal, forçada por motivos de saúde, o secretário convidou os presentes a verem a apresentação do n.º 18, nova série, gravada on line, mencionando ali apenas os autores que colaboraram no presente número.

Seguiu-se um novo momento musical no qual Sara Barbosa em contrabaixo e Carla Quelhas ao piano, interpretaram o allegro da Sonata n.º 6 de Benedetto Marcello (1686-1739), procedendo-se depois à insigniação dos novos confrades: Dr.ª Ana Maria Alves Casas, administradora e acionista de sociedade comercial no grau de leitora; Dr. José Manuel Pedrosa Moreira, professor do Ensino Secundário e o Doutor Adrião Pereira da Cunha, historiador e produtor de vinho Verde, ambos no grau de louvados; e a Prof.ª Dr.ª Olga Cavaleiro, professora de Gastronomia e presidente da direção da Confraria da Doçaria Conventual de Tentúgal, como confrade de honra no grau de mecenas, que agradeceu em nome dos novos confrades e de si própria a distinção que lhe foi concedida. Encerrou a sessão a vereadora do pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Eng.ª Paula Carvalhal, aludindo à boa parceria entre a autarquia e a ASCR-CQ, a que se seguiu um terceiro momento musical no qual Mariana Lebre em violoncelo e Carla Quelhas ao piano interpretaram a Elegie de Gabriel Fauré (1845-1924).

Os confrades dirigiram-se em seguida ao jardim das Camélias onde depuseram uma coroa de louros na estátua de Eça de Queirós ali existente, sendo na ocasião recordadas pelo diretor da instituição as suas passagens por esta Casa. De novo no seu interior, a vereadora Pula Carvalhal procedeu à abertura da exposição «Água Fresca: Cerâmica Tradicional Portuguesa do Solar Condes de Resende», que ficará patente ao público nos próximos meses.

Seguiu-se o almoço de confraternização no pavilhão do Solar, com a atuação do guitarrista José Bordelo e do grupo cantante “Eça Bem Dito”, que entoou canções da Belle Èpoque.

História – Património - Turismo

Tendo tido início a 16 de outubro, prossegue no Solar Condes de Resende o curso livre sobre Historia, Património e Turismo, o 29.º desta instituição, desde 2003 realizados em colaboração com a Academia Eça de Queirós da ASCR – CQ. Assim, no próximo dia 27 de novembro, entre as 15 e as 17 horas, presencialmente e por videoconferência, o Prof. Doutor Barros Cardoso falará sobre «Turismo Enófilo» e a 4 de dezembro, o Professor Doutor José Alberto Rio Fernandes apresentará o tema «Turistas na cidade e cidade de turistas». No dia 11, o Prof. Dr. D. Américo de Aguiar dissertará sobre «Turismo religioso».

Nos passados dias 4 e 5 de novembro, no Centro de Literatura Portuguesa da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (CLP-FLUC), em colaboração com a Facoltà di Interpretariato e Traduzione da UNINT - Università degli Studi Internazionali di Roma, decorreu um colóquio sobre «Viagens e Diplomacia. Um olhar sobre o Mundo» centrado em Eça de Queirós como diplomata e viajante, de cuja comissão científica fizeram parte, entre outros, Carlos Reis e Ana Teresa Peixinho, da Universidade de Coimbra, que apresentaram, respetivamente, as comunicações «Eça de Queirós ou o escritor como diplomata» e «Newcastle-on-Tyne, o primeiro posto consular europeu». Entre os muitos outros oradores das universidades Estadual de Londrina, Federal do Paraná, Firenza, La Sapienza, Minho, Napoli “I Orientale”, Roma Tre, São Paulo, e Torino, Annabela Rita da Universidade de Lisboa falou sobre «A fenomenologia da preocupação em Eça de Queirós». Numadas sessõs foi também lançada a obra «Eggitto. Appunti di viaggio» de Eça de Queirós, tradução de Federico Giannattacio.

Livros e Revistas

No passado dia 20 foi apresentado no capítulo da Confraria Queirosiana o n.º 18 da Revista de Portugal. Dedicada aos 150 anos do passamento de Júlio Dinis, conforme está devidamente referido no editorial assinado por um dos diretores-adjuntos, segue o artigo «Uma Coleção Internacional de Pratos-souvenir no Solar Condes de Resende», de J. A. Gonçalves Guimarães e Susana Guimarães, seguido de «As Pequenas Diferenças» de Jaime Milheiro. Este número consagra uma parceria que se prevê frutuosa entre a associação Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana e a Academia Alagoana de Letras, aqui expressa pelos artigos de três dos seus académicos; «Nas Asas da Esperança, uma Academia Centenária», por Alberto Rostand Lanverly, «Os Dois Melros» por Carlos Méro, e cinco textos de Diógenes Tenório de Albuquerque Júnior. Prossegue depois o levantamento dos «Hotéis Queirosianos. Grande Hotel do Porto» de Maria Iolanda Pinto Sanches Ferreira de Almeida, e uma recensão sobre «J. A. Gonçalves Guimarães, Eça & Outras. Crónicas Queirosianas» por Luís Manuel de Araújo. Como habitualmente a revista apresenta a Bibliografia dos associados e confrades (referente ao ano 2020), organizada por Celeste Pinho, a que se segue o «Relatório de atividades…» referente ao mesmo ano e o «Acordo de Cooperação entre os Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana (ASCR-CQ) e a Academia Alagoana de Letras (AAL).

        


No dia 28 de outubro a Academia Alagoana de Letras fez 102 anos de existência. Assinalando a efeméride foi lançado o n.º 25 da sua revista, que apresenta colaboração dos confrades queirosianos Ricardo Charters d’ Azevedo, «Faz 200 anos este ano que a Inquisição foi extinta»; de Maria Teresa Girão, «Corpo e Alma» (poema), e de J. A. Gonçalves Guimarães «De braço dado pelo Brasil com Eça e Dagoberto», iniciando-se assim a colaboração transatlântica que acima referimos também partilhada no nº. 18 da Revista de Portugal.

 

Os nomes Aurélio da Paz dos Reis, Alvão, Beleza, Medina e muitos outros, que desde o século XIX encontramos na cidade do Porto, recordam-nos que esta cidade está indiscutivelmente ligada à História da Fotografia em Portugal, todos eles aparecendo na obra «Prontuário de Fotógrafos e Casas Comerciais de Fotografia no Porto (~1840~1980)», editado como e-book pelo CITCEM, mas que em breve estará impresso em edição em papel. Livro indispensável para a história da Fotografia e da sua indústria e comércio, mas também com importantes pistas para os investigadores da iconografia, da antropologia física, dos trajos e costumes, dos monumentos e paisagens, da publicidade e do imaginário portuense e da região envolvente fixados em imagens fotográficas.

Tendo como revisores científicos, entre outros, António Barros Cardoso (UP-Faculdade de Letras); Francisco Ribeiro da Silva (UP-Faculdade de Letras); J. A. Gonçalves Guimarães (Solar Condes de Resende); e Nuno Resende (UP-Faculdade de Letras), acaba de ser publicado o n.º 8 da revista «Douro, Vinho, História, Património, Wine, History and Heritage» 2019, dedicado ao Professor Doutor Alberto Vieira (1956-2019), ex-diretor do Centro de Estudos de História do Atlântico – CEAH e um dos fundadores da Associação Portuguesa da História da Vinha e do Vinho/ GEHVID, além de autor de numerosa bibliografia sobre a História vinícola, sobretudo a da Madeira. Entre os artigos publicados neste número, destaquemos o do diretor da revista, António Barros Cardoso, sobre «Contrabando e contrabandistas de vinho no Douro (1756-1770)», que igualmente assinou o In memoriam e o editorial.



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Eça & Outras, III.ª série, n.º 159, quinta-feira, 25 de novembro de 2021; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.