terça-feira, 25 de agosto de 2026

 

Eça & Outras, III.ª série, n.º 216, terça-feira, 25 de agosto de 2026

Caixa do Correio

Daqui por alguns anos, não muitos, as caixas do correio que temos nas nossas residências tornar-se-ão objetos obsoletos. E todos sabemos porquê. Hoje em dia há muito pouca correspondência composta por carta, um texto escrito numa folha de papel metida num envelope. E na maior parte das vezes trata-se de correio institucional, a conta da água, das telecomunicações, na época própria o aviso para pagar o IMI ou o IRS, uma ou outra multa de estacionamento e mesmo estas missivas em vias de extinção e a serem substituídas pelo correio eletrónico. O que parece não estar em vias de extinção é o correio não endereçado, missivas de vários tamanhos e feitios, de mui diversificados tipos e gramagens de papeis e cartolinas, geralmente impressas, mas também escritas à mão, mais ou menos coloridas e que todos os dias alguém introduz na nossa caixa do correio. Podemos chamar-lhe «publicidade», mas há de tudo o que se possa imaginar. Geralmente nem sequer leio ou recolho este correio não franqueado, e por isso mesmo ele vai-se acumulando no fundo da caixa durante meses ou anos até que um dia resolva limpar essa acumulação e deitá-la no papel velho. Foi o que me aconteceu já não sei quantas vezes na vida desde que nos anos setenta do século passado passei a morar em residência própria. E foi o que me ia acontecendo há dias, quando resolvi esvaziar o fundo da caixa depois de vários anos. Mas um rebate de curiosidade foi mais forte e resolvi separar as mensagens por lotes de conteúdos e objetivos. Não, não vou fazer um estudo sociológico, publicitário ou qualquer outro de igual jaez, primeiro por não ser profissional dessas áreas, segundo porque a minha curiosidade é muito mais imediata e empírica e tem os seus limites. Quem quiser que aproveite a ideia e faça um mestrado com ela. Não sei se o virei a ler, pois não será sobre a minha caixa do correio. E é essa que agora me interessa.

Ora então o que é que diversas pessoas e entidades andaram para lá a meter durante largos meses? Em maior quantidade e diversidade missivas de agentes imobiliários, quase todas com fotografias dos ditos e duas perguntas que não pedi: se sei quanto vale hoje o meu apartamento e se não o quero vender. Não e não. A partir de determinada ocasião apareceram as missivas escritas à mão, fotocopiadas para a desejada multiplicação. Deduzo pela quantidade recebida e mesmo pelo teor da sua prosa que a zona onde moro é muito procurada para «comprar, vender ou investimento». E eu sem o saber. Por agora vou continuar a morar aqui. Mas sempre posso ter necessidade de pequenas obras que impliquem pintura, revestimento, gesso e reboco projetado e outras técnicas de construção civil, várias empresas a quererem resolver-me o problema e, se for necessário, um eletricista, um picheleiro ou um canalizador, fechaduras, portas e janelas, estores e persianas, caldeiras e máquinas de lavar, limpeza de chaminés, demolições (!?), reabilitação completa. Muitos papeis e cartões de empresas várias. Em grande número os que tratam de desentupimentos e esgotos. Alguns querem vender-me «conforto e inovação», logo a mim que, depois do mobiliário minimalista da época do meu primeiro casamento, adquiri uma mobília estilo século XVII que tem mais de cinquenta anos de bom e efetivo serviço e está para durar: o senhor Pereirinha, afamado cadeireiro, que o diga. Resisto também heroicamente ao «sonho para todos» do «viscoelástico anatómico» em colchões, seja lá isso o que for. Também encontro ofertas de outros produtos e serviços: brinquedos em que «a batalha do bem contra o mal nunca termina», escolas de condução; lavandaria e engomadoria; compra e venda de antiguidades e colecionismo; um fotógrafo; derivados de canabis e acessórios; serviços de mudanças e de administração de condomínios.

Mas há mais: empresas que trazem a casa comestíveis de supermercado ou diversas iguarias de «take away», de «rodízio» e «novas pizzas», «exclusivas» (!?), prontas a comer, «com montanhas de queijo» e algumas com «quase um metro», além de «burgers», «francesinhas», «cachorros», «pica paus» e «pregos», todas as alegrias da plastic food. E para que o meu help a este mundo de maravilhas não falhe, diversas empresas a oferecerem-me comunicações através de centenas de canais, com filmes ou séries feitas nos states sobre doidos, assassinos, seres perigosos, além de «dados móveis» ilimitados, «internet ultra-rápida». Tomara eu tempo para alguns deles com jornalismo sério. E, com fotografia com ocultante estrela em certas anatomias, a Malu «acabada de chegar» disponibiliza carícias inesquecíveis e discretas ao domicílio.

Também indicações de salas de estudo «para crianças do futuro» ou que preparam «os alunos para o amanhã», consultores para a «home sweet home», a «sabedoria da tiazinha, cartomancia – tarot», o professor De La Mine «problemas de amor e amarração», com um «dom hereditário» para «trabalho de macumba, discreto rápido e eficaz», enquanto o professor Tony «vidente espiritual poderoso» é especialista em «limpeza espiritual; negócio & sucesso; saúde & bem estar; sorte & proteção; orientação espiritual» e o mestre La Bamba «grande astrólogo vidente africano… grande cientista espiritualista, com super magia negra e branca mais forte. Garantia 100%. Máxima rapidez». Mas também uma entidade religiosa, certamente monárquica, pois quer que eu me vá inteirar num estádio de futebol das excelências do «Reino de Deus» que um dia «governará a Terra» prometendo-me «Felicidade Eterna». Mais prosaicamente a paróquia católica local promove a campanha da sacola «…para um Natal feliz aquém (sic) mais precisa», a junta de freguesia promove um «Natal Solidário» e os «novos locais de voto», várias instituições pedem 0,5% do meu IRS para prossecução dos seus objetivos e alguns partidos políticos promovem o “cabeça de lista” a eleger para a junta ou a câmara para os colocar «na vanguarda» sabe-se lá de quê.

Prevendo, talvez, que tudo isto é demasiado e cansativo, recebo também folhetos sobre viagens e férias «em segurança a preços excecionais» e, no caso de aceitar, a oferta de um relógio/ bracelete, um unguento de baba de lesma e possibilidade de adquirir uma poltrona relaxante que, a ser verdade o que diz no folheto, me fará certamente desistir do «passeio de barco com porco assado» no rio Zêzere.

E lembro-me do que escreveu Eça sobre Antero e os papéis a destruir: «Ele dardejou sobre mim dois olhares devoradores. Depois considerou, ainda enrugado, a pilha acertada dos papéis cortados, e, um sorriso, aquele sorriso de Antero que era como um sol nascente, iluminou, fez toda clara e rósea a sua boa face onde havia um não sei quê de filósofo de Alexandria e de piloto do Báltico: - O ritmo – murmurou – é necessário mesmo no delírio» (Eça de Queirós, Um génio que era um santo). E papéis com este texto também hão de ir parar ao saco do papel a reciclar.

J. A. Gonçalves Guimarães

Historiador

 

                                                Fotografia: faraoecompanhia.blogspot.com

Professor Doutor José Augusto Ramos (1942-2026)

Faleceu no passado dia 28 de julho em Lisboa aos 84 anos o Professor Doutor José Augusto Ramos (1942-2026), emérito da Faculdade de Letras de Lisboa, um dos maiores historiadores da Antiguidade e civilizações do Próximo Oriente. Tendo sido colega e amigo do Prof. Doutor Manuel Luís de Araújo, através dele colaborou com o Gabinete de História e Arqueologia de Vila Nova de Gaia para lecionar em 2002/2003 no curso livre «Introdução ao Estudo de Línguas Antigas», que decorreu no Solar Condes de Resende, duas aulas sobre Hebraico. A direção da associação Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana partilhou a sua consternação pela partida deste notável humanista, grande professor e homem sábio, bom e afável que nos deu a honra de participar naquela nossa realização.


A ASCR-CQ organiza e promove…

Palestra da primeira quinta-feira do mês de setembro

Na próxima quinta-feira do mês, dia 3 de setembro, a partir das 17 horas, a habitual palestra das primeiras quintas feiras do mês terá um formato inusitado: será feita presencial no Largo dos Cavalinhos no Palácio de Cristal no Porto e transmitida via zoom para quem quiser assistir onde quer que se encontre sendo disponibilizado o respetivo link. Em vez das 18,30-19,30, decorrerá entre as 17 e as 17,45 devido à programação local. O tema será Textos publicados n’ O Primeiro de Janeiro entre 2005 e 2008 da autoria de J. A. Gonçalves Guimarães, tendo ainda a intervenção de Nassalete Miranda, diretora do jornal As Artes entre As Letras e Nuno Resende professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.


A ASCR-CQ esteve em…

Doutoramento

No passado dia 28 de julho o presidente da direção esteve presente nas provas de doutoramento de José Manuel Cidade Filipe da Silva, licenciado em Direção Musical e mestre em Ensino da Música pelo Curso Superior do Conservatório de Música de Gaia, além de outras formações do seu notável curriculum, as quais decorreram na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. O tema em apreciação «As bandas de música civis como agentes de educação não formal e informal» mereceu erudito debate por parte dos sete elementos do júri que tiveram palavras de grande apreço para com o exaustivo trabalho do novel doutor que sempre esteve ligado à Banda Musical 1.º de Agosto de Coimbrões e mais recentemente ao Conservatório Regional de Música de Gaia fundado nos anos oitenta pelo Professor Doutor Maestro Mário Mateus.

 

Reunião com vereador do Turismo

No dia 20 de agosto, o presidente da associação e a secretária da direção estiveram reunidos na Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia com o vereador da Economia e Turismo Dr. Fernando Machado, para lhe apresentarem as ações que a ASCR-CQ vem desenvolvendo nesta área, nomeadamente a sensibilização dos seus associados com as mais diversas profissões e cargos públicos e privados residentes em Portugal, Brasil, Roménia e Moçambique, na divulgação dos valores de Vila Nova de Gaia e das valências culturais do Solar Condes de Resende e na receção das delegações presentes nos seus capítulos, nomeadamente a da Academia Alagoana de Letras chefiada pelo presidente Doutor Alberto Rostand Lanverly acompanhado de outras figuras de importância económica, social e cultural do estado alagoano, e também os provenientes de outros países, que assim entram em contato com as potencialidades gaienses e da região metropolitana. Sendo a associação filiada e protocolada com diversas instituições internacionais, como a Federação de Amigos dos Museus de Portugal, a Academia Alagoana de Letras, e outras, participa em ações de divulgação dos valores de Portugal, dos países da CPLP e da Língua que a todos nos une, através do estudo e usufruto dos textos de Eça de Queirós, Rentes de Carvalho e outros escritores e criadores lusófonos.

 

Feira do Livro do Porto


Como habitualmente a ASCR-CQ está no Palácio de Cristal na Feira do Livro do Porto a vender as suas produções impressas, conjuntamente com as da Associação Portuguesa para o estudo da História da Vinha e da Vitivinicultura (APHVIN/ GHEVID) no pavilhão 109. A abertura teve lugar pelas 12 horas do dia 21 de agosto, tendo estado presentes, além do presidente da direção, diretores António Pinto Bernardo. Manuel Guimarães Nogueira e Nuno Resende, tendo posteriormente por lá passado outros dirigentes. Como habitualmente do programa da feira faz parte o lançamento de novas edições e sessões de autógrafos de vários associados e confrades. A feira encerra dia 6 de setembro.

 

Feira de Gastronomia de Vila do Conde

Também no dia 21 de agosto, mas pelas 18 horas, a Confraria Queirosiana esteve presente na abertura da Feira de Gastronomia de Vila do Conde, terra queirosiana, o que vem fazendo de há anos a esta parte. Entre as muitas confrarias e outras instituições presentes, a nossa esteve representada pelo presidente da direção, os dirigentes António Pinto Bernardo e Manuel Guimarães Nogueira e o confrade António Pinto. Depois da habitual deambulação pelos stands com muitas e variadas iguarias da Gastronomia Portuguesa, a Câmara Municipal obsequiou as delegações presentes com um magnífico jantar no restaurante temático da feira.

 

Publicações…



No passado final do mês de junho foi publicado e distribuído o número 102 da revista semestral Patrimónios. Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia que esta associação edita ininterruptamente desde 1976 com artigos dos seus associados, desta feita com um último artigo de uma série sobre a propriedade onde se fixou a instituição católica Opus Dei em Arcozelo; uma memória sobre Maria Felicidade do Couto Browne no duplo centenário de Camilo Castelo Branco; uma segunda parte de um bem documentado estudo sobre o professor e artista plástico, fresquista e vitralista,  António Coelho de Figueiredo, autor do célebre tríptico existente no átrio da Escola Secundária António Sérgio e de muitos outros por aí espalhados. E ainda «A biografia de um magistrado português» de José Pereira da Graça. Além de notícias várias sobre a vida da associação.


Pela mão amiga de Paulo M. J. Afonso, natural de Outeiro, Bragança, professor associado de Astronomia do departamento de Física e Astronomia do American River College, Sacramento, Califórnia, acabamos de receber o vol. 21, n.º 2 do The Journal of San Diego History editado pelo San Diego History Center, dedicado a «Cabrilho and beyond: Portuguese navigators in Alta California and the Pacific». O presidente da ASCR-CQ conheceu-o em 2023 quando a 24 de setembro na Festa das Vindimas, organizada pela Quinta da Boeira com a colaboração da Federação das Confrarias Báquicas Portuguesas, decoreu no Auditório do Hotel Forte de São Francisco em Chaves, o Fórum Cabrilho Navegador Português, onde apresentou o tema «Navegadores Portugueses e suas Biografias: entre a História e a apropriação de mitos». O Prof. Paulo Afonso foi aí o convidado de honra que nos veio inteirar de uma reiterada provocação da comunidade hispânica dos EUA que vinha espalhando a fake new de que o navegador Cabrilho era, não Português, mas sim Espanhol. Embora alguns historiadores profissionais nacionais e estrangeiros já se tivessem debruçado sobre o assunto, havia que o voltar a reequacionar em duas vertentes: a erudita e a da opinião pública. Já antes Paulo Afonso, como académico e como transmontano na diáspora, vinha dando o seu contributo para esclarecer a questão junto da comunidade portuguesa da Califórnia, contatando os descendentes portugueses do navegador e outros académicos hispânicos e estadunidenses sobre o assunto. E continuou com uma investigação pessoal em arquivos franceses para analisar raríssima cartografia antiga da região que atesta a primazia das navegações lusas e a atribuição do nome de Cabrilho a acidentes geográficos da costa.

Nesta revista publica o seu esclarecedor artigo New historical findings about Cabrilho and other Portuguese and Genoese in the maritime discovery of California, 1542-1543, onde conclui que «Este trabalho pode ser também um ponto de partida para novas avenidas na pesquisa histórica» (AFONSO, 2025: 22, tradução).

 


    

No próximo dia 3 de setembro, quinta-feira, pelas 17 horas, na Feira do Livro do Porto, junto ao Lago dos Cavalinhos, quinta-feira, será feito o lançamento do livro Eça & Outras 3. Textos publicados n’ O Primeiro de Janeiro entre 2005 e 2008 de J. A. Gonçalves Guimarães, com capa de Sérgio Veludo Coelho e prefácio de Nassalete Miranda (que estará presente no lançamento), editado pela ASCR-Confraria Queirosiana.

Sendo a terceira coletânea de artigos e crónicas dispersas deste autor, desta vez trata-se das publicadas naquele jornal e no período citado, revistas para a presente edição, nelas deambulando por temas sobre a região do Porto e a China; o Douro e os seus carismas; Eça de Queirós com novidades novas; sabedorias velhas e relhas em poetas quinhentistas; cruzados do Estado Novo; um sermão laico sobre os “cinco” São João venerados entre nós; e outras curiosidades. Como os dois volumes anteriores da mesma coleção editados pela Confraria Queirosiana, o primeiro sobre Crónicas Queirosianas e o segundo sobre J. Rentes de Carvalho 95 anos ativos, trata-se de textos entre a crónica, a recensão e a crítica.

O livro estará à venda no pavilhão 109 da Feira do Livro do Porto pelo preço de 17 €, no lançamento está prevista, além do autor, a presença da prefaciadora Nassalete Miranda, do Prof. Doutor Nuno Resende da FLUP e do Prof. Doutor Sérgio Veludo Coelho da UTP autor da capa.

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 216, terça-feira, 25 agosto de 2026; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana (Instituição de Utilidade Pública), Solar Condes de Resende, Travessa Condes de Resende, 110, 4410-264, Canelas, Vila Nova de Gaia; C.te n.º 506285685; NIB: 001800005536505900154; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www. queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot. com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação do blogue e publicação no jornal As Artes Entre As Letras: J. A. Gonçalves Guimarães; redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: Luís Manuel de Araújo; Paulo Afonso.

sábado, 25 de julho de 2026

 

Eça & Outras, III.ª série, n.º 215, sábado, 25 de julho de 2026


                                    Prof. Doutor Paulo Tallhadas dos Santos; arquivo ASCR-CQ


O biólogo Paulo Talhadas dos Santos

Na rotina quotidiana de ler os e-mails, no passado dia 25 de junho recebi um inesperado do caríssimo amigo Paulo Talhadas dos Santos, professor de Biologia na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, militante da divulgação e defesa da natureza e da biodiversidade e por isso ex-dirigente do FAPAS, mas também, e para honra minha, o coordenador dos biólogos das Semanas de Estudos Especializados que organizei no Museu de Sítio de Ervamoira, Vale do Côa, nas quais esteve entre 1997 e 2002, tendo ainda a sua colaboração na organização da equipa que dirigi no estudo de São Salvador do Mundo, São João da Pesqueira, como assinalei no livro que sobre tal publicamos em 2007. Tal como o programa anterior, ambos foram organizados pelo Gabinete de História e Arqueologia de Vila Nova de Gaia, entretanto integrado na Confraria Queirosiana, da qual Talhadas dos Santos viria a ser em 2003 o associado-fundador número 10. Já então uma insidiosa e inesperada doença neurológica o atacava de forma irreversível, não logrando, porém, vencê-lo no carácter e na mente que continuaram ativas e despertas até há poucos dias atrás quando faleceu a 10 de julho passado. Devido à sua doença os nossos contatos foram-se espaçando na prática dos dias, mas não na consideração e nos meus agradecimentos pela persistente e desinteressada colaboração em vários projetos no Douro e em Gaia. A última vez que estivemos fisicamente juntos foi há anos atrás no Auditório Municipal de Gaia, quando a câmara local lhe atribuiu a medalha de ouro por mérito profissional. Disfarcei a comoção como pude e falamos dos dias de trabalhos passados enquanto a patrimonióloga Maria de Fátima Teixeira, que nos acompanhou ativamente naquelas andanças, se afastou comovida e incapaz de disfarçar a dor e a revolta contra a injustiça da vida que tantas vezes se abate sobre pessoas boas e úteis, como é o caso.

Paulo Talhadas dos Santos nasceu em Nova Lisboa, Angola e veio para Portugal em 1975, tendo-se matriculado no curso de Biologia na faculdade onde se doutorou na especialidade de Ecologia Animal e onde viria a ser professor, lecionando ecologia marinha, biologia da conservação, gestão e conservação dos recursos naturas, biodiversidade e educação ambiental. Foi também investigador em biologia marinha e estuarina do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental, membro do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental, do Colégio do Ambiente da Ordem dos Biólogos e presidente do Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens (FAPAS). Foi ainda comentador de programas de temas ambientais na RTP2 nos anos 90 e colunista no Jornal de Notícias e outros periódicos em tempos mais recentes, para além dos trabalhos científicos que publicou e da edição e promoção de diversos guias da natureza que promoveu.

Àquele e-mail de 25 de junho seguiu-se um outro a 1 de julho que me trouxe três preciosos textos sobre o que foi a sua experiência em Ervamoira, em tempos postados na sua página da Internet «Armazém de Baús»: “Ervamoira”, 01.08.2019; “Espargos silvestres”, 03.07.2021; e “Pergaminhos e outros escritos”, 02.02.2026, que contam com algum pormenor o que foram os trabalhos daquelas semanas e a sua relação com a paisagem, as pessoas e as circunstâncias. Muitos dos trabalhos científicos então produzidos por alguns dos membros da equipa seus ex-alunos estão dispersos por atas de encontros científicos, diversos volumes temáticos e publicações periódicas da época ou mesmo posteriores, tendo chegado a planearmos a edição de um livro sobre as diversas áreas de produção científica dos 20 anos de trabalhos em Ervamoira (1984-2004) que estiveram sob a minha responsabilidade, cabendo-me as áreas de arqueologia, história, antropologia e património; às minhas ex-alunas Felicidade Ferreira a molinologia e a Carla Pinto a cerâmica tradicional; a Paulo Rocha a geologia e a geomorfologia; a Paulo Alves a botânica; a Paulo Talhadas dos Santos a zoologia (mamíferos, aves, répteis e anfíbios); a Grosso-Silva a entomologia e, obviamente, a João Nicolau de Almeida a vitivinicultura e enologia locais. Recordo que na área inicial da Quinta da Ervamoira não existiam quaisquer gravuras e os poucos vestígios pré-históricos que encontramos nas nossas escavações eram muito incipientes, talvez por se tratar de uma das áreas mais amplas e planas de todo o Vale do Côa.

Como atrás deixei expresso tive ainda a sua colaboração em vários outros projetos que, de certo modo, decorreram da experiência daquelas semanas, certamente pioneiras na região e talvez no panorama científico nacional, onde a prática comum era então cada universidade e curso estarem fechados sobre si próprios. A partir do abundante espólio osteológico animal exumado na estação arqueológica de Ervamoira chegamos a perspetivar a possibilidade de criação no seu departamento de um laboratório de Zooarqueologia, mas que não chegou a concretizar. Devido a todas estas colaborações e cumplicidades, em maio de 2000, como responsável pelo mestrado em Ambiente na sua faculdade e sendo eu professor no curso de ciências históricas-ramo Património na Universidade Portucalense, onde lecionava «Estudo e valorização do Património Natural», convidou-me para dar uma aula aos seus alunos sobre «A interação do Património Natural com os outros Patrimónios».

De há muito que observo que vários amigos me visitam ou contactam poucos dias antes de morrerem, às vezes apenas para, sem o saberem, mais um último abraço, outras para um último recado sobre o que está pendente, outras a legarem-me uma última tarefa que já não poderão executar. Procuro ser digno de tamanha confiança e por isso também tomei os textos que Talhadas dos Santos me enviou nos seus últimos dias de vida como uma passagem de testemunho de três pérolas de um legado comum em que, com alguns outros, fomos por várias épocas felizes na busca do conhecimento. Com ele, «na Natureza nunca eu descobriria um contorno feio ou repetido! Nunca duas folhas de hera, que, na verdura ou recorte se assemelhassem» (Eça de Queirós, A Cidade e as Serras). O biólogo Talhadas dos Santos permanecerá entre nós como um trevo de cinco folhas.

J. A. Gonçalves Guimarães

historiador

 

A ASCR-CQ organiza e promove…

02 de julho – prosseguem as habituais palestras das primeiras quintas-feiras do mês no Solar Condes de Resende organizadas pela Confraria Queirosiana, desta feita assinalando os 50 anos da Constituição de 1976, o Prof. Doutor Adrião Cunha fez uma palestra sobre as Constituições Portuguesas.


A ASCR-CQ esteve em…

06 de julho -  J. A. Gonçalves Guimarães, coordenador do Gabinete de História, Arqueologia e Património esteve no Colégio de Nossa Senhora da Bonança, Vila Nova de Gaia, uma  formação de professores em que dissertou sobre «Identidade Gaiense», tema a que se vem dedicando.

 

         J. A. Gonçalves Guimarães, Paula Carvalhal e Manuel de Novaes Cabral; arquivo ASCR-CQ


14 de julho – a convite de Manuel de Novaes Cabral, Cônsul Honorário da França no Porto, escritor e confrade queirosiano de honra, que organizou a comemoração do Dia Nacional da França no Liceu Internacional Francês do Porto, o presidente da Confraria Queirosiana, J.A. Gonçalves Guimarães, aí conviveu com diversos confrades e outros convidados também presentes, entre eles a Eng. Paula Carvalhal, da Fundação Eça de Queirós e o Senhor Madath A.  Jamal, Cônsul Honorário da Tunísia e da Associação do Corpo Consular do Porto para colaboração futura.

15 de julho – pela primeira vez desde 1975 que o presidente da direção da ASCR-Confraria Queirosiana se encontrou num restaurante em Caxarias, Ourém, com os seus antigos camaradas de armas da Companhia de Artilharia que esteve aquartelada em Chipera. Moçambique, nos finais da Última Guerra Colonial Portuguesa, o que já relembrou no artigo «Documentos pessoais em volta do 25 de Abril de 1974, com um abraço a Salgueiro Maia» publicado na Revista de Portugal, nº 21 de 2024, que na ocasião distribuiu pelos presentes. Entre vários deles foi abordada a situação associativa dos antigos combatentes, a publicação das suas memórias e a sua relação com os países onde prestaram serviço, neste caso, Moçambique. Novo encontro ficou marcado para setembro.

 

        J. A. Gonçalves Guimarães, o realizador Francisco Manso e Maria de Fátima Teixeira; 
            arquivo ASCR-CQ


21 de julho – a convite de Francisco Manso Filmes & Audiovisuais, realizador, produtor e  nosso confrade honorário, a Confraria Queirosiana esteve presente no Cinemax em Penafiel, na antestreia da sua mais recente realização, o telefilme "Correr o Fado", baseado no conto homónimo da autoria do nosso confrade de honra e escritor Dr. Alberto S Santos, atual Secretário de Estado da Cultura, que esteve presente, bem assim como o Dr. José Fragoso, diretor de programas da RTP1, que exibirá esta sua coprodução no próximo dia 27 de julho, segunda feira, no horário da noite. Presentes também muitos dos atores, técnicos e outros patrocinadores desta belíssima adaptação cinematográfica de um tema de profundas raízes portuguesas.

 

                                    Professores Nuno Resende e Mário Barroca; arquivo ASCR-CQ

23 de julho - a ASCR-CQ esteve presente na abertura da exposição «Portugal Triste/ Sad Portugal» composta por «fotografias amadoras e vernaculares da Coleção Nuno Resende: uma revisitação da imagem de Portugal (1850-1980), de que foi curador este professor da FLUP e nosso confrade, a qual estará patente ao público até 9 de outubro na Casa dos Livros (Palacete Burmester) da Universidade do Porto, ao Campo Alegre.

 

24 de julho, pelas 18 horas, na Livraria Sá da Costa, ao Chiado, em Lisboa, o Prof. Doutor Luís Manuel de Araújo, egiptólogo e vice-presidente da ASCR-CQ, fez uma palestra sobre o novo e espetacular Grande Museu Egípcio, em Guiza, no Cairo, recentemente visitado nas suas últimas viagens de estudo ao roteiro queirosiano da Egito.


Distinções


                                            Professor Doutor Guilherme d’ Oliveira Martins

A 20 de julho passado, no Palácio de Belém em Lisboa, o Presidente da República António José Seguro, conferiu posse como Chanceler das Ordens Honoríficas Portuguesas ao Professor Doutor Guilherme d’ Oliveira Martins, docente da Universidade Lusíada, Lisboa e nosso confrade honorário, em conjunto com mais duas outras personalidades.

 

Publicações…


No passado dia 27 de junho, a memória da poetisa Florbela Espanca (1894-1930) ficou para sempre eternizada no Forte de São João da Foz no Porto, fortaleza onde ela viveu durante um dos seus efémeros casamentos. através do lançamento do livro Um amor de Flor Bela: Florbela Espanca e Luiz Maria Cabral, da autoria do nosso confrade de honra Manuel de Novaes Cabral, ali apresentado pelo confrade Joaquim Pinto da Silva, em representação de “O Progresso da Foz”, e pela confrade Professora Doutora Isabel Pires de Lima. Se há livros que não se medem pela sua dimensão mas pelo interesse do seu conteúdo, este é um deles, tendo sabido o autor contornar muito bem o que interessa sobre a biografia e a obra do poetisa do amor em chama viva e o inultrapassável gosto de estar a coletar memórias escritas, documentais, orais e fotográficas sobre um seu familiar, em todo o caso um homem singular, pois foi médico, profissão que nunca exerceu, músico e compositor de mérito, que viveu de rendimentos e deixou duas filhas de uma discreta vizinha, vivendo uma serena vida dupla até que a morte o surpreendeu, deixando rastos em alguns sonetos da flor bela de uja vida foi um meteoro.

Apos o lançamento do livro, e por iniciativa organizada pelo Instituto da Defesa Nacional (IDN) e pela associação “O Progresso da Foz”, integrada nas comemorações dos 50 anos daquele instituto, foi colocada numa das paredes uma lápide comemorativa de homenagem á poetisa alentejana ali em tempos residente.

 



O livro "Juntos e Justos: Construindo a Educação Inclusiva" de David Rodrigues, depois de ter sido editado no Brasil pela editora "Diálogos" foi editado em Portugal pela editora da Pró-Inclusão e lançado no 9º Congresso Internacional da Pró-Inclusão que realizou nos dias 23, 24 e 25 de julho na Universidade Lusófona de Lisboa e onde o autor foi um dos oradores convidados.

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 215, sábado, 25 julho de 2026; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana (Instituição de Utilidade Pública), Solar Condes de Resende, Travessa Condes de Resende, 110, 4410-264, Canelas, Vila Nova de Gaia; C.te n.º 506285685; NIB: 001800005536505900154; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www. queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot. com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação do blogue e publicação no jornal As Artes Entre As Letras: J. A. Gonçalves Guimarães; redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: Joaquim Pinto da Silva, Luís Manuel de Araújo.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

 

Eça & Outras, III.ª série, n.º 214, quinta-feira, 25 de junho de 2026

 

Vinho do Porto comércio e cultura

Desde 2014 que a Quinta da Boeira, Arte e Cultura, de Vila Nova de Gaia, dirigida por Albino Jorge, na melhor tradição comercial portuguesa tem organizado várias missões a diversos destinos europeus para divulgar as excelências do Vinho do Porto, produto esse que desde o século XVII e ainda hoje é o mais identitário do nosso País, acompanhado de outros elementos que lembram ou falam da história das gentes e do território que o produz e da sua expansão por todo o mundo. Para tal estas delegações fazem-se acompanhar de uma coleção de modelos de embarcações portuguesas e estrangeiras recreadas pelo antigo pescador e marinheiro Albino Costa, natural da freguesia da Afurada, homem fascinado pela beleza das embarcações do passado que interpreta à sua maneira, entre o rigor das ilustrações que consulta e a sua experiência marítima. Mas estas delegações são também compostas por membros do Clube Boeira e da Confraria do Vinho do Porto, de várias outras confrarias enófilas filiadas na Federação das Confraria Báquicas de Portugal, como a do Vinho de Carcavelos, e outras que representam produtos de excelência portugueses. E também a participação da Confraria Queirosiana, cujo Gabinete de História, Arqueologia e Património elaborou a publicação Modelos de embarcações históricas portuguesas do século XVI ao XIX, com traduções em espanhol, francês e inglês, que acompanham a coleção e faz a sua contextualização através de uma conferência em inglês para os estrangeiros presentes em cada digressão. Com a colaboração do AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), da Federação das Confrarias Báquicas de Portugal, das embaixadas de Portugal, de organizações locais de emigrantes portugueses e de empresas que vendem localmente produtos nacionais, estes eventos relacionam a divulgação e comercialização de Vinho do Porto com a História e a posição de Portugal e dos Portugueses no mundo de hoje e em cada país visitado, sempre acompanhadas pelo jornal O Gaiense e por outros órgão de comunicação social escrita ou visual que igualmente as difundem.

A primeira destas missões decorreu em Madrid a 20 de junho de 2014, tendo a comitiva ficado alojada e as principais ações decorrido no Westin Palace Hotel, havendo ainda tempo para visitar o Museu Naval de Espanha, estranhamente localizado nesta capital longe do mar, bem assim como o clube de modelismo naval da companhia de seguros MAPFRE, com secção museológica de modelos clássicos e uma excelente escola de aprendizagem nesta arte, situada muito perto daquele hotel e do Museu.

A segunda ação decorreu em Copenhaga a 3 de maio de 2015, tendo como palco o magnificente Palácio da Bolsa, com a exposição de produtos, uma nova apresentação da conferência sobre as embarcações e a Expansão Portuguesa, e uma cuidada prova de vinhos do Porto Boeira seguida de um jantar na residência do embaixador de Portugal para a missão portuguesa e convidados dinamarqueses. Graças à presença na cidade do meu amigo de infância Eng.º Júlio Castro tive a oportunidade de visitar o Viking Ship Museum de Roskilde e os seus barcos salvos pela arqueologia subaquática internacional, mas no qual também a ação dos marinheiros portugueses está devidamente referenciada. Com muitos visitantes e réplicas à escala para os alunos das escolas brincarem aprendendo, apresenta também uma enorme divulgação das atuais regatas anuais, mesmo as de longa distância em volta das Ilhas Britânicas ou as que decorreram até à Gronelândia e EUA. Entre a museologia e a pedagogia encontramos uma professora das Belas Artes que fazia serviço voluntário na escultura de cabeças de dragões para adornarem as réplicas dos atuais barcos em construção. De tudo o que vi e observei trouxe a enorme frustração de não termos em Gaia ou Porto nada que se assemelhe para os barcos rabelos e as navegações durienses ou atlânticas a partir da barra do Douro. Tempo ainda para visitar o Museu Nacional da Dinamarca que tinha no hall de entrada um enorme shopping de artigos culturais, desde livros a t-shirts.

A terceira missão decorreu a 2 de março de 2018 em Manchester, centrada no Midland Hotel com um programa semelhante aos anteriores, mas naturalmente adaptado às condições locais. Como habitualmente aproveitei os tempos livres para visitor a notável biblioteca e a sua divulgação da indústria têxtil, visitando anda o Museu da Universidade para me inteirar da sorte que teve uma coleção oitocentista privada temáticamente semelhante à gaiense coleção Marciano Azuaga, que lhe foi doada e ali valorizada. As visitas ao estrangeiro servem para aprendermos, mas também para trazer para casa muita frustração e vontade de interrogar a bacoquice local.

Interrompidas pela pandemia do Covid, estas missões foram recentemente retomadas com uma a Berna coincidente com as comemorações do Dia 10 de junho de 2026 na embaixada de Porugal. Tendo as principais açóes  decorrido no hotel Bellevue Palace, as refeições foram tomadas em restaurantes geridos por portugueses e visitado um supermercado que só vendia produtos de Portugal e se preparava para fornecer uma portuguesíssima noite de São João com música, sardinhas e cabrito como se fora em qualquer terra do Entre-Douro-e-Minho. Aproveitei para visitor o Museu de História de Berna. Começando por cumprimentar a estátua do jovem Albert Einstein, curiosamente muito semelhante na postura à de Eça de Queirós no Solar Condes de Resende e de lhe pedir uns conselhos sobre como considerer a cência como cultura, tema do nosso próximo curso, mas pelos vistos ali praticada va para mutos anos naquele magnífico edifício.

Vindo destas missões, regressado a casa, em todas elas «senti logo não sei que torpe enternecimento que me amolecia o coração. Era a bonacheirice, a relassa fraqueza que nos enlaça a todos nós Portugueses, nos enche de culpada indulgência uns para com os outros, e irremediavelmente estraga entre nós toda a disciplina e toda a ordem» (Eça de Queirós, A Correspondência de Fradique Mendes). Mas vale a pena teimar em esconjurar esta fatalidade.

J. A. Gonçalves Guimarães

Historiador

 

A ASCR-CQ organiza e promove…

28 de maio - uma delegação da direção da Confraria Queirosiana formada por J. A. Gonçalves Guimarães, Maria de Fátima Teixeira e Paula Carvalhal deslocaram-se ao hospital de Bragança para cumprimentar e inteirarem-se do estado de saúde do confrade honorário José Rentes de Carvalho ali internado, que dias antes completara 96 anos, tendo dialogado com o mesmo e com sua filha Isabel ali presente. Entretanto o escritor regressou à sua habitual residência em Amsterdam prometendo voltar em breve no próximo verão.

 

Em breve…

50 anos da Constituição Portuguesa de 1976

02 de julho - no passado dia 04 de junho não houve a habitual palestra das primeiras quintas-feiras do mês no Solar Condes de Resende pelo facto de ter sido feriado. Porém, no próximo dia 02 de julho, primeira quinta-feira, assinalando os 50 anos da Constituição de 1976, pelas 18,30, presencial e por videoconferência, o Prof. Doutor Adrião Cunha fará uma palestra sobre as Constituições Portuguesas.

 

A ASCR-CQ esteve em…

Dia do Autor Português

22 de maio – nesta data abriu ao publico no Posto de Turismo da Beira Rio, Vila Nova de Gaia, uma exposição sobre o maior escritor português vivo, J. Rentes de Carvalho, 96 anos, nascido ali perto no Monte dos Judeus, mas residente em Amsterdam, onde vive há mas de meio século. A mostra, organizada por este serviço da autarquia gaiense, constou de fotografias e outro espólio do acervo do escritor doado à Confraria Queirosiana e cedido para o efeito.

Palestras do Solar Condes de Resende

06 de junho – vários dirigentes e associados da ASCR-CQ têm participado no ciclo de palestras denominado «Património de A_Z» que teve início desde esta data, um conjunto de seis palestras sobre aspetos relacionados com a Coleção Marciano Azuaga em exibição nas salas do Solar. Na primeira foi palestrante o Doutor Luís Ceriaco do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto e na segunda, a 20 de junho, a Prof. Doutora Elizabete Silva do Instituto de História Contemporânea da Universidade de Évora, prosseguindo as sessões em setembro próximo.

 

O presidente da Confraria Queirosana a fazer a sua comunicação


No Dia de Portugal em Berna

10 de junho - A associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, representada por J. A. Gonçalves Guimarães integrou uma missão comercial e cultural organizada pela Quinta da Boeira, Arte e Cultura, Vila Nova de Gaia, com a colaboração da Embaixada de Portugal em Berna, do AICEP e de outras entidades que no passado dia 10 de junho, foi à capital da Suíça celebrar com os portugueses aí radicados e os representantes do Governo Português e de outros países, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Na sessão organizada no hotel Bellevue Palace, para além das comunicações do Dr. Júlio Vilela, embaixador de Portugal na Suíça e no Liechtenstein a assinalar a data e o seu significado; de Albino Jorge em nome da Boeira sobre a sua ação na promoção internacional do Vinho do Porto; da enóloga Helena Teixeira também da Boeira que apresentou as especificidades deste produto; J. A. Gonçalves Guimarães apresentou a comunicação «Models of Portuguese historic ships of the sixteeenth - nineteenth Centuries» sobre os exemplares ali em exposição e na ocasião lembrou o texto de Eça de Queirós de 1878 «Emigração como Força Civilizadora»; o maior escritor Português vivo como emigrante de sucesso nos Países Baixos, José Rentes de Carvalho, nascido em Vila Nova de Gaia a 15 de maio de 1930; e Guerra Junqueiro (1850- 1923), um dos "Vencidos da Vida" precisamente embaixador em Berna entre 1911 e 1914. Seguiu-se a entronização de várias personalidades como confrades de honra da Federação das Confrarias Báquicas de Portugal, a que estiveram presentes representantes da Confraria do Vinho do Porto e da Confraria do Vinho de Carcavelos, seguindo-se uma prova de vinhos Boeira que totalizavam 230 anos de envelhecimento nos vários lotes engarrafados ali apresentados.

Para além de ter participado no programa previsto, o representante da Confraria Queirosiana teve ainda oportunidade de visitar o Museu de História de Berna que tem à entrada uma estátua de Albert Einstein numa posição muito semelhante à da estátua de Eça de Queirós de Hélder de Carvalho existente no Solar Condes de Resende, de se inteirar das atividades do museu no âmbito da História, da Arqueologia e da Ciência e de contatar com elementos da Comunidade Portuguesa integrados na comunidade helvética.

 

13 de junho – vários dirigentes e associados da ASCR-CQ estiveram presentes nas Jornadas Europeias de Arqueologia através do Colóquio «A Pré-história Recente em Gaia» que neste dia decorreu no Solar Condes de Resende organizado por esta estrutura cultural autárquica. Do programa constaram divulgação de resultados das intervenções de salvamento na Quinta do Cisne e na antiga Seca do Bacalhau, tendo estado presentes arqueólogos municipais, de várias faculdades e de várias empresas de arqueologia.

 

A ASCR-CQ na comunicação social…

 

13 de junho – o semanário O Gaiense publicou uma extensa reportagem (3 páginas) da autoria de Anabela Carvalho (texto) e Luciana Natália (imagem), intitulada «Valorização do trabalho e dos portugueses na Suíça» que descreve e ilustra a participação da comitiva da Quinta da Boeira no passado dia  10 de junho em Berna, dando destaque è participação do presidente da Confraria Queirosiana.

 

Associados…

 

30 de maio – o Grupo de Amigos do Museu Nacional do Traje (GAMNT), filiado na Federação dos Amigos dos Museus de Portugal (FAMP), organizou uma visita literária pela baixa de Lisboa na senda de Os Maias de Eça de Queirós, mostrando alguns trajes e adereços da época, desde os  Restauradores ao Cais do Sodré, mostrando espaços relevantes referidos no romance.

 



Exposição retrospetiva e distinção

10 de junho - A Biblioteca Municipal de Vila Nova de Gaia acolheu a exposição retrospetiva de pintura sobre Os Lusíadas da autoria do médico, professor jubilado da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, também pintor amador, poeta e confrade queirosiano residente em Vila Nova de Gaia, durante cuja abertura o presidente da edilidade Dr. Luís Filipe Menezes agraciou o expositor com a Medalha de Mérito Serviço Publico (grau ouro).


Rotários


Vários confrades queirosianos, que são também membros de clubes rotários, têm estado particularmente ativos nos últimos tempos. Assim, no dia 15 de junho, no salão nobre dos Paços do Concelho de Vila Nova de Gaia, a Dr.ª Ana Casas recebeu a carta constitucional do primeiro clube Rotary Corporativo Pharma Internacional D1970, de que é fundadora, o primeiro existente unicamente composto por membros de uma só empresa.
No próximo dia 30 de junho no restaurante El Corte Inglês, Vila Nova de Gaia, pelas 20 horas, terá lugar a cerimónia de transmissão de mandatos do novo presidente do Rotary Club Gaia Sul para 2026-27, Eng.º Manuel Névoa.

 


                                                                                                            Doutor Paulo Jorge Cardoso de Sousa Costa

Doutoramento

19 de junho – na Faculdade de Letras da Universidade do Porto apresentou provas de doutoramento conducente ao grau de doutor em História mestre Paulo Jorge Cardoso de Sousa Costa investigador do Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-CQ, tendo como tema «Os Forais Medievais Portugueses (1096-1325). Um instrumento de poder». Foi presidente do júri o Professor Doutor Mário Jorge Lopes Neto Barroca, da FLUP, e como vogais, o Professor Doutor Saúl António Gomes Coelho da Silva, da FL da Universidade de Coimbra; Prof. Doutor Mário Sérgio Silva Farelo, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho; Professora Doutora Paula Maria de Carvalho Pinto Costa, da FLUP; e Prof.ª Doutora Maria Cristina de Almeida e Cunha Alegre, da FLUP.

 

Medalhas de Mérito

No passado dia 20 de junho, Dia do Município de Vila Nova de Gaia, a autarquia distinguiu vários cidadãos com a Medalha de Mérito Municipal, nomeadamente o biólogo e confrade queirosiano Doutor Nuno Oliveira, fundador do Parque Biológico de Gaia com a Medalha de Mérito de Serviço Público (grau ouro); no dia 10 de junho foi agraciado o Professor Doutor Levi Guerra como acima se noticiou.

 

Passamentos

 

                                                                    Professor Fernando Lemos


24 de maio - faleceu o nosso confrade honorário Fernando Afonso Andrade Lemos, que foi professor de Português e Latim na Escola Secundária Eça de Queirós,  Olivais, Lisboa, devido ao facto de a escola fazer vizinhança direta com o local onde se situou a "Toca" de Os Maias.

21 de junho – uma delegação da Confraria Queirosiana esteve presente na capela mortuária paroquial de Santa Maria de Lamas, Santa Maria da Feira, nas homenagens fúnebres a D. Sónia Sílvia ex-presidente da mesa da assembleia geral da Associação Desportiva e Cultural Santa Isabel e esposa que foi do nossos confrade honorário Senhor Arménio Costa, ex-presidente da Junta de Freguesia de Canelas, Vila Nova de Gaia.

 

Publicações…

 


As Artes entre As Letras

27 de naio – posto à venda o n.º 411 deste semanário cultural publicado no Porto dedicado ao seu 17.º aniversário, com capa de Hélder Bandarra e sob o tema «A Memória como casa». Para além do editorial da diretora Dr.ª Nassalete Miranda este número contou com a colaboração, entre outros, dos confrades queirosianos Guilherme de Oliveira Martins, Beatriz Pacheco Pereira e J. A. Gonçalves Guimarães. Numa das páginas o cartaz da exposição «Os Lusíadas na figuração de Levi Guerra» que abriu no dia 10 de junho na Biblioteca Municipal de Vila Nova de Gaia.




Crónicas em primeira mão

O Prof. Doutor Joaquim Armindo Pinto de Almeida, autor de uma diversificada bibliografia e com colaboração dispersa por vários jornais, publicou recentemente Uma estória (ou história) de pasmar – crónicas publicadas no jornal “Primeira Mão” (2003-2017), sobre acontecimentos os análises da vida quotidiana no Município da Maia, onde tem sido interventor como cidadão e autarca. Do ambiente ao urbanismo, da cultura às desigualdades sociais, da saúde à economia ao serviço das pessoas, um extenso conjunto de reflexões de mais de uma década, agora reunidas em livro




Leiria total

13 de junho – não será mais possível conhecer Leiria e a sua região, dos pontos de vista físico, histórico, patrimonial, humano, mental e simbólico sem consultar as vaiadas obras do Eng.º Ricardo Charters d’ Azevedo, que neste dia, Dia da Freguesia de Leiria, lançou pelas 15.30 horas na Sala Mário Ferreira Matias, da Casa do Terreiro, o seu livro Leiria de fio a pavio, produzido pela editora leiriense Hora de ler. (pedidos para horadelercf@gmail.com).

Desta feita estamos perante um extenso estudo de 808 páginas sobre a história e evolução urbanística de Leiria, que cruza a análise do território com a memória das famílias locais, recorrendo a uma vasta investigação em fontes primárias e em genealogia para reconstruir o passado da memória da cidade desde a Antiguidade, passando pela Idade Média até à Contemporaneidade, destacando figuras ilustres e elites regionais, analisando momentos críticos de transformação, como as batalhas com os árabes, o conflito entre D. Sancho II e D. Afonso III, a guerra civil entre D. Dinis e seu filho D. Afonso IV, as Invasões Francesas, a “Zanga Real”, a modernização do século XIX, a importância do rio Lis na configuração do espaço público e a extinção da diocese, com particular relevo para o papel das elites locais durante os vários ciclos governativos nos dois últimos séculos. Foi particularmente considerada a análise de cartografia e da iconografia antigas evidenciando como a cidade se adaptou àquelas crises originadas pelas mudanças políticas, preservando a sua identidade, desiderato que se interroga nos ias de hoje valorizando o atual património edificado e preocupações com a inevitável evolução urbanística passada e futura.

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 214, quinta-feira, 25 junho de 2026; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana (Instituição de Utilidade Pública), Solar Condes de Resende, Travessa Condes de Resende, 110, 4410-264, Canelas, Vila Nova de Gaia; C.te n.º 506285685; NIB: 001800005536505900154; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www. queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot. com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação do blogue e publicação no jornal As Artes Entre As Letras: J. A. Gonçalves Guimarães; redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: Quinta da Boeira, Vila Nova de Gaia; FAMP.