sábado, 25 de abril de 2026

 

 

Eça & Outras, III.ª série, n.º 212, sábado, 25 de abril de 2026

Os videirinhos

Há adjetivos muito curiosos na língua portuguesa, e um deles será videiro, «o que trata cuidadosamente da sua vida ou dos seus interesses; fura-vidas», normalmente até apresentado como videirinho «… o que, para chegar aos seus fins, não olha aos meios nem hesita em cometer baixezas», como podemos encontrar em FIGUEIREDO, Cândido, 1949, Dicionário da Língua Portuguesa de Cândido de Figueiredo, volume II, 14.ª edição. Lisboa: Livraria Bertrand, página 1303. Estes conceitos usámo-los correntemente em situações coloquiais, acompanhado de um piscar de olhos ou um sorriso benevolente a desculpar ou sancionar muito ligeiramente os assim classificados que nos rodeiam com mais ou menos sucesso.

Não é meu propósito dissertar aqui sobre o bem e o mal, dos dias de hoje ou desde os tempos bíblicos, ou chamar à colação uma legião de teólogos, filósofos, moralistas diversos nas doutrinas e nas escolas a que pertencem, todos eles munidos de preconceitos e preceitos salvíficos. Mas também não vou dar qualquer crédito aos inúteis relativistas, os imediatistas que logo vociferam que a vida, o ser humano, a sociedade, o universo, o euromilhões, ou outra banalidade qualquer, são mesmo assim, não têm emenda, seja lá ela qual for, que não há nada a fazer, que cada um safe-se como puder. A tarefa seria demasiado árdua e enfadonha, com descrições desmesuradas, exemplos intermináveis, e alguém diria: «deixa lá isso, oh Guimarães!». Outros, quiçá mais prudentes e avisados, «olha que já te lixaste e ainda te lixas mais!». Tudo videiros; videirinhos, epítetos que julgo não ter nem merecer, pois não me agradam nem os almejo. Quem os tiver que lhe façam bom proveito, pois a inveja também não faz parte do meu ideário, associando-lhe, empiricamente já se vê, uma cor de pele esverdeada e problemas de vesícula.

Mas há uma área onde estas questões se me põem com alguma acuidade desde que na faculdade me comecei a interrogar à procura das normas do meu exercício profissional como historiador e “ofícios correlativos” (arqueólogo, historiador da Arte, patrimoniólogo…), alguns dos quais foram entretanto valorizados academicamente com licenciaturas ou pós-graduações próprias e outros graus, mas muito pouco, ou nada, nas suas definições éticas e na sua prática quotidiana, onde está muito mais presente a constatação comezinha de que «bem prega frei tomás, olha para o que ele diz, mas não para o que ele faz…».

Repito, para que conste, quando frequentei a Faculdade de Letras da Universidade do Porto estas questões eram, pura e simplesmente, ou ignoradas ou escamoteadas. Por parte dos professores, alguns de efetivo mérito que o passar do tempo registou e dourou, outros nem por isso (videiros, videirinhos…), não havia qualquer alusão ao exercício profissional e como fazê-lo, quais as suas normas e como as aprender, debater e por em prática. O ensino era apenas erudito (ou nem isso…), apologista do “empinanço”, do salamaleque, da reverência institucional, da inevitabilidade das “cunhas” e do “salve-se quem puder”, quando muito em direção ao “contingente geral” no ensino público e privado, onde impera o administrativismo exacerbado ou mesmo as “seleções silenciosas”, que pouco ou nada têm a ver com a qualidade profissional do professor. E quem disser o contrário, ou já usou para si próprio o detergente mental das conveniências, ou anda aí feito caixeiro-viajante de prêts-a-porter ideológicos.

Tudo isto a propósito de que anda meio mundo muito preocupado com a dita “inteligência artificial” (e quem não anda finge andar para estar à la page) contando-se horrores da manipulação informática (sempre humana, não se esqueçam…) de textos, imagens, sons ou com a sua apresentação ou utilização. O “fim-do-mundo”, o apocalipse manipulado desde tempos antigos para meter medo a crianças grandes que aparece em cena de tempos a tempos. Que há doidos à solta e bezerros de ouro, agora informáticos, todos o sabemos, aclamados pelo povo, que muitos dos que estudaram História a correr ou não refletiram sobre o que leram, julgaram e têm como a reserva última da sinceridade e da moralidade. Ilusão que nos tem saído cara  a todos.

Mas as gravuras de Foz Côa são manuais de biologia? São reportagens jornalísticas? São verdades de uma época e de uns humanos ali presentes? Não, não são e tal deveria ser óbvio, e por isso carecem de ser estudadas e interpretadas pelos profissionais. Os antigos textos históricos são relatórios científicos? Foram escritos por gente conhecedora das leis da Física e isenta de mistificações e de preconceitos errados? Não, não são, e por isso precisam de ser enquadrados e escalpelizados à luz dos conhecimentos atuais, já sabemos que sempre precários, mas os que valem nos dias de hoje. E o fundamento dos caminhos de Santiago, de milagres e prodígios vários, da mitologia de algumas instituições, da origem de algumas convicções, costumes e tradições, não carecem da mesma metodologia de análise? Ou só pelo facto de existirem já tal chega para as institucionalizar, mandar pintar, estatuar, vitralizar ou designizar e vender em coloridos volumes impressos, projeções multimédia, souvenirs e recuerdos, «que o turismo é outra coisa» e «o povo gosta de fantasias». Ou seja de “inteligência artificial”, agora computacional, mas desde longa data à frente dos nossos olhos através das pinturas de Giotto, de milhentos textos literários, do teatro de Gil Vicente, do cinema de Manoel de Oliveira e de tutti quanti, a pedirem, ao menos, uma elementar analisesinha e algum bom senso interpretativo.

Os historiadores portugueses não têm ainda uma ordem profissional, mas quando a tiverem, como lidarão com os seus colegas que, deliberadamente, apregoam ou embandeiram fake news do passado sem qualquer sentido crítico, colaboram com programas de inteligência artificial para “preencher” consciências, sancionam com os seus textos ou presença mistificações cronológicas e antiguidades inventadas? E o que farão aos profissionais de outras áreas (ou aos sem profissão nenhuma….!) que ousam invadir a sua esfera de competências com despudorada desresponsabilização igualmente as dando como sólidas verdades? E que dizer dos colégios que fabricam classificações, das faculdades que têm licenciaturas por créditos horários, do despudorado anúncio de empresas que elaboram dissertações de mestrado e teses de doutoramento para vários cursos desde que se pague? Enfim, videiros, videirinhos, quem vende e quem compra.

Escreveu Eça de Queirós, há mais de século e meio: «… entre nós, a mentira é um hábito público. Mente o homem, a política, a ciência, o orçamento, a imprensa, os versos, os sermões, a arte, e o País é todo ele uma grande consciência falsa. Vem tudo da educação» (Eça de Queirós, Uma Campanha Alegre). Um País de videiros, de videirinhos, de videiras, de videirinhas. E de uvas.

J. A. Gonçalves Guimarães

historiador


Eça & Outras

J. Rentes de Carvalho nas Seleções

 


«Oficialmente, entrei hoje na velhice». Foi esta a nota que escreveu José Rentes de Carvalho na última entrada do seu diário, precisamente no dia em que completou 65 anos, em 1995. Agora, que já ultrapassa a barreira dos noventa e seis, o autor de “Ernestina”, “A Amante Holandesa”, “O Meças” ou “Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia” continua a olhar Portugal como o único território transportado pela sua obra, como quem analisa tudo o que guarda de recordações ou anota de vivências soltas.

Traça, na sua escrita, um retrato sentimental onde vivem quase todas as personagens que habitam os seus livros — retratos que projetam os nossos sonhos e pesadelos, inquietações e sobressaltos que ele confessa assim: «Se não escrever, não tenho lugar para pôr a minha raiva. Não para pôr o meu amor, isso é fácil. Pôr a raiva naquilo que se escreve, isso é que é difícil.»

José Rentes de Carvalho nasceu a 15 de maio de 1930, em Vila Nova de Gaia. Cresceu a ver o Porto do outro lado do rio. Neto de um avô sapateiro e de outro avô guarda-fiscal na Alfândega do Porto, ele é uma alma transmontana que veio desaguar, ao fim desse rio vital - o Douro - onde se encontra com o mar de onde depois partiu para o mundo.

 (Excerto da entrevista do confrade Mário Augusto, jornalista de televisão, publicada neste número das Seleções).

Entretanto o escritor confidenciou-nos que estará em Portugal no próximo mês de maio, estando a ser-lhe preparada uma homenagem publica em Estevais de Mogadouro.

 

Professora Cristina Petrescu entre nós

 

Como noticiamos na página de 25 de março, esteve em Portugal entre os dias 23 e 27 de março a nossa confrade Prof. Doutora Cristina Petrescu da Universidade Babes-Bolyai de Cluj-Napoca, Roménia, estudiosa e divulgadora das literaturas e culturas Portuguesa e Brasileira, além do Jazz universal. Naquele último dia a associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, de que é confrade de honra, promoveu-lhe no restaurante A Regaleira do Porto um jantar de aniversário e confraternização com vários confrades que assim a quiseram felicitar pelo trabalho que vem desenvolvendo e que veio partilhar com diversas instituições académicas portuguesas. Referiu-nos ainda que está em preparação um evento queirosiano na Roménia em data a divulgar oportunamente.

 

Fundação Eça de Queiroz

 

No passado dia 17 de abril a Eng.ª Paula Carvalhal, ex-vereadora da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, tomou posse como presidente da Fundação Eça de Queiroz (FEQ) para o triénio 2026-2028, sucedendo ao escritor Afonso Reis Cabral. Tinha já presidido ao conselho de curadores entre 2017 e 2025, na qualidade de representante daquela autarquia. Do conselho cultural para o mandato 2026-2028, a que preside aquela nossa confrade de honra, fazem parte os nossos associados com o mesmo grau, Afonso Reis Cabral, Ana Teresa Peixinho, Carlos Reis, Guilherme d’Oliveira Martins e Maria João Pires de Lima, além de Irene Fialho que deverá ser insigniada no mesmo grau no próximo capítulo. A própria Confraria Queirosiana foi nomeada para fazer parte este órgão consultivo.

 

Amigos dos Museus

 

Com a presença de treze grupos de amigos vindos de todo o país decorreu no passado dia 11 de abril no Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha, a

assembleia geral ordinária para análise discussão e aprovação do relatório anual e contas referentes a 2025, os quais foram aprovados por unanimidade, tendo igualmente sido aprovado o orçamento e plano de atividades para 2026 integrado no atual mandato dos corpos gerentes 2025-2029). Na ocasião foi muito apreciada a intervenção dos Jovens Amigos dos Museus (JAM), cujo projeto de colaboração com os grupos já existentes está a ganhar forma em alguns dos mais prestigiados.

Foram também abordadas questões relacionadas com o prémio "Cultura Sustentável ODS" - Amigos dos Museus/ Fundação Millennium bcp 2026, ganho pela Liga dos Amigos do Douro Património Mundial, recentemente atribuído, e o Prémio Professor Reynaldo dos Santos, bem assim como a representação da FAMP nos encontros e atividades internacionais da WFFM – World Federation of Friends of Museums; a comemoração do Dia Europeu dos Amigos dos Museus; a articulação com o ICOM e a APOM.

Esta ação foi complementada com um intenso programa cultural de visitas a diversos espaços museográficos das Caldas da Rainha.

 

A ASCR-CQ organiza e promove…

 

No passado dia 30 de março decorreu no salão nobre do Solar Condes de Resende, presidida pelo Dr. Carlos Sousa e secretariada pelo Dr. Henrique Guedes, a assembleia geral ordinária da ASCR-CQ para análise e aprovação do relatório e contas, e leitura do parecer do conselho fiscal referente a 2025, tendo sido aprovadas por unanimidade.

 

Lançamento de publicações

 


No passado dia 21 de abril pelas 18 horas, na empresa de Vinho do Porto Quinta da Boeira - Arte e Cultura em Vila Nova de Gaia, decorreu o lançamento do livro Património Cultural de Gaia. Gaia, Século XX, o terceiro volume do projeto Património Cultural de Gaia (PACUG), em concretização pelo Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-CQ, desta feita apresentado por J. A. Gonçalves Guimarães, autor e coordenador geral do projeto, e pelo Professor Doutor José Alberto Rio Fernandes, coordenador deste volume; Vinho Verde. História e Património. History and Heritage, n.º 04, revista editada pela APHVIN/ GHEVID - Associação Portuguesa de História da Vinha e do Vinho, com protocolo de colaboração com a ASCR-CQ e colaboração de três confrades queirosianos, apresentada pelo seu coordenador Prof. Doutor António Barros Cardoso; e Gaya. Estudos de História, Arqueologia e Património, n.º 03, revista daquele gabinete apresentada pelo seu coordenador Prof. Doutor António Manuel S. P. Silva. Para além da apresentação destas obras o espaço onde decorreu o evento proporcionou aos presentes um animado convívio.


Curso sobre Camilo Castelo Branco

 

Com uma aula sobre «J. Rentes de Carvalho, escritor entre Portugal e a Holanda» pelo Doutor Arie Pos, doutorado em Literatura Comparada pela Universidade de Leiden, ex-professor de Literatura e Cultura Neerlandófonas nas universidades de Coimbra, Lisboa e Porto e tradutor e divulgador daquele escritor nos Países Baixos, terminou a parte letiva deste curso no Solar Condes de Resende, o qual terá com uma visita e sessão de encerramento no dia 23 de maio no Centro de Estudos Camilianos em São Miguel de Seide, Famalicão, com a atuação do grupo coral Eça Bem Dito acompanhado pela pianista Maria João Ventura na interpretação de canções do tempo de Camilo, algumas das quais com versos do escritor.


Palestra das primeiras quintas-feiras do mês

 

Prosseguem as habituais palestras no Solar Condes de Resende sobre os mais variados temas culturais. No passado dia 2 de abril foi palestrante o Dr. Sérgio Barros, investigador do Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-CQ sobre o escultor ceramista gaiense Mário Ferreira da Silva, que terá um estudo analítico sobre a sua vida e obra escrito por este investigador publicado no próximo número da revista Gaya. Estudos de História, Arqueologia e Património, n.º 04.

 

A ASCR-CQ esteve em…

 

No dia 28 de março, J. A. Gonçalves Guimarães e Maria de Fátima Teixeira do Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-CQ estiveram reunidos com a direção de uma coletividade de Vila Nova de Gaia para sugerirem motivos para as marchas sanjoaninas deste ano em que o tema a apresentar deve ser baseado nas tradições locais. Como se trata de um concurso entre diversas coletividades e autarquias locais, não vamos ainda aqui revelar a coletividade.

No passado dia 31 de março a direção da ASCR-CQ esteve presente na assembleia geral ordinária da Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia para apresentação e votação do relatório e contas referente ao exercício de 2025

 

Associados…

Conferências e palestras

 

A 16 de abril passado no Auditório do Metro do Alto dos Moinhos em Lisboa, o Prof. Doutor João Emílio Almeida, confrade queirosiano e membro dos atuais corpos gerentes, foi o keynote speaker do painel I de um colóquio sobre o Sistema de Proteção Contra Incêndios em edifícios (SCIE).

No dia 18 de abril na Biblioteca Municipal de Gaia o Doutor Eng.º Salvador Almeida fez uma conferência intitulada «Camilo Castelo Branco e os seus editores - Eduardo Costa Santos, comandante dos bombeiros de Vila Nova de Gaia» integrada nas comemorações do duplo centenário do escritor.

 

No dia 22 de abril na Escola Superior de Educação de Coimbra – Instituto Politécnico de Coimbra (ESEC), o Professor Doutor Carlos Reis, catedrático da Universidade de Coimbra e confrade de honra da Confraria Queirosiana proferiu uma conferência sobre «Figuras Queirosianas: Fradique Mendes e mais gente de papel».

 



No próximo dia 28 de abril, terça-feira, pelas 21,30 horas, na Casa da Cultura de Avintes, o Dr. Silvestre Lacerda, do Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-CQ e ex-diretor do Arquivo Nacional Torre do Tombo vai proferir uma palestra sobre «Constituição de 1976, um fruto do 25 de Abril», numa organização da associação Abientes – Centro de Documentação e Investigação em História Local.

 

Destaques e distinções

Recentemente estiveram em destaque os seguintes associados:

14 de março – Dr. José Luís Carneiro,  confrade de honra da Confraria Queirosiana foi reeleito secretário-geral do Partido Socialista.

21 de março – Dr. Manuel Moreia, confrade de honra da Confraria Queirosiana e membro da atual direção, foi eleito em Lisboa, no congresso ordinário e eletivo da Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto, presidente do congresso e presidente do conselho nacional.

29 de março – Dr. Francisco José Viegas, confrade de honra da Confraria Queirosiana foi nomeado consultor de Cultura do Presidente da República Prof. Dr. António José Seguro.

23 de abril – Dr.ª Ana Casas, confrade da ASCR-CQ e CEO da empresa Mesosystem foi distinguida pelo Rotary Club de Vila Nova de Gaia com o título de Profissional do Ano em homenagem que decorreu no Hotel Holiday Inn Porto Gaia, em Vila Nova de Gaia.

 

Publicações…

 

Do projeto Património Cultural de Gaia (PACUG), em concretização pelo Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-CQ, tendo J. A. Gonçalves Guimarães como autor e coordenador geral e do qual já foram publicados os volumes Património Cultural de Gaia. Património Humano – Personalidades Gaienses (PACUG 1), 2018, coordenador Gonçalo Vasconcelos e Sousa; e Património Cultural de Gaia. Património de Gaia no Mundo (PACUG 2), 2022, coordenado por Francisco Queiroz, foi agora lançado o terceiro volume, Património Cultural de Gaia. Gaia, Século XX (PACUG 3), 2025, o qual teve como coordenador o Professor Doutor José Alberto Rio Fernandes, catedrático de Geografia na FLUP, e como autores Cristina Baeta; Fátima Matos; J. A. Gonçalves Guimarães; Jorge Ricardo Pinto; José Pedro Tenreiro; Pedro Chamusca e Susana Guimarães.

 



Referente também a 2025, foi lançado na mesma sessão o n.º 03 da revista Gaya. Estudos de História, Arqueologia e Património, apresentada pelo seu coordenador Prof. Doutor António Manuel S. P. Silva, que publica textos de Alcina Manuela de Oliveira Martins; Fernando Peixoto (póstumo); Humberto Baquero Moreno (póstumo); J. A. Gonçalves Guimarães e Sérgio Veludo Coelho.

 

Ainda na mesma sessão foi também lançado o n.º 04 da revista Vinho Verde. História e Património. History and Heritage, publicada pela APHVIN/ GEHVID – Associação Portuguesa de História da Vinha e do Vinho, entidade protocolada com a ASCR-CQ, apresentada pelo coordenador Prof. Doutor António Barros Cardoso, tendo como outros autores Dora Simões; Henrique Rodrigues; J. A. Gonçalves Guimarães; José António Oliveira e Maria de Fátima Teixeira.

 

Lançado no passado dia 28 de março no auditório do Ponto C em Penafiel, As Rosas de Barbacena, o mais recente romance do escritor Alberto S. Santos, confrade de honra da Confraria Queirosiana e atual Secretário de Estado da Cultura, segundo a divulgação editorial é «Um romance sobre silêncio, memória e responsabilidade – e sobre o que acontece quando lembrar se torna um ato de justiça». Trata-se de um relato ficcionado sobre uma chocante realidade que conduziu à desumanização da sociedade brasileira no Hospital Colónia de Barbacena, Minas Gerais, Brasil, mas que poderia ser em Portugal ou noutro pais onde as instituições que deveriam servir para tratar as doenças do foro psiquiátrico são usadas para camuflar situações que a “normalidade” tem como incómodas, mas quantas vezes convenientes, para um certo status quo. Com a insólita e não menos chocante situação de que a cidade onde este impressionante relato se desenrola ser conhecida pela sua atividade de produção de belíssimas e perfumadas rosas exportadas para todo o lado. Uma jovem internada grávida “desaparece” num conveniente anonimato que desta vez se salvou da vala comum real e da memória graças também à investigação que levou à elaboração deste romance.

A este lançamento o autor e a editora trouxeram descendentes da jovem Teresinha que permanecem como recordações vivas desta sua avó, tendo ainda sido apresentado um pequeno trecho da teatralização desta estória comovente e alarmante.

A Confraria Queirosiana esteve representada no lançamento desta obra por J. A. Gonçalves Guimarães e Maria de Fátima Teixeira.


  

No próximo dia 28 de abril, no auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett no Palácio de Cristal no Porto, pelas 17,45, será feito o lançamento do livro Salamaleques - 29 estórias de protocolo, da autoria do confrade de honra da Confraria Queirosiana e cônsul honorário de França na cidade do Porto, Dr. Manuel de Novaes Cabral.

Com desenhos de Alberto Péssimo, «lendo este título, perguntará o leitor o que faz aqui, neste livro, uma referência de inspiração muçulmana: Salaam Aleikum, ou a paz esteja convosco (na grafia e na tradução mais comuns). É consabida a longa permanência árabe e muçulmana na Península Ibérica, da qual herdamos muito conhecimento, muitos hábitos e também relevantes elementos linguísticos. Salaam Aleikum corresponde a um cumprimento cerimonioso na língua árabe, em particular para os muçulmanos...» (da divulgação da obra pela Afrontamento, Editora).

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 212, sábado, 25 abril de 2026; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana (Instituição de Utilidade Pública), Solar Condes de Resende, Travessa Condes de Resende, 110, 4410-264, Canelas, Vila Nova de Gaia; C.te n.º 506285685; NIB: 001800005536505900154; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www. queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot. com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação do blogue e publicação no jornal As Artes Entre As Letras: J. A. Gonçalves Guimarães; redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: Carlos Sousa





quarta-feira, 25 de março de 2026

 

 

Eça & Outras, III.ª série, n.º 211, quarta-feira, 25 de março de 2026

A Ciência como Cultura

Embora Portugal tenha bons humoristas e a ironia faça parte da nossa matriz cultural, quando queremos embandeirar em arco na festa do sentimento aproveitamos a morte de algum escritor para uivar à lua, como foi o caso com o recente falecimento de Lobo Antunes, sim senhor cultivador de escritas de hospício psiquiátrico que trocou pela profissão de os tentar curar, ou pelo menos de lhes minorar o sofrimento. Ou de Mário Zambujal, pelo contrário jornalista de vários quotidianos e alentejano brincalhão com as precariedades da vida. Mas raramente nos contristamos quando morre um cientista, se é que dele sabemos ao menos o nome: sabem quem foi Adriano de Paiva? E Ferreira da Silva? E Manuel Valadares? Gostaria apenas de lembrar que é muitas vezes preciso ver para além do óbvio, pois a preguiça mental, social e institucional leva-nos a aceitar coisas erradas como inevitáveis, certas ou santas. Se não nos interrogarmos permanentemente nunca sairemos da “cepa torta”, que só dá bom vinho por acaso e não por planeamento. Isto a propósito de um desgraçado conceito muito enraizado entre nós, mesmo que só empiricamente referido e nunca teorizado, de que “cultura” é Literatura, Artes, Música, com algumas variantes conceptuais que acabam por ir dar ao mesmo, e que a ciência é “outra coisa”. Subjacentes a este enorme erro estão outras estranhas convicções, de que às primeiras bastam a inspiração, os “dons”, um certo “jeito para”, que o resto lá virá como que por artes mágicas e que alguns dos seus cultores tudo fazem para que assim pareça. Pelo contrário, as ciências exatas ou da natureza (e as humanas e sociais, ajuntamos nós aqui, pois também o são) obrigam a estudo permanente, a quantificações, a atualização contínua, ao debate inter pares, enfim, uma “chatice”. E estes errados preconceitos estão tão enraizados que, por exemplo, quando se explana sobre a Geração de 70 é como se dela só tivessem feito parte literatos, poetas e prosadores vários, um ou outro pintor, um músico ou outro para dar a melodia de fundo e pronto, está composto o ramalhete “cultural”. Dá a impressão que Portugal não teve então cientistas das várias ciências, e mesmo o botânico Conde de Ficalho foi passado à categoria de “escritor”. E é certo que ele para tal se pôs “a jeito”.

Desde 1991 que o então Gabinete de História e Arqueologia de Vila Nova de Gaia, fundado por professores e alunos da Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 1982, desde 2004 Gabinete de História, Arqueologia e Património integrado como grupo de trabalho profissional na associação Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana, EUP, começou a organizar cursos livres no Solar Condes de Resende, dando a esta casa municipal de cultura aberta ao público em 1988 uma dimensão que o município carecia. Muitos foram os temas e muitos foram os professores de academias portuguesas e até estrangeiras que nele aceitaram lecionar quase por gentileza, pois nunca o mesmo foi financiado por qualquer entidade e os organizadores sempre trabalharam na sua elaboração e funcionamento em regime de voluntariado.

Para o próximo ano letivo, aqui a iniciar-se a 10 de outubro e a prosseguir à média de duas aulas mensais, em dois sábados à tarde entre as 15 e as 17 horas, irá então realizar-se no Solar Condes de Resende o 34.º curso livre (2026-2027) intitulado “A Ciência como Cultura”, inspirado num colóquio organizado em 1992 pelo Professor Doutor Mariano Gago na Fundação Calouste Gulbenkian com o superior patrocínio do então Presidente da República Portuguesa Doutor Mário Soares, desta vez organizado pela associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, EUP, com a colaboração da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e certificado pelo Ministério da Educação com créditos para os professores que o requeiram, mas naturalmente aberto a todos os interessados. Os temas serão os seguintes: 1 – Teoria e prática da Ciência; a Ciência em Portugal; 2 – Astronomia; 3 – Geologia; 4 – Climatologia; 5 – Biologia; 6 – Botânica; 7 – Entomologia; 8 – Biologia Marítima; 9 – Bioquímica; 10 – Biologia Humana; 11 – Matemática; 12 – Física; 13 – Inteligência Artificial; 14 – Ciências e cientistas no Grande Porto, podendo haver ainda um ou outro ajuste temático.

Os professores são docentes ainda em atividade, outros já jubilados, de diferentes gerações, tendo já aderido ao projeto: António José Guerner Dias; Carlos Fiolhais; Fernando Alberto Nogueira da Rocha; Inês Alves; J. A. Gonçalves Guimarães; José Luís Santos; José Manuel Grosso-Silva; Levy Guerra; Luís Borges Gouveia; Mike Weber; Nuno Oliveira e Paulo Alves.

As instituições universitárias a que estão ou estiveram ligados, são: Estação Litoral da Aguda; faculdades de Ciências; de Engenharia; e de Medicina da Universidade do Porto; Floradata; Gabinete de História, Arqueologia e Património (ASCR-CQ); institutos de Medicina Legal do Porto; Geofísico da Universidade do Porto; Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto; Observatório Astronómico Professor Doutor Manuel de Barros; Parque Biológico de Gaia; universidades de Coimbra; do Porto; e Fernando Pessoa. Com o convite a estas instituições a organização pretendeu também envolver todas as sediadas em Vila Nova e Gaia e, ao mesmo tempo, propor aos professores e à tutela das mesmas que algumas aulas sejam dadas nesses estabelecimentos onde existe o adequado equipamento para a produção quotidiana de conhecimento científico que convém ser divulgado, mormente entre as camadas mais jovens do público e dos seus professores. Lembraria aqui a anedota de que, há uns anos atrás, um diretor de um agrupamento de escolas de Gaia promoveu a construção de uma “torre” para os alunos observarem os astros com um telescópio de brincar, mas nunca ter visitado ou sequer promovido qualquer visita ao instituto localizado no município onde exercia a sua atividade profissional para ver um telescópio “a sério”, igual ao qual só existem três no mundo, um em Vila Nova de Gaia, outro em São Pertersburgo e outro em Montreal.

Ou então, de quando eu dei aulas numa formação para professores do secundário sobre o Património local, ter sido advertido por uma inscrita de que «não queria saber de coisas de História ou Património, pois era professora de Matemática e só estava ali para obter uns “créditos” para ir reformada mais cedo», e eu lhe ter respondido «que estivesse descansada, pois íamos falar da história dos matemáticos e dos cálculos matemáticos no município e da sua aplicação no restante património, como a Geometria Descritiva na Serra do Pilar ou a Estatística na evolução da Economia local».

Desejamos pois que muitos cidadãos se inscrevam neste curso, e que não receiem que lhes aconteça o mesmo que a Ramalho Ortigão: «…a irregularidade da sofreguidão, [que] ia do socialismo à astronomia, da história à química, lendo hoje um estudo sobre o Jubileu de Bonifácio VIII, amanhã um compte-rendu sobre a refinação dos açúcares. Enchia-se de noções, de factos, de pontos de vista, de ideias. (Eça de Queirós, Notas Contemporâneas).

J. A. Gonçalves Guimarães

historiador                    

 

Eça…

Cátedra Eça de Queirós no Instituto Politécnico do Porto

No passado dia 25 de fevereiro, durante a III Gala Alumni P.PORTO, integrada nas celebrações do 41.º aniversário do Politécnico do Porto, foi assinado o protocolo que formaliza a criação da primeira cátedra Eça de Queiroz em Portugal resultante de uma parceria entre o Instituto Politécnico do Porto e a Fundação Eça de Queiroz, com a missão de promover reflexão, diálogo e cooperação científica, abrangendo os domínios da formação, investigação e cultura. Pretende ainda constituir-se como um espaço privilegiado para aprofundar o estudo da obra queirosiana e estimular novas abordagens académicas e culturais sobre o autor na cultura portuguesa e internacional.

 

J. Rentes de Carvalho distinguido com Prémio Tributo de Consagração.


 

«À beira de completar 96 anos, J. Rentes de Carvalho acaba de ser distinguido com o Prémio Tributo de Consagração Fundação Inês de Castro 2025, segundo anúncio daquela Fundação a propósito da 19.ª Edição do Prémio Literário Fundação Inês de Castro. O júri, composto por José Carlos Seabra Pereira (presidente), Isabel Pires de Lima, Isabel Lucas, Mário Cláudio e António Carlos Cortez, decidiu atribuir o Prémio Tributo de Consagração a Rentes de Carvalho como celebração da sua carreira.

De ascendência transmontana [e nascido em Vila Nova de Gaia a 15 de maio de 1930], Rentes de Carvalho foi levado a abandonar o país por motivos políticos, viveu no Rio de Janeiro, em São Paulo, Nova Iorque e Paris. Em 1956 passou a viver na Holanda, onde foi professor de Literatura Portuguesa entre 1964 e 1988 na Universidade de Amesterdão. Dedica-se desde então exclusivamente à escrita e a uma vasta colaboração em jornais portugueses, brasileiros, belgas e holandeses, além de várias revistas literárias. Escreveu romances, conto, diário, crónica e guias de viagem ou ensaios. O seu livro Com os Holandeses (1972) foi um dos maiores best-sellers neerlandeses da década de 1970. A sua obra está publicada em Portugal pela Quetzal. A cerimónia oficial de entrega de prémios decorrerá no dia 28 de março, na Quinta das Lágrimas em Coimbra.» (Texto divulgado pela Quetzal a que se acrescentou o local e a data de nascimento).

Entretanto a obra deste escritor continua a suscitar alguns eventos afetivos. Assim, no dia 20 de março em Caminha, nos Jantares Literários do Restaurante Duque de Caminha, houve uma sessão de leitura de passagens do romance O Meças, acompanhadas ao piano por Alexandre Carvalho.

Por contactos que entretanto foram ocorrendo, tudo leva a crer que o escritor virá celebrar os seus 96 anos no próximo dia 15 de maio a Estevais do Mogadouro, onde um grupo de amigos e diversas instituições, nomeadamente o escultor Hélder de Carvalho, a Câmara Municipal do Mogadouro e a associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana andam combinados para lhe fazerem uma surpresa.

 

Professora Cristina Petrescu entre nós

 


Entre os dias 23 e 27 de março estará em Portugal a Prof.ª Doutora Cristina Petrescu da Universidade Babeș-Bolyai de Cluj-Napoca, Roménia, e confrade de honra da Confraria Queirosiana. No primeiro dia, no âmbito do Programa Erasmus, falou aos alunos da Licenciatura em Literatura e Estudos Interartes da FLUP sobre um conto de Júlio Cortázar, num seminário intitulado «Jazz, tempo e liberdade». Ainda nesse dia e local, participou um seminário aberto organizado pelo Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, sobre o diálogo que se estabeleceu, no século XX, entre jazz e literatura. No dia 24, no Instituto Cultural Romeno de Lisboa, juntamente com Dan Caragea, lançou a antologia bilingue de poesia galego-portuguesa que foi publicada no ano passado e para a qual contribuiu com traduções e com a redação do prefácio e das apresentações dos autores, tendo também cantado duas cantigas apresentadas no volume. Hoje, dia 25 de março, foi acolhida pelo professor Simão Valente para ministrar, no âmbito da disciplina Literatura Portuguesa no Contexto Mundial, o curso intitulado «O universo citadino em Cesário Verde e no decadentismo romeno finissecular: uma análise comparativa».





Amanhã, dia 26, proferirá um curso sobre jazz e literatura no Instituto Politécnico de Viseu, a convite do Professor Fernando Alexandre Lopes.

No dia 27, sexta-feira, será acolhida pela Professora Maria de Lurdes Sampaio na Faculdade de Letras da Universidade do Porto numa aula de História da Literatura Portuguesa para falar sobre a obra de Eça de Queirós, refletindo, principalmente, sobre o conto «Singularidades de uma rapariga loira». Nesse mesmo dia, de seu aniversário, a associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, de que é confrade de honra, promove no restaurante A Regaleira do Porto um jantar de confraternização com a ilustre académica romena que tanto tem feito pela cultura Portuguesa e Brasileira.

 

A ASCR-CQ organiza e promove…

Curso sobre Camilo Castelo Branco

 

Aproxima-se do seu fim o curso livre evocativo dos 200 anos do nascimento de Camilo Castelo Branco (1825-2025) que decorre no Solar Condes de Resende organizado pela associação Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana: no sábado, dia 7 de março, J. A. Gonçalves Guimarães, do Gabinete de História, Arqueologia e Património, falou sobre «Camilo e a voz do povo: cançonetas populares do seu tempo», onde apresentou gravações das mesmas pelo grupo coral Eça Bem Dito; no próximo dia 28 de março, será a vez de José Manuel Tedim falar sobre «Camilo e a Arte». Entretanto a associação tem sido abordada para os seus investigadores participarem em programas de outras instituições no âmbito destas mesmas comemorações que, a seu tempo, divulgaremos.

Palestra das primeiras quintas-feiras do mês

 

Na palestra do passado dia 5 de março, o Prof. Doutor António Manuel S.P. Silva do Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-CQ falou sobre «Os Marmoirais e os ritos funerários na Idade Média», tema a que se vem dedicando desde os anos oitenta do século passado, tendo sobre o mesmo já publicado diversos estudos.

No próximo dia 2 de abril será palestrante o Dr. Sérgio Barros sobre um artista do nosso tempo tão notável quanto esquecido, o escultor ceramista gaiense Mário Ferreira da Silva.

 

A ASCR-CQ esteve em…

 

No dia 20 de fevereiro no Auditório Municipal de Gaia na abertura do XIII FESTEATRO, o Festival de Teatro Amador de Vila Nova de Gaia, a convite da FCVNG entidade responsável pela sua organização. A direção fez-se representar pelo presidente da direção e outros membros dos corpos gerentes na estreia da peça “Alistados à Força”, texto e encenação de Pedro Miguel Dias, apresentada por Os Plebeus Avintenses.

A 27 de fevereiro na Câmara Municipal de Vila Nova e Gaia, uma delegação da direção composta por J. A. Gonçalves Guimarães e Manuel Moreira reuniu-se com a vereadora Dr.ª Elisabete Silva, do pelouro do associativismo para apresentar os nossos projetos para este ano e os próximos, os principais problemas com que o crescimento da nossa associação se depara e a entrega das nossas mais recentes publicações.

No dia 12 de março, a convite da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, a direção da ASCR-CQ esteve presente na “Sessão de Cartografia Cultural Participativa - Mapeamento Cultural Metropolitano - Vila Nova de Gaia do Projeto PolObs em colaboração com a Área Metropolitana do Porto, desta feita conduzido pela Universidade do Minho. E dizemos “desta feita” porque já por várias vezes fomos convidados para colaborar com diversas entidades em levantamentos idênticos sem que se tenham visto resultados concretos, a não ser fait divers muito laterais e mesmo fora da competência profissional dos responsáveis ou dos elementos integrantes das respetivas equipas. Tendo a cultura profissionais desta área habilitados para o efeito, não se compreende nem aceita que estes levantamentos sejam entregues a profissionais doutras áreas e respetivos “bolseiros” ou “estagiários” que não produzem conhecimento nas áreas profissionais que escolheram e que era suposto exercerem. Em todo o caso a posição da associação é sempre colaborativa, salvaguardando o direito a estas matérias deverem ser sempre tratadas pelos profissionais com habilitações para o efeito e com curriculum público adequado.

Lembre-se que a ASCR-CQ, por protocolo com a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, tem em execução o projeto PACUG – Património Cultural de Gaia, dirigido por J. A. Gonçalves Guimarães e com equipas formadas por profissionais destas áreas, do qual foram já publicados os volumes 1 - Património Humano, Personalidades Gaienses; volume 2 - Património de Gaia no Mundo; volume 3 – Gaia, século XX, que foram indicados à equipa deste projeto, encontrando-se em execução todos os restantes volumes.

De entre os contributos fornecidos à equipa em referência estão os seguintes:

 

Núcleos bibliográficos e documentais da associação Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana existentes na sua sede:

 

1. Espólio do escritor José Rentes de Carvalho  (biblioteca, documentação e objetos pessoais);

2. Núcleo documental Eng. º Luís Corte-Real (Casal da Alheira, Pedroso 1587-1897);

3. Núcleo documental e bibliográfico dos Jovens do Torne Doutor Joaquim Armindo Pinto de Almeida;

4. Núcleo documental do Estaleiro do Cais da Cruz, Vila Nova de Gaia (1941-1968);

5. Núcleo documental Ireneu Paes;

6. Núcleo bibliográfico e cartográfico Arquiteto António Rocha Ferreira

7. Queirosiana do Eng.º Ricardo Charters d' Azevedo;

8. Núcleo Rocha Artes Gráficas (livros e outros impressos das suas últimas três décadas de produção);

9. Núcleo bibliográfico Dr. Raul Ferreira;

10. Núcleo documental Teófilo Braga coligido por sua aluna Júlia Cunha.

I1. Núcleo bibliográfico Manuel Inácio Alves Luís/ Acácio Edgar Alves Luís.

 

Amigos de Gaia

 

No passado dia 21 de março a direção da ASCR-CQ esteve presente nas duas assembleias gerais da Associação Cultural Amigos de Gaia, com quem tem um protocolo de colaboração, afora a circunstância de existirem muitos associados comuns a ambas. Das ordens de trabalhos, da primeira fazia parte a apresentação, discussão e votação do relatório e contas referente a 2025. E da segunda uma revisão para atualização estatutária. No entretanto, e por proposta da atual direção, foram declarados associados honorários desta associação o Prof. Doutor José Manuel Tedim, atual presidente da assembleia geral da ASCR-CQ, que habitualmente conduz as visitas de estudo daquela associação que tenham a ver com a História da Arte, e o Doutor Eng.º Salvador Almeida, até data recente presidente da sua direção, pelo empenho na reabilitação do edifício do Atelier Oliveira Ferreira em Miramar, propriedade dos Amigos de Gaia, que aguarda uma segunda fase.

 

Dia da Árvore

Ainda no dia 21 de março, a ASCR-CQ esteve presente através da Dr.ª Maria de Fátima Teixeira na celebração do Dia da Árvore no Parque da Lavandeira na freguesia de Oliveira do Douro, Vila Nova de Gaia. Recorde-se que, sobretudo durante a 1.ª República, esta festa anual que anuncia achegada da primavera, tinha grande expressão cívica sobretudo entre as escolas.

 

Associados…

Fundação Eça de Queiroz

Conforme comunicado difundido pela própria Fundação Eça de Queiroz, deixará em abril próximo de ser presidente do seu conselho da administração o nosso confrade Dr. Afonso Reis Cabral, que no entanto permanecerá a colaborar com a instituição no seu conselho cultural, o qual será também renovado na mesma data. Foi indigitada pela anterior direção da FEQ para presidir a este conselho a nossa confrade de honra, Eng.ª Paula Carvalhal, que já integrava o anterior em representação da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, no qual será acompanhada pelo trineto do escritor, o enólogo Mateus Nicolau de Almeida.

 

Publicações…

 


O Professor Doutor David Rodrigues acaba de publicar, no Brasil e em Portugal, o livro Juntos e Justos. Construindo a educação inclusiva, editado pela Diálogos, São Paulo, Brasil, com prefácio do Professor Doutor Sampaio da Nóvoa. «… [o autor é] uma das principais referências internacionais no campo da educação inclusiva e dos direitos humanos…inclusão não é um assunto restrito a determinados grupos, nem um conjunto de ações pontuais, nem uma tarefa delegada a especialistas. Inclusão é um valor que atravessa toda a escola, todas as relações e todas as decisões pedagógicas» (extrato do texto promocional do blogue da Diálogos Editora de março de 2006)

 


Na revista anual Caminho Novo, do Centro Recreativo de Avintes, cuja publicação se iniciou em 1952 sendo por isso a mais antiga revista cultural não profissional do município de Vila Nova de Gaia, no n.º 37, referente ao ano de 2026, J. A. Gonçalves Guimarães publicou o estudo sobre Um Rancho das Padeiras de Avintes e a Confraria dos Carolas Agrícolas do Norte criados por Waldemar Löfgren, tema que já apresentou em outros textos e comunicações, mas agora atualizado, sobre estes factos e a figura do seu criador fundamentais para a história das relações do município com a Europa do início do século XX; sobre o despertar do Turismo nacional; sobre a história do Solar Condes de Resende; sobre a institucionalização do Folclore local e nacional; sobre as confrarias laicas em Portugal durante o Estado Novo.

 

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 211, quarta-feira, 25 de março de 2026; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana (Instituição de Utilidade Pública), Solar Condes de Resende, Travessa Condes de Resende, 110, 4410-264, Canelas, Vila Nova de Gaia; C.te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www. queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot. com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação do blogue e publicação no jornal As Artes Entre As Letras: J. A. Gonçalves Guimarães; redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: