segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Eça & Outras

Ano do Centenário do “Vencido da Vida” e diplomata Luís Maria Pinto de Soveral, Marquês de Soveral (1851-1922)

Os funerais de Eça de Queirós

Eça tem passado a morte a ter, de vez em quando, um funeral: como é sabido morreu em Neully-sur-Seine a 16 de agosto de 1900 e as primeiras exéquias ocorreram, dois dias depois, na igreja paroquial dessa municipalidade dos arredores de Paris, tendo estado presentes a mulher e os filhos, alguns amigos, o representante do rei D. Carlos e outros elementos do corpo diplomático, incluindo o visconde de Faria, cuja mulher, em 1888, quando Eça se dirigiu ao Consulado de Paris para ocupar o posto para onde tinha sido nomeado, intitulando-se consulesa, o recebeu aos berros, tentando impedi-lo de tal, numa peixeirada que o escritor virá a descrever em carta enviada a Oliveira Martins. Enquanto a família, em contato com os amigos e influentes do Ministério dos Negócios Estrangeiros, ia tratando da sua trasladação para Portugal, pensando no jazigo onde poderia ser depositado o seu corpo, foram então equacionadas várias hipóteses, entre elas o da família paterna, onde jazia seu avô e onde será sepultado seu pai em 1901, no cemitério do Outeirinho, em Verdemilho, Aveiro, ainda hoje ali existente. Mas talvez alguém tivesse achado que era demasiado “perigoso” juntar na mesma campa as relíquias corporais de seu avô, o mentor da revolta de 1828 contra D. Miguel, e por isso por ele condenado à morte, de que se escapou, agora mais os ossos do escritor filho do juiz seu pai que teve a ousadia de pronunciar e mandar deter um dos homens mais ricos e corruptos de Portugal do seu tempo, o conde do Bolhão. Seriam muitos livre-pensadores juntos num jazigo só. A urna lá seguiu depois para o porto do Havre, de onde a 13 de setembro seguinte é embarcada no navio África, chegando a Lisboa a 17. Entretanto o governo e uma comissão criada para o efeito tiveram tempo para organizar um expressivo funeral, mandar revestir de sanefas pretas o Arco da Rua Augusta e de laços pretos os candeeiros da iluminação pública e organizar um cortejo fúnebre que, depois de receber a urna no Cais das Colunas para ser transportada num carro decorado por Rafael Bordalo Pinheiro, foi a mesma acompanhada  por sessenta outras carruagens, entre o Terreiro do Paço e o Cemitério do Alto de São João, onde deveria ficar sepultado no jazigo do cunhado Alexandre de Castro Pamplona. Dentro de cemitério a pesada urna foi levada até ao jazigo em quatro etapas, transportada por amigos diplomatas, como o Marquês de Soveral, ministros e jornalistas, mas ninguém previu um pequeno problema: as suas decorações metálicas impediam que esta entrasse na porta do jazigo e só no dia seguinte o problema foi resolvido. Existem boas descrições, e até fotografias, deste funeral e nelas sobressaem as referências aos discursos das entidades oficiais sobre nadas e coisas nenhumas da vida e obra do escritor, que de todo, ou não conheciam, ou sobre algumas delas sabe-se que tinham sérias reticências. Estiveram ali a palrar em bicos de pés autênticos conselheiros Acácio, a posarem para as conveniências do momento. Não será a última vez que tal acontecerá. De tempos a tempos, nomeadamente durante as comemorações do centenário em 1945, alguém levantou a questão da tumulação definitiva e honorífica do escritor, mas essas preocupações depressa se dissiparam sem concretização. Será interessante elencar as diversas propostas ao longo do tempo, entre as quais se destacam as do jornalista António Valdemar que defendeu a solução Panteão Nacional.

         Na vida, e mesmo na morte das pessoas, não existem factos isolados, mas uma continuidade de inter-relações com resultados muitas vezes a mais ou menos longo prazo. O que se virá a passar com os futuros funerais de Eça não pode ser desligado da fundação em 1940 do Círculo Eça de Queirós em Lisboa e do discurso então proferido por António Ferro no ato da inauguração, onde o escritor que passara a vida a fazer por escrito um monumental retrato de família muito crítico da sociedade portuguesa do seu tempo, foi então, por parte do mentor do salazarismo, reduzido a um cultivador de prosas turístico-regionalistas, inofensivo e perfeitamente “canonizado” na religião da mediocridade aldeã contra as perversões da cidade e do progresso. Em 1989 o jazigo onde Eça tinha sido depositado em Lisboa, por abandonado, foi posto à venda e os ossos do escritor corriam o risco de serem despejados desta habitação pouco eterna. De novo voltaram a ser equacionadas as várias hipóteses para trasladação, mas a que então prevaleceu foi a recentíssima construção pela Fundação Eça de Queiroz de um jazigo familiar no cemitério de Santa Cruz do Douro, para onde foi enviado a 15 de setembro desse ano, juntando-se as restos mortais de seus filhos e outros familiares, mas não os de sua mulher. Após ter permanecido um certo tempo na Basílica da Estrela, onde se disse uma missa com reduzida assistência ao ato, foi transportado desde Lisboa pela Agência Barata e trazido ao Porto à Praça da Batalha, perto do governo civil, onde se lhe juntou uma pequena multidão que, em cortejo automóvel, acompanhou os seus restos mortais até Baião, com nova missa à chegada na igreja daquela paróquia rural.

         Mas o sossego dos seus despojos não ia durar muito: três décadas depois, em 2021, com a concordância de parte dos descendentes, uma proposta apresentada na Assembleia da República determinou que os seus restos mortais de novo regressassem a Lisboa e fossem depositados no Panteão Nacional, o que esteve agendado para o próximo dia 27 de setembro. Mas entretanto uma outra parte dos descendentes, não concordando com esta decisão, apresentou na Justiça uma providência cautelar contra este novo funeral, que deverá assim ser adiado à espera de decisão judicial que, como é sabido, em Portugal são demoradas.

         Não sei se tal acrescentará alguma coisa à glória da obra queirosiana, mas um facto histórico é já incontestável: mesmo ainda sem este retorno à capital, Eça de Queirós já teve mais funerais do que a rainha D. Maria II, o que para um cônsul bacharel em Direito e escritor não está nada mal. Mas mesmo na hipótese de nova trasladação, desta vez Eça de Queirós não terá «…esse sumptuoso funeral caminhando devagar, com paragens solenes, a mole monotonia da música fúnebre, o arrastar grave de espadas, essa marcha funerária dum exército: e, adiante, entre tochas que levantavam alto as chamas lívidas, a complicada estrutura do féretro, coberto de crepes e de dourados, marchando numa vacilação lenta; e daquele longo negro cortejo, desprendendo para o azul-ferrete de um esplêndido dia de Setembro, uma sensação difusa de Morte (Eça de Queirós, O Conde de Abranhos).

Os tempos, efetivamente, já são outros.

J. A. Gonçalves Guimarães

historiador

EXTRATERRESTRES

No passado dia 31 de agosto na habitual sessão das palestras das últimas quintas-feiras do mês promovidas pela ASCR-CQ no Solar Condes de Resende e via Zoom foi palestrante o Prof. Doutor Pedro Barbosa, doutorado em Ciências da Comunicação (PhD em Semiótica) pela UNL, sobre o tema «Apresentação de uma vivência extraterrestre pessoal: desafio transdisciplinar para uma reavaliação da História do planeta e da Humanidade?». O conferencista, conhecido autor de obras pioneiras sobre Literatura Cibernética, e autor premiado de peças de Teatro, além de outras matérias, é autor de diversos livros sobre problemática cosmológica. Nesta sessão abordou a questão extraterrestre, a ufoarqueologia, a mitologia e as suas repercussões numa possível reavaliação da História da Humanidade e do planeta Terra.

            Prosseguem as atividades comemorativas dos 25 anos da Federação dos Amigos dos Museus de Portugal (FAMP), na qual a ACSR-CQ está filiada. No passado dia 16 de setembro decorreu em Coimbra o II ENCONTRO FAMP JOVEM sob o tema «Os jovens e o voluntariado cultural», localmente dinamizado pela Liga dos Amigos do Museu Nacional Machado de Castro (AMIC), que logo pela manhã recebeu os participantes no Mosteiro de Santa Cruz para uma visita guiada, a que se seguiu o Jardim Botânico e um almoço de confraternização entre os participantes. Da parte da tarde e já no Museu Nacional Machado de Castro, foi feita uma apresentação dos resultados do restauro de peças de Arte Sacra do seu espólio que, além do seu próprio interesse patrimonial, motivou este ano a atribuição pela FAMP do Prémio Reynaldo dos Santos à sua associação de amigos. Seguiu-se uma mesa redonda conduzida por um grupo de jovens presentes que falaram das suas relações com os museus, com várias intervenções da assistência, nomeadamente da Prof. Doutora Maria de Lurdes Craveiro, diretora do museu e docente da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Seguiu-se um momento musical coimbrão por Hugo Paiva de Carvalho à guitarra e Miguel Luís à viola.

            Presentes vários membros da direção da FAMP e a sua presidente da direção, Dr.ª Maria do Rosário Alvellos, e delegados de várias associações de amigos de museus vindos de vários pontos do país, entre as quais a ASCR-CQ que igualmente integra a direção daquela estrutura federativa.

         No passado dia 23 de setembro o Solar Condes de Resende organizou uma sessão pública incluída nas Jornadas Europeias do Património 2023, evento europeu coordenado em Portugal pela Direção-Geral do Património Cultural, este ano sobre o tema «Património Vivo», aqui concretizado na proposta “Há Festa No Solar! Danças e Bombos na Festa Popular”. Tendo a sessão foi aberta pela vereadora da cultura Eng.ª Paula Carvalhal, a ASCR-CQ esteve presente através de vários dos seus associados e da comunicação de J. A. Gonçalves Guimarães, do Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-CQ, intitulada «A dança de São Gonçalo em Portugal e Brasil: sobrevivência de uma dança litúrgica», previamente gravada devido ao facto de nesse dia e hora o autor estar ausente no Douro a participar noutro evento cultural, e do resultado dos seus anteriores contatos com os Mareantes do Rio Douro para divulgação do seu significado, desta feita traduzidos num workshop sobre «Demonstração da prática tradicional de construção de bombos» pelo seu dirigente Agostinho Gomes e na atuação de um grupo de bombos e caixas da coletividade. Participou também com uma comunicação o etnólogo Vitor Padilla Mattos sobre «Os bombos fazem a festa! Os Zés Pereiras em Portugal e no Brasil».

         Integrado na Festa da Vindima 2023, organizadas pela empresa gaiense Quinta da Boeira na sua propriedade vinhateira de Alijó nos dias 23 e 24, decorreu neste segundo dia no auditório do Hotel Forte de São Francisco em Chaves, o Fórum “Cabrilho o Navegador Português”, onde falaram J. A. Gonçalves Guimarães, do Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-CQ, sobre «Navegadores Portugueses e suas biografias: entre a História e a Apropriação de Mitos», e o Prof. Paulo Afonso da Califórnia que apresentou as suas pesquisas documentais e cartográficas realizadas em diferentes arquivos portugueses e estrangeiros que provam inequivocamente que aquele navegador, que nos anos de 1542-1543 foi o primeiro europeu a descobrir as costas da Califórnia, era natural de Portugal, tendo igualmente participado em muitas outras ações de fixação de europeus na América Central ao serviço da coroa espanhola, A polémica sobre a naturalidade do navegador estalou recentemente nos EUA quando alguns estadunidenses de origem espanhola puseram em causa a sua naturalidade e a sua importância simbólica para a comunidade lusófona ali radicada. O debate foi moderado por Leonídio Paulo Ferreira, diretor do Diário de Notícias, que a esta problemática tem dedicado várias reportagens.

         Nesse mesmo dia decorreu na igreja paroquial de Alijó, após a missa dominical, a insigniação pela Federação das Confrarias Báquicas de Portugal de várias personalidades presentes ligadas às atividades vinhateiras, tendo presidido à sessão Albino Jorge da Confraria do Vinho do Porto e da FCBP, assessorado por delegados da Confraria Enófila de Nossa Senhora do Tejo, Ribatejo, da Confraria do Vinho de Carcavelos e da Confraria Queirosiana.

Livros & Revistas

     A revista Midas. Museus e estudos interdisciplinares (edição eletrónica) no seu número 16, de 30 de julho de 2023 dedicado ao Dossier temático “Museologia: diálogos e encontros ibéricos”, inclui o estudo de João Luís Fernandes, do Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-CQ, intitulado «A coleção Marciano Azuaga: Gaia e Porto na segunda metade do século XIX e primeira década do século XX, apresentado no «VI Fórum Ibérico de Estudos Museológicos: Novas Perspetivas de Investigação» que decorreu em novembro de 2022 na Universidade de Évora, numa coorganização entre o Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades (CIDEHUS) da mesma universidade e o Instituto de História da Arte (IHA) da FCSH, Universidade NOVA de Lisboa.

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 181, segunda-feira, 25 de setembro de 2023; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana (Instituição de Utilidade Pública); C.te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação do blogue e publicação no jornal As Artes Entre As Letras: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.

 

 

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Eça & Outras

Ano do Centenário do “Vencido da Vida” e diplomata Luís Maria Pinto de Soveral, Marquês de Soveral (1851-1922) 

Os normais

         Talvez o verão seja a época do ano mais propícia à reflexão sobre o comportamento desta imensa multidão a que todos pertencemos e a que se chama humanidade, sendo ela tão igual enquanto agrupamento de gente e tão diferente se considerados como grupos étnicos, regionais, locais ou seres individualizados. Nem valeria a pena escrever aqui mais nada sobre estas evidências, pois sobre elas não me saem da cabeça os textos de J. Rentes de Carvalho intitulados «A Praga» - sobre os deambuladores a que alguns chamam turistas, mas que raramente fazem qualquer tour -, e «A Procissão» onde vamos todos nós, quer queiramos ou não. Há dias, ao deixar em Moncorvo a este autor um abraço de boa viagem na partida para a também sua Amsterdam, olhando à volta, lá estavam eles um pouco por todo o lado o que me fez ficar algo macambúzio e perdido em reflexões, de que logo fui afastado pelo abraço amigo do Nelson Campos, ele próprio um mestre em lidar com “normalidades”. Essas reflexões só se esfumaram na visita à adega da Quinta do Vale Meão e às galerias antigas recentemente ali descobertas, onde em tempos distantes uns desgraçados de que se sabe pouco ou nada garimpavam pepitas de ouro ou nódulos de estanho de aluvião, para ganho e felicidade dos normais da época. E isto por gentileza do proprietário, e também indefetível admirador daquele escritor, Francisco Xavier de Olazabal, com quem fizemos “procissão” com a historiadora Maria de Fátima Teixeira e a engenheira Paula Carvalhal a dizer-lhe que deixa por cá amigos que sempre o aguardam na volta a Estevais do Mogadouro, aquela aldeia com dois cemitérios, o dos normais e o dos outros.

         Não valem aqui a pena os habituais lugares-comuns como aquele de que «o que nos une é muito mais importante do que o que nos distingue» e outros que tais. Tenho vindo a encontrar que o mundo se divide numa imensíssima multidão de “normais” e naqueles outros, em muito menor quantidade, que têm um estranho comportamento, não sei se até patológico, o de resistirem a essa confortável inclusão com a qual só ganham inquietação… inquietação, como muito bem avisou José Mário Branco. Como entre as formigas, existe para os milhões de humanos um grande padrão de normalização de comportamentos, de necessidades, de atitudes. É com isso que contam os planeamentos gestionários da ONU, os grupos económicos, as seguradoras, os serviços de saúde, as agências de viagens, as funerárias, as bolsas, os bancos. Mas também as religiões, as ideologias, os governos, os partidos políticos, as organizações governamentais ou não, os clubes de futebol, mesmo as famílias, que, obviamente, não querem “tolinhos” em casa, a não ser que rendam status ou dinheiro.

         Nesta época do ano aí vemos multidões ininterruptas de normais deambulando pelo mundo, do avião para o hotel, da praia para a montanha, da cidade que já foi cosmopolita para a aldeia “recuperada”, da distraída paisagem que a natureza e os tempos moldaram para a “arquitetura paisagística” de encomenda que nos trás um naco de Veneza ou do Vaticano para o centro comercial mais próximo, onde o ar entra forçado e uma indústria de venda de toxinas nos diz que cheira a flores. Esta indústria da terapêutica ocupacional de verão é das mais poderosas, pois equilibra o PIB de muitos países, diminui o desemprego ainda que sazonal, mantém as populações distraídas, incentiva o consumo de roupas, cremes, óculos de sol, sacos de praia e créditos, faz esquecer temporariamente as desigualdades sociais e as indústrias da guerra e da poluição e lá nos encontramos, não certamente os “todos”, “todos”, mas quase, em festivais mais ou menos folclóricos, roques, pimbas, sinfónicos, mais ou menos internacionais.

         Pois aqui estou eu a tentar, mais ma vez, passar incólume às festinhas do nosso “centro histórico” com desfiles encomendados a empresas de diversão que, se pagarmos, nos trazem índios da Amazónia ou esquimós inscritos no centro de emprego; ao dia do “nosso santo padroeiro” onde berram atroadores altifalantes não vá a gente esquecer-se do divino; ao casamento da sobrinha “que seja muito feliz”; ao batizado da netinha que veio premiar a insistência progenitora e que está a contribuir para “não virmos a falar brasileiro a breve prazo”;  à conversa sobre a obtenção do diploma universitário tão importante quanto inútil; às alegrias do papo para o ar horas a fio na praia onde uma lagoa artificial de água aquecida tenta corrigir as distrações da natureza e em cujo acesso tropeço em bizarrias que dizem ser obras de arte e alguns acreditam que o sejam. Não lhes admiro a crença, pois para mim e mais dois ou três “desajustados” são só inutilidades caras que pagam a boa vida dos intermediários que as impingem a quem nunca estudou Arte em curso credível.

         E não, não quero encher a minha residência de tralha a que chamam artesanato dos andes ou da finlândia, ou de onde nunca fui, e muito menos de galos de barcelos que cantam o avante, de senhoras de fátima que mudam de cor e adivinham tempestades, de isqueiros do fêquêpê que acendem com luz azul. Como não sou antissocial lá comprarei, ao menos, a garrafa de vinho verde de Vale de Cambra ou a bola com chouriço de uma fábrica do Montijo dita folar de Trás-os-Montes ou a amêndoa da Califórnia recoberta com açúcar dos judeus de Nenhures de baixo.

         Enfim, o normal é ser-se normal, o admitir-se como tal e aceitar a ditadura da maioria normalizadora em que todos nos andamos a enganar uns aos outros. Com ar sério e profissional. «Todos nós que vivemos neste globo formamos uma imensa caravana que marcha confusamente para o Nada. Cerca-nos uma Natureza inconsciente, impassível, mortal como nós, que não nos entende, nem sequer nos vê, e donde não podemos esperar nem socorro, nem consolação. Só nos resta para nos dirigir, na rajada que nos leva, esse secular preceito, suma divina de toda a experiência humana – Ajudai-vos uns aos outros!» (Eça de Queirós, A Correspondência de Fradique Mendes). 

J. A. Gonçalves Guimarães

Historiador

Falecimento

No passado dia 15 de agosto faleceu o Dr. Alberto Júlio da Silva Fernandes (1938-2023), antigo estudante da Universidade de Coimbra; administrador de empresas e da Fundação Salvador Caetano; vice-cônsul honorário do México e antigo professor da Escola de Hotelaria e Turismo do Porto; presidente da Associação Portuguesa de Management; da assembleia geral da Cooperativa Agrícola de São João da Pesqueira, município de que foi deputado municipal; fundador e presidente da Associação de Amigos de Pereiros (SJP), e confrade de honra da associação cultural de utilidade pública Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana (ASCR-CQ), além de membro e associado de muitas outras instituições empresariais e de solidariedade social. Desde 2005 que entre aquela associação, a ASCR-CQ e o município pesqueirense estabeleceu pontes que proporcionaram a realização de vários projetos que tiveram como cenários São Salvador do Mundo, a aldeia de Pereiros e a sede do município, desde escavações arqueológicas, edição de livros e cursos de verão protagonizados por equipas organizadas pelo Gabinete de História, Arqueologia e Património (ASCR-CQ) e o CITCEM / FLUP. Era também membro da comissão do Centenário do Marquês de Soveral instituída pelo município pesqueirense que pretende levantar uma estátua ao ilustre diplomata al nascido, da autoria do escultor Hélder de Carvalho.

         O seu velório teve lugar na Igreja do Bonfim no Porto daí indo a sepultar no cemitério local no dia 17. Entre os inúmeros amigos e representantes de instituições presentes a direção da ASCR-CQ fez-se representar nas cerimónias fúnebres por alguns dos seus dirigentes que apresentaram condolências à Família.

Presenças da Confraria

A Confraria do Anho Assado com Arroz do Forno realizou no sábado dia 8 de julho o seu XVI Capítulo no centro da cidade de Marco de Canaveses, com concentração dos confrades e convidados no Museu Carmen Miranda tendo a entronização dos novos confrades decorrido no Centro Cultural Emergente, após o que se seguiu um momento cultural pelo grupo de teatro da Artâmega. A ASCR-CQ esteve presente representada por vários dirigentes.

No dia 15 de julho passado a ASCR-CQ esteve presente através de vários dos seus dirigentes no 25.º Capítulo da Confraria da Broa de Avintes realizado nesta freguesia gaiense.

No sábado, dia 19 de agosto, a associação Abientes – Centro de Documentação e Investigação em História Local, sediada em Avintes, Vila Nova de Gaia, promoveu na Ribeira da cidade do Porto nas Escadas das Padeiras o descerramento da placa toponímica que ali recorda o local onde habitualmente desembarcavam as mulheres daquela freguesia que se dedicavam a venda do pão naquela cidade. À hora marcada um grupo de mulheres avintenses trajadas desembarcaram dos saveiros que ali abicaram e, exibindo a famosa broa, foram recebidas pela entidade organizadora, os presidentes das juntas de freguesias de Avintes e de São Nicolau, a Confraria da Broa de Avintes, o representante da Confraria Queirosiana, o representante da Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia, avintenses, arnelenses e outros gaienses, turistas vários que nem a chuva demoveu, enquanto a Tuna Pitagórica da União Académica de Avintes se exibia com as canções do seu repertório. Após várias saudações o historiador Dr. José Vaz fez o enquadramento histórico do evento.

No passado dia 24 de agosto vários sócios, confrades e dirigentes da ASCR-CQ estiveram presentes na reabertura ao público da Torre da antiga Casa da Câmara do Porto situada no terreiro da Sé, com uma exposição alusiva à recuperação histórica e arqueológica daquele local e a sua transformação arquitetónica pelo arquiteto Fernando Távora de quem ali também se comemora o centenário do nascimento. 

Palestras e entrevistas

No domingo dia 30 de julho o historiador Paulo Costa do Gabinete de História, Arqueologia e Património (ASCR-CQ) guiou uma visita a uma parte do trilho do Febros contando a história de Avintes ligada a este rio, desde a produção de cereais até aos moinhos, moleiros, levadas, senhorios e rendeiros. A organização foi do Parque Biológico de Gaia.

Integrada no ciclo de visitas que a Torre dos Clérigos vem promovendo ao longo deste ano a obras de Nicolau Nasoni, cuja morte ocorreu há 250 anos, no sábado, dia 12 de agosto, Joel Cleto e Nuno Resende guiaram uma visita à Casa da Prelada no Porto para cerca de meia centena de pessoas. Esta sessão contou com o apoio da Santa Casa da Misericórdia do Porto que tutela o espaço e, além do interior do imóvel, os participantes percorreram antigas áreas da propriedade dos Noronha e Meneses intervencionada por Nasoni em meados do século XVIII, incluindo os jardins envolventes à Casa.

No dia 16 de agosto no programa “A Grande Entrevista” da RTP 3 o jornalista Vitor Gonçalves entrevistou o Doutor João Nicolau de Almeida, um dos primeiros enólogos portugueses com formação universitária que durante décadas dirigiu a Casa Ramos Pinto e recentemente recuperou a firma da família, a Nicolau de Almeida fundada em 1870, abrindo os seus armazéns na Rua Rei Ramiro ao Castelo de Gaia. Tendo sido convidado pelo presidente da República para presidir ao 10 de Junho deste ano que decorreu no Peso da Régua o discurso que então proferiu será publicado na íntegra no próximo número da Revista de Portugal, lançada a 25 de novembro no próximo capítulo da Confraria Queirosiana. Presentemente é um adepto da viticultura biológica e da continuidade da supremacia dos vinhos Douro DOC.

No dia 24 de agosto, na Praia da Aguda, J. A. Gonçalves Guimarães do Gabinete de História, Arqueologia e Património concedeu uma entrevista à TVI sobre a evolução histórica das praias de Gaia como estações balneares.

Distinção

Alberto Rostand Lanverly em 2022
no Solar Condes de Resende

No passado dia 21 de agosto a Assembleia Legislativa Estadual do Estado de Alagoas, Brasil, por unanimidade de votos, concedeu ao Dr. Alberto Rostand Lanverly, engenheiro civil, ex-professor universitário da UFAL, escritor, imortal da Academia Alagoana de Letras, e confrade de honra da Confraria Queirosiana, a comenda Divaldo Suruagy, em memória do maior estadista de Alagoas. Na ocasião foi também recordada a mãe do agraciado, Dr.ª Marlene Lanverly, antiga secretária do Gabinete Civil e chamada de mãe da pobreza, que terá legado a seu filho muitas das qualidades que os seus concidadãos lhe reconhecem, como na ocasião referiu o arquiteto e jornalista Dr. Enio Lins, na sua saudação ao homenageado.

Feiras

Portugal WOWtêntico

        Entre os dias 10 e 15 de agosto o World Of Wine (WOW), Vila Nova de Gaia, com a colaboração da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, várias confrarias filiadas estiveram presentes no “Portugal WOWtêntico”, uma mostra de produtos tradicionais e de Cultura Portuguesa que decorreu nas suas instalações no Centro Histórico de Gaia. Entre as várias confrarias, produtores e municípios presentes a Confraria Queirosiana divulgou as suas atividades, edições de livros e o Vinho do Porto 20 anos Boeira/ lote da Confraria Queirosiana.

Gastronomia em Vila do Conde

Como habitualmente, os corpos diretivos da Confraria Queirosiana, representados por César Oliveira, presidente da assembleia geral, J. A. Gonçalves Guimarães e António Pinto Bernardo, da direção, e o confrade António Pinto, estiveram presentes na abertura da 23.ª Feira de Gastronomia de Vila do Conde que teve lugar pelas 18 horas do passado dia 19 de agosto nos jardins da Avenida Júlio Graça. Este ano o evento foi dedicado aos 40 anos da geminação entre Vila do Conde e Olinda, pelo que, para além de toda a gama de produtos nacionais portugueses, havia também por ali alguns dos sabores de Pernambuco.

A autarquia local brindou os delegados presentes das diversas confrarias com um jantar de “Cozinha Portuguesa”.

Feira do Livro on line

            Como no presente ano não foi possível a ASCR-CQ estar presente na Feira do Livro do Porto, durante o mês de setembro realizará uma venda de livros on line com desconto de 50% + IVA sobre o preço de capa dos livros por si editados constantes no sítio wwwqueirosiana.pt. Para os obter basta contatar a Confraria para queirosiana@gmail.com para reservar os exemplares pretendidos e, depois de confirmada a reserva, proceder ao pagamento por transferência bancária, seguindo os livros de imediato por via postal sem custos adicionais. Este desconto não abrange as edições de outras entidades comissionadas pela ASCR-CQ.

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 180, quinta-feira, 25 de agosto de 2023; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana (Instituição de Utilidade Pública); C.te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação do blogue e publicação no jornal As Artes Entre As Letras: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.

 

terça-feira, 25 de julho de 2023

Eça & Outras

 Ano do Centenário do “Vencido da Vida” e diplomata Luís Maria Pinto de Soveral, Marquês de Soveral (1851-1922)

Professor José Mattoso: a perenidade da História

         No passado dia 8 de julho faleceu o Professor Doutor José Mattoso, um dos historiadores portugueses mais conhecidos, mais respeitados e mais lidos do nosso tempo, não apenas no meio académico, mas também fora dele. A imprensa, e de um modo geral os diversos órgãos de comunicação social, além de colegas, amigos, antigos alunos, discípulos, instituições e coletividades, todos noticiaram o infausto acontecimento relembrando e comentando a sua biografia e sobretudo a sua bibliografia. Medievalista, reequacionou como nenhum outro a fundação e a consolidação da nacionalidade e mesmo os fundamentos da portugalidade, onde a permanente remembrança da História, ainda que de forma acrítica, é uma das suas mais vigorosas caraterísticas. José Mattoso era um clerc: sobrinho-neto de um bispo da Guarda e filho de um profissional da História – seu pai foi professor do ensino liceal e autor de um célebre “livro único” usado durante anos no ensino secundário, ingressou jovem na vida religiosa como frade da Ordem de São Bento, tendo-se doutorado na Universidade Católica de Lovaina com uma tese sobre Le monachisme ibérique et Cluny. Les monastéres du diocese de Porto de l’an mille à 1200, publicado em 1968. Em 1970 deixa a vida religiosa, vindo a ser docente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e mais tarde professor catedrático da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Foi ainda presidente do Instituto Português de Arquivos e diretor da Torre do Tombo. Tendo estado em Timor-Leste na hora da consolidação da independência da última colónia portuguesa, aí colaborou na recuperação do Arquivo Nacional e no Arquivo da Resistência. Entre muitas outras ações como historiador profissional, professor e cidadão recordemos a sua presença em Mértola a dar apoio à ação de Cláudio Torres na revisão da ação das populações moçárabes no todo nacional. Das suas obras mais conhecidas, destacaria D. Afonso Henriques (2006), uma vigorosa biografia do Rei Fundador, e a monumental síntese História de Portugal (1992), as quais ficarão imprescindíveis por muito tempo, o mesmo devendo acontecer a muitos de outros dos seus ensaios, pesem embora os bons discípulos que, entretanto, foi motivando ao longo da sua vida académica e profissional.

      Tive o gosto de privar com o Professor Mattoso em 1988 durante as 1.as Jornadas de Estudo sobre a Terra de Santa Maria organizadas pela Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, durante as quais trocamos impressões sobre a investigação dos tempos medievais no Entre-Douro-e-Vouga, e tempos depois no lançamento de O Castelo e a Feira. A Terra de Santa Maria nos séculos XI a XIII, que escreveu com Luís Krus e Amélia Andrade (1989), a que se seguiu, pelos mesmos autores, A Terra de Santa Maria no século XIII. Problemas e Documentos (1993) e, desse mesmo ano e sua única autoria, a conferência A Terra de Santa Maria na Idade Média. Limites Geográficos e Identidade Peculiar. Estas obras suscitaram aplauso, mas também debate: o medievalista A. de Almeida Fernandes, geógrafo de formação, tinha polemizado alguns aspetos contidos no primeiro destes livros numa série de artigos que reuniu no livro Faria e Não Feira (1127-1128) editado em 1991. Para além do valor intrínseco de cada uma das referidas obras, sendo certo e sabido que a História Medieval é ela própria também uma sucessão de acontecimentos regionais, algumas instituições de Santa Maria da Feira e de Guimarães quiseram captar estes dois autores para defenderem as suas mais embandeiradas tradições, aspeto de que se foram obviamente demarcando, até de uma forma algo inesperada e hilariante: tendo uma instituição vimaranense contratado A. de Almeida Fernandes para escrever uma biografia de D. Afonso Henriques que exponenciasse a sua ligação ao “berço da nacionalidade”, ao reavaliar as fontes e os testemunhos da época, rapidamente este autor concluiu que aquele rei teria nascido em Viseu, e não em Guimarães, aspeto que o seu criticado e suposto “inimigo académico” veio a corroborar em nome da procura da verdade histórica.

         Para além daqueles acutilantes ensaios e grandes sínteses, também a metodologia e a função social do historiador mereceram ao Professor Mattoso reflexões e proposições como A Escrita da História. Teoria e Métodos (1988) e o exercício da profissão mereceu-lhe o ensaio A Função Social da História no Mundo de Hoje, editado pela Associação de Professores de História em 1999. Aí se encontram explanadas as suas mais imediatas preocupações, como professor e como profissional, sobre o devir dos seus alunos no mercado de trabalho para os licenciados nesta área do saber, não apenas como docentes dos diversos graus de ensino, mas também como «historiadores a exercer uma variada gama de profissões», nomeadamente em «centros de investigação em ciências humanas», «…mesmo em cidades do Interior, e ocupam-se a investigar o passado de todos os lugares e de todas as regiões, em paralelo, de resto, com os arqueólogos, cujo conhecimento do território português é hoje muito mais completo e sistemático». Começando por se interrogar e interrogar-nos sobre «a função social da História no mundo de hoje», concluindo que «é útil e necessária… neste país em que vivemos», dá conta do seu «alargamento de projeção cultural…», de tal modo que «a História está presente, pois, em toda a parte» e que o seu exercício «prepara para considerar questões complexas» e que «sem ela não se pode compreender o mundo em que vivemos», devendo o historiador «considerar o país como um todo, e não apenas como a capital», para quem «os verdadeiros problemas que a investigação deve prioritariamente resolver são os colocados pelos problemas da atualidade». Mas também que o seu exercício profissional, para ser sério e fecundo, deve «ter uma perceção clara da relação possível entre os conhecimentos históricos e as necessidades do mundo em que vivemos», devendo «informar-se cuidadosamente acerca da vida social», tendo em conta que «a História exige uma enorme amplidão de conhecimentos das ciências humanas».

         O Professor José Mattoso morreu aos noventa anos após uma vida serena, mas intensa, de estudo, reflexão e partilha que deixou plasmada nas suas obras. Virá a propósito deixar-lhe aqui este singelo epitáfio pedido emprestado a Eça de Queirós «”A história é a consciência escrita da Humanidade”, disse um homem que teve, quando lutava, o segredo das palavras que ficam.» (Uma Campanha Alegre). Ou ainda, voltando às suas próprias palavras no ensaio atrás citado, concluir que «recordar o passado coletivo é, portanto, uma forma de lutar contra morte». Quer a sua quer a do nosso Portugal como ente coletivo.

J. A. Gonçalves Guimarães

Historiador

Presenças da Confraria

Junho

Dia 19: para o programa de Joel Cleto no Porto Canal, o historiador Paulo Costa gravou um programa sobre a molinologia do vale do Febros.

Dia 23, noite de São João: para o Porto Canal e numa colaboração que já vai sendo habitual neste dia e hora, o historiador J. A. Gonçalves Guimarães falou sobre alguns aspetos dos festejos sanjoaninos durante o Cerco do Porto.

Dia 26: em representação dos corpos sociais da associação, o presidente da direção Prof. Doutor José Manuel Tedim e o dirigente Dr. António Pinto Bernardo estiveram presentes nas comemorações do 94.º aniversário da Misericórdia de Gaia, de que é provedor o confrade Dr. Manuel Moreira.

Julho

Dia 1: tiveram início no Clube Fenianos Portuenses o início das comemorações dos 100 anos da Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto onde foi orador o Dr. Manuel Moreira, membro dos corpos sociais da Confederação e tesoureiro da ASCR-CQ.

Löeckie, J. A. Gonçalves Guimarães; J. Rentes de Carvalho;
Paula Carvalhal, Francisco Olazabal; 
fotografia de Maria de Fátima Teixeira

Neste mesmo dia uma delegação de confrades composta por J. A. Gonçalves Guimarães, Maria de Fátima Teixeira, Paula Carvalhal, vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e Francisco Olazabal da Quinta do Vale Meão visitaram em Moncorvo o confrade escritor J. Rentes de Carvalho quase de partida para a Holanda, que na ocasião ofereceu à associação mais uma caixa de espólio pessoal a adicionar ao já existente. Houve ainda oportunidade para falar com o Dr. Nelson Campos do Projeto Arqueológico da Região de Moncorvo sobre um roteiro rentesiano em elaboração e uma visita à famosa Quinta do Vale Meão, por cortesia do seu proprietário.

Dia 14: uma delegação do Gabinete de História, Arqueologia e Património composta pelo arqueólogo J. A. Gonçalves Guimarães e a patrimonióloga Maria de Fátima Teixeira visitou as escavações que decorrem pelo terceiro ano consecutivo no Castro da Madalena, Vila Nova de Gaia, um programa organizado pelo Centro de Arqueologia de Arouca dirigido pelo arqueólogo Prof. Doutor António Manuel S. P. Silva, coordenador da nova série da revista Gaya. Estudos de História, Arqueologia e Património recentemente apresentada. As escavações têm vindo a revelar a existência de várias casas redondas, construídas em barro, mas também algumas delas com paramentos em pedra, além de espólio indicador de atividades de fiação e moagem, mas nenhum indício de romanização, o que contrasta com a vizinha necrópole do Sameiro. Os mesmos membros do GHAP estiveram ainda no jantar final com a equipa que realizou esta campanha e que decorreu num restaurante local com a presença do Dr. Miguel Almeida, presidente da Junta de Freguesia da Madalena e o Sr. António Silva, presidente da direção dos Bombeiros Voluntários de Valadares, proprietários do terreno onde decorrem as escavações, as quais deverão prosseguir no próximo ano.

Palestras

Palestras das últimas Quintas-feiras do mês: no assado dia 29 de junho, pelas 18,30 horas, no Solar Condes de Resende e via Zoom, na habitual palestra promovida pela Confraria Queirosiana, a investigadora do Gabinete de História, Arqueologia e Património, Mestre Cristiana Borges Ferreira, falou sobre «Iconografia da História de Portugal em painéis azulejares: o caso da Estação de S. Bento no Porto», aludindo ainda à produção deste tipo de painéis produzidos por fábricas gaienses e pintados pelos seus artistas cujo levantamento está por fazer.

No próximo dia 27 de julho a palestra terá como tema «Eutanásia. Busca da correta impostação do problema» e será proferida pelo juiz-conselheiro jubilado do Supremo Tribunal de Justiça, Dr. José Pereira da Graça, com os seguintes tópicos: «Numa primeira parte, revisita-se o texto inicial da lei, tal como a Assembleia da República o produziu e o texto final que, forçadamente, foi promulgado. Procura-se perceber a razão pela qual a questão andou a saltitar entre os protagonistas interventores, restando, para o cidadão comum, uma justificada perplexidade. Numa segunda parte, faz-se uma análise crítica da lei que vai ser publica, após a regulamentação governamental em curso e propõe-se uma solução essencialmente jurídica para o futuro. Denuncia-se o erro contido no texto constitucional “o direito à vida é inviolável”, subalternizando o direito à dignidade. O referendo».

Livros

Acaba de ser disponibilizado aos autores a luxuosa obra em três volumes da autoria de MORAIS, Rui; CENTENO, Rui M. Sobral e FERREIRA, Daniela, intitulada Myths, Gods and Heroes; Greek Vases in Portugal, elaborada pelo designer Miguel Teixeira e com desenhos de capa de Álvaro Siza Vieira feitos para esta edição, publicada no final de 2022 pela Câmara Municipal de Santa Maria da Feira - Museu Convento dos Loios, em colaboração com a Reitoria da Universidade do Porto e a sua Faculdade de Letras e a Imprensa da Universidade de Coimbra. Trata-se da obra que regista uma exposição temporariamente adiada devido à epidemia de Covide e que deverá brevemente ser aberta ao público naquele museu. Tendo a Coleção Marciano Azuago depositada no Solar Condes de Resende uma «Lêkythos bojuda de figuras vermelhas» do século V, figura a mesma no III volume (ARF 22), p. 142. Para o seu enquadramento museográfico, J. A. Gonçalves Guimarães e Susana Guimarães escreveram o capítulo «Archaeology in Marciano Azuaga’s Collection», muito ilustrado, e publicado no I volume, p. 132- 138.

Publicado pelo FAPAS – Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade, acaba de ser disponibilizado aos seus associados e publico em geral o livro A felicidade é uma árvore?, Ditos e escritos, 1970-2022, da autoria do biólogo Doutor Nuno Oliveira, uma coletânea de textos sobre a sua atividade em variadíssimos projetos de estudo, divulgação e proteção do ambiente e das espécies vegetais e animais em lugares tão diversos  como a Barrinha de Esmoriz, Mata de São Jacinto (Aveiro), Parque Biológico de Gaia, Gerês, Serras de Santa Justa, Pias e Castiçal, estuário do Rio Douro, Serra de Canelas, litoral de Gaia, Rio Douro, Porto, Quinta Marques Gomes, Avintes, Serra da Malcata, Parque Botânico do Outeiro, São Tomé e Príncipe, Afurada, Quinta das Devesas, Quinta da Telheira, Mindelo, Vale do Febros, Dunas da Aguda e Monte da Virgem. Por estes textos passam também nomes como Santos Júnior, William Tait, Hoffmannsegg, Link, José Bonifácio de Andrada e Silva, e Alfred Smith, os antecedentes enciclopédicos deste meio século de luta em devesa da biodiversidade e o crescimento sustentável.

Feiras

         No World of Wine (WOW) em Vila Nova de Gaia, com a colaboração da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, vai decorrer entre 10 e 15 de agosto uma mostra de produtos tradicionais e de Cultura Portuguesa através da participação de várias confrarias, entre as quais a Confraria Queirosiana.

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 179, terça-feira, 25 de julho de 2023; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana (Instituição de Utilidade Pública); C.te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação do blogue e publicação no jornal As Artes Entre As Letras: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.

 

 

domingo, 25 de junho de 2023

Eça & Outras

 Ano do Centenário do “Vencido da Vida” e diplomata Luís Maria Pinto de Soveral, Marquês de Soveral (1851-1922)

Caminheiros

Cada estrada à nossa frente é um desafio infinito a cada ponto de partida. Desde sempre os seres inquietos hesitaram entre o aconchego do lugar costumeiro e os imprevistos dos destinos a percorrer. Há quem não queira arriscar. Há quem não deixe de partir. Com os mais diversos pretextos, sozinho, a dois ou em bando. À procura do sortilégio cósmico, da milagrosa água, do saboroso vinho, de outras conversas, do quinhão de desconhecido a que se tem direito, da libertação de amarras pesadas ou leves, em busca de si próprio ou dos outros. Não sabemos desde quando se insinuou esta vontade no querer humano, mas desde tempos antigos que o motivo não foi sempre a busca de mais pão, melhor água, seguro abrigo, amores dadivosos. Foi-o quantas vezes em busca de paraísos prometidos a uns e roubados a outros, conflitos provocados aleivosamente justificados ou tenazmente apreendidos. Mas há também quem parta apenas pelo prazer de partir e de desconhecer; «A pé e de coração aberto percorro a estrada larga/ saudável, livre, o mundo à minha frente/ longa e cinzenta vereda se me oferece para percorrer/ até onde eu quiser/ daqui em diante não peço mais boa sorte pois a boa sorte sou eu mesmo/ daqui em diante não me lamento mais nem adio mais/ não careço de mais nada/ acabei com as minhas queixas interiores, bibliotecas, críticas rancorosas/ forte e contente sigo pela estrada larga» (Walt Whitman, Canção da Estrada Larga, tradução livre).

Desde sempre houve caminheiros, gente que se mete ao caminho sem motivo ou pelos mais diversos motivos. Quem quer entendê-los, e sobretudo se sobre eles pretende escrever, convém procurar os porquês revelados, mas também os escondidos, aqueles que, quantas vezes, nem o próprio admite que existam, pois a autojustificação conveniente sobeja-lhe. São assim as peregrinações caminhadas em busca de um lugar pré-determinado, as incursões com destino a aproveitar o que lá houver, e as deambulações tipo vamos indo e depois vê-se. Convém sempre distinguir o impulso individual do institucional para a sugestão da partida. O primeiro foi sempre mal visto e suspeitoso; o segundo deu origem a santuários de diversos bezerros de ouro, grandes deambulações e corpos estruturados de servitas. A liberdade de deambular foi sempre proporcional à posição social do caminheiro, dos apoios na viagem, da sua capacidade de auto-segurança. Mas também da rentabilização coletiva dos objetivos da viagem: emigrar para sustentar a família sempre foi doloroso mas entendido; desaparecer sem dar referências, uma anarquia inaceitável.

 Não admira pois que em períodos onde as restrições sociais e policiais mais afrouxaram tenham aparecido caminheiros militantes: a 20 de abril de 1916 partiram do Porto os estudantes José Teixeira e Alfredo Vieira para percorrerem «Portugal a pé em missão de estudo e propaganda do paiz, vivendo do producto dos bilhetes postaes que oferecem como recordação, ficando o custo à generosidade de V. Ex.ª». Propunham-se percorrer o Minho, Douro, Trás-os-Montes, Estremadura e Algarve, conforme consta de um folheto então impresso, onde aparece a sua fotografia em pé, um deles com o que parece ser um uniforme militar e cajado, arrimado a uma sacola pousada numa pequena mesa central e o outro, mais civil, com bornal suspenso do cinto sobre o casaco também expedicionário. Menos de um ano depois, a 10 de fevereiro de 1917, sai do Porto, Manuel Domingos Ramos, natural de Gaia, para percorrer a pé Portugal, do Minho ao Algarve, mas incluindo incursões até à fronteira em Trás-os-Montes, Beiras e Alentejo, como o indica o itinerário traçado num mapa de Portugal impresso a cores num postal, com a sua fotografia, na qual ostenta um boné institucional com placa metálica sobre a pala e um emblema na lapela, podendo tratar-se de um ferroviário. Tendo regressado a 24 de outubro de 1918 da prova do feito mandou imprimir o dito (hoje uma raridade da cartofilia) aí sugerindo «a fineza de lhe comprar este postal que fica à vossa generosidade».

Afora estas deambulações particulares, e das tradicionais e cíclicas romarias das aldeias aos santuários e ermidas mais próximos, a melhoria generalizada das estradas e dos transportes, mas também os grandes acontecimentos comemorativos, como a Exposição Internacional do Porto em 1865, que inaugurou o Palácio de Cristal, ou as comemorações henriquinas em 1894, puseram a percorrer as estradas caminheiros alavancados nestas novas justificações para meterem pés ao caminho, verem novidades, compararem experiências e, talvez, regressarem a casa. Estão por apurar os impactos destas deambulações na sociedade oitocentista e novecentista, quando os não privilegiados passaram o poder inscrever novas motivações no passaporte interno passado pelos governos civis. Que a desconfiança, pelo menos administrativa, sobre os caminheiros sem destino ou com destino pouco determinado, essa mantinha-se e até, em certas situações, acentuou-se.

Com o tempo e as transformações sociais, económicas e culturais, o caminhar transformou-se numa banalidade e numa terapia. Vai-se a qualquer lado por motivo nenhum, só para cumprir calendário doméstico ou para acrescentar um pequeno frisson ao tédio quotidiano. Já lá vai o tempo em que alguém tinha como objetivo: «Viajei por toda a parte viajável, li todos os livros de explorações e travessias – porque me repugnava não conhecer o globo em que habito até aos seus extremos limites, e não sentir continua solidariedade do pedaço de terra que tenho sob os pés com toda a outra terra que se arqueia para além. Por isso, incansavelmente exploro a História, para perceber até aos seus derradeiros limites a Humanidade a que pertenço, e sentir a compacta solidariedade do meu ser com a de todos os que me precederam na vida» (Eça de Queirós, A Correspondência de Fradique Mendes). Caminhemos, pois, enquanto podemos escolher a estrada que não sabemos onde vai dar e nem sequer se nos convém.

J. A. Gonçalves Guimarães

Presenças da Confraria

A direção da associação Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana, através dos seus dirigentes, delegados ou associados e confrades, esteve presente, pelo menos, nos seguintes eventos durante os meses de maio e junho:

Ainda a 15 de maio J. A. Gonçalves Guimarães participou no programa «Conversas com História» de Joel Cleto no Porto Canal gravando informações históricas sobre a Casa dos Condes das Devesas em Vila Nova de Gaia.

No dia 1 de junho o mesmo historiador esteve na Casa da Cultura de Avintes a falar no programa «O Livro da Minha Vida» sobre a Peregrinação de Fernão Mendes Pinto, numa organização dos Amigos da Biblioteca Publica de Avintes.

Dia 4 de junho no Palácio do Freixo, no Porto, no Dia Nacional de Itália, por convite do Cônsul Honorário da República Italiana no Porto, Paolo Pozzan, e com a colaboração da Associazione Socio-Culturale Italiana del Portogallo Dante Alighieri, a ASCR-CQ esteve representada por José Manuel Tedim; Gonçalves Guimarães; Manuel Moreira e António Pinto Bernardo da direção, Cristiana Borges Ferreira, do Gabinete de Historia, Arqueologia e Património, Paula Carvalhal, vereadora da Câmara de Gaia; Manuel de Novais Cabral, diretor do Museu Nacional Ferroviário;  Salvato Trigo, reitor da Universidade Fernando Pessoa, além de outros, alguns dos quais em representação de diversas entidades. Como habitualmente, alguns dos elementos presentes foram rever o “Relicário D, João I”, peça monumental em prata da autoria do ourives Filipe José Bandeira que em 1934 a Câmara de Gaia ofereceu a Salazar e que este, por sua vez, o re-ofereceu à Câmara do Porto, ali em exposição (ver artigo de J. A. Gonçalves Guimarães na Revista de Portugal, n.º 14 de 2017).

João Nicolau de Almeida

Dia 10, na cidade do Peso da Régua, nas Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, por convite do Presidente da República, fez o habitual discurso alusivo à data e à região o Eng.º e Enólogo João Nicolau de Almeida, conhecido criador de vinhos do Douro. Por especial deferência do autor será o mesmo publicado na Revista de Portugal de novembro próximo.

Neste mesmo dia a União das Freguesias de Mafamude e Vilar do Paraíso, Vila Nova de Gaia, galardoou com a medalha de mérito o canteiro-ornatista António Pinto.

No dia 13, Nuno Resende, professor na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, guiou uma visita comentada ao Roteiro de Santo António de Vila Nova de Foz Côa, organizada pela autarquia com a colaboração do Museu da Casa Grande de Freixo de Numão.

Na antiga Companhia de Fiação de Crestuma, em Lever;
fotografia de Eva Baptista

Neste mesmo dia, a patrimonióloga Maria de Fátima Teixeira, do Gabinete de História, Arqueologia e Património (ASCR-CQ) conduziu uma visita guiada e comentada ao Parque Arqueológico do Castelo de Crestuma e ao complexo fabril da Companhia de Fiação de Crestuma em Lever para os alunos do 6.º ano do Colégio de Nossa Senhora da Bonança de Vila Nova de Gaia.

No passado dia 17 de junho a ASCR-CQ colaborou com a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia na organização das Jornadas Europeias de Arqueologia que decorreram no Solar Condes de Resende sob o tema «Descobertas Arqueológicas em Vila Nova de Gaia», as quais foram presididas pela Eng.ª Paula Carvalhal, vereadora do Pelouro da Cultura, tendo estado presentes muitos associados, confrades, arqueólogos e público em geral. Do programa constaram apresentações de resultados de escavações recentes numa necrópole encontrada nos terrenos da antiga cerca do Mosteiro de Corpus Christi e sobre o antigo hospício e capela, depois fábrica de cerâmica, do Senhor d’Além, realizadas por equipas de arqueologia de duas empresas que têm trabalhado neste município. O Gabinete de História, Arqueologia e Património (ASCR-CQ), através de J. A. Gonçalves Guimarães e Maria de Fátima Teixeira, apresentou o tema «Arqueologia do Campo de Batalha: fragmentos de munições do canhão Paixhans no Castelo de Gaia» a publicar no volume do Património Cultural de Gaia – Património Arqueológico (PACUG). Após o intervalo foi entregue ao Gabinete pelo Eng.º Joaquim Alexandre Ferreira Gomes, em nome de sua mãe e restante família, para vir a integrar as coleções municipais de arqueologia, um machado pré-histórico em pedra polida, achado no lugar de Lavadorinhos, Olival cujo estudo se encontra publicado na revista abaixo referida, a que se seguiu a preleção do Prof. Doutor Rui Morais da Faculdade de Letras da Universidade do Porto sobre «Notícia da última hora! Tritão e Nereide avistados a Norte do Douro».

Na noite de 23 de junho, véspera de São João, de novo para o Porto Canal e numa colaboração que já vai sendo habitual neste dia e hora, o historiador J. A. Gonçalves Guimarães falou sobre alguns aspetos dos festejos sanjoaninos durante o Cerco do Porto.

Revistas

Como acima está referido, no passado dia 17 de junho nas Jornadas Europeias de Arqueologia foi apresentada pelo seu coordenador, Doutor António Manuel S. P Silva, o primeiro número da nova série da revista Gaya. Estudos de História, Arqueologia e Património, editada pelo Gabinete de História, Arqueologia e Património da associação Amigos do Solar Condes de Resende e cuja publicação se insere nas comemorações dos 40 anos das 1.as Jornadas de História Local e Regional organizadas pelo Gabinete de História e Arqueologia de Vila Nova de Gaia em novembro de 1983. A nova série tem como diretor José Manuel Tedim, como coordenador o arqueólogo e historiador acima referido, e como editores-adjuntos J. A. Gonçalves Guimarães, José António Martim Moreno Afonso e Nuno Miguel de Resende Jorge e Mendes. O conselho editorial é formado por Adrião Palmiro Bessa Pereira da Cunha; António Manuel de Barros Cardoso; Eva Cristina Ventura Baptista; Francisco Ribeiro da Silva; Jorge Fernandes Alves; Luís Manuel de Araújo; e Silvestre de Almeida Lacerda.

Este número tem um texto de apresentação de José Manuel Tedim, a que se segue um outro sobre a origem do Gabinete e os conteúdos dos sete números da primeira série por J. A. Gonçalves Guimarães; segue-se «Um machado em pedra polida de Lavadorinhos (Olival, Vila Nova de Gaia)» por António Manuel S. P. Silva e Sérgio Monteiro-Rodrigues, e «Cale, Caeno, Gaia. Notas histórico-toponímicas» pelo primeiro destes autores. «A necrópole romana do Sameiro, Valadares – um contributo para o estudo dos seus materiais», de José André Macedo apresenta um desconhecido espólio romano de Gaia, a que se segue o estudo de «Cerâmicas e vidros da Antiguidade Tardia das escavações arqueológicas da Igreja do Bom Jesus de Gaia (Vila Nova de Gaia) – um estudo introdutório» por Joaquim F, Ramos, elaborado enquanto foi investigador do GHAP; seguem-se os artigos de Historia sobre «O Cooperativismo em Vila Nova de Gaia, de finais de Oitocentos aos alvores da República» por Licínio Santos e «O Leverense quinzenário republicano» por Maria de Fátima Teixeira, também ambos membros do GHAP. O último artigo é uma publicação póstuma do Professor Arquiteto Octávio Lixa Filgueiras, em tempos apresentada em Gaia mas nunca publicada, sobre «Os pseudo-rabelos dos estaleiros urbanos, Este número fecha com uma notícia fúnebre sobre o Prof. Doutor António Baptista Lopes, o catálogo das publicações da ASCR-CQ, o estatuto editorial e as normas de publicação. O preço de venda ao público é de 15 € (o que inclui IVA. embalagem, portes postais e envio) podendo ser pedida para queirosiana@gmail.com.

Colóquios e Palestras

Arqueologia na Madalena

No passado dia 2 de junho, no auditório da Junta de Freguesia da Madalena, Vila Nova de Gaia, decorreu um colóquio sobre «Arqueologia na Madalena 300 mil anos de ocupação humana», onde foram apresentados os seguintes temas: «O património arqueológico da Madalena: uma visão de conjunto» por António Manuel S. P. Silva; «O sítio do Cerro: um local pré-histórico na Madalena» por Sérgio Monteiro-Rodrigues; e «O Castro da Madalena: resultados das escavações entre 2000 e 2022» por António Manuel S. P. Silva e Edite Martins de Sá. A organização foi da Junta de Freguesia da Madalena com a colaboração do Centro de Arqueologia de Arouca (projeto ARQ-EDOV).

Painéis azulejares

No próximo dia 29, pelas 18,30 horas, no Solar Condes de Resende e via Zoom, na habitual palestra das últimas quintas-feiras do mês promovidas pela Confraria Queirosiana, a investigadora do Gabinete de História, Arqueologia e Património, Cristiana Borges Ferreira, falará sobre «Iconografia da História de Portugal em painéis azulejares: o caso da Estação de S. Bento no Porto».

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 178, domingo, 25 de junho de 2023; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana (Instituição de Utilidade Pública); C.te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação do blogue e publicação no jornal As Artes Entre As Letras: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.