segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Eça & Outras

Eça & Outras, domingo, 25 de setembro de 2016

Do Realismo ao pós-Neorrealismo

Eça de Queirós nasceu em 1845, pouco depois da frequência obrigatória do ensino primário ter sido estabelecida por decreto, o que demorará décadas a ser verdade. Viveu numa época em que tudo era interrogado e equacionado, nomeadamente a Literatura. Escrevia-se para quê? Para entreter ócios? Para "dar brilho à pena"? Para alardear erudições? Para descarregar frustrações? Para ganhar a vida? Tudo isto foi questionado pela Geração de 70 saída, com bastante ruido, da Universidade de Coimbra. Antero escreve A Dignidade das Letras e as Literaturas Oficiais em 1865 e no ano seguinte Eça publicará na Gazeta de Portugal os seus primeiros textos "diferentes", que no ano seguinte largamente praticará no Distrito de Évora. Buscava então novos caminhos, que ensaia em 1897 em As Farpas e teoriza nas Conferências do Casino com «A Nova Literatura ou o Realismo como nova expressão de Arte». É sabido o que veio a seguir com os seus romances O Crime do Padre Amaro, O Primo Basílio e outros, onde o desespero das classes populares está sempre presente, ainda que secundarizado pelos "dramas" das classes média e alta.
Mas no final do século XIX reaparecem os escritores preocupados com os suspiros das donzelas e outras banalidades expressas em exotismos, parnasianismos, simbolismos, modernismos e nacionalismos, que pouco tinham a ver com o quotidiano das pessoas comuns e a sua luta pela sobrevivência. Este panorama literário estéril, de jogos florais, que tinha no escritor Júlio Dantas o seu expoente máximo, mas que também encontramos em muitos outros seus contemporâneos e atuais, alguns deles muito endeusados pela opinião pública letrada, nos anos trinta do século XX vai mudar radicalmente quando o sofrimento dos pobres e das classes trabalhadoras em geral passa a ser objeto literário corrente. Chegou-se assim ao Neorrealismo, e retomou-se, diferentemente embora, o caminho desbravado por Eça de Queirós, que por isso alguns intelectuais tentaram “domesticá-lo” no Centenário de 1945. Um dos precursores deste movimento foi o escritor Afonso Ribeiro, de quem já aqui falamos, e que hoje importaria reeditar e voltar a ler, quando os pobres, os refugiados, os migrantes, os desempregados, os excluídos, continuam a ser todos os dias ameaçados e perseguidos por uma nova e mais perversa organização social que domina o mundo, em nome do "desenvolvimento", a partir das grandes capitais ou de pequeníssimas ilhas privadas.      
Nascido em 1911 na Vila da Rua, Moimenta da Beira, frequentou o Seminário e a Escola do Magistério Primário. Em 1937 era colaborador do jornal Sol Nascente do Porto, onde estreava uma nova visão literária sobre a vida das classes excluídas que em 1938 apresenta no livro Ilusão na Morte, sendo por isso considerado um dos precursores do neorrealismo português, tendo em conta que naquele mesmo ano Alves Redol publica Glória e em 1939 Gaibéus, enquanto Esteiros, de Soeiro Pereira Gomes, só aparecerá em 1941.         
Em 1939 vai para o Brasil mas, não tendo conseguido visto de permanência, volta nesse mesmo ano, pois os tempos por ali também estavam conturbados devido às tentativas ditatoriais de Getúlio Vargas para a criação de um Estado Novo brasileiro.                                                                                                       
Regressado a Portugal e ao ensino, fixa-se em Vila Nova de Gaia, tendo lecionado na escola primária de Vilar do Paraíso, bem assim como sua mulher Otília Leitão, também ela professora da instrução primária. Em 1946 é um dos signatários de uma exposição enviada ao ministro da Educação Nacional sobre a «difícil situação económica do professorado português», subscrita por docentes dos ensinos particular, técnico, liceal e superior. Em novembro desse mesmo ano é também um dos muitos signatários de outra exposição, desta feita enviada ao presidente da República, general Carmona, intitulada «Os intelectuais portugueses protestam» sobre as condições de repressão e censura de que eram alvo e a liberdade de expressão e de associação que lhes era negada, na qual encontramos escritores, jornalistas, artistas, arquitetos e criadores intelectuais, subscrita por António Sérgio, Aquilino Ribeiro, Eugénio de Andrade, Fernando Azevedo e Fernando Lopes Graça, entre muitos outros. No ano seguinte parte com a sua mulher para Moçambique, onde teve várias profissões e continuou a sua atividade de escritor, só regressando de novo a Portugal em 1976, fundando em Lisboa a Editorial Notícias, ligada ao Diário de Notícias, vindo a falecer em Cascais em 1993. Em 2011 a Câmara Municipal de Moimenta da Beira comemorou o centenário do seu nascimento, colocando uma lápide na casa onde nasceu.
Enquanto residiu em Vila Nova de Gaia, para além de artigos e crónicas dispersas por várias publicações, escreveu Plano Inclinado, romance, 1941; Aldeia, romance, 1943; Trampolim, romance, 1944; Povo, contos, 1947. Ainda em 1946 tinha aqui iniciado, com o romance Maria, a publicação de uma trilogia intitulada Escada de Serviço, vindo o segundo romance, O Pão da Vida, a ser publicado somente em 1956 em Lourenço Marques, e finalmente em 1959 O Caminho da Agonia, também publicado naquela colónia. É assim a década de quarenta o período mais fecundo deste escritor, hoje pouco recordado, até porque em todas as suas páginas lembra misérias e condições sub-humanas que ainda hoje existem entre nós e não são bonitas de ver, de ler ou sequer de se saber que existem. Mas ele é, inequivocamente, um dos pioneiros do romance social em Portugal. Os cenários e personagens das suas obras, embora podendo ser colocados em qualquer grande cidade e nos seus arrabaldes, foram obviamente colhidos na sua vivência local como o denunciam certos pormenores do texto. A exceção é o romance Aldeia, o qual, com os mesmos cuidados de universalização, se reporta à sua terra natal na Beira Alta.
Prosa crua e dura, chocante mesmo na sua crueza, mas tristemente verdadeira nos retratos que traça da maior parte das crianças, homens e mulheres que viveram no tempo da 2° Grande Guerra, que as gerações de hoje até talvez tenham dificuldade em acreditar que existiram, porque os pobres e os excluídos atuais são já muito diferentes daqueles outros, pois dão entrevistas na televisão e são referidos em todos os discursos políticos, acabando por originar empregos para a classe média baixa, tais como polícias, professores, assistentes sociais, psicólogos, enfermeiros, médicos, advogados, informáticos e outros que fazem a gestão do seu quotidiano, absorvendo as verbas que eventualmente poderiam contribuir para que os excluídos mudassem de situação. E, além do mais, os pobres hoje são numerosos e votam, naturalmente de acordo com os interesses das classes “dirigentes” que os protegem e os mantêm numa situação da qual, as mais das vezes, nem sequer querem sair. Para quê? O desemprego é uma realidade incontornável, pois a agricultura mecanizou-se e a indústria fabrica toneladas de coisas inúteis e baratas. Competiria à Educação entreter os cidadãos inativos, mas aí ainda vamos atrasados e temos deixado essas tarefas ao turismo, aos cuidados de saúde e às religiões. A sociedade vive da procura de equilíbrios, nem sempre os melhores. Por isso mesmo, talvez sirva para alguma coisa o lembrarmo-nos que os retratados naqueles romances são os bisavós e avós dos adultos atuais, e que, entretanto, a maior parte da literatura do nosso tempo voltou a refugiar-se num onirismo metafórico que ignora a realidade comum, a qual, e salvo muito raras exceções, divulga e impinge uma elevadíssima dose de sensaboria aos seus leitores através do marketing das editoras e dos “prémios” literários pré-cozinhados. Mas, apesar de tudo, oxalá que não tenhamos necessidade de criar um Neo-neorrealismo.

J. A Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria Queirosiana

Registo de trabalhos de investigação

             O sítio da Confraria Queirosiana, no blogue da Academia Eça de Queirós, passou a registar, de acordo com os interessados, os títulos dos temas em investigação por parte dos sócios e confrades dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, independentemente da obrigatoriedade do seu registo noutras instituições, como é o caso dos temas de teses de mestrado e doutoramento. Os objetivos são, entre outros, a defesa dos direitos de autor e direitos conexos e o registo da prioridade autoral dos mesmos.

Livros, revista e outros

Quinto – Lisbon to Aberford, de Alan Carrick
           
O autor esteve no Solar Condes de Resende em 1996 à procura de dados sobre o bispo do Porto filho dos condes de Resende e de outras personalidades que se destacaram na região, no país e na Europa no início do século XIX. Produziu agora esta narrativa que parte da existência concreta de uma lápide no adro da igreja de  Aberford  de Henry van Zeller, nascido no Porto a 15 de outubro de 1787 e ali falecido a 31 de janeiro de 1810, com 23 anos. Este livro procura explicar como é que este jovem português, nascido numa das mais importantes famílias de negociantes da região do Porto, foi morrer naquela povoação de New Yorkshire na época em que Portugal, entalado pelos interesses imperialistas da Inglaterra contra a França napoleónica, sofreu invasões francesas, inglesas e espanholas no seu território. Utilizando documentos verdadeiros o autor coloca-nos no palco da época em que todos aqueles interesses estão presentes, em cenários que ainda hoje existem. Escrevemos negociantes e não “negociantes de Vinho do Porto” como ali se escreve, mitologia que essas famílias e os seus cronistas recentes efabulam, pois os Van Zeller, e outros, eram negociantes de “tudo” o que aportava ou saía da barra do Douro, neste caso em maior quantidade os cereais importados de Norte da Europa. O negócio do Vinho do Porto, à época Vinho de Feitoria estava nas mãos dos ingleses anglicanos, pois o seu maior ciente era a Armada Britânica. Em todo o caso um livro fascinante onde o percurso individual se confunde com a  História da Europa da época.

The Horse and the Bull agora em papel

Coordenadas por Fernando Augusto Coimbra foram agora disponibilizadas em edição em papel as Actas do I Congresso Internacional o Cavalo e o Touro, que teve lugar na Golegã e na Chamusca em 2013, intituladas The Horse and the Bull in Prehistory and in History, as quais contêm, entre muitos outros, os textos de ARAÚJO, Luís Manuel de – O cavalo no Egito faraónico: uma avalizadora semiótica do poder, e idemKanakht, “touro poderoso”: um expressivo título da realeza egípcia; COIMBRA, Fernando A. – A possible horse hunting scene in the rock art from Philippi (Grece); idem, O cavalo como animal psicopompo na Europa do I milénio a. C.; idem com SOUSA, Rosário – 30.000 anos de história do cavalo: sua divulgação através da pintura contemporânea; GUIMARÃES, J. A. Gonçalves; GUIMARÃES, Susana - Aprestos e representações equestres da Coleção Marciano Azuaga.

Cursos, palestras, colóquios, jornadas e outros

História da Educação
            No passado dia 8 de setembro decorreu em Lugo, Espanha, o VIII Encontro Ibérico de História da Educação, o qual teve a presença de muitos investigadores desta área oriundos de Espanha, Portugal e de outros países lusófonos e castelhanistas. A investigadora no Solar Condes de Resende, Eva Baptista, apresentou a comunicação «A educação em Vila Nova de Gaia (município do noroeste de Portugal), entre 1880 e 1930: escolas, associações e personalidades».

Jornadas Europeias do Património 2016
Eduardo Vitor Rodrigues nas JEP2016
            No passado sábado, dia24 de setembro decorreram no Solar Condes de Resende as Jornadas Europeias de Património 2016, promovidas pelo Concelho da Europa e em Portugal pela Direção Geral do Património Cultural, este ano sob o tema “Comunidades e Culturas”. Esteve presente como palestrante Eduardo Vitor Rodrigues, professor de Sociologia na FLUP e presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, e ainda Gonçalves Guimarães, António Manuel Silva, Paulo Costa, José Vaz, Eva Baptista, Fátima Teixeira e Joana Ribeiro que apresentaram as suas mais recentes investigações nos domínios do património destinadas ao PACUG (Projeto de levantamento do Património Cultural de Gaia).
            Estas Jornadas decorreram por todo o país, tendo nelas participado diversos confrades queirosianos, como foi o caso das que se realizaram no Museu Municipal de Penafiel, coordenadas, entre outros, pelo Prof. Doutor Nuno Resende da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Iniciação à escrita hieroglífica
A partir de 28 de setembro decorre na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa este curso organizado pelo seu Centro de História, o qual se prolongará até 14 de dezembro, com a coordenação científica do egiptólogo Prof. Doutor Luís Manuel de Araújo.

Património de Gaia no Mundo
 No dia 29 de setembro, quinta-feira, decorrerá no Solar Condes de Resende pelas 21,30 horas a palestra sobre o título em epígrafe proferida pelo Prof. Doutor Francisco Queirós, coordenador do respetivo volume do PACUG, o projeto dirigido pelo Gabinete de História, Arqueologia e Património dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana para a Câmara Municipal de Gaia, com um coordenador geral, dez coordenadores de volume e largas dezenas de investigadores profissionais nas diversas áreas do Património.

Curso de História Naval no Solar
No próximo dia 3 de outubro decorrerá no Palácio da Bolsa no Porto mais uma conferência sobre os desafios do Mar, intitulada “Atlântico Mais – A evolução das operações portuárias”, para a qual foi convidado J. A. Gonçalves Guimarães como investigador de História Naval e coordenador de um curso sobre a mesma temática no Solar Condes de Resende, o qual terá início no próximo dia 15 de outubro, sábado, com uma aula sobre «Uma política marítima para a frente atlântica» pelo sociólogo da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Prof. Doutor Eduardo Vitor Rodrigues, a que se seguirá no dia 22 de outubro «Navios e navegações antigas no Mediterrâneo» pelo egiptólogo da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Prof. Doutor Luís Manuel de Araújo, lembrando o berço da marinha europeia e norte-africana. Este curso é organizado pelo Solar Condes de Resende com a colaboração da Academia Eça de Queirós e certificado pelo Centro de Formação de Associação de Escolas Gaia Nascente do Ministério da Educação.

XIX Jornadas Culturais de Balsamão
Nos próximos dias 6 a 9 de outubro decorrem estas jornadas no Centro Cultural de Balsamão, Macedo de Cavaleiros, este ano subordinadas ao tema “O contributo do associativismo para a defesa do património”, as quais terão como conferencistas, entre outros, o Dr. Andrade Lemos do Centro Cultural de Telheiras/Centro Cultural Eça de Queirós, o qual, em colaboração, falará sobre «A Irmandade de Nossa Senhora da Porta do Céu».

X Edição dos Colóquios do Porto “Encontros com o Tempo”
Nos dias 4 e 5 de novembro decorrerá na Fundação Eng. António de Almeida no Porto uma nova edição destes colóquios, que têm como presidente honorário o Dr. Jaime Milheiro, desta feita subordinado ao tema “Psicanálise e Cultura”. O referido médico psiquiatra, psicanalista e escritor, membro da Sociedade Portuguesa de Psicanálise, participará ainda como comentador na conferência de abertura e apresentará o tema «Medicina Desportiva, “Anti-aging”».

Prémio
No passado dia 23 de setembro decorreu na Fundação Eça de Queiroz em Baião a entrega do seu prémio literário patrocinado pela respetiva Câmara Municipal. O júri, de que fez parte, como presidente, o Dr. Guilherme de Oliveira Martins, galardoou a obra «As atualizações dos romances de Eça de Queirós para o pequeno ecrã» de Filomena Antunes Sobral.

Outros eventos

Marca “GAIA Todo um Mundo”


No passado dia 19 de setembro, no Auditório Municipal de Gaia foi apresentado o projeto “Gaia Todo um Mundo”, como citymark e conjunto de conteúdos e propósitos de identificação da comunidade gaiense e as suas características voltadas para o exterior: o ambiente e os parques naturais; o mar atlântico e o Rio Douro, os Vinho do Porto e do Douro, a indústria cerâmica e metalomecânica, o turismo e as unidades hoteleiras; os eventos populares e o património. Do painel de comentadores do projeto faziam parte, além do anfitrião, Eduardo Vitor Rodrigues, presidente da câmara municipal, e Albino Almeida presidente da assembleia municipal, Manuel de Novaes Cabral, presidente do IVDP e Sebastião Feyo de Azevedo, reitor da Universidade do Porto, além de outros.
 _______________________________
Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 95 – domingo, 25 de setembro de 2016; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; Cte. n.º 506285685 ; NIB: 001800005536505900154 ;
IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: Susana Moncóvio.







 

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Eça & Outras

Eça & Outras, segunda-feira, 25 de julho de 2016

 “A emigração como força civilizadora”
António Aresta, autor de diversos estudos sobre a história macaense, acaba de publicar na Revista de Cultura editada pelo Instituto Cultural de Macau, n.º 52 referente a 2016, uma nova abordagem sobre “Eça de Queiroz e a emigração chinesa de Macau”, assunto esse que tem vindo a merecer a atenção de um cada vez maior número de investigadores que, para além de disponibilizarem cada vez mais e mais cuidada informação sobre a debandada forçada de milhões de chineses para fora da sua terra natal motivada pelos interesses imperialistas de ingleses, franceses, alemães, estadunidenses e japoneses que no século XIX puseram a China a ferro e fogo, os quais também estranham o facto de Eça de Queirós, que humanamente exorbitou das suas funções como cônsul funcionário público para proteger os culies chineses em Havana contra o esclavagismo dos fazendeiros espanhóis de Cuba, ainda não tenha sido reconhecido como um dos benfeitores da Humanidade pelas instancias internacionais precisamente pela sua ação na defesa ativa dos milhares de refugiados/ emigrados/ escravizados chineses que ali chegavam. Sabendo ele do seu embarque em Macau e dando aplicação efetiva à legislação oficial ali publicada, que entendia não ser só “para inglês ver”, registou todos os emigrantes com aquela proveniência no seu consulado e deu-lhes um visto, o que teoricamente transformava em cidadãos portugueses estes refugiados de uma guerra que não pediram nem queriam, mas que foi feita em nome do “progresso” e dos “supremos valores da civilização ocidental”. Não, caro leitor, não estou a falar das guerras da Europa, da Palestina, do Vietname, do Afeganistão, dos Balcãs, da Ucrânia, do Iraque e da Síria, entre outras, e dos seus milhões de refugiados, mas apenas a lembrar-lhe que os governantes que tem elegido democraticamente nos últimos cento e cinquenta anos não têm aprendido nada com a História. E afinal, você que os elege, também não!
E já que falamos em escravatura, perante algumas ideias e organizações simplistas, ou mesmo mistificadoras, que por aí andam, lembremos que essa abjeção humana não tem cor de pele nem crença religiosa que lhe valha. Também houve escravos brancos ao longo das épocas – nem vale a pena aqui lembrar a origem da palavra escravo, do baixo latim sclavus/slavus, em alemão der Sklave, em inglês slave, muito parecida com a palavra eslavo, do latim slavi, no alemão der Slave, no inglês slav. A libertação de escravos brancos, «o resgate de cativos tornar-se-á num dos maiores negócios especializados do Mediterrâneo medieval e moderno» (DUARTE, Luís Miguel (2012) – Ceuta 1415. Seiscentos anos depois. Lisboa: Livros Horizonte, p. 218), o qual só terminaria na I Grande Guerra devido à intensa militarização europeia do norte de África. Por sua vez, se é certo que foram as nações coloniais europeias que mais ganharam com a escravatura africana, as que iam comprar seres humanos aos portos de mar, convém não esquecer que grande parte deles eram capturados por africanos, quantas vezes da mesma etnia, em guerras tribais ou razias organizadas para tal, e depois vendidos na costa. Ou seja, a perfídia não era exclusiva dos “brancos”, mas nascia “ em casa”. Os povos “vermelhos” do Brasil e América do Sul e Central, logo após a chegada dos cristãos europeus, entraram em “resistência pacífica” – como no século XX faria Gandhi na Índia – e por isso preferiam suicidar-se a serem escravizados. Tiveram também um indefetível defensor português da sua condição de liberdade que por pouco não foi sentenciado pela “Santa Inquisição”, o humanista e homem maior da Humanidade chamado Padre António Vieira. Na América do Norte os “vermelhos” foram sistematicamente eliminados pelos colonos protestantes europeus, autores de verdadeiros genocídios sobre os indígenas norte-americanos. Hoje os E. U. A. têm um presidente humanista afro-havaiano – e a história de como os estadunidenses se apoderaram do Havai não é nenhum feito de glória, mas de vergonha, o que poderá explicar o ataque japonês a Pearl Harbor em 1941, que a propaganda estadunidense sempre apresenta como um ataque à traição, mas nunca explica como é que os “americanos” lá foram parar e o que estavam a fazer num território alheio no meio do Pacífico, com soberania própria antes da perfídia colonial dos yankees. Obama é um homem que transporta consigo muita da memória do sofrimento humano de África e do Novo Mundo, mas também da esperança da Humanidade. O seu provável sucessor poderá vir a ser um símbolo assumido de tudo aquilo que de mentecapto existe na sociedade americana e ocidental. A sua vitória implicaria um enorme retrocesso, pelo menos cultural, para a Humanidade. Hitler também foi democraticamente eleito pelo povo alemão, e deu o que deu. Isto para dizer que, do politicamente popular até ao politicamente correto, dificilmente algum dia veremos nos E. U. A. um presidente Cherokee, Sioux, Comanche ou Apache, o mesmo acontecendo no Canadá, onde os descendentes dos colonos ingleses ainda mantêm a bizarria de terem aquela fleumática velhota que é a rainha de Inglaterra como chefe de estado. Ele há coisas que a razão não entende ou vai demorar séculos a alterar.
            Escravos chineses, ou asiáticos, têm demorado a ser considerados na triste história da escravatura, não apenas por causa do conhecimento dos seus pressupostos civilizacionais estribados no confucionismo, no taoismo ou no budismo, mas porque eles foram, em termos globais, os “últimos a chegar”, numa época em que já era suposto que a Humanidade tivesse vergonha do fenómeno. Por isso os diversos autores lhes chamam “emigrantes asiáticos”, culies, chinas, ou outras designações injuriosas ou sofismáticas. Foram tão escravos como os brancos cativos, os negros capturados ou os vermelhos abatidos, seres humanos a quem alguém entendeu em nome do costume, da religião oficial, da lei do estado ou simplesmente da ganhuça, privar da sua terra e da família, dos meios de subsistência próprios e da condução do seu destino. Afinal é isso a escravatura.
            Já em 2012 tentei perceber o fascínio de Eça de Queirós pela civilização chinesa em “ A representação dos chineses na obra de Eça de Queirós” (GUIMARÃES, J. A. Gonçalves, Revista de Estudos Chineses Zhongguo Yanjiu, Lisboa: Instituto Português de Sinologia, n.º 8, 2012, p. 59-74. Nesse mesmo ano Elina Maria Correia Batista apresentou na Universidade da Madeira a tese de doutoramento “Da emigração entre continentes em Eça de Queiroz: da correspondência consular à obra literária”, onde analisa a emigração dos culies no enquadramento mais geral do “sonho americano”, que igualmente atraiu muitos portugueses insulares e continentais, depois dos anos da “escravatura branca” para o Brasil imperial e republicano.
            Este artigo que agora consideramos dá particular relevância à posição das autoridades de Macau à época, apresentando uma listagem das embarcações que transportaram do porto de Macau para Havana, Calláo de Lima e outros destinos americanos os milhares de escravos chineses perante a indiferença internacional apenas amenizada no caso de Cuba pelo cônsul Eça de Queirós que nem sequer tinha sangue asiático nem era confucionista. Era apenas «um pobre homem da Póvoa de Varzim» e isso lhe bastava para o seu sentido de solidariedade para com as vítimas daquela gritante exploração a que não quis nem pode ficar intelectual, burocrática e humanamente indiferente.
            Terminemos com uma boa notícia: o atual Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Dr. José Luís Carneiro, está a providenciar uma nova edição do notável relatório de Eça de Queirós escrito em 1874 e publicado pela primeira vez em 1979 por Raúl Rego sob o título “A Emigração como força civilizadora” e depois em duas outras edições promovidas por José Lello e Isabel Pires de Lima em 2000 e 2001, que rapidamente esgotaram. Aí escreveu Eça: «Estudadas as feições da emigração livre, a história dos seus movimentos, as suas causas, as suas consequências económicas, as suas relações com o Estado e a possibilidade da sua organização universal, discutida a emigração assalariada nas suas correntes e nos seus resultados sociais, eu julgo terminado este trabalho que é a afirmação, e direi mesmo a apologia, da emigração como força civilizadora». Valeria a pena traduzi-lo para inglês e difundi-lo pelos fóruns mundiais, pois a Humanidade teria muito a ganhar com as reflexões que este texto de Eça viesse a provocar na atual classe política. Talvez também provocasse a ira de um certo senhor que os estadunidenses se preparam para eleger como seu presidente. E o problema não será só deles, mas do mundo inteiro. Já nos chegava Putin e a sua sociedade dopada.

J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria Queirosiana

Biblioteca Queirosiana
        
A Confraria Queirosiana foi brindada com a oferta de uma parte muito substancial da Queirosiana do confrade Eng.º Ricardo Charters de Azevedo, composta por muitos títulos antigos, edições clássicas, primeiras edições e raridades bibliográficas, que assim vem enriquecer os seus núcleos bibliográficos de ofertas e depósitos anteriores, como os de Manuel Alves Luís, Prof. José Rentes de Carvalho, Dr.ª Júlia de Castro, Dr. Raúl Ferreira da Silva e Rocha Artes Gráficas, além de doações avulsas por vários sócios. A entrega oficial será feita no próximo capítulo, dia 19 de novembro, havendo notícias de que se preparam outras doações. Estas obras, devidamente catalogadas e referenciadas em nome dos doadores, ficarão no Solar Condes de Resende para consulta dos interessados.

Mestrado
        
Mestre Paulo Sousa Costa


No passado dia 13 de julho prestou provas públicas de dissertação de mestrado na Faculdade de Letras da Universidade do Porto o Dr. Paulo Sousa Costa sobre o tema “Alfândega da Fé de Sobre a Valariça: o domínio senhorial ao senhorio régio (séculos XII – XIV), tendo sido seu orientador o Prof. Doutor José Augusto de Sottmayor-Pizarro. Foi aprovado por unanimidade com distinção e com a classificação de 19 valores, passando pois a Mestre em História – Estudos Medievais.


Livros

A Igreja e Escola do Prado
       

Coordenado por António Manuel S. P. Silva e com textos seus, de José António Afonso e de Alexandra Vidal, foi recentemente publicada a brochura “A Igreja e Escola do Prado. Cento e quinze anos de instrução e testemunho cristão em Coimbrões, Vila Nova de Gaia”, editada pela Igreja Lusitana, a qual faz a memória e a história desta congregação irmã da Igreja e Escola do Torne, ambas fundadas por Diogo Cassels e ambas referência incontornável na História da Educação em Portugal.



Misericórdia do Porto
           
No passado dia 30 de junho foi lançado no Museu da Misericórdia do Porto o volume das Atas do III Congresso de História da Santa Casa da Misericórdia do Porto, subordinado ao tema Saúde, Ciência, Património, o qual decorreu na Casa da Prelada no Porto entre 13 e 15 de novembro de 2014. Na sequência das atas dos dois congressos anteriores este volume apresenta o mesmo bom aspeto gráfico e contém, entre outros, os estudos de Francisco Ribeiro da Silva, mesário da SCMP e coordenador do volume, também aqui autor das “Palavras de abertura do III Congresso” (p. 11-13) e de “ A proclamação da República e as imediatas tentativas de interferência do Estado na administração da Santa Casa da Misericórdia do Porto” (p. 515-540); Jorge Fernandes Alves “O legado do Conde de Ferreira e o Hospital de Alienados na reconfiguração da filantropia tradicional”; J. A. Gonçalves Guimarães e Susana Guimarães “José Pamplona Carneiro Rangel (1805-1811) e Manuel Pamplona Carneiro Rangel (1824), Provedores da Santa Casa da Misericórdia do Porto” (401 – 416).

Os Caminhos da Europa


No passado dia 4 de julho as Edições Afrontamento, com a presença do Autor, lançaram no Museu da Misericórdia do Porto o livro “Os Caminhos da Europa. Dez anos no Comité das Regiões 2006 – 2015”, o qual foi apresentado por Margarida Marques e José da Silva Peneda. O conteúdo está assim resumido na contracapa:
«Durante dez anos, de 2006 a 2015, no quadro do comité das Regiões da UE, o autor teve, a oportunidade de participar no debate político europeu sobre o melhor modo de conceber e aplicar as políticas públicas. O presente livro apresenta precisamente alguns dos textos que nesse período escreveu e algumas das intervenções e contributos que nesse âmbito protagonizou e ilustra o modo como a União Europeia e os seus Estados-membros foram capazes de edificar um conceito de desenvolvimento profundamente integrado e inovador - inteligente, sustentável, inclusivo - mesmo no quadro de um modelo mais territorializado de governação - governo multinível -, mas, ao mesmo tempo, a insuficiência do processo decisório europeu, quer no plano económico, quer no plano político.»

O Porto Romântico II


Acabam de ser publicadas em edição digital as Actas do II Congresso “O Porto Romântico”, publicadas pela Universidade Católica do Porto e coordenadas por Gonçalo de Vasconcelos e Sousa, que assina a Introdução. De entre os muitos conferencistas que aqui publicaram trabalhos destaquemos os de Susana Móncóvio sobre “Christina Amélia Machado (1860 – 1884): a primeira aluna da Academia portuense de Belas Artes ou a prefiguração de um destino coletivo”; de Teresa Campos dos Santos (com Eva Mesquita Cordeiro) “Irmandade de Nossa Senhora da Lapa: uma leitura do seu espólio museológico”; e de Laura Cristina Peixoto de Sousa “Faiança do Romantismo: a produção da Fábrica de Santo António de Vale da Piedade”. De entre os restantes autores alguns deles são também coordenadores e investigadores no projeto de levantamento do Património Cultural de Gaia em execução pelo Gabinete de História, Arqueologia e Património da Confraria Queirosiana, patrocinado pela Câmara Municipal de Vila nova de Gaia.

O Cavalo e o Touro
            Acabam de ser editadas em versão digital as Atas do 1º Congresso Internacional – o cavalo e o touro na Pré-história e na História, organizado pelo Centro Português de Geo-História e Pré-história, coordenadas por Fernando Augusto Coimbra e editadas por Cordero Editore, Génova. Nestas Atas podemos encontrar, entre outros, os seguintes trabalhos: ARAÚJO, Luís Manuel de, «O cavalo no Egito Faraónico: uma civilizadora semiótica do poder»; «KA NAKHT, “Touro Poderoso”: um expressivo título da realeza egípcia»; COIMBRA, Fernando Augusto, «O cavalo como animal psicopompo na Europa do 1º milénio a. C.»; «Homem versus touro: contributo para a história de um confronto»; COIMBRA & ILIADIS, Giorgos, «A possible horse hunting scene in the rock art from Philippi (Greece)»; COIMBRA & SOUSA, Rosário «30.000 anos de História do Cavalo: sua divulgação através da pintura contemporânea»; GUIMARÃES, J. A. Gonçalves & GUIMARÃES, Susana, «Aprestos e representações equestres da Coleção Marciano Azuaga».

Auxílio aos Reclusos
         A maior parte das pessoas, ainda que de formação cristã, ignora, ou não quer saber, que visitar os presos é uma das 14 obras de misericórdia, a 6ª das corporais. Para os cidadãos humanistas sem religião tal é simplesmente um gesto de solidariedade para com os seus concidadãos detidos pela comunidade, quantas vezes injustiçados se compararmos as suas culpas com as de outros que continuam em liberdade e a quem essa mesma comunidade disponibiliza justificações e meios para se entenderem com o sistema judicial. Grandes homens e grandes mulheres, com e sem culpa, foram reclusos ao longo da História da Humanidade. A Obra Vicentina de Auxílio aos Reclusos (O.V.A.R.), de que é presidente o nosso confrade Eng.º Manuel Hipólito Almeida dos Santos, disponibiliza a página na internet http://ovarprisoes.wix.com/ovar e a página no facebook https://www.facebook.com/ovarprisoes/ para a obtenção de informação sobre a realidade prisional.

Palestras, colóquios e conferências
         O Património Construído de Gaia: proposta de sistematização e de estudo – Conferência apresentada no dia 30 de junho (noite de S. Futebol!) no Solar Condes de Resende pelo Prof. Doutor Nuno Resende, docente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e coordenador do PACUG (Projeto de Levantamento do Património Cultural de Gaia) em execução pelo GHAP dos ASCR-CQ, com o patrocínio da Câmara Municipal de Gaia.
            Roteiros de Inovação PedagógicaNo passado dia 16 de julho decorreu em Lisboa, na Escola Oficina n.º 1 no Largo da Graça, a 1ª Reunião Plenária do Projeto INOVAR – Roteiro de Inovação Pedagógica sobre “Experiências de Referência em Portugal no século XX”, financiado pela FCT, o qual reuniu investigadores de diversas universidades portuguesas, entre os quais José António Afonso e Eva Baptista, que ali apresentaram os seus projetos de investigação nesta área.
            Instituições de Assistência em Vila Nova de Gaia ao longo dos tempos. A propósito dos 40 anos da Cercigaia ao serviço da criança, da família e da sociedade – Palestra proferida por J. A. Gonçalves Guimarães nas comemorações que decorreram na Escola Secundária Inês de Castro no dia 23 de julho.
            Pontes sobre o Rio Douro. Abraços e beijos entre Gaia, Porto e Gondomar – Palestra do ciclo das últimas quintas-feiras do mês no Solar Condes de Resende, a proferir por J. A. Gonçalves Guimarães no dia 28 de julho, coordenador-geral do PACUG.

Medalhas de mérito municipal

João Nicolau de Almeida e Paulo Talhadas dos Santos com J. A. Gonçalves Guimarães
No passado dia 28 de junho no dia do Município em cerimónia no Auditório Municipal, a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia distinguiu com medalhas de mérito municipal vários cidadãos e instituições, alguns dos quais sócios dos ASCR - Confraria Queirosiana, nomeadamente, com a medalha de mérito profissional, o enólogo Doutor João Rosas Nicolau de Almeida, criador do vinho Duas Quintas e de outros vinhos do Douro, ex-administrador da Casa Ramos Pinto e atualmente da Quinta Monte do Xisto em Vila Nova de Foz Côa, mentor dos museus de Sítio da Quinta da Ervamoira no Vale do Côa e do da Casa Ramos Pinto em Vila Nova de Gaia, e também, com medalha de mérito universal o Prof. Doutor Paulo José Talhadas dos Santos, biólogo, professor da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, fundador do FAPAS, autor e coordenador de diversos livros e manuais sobre temas da Natureza e coordenador dos estudantes de Biologia das semanas de estudos especializados que se realizaram entre 1996 e 2004 organizadas pelo Gabinete de História e Arqueologia de Vila Nova de Gaia no Museu de Ervamoira, bem assim como autor do estudo de biologia do projeto de São Salvador do Mundo, São João da Pesqueira, levado a cabo pelo mesmo Gabinete, já então integrado na Confraria Queirosiana, o que proporcionou um inesperado encontro dos dois galardoados com o coordenador de ambos os projetos.
Foi também galardoado com a medalha de valor e altruísmo o Doutor Eng.º Salvador Almeida, ex-comandante dos Bombeiros Sapadores de Vila Nova de Gaia.

Centro Interpretativo de Tongobriga

No passado dia 22 de julho, pelas 17,30 horas, com a presença do ministro da Cultura, Dr. Luís Filipe Castro Mendes, do diretor regional da Cultura do Norte, Dr. António Ponte, do presidente da Camara Municipal do Marco de Canavezes, Dr. Manuel Moreira, do diretor da Estação Arqueológica do Freixo, Prof. Doutor Lino Tavares Dias e de muitos convidados foi inaugurado o Centro Interpretativo de Tongobriga, que passará a colher os visitantes desta cidade romana do Baixo Douro.
Entretanto foi recentemente publicado o guia ilustrado intitulado “Tongobriga há 1900 anos - Mapa”, coordenado por António Lima que elucida de forma rigorosa e artística o enquadramento e significado as ruínas.

Vivências de Gaia 2016

         Nos dias 22, 23 e 24 esteve aberto ao público no Monte Murado – Pedroso, Vila Nova de Gaia a VI Feira dos Saberes e Sabores – Vivências de Gaia 2016, com programa de animação contínua, gastronomia, jogos tradicionais e artesanato, organizada pela federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia, de que é presidente César Oliveira.
_________________________________________________________
Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 93 – segunda-feira, 25 de julho de 2016; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; Cte. n.º 506285685 ; NIB: 001800005536505900154 ; 
IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: António Manuel S. P. Silva, Fernando Coimbra, Manuel Hipólito Almeida dos Santos, Paulo Costa, Susana Moncóvio.



sábado, 25 de junho de 2016

Eça & Outras

«Hontem e hoje»

            Celebra-se este ano o 175º aniversário do nascimento de Alberto Sampaio, autor de «O Norte Marítimo: notas para uma história» (1890); «Ontem e hoje» (1892) e «As Villas do Norte de Portugal» (1892), todos estes textos publicados na Revista de Portugal de Eça de Queirós, depois revistos muitas vezes pelo autor à procura da máxima exatidão fatual e da coerência do discurso até à perfeição possível, republicando-os na Revista de Guimarães, na Revista de Ciências Naturais e Sociais e na Portugália, reunidos enfim por Luís de Magalhães nos Estudos Históricos e Económicos em 1923, reeditados em 1979, e mais recentemente nas Obras, em 2008, onde os podemos encontrar e voltar a ler.
            Alberto Sampaio pertence àquela geração de inquietos do século XIX, o grupo de jovens estudantes mais interrogador que jamais houve em Portugal, os quais puseram em causa o ensino obsoleto da lenta sebenta de Coimbra e relançaram a cultura portuguesa para horizontes até então nunca atingidos entre nós nas ciências da natureza, nas ditas exatas ou nas humanas, na Literatura, na Filosofia e nas Artes. É certo que os movia a vontade de acompanharem o progresso que chegava lá de fora a um Portugal então camiliano, ou mesmo castilhiano, chaguiano e ortigoniano e outros que se lhes seguiram até aos dias de hoje, com a luzinha do talento alimentada pela candeia provinciana. Alberto Sampaio e Antero de Quental foram aos Estados Unidos ver o mundo novo e Eça também, a desenjoarem dos milagres de Ourique, enquanto a chegada do darwinismo dava ocasião para duelos à espada. É a geração coimbrã de Adriano de Paiva, o criador do princípio da transmissão de imagens à distância que depois se chamaria televisão, e de muitos outros que se interrogavam sobre tudo o que até aí era tido como certo e inalterável na política, na economia, na religião, na história, no pensamento, na cultura, dando conta dessas interrogações em conferências, relatórios, jornais e revistas, criação de instituições, escrevendo romances como A Relíquia, publicando banda desenhada como a de Rafael Bordalo Pinheiro, divulgando os benefícios da pasteurização e da agronomia, tudo na grande esperança de que o povo, através da escola, “chegasse lá”. Esta geração tinha a clara ideia de que não havia um país para privilegiados e eruditos e um outro para os analfabetos ou os precariamente letrados e que haveria que conciliar o fim das fomes do corpo com as seculares fomes do espírito, das urbanas viagens do comboio com as efémeras felicidades campestres. Esta geração adivinhou mundos a haver porque se interrogava permanentemente e desconfiava das respostas imediatas, sabendo que “a luz” poderia demorar, e que, quando viesse, não vinha para ficar, podendo mesmo tratar-se de encandeamentos temporários, tão enganadores como os existentes, e que só a interrogação permanente era caminho a percorrer na luta constante contra a nacional pasmaceira. No que à História pátria dizia respeito, se já então se ouvia o bronzino sino de Herculano sobre os alvores da nacionalidade, as interrogações sobre o entre-tempo desde as ruínas castrejas de Martins Sarmento até ao das reconquistas aos mouros, compostelanos e leoneses era nesses dias solitariamente percorrido por Alberto Sampaio, que percebera que Portugal era o resultado de uma lenta evolução organizativa de populações camponesas e marinheiras litorâneas contra o norte asturo-galego, o leste leonês e o sul muçulmano, ajudadas pelos cavaleiros moçárabes de Lamego e Coimbra e pela autoridade religiosa da Bracara Augusta contra a Compostela feudal, e não o fiat lux de elites predadoras.
            E no entanto esta geração de interrogadores era humilde perante a ciência: «a chamada ”Luz da Ciência”, a cada instante mais viva e mais alta, só nos serve, por isso mesmo que a aumenta em altura e brilho, para nos mostrar quanto é infinita e inacessível, em redor, a tremenda treva metafísica. A ciência realmente só tem alcançado tornar mais intensa e forte uma certeza – a velha certeza socrática da nossa irreparável ignorância. De cada vez sabemos mais – que não sabemos nada» (Eça de Queirós, Notas Contemporâneas).
Esta humildade dos que procuravam a possível verdade das coisas, além de não ter tido continuidade, tem sido nos nossos dias despudoradamente aproveitada por novos bonzos de templos de velhas divindades travestidas, armados em messias universais ou pandilheiros de atividades ditas culturais para entreter reformados que não sabem o que fazer ao tempo livre e remunerado que a atual sociedade lhes proporciona. Daí à indústria da mitomania vai apenas um pequeno passo, que os turismos organizados em instituições acolhem, acalentam e promovem através de novos conselheiros acácios, os opinion makers que a geração dos anos sessenta e setenta do século XIX ridicularizou e depôs, pelos vistos temporariamente, no tapete das inutilidades. Mas ei-los, que aí os temos de novo, ferozes e maléficos nas suas tiradas e nas suas ações, sacudindo no bolso das calças o ódiozinho de estimação por tudo quanto cheire a livre pensamento. Para tal tentar esconjurar, vou propor que a atual Revista de Portugal volte a publicar o texto «Ontem e hoje» de Alberto Sampaio, uma das mais notáveis sínteses de análise sobre a História pátria e a maneira de ser dos portugueses que jamais li, entretanto, sem o prever, emoldurada pelo experimentalismo dos acontecimentos de mais de um século, o que alguns negam como possibilidade às ciências humanas: o texto foi inicialmente publicado em 1892 e o autor não podia saber o que desde então para cá se ia passar. Mas acertou em cheio: continuamos a ser e a agir como ele anotou até aí nesse seu texto. Mas creio que, tal como outros pensadores do seu tempo, também o autor de Vila Nova de Famalicão teria preferido ter-se enganado e concluído que desde o 31 de janeiro, o 25 de abril, o 13 de maio, o 10 de junho, o 5 de outubro, além de outros feriados religiosos de data hesitante que poucos sabem o que pretendem significar, já somos muito melhores na nossa vida pessoal e coletiva. Afinal é lícito ter ilusões.
Não direi, como o miúdo esperto da fábula, que “o rei vai nu”. Perguntarei apenas aos poucos preocupados com estas coisas que ainda falam comigo se acham que essa gente, os batedores de palmas e abanadores de circunspetas cabeças, se interrogam? Se põem questões? Se usam a dúvida metódica sobre o que lhes é dado como manifestações da verdade e do saber? Se vão à forja da vida temperar as suas certezas?
Não, não creio. Nem precisam. Afirmem eles, alto e bom som, que acreditam em meia dúzia de “verdades feitas”, não as contestem, não as interroguem, nem a bondade dos seus promotores: vão a pé pelos antigos caminhos romanos e chamem-lhes de S. Tiago, imaginando no passado inexistentes multidões com liberdade, tempo e subsídio de férias para os percorrer; continuem a afirmar que D. Afonso Henriques nasceu no berço onde a mãe não cabia; que o Infante D. Henrique mandou aviar uns pratos de tripas com o feijão e as especiarias que só estariam disponíveis entre nós séculos depois; venerem o galo de Barcelos, a padeira de Aljubarrota ou a santinha de qualquer ladeira ou azinhal; que Fernão de Magalhães nasceu em Sabrosa numa adega cooperativa; que umas certas “aparições” foram as únicas e verdadeiras que jamais aconteceram neste abençoado país; vão visitar o destruído muro da Europa reerguido na Terra Santa, tenham uma fé infinita nas virtudes do futebol e nos angélicos dirigentes das empresas desportivas, na seriedade dos banqueiros, na eficiência dos juízes, na bondade do povo e seus eleitos, entre muitas outras “certezas”, e o mundo continuará a girar, não apenas para cumprir a lei da atração universal, como seria de esperar desde Copérnico e Galileu, mas também para proveito e prestígio próprios destes cidadãos de sucesso.
Meu caro Alberto Sampaio, que juventude ainda para aí vai nos teus 175 anos! Continuo tão embasbacado com a nossa realidade de portugueses como tu o estiveste. Mas graças a um qualquer anterior acordo ortográfico que já nenhum “conselheiro” contesta, suponho que a principal diferença entre nós é que eu já não escrevo ontem com h. Como vês, já houve progressos!

J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria Queirosiana

O Mandarim no Teatro

Em 2008 José Leitão, ator e encenador publicou as suas adaptações ao teatro de duas obras de Eça de Queirós, respetivamente “Não matem o mandarim”, com prefácio de António Coimbra Martins, e “Que relíquia”, com prefácio de Carlos Reis, publicadas num volume editado pela Câmara Municipal da Maia. Mais recentemente, no passado mês de maio, esteve em cena entre os dias 9 e 19 no Teatro Nacional São João no Porto a peça de teatro “Nunca mates o mandarim”, adaptação de Rui Pina Coelho encenada por Gonçalo Amorim para o Teatro Experimental do Porto (para quem já anteriormente tinha encenado uma versão de Os Maias), integrada também no programa do FITEI. Continua assim a ter uma leitura perfeitamente atual a novela que Eça escreveu como vingança intelectual contra aqueles que, apoiados no status quo internacional vigente e bem pensante da segunda metade do século XIX, ganhavam dinheiro com os escravos chineses criados pela guerra imperialista a que as potências ocidentais (EUA, Inglaterra, França, Alemanha) submeteram a China, muitos deles enviados para a Cuba espanhola da cana do açúcar. Eça, que poderia ter ficado rico para o resto da vida bastando para tal “fechar os olhos”, em 1873 preferiu desafiar a ira dos fazendeiros coloniais e do governo espanhol e outros, passando a dar um “visto” consular a todos os colies chegados a Havana, com o argumento de que, se vinham de Macau, eram portugueses, melhorando assim as perspetivas de vida de milhares de desesperados refugiados que passaram assim a estar registados legalmente e com alguma teórica proteção internacional, uma ação que só teria paralelo mais de sessenta anos depois com Aristides de Sousa Mendes um outro cônsul português que salvou milhares de refugiados na França colaboracionista de Pétain.

Livros e Revistas

Leite e Laticínios. A Confraria Nacional do Leite acaba de publicar o livro “Leite e Lacticínios em Portugal. Digressões históricas” coordenado por Jorge Fernandes Alves, historiador e professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, que assina o capítulo «I – A fileira do leite em perspetiva histórica», a que se segue «II. Testemunhos vividos» sobre o leite e os lacticínios nos Açores e a produção do leite em Portugal Continental por L. H. Sequeira de Medeiros e João Cotta Dias, médicos veterinários. Ainda um anexo final «III. Confraria Nacional do Leite» sobre a instituição e os confrades. Está assim esta instituição de parabéns pela edição desta útil, elucidativa, bem documentada e abrangente obra sobre um universo que nos é, quantas vezes, tão familiar quanto desconhecido, escrita por três profissionais de reconhecido mérito nas respetivas áreas, desde a vertente histórica até aos aspetos técnicos e sanitários da produção deste alimento.

Numismática. Acaba de ser disponibilizado gratuitamente on line pela Universidade do Algarve e o Campo Arqueológico de Mértola a obra “Numismas da Horta da Misericórdia (Faro): Catálogo Geral”, da autoria do arqueólogo Marco Paulo Ferreira Valente, o qual pretende «colmatar algumas lacunas relativamente ao que os estudos da numismática têm sido votados nas últimas décadas – salvo honrosas exceções … os hiatos cronológicos e os estudos, quer de casos específicos, como de áreas mais abrangentes do ponto de vista espacial, estão em larga escala por ser efetuados». Esta obra passará com certeza a ser uma referência nesta área.



As Artes entre as Letras. No passado dia 18 de junho decorreu no Teatro do Campo Alegre no Porto a sessão comemorativa do 7º aniversário deste jornal cultural dirigido por Nassalete Miranda, cujo n.º 172 foi inteiramente dedicado à Sétima Arte, com editorial da diretora e a habitual crónica de Guilherme de Oliveira Martins, magníficos retratos de Manuel de Oliveira e de Raúl Brandão por Hélder de Carvalho, além de vária outra colaboração. Este jornal publica mensalmente a página Eça & Outras da responsabilidade da Confraria Queirosiana.

Confrarias e Gastronomia Portuguesa. No próximo dia 5 de julho decorre no Museu Nacional de Etnologia em Lisboa o lançamento do livro “A minha viagem por Portugal”, editado pelo Casino Figueira, da autoria de Olga Cavaleiro, presidente da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, o qual compactou num só volume os artigos que a autora publicou em 2015 na revista Tabu do semanário Sol sobre muitas das confrarias portuguesas e os produtos e práticas alimentares que promovem, entre as quais a Confraria Queirosiana, que tem vindo a divulgar em Portugal e Brasil a obra queirosiana sobre estas incidências e os mais recentes estudos sobre estes temas.


Congressos, colóquios, conferências, palestras  e visitas guiadas

Construção naval. Decorreu nos passados dias 23 a 25 de maio em Vila do Conde o Congresso Internacional Construção Naval. Arte, Técnica e Património, organizado pela Câmara Municipal, no qual apresentaram comunicações vários especialistas que serão professores no curso sobre História Naval do Noroeste de Portugal, organizado pela Academia Eça de Queirós e que decorrerá no Solar Condes de Resende (Almirantes de Portugal) a partir de outubro próximo, nomeadamente Amélia Polónia (UP/CITCEM), Hugo Bastos (Douro Azul) e Amândio Barros (IPP/CITCEM).

Alunos do mestrado em História Contemporânea da FLUP na CFC
Companhia de Fiação de Crestuma. No passado dia 27 de maio os alunos do mestrado em História Contemporânea da Faculdade de Letras da Universidade do Porto dirigidos pelo professor Jorge Fernandes Alves realizaram uma visita de estudo à recuperação das instalações da centenária Companhia de Fiação de Crestuma, em Lever, objeto da dissertação de mestrado da investigadora Maria de Fátima Teixeira, tendo sido recebidos pelo seu proprietário, Dr. Ricardo Haddad. Em seguida visitaram o Castelo de Crestuma que tem vindo a ser estudado pelo Gabinete de História, Arqueologia e Património da Confraria Queirosiana.

Egiptologia. Luís Manuel de Araújo, egiptólogo e professor na Universidade de Lisboa tem proferido diversas palestras e conferências sobre egiptologia nas seguintes instituições: a 1 de junho no Avditorivm Tryvel no Porto sobre ”Egito na Europa”; no dia 21 de junho no auditório da Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos, em Lisboa, sobre “Viver bem e morrer melhor no Antigo Egito”. Entre 21 e 28 de Agosto próximo vai guiar uma vigem a alguns dos principais museus da Europa que albergam coleções trazidas do Vale do Nilo, desde Lyon, passando por Grenoble, Turim e Milão, organizada pela Tryvel.

Open House Porto 2016. Decorreu nos passados dias 18 e 19 de junho a 2ª edição desta iniciativa promovida pela Open House Worldwide, e na região do Baixo Douro pela Casa da Arquitetura, subordinada ao tema “A Arquitetura de portas abertas” com visitas guiadas a diversos edifícios emblemáticos das cidades de Gaia, Matosinhos e Porto, entre os quais o edifício dos Paços do Concelho de Vila Nova de Gaia, com projeto de 1916 da autoria de Francisco de Oliveira Ferreira, cujas visitas foram guiadas por Eduardo Vitor Rodrigues, sociólogo e presidente da Câmara de Gaia, e J. A. Gonçalves Guimarães, historiador.

23º Festival Internacional de Música de Gaia. Estando a decorrer este festival entre 10 de junho e 16 de julho, no passado dia 18 de junho acolheu na Casa Museu Teixeira Lopes uma conferência por Mário Vieira de Carvalho, musicólogo e professor jubilado da Universidade Nova de Lisboa, sobre “Identidade, Liberdade, Intervenção: Fernando Lopes-Graça e o seu percurso de compositor. Assinalando o 110º aniversário do seu nascimento”, a qual foi ilustrada com a interpretação de várias obras suas pelo pianista Jaime Mota, a soprano Vera Mesquita e a mezzo-soprano Gisela Sachse.

11º Congresso Luso-brasileiro de História da Educação (COLUBHE). Promovido pela Associação de História da Educação de Portugal (HISTEDUP) e pelo CITCEM/Faculdade de Letras da Universidade do Porto, decorreu na cidade do Porto entre os dias 20 e 23 de junho este certame onde estiveram presentes como conferencistas António Manuel Silva, Eva Baptista e José António Afonso, entre cerca de 400 palestrantes de ambos os lados do Atlântico.

2º Colóquio do Lumiar, Lisboa. No próximo dia 2 de julho decorre no Museu do Teatro e Dança do Lumiar este colóquio organizado pelo Centro Cultural Eça de Queirós de Telheiras em que serão palestrantes, César Veloso e Fernando Andrade Lemos, em colaboração com outros, sobre “Uma Questão de Bens da Igreja”, a que se seguirão outros temas.

Exposições e eventos


A Confraria Queirosiana na insigniação do ministro da Economia;
foto de Susana Moncóvio
Dia Nacional da Gastronomia. Como noticiamos na página passada, decorreu no passado dia 29 de maio no mercado Manuel Firmino em Aveiro a primeira comemoração do Dia Nacional da Gastronomia Portuguesa, aprovado pela Assembleia da República e promovido pela Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, em cuja sessão de abertura foram insigniados como Optimus Conviva das Confrarias de Portugal o ministro da economia Manuel Caldeira Cabral, a secretário de estado do turismo Ana Mendes Godinho, o secretário de estado das florestas e desenvolvimento Amândio Torres e a fadista Kátia Guerreiro. Estiveram presentes várias empresas de produtores e vendedores portugueses e espanhóis de produtos gastronómicos e enófilos, além de numerosas confrarias, entre as quais a Confraria Queirosiana representada por quatro elementos da direção.

Dia de Itália. Diversos confrades queirosianos estiveram presentes no passado dia 5 de junho, nas comemorações do Dia de Itália que decorreu no Porto, no Palácio do Freixo, promovido pelo Consulado de Itália no Porto e pela Associazione Socio-Culturale Italiana del Portogallo Dante Alighieri, para a qual, entre abril e junho, José Manuel Tedim, historiador da Arte e presidente da direção dos ASCR – Confraria Queirosiana, lecionou no seu curso “Encontro com a Arte: Pintura Italiana”.


Mesa da Federação das Confrarias Báquicas Portuguesas;
 foto de Carla Marques
Federação das Confrarias Báquicas de Portugal em Madrid. No passado dia 21 de junho decorreu no Hotel Westin Palace a insigniação de diversas personalidades portuguesas e espanholas como membros de honra da Federação das Confrarias Báquicas de Portugal com sede na Quinta da Boeira, Vila Nova de Gaia, entre elas o embaixador de Portugal em Madrid, Dr. Francisco Ribeiro de Menezes. Do evento constou também a apresentação da exposição de modelos de embarcações históricas construídas pelo artesão Albino Costa presentes na sala, por J. A. Gonçalves Guimarães, mesário-mor da Confraria Queirosiana e autor do livro “Modelos de embarcações históricas portuguesas dos séculos XVI a XIX”, edição em português e castelhano que aí teve a sua primeira apresentação pública, a que se seguiu uma prova de 200 anos de vinhos do Porto, através de colheitas de lotes de 10, 20, 30, 40 e 100 anos comercializadas pela Quinta da Boeira, igualmente produtora do “10 anos” e “20 anos” Confraria Queirosiana. Ao ato estiveram presentes dirigentes da AICEP e de outras entidades de promoção em Espanha de produtos portugueses, o vereador da Câmara de Gaia, arq. José Valentim Pinto Miranda, bem assim como produtores de vinhos e confrades das Confrarias do Vinho do Porto, do Vinho Verde, de Nossa Senhora do Tejo, dos Vinhos de Carcavelos, dos Gastrónomos e Enófilos de Trás-os-Montes e da Confraria Queirosiana.

Lvsitania Romana. Origem de dos Pueblos – No próximo dia 30 de junho abre ao público no Museu Arqueológico Nacional de Madrid esta exposição, promovida pelos ministérios da Cultura de Portugal e Espanha. Depois de ter estado patente ao público em Mérida e Lisboa, chegou agora a vez da capital espanhola, onde até 16 de outubro poderão ser vistas, entre muitos outros objetos do período romano, as duas tesserae hospitales do Monte Murado, Vila Nova de Gaia, depositadas no Solar Condes de Resende e que foram objeto de estudo por Armando Coelho Ferreira da Silva, professor catedrático da FLUP e arqueólogo, publicado em 1983 na revista Gaya.

Prémios e distinções

Prémios APOM 2016. Diversas entidades dirigidas por confrades queirosianos, ou onde trabalham dirigentes, confrades ou sócios dos ASCR - Confraria Queirosiana, foram distinguidas pelos prémios APOM 2016, de entre eles o Museu da Misericórdia do Porto, o Centro Interpretativo CM Porto/Casa do Infante e o prémio Melhor Trabalho Jornalístico/Media, atribuído ao programa “Caminhos da História” do Porto Canal, da autoria de Joel Cleto.

_________________________________________________________
Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 92 – sábado, 25 de junho de 2016; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; Cte. n.º 506285685 ; NIB: 001800005536505900154 ; IBAN: PT50001800005536505900154;
email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: Carla Marques; Susana Moncóvio.