domingo, 26 de maio de 2024

 

500 anos do nascimento de Luís de Camões

100 anos do passamento de Teófilo Braga

 

Hinos revolucionários

 

Desde o 25 de Abril de 1974 que uma canção denominada «Grândola Vila Morena» se foi impondo como hino revolucionário em Portugal e fora do nosso país como marca identitária desse momento histórico por ter sido escolhida como sinal de confirmação para o início das operações que derrubaram o regime fascista. Interpretada pelo seu autor e pelos seus companheiros das «canções de intervenção», foi depois cantada por outros intérpretes e agrupamentos musicais, podendo encontrar-se versões de Amália Rodrigues a Joan Baez. Desde tempos antigos que as alterações sociais são acompanhadas por cantigas tradicionais sobre o trabalho ou a sociedade, quantas vezes satíricas ou adaptadas para uma atitude mobilizadora das classes em confronto. Sob a forma de “hinos”, palavra grega que significa “cântico de louvor”, uma sucessão destas canções revolucionárias começou com La Marseillaise, composta em 1792, com música e versos do militar e músico amador Claude Joseph Rouget de Lisle, e inicialmente intitulada Canto de Guerra para o Exército do Reno, o corpo militar da Revolução Francesa que ia enfrentar os invasores austríacos, mas que rapidamente passou a ser mobilizador da própria revolução. Depois de ter sido banido, só em 1879 foi adotado como hino nacional pela França. Enquanto outras revoluções eclodiam noutras latitudes, no Porto ocorre a Revolução Constitucional de 1820, com profundos reflexos no Brasil. E também ela teve os seus hinos, de que aqui recordamos a Canção Constitucional de Vila Nova de Gaia, ou Canção Vilanovense, com música do compositor liberal João António Ribas e versos de Manuel da Silva Passos, o depois famoso Passos Manuel, e impressa em 1826, um hino local que celebrava o apego â Constituição de 1822 a qual devolveu ao município a sua autonomia administrativa. Mas o período liberal, quer em Portugal quer no Brasil, haveria de ser pródigo em hinos, não só porque eles estavam na moda, mas porque D. Pedro I, imperador do Brasil em 1822 e depois momentaneamente rei D. Pedro IV de Portugal em 1826 e depois ainda Duque de Bragança regente em nome de sua filha D. Maria da Glória que sentou no trono após a guerra civil de 1832 – 1834, era compositor com alguns méritos. Recordemos aqui o Hino da Amélia (de Orleães, sua segunda esposa) ou de D. Pedro IV, com música e versos do rei-soldado e datado de 1832 quando as suas tropas de voluntários e mercenários lutavam contra o absolutismo do irmão D. Miguel. Mas uma das mais marcantes revoluções oitocentistas foi a Comuna de Paris, ocorrida entre 18 de março e 28 de maio de 1871, quando a Guarda Nacional e os cidadãos da capital francesa tomaram o poder pelas armas e questionaram qual deveria ser o papel dos cidadãos na organização do poder a todos os níveis da sociedade, não apenas em França, mas em todo o mundo. Recordemos que em 1867 tinha sido publicado O Capital. Crítica da Economia Política, de Karl Marx e nesse mesmo mês de março de 1871 tiveram lugar em Lisboa as Conferências do Casino em Lisboa, entretanto proibidas  pelo governo. É neste contexto que Eugène Pottier, militante anarquista e operário, escreve os versos de L´Internationale, que em 1888 seria musicada por Pierre de Gayter, passando este hino a ser considerado como a canção dos trabalhadores de todo o mundo, além de, entre 1922 e 1944, ter sido o hino da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

         Em Portugal, na sequência do «Ultimato Inglês» de 1890, o músico Alfredo Keil e o poeta e escritor Henrique Lopes de Mendonça compõem o hino patriótico A Portugueza, logo impresso e largamente divulgado e tocado em todas as manifestações políticas, e que seria assumido, com adaptações nos versos, como hino republicano após a revolução de 5 de Outubro de 1910 e daí passar a hino nacional até à atualidade. Se quanto à música estavam todos de acordo, para além de várias adaptações na orquestração e arranjo coral para ser cantado a quatro vozes, já quanto aos versos as opiniões dividiam-se em tantas as versões quantos os partidos e correntes políticas. Uma das menos conhecidas será a proposta para uma versão anarquista da autoria do professor e depois exilado político Roberto das Neves, datada de 1924, que em vez de «heróis do mar» propôs um «herói plebeu».

Os anos vinte e trinta do século passado vão trazer à Europa o fascismo e o nazismo que redundaram na Guerra Civil Espanhola e na Segunda Guerra Mundial, e novos hinos revolucionários aparecem nesse contexto, como Le Chant des Partisans, da autoria de Anna Marly e versos de Maurice Druon e Josephe Kessel, uma das canções da Resistência Francesa em 1941. Após o segundo conflito mundial as potências ganhadoras procuram dominar o mundo: para além do bloco soviético, o imperialismo estadunidense deu origem à Guerra da Coreia (1945-1953), o francês à Guerra da Indochina (1946-1954) e, quando derrotado no campo de batalha, é substituído pelos primeiros que dão origem à Guerra do Vietname (1955-1975). Contra esta última, a juventude norte-americana e os seus cantores divulgam várias canções que se transformam em hinos anti-imperialistas e anti-coloniais, apelando a transformações profundas na sociedade, como foi o caso de We Shall Overcame, que tem as suas origens no século XVII numa canção de pescadores da Sicília depois levada para a Alemanha, onde passou a ser um hino protestante. Chegado ao sul dos Estados Unidos da América, foi a primeira vez publicado como hino afroamericano no início do século XX e nos anos quarenta divulgado como hino dos trabalhadores da Carolina do Sul e do Tenessee. Em 1963 a versão musical e versos de Zilphia Hart., Frank Hamilton, Guy Carawan e Pete Seeger foi divulgada por Joan Baez. Mas também na América do Sul apareceram ditaduras apadrinhadas pelos Estados Unidos que deram origem a regimes militares no Brasil (1964-1985); Argentina (1966-1976) e Chile (1973-1990), motivando canções-hinos como Para Não Dizerem Que Não Falei das Flores, composto em 1968 pelo jurista brasileiro Geraldo Vandré, mas que rapidamente galgou fronteiras na América Latina e em Portugal, mesmo em meios ligados à Igreja Católica.

Em 1974 a Revolução dos Cravos de 25 de Abril consagrou então a canção Grândola, Vila Morena, composta em 1971 pelo cantor de intervenção José Afonso, vindo da prática da canção universitária coimbrã. Se analisarmos a música de todos estes hinos é óbvio que ela tem muito da época em que foram criados, todos eles melodicamente impressivos. Quanto aos versos, entre A Marselhesa e Grândola Vila Morena perpassam as palavras Liberdade, Igualdade, e Fraternidade, um ideal que há mais de 200 anos se ouve cantar um pouco por todo o mundo.

Aos vinte e dois anos de idade Eça de Queirós escreveu: «As revoluções não são factos que se aplaudam ou que se condenem. Havia nisso o mesmo absurdo que em aplaudir ou condenar as evoluções do Sol. São factos fatais. Têm de vir. De cada vez que vêm é sinal de que o homem vai alcançar mais uma liberdade, mais um direito, mais uma felicidade. Decerto que os horrores da revolução são medonhos, decerto que tudo o que é vital nas sociedades, a família, o trabalho, a educação, sofrem dolorosamente com a passagem dessa trovoada humana. Mas as misérias que se sofrem com as opressões, com os maus regimes, com as tiranias, são maiores ainda. (…) As desgraças das revoluções são dolorosas fatalidades, as desgraças dos maus governos são dolorosas infâmias. (Eça de Queirós, Distrito de Évora, 1867). Mas não há revoluções sem hinos.

J. A. Gonçalves Guimarães

historiador

 

Atuação dos Eça Bem Dito; fotografia Fátima Teixeira

Comemorações dos Cinquenta Anos do 25 de Abril

A associação ASCR-Confraria Queirosiana tem participado e realizado diversas atividades que se enquadram nestas comemorações. Assim, depois de no dia 25 de abril ter participado no desfile de associações e coletividades organizado pala Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia que desfilou entre o Jardim do Morro e os Paços do Concelho com a presença de alguns confrades trajados, no dia 26, a habitual palestra das últimas quintas-feiras do mês, mudada para este dia, teve por tema «Hinos Revolucionários dos séculos XVIII ao XX» proferida por J. A. Gonçalves Guimarães, com a atuação do grupo coral Eça Bem Dito dirigido pela pianista Maria João Ventura, com assistência presente e por videoconferência.

No dia 24 de maio, no Centro Recreativo de Mafamude, Vila Nova de Gaia, J. A. Gonçalves Guimarães participou no ciclo de Conversas no CRM sobre o tema «50 Anos de Revolução. A Génese do 25 de Abril» conjuntamente com a Dr.ª Manuela Aguiar, ex-deputada do PSD e ex-secretária de estado das Comunidades Portuguesas, com moderação do Dr. Jorge Filipe Ferreira, tendo a sessão sido abrilhantada com a atuação dos grupos musicais Eça Bem Dito e Intichaski.

 

Curso sobre História Local e Regional

No sábado, dia 4 de maio, decorreu no Solar Condes de Resende a última aula do curso livre «40 anos depois: História Local e Regional», organizado pela Academia Eça de Queirós, grupo de trabalho da ASCR-CQ – Confraria Queirosiana para o ensino, com o patrocínio da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e a certificação do Centro de Formação de Associação de Escolas Gaia Nascente, proferida pelo Doutor Adrião Pereira da Cunha, doutorado em História Contemporânea pela FLUP, sobre o tema «Reformas e Revoluções do século XX» a que se seguiu um convívio entre professores e alunos presentes.

Apoio a programas associativos e escolas

No passado dia 11 de maio e para o Clube Unesco do Porto, o presidente da direção da ASCR-CQ, Prof. Doutor José Manuel Tedim, historiador da Arte e professor de Património da Universidade Portucalense Infante D. Henrique, apresentado pelo Dr. Manuel Real e integrada no ciclo de conferências «Olhar e sentir a época barroca», dissertou no Espaço Atmosfera M do Porto sobre o tema «Festa Barroca, Arquitetura Efémera». No dia 18 de maio o mesmo Clube, com a colaboração do Dr. Joaquim Pinto da Silva de O Progresso da Foz, realizou uma visita ao Solar Condes de Resende, onde foram recebidos pelo seu responsável, Dr. João Fernandes, que lhes apresentou a instituição e as suas valências e pelo Prof. Doutor J. A. Gonçalves Guimarães da ASCR-CQ que lhes falou desta associação e das suas atividades e publicações, tendo em seguida acompanhado os visitantes até o Coreto de Canelas onde lhes falou deste monumento musical e dos músicos gaienses de nomeada dos séculos XIX e XX, a que se seguiu um almoço convívio entre os participantes num restaurante das redondezas.

No dia 20 a Confraria Queirosiana foi convidada a participar num programa educativo sobre Os Maias organizado pelos professores e alunos da Escola Secundária Manuel Laranjeira de Espinho através da presença dos confrades J. A. Gonçalves Guimarães, Maria de Fátima Teixeira e João Fernandes, que para tal se deslocaram à Câmara Municipal de Espinho onde foram recebidos pela presidente da edilidade, Prof.ª Maria Manuel Barbosa Cruz no átrio dos Paços do Concelho, onde diversas turmas daquela escola evocaram textos de Eça de Queirós que ainda hoje estão atuais. Seguiu-se um desfile pelas ruas da cidade com paragem evocativa na casa onde viveu o médico e escritor Manuel Laranjeira, tendo igualmente sido recordados o pintor Amadeu de Souza Cardozo e o compositor e pianista Alfredo Napoleão, terminando o desfile com uma passagem pelas áreas protegidas das dunas nos limites entre os municípios de Espinho e de Vila Nova de Gaia. No dia 24 esta mesma escola visitou o Solar Condes de Resende e a estátua de Eça de Queirós aí existente, inteirando-se das atividades do Solar e do roteiro queirosiano divulgado pela Confraria que aqui tem a sua sede.

 



Homenagem ao escritor José Rentes de Carvalho

No passado dia 12 de maio o escritor J. Rentes de Carvalho, vindo pela primeira vez de avião de Amsterdam para Portugal, regressou a Estevais do Mogadouro com sua esposa Loëckie, tendo sido recebidos no aeroporto Francisco Sá Carneiro por uma delegação da ASCR-CQ que aí se deslocou para os cumprimentar e antecipar as felicitações pelos seus ativos 94 anos que se completaram no passado dia 15 de maio. Desde 1964 e até 2023, «duas ou quatro vezes por ano», sempre tinha feito esse percurso durante três dias a guiar o seu automóvel pelas estradas de Bélgica, França e Espanha. Entretanto o Município de Mogadouro prepara-lhe uma homenagem no próximo dia 31 de maio dando o seu nome â um equipamento cultural e inaugurando uma sua estátua no largo fronteiro da autoria do escultor Hélder de Carvalho. A ASCR - Confraria Queirosiana estará presente através de alguns membros da direção e vários confrades, tendo entretanto recebido no dia 21 a vereadora do pelouro da Cultura Dr.ª Marcia Barros e a chefe de divisão Dr.ª Marta Madureira daquela autarquia para selecionarem algum espólio à guarda da associação para ser mostrado durante esta homenagem na Biblioteca Pública local.

 

Arqueologia do Castelo de Crestuma

O Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR – Confraria Queirosiana esteve representado no 7º Congresso da Sociedade de Estudos de Cerâmica Antiga na Hispânia (SECAH) que decorreu em Lisboa nos passados dias 15 a 18 de maio, através do arqueólogo António Manuel S. P. Silva, que em conjunto com o Prof. Doutor Rui Morais, docente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, apresentaram ali um poster com o estudo das ânforas romanas provenientes das escavações arqueológicas que decorreram no Castelo de Crestuma (Vila Nova de Gaia) entre 2010 e 2015. O estudo revelou, essencialmente, a presença do comércio mediterrânico-atlântico naquela área portuária entre o século I a. C. e o século VII da nossa era.

 


As Artes Entre As Letras

No passado dia 18 de maio, no auditório da Fundação Engenheiro António de Almeida no Porto, decorreu a sessão comemorativa dos 15 anos do quinzenário cultural As Artes Entre As Letras, à qual compareceram, para além do seu corpo de profissionais da administração e redação, também muitos dos seus colaboradores desde o primeiro número e outros mais jovens que se apresentam regularmente com os seus textos nas páginas desta publicações que se tornou incontornável na vida cultural do país. Na mesa que abriu a sessão estavam o Dr. Augusto Aguiar Branco, presidente da instituição de acolhimento e apoiante desde a primeira hora deste projeto; o Prof. Levy Guerra, professor catedrático jubilado da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, a Dr.ª Nassalete Miranda diretora do jornal, e Rodrigo Magalhães, doutor em Estudos de Património – História da Arte pela FLUP e colaborador do jornal, tendo todos eles usado da palavra para falarem sobre alguns aspetos do panorama cultural português refletido nesta publicação. A diretora compartilhou a reflexão mais substancial sobre o que foram estes quinze anos referindo todos aqueles que passaram ou permanecem nas páginas que regularmente chegam às mãos dos leitores, recuando a sua atividade até a O Primeiro de Janeiro e o seu caderno literário, artístico e científico.

Este aniversário ficou também assinalado com a edição do número 362 do As Artes Entre As Letras datado de 15 de maio com textos alusivos e reflexivos de muitos dos seus colaboradores habituais. A este evento estiveram presentes o presidente e o secretário da associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiano e vários dos seus associados e confrades, ainda que em representação de outras instituições.

 

Livros

Da autoria de diversos associados e confrades foram publicados os seguintes livros:

Eça de Queirós - Textos de Imprensa III (d’ A Atualidade). Edição de Carlos Reis e Ana Teresa Peixinho. Lisboa: Imprensa Nacional.

«Ao escrever para o jornal portuense A Atualidade, Eça dirigia-se a um público específico e sobretudo fazia-o de um ponto de vista próprio. Vivendo em Inglaterra e colocando-se num específico lugar de enunciação (no caso, Londres, de onde os textos são datados), o cronista compunha uma “correspondência particular”, expressão epigrafada em cada uma das crónicas, e que resulta do nome dado à rubrica do jornal. Ou seja, trata-se de alguém que escreve a partir do centro para a periferia, fazendo-o num duplo registo epistolar e cronístico, uma combinação que encontramos em vários outros momentos e lugares da vida literária de Eça. A feição não propriamente intimista, mas simuladamente privada, destas correspondências estimula a desenvoltura do tom coloquial que nelas se revela. As 15 correspondências que Eça endereçou ao jornal A Atualidade, por encomenda do seu diretor, Anselmo Evaristo de Morais Sarmento, distribuem-se por um lapso de tempo que vai de abril de 1877 a maio de 1878. Ao longo desse período de pouco mais de um ano, o escritor ocupa-se de acontecimentos políticos, sociais, económicos e culturais, dando notícia, para um Portugal então longínquo, do que acontecia na Europa e também na sua periferia (por exemplo, a guerra russo-turca). Mesmo sabendo-se que uma parte substancial daqueles acontecimentos chegava ao conhecimento de Eça pela leitura quase compulsiva da imprensa britânica, fica evidente que os textos daí resultantes exibem muito do estilo e da visão de um grande escritor, então já na plenitude dos seus recursos literários». (Extrato da Nota Prévia)

 

Isabel Lacerda, Vila Nova de Gaia, o seu trajar em tempos idos. Vila Nova de Gaia: FCVNG.

«Este livro foi pensado com um enorme prazer para enaltecer a cultura popular portuguesa e deixar este legado aos vindouros e a todas pessoas que queiram preservar os seus usos, costumes e tradições. Forma dois anos de dedicação pensado para as gentes de Gaia. Todo o material referenciado no livro faz parte do meu espólio pessoal que fui adquirindo ao longo dos anos e que gostaria de oferecer à Câmara para consulta permanente. Este livro não seria possível sem a colaboração da autarquia, das juntas de freguesia e da Federação das Coletividades» (Isabel Lacerda).

O lançamento do livro foi acompanhado de uma exposição sobre o seu conteúdo no Arquivo Sophia Mello Breyner até ao dia 26 de maio.

 

Eduardo Vitor Rodrigues, Mundo em Mudança, 280 páginas. Porto: Ideias de Ler

«Os tempos atuais são muito desafiantes. As dinâmicas sociais nacionais e internacionais exigem uma atitude reflexiva, uma indagação constante e um projeto de enunciados que ousem responder às pessoas e às comunidades.
A Europa, em geral, e Portugal, em particular, constituem-se como territórios de múltiplos movimentos, uns mais evidentes do que outros, uns mais positivos do que outros. Estas dinâmicas ocorrem num contexto de inserção em processos económicos e sociais globais, exigentes em todas as suas vertentes. Importa conhecer, diagnosticar, inquietar e pôr em debate. Igualmente, importa apontar caminhos, definir estratégias, em ambiente mais ou menos académico, mas sempre num debate alargado, para o qual este livro pretende contribuir. O livro organiza-se numa lógica temática e de acordo com as diferentes escalas territoriais, mais ou menos globais, mais ou menos locais. Pretende discutir algumas das dimensões mais relevantes das sociedades atuais, sistematizando debates que importa aprofundar face aos enormes desafios com que nos deparamos, contribuindo dessa forma para o fundamental debate social» (Divulgação Porto Editora).

 

J. Rentes de Carvalho, Cravos e Ferraduras, 192 páginas. Lisboa: Quetzal Editores.

«Um retrato dos últimos anos da vida portuguesa através de personagens escolhidas a dedo. Nenhuma delas é conhecida. Nenhuma delas merece a nossa piedade. Entre o conto e a crónica, trocando os nomes e avariando as grandes teorias sobre o funcionamento da pátria, estes textos de J. Rentes de Carvalho retratam o país com humor, cumplicidade, atrevimento, ou uma compreensão que não pede distância, mas proximidade. Os comportamentos destas personagens não são, na maior parte das vezes, dignos de elogio ou de serem escolhidos como exemplo, não receberão medalhas no Dia de Portugal. Mas são, arrancados à vida desconhecida da província, das vilas e aldeias da pequena pátria, um dos melhores retratos de todos nós, frívolos ou sentimentais, mentirosos ou com um fingido amor pela verdade.» (Divulgação Quetzal).

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 189, sábado, 25 de maio de 2024; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana (Instituição de Utilidade Pública), Solar Condes de Resende, Travessa Condes de Resende, 110, 4410-264, Canelas, Vila Nova de Gaia; C.te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação do blogue e publicação no jornal As Artes Entre As Letras: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: António Manuel S. P. Silva.

quinta-feira, 25 de abril de 2024

Eça & Outras


500 anos do nascimento de Luís de Camões;

100 anos do passamento de Teófilo Braga

Um abraço para Salgueiro Maia

         Pertenço à geração que desejou um 25 de Abril, que ansiou por um 25 de Abril, que tudo fez para que um 25 de Abril chegasse depressa, pois a vida estava má e o tempo passava sem as detenças da felicidade. Desde muito novos que fomos percebendo que Portugal não estava a ser o país glorioso que nos pintaram em azulejos na escola primária. E no liceu o país amargo existia em todas as disciplinas, com uns escritores aborrecidos, suicidas ou adiados de qualquer coisa na Literatura. E todos eles de compêndio, até descobrirmos que havia outros que se teriam de ler às escondidas por causa de uns matarruanos que tudo espiavam para aparafusarem as banalidades a ver se estavam conformes com um regulamento qualquer. Um país triste, desajustado, acinzentado, sem cores que lhe valessem. Essas chegavam aos poucos lá de fora, nas canções, nos filmes, nas notícias, na moda e nas ideias que tudo questionavam. Aos “heróis do mar” que já não havia - e muito menos o seria aquele velhote de uniforme branco que inaugurava bairros de pescadores - ouvia-se então o «nem deus, nem césar, nem tribuno» da Internacional ou o mais caseiro «mudam-se os tempos, mudam-se as vontades» de Camões. Era proibido falar abertamente no abandono da Índia Portuguesa e na Guerra do Ultramar, e em muitas outras coisas que nos entravam pelo quotidiano adentro pela porta das traseiras. E na Guerra do Vietnam, onde as carabinas dos camponeses iam derrotando o imperialismo estadunidense. E depois veio o Maio 68, Coimbra 69, as eleições da CDE e as gravatas da CEUD, e a obrigação de trocarmos as roupas da casa Porfirios pelas do Casão Militar. E de guerra em guerra, da do general do monóculo, passando pela do “Pantera cor-de-rosa” (“quase ganha”!) e pela dos “adeus até ao meu regresso” das Supico Pinto natalícias, lá nos fomos politizando, lendo avidamente o que de melhor circulava clandestinamente de mão em mão. Para saber do mundo, muito ficamos a dever aos “Cadernos D. Quixote”; para saber de nós aos cadernos de poesia da Editorial Presença, ao suplemento juvenil do Diário de Lisboa, a um ou outro livreco artesanal com textos batidos à máquina e reproduzidos a duplicador. E às Edições Afrodite, que o sexo era quase tão tabu quanto a política nacional, problemático mesmo quando abordado coloquialmente. E na larga estrada da vida lá estava aquele enorme muro avassalador, a obrigatoriedade de participarmos numa guerra colonial com a qual não concordávamos e que ninguém sabia quando e como terminaria, nem com que consequências para as colónias, a nossa geração, ou para as futuras.

            Por tudo isto, e o muito mais que veio a seguir, quase todos os rapazes feitos homens da minha geração estão agradecidos a Salgueiro Maio. Quase todos, porque alguns ainda não perceberam, e outros nunca perceberão. Deixá-los lá, pois não foram, nem nunca irão, nas colunas libertadoras dos terreiros dos paços que foram, ou serão necessárias, para alterar «o estado a que isto chegou».

Conheci pessoalmente Salgueiro Maia e desde então tenho-o como Amigo, pois era assim que me tratava quando nos encontrávamos e nas cartas que me escreveu. Mas não foi no serviço militar, mas sim nas atividades da Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos, onde chegamos a ser dois dos seus quatro vice-presidentes territoriais, eu pelo Norte, ele pelo Centro. Era uma outra das suas facetas, até por formação académica entretanto adquirida, o estudo, a preservação, a divulgação, a usufruição do Património Histórico, especialmente o militar. Conhecemo-nos no Segundo Congresso sobre Monumentos Militares Portugueses, que decorreu em Lisboa entre 14 e 19 de junho de 1983, e depois em várias outras realizações idênticas em cuja organização participou, algumas em parceria com a Asociación Española de Amigos de los Castillos sobre as fortificações de fronteira no Alentejo/ Estremadura espanhola e na raia Minho/ Galiza. Numa destas confrontamo-nos com a ridícula ação do diretor de um serviço público português e do seu séquito familiar que se infiltraram no encontro sem estarem inscritos nem, quando descobertos, quererem pagar a inscrição e o alojamento, prática habitual que usavam junto das autarquias portuguesas. O problema agudizou-se na Galiza, onde não houve outra solução senão expulsá-los publicamente de um almoço onde se tinham precocemente amesendado. Enfim o Património também tinha muitos destes parasitas bacocos do “antigamente”. Para além dos castelos, tínhamos outros gostos comuns, como os cavalos e a História Militar e bem me lembro de ter estado uma noite inteira, com os outros congressistas, a ouvi-lo contar a sua versão dos acontecimentos do 25 de Abril no Quarto Congresso que decorreu em Santarém e noutras cidades e vilas da região, com a vivacidade e o sentido de humor que todos lhe reconheciam. Numa outra das minhas visitas ao Regimento de Cavalaria, descreveu-me um acontecimento verdadeiramente humorístico relacionado com o suposto túmulo do vice-rei da Índia, D. Francisco de Almeida, que, em tempos passados, perante a indignação de um memorialista que tal repudiou no periódico local, tinha sido posto a servir de bebedouro dos cavalos. Apostado em organizar o Museu da Arma de Cavalaria e escrever a respetiva história, para salvar a honra do regimento, meteu-se a procurar a histórica peça, acabando por a levar para o museu. Com muitos outros pormenores hilariantes e sendo ele o seu protagonista, pedi-lhe que escrevesse o relato do achado. Já não teve tempo para tal. Mas mandou-me uma carta, que guardo, com a descrição do essencial e uma fotografia do túmulo, para que eu o fizesse. Do homem afetuoso ficaram o testemunho de sua mulher Natércia Maia, de seus filhos, e de todos os seus inúmeros e incondicionais amigos, muitos dos quais fundaram uma associação que tem o seu nome.

Já no século XIX, em plena indignação mapacorderrosista, Eça de Queirós escreveu «Para que temos colónias? E ai de nós que não as teremos muito tempo! Bem cedo elas nos serão expropriadas por utilidade humana. A Europa pensará que imensos territórios, pelo facto lamentável de pertencerem a Portugal, não devem ficar perpetuamente sequestrados do movimento da civilização; e que tirar as colónias à nossa inércia nacional, é conquistá-las para o progresso universal. Nós temo-las aferrolhadas no nosso cárcere privado de miséria. Não tardará que na Europa se pense em as libertar. Para evitar esse dia de humilhação sejamos vilmente agiotas, como compete a uma nação do século XIX – e vendamos as colónias» (Eça de Queirós, Uma Campanha Alegre). A minha geração leu Eça, pediu-lhe desculpa pelas distrações e pelo atraso e foi encerrar a Última Guerra Colonial Portuguesa. Ficaram-nos por aí os castelos d’aquém e d’além mar a recordar sonhos, valentias, desgostos e desânimos. E novos países a plantarem embondeiros que continuarão a crescer. Um abraço, Fernando Salgueiro Maia.

J. A. Gonçalves Guimarães

Historiador

Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril

De há tempos a esta parte decorrem um pouco por todo o lado um leque muito variado de manifestações para lembrar e comemorar os 50 anos passados sobre a data e as consequências do 25 de Abril de 1974, as quais continuarão nos próximos meses até à data da aprovação da Constituição da República Portuguesa saída da Revolução. A associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana vai participar em diversas dessas realizações e muitos dos seus associados estarão presentes, a título pessoal ou institucional, noutras tantas.

Assim, em Vila Nova de Gaia, a Câmara Municipal realizou sessões evocativas em colaboração com as Juntas de Freguesia em todas elas tendo galardoado diversos cidadãos com uma placa evocativa da autoria do escultor Paulo Neves.

            No próximo dia 25, a partir das 16 horas, vai realizar-se um cortejo cívico entre o Jardim do Morro e os Paços do Concelho com a presença de instituições locais, entre elas a nossa associação representada por vários confrades. No mesmo dia o historiador Licínio Santos, dos corpos diretivos da ASCR-CQ e da Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia proferirá uma palestra sobre a efeméride nas instalações do Centro Cultural e Recreativo do Lugar de Gaia.


Na Associação dos Arqueólogos Portugueses

Entretanto no passado dia 20 de abril decorreu em Lisboa na sede da Associação dos Arqueólogos Portugueses o colóquio “Arqueologia em Portugal – antes e depois do 25 de Abril de 1974” organizado por esta organização profissional, tendo aí sido apresentada a reedição de um documento intitulado «Primeiro Plenário dos Arqueólogos Portugueses – 29 de Junho de 1974». Nos diversos painéis estiveram alguns dos maiores nomes da Arqueologia nacional, entre os quais António Manuel S. P. Silva, coordenador do Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR – Confraria Queirosiana e da Gaya. Revista de História, Arqueologia e Património, que falou sobre «Que futuro para a Arqueologia Portuguesa?»

Ontem, dia 24 de abril pelas 15 horas, na sede da Academia Portuguesa da História no Palácio dos Lilases na Alameda das Linhas de Torres em Lisboa, Ricardo Charters d’ Azevedo, confrade queirosianos apresentou a conferência «De 25 a 25 - do 25 de Abril de 1974 ao 25 de Novembro de 1975»

            No próximo dia 26, sexta-feira, na habitual palestra das últimas quinta-feiras do mês do Solar Condes de Resende, J. A. Gonçalves Guimarães vai apresentar uma conferência-concerto sobre a origem, significado e evolução de «Hinos Revolucionários dos séculos XVIII ao XX». A parte da execução musical estará a cargo do agrupamento Eça Bem Dito dirigido pela pianista Maria João Ventura.

Tendo inicialmente previsto fazer uma palestra intitulada «As minhas memórias de Salgueiro Maia», devido a várias solicitações para apresentar essas mesmas recordações em vários outros contextos, nomeadamente numa entrevista ao Jornal de Notícias publicada hoje dia 25 de Abril, o autor elaborou o texto que abre esta página, também publicado no jornal As Artes entre As Letras, e vai desenvolvê-lo para publicação no próximo número da Revista de Portugal a sair em novembro.

 

Receção do espólio de J. Rentes de Carvalho

No passado dia 04 de abril, pelas16 horas, a associação Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana, organizou uma sessão de receção deste espólio no salão nobre do Solar Condes de Resende, à qual estiveram aí presentes, ou por videoconferência, para além do doador do espólio, a vereadora do Pelouro da Cultura e da Programação Cultural, Eng.ª Paula Carvalhal, em representação do presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, o Eng.º Mário Duarte, diretor municipal para a Cidadania, a Dr.ª Maria José Fernandes, diretora do Departamento de Cultura e Juventude e o Mestre João Fernandes, responsável pelo Solar Condes de Resende, vários membros dos corpos gerentes e associados da ASCR-CQ e outros amigos e admiradores do escritor. No início da sessão o presidente da direção, Prof. Doutor José Manuel Tedim referiu-se às diversas doações feitas à associação desde 2004 e que constituem já um interessante espólio documental, bibliográfico e artístico que tem vindo a ser divulgado e valorizado.

O presente acervo, constituído por cerca de 200 caixas vindas de Amsterdam em dois furgões, chegou ao Solar Condes de Resende no passado dia 13 de março, em cumprimento da «Declaração de cedência de espólio pessoal» assinada a 24 de agosto de 2024 e pela qual a referida associação passou a ser proprietária da sua totalidade, salvo disposição contrária prevista em lei aplicável. Comprometeu-se a mesma a manter este espólio como um todo, devidamente inventariado e disponível para divulgação e estudos nas melhores condições e, sempre que solicitada, dele dará conta ao doador ou aos seus representantes legais. Para além da sua exposição parcelar no Solar Condes de Resende, a associação está a concorrer a formas de financiamento para proceder à sua inventariação arquivística e disponibilização digital, para além da publicação de um catálogo exaustivo.

Para explicar as relações da associação com o escritor e a sua obra desde longa data, J. A. Gonçalves Guimarães e Maria de Fátima Teixeira apresentaram um power point com fotografias e documentos desde os anos sessenta do século passado, a que se seguiu a intervenção de vários dos presentes e em particular a do jornalista Mário Augusto igualmente amigo do escritor e autor da mais recente reportagem realizada na Holanda para a RTP sobe a sua atividade. A vereadora Eng.ª Paula Carvalhal, encerrou a sessão salientando a importância da vinda deste espólio para Vila Nova de Gaia e a necessidade de serem encontrados apoios para o seu tratamento arquivístico. Seguiu um Porto de Honra com o Porto 20 Anos Confraria Queirosiana.

Curso sobre História Local e Regional

            Aproxima-se do seu término o curso livre «40 anos depois: História Local e Regional», organizado pela Academia Eça de Queirós, grupo de trabalho da associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, com o patrocínio da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e a certificação do Centro de Formação de Associação de Escolas Gaia Nascente. Assim, no passado dia 6 de abril o Professor Doutor Pedro Bacelar de Vasconcelos, das universidades de Coimbra e do Minho, falou sobre o tema «De súbditos a cidadãos» e a 20 de abril o Prof. Doutor Nuno Resende, da FLUP, sobre «Regionalismos e internacionalismos». A aula de sábado, dia 27 de abril, foi entretanto mudada pata o dia 4 de maio, na qual o Prof. Doutor Adrião Cunha, falará sobre «Reformas e revoluções do século XX».

 fotografia de Hélder de Carvalho

Estátua do Professor Doutor João Marques

            O Professor Doutor João Francisco Marques, antigo catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e o último sobrevivente a tertúlia de José Régio, era também uma figura habitual numa esplanada da Póvoa de Varzim onde conversava com uma simpatia muito própria com todos aqueles que o procuravam. Entre muitas outras distinções, em 1995 recebeu a Medalha do Reconhecimento Poveiro e em 2008 foi feito confrade queirosiano de honra, tendo falecido a 6 de março de 2015. Desde o passado dia 7 de abril eu a sua figura ficou perpetuada no local que frequentou através da sua estátua em bronze sentada à mesa com uma outra cadeira disponível para todos os que quiserem continuar o diálogo. A obra de Arte é da autoria do escultor Hélder de Carvalho.

 O júri na Universidade Complutense de Madrid

Provas de Doutoramento

            No passado dia 12 de abril na Faculdade de Ciências da Comunicação da Universidade Complutense de Madrid, a arquivista Alexandra Maria da Silva Vidal apresentou a sua tese «O Arquivo da Igreja Lusitana de 1880 a 1980 (Comunhão Anglicana de Portugal)». Do júri fizeram parte os professores Doutor José António Martin Moreno Afonso, do Instituto de Educação da Universidade do Minho e Doutor António Manuel S. P. Silva, responsável por aquele arquivo, ambos membros do Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-CQ.

Espaços do Barroco

            Nos passados dias 19 e 20 de abril decorreu no Centro Interpretativo do Barroco em Arcos de Valdevez o colóquio “Espaços do Barroco”, cuja lição de abertura foi proferida pelo Prof. Doutor José Manuel Tedim, da Universidade Portucalense Infante D. Henrique e do Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-CQ, sob o tema «A Arte Efémera na metamorfose dos espaços da Festa Barroca em Portugal»,

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 188, quinta-feira, 25 de Abril de 2024; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana (Instituição de Utilidade Pública), Solar Condes de Resende, Travessa Condes de Resende, 110, 4410-264, Canelas, Vila Nova de Gaia; C.te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação do blogue e publicação no jornal As Artes Entre As Letras: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.

 

 


segunda-feira, 25 de março de 2024

 

Da Cultura a nível local

        No passado dia 1 de março, e como habitualmente desde há 34 anos, participei no Fórum Avintense, acontecimento notável à escala local, resultante do empenhamento de algumas coletividades, mas desde o início assumido pela Junta de Freguesia. Nem no restante Município de Vila Nova de Gaia, nem mesmo no País, haverá iniciativas semelhantes com tamanha persistência, não obstante aqui terem começado a ser promovidas logo em 1983 com a criação, por professores e alunos da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, do então Gabinete de História e Arqueologia de Vila Nova de Gaia. Lembro-me ainda que o historiador Fernando Peixoto, quando foi presidente da Junta de Freguesia de Santa Marinha, no ano de 1999 promoveu algo semelhante de que se publicaram as respetivas atas, mas que da segunda edição, tendo entretanto aquela autarquia mudado de presidente e de orientação política, já o mesmo não aconteceu. Em Mafamude, em tempos mais recentes, uma coletividade, em colaboração com a respetiva Junta de Freguesia, também organizou um colóquio sobre a História Local, com o contributo dos investigadores do Gabinete de História, Arqueologia e Património da Confraria Queirosiana, mas cujas prometidas atas jamais foram publicadas, sendo as comunicações dispersas por várias publicações. E nada mais. No que diz respeito a este Fórum Avintense as atas têm vindo a ser publicadas, tendo sido agora lançado o livrinho referente às apresentadas em 2015.

            Não se trata de um encontro de profissionais de nenhuma das áreas do saber, mas sim de cidadãos que, independentemente da sua formação de base ou profissão, entendem dever apresentar ali os seus conhecimentos, reflexões, opiniões ou anseios sobre diversos aspetos da vida local do passado e do presente, e mesmo os quereres de futuro, em generoso convívio de testemunhos e diálogos, mesmo quando eles estão à partida inquinados por um exacerbado bairrismo muito próprio das comunidades eivadas de desnecessários autoelogios, como é o caso de Avintes, terra da famosa broa, de um não menos famoso rosé e de outros mimos enogastronómicos, para além de escultores e outros artistas, de Adriano Correia de Oliveira, do Teatro amador e do novelista José Vaz, entre muitas outras referências. As coisas são o que são e valem o que valem e certamente muito para os naturais e, quantas vezes, também para o mundo.

            Este ano o mote do encontro foi «Avintes: o antes e o depois do 25 de Abril de 1974», empenhada que está a sociedade portuguesa em refletir sobre o meio século que já passou sobre aquela transformadora data. Para além de vários memorialistas locais, alguns historiadores profissionais quiseram também estar presentes, nomeadamente João Luís Fernandes do Solar Condes de Resende, que apresentou um estudo de História da Arte sobre uma tela pintada com uma pouco habitual Ceia de Cristo do século XVII ou princípios do seguinte, encontrada nas obras de recuperação da Quinta da Agraceira, e eu próprio que apresentei a comunicação «A Cultura a nível local, antes, após o 25 de Abril e hoje. Conceitos, instituições e agentes», assunto difícil de sintetizar num quarto de hora, mas de que ficou a metodologia para continuar a apresentá-lo e a debatê-lo noutros espaços com mais vagares, que o assunto merece uma reflexão profunda e eu próprio fiquei com uma desiludida constatação quando me pus a trabalhar os dados: a Cultura em geral, e mormente a nível local, pela voz e convicção dos partidos políticos, de um modo geral, ainda não saiu do infantário, ainda não evoluiu do joguinho de habilidades, do fait divers, da coleção de inutilidades, da literatice, do bonito anel artístico para por no dedo das conveniências. Para a maior parte deles, a Cultura são os “artistas”, as “coletividades”, as velhinhas a tocar cavaquinho, os jovenzinhos a arremedar os festivais da Tv, os “amadores”, o senhor que faz sonetos e o que toca sonatas, ou sonoridades várias, sonolências diversas e diversas banalidades. Desprezam o trabalho e as produções dos profissionais e acham que Cultura é inspiração ou mesmo “dom com que se nasce”, e sempre coisa muito diferente da Ciência, aquela chatice vária que é preciso estudar. Para tal analisar recorri aos textos dos manifestos políticos dos partidos candidatos às autarquias para o mandato 2021-2025, mas nem sempre tive sorte, pois embora o mandato ainda decorra, já nem todos estão disponíveis na Internet. Mas mandei um e-mail a todos os partidos a solicitá-los e alguns responderam afirmativamente. Outros não, nada. Para colmatar essa ausência em relação aos partidos dos quais não consegui aquele manifesto, recorri aos textos dos programas eleitorais para as Legislativas de 2022. Afinal o que eu procurava era simples e universal: que conceito ou conceitos tinha cada partido de Cultura; quais as instituições que conhecia e qual a opinião dobre o seu funcionamento; quais os agentes que considerava para o desenvolvimento do setor, a nível de profissionais, semi-profissionais e amadores, e da sua relação com os diferentes públicos.

Para haver o menos equívocos possíveis num setor que muito a tal se presta, comecei por apresentar o conceito de Cultura tirado da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira (VIII: 222 e 224) dirigida por António Sérgio, como sendo um «exercício, aperfeiçoamento das faculdades intelectuais… Conjunto de conhecimentos de alguém; instrução. Vida intelectual, ou pensamento crítico e reflexivo do indivíduo, de uma época ou de um país», advertindo que este conceito não era o único. Depois apresentei uma elencagem das diversas áreas da Cultura, mas temendo que alguém a quisesse continuar a reduzir às Artes, à Literatura e pouco mais, “pondo fora” as Ciências, socorri-me das atas do colóquio «A Ciência Como Cultura» realizado em Lisboa em 1992 sob a égide do Doutor Mário Soares, então Presidente da República, cujas lições permanecem atuais. Depois falei nas diversas instituições existentes antes daquela data e das criadas já em regime democrático e do facto de Vila Nova de Gaia não ter querido ter no seu território uma universidade privada nos anos oitenta do século passado. Não me ficou quase tempo nenhum para analisar o que sobre tudo isto pensam (ou não pensam…) os partidos políticos candidatos à administração autárquica e por isso de tal falarei noutra oportunidade. Mesmo assim concluí: «A Cultura é para todos. Todos nela somos bem-vindos. Mas a Cultura, como as outras áreas do saber humano, também tem profissionais. E, como também acontece noutras áreas do saber, sobre Cultura convém ouvir os profissionais, os que para tal estudaram, dela sabem os conceitos, trabalham nas instituições que a produzem e são os seus principais agentes».

            Não, por agora não concluirei que «a ciência realmente só tem alcançado tornar mais intensa e forte uma certeza – a velha certeza socrática da nossa irreparável ignorância. De cada vez sabemos mais – que não sabemos nada» (Eça de Queirós, Notas Contemporâneas, O bock ideal). Nós, os profissionais da Cultura, já sabemos algumas coisas úteis e belas, e por isso é bom que nos distingam dos trampolineiros.

 

J. A. Gonçalves Guimarães

secretário da direção

 


                                                A equipa que transportou e recebeu o espólio; fotografia de Ana Neves

Espólio do escritor José Rentes de Carvalho

         No passado dia 13 de março, vindo de Amsterdam em dois furgões, chegou à sede da associação Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana, no Solar Condes de Resende, Vila Nova de Gaia, o espólio do escritor José Rentes de Carvalho por este oferecido à associação através de «Declaração de cedência de espólio pessoal» assinada a 24 de agosto de 2024 e pela qual esta passa a ser proprietária da totalidade do dito espólio, salvo disposição contrária prevista em lei aplicável. Comprometeu-se a mesma a mantê-lo como um todo, devidamente inventariado e disponível para investigação e divulgação nas melhores condições, mencionando sempre a sua proveniência, tendo como curadores do mesmo Joaquim António Gonçalves Guimarães, doutor em História Contemporânea pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) e Maria de Fátima Teixeira, mestre em História Contemporânea pela mesma faculdade, enquanto estiverem ao serviço da associação. Para além da sua divulgação e utilização públicas, sempre que solicitada a entidade beneficiária dará conta do seu estado, localização e utilização ao doador ou aos seus representantes legais. Para além da sua exposição parcelar no Solar Condes de Resende, a associação vai concorrer a formas de mecenato para proceder à inventariação arquivística e disponibilização digital, para além da publicação de um catálogo exaustivo.

            No próximo dia 4 de abril a associação vai organizar uma sessão simbólica de receção deste espólio no Solar Condes de Resende, que contará com a presença da vereadora do Pelouro da Cultura e da Programação Cultural, Eng.ª Paula Carvalhal, em representação do presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, além do responsável pelo serviço, Dr. João Fernandes, membros dos corpos gerentes, associados, amigos e admiradores do escritor.

            Entretanto já em 22 de dezembro passado a Câmara Municipal de Mogadouro tinha aprovado um voto de louvor ao escritor por ter sido considerado “Personalidade do Norte 2023” pela CCDR-Norte, estando prevista a inauguração de uma sua estátua nesta localidade em 31 de maio próximo.

 

Assembleia geral da ASCR-CQ



                                    A mesa a dirigir os trabalhos da assembleia geral; fotografia de Fátima Teixeira

No passado dia 21 de março realizou-se no Solar Condes de Resende a assembleia geral ordinária desta associação sob a orientação da mesa composta pelo presidente Sr. César Oliveira, ladeado pelos secretários, Prof. Doutor Nuno Resende e Dr. Henrique Guedes, a qual aprovou o relatório e contas referentes a 2023, apresentados respetivamente pelo presidente da direção Prof. Doutor José Manuel Tedim e pelo secretário Prof. Doutor J. A. Gonçalves Guimarães, tendo as contas sido apresentadas pelo tesoureiro Dr. Manuel Moreira e o parecer do conselho fiscal pelo seu presidente Dr. Manuel Filipe Dias de Sousa. A assembleia aprovou ainda um voto de louvor à direção pelo trabalho desenvolvido no ano transato.

 

A ASCR-CQ em Lisboa

Entre os dias 14 e 17 de março passado o secretário da direção esteve em Lisboa em contato com várias entidades e associados que têm a ver com diversos programas em desenvolvimento pela associação. Assim, no dia 15, logo pela manhã, visitou o Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa em Campolide, onde foi apresentar o programa do próximo curso que decorrerá a partir de outubro no Solar Condes de Resende sobre as circunstâncias do 25 de Abril, as suas origens, desenvolvimentos e aspetos mais particulares a serem tratados por historiadores daquele Instituto que sobre tal têm produzido investigação.

Nesse mesmo dia, às 21 horas, J. A. Gonçalves Guimarães foi recebido na Sala de Convívio do Lote 398, em Olivais, bem perto do Agrupamento de Escolas Eça de Queirós, num clube de condomínio fundado em 1976 e presentemente dirigido pelo Dr. Fernando Murta Rebelo e pela Dr.ª Ana Cristina Henriques, que ali desenvolvem um incidente programa cultural, conforme o atestam muitas fotografias, diplomas, livros e outros objetos expostos na sala e o descreve uma interessante publicação que conta a História desta associação. Com uma sala cheia, tendo na assistência os confrades Dr. Manuel Nogueira e Dr. César Veloso, e também a Dr.ª Rute Sofia Florêncio Lima de Jesus, presidente da Junta de Freguesia de Olivais e outros elementos da autarquia local, que assistiram à conferência, o orador falou sobre «Roteiros Queirosianos em Portugal e no estrangeiro», seguida de animado debate.

No dia seguinte, 16 de março, J. A. Gonçalves Guimarães e Manuel Nogueira representaram a ASCR-CQ na assembleia geral e encontro nacional de grupos de amigos filiados na Federação Portuguesa dos Amigos dos Museus de Portugal (FAMP), que decorreu no Palácio Fronteira e Alorna, com a presença do presidente da Fundação das Casas de Fronteira e Alorna, Dom António Maria Infante da Câmara Mascarenhas, do vice-presidente, Dr. Joel Moedas Miguel, da presidente da sua associação de amigos, Dr.ª Maria Berta Marques Bustorff da Silva, da presidente da direção da FAMP, Dr.ª Maria do Rosário Alvellos e do Prof. Doutor Mário Antas, representante da Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E.. Na assembleia geral para aprovação do relatório e contas foram ainda referidas as relações da FAMP com o Conselho Nacional de Cultura, a Museus e Monumentos de Portugal, de cujo conselho consultivo faz parte, o Instituto do Património Cultural, a WFFW – World Federation of Friendes of Museums, que instituiu o 2.º domingo de outubro como o Dia Europeu dos Grupos de Amigos, a realização de encontros de jovens, e as relações com o ICOM e a APOM.

Depois de uma visita ao Palácio e do almoço na sala de jantar do mesmo, decorreu na Sala das Batalhas o encontro das associações presentes, com intervenções dos representantes dos grupos de amigos da Fundação das Casas de Fronteira e Alorna, Museu do Ar, Museu Nacional do Azulejo, Monserrate, Museu Nacional dos Coches, Museu Nacional Machado de Castro e Solar Condes de Resende. Sobre esta última instituição, fechou o encontro a comunicação a cargo do secretário da ASCR-CQ que ali explicou o seu funcionamento e propósitos.

No dia seguinte, e antes de regressar a Vila Nova de Gaia, o secretário teve ainda oportunidade de reunir com o vice-presidente da direção, Prof. Doutor Luís Manuel de Araújo, em vésperas deste partir para uma nova visita guiada ao roteiro queirosiano do Egito, sobre vários aspetos da vida da associação e do número da Revista de Portugal para o presente ano.

 

Curso sobre História Local e Regional



                    O Coronel Velludo (Prof. Doutor Sérgio Veludo Coelho): fotografia de Maria de Fátima Teixeira


Prosseguem no Solar Condes de Resende as aulas, presenciais e por videoconferência, do curso livre «40 anos depois: História Local e Regional» evocativo das 1.as Jornadas de História Local e Regional realizadas pelo Gabinete de História e Arqueologia de Vila Nova de Gaia em 1983. No sábado 02 de março o Prof. Doutor Barros Cardoso da FLUP falou «Nas origens das ideias iluministas – “luzes e sombras”» que estiveram no dealbar da Europa e do Portugal contemporâneos, e no sábado 16 de março o Prof. Doutor Sérgio Veludo Coelho, do IPP, apresentou uma aula sobre o tema «Entre Corcundas e Malhados», na forma de stand up History, um conceito utilizado no Reino Unido e nos Estados Unidos da América, mas pouco habitual entre nós, sob «a forma de palestra encenada e narrativa, usando uma imersão em primeira pessoa de alguém, real ou ficcionado, é um recurso de partilha de conhecimentos», neste caso sobre a Guerra Civil de 1828-1834. O próprio “Coronel Velludo” (o professor) e o uniforme com que se apresentou não são ficcionados, mas sim fruto de pesquisa e confeção de uma réplica, o mais cuidadosa possível, sobre um Oficial do Batalhão do Trem do Ouro, formado durante o Cerco do Porto a partir de efetivos do Batalhão de Artilharia Nacional, integrado no Exército Liberal.

No sábado 23 de março o Prof. Doutor José António Oliveira, também do IPP, falou sobre «Constitucionalismo oitocentista», sendo esta aula também complementar do curso n.º 27 sobre «Revoluções e Constituições», comemorativo dos 200 anos da Revolução de 1820 e lecionado em 2019/ 2020, o qual foi interrompido devido à pandemia quando faltavam duas aulas para acabar, e que agora assim se completa.


Palestras

Prosseguem no Solar Condes de Resende as palestras das últimas quinta-feira do mês, presenciais e por videoconferência. Assim no próximo dia 28 de março, o Dr. João Fernandes, historiador da Arte vai falar sobre «Uma Última Ceia da Quinta da Agraceira, Avintes». Como o dia 25 de abril é feriado em que a ASCR-CQ estará presente em diversas atividades comemorativas dos 50 anos dos acontecimentos que tornaram célebre a data, a palestra habitual decorrerá no dia 26 de abril, sexta-feira, sobre o tema «As minhas memórias de Salgueiro Maia» por J. A. Gonçalves Guimarães.

 

500 anos de Camões



A Matriz Portuguesa – Associação para o Desenvolvimento da Cultura e do Conhecimento vai realizar um vasto programa de celebração do 500.º Aniversário do nascimento de Luís de Camões, entre as quais a Exposição Universal da Matriz Portuguesa, como símbolo da vocação universalista da língua e da cultura portuguesas. A comissão executiva tem como comissário geral o Doutor João Micael e como comissária-geral adjunta a Prof.ª Doutora Annabela Rita da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tendo já aderido ao projeto, entre várias outras instituições e personalidades, o Grémio Literário, Lisboa, o jornal As Artes Entre As Letras, a Confraria Queirosiana, passando o seu presidente da direção, Prof. Douto José Manuel Tedim, a fazer parte da comissão de honra daquela exposição, e o Professor Doutor Guilherme d’ Oliveira Martins, da administração da Fundação Calouste Gulbenkian, que fará a conferência de abertura naquela primeira instituição no dia 4de junho pelas 18 horas.

XI Festeatro

         Com uma Gala no Auditório Municipal de Gaia, encerrou no passado dia 23 de março o XI Festival de Teatro Amador de Vila Nova de Gaia 2024, organizado pela Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia com o apoio do Município, o qual decorreu desde o dia 16 de fevereiro com atuações de 10 grupos de Teatro. Na ocasião foram agraciados pela organização todos os grupos participantes e homenageado o ator Fernando “Sousa” Moura, decano dos atores gaienses e elemento do Mérito Dramático Avintense. Entre muitos representantes das diversas coletividades e instituições locais, estiveram presentes a Eng.ª Paula Carvalhal pela Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, o Dr. Manuel Filipe, dos Auditórios Municipais de Gaia, e pela associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana o secretário da direção J. A. Gonçalves Guimarães e a Dr.ª Maria de Fátima Teixeira.

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 187, segunda-feira, 25 de março de 2024; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana (Instituição de Utilidade Pública), Solar Condes de Resende, Travessa Condes de Resende, 110, 4410-264, Canelas, Vila Nova de Gaia; C.te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação do blogue e publicação no jornal As Artes Entre As Letras: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.