quarta-feira, 25 de maio de 2022

Eça & Outras

 Ano do Centenário da 1.ª Travessia Aérea Lisboa – Rio de Janeiro e do Bicentenário da Independência do Brasil

Fitas queimadas


        Chegado o mês de maio ocorre em Coimbra, no Porto, e de há uns anos a esta parte noutras cidades agora com academias, uma festarola estudantil que extravasa os muros dos estabelecimentos onde tem origem. Lisboa teve em tempos alguns arremedos, mas não virou tradição. Referimo-nos obviamente à Queima das Fitas, cuja origem e evolução está já explicada em diversos estudos. A sua parte mais visível, e mais incidente na vida local, é o cortejo em que participam todas as academias com carros alegóricos, mais ou menos engalanados. Compreende-se que assim seja, como manifestação de regozijo dos estudantes do ensino superior pelo facto de estarem a acabar um curso que os habilita a exercerem uma profissão em princípio exigente e de grande incidência técnica, cultural, económica e social. É também o corolário de uma certa fase da vida que teve alguns rituais corporativos, a que chamam praxe, às vezes muito pouco fraternais ou mesmo muito pouco aceitáveis, e já muito longe do preconizado no célebre Palito Métrico e Correlativa Macarrónea Latino-Portvguesa, com várias edições, e que provavelmente nunca foi lido pelas atuais gerações. No que à atividade praxística diz respeito há até uma constatação fácil de tirar: salvo uma ou outra exceção, a sua deselegância ou mesmo perniciosidade individual e social é tanto mais repugnante quanto mais recente for a academia onde os seus atos ocorrem.

            Não tanto sobre estes acontecimentos mais ou menos folclóricos que entopem as ruas da cidade do Porto uma vez por ano, mas do interesse histórico que uma outra das suas produções pode suscitar, gostaria agora de vos falar dos esquecidos livros de curso, preciosas edições que também têm alguma tradição académica em Portugal mas, que eu saiba, a que ainda não foi votada qualquer especial atenção. E, no entanto, se quisermos caracterizar devidamente o ensino universitário na época a que dizem respeito, não há como ignorá-los, pois eles estão muito para além das estatísticas e da documentação oficial, esparramando nas suas páginas o momento biográfico de cada aluno e o que ele ou ela pensavam da utilidade ou da função social do curso, bem assim como os seus pais, os padrinhos, os namorados, alguns colegas. Para além do curso ou variante, do nome e da caricatura do visado – gerações de caricaturistas estão aí representados, uns famosos e persistentes, outros ocasionais – apresentam-se também ali as suas virtudes ou pequenos hábitos, anseios ou projetos de vida em quadras ou versos geralmente maus e de “pé-quebrado”, mas mesmo assim muito reveladores sobre quem é o novo “doutor” ou “doutora”, generosa denominação popular do título académico obtido pelos diplomados, bacharéis ou licenciados, conforme a época, a academia ou o curso, e quando este não tinha imediata conotação profissionalizante, como é o caso dos engenheiros, dos arquitetos, dos enfermeiros ou outros, mas ali todos “doutores”. Tanto quanto sei esta prática editorial em muitos casos contínua, mais ou menos elaborada, mas sempre com edições limitadas a pouco mais do que o número dos que concluíram o curso, perdendo-se depois nas andanças dos espólios pessoais. Quando com eles nos deparamos podemos aí encontrar interessantes elementos proto-biográficos de ministros e de sábios, as mais das vezes de vulgaríssimos cidadãos, que pouco ou nada acrescentaram à magnificência nacional das Ciências, das Artes e das Letras. Mas, potencialmente, todos textos premonitórios ou proféticos na glória ou nos anonimatos dos discentes das academias portuguesas.

            Veio-me à mão o Livro de Curso da Faculdade de Letras da Universidade do Porto de 1971, com o subtítulo No final da rota, novos rumos, com silhueta de barco à vela com âncora à proa na capa da autoria de um arquiteto José Duarte. No miolo a alusão a todos os “Fitados de Letras” da Queima das Fitas desse ano, com ou sem caricatura, com ou sem versalhada. Pode realmente ter sido um final de rota para os então 63 finalistas de Ciências Históricas e os 27 de Ciências Filosóficas, muitos dos quais terão agora, em média, setenta e cinco anos, mas dos quais as bibliotecas pouco ou nada registam, sendo embora esse um dos atributos das profissões que escolheram, o de descobrir, conferir e divulgar conhecimentos naquelas áreas através da escrita e das publicações. Será, pois, muito interessante espiolhar ali algumas luzes que nos façam entender o que pensavam então os novos “doutores” da forma como iriam exercer a profissão de historiadores, filósofos ou outras derivadas – bibliotecários, arquivistas – que requeriam pós-graduações. E não resisti a comparar esse livro com o do meu ano de curso (Finalistas de Letras 1981-82) da mesma faculdade: evidentes diferenças, numéricas e outras, logo na própria dimensão do livro, que apresenta agora 69 alunos de Filosofia, 173 de História e 27 da variante de Arte e Arqueologia, seguidas de um numeroso contingente de alunos e alunas de Línguas e Literatura, espalhados por Estudos Portugueses…Franceses…Ingleses e Alemães, com várias agregações de idiomas. E se é certo que muitos dos nomes ali constantes se podem encontrar hoje nos ficheiros da Biblioteca Nacional, no que diz respeito às caricaturas e à versalhada familiar e amiga, no geral elas são muito semelhantes, passada que fora uma década. A sociedade, no essencial, mudara muito pouco nos seus objetivos. Mas já então havia, por parte de alguns alunos mais vividos ou com outras experiências de formação, uma outra perceção do que deveria ser a universidade e o seu propósito social, cultural e profissional. Não terá sido por acaso que nesse mesmo ano, para além da “tradicional” Queima das Fitas onde os alunos e alunas de “Letras” mais ou menos se integraram no respetivo programa, que um pequeno grupo organizou a 12 de maio nos jardins e no interior das instalações um questionante «Faculdade de Letras Show!!» integrado numa contra realização chamada «A Teima das Pitas», sob o mote adaptado de um conhecido fado coimbrão: «Letras tem mais encantos [oh se tem!] na hora da despedida». Já então havia alguma consciência de que nem todos os alunos daquela faculdade se destinavam exclusivamente ao ensino e que, para exercer as profissões de historiador, arqueólogo ou outras inerentes, saíam dali com um grande e muito evidente deficit de consciência profissional na sua preparação, que só alguns viriam a superar. A maioria acomodou-se ao pouco que a sociedade lhe ofereceu como emprego. «E em Portugal não se pode avaliar a eficácia da Academia – como se não pode apreciar a utilidade de um instrumento durante longos anos esquecido ao canto de um casarão, enferrujando-se e apodrecendo sob a escuridade e o bolor» (Eça de Queirós, Notas Contemporâneas).

            Dir-me-ão que tal já não é verdade, que hoje as universidades passam por crivos de aferição de qualidade, há para aí uns rankings, e outras orações gestionárias. Mas quanto à consciência profissional dos seus formandos, na área em que trabalho que é a da História e ofícios correlativos, creio bem que estamos exatamente como nos anos setenta, ou no tempo de Eça. 

J. A. Gonçalves Guimarães
secretário da direção

Provas de doutoramento de António Manuel S. P. Silva
fotografia de José Manuel Tedim
Doutoramento

            No passado dia 9 de maio decorreram na Faculdade de Humanidades da Universidade de Santiago de Compostela, em Lugo, as provas de doutoramento em Estudos Culturais (Arqueologia e História Antiga) de António Manuel S. P. Silva com a apresentação e defesa da sua tese intitulada Cale e os Callaeci. Territórios e Comunidades na foz do Rio Douro entre a Proto-história e a Romanidade, a qual teve como orientadores os professores doutores Gerardo Pereira-Menaut (USC) e Rui Morais (FLUP) e, por falecimento do primeiro, os professores doutores Dolores Dopico e Manuel Villanueva (USC). O júri do ato académico, presidido pelo Prof. Doutor Amílcar Guerra (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa) contou com a participação dos professores doutores Ana Suárez Piñeiro (USC) e Fermín Perez Losada (Universidade de Vigo). Após uma brilhante apresentação do tema por parte do doutorando seguiram-se as intervenções dos membros do júri, unânimes na apreciação da obra como exaustiva e exemplar, seguindo-se algumas pequenas intervenções de outros doutores presentes na assistência, conforme é uso nas universidades espanholas, tendo sido a tese classificada com nota máxima (sobresaliente cum laude).

            O Doutor António Manuel S. P. Silva é também co-coordenador do Gabinete de História, Arqueologia e Património e membro dos corpos gerentes dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, e assim esta instituição fez-se representar no ato através dos Doutores José Manuel Alves Tedim e J. A. Gonçalves Guimarães, respetivamente presidente e secretário da direcção e também co-coordenadores daquele Gabinete. Estiveram igualmente presentes familiares e amigos do doutorado que no final o festejaram.

Independência de Timor – 20 Anos

Coincidindo com as comemorações dos 20 anos da Independência de Timor, o realizador Francisco Manso está a rodar no arquipélago da Madeira uma nova série de ficção, agora sobre a invasão japonesa de Timor-Leste em 1942. Denominada “Abandonos” e protagonizada pelo ator Marco Delgado, relata em sete episódios a união de timorenses, australianos e portugueses contra o inimigo comum escrita pelo falecido historiador António Monteiro Cardoso na obra Timor na Segunda Guerra Mundial – Diário do Tenente Pires, publicada em 2007. A série deverá ser estreada ainda este ano tanto em Portugal como em Timor.

Entretanto, a convite das autoridades timorenses, um significativo grupo de personalidades portuguesas estiveram presentes em Díli nas cerimónias comemorativas da independência que decorreram nos últimos dias, nomeadamente o Presidente da República, Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa e o Chefe da Casa Real Portuguesa, D. Duarte Pio,

Instituições

            Manuel de Novaes Cabral, ex-diretor do Instituto Português dos Vinhos do Douro e do Porto, cônsul honorário da França no Porto e diretor do Museu Nacional Ferroviário, foi feito académico de número da Academia Internacional de Cerimonial e Protocolo por ocasião do XVIII Congresso Internacional de Protocolo que decorreu em Granada, Espanha, em abril passado, inaugurando a cadeira n.º 14 cujo patrono é o Marquês de Pombal.

Livros e Revistas

 Assinalando o Dia Internacional dos Museus, no passado dia 21de maio no Museu da Indústria Têxtil da Bacia do Vale do Ave em Famalicão, e apresentado pelo seu diretor, Prof. Doutor José Manuel Lopes Cordeiro, foi lançado o número correspondente ao 1.º semestre de 2022 da revista Arqueologia Industrial. Entre os diversos artigos publicados encontra-se «A indústria metalúrgica em Crestuma, Vila Nova de Gaia. A Fábrica Paiva Freixo» da autoria de Maria de Fátima Teixeira, investigadora do Gabinete de História, Arqueologia e Património (ASCR-CQ). Após este lançamento, aquele docente da Universidade do Minho fez uma visita guiada à exposição ali patente sobre os 175 anos da Fábrica do Rio Vizela.


        Da autoria de Francisco Queiroz, Ricardo Charters d‘ Azevedo e Miguel Saraiva, o livro Villa Portela. Mais de um Século de História, editado pela Horas de Ler, apresenta uma exaustiva descrição deste edifício emblemático de Leiria e dos seus proprietários ao longo dos tempos, cujas obras de adaptação a equipamento cultural começaram no passado dia 26 de abril. O livro será posto à venda no dia 4 de Junho.


Conferências e palestras

            Prosseguem no Solar Condes de Resende nas últimas quintas-feiras do mês, entre as 18,30 a as 19,30 horas, presenciais e por videoconferência, as habituais palestras sobre os mais diversos temas, feitas por jovens investigadores ou por especialistas em determinadas matérias. Amanhã, dia 26 de maio, o historiador Paulo Jorge C. Sousa Costa falará sobre «Senhorios nobres no julgado de Gaia no século XIII», um tema tanto mais interessante quanto hoje vão sendo cada vez mais raros os estudos profissionais sobre a Idade Média da região.

Exposições

            No passado dia 14 de maio abriu ao público no Palácio do Raio em Braga a exposição do escultor Hélder de Carvalho Espessa Escuridão, com trabalhos que materializam a seguinte interrogação: «Em tempos de crueldade e horror, até onde vai a nossa consciência perante a violência da guerra?». Estará aberta até 11 de junho.

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 165, quarta-feira, 25 de maio de 2022; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.

 

 

terça-feira, 26 de abril de 2022

Eça & Outras, segunda-feira, 25 de Abril de 2022

Ano do Centenário da 1.ª Travessia Aérea Lisboa – Rio de Janeiro e do Bicentenário da Independência do Brasil

A Leste nada de novo

         Partilhando convosco estas crónicas, desabafos e interrogações mais ou menos queirosianas sobre este nosso quotidiano, que mantenho com teimosa regularidade kantiana desde 2004, o que de mim exige uma qualidade a que sou bastante avesso, a disciplina, na minha mente pululam sempre vários temas que entendo dignos de mote para uma boa conversa. Que sobre tal esteja convicto ou iludido, não é hoje o caso: o tema sobre o qual a seguir disserto é-me extremamente desagradável e jamais pensei voltar na vida a ter de refletir sobre ele. Refiro-me à desgraçada guerra que se abateu sobre a Ucrânia, que está a destruir o seu povo, o seu território, as suas produções que, com a fertilidade dos seus campos, alimentavam fomes até noutras latitudes. Não que o tema guerra seja desconhecido da minha geração: nascidos já depois da II Grande Guerra, ainda em criança ouvimos falar do que foi o racionamento, a carestia, a falsa esperança democrática com a vitória dos Aliados que continuaram a proteger vários ditadores no pós-guerra. Mas também ouvimos falar dos açambarcadores que ganharam muito dinheiro com os víveres que faltavam a todos, os volframistas que vendiam calhoada debaixo de cascalho de volfrâmio embarcado para os dois lados do conflito, e outros que, tal como agora, enriqueceram durante a desgraça alheia e coletiva. A guerra foi lá longe, mas mesmo assim invadiu o quotidiano de nossos pais e avós. E por aqui nem todos eram pelos Aliados, pois havia igualmente muitos germanófilos, que nos tempos que se seguiram se esconderam da opinião pública.

Nos anos sessenta a realidade da guerra foi-se materializando nos vizinhos, nos familiares e nos amigos que partiam para as ex-colónias e não voltavam, ou quando regressavam vinham aleijados ou estranhos, muitos deles redigindo até hoje memórias que não os deixam dormir o sono dos justos. Conheci essa guerra pessoalmente e sobre ela posso testemunhar se alguém quiser, pois ainda hoje há quem a propósito dela debite discursos de fantasias, de chavões, de paranóias geopolíticas iniciadas em 1415 com a conquista de Ceuta, quando então começaram todas as guerras coloniais portuguesas, das quais a minha geração viveu e encerrou a última, pois estou convicto que não haverá mais nenhuma. Perto tínhamos o Quartel da Serra do Pilar que albergou um armazém de urnas de combatentes mortos que saíam a enterrar em viaturas durante a calada da noite para todo o Norte do País, que a guerra é uma vergonha que se esconde muito para além dos desfiles, das paradas, das medalhas. Para além dos dois túmulos de soldados desconhecidos mortos, um na Flandres, outro em África na I Grande Guerra, como símbolo de todos os soldados conhecidos que as suas mães, namoradas e companheiros de infância esperaram em vão, o país está cheio de epitáfios de soldados mortos em combate na Última Guerra Colonial. Essa consciência de que a guerra existia e esperava por nós, e de que não era um assunto só português mas internacional, levou-nos a vociferar através de vários meios contra a Guerra do Vietname e a solidarizarmo-nos com todos os povos invadidos e massacrados pelas outras potências coloniais. Mas mais recentemente tive alunos meus que não acreditavam que os EUA tinham sido derrotados naquela guerra, pois da mesma só conheciam os filmes do Rambo, quase sempre ofensivos para o povo vietnamita, fantasias impingidas em gigantescas doses pela poderosa indústria do show business mundial que suporta a comunicação social “normalizada”.

         Tendo a minha geração quase ignorado fora do noticiário quotidiano as guerras que o desabar do império soviético e a cobiça da NATO originaram na antiga Jugoslávia, a guerra permanente na Palestina desde 1948 e assistido em direto, sem reação aparente, às guerras do Afeganistão, do Iraque, da Líbia e de muitas outras terras espalhadas pelo mundo, parece que finalmente uma nova consciência humanitária se tem vindo a instalar com o generalizado repúdio pela invasão da Ucrânia pelo exército de Putin, que além de massacrar, destruir, pilhar, inviabilizar e tentar aniquilar o povo ucraniano e o seu direito à independência, está também a destruir o seu próprio povo, a levá-lo cada vez para mais longe da Democracia e da comunhão fraterna dos povos. O legado cultural que Gogól, Tolstoi, Dostoiévski, Tchékhov, Kondratiev, Gorki, Soljenitsin, Pasternak e outros escritores, historiadores e pensadores, ou as imortais partituras de Glinka, Dostoiévski, Mussorgsky e outros músicos, toda uma civilização admirada e respeitada pelo mundo culto que nos foi oferecida por tanto expoente russo, está agora a ser escorraçada da convivência dos povos pelos crimes de guerra cometidos todos os dias por uns cinzentíssimos generais e uns não menos tenebrosos políticos cujo ideal é apenas a destruição e a guerra. «… Por causa dela, e só dela, duas altas nações do mundo estão em áspero conflito, e a diplomacia hesita esgazeada, e as Bolsas cambaleiam tomadas de pânico e pelos ares passa, com o seu costumado ruído de ferro e dor, a velha Belona, deusa da guerra!» (Eça de Queirós, Cartas de Paris. Cartas Familiares). Voltam as palavras do escritor, mais de cem anos depois, a estar tristemente certas.

         Enquanto os números da desgraça todos os dias se somam e os refugiados batem à porta das nações ansiosos por paz e oportunidades, o mundo temeroso perante a insanidade militar da Rússia e a inconsciência dos que brincam às geoestratégias como se estivessem perante um tabuleiro de xadrez em vez de estarem perante um mundo de pessoas que só querem ter direito a ser felizes nesta vida, as bombas continuam a cair na Ucrânia e noutras regiões do planeta. Nestes dias não, não se vislumbra a Leste nada de novo. Mas mantenhamos uma esperança ativa de que um dia «os justos governarão a Terra» e partamos já hoje à sua procura para anteciparmos esse encontro que urge. Antes que seja tarde demais.

 J. A. Gonçalves Guimarães

secretário da direção


         No passado dia 7 de abril decorreu em Maceió, Alagoas, uma sessão evocativa dos 200 anos da Independência do Brasil, localmente organizada pela Academia Alagoana de Letras com a colaboração da associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, com sede em Vila Nova de Gaia, mas que agrega associados em todo o Portugal e também no Brasil. Assim, pelas 9,30 horas do Brasil (13,30 em Portugal), em transmissão direta através da TV Alagoana via Youtube, Alberto Rostand Lanverly, presidente daquela academia saudou os telespetadores que acompanhavam a emissão, a que se seguiram palavras de boas vindas pelo académico Carlos Barros Méro. Seguidamente, a partir de Vila Nova de Gaia via Zoom, seguiu-se uma palestra pelo Professor Doutor Francisco Ribeiro da Silva, historiador e confrade queirosiano, intitulada «A receção da independência do Brasil no Parlamento Português», após a qual o presidente da AAL apresentou o Dr. António Pinto Bernardo que ali em Maceió representava a direção da Confraria Queirosiana, que em seguida dissertou sobre as inter-relação com o Brasil segundo os fecundos propósitos de Eça de Queirós expressos em diversos textos e cartas do escritor, após o que se seguiu a outorga ao palestrante do título de sócio correspondente daquela academia, tendo na ocasião sido também saudado pelo Dr. Marcelo Malta, subprefeito de Satuba, Alagoas, e confrade queirosiano.


Curso de História, Património e Turismo

Com uma aula sobre «Turismo em Gaia e na Área Metropolitana do Porto» pelo Prof. Doutor Eduardo Vitor Rodrigues, professor de Sociologia na FLUP, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e presidente da Área Metropolitana do Porto, terminou o curso livre sobre História, Património e Turismo, organizado pela Academia Eça de Queirós, secção de trabalho para o ensino da associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, com a colaboração do Solar Condes de Resende (Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia). Na ocasião o conferencista falou sobre as suas perspetivas para a retoma do Turismo quer no Centro Histórico de Gaia e noutras áreas do município, quer em toda a Área Metropolitana do Porto e mesmo do Norte do País. 

Confrarias gastronómicas

       No passado dia 23 de abril realizou-se na Póvoa de Varzim o IXº Capítulo da Confraria dos Sabores Poveiros, o qual decorreu no Cine Teatro Garrett, onde atuou o Coro da Capela Marta e de seguida a Dr.ª Deolinda Carneiro, diretora do Museu local, apresentou o seu estudo sobre a Camisola Poveira. Após a insigniação dos novos confrades, as mais de quarenta confrarias presentes desfilaram pelas ruas da cidade, seguindo-se um almoço com animação em Balazar. A Confraria Queirosiana fez-se representar nesta terra onde Eça de Queirós nasceu por quatro membros dos seus corpos gerentes, António Pinto Bernardo, César Oliveira, J. A. Gonçalves Guimarães e Manuel Moreira.

         No próximo dia 30 de abril decorrerá no Ateneu Comercial do Porto e no Grande Hotel do Porto o I Capítulo da Rabanada, no qual a Confraria Queirosiana igualmente se fará representar. 

Livros

Joaquim Lima Moreira Vaz, ex provedor da Santa Casa da Misericórdia de Gaia e sócio da ASCER-CQ, acaba de publicar as suas memórias no livro que intitulou Momentos de uma vida, que apresenta sempre muito bem acompanhados de fotografias, desde a infância gaiense passando pela vida profissional na margem direita do Rio Douro, mas sobretudo na sua ação ao serviço dos outros e da coletividade em diversas instituições de solidariedade social por onde tem passado. Apresenta igualmente os seus locais de eleição, de entre os quais se destaca na freguesia de Gulpilhares aquele seu ex-libris que é a capela do Senhor da Pedra. Para além de todas as borrascas e nevoeiros que todas as vidas enfrentam, a sua via da solidariedade transparece em todos estes momentos autobiográficos desde a sua juventude.

Manuel de Novaes Cabral, ex-diretor do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto e atualmente do Museu Nacional Ferroviário com sede no Entroncamento e vários núcleos espalhados pelo país, cônsul honorário da França no Porto e homem de várias devoções artísticas e literárias lançou ontem domingo, dia 24 de Abril pelas 17 horas na Casa Comum da Universidade do Porto, vulgo Reitoria, na Praça Gomes Teixeira, vulgo Leões, o seu livro de reflexões sobre Um certo Porto, na ocasião ilustrado pelo videofilme inspirado no seu texto «Do mar e da foz». Entre os apresentadores da obra estará o historiador Joel Cleto.


A Mulher e o Amor na Ficção Queirosiana

Entretanto chegou ao nosso conhecimento a existência da obra Sob o signo do Logro: a Mulher e o Amor na Ficção Queirosiana, dissertação de Mestrado em Estudos Portugueses da autoria de Fernando Miguel de Matos Gonçalves apresentada à Faculdade e Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Lisboa em setembro de 2014. «Centrada na obra de Eça de Queirós, a presente dissertação tem como principal finalidade perceber de que forma o logro, a desilusão e a solidão se encontram associados à imagem da Mulher e à temática do Amor. Assim, partindo de uma análise às personagens femininas dos romances deste escritor, chegamos a temas como as “máscaras” do indivíduo na sociedade, as quais estão intimamente ligadas à hipocrisia, à mentira e, por vezes, ao ridículo. Será este o fio condutor que percorrerá todo o texto, ligando os assuntos supracitados a questões tão abrangentes como a interrogação identitária, decorrente da projeção do Eu no Outro, ou os valores da sociedade oitocentista, onde as mulheres assumem um papel central – para o melhor e para o pior». Encontra-se disponível online.

Património Cultural

Para a comemoração dos seus 20 anos, o jornal O Gaiense lançou de novo um evento público para a escolha de 22 maravilhas gaienses nas áreas do património nas seguintes modalidades: móvel, natural, gastronómico, monumental e imaterial. Já em 2013 organizou um primeiro evento que chamou a atenção para muitos dos ícones do município. Já então as peças a considerar foram inicialmente indicadas pelas juntas de freguesia e depois selecionadas por um júri, mas também por votação do público. Desta feita do júri fazem parte, entre outros, os queirosianos J. A. Gonçalves Guimarães, investigador, professor de Património e responsável pelo Solar Condes de Resende, e Manuel Filipe diretor dos Auditórios de Gaia, que selecionaram para por à consideração do júri e do publico, numa segunda fase, 35 dos vários monumentos, sítios, romarias e iguarias gaienses, entre as quais o Solar Condes de Resende e as Tesserae Hospitales romanas que aí se guardam. As 22 maravilhas selecionadas serão reveladas numa gala a realizar a 7 de maio num hotel de Vila Nova de Gaia.

Conferências e palestras

         Integrada nas comemorações do 50.º aniversário da Associação Recreativa Novelense (Novelas, Penafiel), decorreu ontem, dia 24 de abril pelas 21 horas no salão a Junta de Freguesia de Penafiel a apresentação do opúsculo «Humberto Delgado, as eleições de 1958 e a relação com Novelas» pelo seu autor, o Doutor Adrião Cunha, a que se seguiu um concerto musical.

      Nas habituais palestras das últimas quintas-feiras do mês do Solar Condes de Resende, no próximo dia 28 de abril a Dr.ª Inês Vinagre falará sobre «O Núcleo de Azulejos da Coleção Marciano Azuaga», tema que estudou durante um estágio patrocinado pela Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia naquela instituição para a obtenção do grau de Mestre em História da Arte, Património e Cultura Visual pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Empresas


No dia 8 de abril passado decorreu em Vila Nova de Gaia um evento excecional como há muito se não via: enquanto a tendência nos últimos cinquenta anos tem sido o desaparecimento de antigas empresas de vinhos do Porto e do Douro, a sua transferência para o Douro Superior ou Alto Douro, ou a sua integração em grandes empresas internacionais lideradas por uma marca-âncora, abriu as portas nuns antigos armazéns da Rua Rei Ramiro, ao Castelo de Gaia, a jovem empresa João Nicolau de Almeida & Filhos, mas que historicamente sucede, até do ponto de vista genealógico, à empresa António Nicolau de Almeida & C.ª, fundada em 1870, no século passado integrada no universo de marcas da Real Companhia Vinícola do Norte de Portugal, que desta firma não usou. Empresa familiar, liderada por João Nicolau de Almeida, o criador do Duas Quintas, por sua vez filho de Fernando Nicolau de Almeida, o criador do Barca Velha, agora em colaboração com sua mulher Graça Eça de Queiroz Cabral Nicolau de Almeida e seus filhos Mateus, João e Mafalda, produz agora uma gama de vinhos muito personalizados produzidos na sua Quinta do Monte do Xisto que fundou em terreno virgem em Vila Nova de Foz Côa, perto deste rio e da sua confluência com o Douro. Mas esta abertura dos seus armazéns e loja de vendas em Gaia é, de certo modo, um auspicioso regresso às origens, pois os seus antepassados são oriundos das Regadas e das Costeiras, ali mesmo junto ao Castelo de Gaia, zona histórica matricial da atual cidade e do município, e mesmo do nome do país Portugal que se batizou com vinhos que foram depois correr o mundo com o conhecido sucesso.

         Nesta abertura festiva, estiveram presentes conhecidos produtores de grandes vinhos, seus familiares e amigos, descendentes de Eça de Queirós e vários confrades queirosianas, sendo dominante a presença de muitos jovens num ambiente de música heavy metal, bem indicadora da renovação geracional do Douro vinhateiro.

Exposições

       Também nos dias 8 e 9 deste mês de abril o escultor Hélder de Carvalho, autor de, entre muitas outras obras públicas e privadas, das estátuas de Eça de Queirós e do busto de J. Rentes de Carvalho existentes no Solar Condes de Resende, abriu aos seus numerosos amigos e ao público em geral as novas instalações do seu atelier, tal como o anterior situado nas instalações da antiga Empresa Electro-Cerâmica no Candal (Candal Park), mas agora muito mais amplo e com capacidade para a conceção de obras de muito maior envergadura, uma das quais já ali em elaboração. Por entre o corrupio de colegas artistas, admiradores, encomendantes e curiosos, deu ainda para apreciar uma exposição ali patente de diversos retratos desenhados, pintados e modelados em barro, gesso ou já fundidos, de muitas personalidades das Ciências, das Letras e das Artes do nosso tempo ou do passado, nomeadamente o busto do patriota e poeta ucraniano Taras Shevchenko, inaugurado em Lisboa em setembro de 2019.

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 164, segunda-feira, 25 de abrilde 2022; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: AAL; O Gaiense; João Nicolau de Almeida & Filhos; Escultor Hélder de Carvalho.

 

 

 


sexta-feira, 25 de março de 2022

Eça & Outras

Ano do Centenário da 1.ª Travessia Aérea Lisboa – Rio de Janeiro e do Bicentenário da Independência do Brasil

Participantes no 5.º Capítulo Extraordinário da Confraria Queirosiana

A Academia Alagoana de Letras no Solar Condes de Resende

A 12 de maio de 2021 os Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana e a Academia Alagoana de Letras celebraram um acordo geral que tem como objetivos «promover a cooperação entre as duas instituições com o fim de realizarem conjuntamente atividades destinadas à promoção das culturas portuguesa e brasileira em todos os continentes e, notadamente, nos países lusófonos». Desde então as duas instituições têm mantido contatos para realizações conjuntas que já se materializaram na colaboração recíproca na Revista de Portugal n.º 18 (2021) e na Revista da Academia Alagoana de Letras n.º 25 (2021), bem assim como na participação em vários eventos culturais por videoconferência. Neste ano de 2022 decidiram participar conjuntamente nas Comemorações do Bicentenário da Independência do Brasil e do Centenário da 1.ª Travessia Aérea Lisboa – Rio de Janeiro.

         A cultura portuguesa e a brasileira vivem entrelaçadas desde que um tal Pero Vaz de Caminha em 1500 escreveu uma célebre carta ao rei D. Manuel I, um documento a todos os títulos notável que ainda hoje sabe bem ler. Se me perguntassem por um documento mais recente onde tal espírito mútuo prevalecesse, entre muitos outros, por certo, iria ali à minha estante pegar na Antologia da Poesia Brasileira de José Valle de Figueiredo, publicada nos anos setenta do século passado (Lisboa, Editorial Verbo, coleção Biblioteca Básica Verbo/ Livros RTP), e ler aqueles verseiros e alguns poetas que enxertaram na lusa inquietação a doçura da liana humanista tropical. Dir-me-ão que tanto em Portugal como no Brasil existem outros textos filosóficos, históricos, científicos e políticos que terão, em escala mais apurada, esse mesmo espírito. Certo será, mas agora quero algumas palavras que estejam mais perto da toada do violão e do pandeiro, que estas coisas devem celebrar-se com alegria.

         Logo desde a sua fundação que a Confraria Queirosiana se abeirou do Brasil, e não podia ser de outro modo, quer pela sua origem junto à barra do Douro, durante tanto tempo entrada de produtos tropicais e saída de gentes e mimos do Douro para os portos brasileiros, mas também pela história da casa onde se alojou, a Quinta da Costa/ Solar Condes de Resende, casa-mãe inspiradora de arquiteturas e vivências brasileiras logo desde o século XVII, e depois pela prosa de Eça de Queirós e do seu adiado projeto de ir ao outro lado do Atlântico, enquanto convivia com os amigos brasileiros em Paris mandando prosas para os seus periódicos e os seus editores caixotes de romances ali deveras apreciados. Desde 2008 que um grande obreiro desta ponte tem sido Dagoberto Carvalho Júnior, médico, historiador de Arte e cronista eciano, que nos foi trazido pelo casal Calheiros Lobo que numa das suas viagens o conheceu na Sociedade Eça de Queiroz do Recife e desde então tem animado, promovido e partilhado com Portugal essa ligação, como o confirma a fiada de seus livros que têm honras de prateleira nas nossas estantes. Também o Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro, durante a presidência do Dr. António Gomes da Costa (1934-2017), que connosco partilhou os seus manuscritos de Eça de Queirós com cópias depositadas à disposição dos estudiosos no nosso gabinete de estudos queirosianos. Mais recentemente a ponte é feita pelo Dr. Ricardo Haddad que nas suas regulares viagens entre as suas duas pátrias sempre nos brinda com preciosidades bibliográficas históricas e partituras do célebre compositor matrigaiense Artur Napoleão, o mestre de Chiquinha Gonzaga, que as imprimiu na sua casa editora do Rio de Janeiro.

Em tempos recentes foi estabelecido o contato através do confrade António Pinto Bernardo e do realizador Francisco Manso, por motivos diversos promotores encantados do Estado de Alagoas. E assim chegamos à fala e à prática com a Academia Alagoana de Letras, instituição centenária que nos dias de hoje se renova, quer na sua sede, quer nos projetos partilhados de exercícios literários dos seus mais notáveis académicos escritores e pela participação das novas e muito novas gerações nesses trabalhos de sensibilidade e sabedoria. E daí nos chega também o entusiasmo de Marcelo Malta que se fez nosso confrade.

Por todos estes motivos, e os que se adivinham em futuro, nos passados dias catorze e quinze de março a Confraria Queirosiana acolheu uma delegação daquela Academia, que começou por visitar o Palácio da Bolsa no Porto, onde foram recebidos pelo presidente da Associação Comercial, Dr. Nuno Botelho, tendo no dia seguinte sido recebidos em Vila Nova de Gaia no Museu da Casa Ramos Pinto, onde entre muitas outras ligações ao Brasil contemplaram a garrafa de vinho do Porto que acompanhou os célebres aviadores na 1.ª Travessia Aérea Lisboa-Rio de Janeiro que sobrevoaram Alagoas em 1922. Após o almoço no restaurante de um dos mais emblemáticos hotéis gaienses, a delegação alagoana acompanhada por vários membros da direção da entidade anfitriã, visitou a Casa-Museu Teixeira Lopes, onde igualmente várias obras de Arte lembram abraços artísticos entre ambos os países. Pelas cinco da tarde, no auditório do Solar Condes de Resende, a casa de Vila Nova de Gaia onde Eça se enamorou de Emília, Alberto Rostand Lanverly, presidente daquela instituição, falou sobre «A importância literária da Casa das Casas de Cultura Alagoanas» e o académico escritor Carlos Méro sobre «Eça de Queiroz e Graciliano Ramos criativo», a que se seguiu no salão nobre um capítulo extraordinário para acolher os dois palestrantes como confrades de honra, tendo na ocasião aquela academia retribuído com a designação de José Manuel Tedim, António Pinto Bernardo e o autor destas linhas como seus sócios correspondentes e outorgado à entidade anfitriã a medalha de honra do seu centenário. O grupo coral Eça Bem Dito brindou os presentes com algumas canções portuguesas e brasileiras do século XIX e a sessão encerrou com as palavras da Eng.ª Paula Carvalhal, vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, em nome do presidente da edilidade. Os novos confrades, acompanhados de todos os presentes, depositaram seguidamente uma coroa de louros na estátua de Eça de Queirós existente no jardim das camélias, a que se seguiu um Porto de Honra convivial.

Daquela estátua, da sua tez de bronze, ecoaram-me então as palavras que um dia Eça enviou ao seu amigo brasileiro Eduardo Prado, que bem poderiam ser agora dirigidas a estes outros nossos confrades: «o que [os] chama assim a Portugal, seja esse conjunto de crenças e costumes, que em nós persiste porque condiz com o nosso génio nacional, onde ele[s] encontra[m] os moldes ancestrais do seu Brasil, e que do seu Brasil receia[m] que desapareçam rápida e tumultuariamente. Porque a afeição de Prado por Portugal é o complemento natural do seu amor pelo Brasil.» (Eça de Queirós, Notas Contemporâneas).


J. A. Gonçalves Guimarães
secretário da direção

Curso de História, Património e Turismo

Aproxima-se do fim o curso sobre História - Património - Turismo, organizado pela Academia Eça de Queirós (ASCR-CQ), com o patrocínio da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e certificado pelo Centro de Formação de Associação de Escolas Gaia Nascente (M.E.) que tem vindo a decorrer aos sábados à tarde no Solar Condes de Resende, presencial e por videoconferência. Assim no próximo dia 26 decorrerá a 13.ª sessão sobre «O roteiro queirosiano do Egito e Terra Santa» pelo Prof. Doutor Luís Manuel de Araújo, egiptólogo, professor jubilado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, membro da Academia Eça de Queirós (ASCR-CQ) e da Associação de Amizade Portugal-Egipto, recentemente regressado de mais uma das suas já numerosas visitas guiadas a este roteiro com grande sucesso. Está previsto este curso terminar a 2 de abril, iniciando-se no mês de Outubro o próximo sobre a História de Portugal e do Brasil.

Livros e Revistas

       No passado dia 10 de março na Biblioteca Municipal do Barreiro, a Fundação Amélia de Mello homenageou o cidadão gaiense José Miguel Leal da Silva, engenheiro formado em Química Industrial na Universidade do Porto, professor e gestor, que revolucionou as técnicas de produção da Companhia União Fabril (CUF) do Barreiro, da qual foi diretor, deixando o seu legado nas indústrias química, mineira e metalúrgica. É também licenciado em Direito e tem um Mestrado em Antropologia. 

Para além de diversas intervenções sobre a vida e obra do homenageado, na ocasião foi lançado o livro José Miguel Leal da Silva: Entre Química e Minas, uma biografia da jornalista Maria João Alexandre, que resultou de várias entrevistas e de uma vasta pesquisa sobre este gestor da CUF, cujo arquivo ajudou a salvar no pós-25 de Abril, e dono de uma vida totalmente dedicada à indústria nacional.

Recentemente, através do capitão António Fernandes Fonseca Moreira ofereceu ao Solar Condes de Resende uma monumental edição de Os Lusíadas de Luís de Camões, editada pela Livraria Figueirinhas em 1974 e tem colaborado com uma das investigadoras do Gabinete de História, Arqueologia e Património num estudo sobre as Fábricas de Sulfureto de Carbono de Vila Nova de Gaia, nas quais em tempos trabalhou.


Entre os diversos sócios e confrades da ASCR-CQ existem vários interessados na temática dos automóveis clássicos e antigos, quer como historiadores, quer como colecionadores, quer como associados do Automóvel Club de Portugal ou de outros clubes da especialidade. É o caso do arquiteto Carvalho Couto, sócio dinamizador do Club Oval Azul, Automóveis Clássicos e Antigos Ford, que publicou na revista Topos & Clássicos n.º 241 de junho de 2021 o artigo «”Viagens na Minha Terra” por Penafiel», a propósito de uma iniciativa do Clube Penafidelense de Automóveis Antigos, que organiza visitas de clássicos a cada uma das 38 freguesias do município, possibilitando assim um convívio entre os seus detentores e os admiradores dos veículos presentes nestas ações.



Ricardo Charters d’Azevedo, habitual colaborador da
Revista de Portugal, tem já publicada uma vasta bibliografia sobre diversos aspetos da sua Leiria natal. Na sequência de Estórias da Nossa História, coletânea de programas radiofónicos difundidos entre 2015 e 2017 sobre os acontecimentos mais importantes da história de Leiria, muitos deles com caráter pícaro ou humorístico, simples curiosidades ou versando a região e o seu património, depois passados a textos publicados sob o referido título, desta feita deu à estampa a obra Mais Estórias da Nossa História. Referências sobre Leiria, também editada pela Hora de Ler, na qual complementa a primeira com muitos outros episódios.

        
Depois da edição portuguesa que aqui assinalamos, acaba de ser posta à venda a versão inglesa intitulada The War of the Two Brothers. The portuguese civil war 1828-1834, da autoria de Sérgio Veludo Coelho, professor de Património e investigador de História Militar com basta bibliografia nesta temática que recentemente participou no curso sobre História, Património e Turismo no Solar Condes de Resende. Esta edição é da editora Helion & Company Limited, Warwick, e é a obra número 12 da coleção «From Musket to Maxim 1815-1914». De assinalar que este investigador tem recorrido a documentação estrangeira, nomeadamente inglesa, para aclarar muitos aspetos sobre as Lutas Liberais que têm vindo a ser repetidos sem crivo crítico. O ciclo de evocações que se avizinha será com certeza uma excelente oportunidade para uma completa revisão histórica destes acontecimentos à luz das mais recentes investigações.

Conferências e palestras

       Retomadas as palestras das últimas quintas-feiras do mês organizadas pelos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana a partir da sua sede, presenciais e por videoconferência, no próximo dia 31 de Março, entre as 18,30 e as 19,30 o Mestre em História da Arte João Fernandes falará sobre «A Coleção de Arte Sacra do Solar Condes de Resende» em grande parte proveniente da antiga Coleção Marciano Azuaga e incorporações posteriores. Como vem sendo habitual, após a sessão alguns dos presentes vão continuar a conversa jantando num restaurante das redondezas.

Exposições

No passado dia 19 de Março, pelas 17,30 horas, após a aula do curso a decorrer no Solar Condes de Resende, abriu ao público nas suas salas de mostras temporárias, a exposição Toucados e Cerimónias organizada pelo Museu da Chapelaria de S. João da Madeira e montada com a colaboração do Pelouro da Cultura e da Programação Cultural da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia. Trata-se de uma notável coleção de adereços e acessórios para usar na cabeça, maioritariamente femininos (65 exemplares contra 3 masculinos) confecionados em diversos tecidos, entretelas e entrançados (crochets, bordados, entrançados, feltros, fitas, palhas, redes, seda, tules, veludo…) a alguns dos quais foram adicionados elementos decorativos noutros materiais (aljôfar, flores e folhas artificiais, joias, missanga, peles, penas, pérolas, plumas…), um mundo de encanto e sedução das primeiras décadas do século XX que, em certas cerimónias, se prolongou até aos nossos dias. Uma mostra de complementos icónicos de estatuto pessoal e social.

Alguma Comunicação Social impressa e multimédia tem vindo a dar relevo a algumas iniciativas dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana. Destacamos duas delas: a 19 de março o jornal O Gaiense de Vila Nova de Gaia, Portugal, publicou a notícia «Literatura uniu Portugal e Brasil» subscrita por Diogo Ferreira com fotografia de João Fernandes; a 23 de março o jornal Gazeta de Alagoas, de Alagoas, Brasil, publicou uma página do seu suplemento B. com o título «Construindo Pontes», com chamada à primeira página, da autoria da estagiária Thauane Rodrigues, ilustrada com três fotografias do 5.º Capítulo Extraordinário da Confraria Queirosiana realizado no Solar Condes de Resende como acima se noticiou.

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 163, sexta-feira, 25 de março de 2022; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C. te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900 154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.

 

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Eça & Outras

Ano do Centenário da 1.ª Travessia Aérea Lisboa – Rio de Janeiro

e do Bicentenário da Independência do Brasil

Vinho do Porto: entre mitos e História

            Começaria hoje por uma declaração de interesses: além de ter progenitores de Lamego e do Porto, nasci em Vila Nova de Gaia, bem perto das empresas exportadoras de Vinho do Porto e não me lembro de quando escorropichei os primeiros cálices. Isto para dizer que praticamente nasci com o dito vinho como parceiro em casa e na paisagem urbana onde me cresci e me fui conhecendo. Pese embora essa familiaridade ele foi sempre um produto de exceção, bebido sobretudo no Natal, talvez porque fosse inverno e esse vinho aquecia o corpo e o ânimo, mas também porque ele era indispensável nesse cenário de gostos, aromas e afetos da nossa infância. E sempre conheci gente que tinha quintas no Douro ou que trabalhava nos armazéns de Vila Nova, desde operários a administradores, portugueses ou “ingleses”. Depois fui-me à História para perceber a longa vida da atividade vinhateira e de como ela moldara o Douro, Gaia e o Porto, e mesmo a barra do Douro e o jovem porto de Leixões. E fui-me à Arqueologia a procurar os antigos cultivadores e degustadores da bebida inigualável apercebendo-me de ancestralidades, ciclos, modas, grandezas e misérias e de que o vinho só muito recentemente atingira uma preponderância assombrosa na paisagem, na economia e na simbólica local e regional que fez esquecer por aqui os seus outros companheiros de exportação: o azeite, as frutas secas e frescas; a cortiça, o sumagre, os presuntos. Ainda me lembro do Pomar das Carvalhas, da Real Companhia Vinícola do Norte de Portugal e dos seus múltiplos produtos durienses, onde os figos, as peras e as ameixas secas eram sublimes companhias de um Porto Velho. Desde muito novo que lia aqueles rótulos que avisavam que «o Vinho do Porto é um produto natural sujeito a criar depósito com a idade. Recomenda-se que seja servido com o cuidado indispensável para não turvar». Pesem embora os excecionais vintages ou outros lotes engarrafados, o Porto para mim será sempre um blend saído da maestria de um antigo provador ou atual enólogo, e tenho alguns “10” ou “20 anos” que ainda consigo encontrar e partilhar com os amigos. Sendo conhecedor deste mundo duriense, da fronteira até à foz, fizeram-me cavaleiro da Confraria do Vinho do Porto e confrade de outras agremiações enófilas.

         Mas também fui assistindo a um estranho fenómeno contrário à marcha natural dos acontecimentos, que foi a mais recente e desenfreada divulgação de mitos sobre o Vinho do Porto, aldrabeiros e escusados. E digo contrário ao que seria de esperar, pois não tem hoje comparação o nosso conhecimento sobre a sua produção e comercialização, elaborado por historiadores profissionais, se comparado com os textos de memorialistas que predominavam antes da década de oitenta do século passado, mas que ainda hoje fazem carreira. É mesmo um ramo de atividade onde o mito sobreleva de longe a História e, para tal constatar, basta ler os delirantes textos de algumas das casas produtoras, muitas delas só recentemente chegadas ao setor, vindas de outras realidades económicas e até geográficas, contratando para a sua promoção alguns mitómanos que inventam despudoradas mentiras, ou pelo menos, incompreendidas descrições. Dir-me-ão que o assunto é velho, que talvez até sempre tenha sido assim, mas hoje é muito mais chocante. Mas afinal que mistificações são essas: a primeira é a tentativa de dizer que aquilo que conhecemos e gostamos como Vinho do Porto, um vinho fortificado para embarque marítimo, já existia em tempos antigos, o que não é verdade pois o seu envelhecimento forçado e consequente apuro de qualidades, deveu-se muito ao desastre económico europeu criado pelas Guerras Napoleónicas, Os clássicos Porto aparecem no mercado londrino a partir de 1815 e hoje estão a desaparecer porque as condições de produção e de loteamento também se alteraram ou já são raros desde os anos sessenta do século passado. Outra mistificação é o hábito de chamarem “negociantes de Vinho do Porto” aos homens (e mulheres!) de comércio que transacionavam todo o tipo de mercadorias produzidas no Douro, cujas mais importantes acima mencionamos, e também de muitos outros produtos vindos dos países do Norte da Europa, da América ou do Brasil. Esta designação é recente e tem a ver com a especialização comercial que só começa a verificar-se na segunda metade do século XIX, aumentando certamente a partir da criação do Entreposto de Gaia em 1926. Mesmo a denominação de Vinho do Porto demorou tempo a generalizar-se e se lhes disserem que também foi inventada pela Companhia pombalina desenganem-se pois nesse tempo seria designado por vinho de feitoria, de “embarque” e “separado”, além do “de ramo”, isto é, o vinho mais comum. E quando lhes cantarem loas à geomorfologia e geografia dos armazéns de Gaia, saibam que isso no tempo do Marquês era “chinês” e que a localização dos armazéns e respetivas firmas terá mais a ver com a proximidade do embarque ou desembarque no rio, no século XIX, com a chegada do comboio e no século XX, com o transporte rodoviário, os três fatores que justificaram a “dança” das empresas ao longo dos dois últimos séculos no centro histórico vilanovense. Outra mitologia é a do papel dos ingleses neste negócio, o qual se deve primordialmente ao facto de o Império Britânico ter dois dos maiores clientes mundiais de vinho: as Armadas de Guerra e a Mercante, ambas carecendo de grandes abastecimentos do produto. Mas se é certo que entre os exportadores predominavam alguns ingleses protestantes, pois os católicos, bem assim como os negociantes holandeses, hannoverianos ou franceses, tinham de contentar-se com o comércio de outros produtos que não o do vinho em larga escala. Enfim, se é certo que todos os produtos excecionais normalmente geram mitologias, quase diríamos que em relação ao Vinho do Porto a sua História é mais fantástica do que as propaladas fantasias que por aí circulam. Só que é preciso lê-la em obras credíveis e ter em conta que cada época cria os seus “Porto”.

         Como diria uma personagem criada por Eça de Queirós em A Cidade e as Serras: «Este Porto de 1834, aqui em casa de Jacinto, deve ser autêntico…Hem? Assegurei ao Mestre dos Ritmos que o “Porto” envelhecera nas adegas clássicas do avô Galião». Preservemos pois a prática dessas velhas adegas, tanto quanto possível, e deixemo-nos de mitos desnecessários.

J. A. Gonçalves Guimarães

Historiador; secretário da direção

Capítulo Extraordinário


Nos próximos dias 14 e 15 de março, no âmbito das comemorações conjuntas do Centenário da 1.ª Travessia Aérea Lisboa – Rio de Janeiro e do Bicentenário da Independência do Brasil, pelos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana e pela Academia Alagoana de Letras, desloca-se a Portugal uma delegação desta última instituição brasileira composta pelo Prof. Doutor Alberto Rostand Lanverly, presidente da direção, e pelo académico Dr. Carlos Méro e respetivas senhoras, com o seguinte programa: na segunda-feira, dia 14, pelas 11, 30, uma delegação conjunta de ambas as instituições será recebida no Palácio da Bolsa da Associação Comercial do Porto pelo seu presidente e confrade queirosiano Dr. Nuno Botelho. No dia seguinte, 15 de março, o dia será passado em Vila Nova de Gaia, começando com uma visita ao Museu de uma empresa de Vinho do Porto com passagem pelo Mosteiro da Serra do Pilar; pelas 17 horas no Solar Condes de Resende terão lugar duas conferências pelos delegados brasileiros, seguidas de um Capítulo Extraordinário no salão nobre do Solar com a sua insigniação como confrades queirosianos honorários, a que se seguirá a deposição de uma coroa de louros na estátua de Eça de Queirós.

650 anos de aliança

Decorrem também no presente ano as comemorações dos 650 anos da Aliança Luso-Britânica, a mais antiga aliança diplomática do mundo ainda em vigor, a qual teve início com a assinatura do Tratado de Tagilde, a 10 de Julho de 1372, concretizada no ano seguinte, com a assinatura do Tratado de Paz, Amizade e Aliança, selado na catedral de São Paulo, em Londres, a 16 de junho de 1373. Foi depois renovada através do Tratado de Windsor de 1386 e por outros atos sucessivos ao longo dos séculos, tendo no final do século XIX sido fundamental para a sua permanência a ação diplomática do “Vencido da Vida”, embaixador Marquês de Soveral, amigo e superior hierárquico de Eça de Queirós, que tinha sido cônsul de Portugal em Inglaterra entre 1874 e 1888. As presentes comemorações tiveram já início sob o Alto Patrocínio do Presidente da República Portuguesa com a presença de autoridades de ambos os países. Para além da celebração das datas mais importantes, 10 de julho de 2022 e 16 de junho de 2023, o programa Portugal-UK 650 engloba ainda outras atividades, tais como investigação, educação e cultura. 

Curso de Turismo

Aos sábados à tarde no Solar Condes de Resende, presencial e por videoconferência, prossegue o curso sobre História - Património – Turismo, organizado pela Academia Eça de Queirós (ASCR-CQ), com o patrocínio da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e certificado pelo Centro de Formação de Associação de Escolas Gaia Nascente (M.E.). No dia 12 de fevereiro decorreu a 9.ª sessão sobre o tema «4 Roteiros Turistico-Musicais em Vila Nova de Gaia» pela Prof.ª Doutora Elisa Lessa, professora agregada da Universidade do Minho; no dia 26, o Prof. Doutor Sérgio Veludo Coelho, do Instituto Politécnico do Porto, falará sobre «Turismo Militar». Já no mês de Março, na 11.ª sessão, dia 12, o Professor Doutor Carlos Costa, da Universidade de Aveiro, falará sobre «Turismo como fator económico, social e cultural» e no dia 19, na 12:ª sessão a Prof. Mestre Maria de Fátima Teixeira falará sobre «Hotéis queirosianos».

Livros e Revistas

Morte no Estádio

Colocada à venda nova edição do romance de Francisco José Viegas cujo enredo é o seguinte: «Um famoso futebolista do FC Porto é assassinado num bar irlandês em plena Foz. Para Jaime Ramos, inspetor da Polícia Judiciária do Porto, e Filipe Castanheira, que interrompe um exílio autoimposto nos Açores, há vários implicados no crime: Alexandra, a mulher da vítima, Susana, casada com outro futebolista e amante do morto, Serafim, o amante da amante, e outras figuras mais ou menos sombrias que evocam as relações obscuras do mundo do futebol. Enquanto as investigações decorrem, vão emergindo as muitas paixões que envolvem todas as personagens - a de Jaime Ramos e de Filipe Castanheira pela comida; a de Jorge Alonso, o dono do bar irlandês, pela Irlanda, e de quase todos pelo futebol - suposto móbil do livro. São essas paixões que acabam por dar sentido à falta de sentido da vida. Este é o romance onde, em 1991, aparecia pela primeira vez o inspetor Jaime Ramos - que, ao longo de trinta anos, tem sido personagem de livros como Longe de Manaus, A Luz de Pequim, ou O Mar em Casablanca, ou A Poeira que Cai Sobre a Terra e Outras Histórias de Jaime Ramos, entre outros.» 

Colóquio/Letras

O n.º 208 desta revista publicada pela Fundação Calouste Gulbenkian, nas suas cerca de 300 páginas é, em grande parte, dedicado à obra de Mário Cláudio, um dos mais conhecidos romancistas portugueses. Com variadíssima colaboração, onde serão difíceis de destacar os ensaios sobre o universo Claudiano, anotemos por exemplo, «A infância é esta casa: algumas notas a propósito de “Astronomia” de Mário Cláudio», por Maria João Reynaud; «Mário Cláudio e o fascínio da biblioteca intertextual: re-visões de Eça de Queirós e de Portugal», por José Cândido de Oliveira Martins; «Histórias da literatura portuguesa [crítica a “As Literaturas em Língua Portuguesa (Das Origens aos Nossos Dias)”, de José Carlos Seabra Pereira]», por Miguel Real; e «Embora Eu Seja Um Velho Errante, de Mário Cláudio», por José Vieira.

Mestrado sobe Eça       

    Embora já de 2013, temos presente a dissertação para a obtenção do título de mestre em Letras intitulada Eça de Queirós e o Extremo Oriente, «apresentada ao Programa de Pós Graduação em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo», orientada pela Prof.ª Doutora Aparecida de Fátima Bueno e da autoria de José Carvalho Vanzelli. Através das obras do escritor, mas também de outros textos, crónicas e do famoso relatório consular A Emigração como Força Civilizadora, compulsando teóricos do Orientalismo da sua época e do nosso tempo, o autor faz uma exaustiva análise das representações do Extremo Oriente na obra de Eça.

Conferências e palestras



Ontem, dia 24 de fevereiro os Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana promoveram mais uma das palestras das últimas quintas-feiras do mês a partir do Solar Condes de Resende, entre as 18,30 e as 19,30 horas. Desta vez o tema foi «O Vinho do Porto: entre mitos e História», por J. A. Gonçalves Guimarães. Para além da transmissão via Zoom, com disponibilização gratuita do respetivo link, estiveram presentes diversos associados e confrades que depois seguiram para um jantar tertúlia num restaurante próximo.


         Tem início hoje, dia 25 de fevereiro, a partir das 21 horas o 32.º Fórum Avintense promovido pela Junta de Freguesia de Avintes, este ano dedicado à evocação do cantautor Adriano Correia de Oliveira, o qual terá início com uma homenagem ao memorialista Joaquim Costa Gomes, recentemente falecido, por José Vaz, seguida de outras comunicações. No dia 26, sábado, os trabalhos prosseguem com apresentação de diversas comunicações, entre as quais, «A natureza e o ambiente na poesia e a trova», por Nuno Oliveira; «Memória de Adriano Correia de Oliveira junto dos amigos mais chegados» por Abel Barros; «A singularidade da Pedra da Audiência de Avintes», por José Vaz; «A canção coimbrã em Vila Nova de Gaia: a propósito de Adriano Correia de Oliveira» por J. A. Gonçalves Guimarães. No próximo dia 10 de abril, pelas 21 horas, Adriano terá um Espetáculo de Homenagem na Casa da Música no Porto.

Exposições


Na Póvoa de Varzim, paralela ao festival Corrente d’ Escritas, abre hoje dia 25 de fevereiro, pelas 18 horas, a exposição de esculturas de Hélder de Carvalho, A Origem da Imperfeição, onde o autor mostra algumas das suas mais recentes criações e exercícios criativos que vão da fragilidade do barro, passando pela eternidade do gesso, até à solidez eterna do bronze.

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 162, sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: Ricardo Charters d’ Azevedo.