terça-feira, 25 de abril de 2023

Eça & Outras

Ano do Centenário do “Vencido da Vida” e diplomata Luís Maria Pinto de Soveral, Marquês de Soveral (1851-1922)

Poetas de Gaia e do Mundo

Recentemente dois Amigos de longa data, Joaquim Armindo Pinto de Almeida, e David Rodrigues, ambos pessoas de trabalhos e comprometimentos públicos em áreas diversas, mas com preocupações sociais convergentes, e que eu conheço desde os tempos da escola primária e dos Jovens do Torne dos anos sessenta, convidaram-me, no primeiro caso, para escrever um prefácio no seu mais recente livro de prosas e versos, intitulado Um barco nas ondas do Mar – a poesia, Teto das Nuvens, 2023 e, no segundo caso, para apresentar o seu mais recente livro de haiku, escola poética japonesa que cultiva desde há anos a esta parte, intitulado Diafragmas, Elefante Editores, 2023. Não fora o facto de serem dois Amigos incontornáveis teria dito que não, que não faria tal, não por qualquer arrogância tola ou descabida, mas por vários motivos bem simples: não sou profissional da Literatura e nem sequer me mantenho muito atualizado nesta área; até sou um descabelado reticente em relação a muito do que se publica; sou um poeta frustrado, com dois livritos publicados há muito e hoje curiosidades de alfarrabista, então frutos de divagações de juvenilidades tardias; e, além de tudo isto e certamente o mais importante, para lhes não estragar o percurso dos livros com pieguices tolas em que a amizade se sobreponha a uma análise artística – que Poesia, antes de tudo o mais, é Arte Literária – para não parecer que eu, modesto cultivador da História, ando agora a perorar sobre os coturnos da fama alheias. E aqui vai a minha desfaçatez nesta situação: meter os meus dois Amigos e as suas produções poéticas numa longa tradição de poetas gaienses, nascidos, criados, ou ligados de várias formas a esta terra. Não existindo livro algum que elenque os seus nomes ou produções, temos contudo algumas tentativas de os reunir. A mais antiga antologia que conheço é uma pequena edição de finais dos anos sessenta intitulada «Mais do que ler, muito é necessário adivinhar», asserção pedida emprestada a D. Francisco Manuel de Melo. Em 1985 publicaram-se as atas do 1.º Encontro de Escritores de Gaia na revista Mea Villa n.º 1 onde aí se fala de três poetas, e logo depois, em 1986, numa outra publicação da falecida Associação de Escritores de Gaia, intitulada Memória dum Rio, já se apresentam vinte e oito! Em 2001 o poeta, homem de Teatro e depois historiador Fernando Peixoto, então presidente da Junta de Freguesia de Santa Marinha, organiza e publica as atas do 1.º Encontro de Escritores e Artistas desta freguesia, onde vamos continuar a encontrar alguns daqueles a quem José Gomes Ferreira chamou “teimosos”. Em 2016 a Confraria Queirosiana publicou no volume das Memórias de um expedicionário a Moçambique (1917-1919) do gaiense José Pereira do Couto Soares, a sua “Colecção de Poesias Seleccionadas”, uma muito substancial antologia, com versos de poetas consagrados entremeados de muitos “anónimos” e do poeta gaiense João Alves Pereira e outros de pendor anarquista ou socializante das primeiras décadas do século XX, hoje geralmente esquecidos. Existirão porventura algumas outras publicações antológicas de poesia gaiense a considerar. Mas não haverá quem delas cuide.

De um modo geral os profissionais das Letras ignoram que a Ars Poetica se iniciou aqui no século XIII com o trovador João da Gaia, passando por João Soares Coelho e Estêvão Coelho, se não quisermos incluir o próprio rei D. Dinis, aqui proprietário, onde lhe nasceu uma filha, e que a Vila Nova deu Foral em 1288 como um deles. Alguns destes trovadores perpetuar-se-ão na família dos Sás, de Arcozelo e de Gaia, os quais, crescendo em importâncias várias, não apenas poéticas, evidentemente, se mudaram uns para a Corte, outros para Itália, outros para o Porto (como foi o caso de João Rodrigues de Sá, com versos no Cancioneiro), outros para retiro em quinta do Minho, como o célebre poeta Sá de Miranda. Já os Brandões, Fernão Brandão Pereira e seu irmão Diogo Brandão, também da sua quinta de Avintes asseguraram presença relevante naquela antologia de Garcia de Resende.

Com Gaia mergulhada numa «apagada e vil tristeza» durante o centralismo moderno, e os poetas locais a fazerem vida noutras paragens, só no século XIX por aqui poetaram Almeida Garrett, o próprio Camilo, Júlio Dinis e depois os letristas de canções ainda hoje famosas, como António Cabral e a sua Samaritana, que Gaia também é terra de cantores. Das primeiras décadas do século XX temos o esquecido Bernardo Lucas e o muito mais lembrado poeta janota galante Alfredo Cunha, o «Cunha da Rasa» autor de Os Meus Versos (1928) e de 100 Sonetos de Amor (1930). Os anos trinta e quarenta do século passado vão conhecer um trio de poetas na Granja: António Porto-Além, poeta helénico (Ressurreição, 1936), António Lousada, criador de êxitos dos fadistas Teresa de Noronha e João Braga (Os Meus Fados, 1968), e Sophia de Mello Breyner e os seus poemas de maresias enroladas nas areias do passado em busca de futuros (Poesias, 1944). Paralelamente, e buscando a saúde no mar de Francelos, aí lapidava sonetos Oliveira Guerra (Ave Maria, 1932), enquanto Carlos Valle deambulava de café em café (Fumaradas, 1945), e na Avenida da República, Maria Alberta Menéres descobria a poesia (Quotidiana, 1943) aos dez anos de idade. Mas novos mundos se abriam para a poesia gaiense: Domingos Carvalho da Silva nascido ali nos Carvalhos, estalagem de guitarristas e cantadores, daqui saiu para o Brasil e ali se abriu à sua singularidade poética que a América do Sul acolheu a desbravar novas lusofonias (Rosa Extinta, 1945).

Nos anos cinquenta e sessenta do século passado acolheram-se aqui vários outros poetas, uns locais, como o mago do cinema António Reis (Poemas Quotidianos, 1957); outros aqui chegados de outras paragens, trazendo alguma insatisfação pascoaliana, como Ilídio Sardoeira (A Minha Aldeia, 1940); ou o galeguismo rosaliano de Agostinho Gomes (Da Minha Saudade, 1941), ou a modernidade escultural de Aureliano Lima (Rio Subjacente, 1963), ou o regresso a Ítaca de Albano Martins (Secura Verde, 1950), ou o retorno da mala de cartão de Fernando Morais (Voltar a Gaia, 2000).

Viria depois a geração do The Times They Are A’changin de Bob Dylan (1964), onde pontificaram Nuno Guimarães, cantor de baladas coimbrãs (Corpo Agrário, 1970); Fernando Peixoto com o seu Zé de Gaia, um teimoso herói de ocasião; o salto no futuro da Literatura Cibernética I e II de Pedro Barbosa (1977); ou ainda As Passagens Secretas (1982) de Amadeu Baptista; e mais alguns outros que a atualidade traz poetizando por aí numa teimosia tão discreta quão persistente, e que por agora não vou nomear, porque estamos aqui a cuidar dos mais recentes livros de Joaquim Armindo e de David Rodrigues, que neles recolheram sugestões das últimas camélias que elegantemente desabam do seu pé cansadas da sua beleza. Sendo todos gaienses, deles não direi que formam uma escola, uma academia, mas que todos têm para si, como escreveu Eça de Queirós, que a poesia «…nasceu com a necessidade de celebrar magnificamente os deuses, e de conservar na memória, pela sedução do ritmo, as leis da tribo… e a poesia tendeu sempre, e tenderá constantemente a resumir, nos conceitos mais puros, mais belos, e mais concisos, as ideias que estão interessando e conduzindo os homens (Eça de Queirós, Cartas Inéditas de Fradique Mendes).

J. A. Gonçalves Guimarães

secretário da direção

Homenagem a A. Campos Matos

No passado dia 13 de Abril decorreu no Grémio Literário em Lisboa uma homenagem promovida por esta instituição ao Arq. Alfredo Campos Matos, nascido na Póvoa de Varzim em 1928, tendo falecido em Lisboa a 5 de Janeiro passado. Para além da sua obra de arquitecto, desde os seus catorze anos que se dedicou ao estudo e divulgação da vida, obra e legado de Eça de Queirós, sobre as quais publicou variadíssimas obras consubstanciadas no monumental Dicionário de Eça de Queiroz, presentemente em 3.ª edição. Nesta sessão estiveram presentes muitos dos seus amigos e admiradores de longa data: para além de António Pinto Marques, director da instituição anfitriã, participaram Guilherme de Oliveira Martins, Eugénio Lisboa, e Rui Campos Matos, filho do homenageado, que apresentaram testemunhos eloquentes sobre o ilustre finado, tendo na ocasião Isabel Pires de Lima proferido uma alocução intitulada «Ecite como Deslumbramento – Alfredo Campos Matos». A sessão encerrou com as palavras de Pedro Rebelo de Sousa, presidente do Círculo Eça de Queiroz de Lisboa. A direção da Confraria Queirosiana esteve representada pelo Dr. Manuel Nogueira.

Intercâmbio com o Brasil

Restaurante Palato, Ponta Verde, Maceió: da esquerda para a direita do leitor: António Pinto Bernardo;
Carlos Méro, Fernando Maciel, Alberto Rostand Lanverly e Arnaldo Paiva Filho.

Recentemente esteve em Alagoas, Brasil, o Dr. António Pinto Bernardo, vogal da direção da associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, reforçando os contatos e programas em desenvolvimento com a Academia Alagoana de Letras, que decorrem do protocolo de colaboração celebrado entre ambas as instituições.

Da parte dos seus académicos vão-nos chegando algumas edições nas áreas da literatura e cronistica. No primeiro caso são geralmente obras muito bem escritas, produzidas por autores que sabem discorrer com graça sobre vidas e quotidianos e surpreendendo o leitor desde o princípio ao fim, se é que há um fim em estórias de vida. É o caso dos dois livros que hoje apresentamos:

Sobre A Virgem do Alto dos Bodes de Jorge Tenório (Maceió: Imprensa Oficial Graciliano Ramos, 2015), escreveu Carlito Lima «Um título pitoresco para uma história bem elaborada, factível, enorme densidade humana. Os personagens parecem tão reais que tornar-se-ão inesquecíveis.

Jorge Tenório escreve cenas dramáticas, eróticas, hilárias, com linguagem simples, acessível, sem rebuscamento. O autor [desta obra] (e de outras obras premiadas) nos oferece uma oportunidade feliz para que possamos, como leitor, mergulhar nas emoções que transbordam da envolvente história que ele construiu, a qual é ambientada nas décadas de 60 e 70 numa cidade bem nordestina, a alagoana Palmeira dos Índios, retratando a vida e os costumes da época com autenticidade e precisão».

Por sua vez, o livro mais recente de Arnaldo Paiva Filho, intitulado Dona Santa (São Paulo: Primeiro Capítulo, 2022) é assim apresentado: «Esta obra é uma ficção baseada na história de sua bisavó materna, conhecida por dona Santa, senhora do engenho Riachão, e se passa na segunda metade do século XIX e início do século XX. A narrativa tem como foco a decisão da matriarca de retirar o sobrenome da família do marido de sua descendência, em razão de culpar um primo do esposo pelo seu falecimento prematuro, deixando-a viúva aos vinte e oito anos, com a responsabilidade de criação de três filhos menores e de administrar um engenho de cana-do-açúcar… numa sociedade monarquista, escravocrata e machista, repleta de injustiças e preconceitos sociais, conduz o leitor a rever e compreender o papel feminino na sociedade brasileira da época…».

Dois belos livros sobre uma realidade que os portugueses também vão conhecendo pela Literatura e pela Telenovela, estando disponíveis para ler, tomara que a Arte televisiva fosse uma breve realidade a juntar a outros conhecidos sucessos de algumas produtoras brasleiras

Palestras  e  Conferências

Desde 25 de março passado que vários confrades realizaram diversas palestras e conferências ao serviço de várias instituições, entre elas a Confraria Queirosiana. Assim, no dia domingo dia 16 de abril, J. A. Gonçalves Guimarães, a convite da Academia do Bacalhau do Porto, proferiu num restaurante de Moreira da Maia uma palestra sobre «Os 200 anos independência do Brasil em Portugal». O mesmo historiador no dia 24 de abril pelas 21,30 horas participou na Tuna Musical de Santa Marinha, Vila Nova de Gaia, na tertúlia «Tempos idos…Tempos vindos…», tendo como companheiros o ator e teatrólogo Mário Moutinho e o economista social Carlos Jorge A. Silva, tendo moderado o debate Filipe Santos presidente da coletividade. Seguiram-se atuações de poesia dita por Eduardo Roseira, fados e baladas alusivas ao 25 de Abril pelo Grupo de Fados Enfermeiros do Porto e interpretações de música e dança pelo elenco desta coletividade.

No próximo dia 27 de abril, a habitual palestra das últimas quintas-feiras do mês que a Confraria Queirosiana realiza presencialmente e via zoom a partir do Solar Condes de Resende, será proferida pela Dr.ª Maria de Fátima Teixeira, investigadora do Gabinete de História, Arqueologia e Património sobre o tema: «Colecionismo: do inventariar ao estudar».

Cursos

No passado sábado, dia 22 de abril, foi proferida a última aula do curso livre sobre «O Brasil duzentos anos depois» sobre o tema «O Brasil e os Exilados Políticos Portugueses» pelo Doutor Adrião Pereira da Cunha. A aula anterior sobre o tema «Os Brasileiros de Torna-Viagem» tinha sido proferida pela Prof.ª Doutora Ana Sílvia Albuquerque no dia 15 de abril. Ficou assim concluído o programa proposto, passando os alunos que o requereram à fase da creditação de conhecimentos junto do Centro de Formação de Associação de Escolas Gaia Nascente do Ministério da Educação.

A Academia Eça de Queirós, grupo de trabalho da associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana para o Ensino está já a proceder à organização do próximo curso a iniciar em outubro próximo e que será comemorativo do 40.º aniversário das 1.as Jornadas Locais e Regionais organizadas em 1983 pelo Gabinete de História e Arqueologia com o patrocínio da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia.

Como já divulgamos, vai decorrer entre os dias 16 e 22 de julho em Vila Nova de Foz Côa, São João da Pesqueira e Lamego a International Heritage Summer School 2023, organizada pela Universidade do Porto através do CITCEM/ FLUP, com a colaboração das universidades do Minho, Granada, Jean Monet, Santiago de Compostela e Florença, e com o patrocínio da Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa, SantResende, Município de São João da Pesqueira, Quinta do Vale Meão e outras entidades locais e regionais. Da comissão organizadora fazem parte, pelo CITCEM / FLUP, Nuno Resende e João Duarte, e pela Confraria Queirosiana, J. A. Gonçalves Guimarães. O programa contará com o concurso de vários professores convidados e dará particular atenção às comemorações dos 250 anos da morte de Nicolau Nasoni (José Manuel Tedim); dos 100 anos da morte do Marquês de Soveral (J. A. Gonçalves Guimarães) e de vários outros aspetos do Douro Património Cultural da Humanidade. O programa pode ser visto em IHSS 2023.4.25.

Artes

No passado dia 8 de abril decorreu na Companhia de Fiação de Crestuma em Lever, Vila Nova de Gaia, a abertura da 5.ª Bienal Internacional de Arte Gaia 2023 organizada pela cooperativa Artistas de Gaia com o patrocínio do município, a qual teve a presença do Prof. Doutor Eduardo Vitor Rodrigues, presidente da edilidade, da Eng.ª Paula Carvalhal, vereadora do pelouro da Cultura; de diversas personalidades locais e regionais da Arte e da Política; e várias instituições, ente elas a associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana representada pelo membro da direção António Pinto Bernardo e o subdiretor da Revista de Portugal, J. A. Gonçalves Guimarães, estando presentes ainda outros confrades queirosianos como o proprietário deste antigo complexo fabril Dr. Ricardo Haddad, a Dr.ª Maria de Fátima Teixeira, autora dos diversos estudos sobre a sua história e ainda vários outros confrades artistas e visitantes. As palavras de abertura foram proferidas pelo Doutor Agostinho Santos, presidente da direção daquela cooperativa que expôs os objetivos deste cada vez mais amplo e internacional acontecimento cultural, a sua projeção no tempo e realizações noutros municípios.

No dia 23 teve lugar no auditório o primeiro dos Debates da Bienal sob o tema «Revolução: 50 anos 50 artistas», com a moderação da curadora Dr.ª Ilda Figueiredo e a presença de muitos artistas e visitantes. Enquanto tal decorria, uma equipa de reportagem da Max Canal do Rio de Janeiro, programa «Assim é Portugal», procedia a filmagens e entrevistas com o proprietário do complexo, representantes da autarquia, organizadores da Bienal, e artistas e historiadores da Confraria Queirosiana sobre o certâmen, a História Local, as relações internacionais aqui representadas e o intercâmbio artístico entre Portugal e o Brasil, a difundir no outro lado do Atlântico, mas sempre tão próximo do Rio Douro e das cidades que o bordejam.

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 176, terça-feira, 25 de abril de 2023; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana (Instituição de Utilidade Pública); C.te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação do blogue e publicação no jornal As Artes Entre As Letras: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.





sábado, 25 de março de 2023

Eça & Outras

Ano do Centenário do “Vencido da Vida” e diplomata Luís Maria Pinto de Soveral, Marquês de Soveral (1851-1922)

Os 25 anos da FAMP

Anteriormente denominada Associação de Amigos dos Museus de Portugal, formada então por diversos grupos, entre eles os Amigos do Museu de Arte Antiga, do Museu do Chiado, do Museu da Marinha, todos em Lisboa, mas também pelo Círculo Dr. José de Figueiredo do Museu Nacional de Soares dos Reis no Porto, a 28 de agosto de 1998 decidiram fundar a Federação dos Amigos dos Museus de Portugal (FAMP) para potencializarem as suas ações e partilha de experiências no âmbito do associativismo em volta da museologia. A história destas associações e do seu persistente trabalho na promoção de museus e de espaços e coleções musealizadas começou ainda no século XIX, mas está praticamente por escrever na História do Associativismo em Portugal. Normalmente formadas por cidadãos que dedicam a sua especial atenção a uma destas estruturas culturais, públicas ou privadas, umas tendo renascido, outras sido criadas a partir dos anos quarenta do século passado e outras muito mais recentemente, agrupam em afetos e preocupações alguns doadores, familiares de instituidores ou seus descendentes, investigadores, museólogos, profissionais do restauro, funcionários, colecionadores, antiquários, divulgadores ou simplesmente cidadãos encantados com obras de Arte e objetos do passado que pretendem ver preservados em instituições credíveis como fonte permanente de ensino, usufruto cultural e deleite das gerações. Para estes militantes do saber da conservação e da partilha das memórias com significado intemporal, os museus, sítios e coleções são verdadeiras escolas permanentes onde a sociedade pode usufruir da herança histórica protegida pelo estado, autarquias, empresas, instituições ou colecionadores, através de programas e ações que retratam pessoas, acontecimentos, épocas e expressões artísticas ou outras com várias mensagens com enquadramento cultural.

Grupos semelhantes existem em todo o mundo, filiados na Federação Mundial de Amigos dos Museus (World Federation of Friends of Museums – WFFM), uma organização não governamental, com estatuto consultivo junto da UNESCO desde 1989, formada por mais de três dezenas de federações nacionais e grupos de amigos, desde a Europa até à Oceânia, mais de um milhão de associados representados por uma assembleia geral, um conselho cultural e um conselho executivo, que se reuniram em Lisboa em 2010, e onde a FAMP também se filiou, subscrevendo o seu Código de Ética que, em termos gerais, estipula que a ação e a função dos grupos de amigos são o apoio ao respetivo museu e seus objetivos, de forma prática, construtiva e independente, em permanente sintonia com os seus responsáveis, constituindo um elo de ligação entre a instituição e a comunidade de modo menos formal e mais proveitoso. Em consonância com estes princípios a FAMP tem como sua principal função a dinamização dos grupos existentes, intensificando a comunicação entre eles e apoiando a sua ação, fomentando a criação de novos grupos e projetando na sociedade a defesa da sua herança cultural e das suas atividades específicas. Para além da realização dos seus encontros anuais, tem também participado em vários congressos mundiais e assembleias-gerais em várias cidades do mundo, materializando assim a colaboração com a UNESCO e o ICOMOS.

            Contando atualmente com mais de vinte grupos de amigos de museus de norte a sul de Portugal, a FAMP procura continuamente a criação de novos grupos que, em sintonia com as forças locais, façam da cultura um hábito quotidiano. Sedeada no Museu Nacional dos Coches em Lisboa, é reconhecida pelo Ministério da Cultura e declarada de superior interesse cultural e nacional.

Para celebrar o seu quarto de século os atuais corpos sociais, com a colaboração de alguns dos seus associados beneméritos e honorários, organizaram um programa sob o lema «Museus, Sustentabilidade e Bem-Estar» que decorreu no passado dia 18 de março no Picadeiro Real do Museu dos Coches em Lisboa, começando com a realização da assembleia- geral pelas 10,15 horas, seguida de visita ao museu, depois almoço de confraternização dos representantes dos diversos grupos presentes e, pelas 15 horas a atribuição do Prémio Professor Reynaldo dos Santos 2023 patrocinado por uma instituição bancária, seguida de homenagem a diversas personalidades que se têm dedicado ao voluntariado cultural de forma persistente e abnegada e também aos grupos de amigos presentes. A celebração terminará com um momento musical com a atuação da soprano Maria João de Sousa e do Quarteto Opus 28, seguida de Porto de Honra.

A FAMP vai, pois, continuar a estar «entre aqueles, porém, felizmente numerosos, que têm a religião do objeto de arte, e para quem o colecionar é a forma superior do viver…» (Eça de Queirós, «Uma Coleção de Arte»), congregando todos os que, colecionadores ou não, escolheram um museu, sítio musealizado ou uma coleção organizada para ajudarem a tornar este mundo muito mais útil, culto e feliz, como é o caso da associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, filiada na FAMP.

J. A. Gonçalves Guimarães

secretário da direção

Palestras e Conferências

Customer Summit

            Nos passados dias 7, 8 e 9 de março decorreu o The Customer Summit Brasil Portugal 23, organizado pela Associação Portuguesa de Management, no qual o Professor de Marketing, Doutor Carlos Brito, foi o speaker com intervenção final no dia 9 de março. Este mesmo conferencista apresentou no passado dia 23 de março pelas 18 horas um webinar na Ordem dos Economistas sobre o tema «Como criar uma marca forte».

            O escultor Henrique Moreira foi homenageado no passado dia 10 de março na Biblioteca da Universidade Portucalense Infante D. Henrique (UPT) na sequência de um trabalho de mestrado da Dr.ª Ana Martins e da direção do seu Departamento de Turismo, Património e Cultura, com a organização de uma exposição de fotografias das suas principais obras e uma mesa-redonda em que participaram Laura Castro, diretora da Direção Regional da Cultura do Norte; Cipriano Castro, antigo aluno da UPT e atual presidente da Junta de Freguesia de Avintes, localidade onde o escultor nasceu; J. A. Gonçalves Guimarães, antigo docente da UPT e atualmente coordenador do Gabinete de História, Arqueologia e Património dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana; Joaquim Pinto da Silva, diretor da “Progresso da Foz” do Porto, e Luís Moreira, bisneto do escultor, os quais falaram de diversos aspetos da sua vida e das inúmeras obras que deixou espalhadas por todo o Portugal e em coleções particulares.

            A comunicação de J. A. Gonçalves Guimarães intitulada «Henrique Moreira - escultor de memórias da 1.ª Grande Guerra» será de novo apresentada no próximo dia 30 de março, presencial e via zoom, nas habituais palestras da última quinta-feira do mês do Solar Condes de Resende.

Lixa Filgueiras

            Evocando o centenário do seu nascimento, no passado dia 16 de março, na sede da União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, decorreu uma sessão de homenagem ao Professor Arquiteto Octávio Lixa Filgueiras nascido nesta última localidade, organizada por José Valle de Figueiredo e Joaquim Pinto da Silva.

            Lembrando essa efeméride, também a revista Gaya, II.ª série, que em breve reaparecerá editada pelo Gabinete de História, Arqueologia e Património da associação ASCR-Confraria Queirosiana, publicará um artigo inédito do saudoso investigador sobre os «Falsos barcos rabelos construídos em estaleiros urbanos».

Marmoirais medievais

            No dia 20 de março o Centro de Arqueologia de Arouca, pelas 21,30 horas, organizou uma das suas habituais “Conversas no Museu” a partir do Museu Municipal de Arouca e via facebook, desta vez sobre «O Memorial de Santo António (Arouca) e os marmoirais medievais» tendo como palestrante o arqueólogo Doutor António Manuel S. P. Silva.

Nicolau Nasoni

            Comemorando os 250 anos da morte do pintor e arquiteto Nicolau Nasoni, entre 8 de abril e 27 de agosto decorrerão uma série de atividades, tais como visitas, palestras e caminhadas a vários locais nasonianos organizadas pelo historiador Joel Cleto, entre as quais, a 15 de abril, à Igreja do Bom Jesus de Matosinhos guiada por José Manuel Tedim; a 10 de junho à Igreja de Santa Marinha de Vila Nova de Gaia e Igreja da Misericórdia do Porto, guiada por José Ferreira e Silva; a 12 de agosto à Quinta da Prelada, Porto, por Nuno Resende; a 9 de setembro à Igreja e Torre dos Clérigos no Porto, por Francisco Queiroz; e a 9 de outubro ao Palácio do Freixo, também no Porto, por João Rapagão.

            Nicolau Nasoni foi trazido de La Valleta para Portugal por membros da família gaiense dos Cernache, tradicionalmente cavaleiros e bailios da Ordem de Malta aqui residentes desde 1415, à qual pertencia o deão Jerónimo de Cernache seu grande mentor em muitas das obras que deixou, desde o jardim na casa dessa família ali junto ao Castelo de Gaia, até ao Palácio do Freixo no Porto, sua antiga propriedade.

Real Gabinete

            Nos próximos dias 11 a 14 de abril decorrerá no Real Gabinete Português de Leitura no Rio de Janeiro o programa do XI Colóquio do PPLB – Polo de Pesquisas Luso-Brasileiras, subordinado ao tema «Modernismos Luso-brasileiros: História, Ciências e Cultura» e ainda as comemorações dos 25 anos do CER – Centro de Estudos Regianos.

Curso no Solar

O curso «O Brasil duzentos anos depois», prossegue no Solar Condes de Resende, presencial e por videovigilância. Assim, no dia 04 de março o Prof. Doutor António Barros Cardoso falou sobre «O Brasil e o Vinho do Porto» e no dia 18 o Prof. Doutor Rodrigo Teodoro de Paula sobre «A música e a dança urbana entre o Brasil e Portugal (1770-1830)». No próximo dia 1 de abril o Prof. Doutor João Pedro Marques falará sobre «O Brasil Oitocentista e o tráfico transatlântico de escravos».

Livros

Apresentado ao público no Capítulo da Confraria Queirosiana de 19 de novembro de 2022, está já disponível o livro Património Cultural de Gaia. Património de Gaia no Mundo, coordenado pelos historiadores J. A. Gonçalves Guimarães e Francisco Queiroz, com textos seus e de Alda Bessa; Ana Filipa Correia; Ana Pessoa; Ana Venâncio; André Dangelo; Andréa L. Bachettini; Annelise Montone; António Conde; Cláudia Emanuel; Cristina Moscatel; Daniele Fonseca; Fabiane R. Moraes; Fabíola Franco Pires; Fernando Cerqueira Barros; Francisco Queiroz; J. A. Gonçalves Guimarães; José Francisco Alves; José Guilherme Abreu; Keli C. Scolari; Manuel Ferreira da Silva; Margarete R. F. Gonçalves; Margarida Rebelo Correia; Maria Isabel Moura Ferreira; Mariana Rodrigues; Marilene da Silva; Paula Santos Triães; Rosário Salema de Carvalho e Susana Moncóvio, editado em Vila Nova de Gaia pela Câmara Municipal/ Solar Condes de Resende/ ASCR – Confraria Queirosiana, com 350 páginas, o segundo de uma série de obras de investigação profissional dedicadas ao Património Cultural de Gaia. Para além da divulgação institucional feita pela autarquia gaiense, encontra-se agora também disponível on line em http://academiaecadequeiros.blogspot.com                https://www.slideshare.net/queirosiana/pacug2livropdf e à venda na edição papel, ao preço de 30 € cada (IVA e portes incluídos), pedidos para queirosiana@gmail.com

Vasco Gonçalves

Ontem, dia 25 de março pelas 18 horas, na Universidade Popular do Porto, foi apresentado pelo Doutor Adrião Cunha o livro Colectânea do Centenário do nascimento do General Vasco Gonçalves, promovida pela Associação Conquistas da Revolução.

            Hoje, dia 25 de março pelas 15,30 horas, no auditório da Junta de Freguesia da Batalha haverá uma tertúlia sobre «A Estrada D. Maria Pia» organizada pelo Centro de Património da Estremadura com a colaboração de outras entidades em que será moderador o Eng.º Ricardo Charters de Azevedo, autor do livro A Estrada de Rio Maior a Leiria em 1791.

            No próximo dia 4 de abril, terça-feira, 18, 30 horas, na Biblioteca Municipal de Galveias (ao Campo Pequeno), em Lisboa, David Rodrigues lança um novo livro de poemas intitulado Diagramas, composto por 333 haiku que serão apresentados por Richard Zimler com leituras de Paula Pina. Natural de Vila Nova de Gaia, professor catedrático jubilado da Faculdade de Motricidade Humana em Lisboa, tem-se dedicado como docente e conferencista internacional à Educação Inclusiva. É também pianista de jazz e de há muito que cultiva com sucesso esta escola oriental de poesia. No dia 14 de abril, pelas 18,30 horas, no auditório da Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia haverá uma nova apresentação da obra com a presença do autor, por Fátima Vieira e J. A. Gonçalves Guimarães e com leituras de Helena David.

Associativismo

Celebração dos 25 anos da FAMP no Picadeiro Real,
Lisboa; fotografia de Luís Raposo.

Como acima referimos no texto de abertura desta página, decorreram no passado dia 18 de março no Museu dos Coches em Lisboa as comemorações dos 25 anos da Federação dos Amigos dos Museus de Portugal (FAMP), na qual a associação Amigos do Solar Condes de Resende– Confraria Queirosiana (ASCR-CQ) está filiada e por isso aí se fez representar pelo secretário da direção, J. A. Gonçalves Guimarães, que pertence à direção daquela entidade e que ali esteve também na qualidade de presidente do júri do Prémio Reynaldo dos Santos 2023 entregue nesse evento, e pelo vogal da direção Manuel Nogueira.

            A partir das 10 horas da manhã na biblioteca do novo edifício do Museu dos Coches, onde a FAMP tem a sua sede, decorreu a assembleia geral para apresentação e aprovação do relatório de atividades e contas referente ao ano de 2022, o plano de atividades e orçamento para 2023, e ainda outros aspetos da vida da associação aprovados por unanimidade e aclamação, como foi o caso da cooptação da escolha da Dr.ª Maria do Rosário Alvellos para presidente da direção. Seguiu-se uma visita à magnífica exposição de viaturas do museu guiada pelo seu diretor, o museólogo Doutor Mário Antas, e um almoço de confraternização num restaurante das redondezas, já com a presença de René Faure em representação da Fédération Française des Sociétés d’ Amis de Musées e também da World Federation of Friends of Museums – WFFM).

             Da parte da tarde, a partir das 15 horas, no magnífico enquadramento cénico do Picadeiro Real, decorreu a sessão comemorativa dos 25 anos, com a presença de muitos profissionais dos Museus, das organizações tutelares nacionais e internacionais, como o Prof. Doutor Luís Raposo do ICOM, e também dos grupos de Amigos, que acompanharam com expetativa a atribuição do Prémio Reynaldo dos Santos patrocinado pela Fundação Millenium, ali representada pelo embaixador António Monteiro. O júri, constituído pelo Prof. Doutor J. A. Gonçalves Guimarães, em representação da FAMP; Prof.ª Doutora Alexandra Curvelo da NOVA-FCSC; Prof.ª Doutora Sandra Leandro da Universidade de Évora; Dr.ª Joana Sousa Monteiro do Museu de Lisboa; e Prof. Doutor António Pestana de Vasconcelos também da Universidade de Évora, atribuiu o prémio à exposição «Resgatar da Ordem. Iconografias [s]em reserva[s]» organizada pelo Museu Nacional Machado de Castro, Coimbra, promovida pela sua Liga dos Amigos do Museu, contemplados com 2.500 €. Foram ainda atribuídas duas menções honrosas, uma à exposição «Não sei se posso desejar-lhe um feliz ano» organizada pelo Museu de Arte Contemporânea/ Museu do Chiado, com a mostra de 175 obras de artistas portugueses e estrangeiros do galerista Mário Teixeira da Silva e promovida pela respetiva associação de Amigos, e outra à exposição «Mariano Benlliure. Legado Artístico em Portugal» do Museu Nacional Grão Vasco, de Viseu, promovida pelo Grupo de Amigos do Museu Grão Vasco (GAMUS), recebendo cada uma a quantia de 1.000 €. O júri decidiu ainda atribuir duas menções especiais, sem prémio pecuniário, às exposições «História de um Império. Coleção Távora Sequeira Pinto», promovida pelo Grupo de Amigos do Museu do Oriente (GAMO), Lisboa, e «In Memoriam. Abel Flórido e Francisco Laranjo», pela Liga dos Amigos do Museu de Lamego.

            Foi também feita uma homenagem a personalidades que se têm dedicado ao voluntariado cultural, aos grupos de amigos e aos jovens amigos presentes e anunciada a criação pela FAMP do Prémio Excelência ODS Amigos dos Museus, consagrado à sustentabilidade, e a instituição pela WFFM nos segundos domingos de outubro de cada ano, do Dia Internacional dos Amigos dos Museus, que este ano ocorrerá a 8 desse mês sob o tema "A Hospitalidade".

Seguiu-se um momento musical em que atuou a soprano Maria João de Sousa acompanhada pelo quarteto de câmara Opus 28, tendo a sessão encerrado com o convívio num Porto de Honra.

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 175, sábado, 25 de março de 2023; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana (Instituição de Utilidade Pública); C.te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação do blogue e publicação no jornal As Artes Entre As Letras: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: FAMP; Luís Raposo.

 

 

 

sábado, 25 de fevereiro de 2023

Eça & Outras

Ano do Centenário do “Vencido da Vida” e diplomata Luís Maria Pinto de Soveral, Marquês de Soveral (1851-1922)

A Educação na ordem do dia

         Nestes dias em que os professores descem as avenidas a chamarem a atenção dos cidadãos e do governo para a sua situação profissional desajustada e nunca respeitada, pesem embora as loas sempre ouvidas sobre a sua fundamental imprescindibilidade, se outras urgências não existissem para o dia-a-dia, importaria agora mais do que nunca recordar o que tem sido em Portugal a centenária “batalha da Educação” pela alfabetização efetiva, pela escolaridade útil e pela formação dos alunos para o exercício das profissões, pelo ensino da evolução da Humanidade, pelo progresso da cidadania. É uma história já longa, mas que parece nunca bem aprendida ou sequer muito considerada pois, com as constantes reformas e experimentações, estamos sempre na necessidade de voltar a uma estaca zero que ninguém sabe exatamente onde começa ou onde a colocar. E no entanto a Educação tem tido entre nós grandes pensadores, cultores e promotores que ficaram esquecidos no tempo e nas propostas que construíram, quantas vezes ao longo de uma vida de efetiva dedicação à pedagogia.

         Vem isto a propósito da recente apresentação, no passado dia 6 de fevereiro, das provas de doutoramento de Eva Cristina Ventura Baptista na Faculdade de Letras da Universidade do Porto com a tese intitulada «A Educação em Vila Nova de Gaia, entre 1880 e 1930. Associações, Escolas e Personalidades», a qual teve como orientadores os Prof.s Doutores Luís Alberto Marques Alves, daquela faculdade, e José António Martin Moreno Afonso, do Instituto de Educação da Universidade do Minho. O júri teve como presidente o Professor Doutor Luís Miguel Duarte, catedrático daquela faculdade, ladeado pelo Prof. Doutor Joaquim António Pintassilgo, do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, que foi arguente, sendo-o também a Prof.ª Doutora Raquel Pereira Henriques, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, e ainda o professor orientador da Universidade do Minho já referido, e a Prof.ª Doutora Cláudia Sofia Pinto Ribeiro, também da faculdade onde se realizaram as provas.

      Os arguentes salientaram a riqueza de aspetos analisados neste universo educacional, que se desenvolveu em volta de capítulos sobre Educação e Beneficência, a resposta da sociedade civil oitocentista às demoras e insuficiências da escola pública através de associações populares com finalidades educativas que muito contribuíram para que o índice de analfabetismo masculino neste concelho fosse desde então mais baixo do que o verificado no todo nacional. Mas também sobre a ação de cidadãos beneméritos que ergueram escolas ou custearam os ordenados dos professores e a compra de material didático, quase todos eles maçons filiados em várias lojas, apostados na transformação da sociedade através da implantação de uma rede educativa de várias instituições públicas e privadas, de várias matrizes ideológicas ou confessionais, católicos, protestantes e agnósticos, entre as quais o fundador da Escola do Torne que foi sempre paradigmático como singularidade gaiense.

A autora analisou demoradamente a imprensa local da época tratada, quer a profissional quer a politicamente alinhada com monárquicos, republicanos ou anarquistas, quer mesmo a que privilegiava os temas educacionais para além das crenças ou dependências ideológicas. Nela colheu evidências de combates pela educação transversais a toda a sociedade. Estamos, pois, perante uma profunda análise que faz entender a História da Educação com a História Local no conceito trabalhado pelo Professor Doutor Justino Magalhães da Universidade do Minho sobre o «município pedagógico», o qual, como no caso de Vila Nova de Gaia é bem evidente, este não é uma miniatura do todo nacional, mas uma particularidade muito específica. Se é certo que o aparato teórico já existente para a História da Educação foi desenvolvido em Portugal, desde os anos sessenta do século passado, nos trabalhos do gaiense Professor Doutor Joaquim Ferreira Gomes, da Universidade de Coimbra, e depois pelos seus seguidores, para a História Local esse desiderato ainda não existe, mas por isso mesmo esta tese é também ela um valioso contributo para a sua problemática ao quase esgotar o tema na época balizada, deixando nele pedreiras abertas e disponíveis para a edificação de futuros edifícios do saber, podendo ser um deles o levantamento, estudo e divulgação do Património Escolar de Gaia, no que diz respeito às teorias da Educação e seus criadores, mas também os edifícios construídos ao longo dos tempos, ainda só parcialmente tratados, o mobiliário, as bibliotecas didáticas, autores e editores, e os arquivos escolares, sabendo-se que muitos deles foram destruídos por incúria ou mesmo por insensibilidade. Perante a monumental elaboração de inúmeras biografias de interventores neste processo apresentada pela investigadora, o presidente do júri pôs mesmo a questão se de facto não existirá um homo gaiensis especialmente ligado aos temas da Educação, assunto sobre o qual cada um poderá refletir a partir desta tese e também de muitos silêncios e interrogações que por ela perpassam e que a autora não omitiu ou escondeu, alguns dos quais se prolongaram até ao presente. Se tal existir, ele e ela serão democratas preocupados com o porvir, trabalhadores, solidários, instruídos, libertários, gregários na mundividência. Mas isso é já outra história. A candidata foi aprovada doutora por unanimidade de um júri de excelência.

Ao voltar a passar ao fundo da rua, junto da minha antiga escola primária mandada construir em 1868 por Diogo Cassels, um desses beneméritos preocupados com a formação escolar dos seus concidadãos referido nesta tese, lembramo-nos das palavras escritas por um seu contemporâneo que bem poderão aqui resumir os propósitos destes antigos pedagogos gaienses: «Sempre caminhando no sentido do Bem e da Justiça: o seu obscurecimento é meditação, a sua demora é uma expectativa, a sua lentidão é um estudo. Tomado ora de vertigens, ora de superstições, ora de vaidades, pode por um momento desviar-se do caminho da razão, da lei, da liberdade e da justiça: mas sempre volta a seguir o instinto que o leva para o bem» (Eça de Queirós, Páginas de Jornalismo).

J. A. Gonçalves Guimarães

secretário da direção

Doutoramento

Doutora Eva Baptista

         Conforme acima se comenta, apresentou-se na Faculdade de Letras da Universidade do Porto no passado dia 6 de fevereiro como candidata à obtenção do grau de doutora em História Contemporânea através de provas públicas de doutoramento, Eva Cristina Ventura Baptista. A candidata é licenciada em Ciências Históricas – Ramo Património pela Universidade Portucalense Infante D. Henrique. Fez parte da equipa de Arqueologia e Património do Gabinete de História e Arqueologia que trabalhou na Quinta da Ervamoira no Vale do Côa e em São Salvador do Mundo em São João da Pesqueira e foi investigadora no projeto Património Cultural de Gaia (PACUG) em curso no Solar Condes de Resende em concretização pela associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana com o patrocínio da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia. Em projetos desenvolvidos por estas entidades é co-autora de: A actividade metalúrgica em Ervamoira: uma primeira abordagem (em colaboração com J. A. Gonçalves Guimarães). «Côavisão - Cultura e Ciência», n.º 6, 2004. Vila Nova de Foz Côa: Câmara Municipal, p. 153-165; História da Associação Comercial e Industrial de Vila Nova de Gaia/ History of the Commercial and Industrial Association of Vila Nova de Gaia (em colaboração com Susana Guimarães e J. A. Gonçalves Guimarães); A Família e a Maternidade no imaginário religioso do século XVIII: o caso gaiense (em colaboração com J. A. Gonçalves Guimarães). «Revista de Portugal», n.º 2. Vila Nova de Gaia: ASCR-Confraria Queirosiana, 2005, p. 15-22; Metalurgia de Ervamoira - Vale do Côa: estudo das peças (em colaboração com J. A. Gonçalves Guimarães). «Côavisão - Cultura e Ciência», n.º 8, 2006, p. 9-16; Objectos arqueológicos e outros de Trás-os-Montes e Alto Douro na Colecção Marciano Azuaga (Solar Condes de Resende, Vila Nova de Gaia), (em colaboração com Fátima Teixeira e J. A. Gonçalves Guimarães). «Côavisão - Cultura e Ciência», n.º 8, 2006, p. 25-40; São Salvador do Mundo santuário duriense; coordenação, texto e fotografia de J. A. Gonçalves Guimarães (em colaboração com Eva Baptista, Maria de Fátima Teixeira, Maria dos Anjos Ribeiro, Paulo Alves e Paulo Talhadas dos Santos). Vila Nova de Gaia: Município de São João da Pesqueira/ Edições Gailivro, 2007, 144 p.; Educação Cívica e Património Local (Atividade de Enriquecimento Curricular); (em colaboração com Fátima Teixeira e J. A. Gonçalves Guimarães), in Interacções, vol. 11, n.º 35 Os Municípios na Educação e na Cultura, 2015, http:/7www.eses.pt/ interaccoes; Educação Cívica e Património Local (Atividade de Enriquecimento Curricular) aplicada à freguesia de Mafamude (em colaboração com Fátima Teixeira e J. A. Gonçalves Guimarães). «Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia», n.º 82, junho de 2016, p. 9-18; Património Cultural de Gaia. Património Humano. Personalidades Gaienses (coordenação de J. A. Gonçalves Guimarães e Gonçalo Vasconcelos e Sousa); textos de Eva Baptista: Diogo José de Macedo, p. 92; Visconde de Arcozelo, p. 107; Abade de Arcozelo, p. 109; António Aires de Gouveia Osório, D., p. 112; Alfredo Lucas, p. 135; Manuel Pinto Mourão, p. 137; João Rodrigues Valente Perfeito, p. 148; Artur Ferreira de Macedo, p. 149; Flórido Toscano, p. 154 [em colaboração com J. A. Gonçalves Guimarães, Maria de Fátima Teixeira e Susana Guimarães]; José Gonçalves da Silva Matos, p. 159; José Pinto de Amorim Costa, p. 160; Leopoldo Mourão, p. 166; Bernardo Lucas, p. 174; José Tristão Pais de Figueiredo, p. 180; José Amadeu de Castro Portugal, p. 188; João Porfírio de Lima Calheiros Lobo, p. 206 [em colaboração com J. A. Gonçalves Guimarães e Maria de Fátima Teixeira]. Vila Nova de Gaia: Câmara Municipal/ Solar Condes de Resende/ ASCR – Confraria Queirosiana, 2018, 294 p.; Património Cultural de Gaia. Património de Gaia no Mundo (coordenação de J. A. Gonçalves Guimarães e Francisco Queiroz). Vila Nova de Gaia: Câmara Municipal/ Solar Condes de Resende/ ASCR – Confraria Queirosiana, 350 p.; colaboração. É ainda autora de artigos e livros publicados por outras entidades.

         Ontem, dia 24 de fevereiro, pelas 17 horas, a nova doutora apresentou o tema da sua tese numa palestra via Zoom organizada no âmbito do grupo de investigação “Educação e Desafios Societais” do CITCEM/ FLUP.

Curso de Verão

Organizado pelo CITCEM/ FLUP da Universidade do Porto em colaboração com as universidades de Santiago de Compostela e de Florença, e a presença de professores de várias outras academias, além da colaboração local dos municípios de Vila Nova de Foz Côa, São João da Pesqueira e Lamego, e de diversas entidades culturais e económicas, como SantResende, Quinta do Vale Meão, Museu da Casa Grande (Freixo de Numão), Associação dos Amigos de Pereiros, São João da Pesqueira, e a associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana através do seu Gabinete de História, Arqueologia e Património, vai realizar-se entre os dias 16 e 22 de julho a terceira edição da International Heritage Summer School 2023. De um intenso programa com início logo no primeiro dia consta, na quarta-feira, 19 de julho, pela manhã, uma visita a São Salvador do Mundo, São João da Pesqueira, guiada por J. A. Gonçalves Guimarães (ASCR-CQ), que pela tarde, no Museu do Vinho, falará sobre «Marquês de Soveral, homem do Douro e do Mundo». Na quinta-feira, 20 de julho, Nuno Resende do CITCEM/ FLUP, guiará uma visita ao Museu de Arte Sacra de Trevões e na parte da tarde uma visita a Trevões e ao Miradouro de São Paio, a que se seguirá um jantar patrocinado pela Associação dos Amigos de Pereiros nesta aldeia de São João da Pesqueira. A sessão de encerramento decorrerá no sábado. 22 de julho pelas 12 horas no Museu do Côa, Vila Nova de Foz Côa. Ver programa total em https://sites.google.com/g.uporto.pt/heritage-summer-school/home

Curso no Solar

Prossegue no Solar Condes de Resende, presencial e por videovigilância, o curso «O Brasil duzentos anos depois», que tem tido inscritos além de Portugal, também do Brasil e Canadá. Após o Prof. Doutor J. A. Gonçalves Guimarães ter falado sobre «Atividade Económica entre o Brasil e Portugal nos dias da Independência» no dia 4 de fevereiro, no dia 18 o Professor Doutor Jorge Fernandes Alves dissertou sobre «A emigração portuguesa para o Brasil». No próximo dia 4 de março o Prof. Doutor António Barros Cardoso, da APHVIN/ GEHVID falará sobre «O Brasil e o Vinho do Porto».

Revistas, Livros e Filmes

         Está em distribuição desde janeiro passado o n.º 95 do Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia referente a dezembro de 2022, que apresenta, entre outros autores, colaboração de Salvador Almeida «A propósito dos 150 anos do nascimento do Padre Luís Pinho da Rocha»;

No passado dia 13 de fevereiro na Sociedade Agrícola da Quinta de Santa Maria SA, em Barcelos, foi lançado o livro Quinta do Tamariz, lugar de Vinhos com História, da autoria do Prof. Doutor António Barros Cardoso, historiador e presidente da direção da Associação Portuguesa da História da Vinha e do Vinho (APHVIN/ GEHVID). Esta edição celebra os 95 anos da compra desta propriedade pela família Borges Vinagre.

No passado dia 19 de fevereiro estreou no Batalha Centro de Cinema no Porto o filme Abandonados do realizador Francisco Manso, após a sua primeira divulgação como série televisiva que passou recentemente na RTP1. Realizado a partir do livro Timor na Segunda Guerra Mundial - Diário do Tenente Pires (2007), do historiador António Monteiro Cardoso, este, por sua vez, teve em conta a obra Funo, de Carlos Cal Brandão publicada em 1946, depois do autor, antes degredado em Timor por ser oposicionista ao regime do Estado Novo, aí ter vivido os acontecimentos que relata no seu livro, tendo depois sido amnistiado e regressado a Portugal, onde continuou a ser voz ativa contra a situação. A ação passa-se pois durante a ocupação japonesa de Timor durante a 2.ª Grande Guerra, com a resistência do povo timorense e de alguns portugueses e australianos ao invasor. Os protagonistas são o autor desta última obra, Carlos Cal Brandão, interpretado por António Pedro Cerdeira, e o tenente Manuel de Jesus Pires, por Marco Delgado. Francisco Manso, realizador e confrade queirosiano, tem-se dedicado à produção e realização de filmes de ficção, como O testamento do senhor Nepomuceno (1997), mas também de filmes históricos como O último condenado à morte (2009), Assalto ao Santa Maria (2010), O Cônsul de Bordéus (2011) e O nosso cônsul em Havana (2019).

Associativismo

No passado dia 10 de fevereiro a associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana esteve presente na sessão comemorativa do 110.º aniversário do Centro Recreativo de Mafamude, Vila Nova de Gaia, que foi também tomada de posse dos novos corpos sociais para o biénio 2023/2024. A sessão contou com a atuação do Inti  Chaski  - grupo de Música Andina.

A Confraria Queirosiana no capítulo da 
Confraria da Amêndoa em Vila Nova de Foz Côa

No dia 18 de fevereiro realizou-se em Vila Nova de Foz Côa o 1.º capítulo da Real Confraria da Amêndoa de Portugal no Centro Cultural, seguido de desfile das confrarias presentes até à câmara municipal onde foram recebidos pelo presidente da edilidade. A Confraria Queirosiana fez-se representar pelos membros da direção António Pinto Bernardo e Manuel Moreira e pelo presidente da assembleia geral César Oliveira. Na ocasião foi recordado que o Gabinete de História, Arqueologia e Património, integrado na associação Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana (ASCR-CQ) desde 2004, entre os anos de 1985 e 2004 realizou escavações arqueológicas e entre 1997 e 2004 as semanas de estudos especializados com professores e estudantes de várias áreas na Quinta da Ervamoira, ambas coordenadas por J. A. Gonçalves Guimarães, de que resultaram a criação do Museu de Sítio de Ervamoira (Casa Ramos Pinto) e a publicação de dezenas de estudos de investigação sobre o Património do Vale do Côa e da região. Presentemente, para além deste coordenador daquela estrutura profissional ter participado nas 1.ª e 2.ª International Heritage Summer School, organizadas pelo CITCEM/FLUP em 2021 e 2022, este ano está integrado na estrutura organizativa deste curso de verão que também comemorará o Centenário do Marquês de Soveral.

Palestras & Conferências

No Museu do Vinho de São João da Pesqueira

Como anunciamos na página anterior, no passado dia 27 de janeiro, o Dia Internacional do Vinho do Porto foi comemorado em vários locais, entre eles o Museu do Vinho de S. João da Pesqueira, onde o programa teve início às 18h30, com uma tertúlia denominada “Harmonização do Vinho do Porto com a Gastronomia Regional”, onde foram servidos oito pratos diferentes, confecionados e servidos pelos alunos da ESPRODOURO - Escola Profissional do Alto Douro, acompanhados de outros tantos, mas diversos, vinhos do Porto de várias empresas também aí presentes. O debate sobre o tema contou com a participação e moderação do historiador J. A. Gonçalves Guimarães, da Confraria Queirosiana, e do enólogo David Guimaraens, da Casa Taylor’s.

         No mesmo dia, num jantar organizado pelo Observatório do Vinho do Porto sediado em Vila Nova de Gaia, presidido pelo Prof. Doutor Carlos Brito, foi orador o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Prof. Doutor Eduardo Vitor Rodrigues.

         No passado dia 23 de fevereiro, nas habituais palestras das últimas quintas-feiras do mês promovidas pela ASCR-CQ no Solar Condes de Resende, presenciais e por videoconferência, o Dr. João Fernandes, historiador da Arte e atual responsável pelo Solar Condes de Resende falou sobre «Religiosidade em Gaia na 2.ª metade do século XIX: o abade Santana», uma incontornável figura da época que fez o funeral religioso ao suicida Soares dos Reis.

         No mesmo dia e inserida na programação dos 50 anos do Rotary Club de Vila Nova de Gaia, o Dr. Manuel Moreira, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Gaia, proferiu num hotel local uma palestra sobre «Solidariedade Interinstitucional».

         Nos dias 24 e 25 decorreu no Auditório da Junta de Freguesia de Avintes, Vila Nova de Gaia, a 33.ª edição do Fórum de Avintes organizado por aquela entidade e este ano subordinado ao tema «Associativismo pós COVID – oportunidades e ameaças». Do programa constam as comunicações de Paulo Costa sobre «Associativismo espelho da sociedade. Breve reflexão histórica»; de Abel Barros «O futuro e as novas tecnologias»; de J. A Gonçalves Guimarães sobre «Roteiro devocional de Avintes» e de Paulo Rodrigues «Capacitação dos dirigentes associativos voluntários», entre outros.

Distinções

O conselho geral e o conselho pedagógico do Agrupamento de Escolas Diogo de Macedo, a 9 de janeiro passado, aprovaram por unanimidade um voto de louvor ao Dr. Manuel António Correia Monteiro, no momento em que cessou funções como docente do ensino público. Tendo começado no início da sua carreira por integrar a comissão instaladora da Escola Secundária de Olival, mais tarde Escola Secundária Diogo de Macedo, hoje sede de agrupamento com o mesmo nome, aqui desempenhou funções de vice-presidente do conselho diretivo, representante do grupo de História, tendo ainda participado em inúmeros grupos de trabalho ao longo da sua atividade docente que conciliou com as funções de presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Andorinho e de vereador da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia.

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Eça & Outras, III.ª série, n.º 174, sábado, 25 de fevereiro de 2023; propriedade da associação cultural Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana (Instituição de Utilidade Pública); C.te n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação do blogue e publicação no jornal As ArtesEntre As Letras: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-164 A); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: António Pinto Bernardo