quarta-feira, 25 de maio de 2011

Eça & Outras

Eleições!

A Confraria Queirosiana, esta página, a Serra da Estrela, as ondas do mar, o próprio vento que agita ou não as bandeiras, as ervas daninhas e os pimentos da horta, o sistema solar, enfim, muitas outras realidades universais são rigorosamente apartidárias, porque sim, por imperativo legal ou do bom senso, mas também devido àquele irritante desdém com que as coisas realmente grandes do universo observam estas nossas organizações humanas. Assim, por tudo isso, e pelo facto de os nossos confrades estarem inscritos nos mais diversos partidos, ou em partido nenhum, recusamo-nos terminantemente a comentar as recentes eleições portuguesas. São o que são, darão o que darão, esteja o seu pecado original no espelho de José Sócrates, na agenda de Passos Coelho, na escada de Paulo Portas, no microfone de Jerónimo de Sousa, no compêndio de Francisco Louçã, nos verdes tintos, nos verdes brancos ou nos vários clubes de pensadores com bandeirinha, do Norte, do Atlântico, da Terra, da Lua, do Comunismo, do Proletariado, dos Animais, não me consigo lembrar de todos e por isso as minhas democráticas e respeitosas desculpas também endereçadas aos ilustres performers madeirenses: aquela nossa ex-colónia está a revelar-se um alfobre de talentos capazes de salvarem o falidíssimo teatro nacional, o La Féria que se cuide!
Mas nós, que nunca deixamos ou deixaremos de lá ir pôr o boletim de voto, até porque da única vez que tal aconteceu, antes da Democracia, o Estado gastou um dinheirão com um seu zeloso funcionário agente da PIDE que andou a ganhar horas extras a perguntar à vizinhança coisas insignificantes sobre a nossa vulgaríssima vida privada, ora não queremos deixar de dar o nosso modesto contributo para uma séria reflexão sobre o momento que passa (ouço isto desde criança!). E para manter o tal aspecto rigorosamente apartidário que a Lei (oh gentes! A Lei!) e o bom senso aconselham nestas circunstâncias, pedimos a Eça de Queirós uns breves pensamentos sobre a transcendência do acto para o futuro da raça lusa, agora nas mãos daqueles seres superiores vindos do estrangeiro por ordem na nossa economia, os quais cansados de tão ciclópica tarefa vão depois descontrair, jogando golfe na Alemanha, pescando taínhas nos esgotos de Chicago ou perseguindo criadas de hotel em Nova York, coisas triviais que, afinal, já os velhos deuses da Grécia (cujos filhos eles agora tanto criticam!) já o faziam no Egeu muitos séculos atrás sem tantos polícias, jornalistas e advogados à perna.
Então Eça escreveu assim:
«Portugal realizou o cerimonial exterior das suas eleições - porque as eleições, elas próprias, já estavam feitas havia muito, segundo o costume consagrado e venerável, por meio de uma lista de círculos e um lápis, no remanso das secretarias. Restava só a solenidade de ir o povo às urnas. Todos sabemos, porém, que em muitos círculos se evita o barulho e a poeira desta cerimónia – reduzindo a eleição a uma simples acta que as autoridades lavram depois da missa, a um canto da sacristia. O povo, esse, fica nas suas moradas, quieto e certo de que o senhor administrador está “fazendo” o senhor deputado. Há nisto uma louvável e notável simplificação do sistema. Mas uma simplificação maior seria que o Governo nomeasse os deputados por meio de portarias; e que eles, desde logo, como empregados públicos, pagassem direitos de mercê.
O Sr. D. Pedro IV, como ele mesmo dizia, constitucionalizou Portugal à força, como uma vara de aço que se verga, impelindo-o “à iniciativa dentro do regime representativo”. Na sua índole porém e nos seus costumes, Portugal ficou em pleno século XVIII – e, como a vara que se levanta logo que a mão forte a abandone, o país vai regressando à sua atitude natural, que é “a obediência dentro do regime pessoal”. Uma maioria nomeada pelo Governo e que passivamente obedece às instruções do Governo: um Governo organizado por um chefe, e que fielmente segue as indicações desse chefe – eis o nosso estado político actual que não difere muito, na sua essência, do que caracterizou os reinados dos avós do nosso rei. Um chefe de partido entre nós, tendo a confiança da coroa, é um verdadeiro ditador – e o nosso regime uma ditadura real, exercendo-se dentro de um constitucionalismo fictício. Isto poderia ser um mal se nos surgisse um dia um ditador do tipo Guzman Blanco – mas pode ser um bem, se um dia esse chefe de partido for um magnífico Bismark. Não é todavia provável que este país, onde gradualmente calmou e se sumiu toda a violência nativa, produza Guzman Blancos. O presente regime portanto afigura-se-nos excelente – e só nos cumpre, dentro dele e abrigados por ele, esperar com paciência e bonomia que nos apareça numa manhã de nevoeiro esse Bismark genial e providencial» (Distrito de Évora, 1867).
Claro que este texto não se pode levar a sério: foi escrito por um jovem de 22 anos, recém-formado, cujo pai lhe arranjou um emprego precário «a recibo verde», a fazer sozinho um jornal (imaginem!) em Évora, e que nós ainda lemos por desfastio para com a aborrecidíssima e quase impossível leitura dos textos, relatórios ou prosas dos actuais jovens recém-formados, os gestores ou alguns escritores muito premiados. Um tédio que Eça nunca nos dá. Infelizmente, como a Historia o tem demonstrado, ainda estamos à espera do nosso Bismark e parece-me que ele estará demorado.
E, além do mais, cumprimos o direito de votar convencidos de que só a qualidade da areia fará uma boa praia. Ouviu, Dona Merkel?

J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria

J. Rentes de Carvalho nos top

O nosso prezado confrade tem andado numa roda viva de entrevistas, sessões de autógrafos, colóquios literários, até porque está nos top: na semana de 18 a 24 de Abril o seu livro La Coca foi o mais vendido na livraria Bulhosa; na Feira do Livro de Lisboa no top dos 10 livros ficou em terceiro lugar e no quinto dos dez autores mais vendidos, à frente de muitos representantes da “literatura de supermercado” ou da produzida pela “máquina editorial”. Ainda há bom senso e bom gosto.
Nos dias 27, 28 e 29 estará na Feira do Livro do Porto para coloquiar e dar autógrafos. Vamos lá abraçá-lo!

Fernão de Magalhães “aquece”

Como noticiámos na página anterior, decorreu no passado dia 27 de Abril na Sociedade de Geografia de Lisboa uma homenagem nacional ao navegador a qual serviu de abertura às comemorações internacionais dos 500 anos que decorrerão em 2021.
Entretanto a direcção da Confraria Queirosiana constituiu-se como comissão ad hoc para o apoio àquele evento que deverá unir Portugal, Espanha, Brasil, Argentina e Chile, pelo menos.
Entretanto no passado dia 4 de Maio houve na Casa do Infante no Porto, uma palestra pelo Eng.º António Taveira em que este mostrou a casa onde, segundo deduziu, terá vivido o pai de Fernão de Magalhães, logo que o filho poderá ali também ter nascido. Num pequeno opúsculo que publicou sobre o assunto, intitulado Fernão de Magalhães “o do estreito” de Santa Maria da Sé do Porto e em que afinal alude a muitas das ligações do navegador e sua família a Vila Nova de Gaia, como não é historiador e não estudou convenientemente a história da região, confundiu Gaia com Vila Nova e levou o assunto até à Casa de Campo Bello, que é em Gaia, por não saber que os Cernaches também tinham propriedades em Vila Nova, perto do «lugar de Rui de Magalhães». Outro aspecto curioso que se tem verificado na literatura ultimamente produzida pelos memorialistas portuenses é o seguinte: tendo eles passado anos a escrever que não era possível morarem fidalgos no Porto, opinião de há muito insustentável e devidamente explicada na sua verdadeira dimensão, volta e meia querem metê-los lá todos e até descrevem a janela da casa de onde viam as suas propriedades… em Vila Nova de Gaia. Enfim, curiosidades.

Porto Romântico

Nos dias 29 e 30 de Abril decorreu no Campus Foz da Universidade Católica Portuguesa o congresso sobre o Porto Romântico, organizado pelo Professor Gonçalo de Vasconcelos e Sousa. Durante os dois dias foram apresentadas variadas comunicações sobre o Porto oitocentista e mesmo sobre algumas manifestações tardo-românticas já entradas pelo século XX adentro. A Academia Eça de Queirós esteve representada com uma comunicação sobre «Aspectos românticos na vida do Visconde de Beire», da autoria de J. A. Gonçalves Guimarães e Susana Guimarães. As Actas serão publicadas em Dezembro próximo.

O Artes entre as Letras de parabéns



Com uma notável exposição intitulada Arte pintada a Letras, que abriu ao público no passado dia 14 de Maio no Museu de Espinho, festejou assim o jornal As Artes entre as Letras o seu segundo aniversário. Entre os artistas representados os queirosianos Helder de Carvalho, Beatriz Pacheco Pereira e Luísa Prior.
A exposição estará aberta ao público até 3 de Junho e é realmente uma das mais belas mostras das Artes portuguesas dos últimos anos.



Novo livro de Maria Virgínia Monteiro

No passado dia 19 de Maio, Maria Virginia Monteiro apresentou na Sociedade de Língua Portuguesa em Lisboa o seu mais recente livro de poesia intitulado Longo é o Tempo,

…e de Anabela Mimoso

No passado dia 21 de Maio teve lugar na Biblioteca Municipal de Gaia o lançamento do livro Buzios, a mais recente obra da escritora Anabela Mimoso, editada pela Calendário da Letras.

Confraria dos Sabores de Sintra

No passado dia 2 de Abril decorreu em Sintra o capítulo fundacional da Confraria dos Sabores de Sintra, o qual decorreu no Mosteiro Jerónimo da Penha Longa.
A Confraria Queirosiana, que paraninfou o acto, esteve representada pelo mesário-mor, J. A. Gonçalves Guimarães, pelo vice-presidente da direcção Luís Manuel de Araújo e por Fátima Teixeira.
Presidiu ao acto Madalena Carrito, presidente da direcção da Federação das Confrarias da Gastronomia Portuguesa, tendo também feito uma intervenção o presidente da Câmara Fernando Seara.
Na ocasião o mesário-mor proferiu as seguintes palavras: «Provavelmente a “Confraria dos Sabores de Sintra” terá começado como se refere em O Primo Basílio: “Aquilo começara em Sintra, por grandes partidas de bilhar muito alegres, na quinta do tio João de Brito, em Colares…” perdão, do Arq.to António Manuel Jorge Alves, ou então quando a Confraria Queirosiana veio a Sintra em 2008 e tivemos um gentilíssimo cicerone não oficial do roteiro queirosiano, que estava fechado por ser sábado.
Mas voltando a O Primo Basílio, aí se pode ler: “(…) os passeios por Seteais ao luar, devagar, sobre a relva pálida, com grandes descansos calados no Penedo da Saudade, vendo o vale, as areias ao longe, cheias de uma luz saudosa, idealizadora e branca; as sestas quentes, nas sombras da Penha Verde, ouvindo o rumor fresco e gotejante das águas que vão de pedra em pedra; as tardes na várzea de Colares, remando num velho bote, sobre a água escura da sombra dos freixos”.
Claro que a Sintra de hoje não é a de A Tragédia da Rua das Flores quando então “O que havia de pior em Sintra era o burguês, o banqueiro, o janota do Vítor, as caleches cheias de espanholas, as inglesas de lunetas azuis, e as toilettes por entre a folhagem. A serra tornava-se um suplemento do Chiado!”
Hoje, já muito pouco se cita Lord Byron, mas sim o Dr. Fernando Seara, e há turistas de muitas outras nacionalidades.
Mas a Sintra que hoje nos trouxe aqui, é certamente a Sintra eterna que o grande Eça de Queirós assim descreveu n’Os Maias: “No vão do arco, como dentro de uma pesada moldura de pedra, brilhava, à luz rica da tarde, um quadro maravilhoso, de uma composição quase fantástica, como a ilustração de uma bela lenda de cavalaria e de amor. Era no primeiro plano o terreiro, deserto e verdejando, todo salpicado de botões amarelos; ao fundo, o renque cerrado de antigas árvores, com hera nos troncos, fazendo ao longo da grade uma muralha de folhagem reluzente; e, emergindo abruptamente dessa copada linha de bosque assoalhado, subia no pleno resplendor do dia, destacando vigorosamente num relevo nítido sobre o fundo do céu azul-claro, o cume airoso da serra, toda cor de violeta-escura, coroada pelo Palácio da Pena, romântico e solitário no alto, com o seu parque sombrio aos pés, a torre esbelta perdida no ar, e as cúpulas brilhando ao sol como se fossem feitas de ouro…”.
Que mais dizer sobre uma terra que assim foi descrita por Eça de Queirós e que, em boa parte assim continua?».

Colóquio na Feira

Nos próximos dias 17 e 18 de Junho vai decorrer em Santa Maria da Feira um colóquio sobre a Terra de Santa Maria, comemorativo do 10.º aniversário da Revista Villa da Feira, durante o qual será apresentada uma comunicação sobre o «Castelo de Crestuma: o seu complexo arqueológico e resultados da primeira campanha de escavações» pela equipa de arqueólogos que tem dirigido esta intervenção, a qual irá prosseguir os seus trabalhos no próximo mês de Agosto patrocinada pela empresa Águas e Parque Biológico de Gaia, EEM.


Jornadas de Mogadouro

Nos próximos dias 18 e 19 de Junho vão decorrer as 1.as Jornadas Culturais de Mogadouro, organizadas pela Confraria Queirosiana com a colaboração da autarquia local, as quais vão homenagear Trindade Coelho nos 150 anos do seu nascimento e conviver com José Rentes de Carvalho em Estevais de Mogadouro, fazendo assim um contraponto entre a literatura do século XIX e a do século XXI, pois este último escritor, além da obra em livro e colaboração dispersa em muitos jornais e revistas em Portugal e na Holanda, muito regularmente nos aparece com textos curtos e incisivos no seu blogue Tempo Contado.
As inscrições para participar podem ser feitas para a Confraria Queirosiana ou para o Município local.

Gostaria de ir tomar um Porto com

Vitorino Magalhães Godinho, o grande historiador dos fastos nacionais na história global (continuo sem perceber porque é que não há Prémio Nobel para historiadores se tal existe para os que escrevem desabafos íntimos); Dom José Policarpo, pela coragem de afirmar que a civilização tem como pilar fundamental a justiça e que, por isso, todo o criminoso tem direito a julgamento e não só quando apetece aos «cow boys»
Não, não desejo brindar com

Angela Merkel, porque da falta de elegância à arrogância vai um pequeno passo.

Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 32 – Quarta-feira, 25 de Maio de 2011
Cte. n.º 506285685 ; NIB: 001800005536505900154
IBAN:PT50001800005536505900154;Email:queirosiana@gmail.com; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redacção: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Eça e Outras

Portugal e a Europa (visão de futuro), Charibari, 1889.
O Hino em surdina
 «Herois do mar…» - Quais? Os dos negócios dos submarinos? Os galegos que nos vendem o nosso peixe? Os que estão de papo para o ar nas praias de S. Tomé?
«… nobre povo» - Nobre? O Fernando? Um povo que gasta mais do que produz é nobre? Não será antes “pobre povo”? O poeta enganou-se? A “nobreza” do povo foi o maior equívoco do século XIX, que fez as desgraças do séc. XX e, em Portugal, do pós 25 de Abril. Entendamo-nos: “promovido” a “pequena burguesia” ou “classe média”, o povo rapidamente aprendeu o que não era nobre nas classes que destituiu: o laxismo, o oportunismo, a ignorância encartada, o delegar nos “seus representantes”, da mesma massa feitos, pois então, tal como outrora faziam alguma nobreza, algum clero, alguma burguesia, que o povo se apressou a copiar. Não estou a falar do povo que sempre trabalhou no duro, que tudo produziu e pouco conseguiu de seu. Mas, agora, “o povo somos todos nós”. A nobreza, as qualidades superiores da natureza humana que todos sabemos quais são, não são apanágio ou exclusivo de nenhuma classe, estatuto, formação ou condição social. Estão inscritas no ADN, modelam-se através da vontade pessoal e sobressaem ou apagam-se na moldura social em que cada um vive. Mas continuemos…
«Nação valente, imortal» - Valente, neste estado? Neste Estado? Não será antes e… mortal? Outro engano?
«Levantai hoje de novo» - Quem dá aqui uma mão? Vamos a isto, gente? Não, você não; já sabemos onde nos levam as suas ajudas… Não há mais ninguém para ajudar a levantar isto?
«O esplendor de Portugal» - Segundo o dicionário, esplendor quer dizer brilho intenso, mas devemos estar a consumir demasiada energia a produzi-lo nos futebóis e festivais e em mais nada do que interessa. É assim que actualmente o “nobre povo” entende o “esplendor”.
«Entre as brumas da memória» - Não era melhor dissipar as brumas, os nevoeiros do passado, e colher da História a lição dos dias claros?
«Oh Pátria sente-se a voz» - Voz que se sente não deve ser de boa gente, que essa ouve-se e percebe-se.
«Dos teus egrégios avós» - Quais? O Marquês de Pombal? João Franco? Ribeiro Sanches? Fontes Pereira de Melo? D. Afonso VI? O meu bisavô? A sua trisavó? Santo António? Salazar? Fontes Pereira de Melo? O Marquês de Sá da Bandeira? A Maria da Fonte? D. Sebastião?
«Que há-de guiar-te à vitória» - Mas não estão já todos eles na universidade sénior do passado? E alguns deles não foram rotundos falhados que os historiadores benevolentes equalizaram com os demais avós, como fazem as assistentes sociais aos velhinhos dos lares, que os convencem que são todos boas pessoas?
«Às armas! Às armas!» - Quais? As da NATO? As das Forças Armadas Europeias? As das nossas forças armadas no Afeganistão? As americanas da Base das Lages? As compradas na candonga? O voto? Um duelozinho de florete com o FMI?
«Sobre a terra e sobre o mar» - Ainda temos zona aérea exclusiva?
«Às armas! Às armas!» - Já ouvi, Senhor Henrique Lopes de Mendonça! Diga ao Senhor Alfredo Keil que não sou surdo!
«Pela Pátria lutar!» - É o que alguns portugueses têm feito vai para mais de 850 anos, os que trabalham no duro, e que não estão mais dispostos a deixar que os outros esbanjem o que produzem. Os que não tencionam deixar que, além dos juros, nos levem ainda o corpo, a mente e a vontade de sermos portugueses.
«Contra os canhões, marchar, marchar!» Lá terá de ser, mais uma vez!
É um belo hino romântico, este nosso Hino Nacional, habitualmente berrado (cantar é outra coisa!) nos estádios de futebol, mas duvido que entendido, reflectido, sentido. E quanto ao marchar, hoje toda a gente marcha: os novos, os velhos, as crianças, os políticos, as mulheres, os peregrinos, as marchas de Lisboa e as de Gaia, as do Mozart. Contra os canhões? Não, já não se usa. Hoje marcha-se a favor da paz, da saúde, do Santo António, do S. João, do dia disto e daquilo, dos animais domésticos e selvagens, e de muitas outras questões adoptadas pelo “nobre povo”. E para fazer a marcha “maior do mundo” para o Guinness, o repositório mundial da idiotice das massas.
Quanto aos empréstimos, mais ameaça menos “bruma da memória”, eles aí estão. Já Eça de Queirós escreveu em Os Maias: «Os empréstimos em Portugal constituíam hoje uma das fontes de receita, tão regular, tão indispensável, tão sabida como o imposto. A única ocupação mesmo dos ministérios era esta – “cobrar o imposto” e “fazer o empréstimo”. E assim se havia de continuar….».
E continuou… Até quando? Até este país decidir “pela Pátria lutar” em termos de presente e de futuro.
J. A. Gonçalves Guimarães

Os Maias em Londres
 No passado dia 10 de Março foi apresentada ao público em estreia no Galleon Theatre em Greenwich a peça de teatro Os Maias, adaptação do romance de Eça de Queirós por Alice de Sousa e com direcção de Bruce Jamieson.
Alice de Sousa, que interpreta também o principal papel feminino, recebeu em 2005 dois prémios do American Biographical Institute e em 2009 um prémio do governo português pelos seus 25 anos de carreira.


Literatura em viagem

 J. Rentes de Carvalho foi um dos escritores convidados para estar no Lev-Literatura em Viagem 2011, que decorreu em Matosinhos nos passados dias 16 a 19 de Abril, tendo participado no painel “Viajar é descobrir que todo o mundo se equívoca”, ao lado de Mário Delgado Aparain (Uruguai), Reif Larsen (EUA) e Valter Hugo Mãe, tendo como moderador Alexandre Quintanilha.
O escritor deu recentemente uma extensa entrevista ao programa televisivo “Câmara Clara” (RTP 2), bem assim como a vários outros canais de televisão, jornais e revistas, sobre as suas últimas edições em Portugal e na Holanda.

Fernão de Magalhães

 A Sociedade de Geografia de Lisboa leva a cabo no próximo dia 27 de Abril uma sessão de homenagem a Fernão de Magalhães, pelas 18 horas, a qual será presidida pela Ministra da Educação Dr.ª Isabel Alçada. Serão oradores, para além do presidente daquela centenária instituição, José Mattos e Silva, António Mattos e Silva, Gonçalves Guimarães, Manuel Magalhães Villas Boas e Proença Mendes, Comandante do Navio-Escola Sagres que em 2010 navegou parte da rota seguida por aquele navegador.
A Academia Eça de Queirós associa-se assim a esta evocação de Fernão de Magalhães, cujos dados biográficos mais recentes indicam que poderá ter nascido em Vila Nova de Gaia.

Academia de Marinha

O Eng.º José Luís Pereira Gonçalves, membro da direcção dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, foi recentemente nomeado membro efectivo da Academia de Marinha.
Formado em Engenharia Electrotécnica desenvolveu actividade profissional em Timor, Moçambique e Portugal em algumas das mais importantes empresas nacionais, tendo sido chefe de gabinete do Secretário de Estado da Industria Ligeira e Industria Pesada em 1977/1978. É comendador da Ordem de Mérito da República Federal Alemã.
Além de velejador, foi membro fundador e vice-presidente da Aporvela (Associação Portuguesa de Treino de Vela) e tem-se dedicado ao estudo de aspectos técnicos das navegações históricas portuguesas.
É membro fundador da Academia Eça de Queirós.


Curso sobre Joalharia em Portugal

Decorrerá no próximo mês de Maio, aos sábados à tarde, entre as 15 e as 17 horas, no Solar Condes de Resende, um curso intensivo sobre História da Joalharia em Portugal, ministrado por Gonçalo de Vasconcelos e Sousa, professor da Universidade Católica do Porto.
As matérias a ensinar abrangerão desde os conceitos introdutórios ao tema, passando pela joalharia de todas as épocas, até às grandes casas da joalharia em Portugal e a joalharia contemporânea.
O curso é organizado pela Academia Eça de Queirós e da sua frequência será passado certificado a todos os participantes.

Folhetim no Notícias de Colmeias

Como no tempo de Eça de Queirós, o jornal Notícias de Colmeias, Leiria, é o único jornal português que publica um folhetim, ou seja, uma novela em que cada capítulo, ou parte dele, aparece em cada número do jornal, neste caso intitulada “Isabel” e da autoria de Cunca de Almeida, cujo Episódio 1 apareceu na edição n.º 127 de 4 de Julho de 2010, logo na 1.ª página.

Gostaria de ir tomar um Porto com:

Ai Weiwei, o artista chinês que perturba a serenidade dos dirigentes da China; Julian Mer-Khamis, o actor árabe-israelita assassinado pelos crocodilos de ambos os lados; Joaquim Letria, porque os aldrabões existem mesmo; Ribeiro Cardoso, o jornalista que escreveu um livro sobre a nudez de um intocável.

Não, não vou brindar com:

Bashar al-Assad, presidente temporário da Síria,
 
 
Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 31 – Segunda-feira, 25 de Abril de 2011
Cte. n.º 506285685 ; NIB: 001800005536505900154
IBAN:PT50001800005536505900154; Email:queirosiana@gmail.com; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com;
coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redacção: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral;
colaboração de Joaquim Santos

sexta-feira, 25 de março de 2011

Eça & Outras

O bei de Tripoli

No século XIX, quando as potências ocidentais queriam dar no Mediterrâneo um ar da sua arrogância disfarçado de «defesa da civilização», bombardeavam, a qualquer pretexto, o bei de Tunes e humilhavam-no, a ele, ao país e ao povo que ele representava. Claro que pretextos não faltavam e era fácil arranjá-los: os principais eram o ele não aceitar a utilização abusiva dos seus portos por franceses, italianos, americanos (já então!), ou ingleses, e a consequente roubalheira dos seus direitos, ou então o facto de uns tantos piratas marroquinos, argelinos, tunisinos, líbios, egípcios, etc. assaltarem os barcos mercantes e depois acoitarem-se nos portos do norte de África. Mas o culpado era sempre o bei (rei) de Tunes.
Para terem uma ideia da luta que já então se travava pelo domínio do Mediterrâneo, recordemos alguns factos históricos: a 14 de Junho de 1813, o Príncipe Regente D. João VI de Portugal, representado pelo capitão-de-mar-e-guerra Rosa Coelho, assinou um tratado de paz com a Regência de Argel, através de um documento que começava assim: «Sendo a Paz hum dos mayores Bens com que a Providência Divina abençoa as Monarchias, e os Estados…». Assim se concertou a paz, a qual incluía o resgate de cativos e o respeito pelos barcos portugueses que navegam no Mediterrâneo.
A mesma sorte não tiveram os argelinos com os ingleses, cuja frota, comandada por Lord Exmouth, a 29 de Agosto de 1816 bombardeia o porto de Argel, tendo então morrido 800 ingleses e 4000 argelinos, pois estes últimos defenderam cara a invasão da cidade.
Esta política mediterrânica das potências europeias teve como resultados, para não irmos mais atrás, que o Egipto só se tornou independente dos ingleses em 1922; a Líbia em 1943 dos italianos, mas dos franceses e ingleses só em 1951; a Palestina, ocupada pelos ingleses até 1948, está como se sabe; Marrocos livrou-se dos franceses em 1956, a Tunísia em 1967 e a Argélia venceu-os em 1962. Marrocos ainda tem “enclaves” espanhóis e os ingleses ocupam Gibraltar desde 1713, tendo-se mantido em Malta até 1964. Tudo problemas não resolvidos no século XIX.
A 14 de Dezembro de 1880, numa longa carta a Pinheiro Chagas, Eça de Queirós resume assim ironicamente a utilidade do bei de Tunes: «Sabe você o que eu fiz numa destas agonias, sentindo o moço da tipografia a tossir na escada, e não podendo arrancar uma só ideia útil do crânio, do peito, ou do ventre? Agarrei ferozmente da pena e dei, meio louco, uma tunda desesperada no bei de Tunes…
No bei de Tunes? Sim, meu caro Chagas, nesse venerável chefe de Estado, que eu nunca vira, que nunca me fizera mal algum, e que creio mesmo a esse tempo tinha morrido.
Não me importei. Em Tunes há sempre um bei; arrasei-o».
(Eça de Queirós Correspondência, 2008, I, p. 282).
Khadafi não é o bei de Tunes de Eça. É o bei de Tripoli dos dias de hoje. Como vimos, a Líbia, tal como Marrocos, Argélia, Tunísia, Egipto e Palestina, foi um dos países tristemente colonizados pelas potências ocidentais até tempos recentes. Em nome da civilização do petróleo e da geoestratégia ditada pelo canhão e não por quaisquer outros valores, e muito menos os cristãos.
O coronel Khadafi é um tiranete e, entre o povo líbio, há quem o endeuse e quem o deteste, como creio que acontece com outros líderes em quase todos os povos que foram colonizados e que têm desde então de se afirmar. Mas dará isso direito aos coronéis Sarkozy, Obama, Cameron e Barroso de bombardearem Tripoli como os ingleses de outrora? Estes coronéis, perdidas que foram as guerras do Vietnam e da Coreia do Norte, estando por resolver o impasse do Afeganistão, dos Balcãs, do Caucaso, do Iraque e da Palestina, querem agora criar uma nova frente de guerra?
Deviam lembrar-se que «não há semente mais fecunda do que uma gota de sangue de mártir, sobretudo quando cai num solo tão preparado para que ela furtifique» (Eça de Queirós, Ecos de Paris).
Pouco aprenderam com os desastres de outrora, estes novos coronéis. E quando não lhes ocorre melhor ideia, atiram-se ao bei de Tripoli, de Tunes, de Argel, do Cairo ou outro qualquer mais à mão, escondendo assim a sua falta de ideias para resolverem os graves problemas que grassam na Europa ou nos EUA. Na prática estão a aplicar os dividendos dos juros da dívida soberana que umas misteriosas entidades internacionais vão sacando aos governos dos países periféricos com a conivência das «grandes potências» e do «mercado», os bezerros de ouro que agora dizem que temos de adorar.
Mas não querem, para já, o bei de Tripoli: as guerras não se fazem para serem rápidas, pois de outro modo não são lucrativas. Sabemos, sempre soubemos, quais são realmente os “valores” dos que atacam o bei de Tunes ou o de Tripoli. Não esperem pelo meus aplausos.

J. A. Gonçalves Guimarães

O Progresso da decadência

Nota da redacção:
O texto que a seguir se transcreve foi-nos enviado por um confrade amigo. Tem uma linguagem que alguns podem considerar, num ou noutro passo, licenciosa. Esses fazem o favor de passar o texto à frente e não o ler. Consideramo-lo um testemunho pessoal interessantíssimo sobre a influência que Eça pode ter na vida e na inteligência das pessoas. Por isso o reproduzimos aqui com a devida vénia ao autor e ao jornal O Estado de S. Paulo.

«O País perdeu a inteligência e a consciência moral. Não há princípio que não seja desmentido nem instituição que não seja escarnecida. Já não se crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta a cada dia. A agiotagem explora o juro. A ignorância pesa sobre o povo como um nevoeiro. O número das escolas é dramático. A intriga política alastra-se por sobre a sonolência enfastiada do País. Não é uma existência; é uma expiação. Diz-se por toda a parte: "O País está perdido!" (...) Por isso, aqui começamos a apontar o que podemos chamar de "o progresso da decadência”».
Não fui eu quem escreveu isso. Foi José Maria de Eça de Queirós, em 1871. Esta era a introdução de As Farpas que lançou com Ramalho Ortigão, ainda em Coimbra. Tinha pouco mais de 20 anos quando começou a esculachar em panfletos a mediocridade portuguesa no século 19, que nos legou essa herança lamentável. Nada mais parecido conosco.
Esses textos de Eça, reunidos sob o título de Uma Campanha Alegre, foram justamente os primeiros que me caíram na mão. Fiquei deslumbrado com a crítica social e de costumes. Não sabia que isso existia - eu era um menino. Creio que minha vida de jornalista de TV, rádio e jornal foi remotamente influenciada por ele. E revendo sua vida na internet, lembrei que Eça de Queirós nasceu em 25 de novembro de 1845 - daqui a uma semana. Assim, resolvi escrever de novo sobre ele.
Esse homem foi a maior paixão de minha vida. Com ele aprendi tudo: minha pobre escritura, o ritmo de seu texto, a importância do humor, do sarcasmo, e muito sobre a nossa ridícula loucura ibérica. Depois, descobri um livro roído de traças na casa de meu avô: O Primo Basílio, que minha avó tentou proibir ("Isso não é para criança!..."). Li-o, claro, e minha vida mudou. Era como se toda a névoa confusa da infância, minha família difícil de entender, vagas tias, vultos, rezas, tristes salas de jantar, secos padres jesuítas, tivesse subitamente se dissipado. O mundo ficou claro, através das personagens de Eça. Ali estavam explicados os arrepios de horror diante do teatrinho pequeno-burguês do Rio. O primo Basílio chegava com sua vaidade brutal e encarnava os cafajestes brasileiros, o padre Amaro me decifrava a tristeza sexual das clausuras do Colégio Jesuíta, o Conselheiro Acácio era a burrice solene de professores e políticos, Damaso Salcêde espelhava centenas de mediocridades gorduchas, Gonçalo Ramirez era o frágil caráter de hesitantes como eu. E vinha Thomaz de Alencar com sua literatice melancólica, vinha o banqueiro Cohen, esperto e corno, flutuava no ar o cheiro enjoado da Titi Patrocínio da Relíquia e, claro, as coxas de Adélia, sem falar no supremo frisson do famoso "minette" do primo Basílio na "Bovary" Luiza (razão básica da proibição alarmada de minha avó). E não só o desfile dos medíocres, mas as fileiras dos heróis ecianos: Carlos da Maia, João da Ega, Jacintho de Tormes, Fradique Mendes - cultos, elegantes, ricos, irônicos e corrosivos. Eça me dava a alma viva do século 19, atacando a estupidez endêmica, os sebastianistas de secretaria, os burocratas pulhas, os melancólicos de charutaria, os políticos demagogos, a burrice épica de um Pacheco ou do Conde de Abranhos - que fartura! Era uma sociologia ficcional de nosso destino de fracassados.
Eu o amava tanto que – acreditem-me postava na porta do colégio na hora da saída, para ver passar um homenzinho da vizinhança ali de Botafogo que era um sósia de Eça. Quem seria? Um bancário, um contador, quem? Tinha o rosto enfezado por um fígado ruim (como o Eça) que lhe franzia a boca num escárnio risonho. Tinha a mesma pastinha de cabelo sobre a testa curta, o olho rútilo, o mesmo bigode, o gogozinho de pássaro, os braços de cegonha, a palidez biliosa. Só lhe faltava o monóculo cravado no olho irônico. Vê-lo passar me encantava como diante de um ressuscitado. Em vez de correr atrás de meninas, eu fazia isso. Pode?
Até hoje, quando vejo a TV Câmara ou TV Senado, aquelas ricas jazidas de imbecilidades, vendo as caras, frases e gravatas, eu ainda penso: "Será que esses caras aí nunca leram Eça de Queirós?" Não. Nada. Eles navegam intocados em sua vaidade estúpida, em sua impávida ratonice.
Entre Machado de Assis e Eça de Queiroz sempre preferi o português ao nosso grande mulato. "Ah... porque o Machado é bem mais sutil!..." - diz-se, comparando-se, por exemplo, Capitu à Luiza do Primo Basílio (que o próprio Machado, ciumento, acusou de plágio da Eugenie Grandet). "Ahhh!... porque o Machado tem mais níveis de significação, mais complexidade psicológica, etc. e tal..." É verdade. Também acho. O grande Machado atingiu subtons que Eça nem tentou, por escolha. Machado é mais inglês; Eça é saído das costelas de Flaubert, Balzac e Zola e funda uma literatura caricatural contra as perdidas ilusões ibéricas, com um riso deslavado, com uma proposital "falta de sutileza" que resulta depois finíssima. Eça cria um realismo quase carnavalizado, sem anseios de transcendência. Machado é mais "nauseado". Deixa-se envolver por um pessimismo que o claro riso de Eça recusa. É verdade que as personagens de Eça não são tão "livres" quanto em Machado. O "tipo" eciano não tem grande "complexidade"; mas isso talvez seja o que nossa mediocridade social merece. Ele não cria personagens com uma psicologia sofisticada. Para ele, somos mesmo "tipos". Como em seu neto Nelson Rodrigues, há nele uma superficialidade "profunda", muito atual neste tempo em que os valores idealizados caíram no chão. Eça é um escritor político. Ele nos exibe o ridículo das figuras que se consideram nossos "timoneiros" do alto de sua gravidade falsa, com seus interesses mesquinhos no bolso dos jaquetões.

Arnaldo Jabor

Publicado em O Estado de S. Paulo, a 16 de Novembro de 2010

Antero de Quental por Helder de Carvalho, 2008.

Rostos e Pessoas

No Museu da Póvoa de Varzim o escultor Helder de Carvalho apresenta ao público até 3 de Abril uma exposição de retratos, rostos, bustos e figuras de conhecidas personalidades do mundo do Pensamento, da História, da Arte, da Música, da Literatura e da Medicina, desde o Padre António Vieira até Corino de Andrade, de Flávio Gonçalves a Paula Rego, de Carlos Paredes a Albano Martins e muitos outros rostos e figuras das nossas maiores referências.

Na procura da sua vera efígie o autor utilizou as técnicas de desenho, pintura e modelagem para lhes fixar os caracteres físicos e a expressão íntima.

Bronzes de Beatriz

No palácio Balsemão, à praça Carlos Alberto no Porto, entre 4 e 29 de Abril, estará aberta ao público uma exposição de bronzes de Beatriz Pacheco Pereira, com quatro dezenas de peças representando figuras masculinas e femininas vistas pela fundadora do Fantasporto.

Tese de Mestrado

Na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Brasil) foi apresentada em 2007 por Flávia Regina Oliveira Leão a dissertação para a obtenção do grau de Mestre em Literatura, “A diferenciada construção da personagem em Eça de Queiroz & Trindade Coelho: Singulariedades de uma rapariga loura e Manuel Maçores”, a qual foi orientada pela Prof.ª Doutora Maria José Goido Palo. A autora fez «uma aproximação estilístico-literária entre [os] dois contos… através da descrição comparativa da construção das suas personagens. Sabendo-as transitórias e transitivas entre duas realidades, a romântica e a realista…».
Cita no seu trabalho, a propósito de Eça, estudos de Ernesto Guerra da Cal, Wayne Booth, Mikhail Bakhtin e Jean Starobinski, e de Trindade Coelho, os de Segolin e ainda os de Lukács e Barthes.

Eça de Queirós por Augusto dos Santos, 1929.

Um busto de Eça

Fomos descobrir um desconhecido busto de Eça datado de 31 de Outubro de 1929 na Livraria Manuel Santos, Old & Rare Books, na Rua Professor Urbano de Moura, Centro Comercial VilaGaia, Loja 18, em Vila Nova de Gaia, perto da estação ferroviária das Devesas, que aqui reproduzimos com autorização do seu proprietário, que não o vende, por ele ser uma recordação pessoal de seu avô Augusto Lino dos Santos, notável barrista natural de Coimbrões (1888-1968) que foi também comandante dos Bombeiros Voluntários locais.


Jornadas culturais em Mogadouro

Como já noticiamos, a Câmara Municipal de Mogadouro e a Confraria Queirosiana vão levar a efeito as 1.as Jornadas Culturais de Mogadouro para recordarem os 150 anos do nascimento de Trindade de Coelho e homenagearem o escritor J. Rentes de Carvalho em Estevais de Mogadouro. O programa conta já com a participação de vários historiadores e literatos que aceitaram associar-se à iniciativa.
As inscrições para participação podem fazer-se junto da autarquia ou da Confraria Queirosiana.

Vinho espumoso Eça
Vinhos de Eça

Para além das comidas, desde o «pão quotidiano» até à mais requintada iguaria, também na obra de Eça existem alusões aos vinhos, tema esse já tratado, nem sempre com propriedade, por vários autores.
Por outro lado existem no mercado vinhos com alusões queirosianas ou de homenagem ao escritor. A própria Confraria criou o Porto reserva tawny “Confraria Queirosisana”, o Douro tinto reserva 2000 “Fraga Douro homenagem ao Marquês de Soveral” e o vinho espumoso “Eça”; a Fundação Eça de Queirós, produz o vinho verde “Tormes” e outros existiram ou existem capazes de satisfazerem as alusões à vida e obra do autor de Os Maias.
Como o assunto vinho é de primordial importância nacional, a Confraria Queirosiana decidiu criar o vinhosdeeca.blogspot.com, à vossa saúde!
E, já agora, passamos das companhias do cafezito para o brinde com Porto. É que o vinho é produzido em Portugal e o café ainda não.

Beber um Porto, ou não, com:

Sim, gostaria de beber um Porto com:

Howard Davies, director da London School of Economics, por ter aceitado dinheiro da Líbia e se ter demitido por isso, coisa rara num político; Artur Agostinho, um homem divertido; Elizabeth Taylor, pela recordação da sua beleza.

Não, não me apetece brindar com:

Saif al-Islam, filho de Khadafi, suspeito de pelágio na sua tese de doutoramento obtida na London School of Economics; Mira Amaral, o engenheiro que já nos quis vender centrais nucleares.

Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 30 – Sexta-feira, 25 de Março de 2011
Cte. n.º 506285685 ; NIB: 001800005536505900154
IBAN:PT50001800005536505900154;Email:queirosiana@gmail.com;
confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com;
coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redacção: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral;
colaboração de J. Rentes de Carvalho; Teresa Sanches; Manuel Santos

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Eça & Outras

Pelo mito é que vamos

Suponho que uma das mais estranhas idiossincrasias dos portugueses é a de se recusarem a conhecer a sua verdadeira natureza, a sua real maneira de ser, a sua imagem sem retoques, nua e crua, diríamos.

Donos de uma história invejável por mérito próprio, desde tempos remotos que atribuem os seus feitos à intervenção divina, para assim também se escudarem quando a coisa corre mal: a culpa é então de Deus e dos santos, do destino, do azar, os quais, como se sabe, são imprevisíveis e inatacáveis. É inútil tentar assacar-lhes culpas, logo, quanto a percebermos os fracassos, estamos falados.

Mas, ao longo dos tempos, também se foram criando mitos de estimação que mascararam a realidade histórica: um dos mais hilariantes foi o da nossa marinha de guerra. Portugal sempre foi um país de pescadores, marinheiros, navegadores de cabotagem, marinheiros-mercadores, capitães de navios mercantes de pau-brasil, de pimenta e outras mercearias, vinho e presuntos para lá, açucares e couros para cá, gente que embarca e vai à vida e gente que chega nela metida à força pela água benta das circunstâncias.

Os barcos mercantes de longo curso tinham canhões para se defenderem dos piratas e para obrigarem os locais a negociar com os recém-chegados (nós). Volta e meia eram escoltadas por uma remendada fragata de guerra; duas, quando a frota mercantil era grande.

Pois bem; quem ler a historiografia nacional disponível só encontra «marinha de guerra». A mercante, a que trouxe a este país comida, dinheiro e a bazófia possíveis, pura e simplesmente desapareceu; para os «historiadores da nau de pedra», leia-se almirantes reformados metidos a historiadores, pura e simplesmente não existe.

Outro mito é o do Douro vinhateiro pombalino, com as encostas do vale cheias de vinhedos e «exportadores de Vinho do Porto» a encherem a Bolsa e a Feitoria, passando-se por cima das realidades geográficas, estatísticas, económicas, sociais e as outras que se quiserem conhecer. Todos sabemos que ninguém come vinho, pois ele só dá para beber e vender. Mas é assim que a historiografia nacional fala do Douro, como se lá não tivesse havido mais qualquer outra agricultura, mesmo ao lado ou destruída pela monocultura da vinha (quando, em que tempo, em que circunstancias?). E assim o Douro cerealeiro, madeireiro, sumagreiro, corticeiro, fruteiro e produtor de azeite, desapareceu ou aparece timidamente, como se fosse o parente bastardo saído das fragas com as tamancas a sujar as alcatifas dos turismos, que inventaram caves onde há armazéns e especializações vinícolas anacrónicas para quem vendia de tudo o que o Douro dava, mas não esquecendo que só algum vinho é “fino”. O Douro dos grandes vinhos mundiais (pois então!), para sua desgraça, mas também esperança, não foi, não é, e não será nunca, só vinho.

Por fim, as biografias. Estamos numa fase de afã biográfico e, finalmente, elaboram-se relatos credíveis de várias figuras históricas. Mas o motivo nem sempre é o melhor: as mais das vezes é apenas o pôr o Rei D. Carlos ou algum dos seus ministros num espectáculo televisivo para lhes assacarem “os podres”, os banalizarem, quando não, achincalharem, tornando-os “iguais” à populaça que vive de mitos e de subsídios. Dizem que andam à procura do “ser comum” que também foram. Ora o ser comum não passa disso mesmo, comum, vulgar, igual e, o que é pior, normalmente baixo, mesquinho e pronto a cometer qualquer crime só porque o seu clube de futebol não marcou golo. Ora o que fez a grandeza dos grandes homens e das grandes mulheres não foi o facto de serem comuns, mas melhores, diferentes para melhor. Os seus erros e defeitos não serão para esquecer, omitir ou ignorar; mas não são certamente para emoldurar. O igualitarismo pode ser bom para as paramécias; na espécie humana é um mito. E bastante mau, como se viu no século que passou e já neste, se quisermos olhar à volta.

Por fim, o “nosso” Eça, também tem sido mistificado quanto baste. Ainda recentemente uma professora de português me afirmava com o ar mais convicto deste mundo que ele morou onde foi poucas vezes, que escreveu romances onde só tirou apontamentos (na melhor das hipóteses) e que num deles tinha contado a vida da senhora fulana de tal que nem sequer é do seu tempo. Que Eça é que ela andará a ensinar aos seus alunos é que não faço ideia, mas o escritor, o Eça de Queirós, não será com certeza. Mitos, mitos é do que esta gente gosta. E quando já não funcionam, inventa-os!

J. A. Gonçalves Guimarães

Carta inédita de Eça

No passado dia 6 de Fevereiro o mensário Notícias de Colmeias publicou um artigo de Ana Teresa Peixinho e Joaquim Santos intitulado “Um inédito de Eça de Queirós: contributo para o seu epistolário” no qual apresentam uma carta que o escritor enviou de Paris a Luís de Magalhães, a 15 de Novembro de 1894, a propósito do artigo que Eça andava a escrever para o livro de homenagem a Antero, enquadrável no que chama «literatura de devoção» contrapondo-a à «literatura de obrigação», aquela que produzia como profissional das letras, e que lhe era paga.

Como é sabido, saiu depois o texto «Um génio que era um santo».

Pintura de Sílvia Patrício

Procurando que esta página condense “tudo” o que se vai descobrindo, estudando, publicando e divulgando sobre Eça de Queirós, a sua vida e a sua época, bem assim como sobre a actividade dos sócios e confrades dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, na realidade tal tarefa será sempre incompleta se não tiver a colaboração de muitos amigos. E precisamente pela mão amiga do Dr. Joaquim Santos, director do Noticias de Colmeias, chegou-nos agora o catálogo intitulado “Essa Paixão Proibida” da exposição com o mesmo título que esteve presente em Leiria em 2007 na qual aquela pintora apresentou quadros, a acrílico e óleo, e estatuetas sobre “O Crime do Padre Amaro”, num figurativismo bem conseguido e muito próximo do realismo fantástico e do ilustracionismo.

Jantares queirosianos

Prosseguem em Lisboa os jantares queirosianos organizados pela Fundação e pelo Círculo Eça de Queirós, Grémio Literário e Centro Nacional de Cultura.

No passado dia 21 de Fevereiro decorreu no Grémio e teve por oradores Guilherme d’Oliveira Martins e Campos Matos para o tema em presença «Os costumes e a vida social», tendo como moderador José Augusto França.

Curso sobre Eça de Queirós

A partir do próximo mês de Outubro terá lugar no Solar Condes de Resende a segunda edição do curso sobre «Eça de Queirós, sua vida, sua obra, sua época» organizado pela Academia Eça de Queirós, o qual decorrerá ao longo de 12 sessões até Março de 2012. O curso conta com a colaboração dos investigadores que mais recentemente se debruçaram sobre esta temática e a concretizaram nas suas teses de doutoramento.

Exposição Rocha Peixoto


Como anunciamos no número anterior, abriu ao público no passado dia 5 de Fevereiro no Solar Condes de Resende a exposição sobre o centenário de Rocha Peixoto organizada pela Biblioteca Pública Municipal da Póvoa de Varzim, aí representada pelo seu director Dr. Manuel Costa que dissertou sobre a mostra e elencou depois as actividades que o município poveiro desenvolveu durante o centenário. Na ocasião foram também apresentados pela sua directora, Dr.ª Maria da Conceição Nogueira, os n.os 43 e 44 do Boletim Cultural dedicados a Rocha Peixoto.

Do Município gaiense estiveram presentes César Oliveira, presidente da Assembleia Municipal, e Maria Amélia Traça, vereadora da Acção Social. E também Hélder de Carvalho, autor da estátua de Eça no Solar Condes de Resende e de Rocha Peixoto na Póvoa, que ali inaugurou uma exposição dos seus trabalhos no dia 23 passado.

Rocha Peixoto foi o último secretário e colaborador da Revista de Portugal fundada por Eça de Queirós, conforme se pode reler em artigo publicado no Boletim n.º 43 acima referido.

6.º Fórum Internacional de Sinologia

Decorre nos dias 24, 25 e 26 de Fevereiro no auditório do Museu do Oriente dedicado ao centenário da República da China. O mesário-mor da Confraria Queirosiana estará presente com uma comunicação intitulada «O caso das chinesas curandeiras de Lisboa que queriam pôr os cegos a ver no primeiro ano da República Portuguesa».

Será igualmente lançado o n.º 6 da Revista de Estudos Chineses – Zhongguo Yanjiu, a qual apresenta um artigo sobre «O Núcleo chinês da Colecção Azuaga: o coleccionismo como lazer», da autoria de J. A. Gonçalves Guimarães e Susana Guimarães.

Curso de Joalharia

No Solar Condes de Resende, nos próximos meses de Maio e Junho aos sábados à tarde, entre as 15 e as 17 horas, decorrerá um curso livre sobre História da Joalharia em Portugal, ministrado pelo Prof. Doutor Gonçalo de Vasconcelos e Sousa, professor da Universidade Católica e reconhecido especialista em arte sumptuária.

O curso é organizado pela Academia Eça de Queirós e conta com o patrocínio da Gaianima, EEM.

Longo é o tempo

É o título do novo livro de poemas de Maria Virgínia Monteiro editado pela Singular/Plural com o apoio da Gaianima, EEM.

Coroando uma já extensa produção poética desta autora, este novo livro apresenta alguns «pequenos poemas da gaveta», e outros «não pequenos», em que o tempo é apresentado como a divindade que condiciona o percurso pelos «caminhos toscos da vida» num «recordar», neste caso em verso, palavras ritmadas em que a musicalidade as faz arte.



Ir tomar café, ou não, com:

Não me apetece ir tomar café com:

Colin Powell, porque a ingenuidade tem os seus limites; Hosni Mubarak, o presidente que julgava ser faraó; Karl Theodor Guttemberg, mais um “doutorado” da era pós-Bolonha; Muammar Khadafi, porque quem não percebe a história acaba mal; Rui Pereira, o ministro que deixou os direitos dos cidadãos nas mãos dos informáticos;

Sim, gostaria de tomar café com:

Elias Chacour, o patriarca da tolerância entre religiões; Seabra Santos, ex-reitor da Universidade de Coimbra que a soube gerir;

Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 29 – Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2011
Cte. n.º 506285685 ; NIB: 001800005536505900154
IBAN:PT50001800005536505900154;Email:queirosiana@gmail.com; confrariaqueirosiana.blospot.com;
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coordenação da página:J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redacção: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; Colaboração Nuno Resende.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Eça & Outras


Novidades? Novidades… não há!

A 28 de Junho de 1849 (já lá vão mais de 161 anos!) o jovem deputado Fontes Pereira de Melo fazia o seguinte discurso na Câmara dos Deputados (antepassada da actual Assembleia da República):
«Se o Governo entende que não é possível organizar a fazenda pública senão cortando aos empregados e aumentando os tributos, então Sr. Presidente, parece-me que nunca se há-de resolver a questão da fazenda. Estou convencido que Sua Ex.ª o Sr. Ministro da Fazenda, sabe que há fontes de riqueza nacional muitíssimo importantes e de onde se podem retirar muitos recursos. E logo, a que vem dizer-se que estamos à borda de um abismo?
Não estamos à borda de um abismo e não diz que estava à borda de um abismo senão quem não sabe dirigir as coisas; só o diz quem não sabe do País metade; há muitas riquezas nacionais que se podem desenvolver e fazer prosperar e eu não posso admitir que qualquer ministro da Fazenda diga que estamos à borda do abismo.
Não estamos, Sr. Presidente, há salvação para tudo!».
Era então Costa Cabral presidente do governo, um dos muitos «salvadores da pátria» que Portugal já teve, tem e pelos vistos há-de continuar a ter até que uma nova geração de gente limpa de mente se agarre ao trabalho, à inteligência e ao saber fazer. O resto é retórica para entreter a nossa cíclica desgraça.
Alguém por acaso sabe de cor como se chama o presidente da república da Suíça? E o primeiro-ministro da Noruega? Suponho que os suíços e os noruegueses o saibam e também supomos que lhes estão agradecidos por governarem bem aqueles países onde não se cortam os salários a uma parte da função pública, enquanto o Estado gasta dinheiro a encobrir ou a amenizar a péssima ou mesmo miserável gestão da coisa pública. E, como vemos, já assim foi em 1849. Hoje, ainda sabemos quem foi Fontes Pereira de Melo, curiosamente então alcunhado de “cavaquinho”, e o que fez pelo país. Escapou-lhe, não soube, ou não pôde melhorar “a raça”, como então se dizia, falando de burros ou de pessoas, com Vossa licença!
Algumas décadas depois, quando já também o fontismo tinha passado, escrevia Eça de Queirós nas Notas Contemporâneas: «No nosso canto, com a azulada doçura do nosso céu carinhoso, a contente simplicidade da nossa natureza meio árabe (duas máximas condições para a felicidade na ordem social), nós temos, ao que parece, todas as enfermidades da Europa, em proporções várias – desde o deficit até esse novo partido anarquista que cabe todo num banco da Avenida. E desgraçadamente, além destes males, uns nascidos do nosso temperamento, outros traduzidos do francês, morremos a mais de outro mal, todo nosso, e que a Grécia, menos intensamente, partilha connosco: - é que, enquanto contra as tormentas sociais nas outras naus se trabalha, na nossa rota e rasa caravela tagarela-se! Tagarela-se num desabalado fluxo labial, cuja qualidade, desde 1820, não tem deixado de decair, da eloquência degenerando na loquacidade – da verbosidade descambando na verborreia!».
Alguém sabe como se chama o primeiro ministro do Luxemburgo? E o chefe de estado da Nova Zelândia? Mas sabemos que ainda há países felizes no planeta. Não têm é «salvadores da pátria» ao virar de cada esquina, mas apenas gente que trabalha e que não se apropria do trabalho alheio em proveito de si ou do seu grupo de interesses.
Algum dia teremos redenção?

J. A. Gonçalves Guimarães

Nelson Cardoso

No passado dia 19 de Janeiro quando se encontrava em Salamanca à hora do jantar faleceu de doença súbita o nosso Confrade e Amigo Nelson Joaquim Sousa Silva Cardoso, sócio fundador dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, sócio de Honra com o grau de Mecenas, presidente do Conselho Fiscal e ex-presidente da Mesa da Assembleia Geral.
Na última década foi administrador e presidente da Gaianima EEM, a empresa municipal que faz a gestão do Solar Condes de Resende, da Casa-Museu Teixeira Lopes, da Biblioteca Municipal de Gaia, do Auditório Municipal, do Mosteiro de Corpus Christi, e ainda de diversos equipamentos desportivos. Era também vereador da Câmara de Matosinhos desde 2002.
Desde sempre ligado à gestão de projectos na área da Cultura e do Desporto, muitos o recordarão como delegado do FAOJ no Porto e o apoio que então deu, entre muitas outras acções, às escavações arqueológicas na Serra da Aboboreira em Baião através do Grupo de Estudos Arqueológicos do Porto (GEAP) que editou a revista Arqueologia.
Grande Amigo e animador da Confraria Queirosiana, sempre presente nas suas realizações, acarinhava e perspectivava todos os projectos que valerão em termos de futuro.
A Confraria perdeu assim um Amigo e um activista de realizações culturais vivas, sólidas, consistentes e sustentáveis. A melhor homenagem que a associação lhe pode prestar é continuar a desenvolver todos os projectos que mereceram a sua empenhada atenção e concretizá-los com sucesso, como acontecia com tudo aquilo em que era o capitão da barca que navegava, ainda que por entre procelas e baixios, mas que sempre levava a bom porto.
O seu funeral, que decorreu no passado dia 22 de Janeiro da igreja da Sr.ª da Hora para o cemitério de Custóias, constituiu uma enorme manifestação de pesar na qual se incorporaram autarcas de Gaia, Matosinhos, Porto e Marco de Canaveses, deputados europeus, nacionais e locais de vários quadrantes políticos, muitos funcionários autárquicos e dirigentes associativos, e também muitos amigos e confrades da Confraria Queirosiana que acompanharam o féretro até à sepultura.
Há homens e mulheres que não querem morrer sentados ao canto da lareira: Nelson Cardoso era com certeza um desses. Partiu no seu posto de homem activo e interveniente, no trabalho, na cidadania, nos afectos que cumpria com firmeza, e com a elegância de uma ironia algo queirosiana. Deixou-nos um vazio muito grande onde agora a sua memória e o seu exemplo se expandem como a luz do luar pelas praias de Matosinhos e Gaia, nos dias em que sempre assim as veremos.


Carlos Reis entrevistado

No n.º 130 de 3 de Outubro passado o jornal Notícias de Colmeias (Leiria) publicou uma extensa entrevista com o Professor Doutor Carlos Reis, ilustre queirosiano, Reitor da Universidade Aberta e homem da cultura lusófona no Mundo, do qual dá também uma breve biografia. Entre muitos outros pensamentos com pertinente actualidade, afirmou este professor de Coimbra: «Eça foi um dos maiores portugueses de sempre: um homem que amou o seu país sem ter de escrever odes sobre ele; que conheceu Portugal e os portugueses como poucos; que reinventou a língua portuguesa; que teve a coragem de cultivar a ironia e o humor num país cinzento. Tudo isto e ainda um precursor: a nossa modernidade literária (incluindo alguns aspectos do super-modernista Fernando Pessoa) está prenunciada em Eça… Portugal não seria o que é sem Eça. Ou seja: nunca conheceremos suficientemente o país, se não lermos quem tão bem descreveu e caracterizou a gente, a terra e a sociedade portuguesas». E, mais abaixo, pergunta: «Que é feito dos valores da honradez, da seriedade, da lealdade, da justiça e do bom gosto? Talvez por isso algumas grandes empresas (infelizmente não ainda em Portugal) começam a incorporar nos seus quadros pessoas com formação humanista… Mas não há como ignorar: o eterno provincianismo português está rendido à ideologia da tecnologia…».

Confluência queirosiana

Já em 2009 a Confraria Queirosiana tinha proposto a criação de um secretariado permanente das instituições queirosianas portuguesas e brasileiras, o qual englobasse, para além da proponente, o Grémio Literário (Lisboa) a Biblioteca Pública da Póvoa de Varzim, o Círculo Eça de Queirós (Lisboa) a Sociedade Eça de Queirós do Recife (Brasil) a Fundação Eça de Queirós (Baião) e, eventualmente, alguma outra existente e cuja actividade se ignora, pois não faz sentido que as instituições com o mesmo patrono trabalhem cada uma para seu lado.
Recentemente, em Dezembro do ano passado, o Círculo Eça de Queirós, o Grémio Literário, o Centro Nacional de Cultura e a Fundação Eça de Queirós, «decidiram associar-se para promover a divulgação e reflexão sobre a vida e obra de Eça de Queirós, que pelo seu sentido crítico, ironia e poder de análise social continua a ser um escritor da actualidade». Para tal organizaram um debate seguido de jantar a 10 de Janeiro passado com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa e António Vitorino, tendo como moderador António Barreto. Neste ciclo haverá ainda mais quatro jantares queirosianos com alguns outros palestrantes.
É, sem divida, um primeiro e importante passo de convergência queirosiana que, para além do seu interesse imediato, pode vir a ter importantes reflexos futuros na difusão da Cultura Portuguesa entre nós e também um pouco por todo o mundo.

Eça e a Imprensa inglesa

No próximo dia 31 de Janeiro, pelas 18.30 horas, Teresa Pinto Coelho, professora da Universidade Nova de Lisboa, fará na biblioteca do Grémio Literário a apresentação do seu livro “Londres em Paris: Eça de Queirós e a Imprensa Inglesa” das Edições Colibri. A obra será apresentada por Teresa Buescu da Universidade de Lisboa e por Tom Earl da Universidade de Oxford, a que se seguirá uma mesa redonda.

Camilo e Eça

No Jornal de Letras de 12 de Janeiro passado a Professora Doutora Beatriz Berrini, a maior especialista brasileira em Eça de Queirós dá conta da sua descoberta em 1986 em S. Paulo (Brasil) de 111 cartas inéditas de Camilo ao visconde de Ouguela, para as quais ainda não encontrou editor! De entre elas publica neste número do JL duas cartas em que Camilo se refere a Eça de Queirós. Na primeira afirma: «Já te disse que gostei do Primo Basílio…. O autor… mediu bem a extensão do espírito português. Dá-lhe o cenário competente, e os personagens indígenas. Pouco importa que Flaubert os tenha análogos».
Na segunda: «Este livro [O Crime do Padre Amaro] seria quase perfeito, se o Eça conhecesse a língua um pouco estofada e gordurosa de Frei Luís de Sousa».
Enfim, sobre os dois grandes escritores estamos ainda muito longe de estar tudo dito.

Eça de Queirós em S. Paulo, Brasil

Está a ser preparada uma exposição internacional sobre Eça de Queirós em S. Paulo, Brasil, comissariada pelo arquitecto A. Campos Matos e com o apoio de diversas instituições portuguesas que para a mesma disponibilizaram documentos, iconografia e objectos que pertenceram ao escritor.
Esta exposição no grande país lusófono que tanto aprecia Eça de Queirós marcará com certeza o ano cultural.

Unidades Termais

No próximo dia 31 de Janeiro decorrerá no Complexo Termal do Luso a sessão de encerramento do projecto-piloto e de lançamento da obra “Uma abordagem Sistémica à Prevenção e Segurança no Trabalho em Unidades Termais” da autoria do confrade queirosiano Prof. Doutor Eng.º Fernando Manuel P. J. Silva. A participação é gratuita mas obriga a inscrição prévia obrigatória em ceties.poat@gmail.com.

Rocha Peixoto no Solar

No próximo dia 5 de Fevereiro, pelas 17.30 horas é inaugurada no Solar Condes de Resende a exposição itinerante organizada pela Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim sobre o centenário de Rocha Peixoto, o etnógrafo poveiro que foi também o último secretário da Revista de Portugal editada por Eça de Queirós.

Na ocasião será ainda apresentado o mais recente número do Boletim Cultural da Póvoa de Varzim pela sua directora Dr.ª Maria da Conceição Nogueira.

Exposição de Pintura

No próximo dia 10 de Fevereiro no Espaço PT Tenente Valadim, na cidade do Porto, pelas 18 horas, abre ao público uma exposição de Paisagens e Retratos do confrade queirosiano Major Simões Duarte, a qual estará aí patente até 28 de Fevereiro entre as 10 e as 18 horas.
Café queirosiano

Sim, gostaria de ir tomar café com:

Domingos A. Moreira, o pároco de Pigeiros especialista em Toponímia, tão humilde quanto sábio, tão ignorado quanto imprescindível e que nos deixou recentemente; Uderzo, co-autor com Gosciny do Asterix e que o fisco francês resolveu, agora, incomodar; Zahi Hawas, o arqueólogo que interrompeu o saque do Egipto pelas universidades estrangeiras.

Não, não gostaria de tomar café com:

Ben Ali, o ex-presidente da Tunísia corrido pelos tunisinos; José Lello, porque a água da torneira é boa para os eleitores que o elegeram.

Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 26 – Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011
Cte. n.º 506285685 ; NIB: 001800005536505900154
IBAN:PT50001800005536505900154;Email :queirosiana@gmail.com; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com;
coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redacção: Fátima Teixeira; colaboração: Nuno Resende; inserção: Amélia Cabral.



sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Eça & Outras

Sábado, 25 de Dezembro de 2010


J. Rentes de Carvalho
Tempo Contado

O mais recente livro de J. Rentes de Carvalho lançado entre nós (Tempo Contado) contém em si as mesmas singularidades que já outros analistas mais capazes tinham encontrado na sua obra anterior: uma ousadia pouco habitual na perseguição da verdade, seja lá isso o que for e sobre o qual não atinamos senão pela negativa. Sabemos o que é a mentira, o fingimento, o faz-de-conta, a aldrabice, a fantasia (essa sua meia-irmã mais meiga), a corrupção, a manipulação, as campanhas de intoxicação da opinião privada ou pública, o marketing, a publicidade, as crenças, as fezadas, as ideologias, as artes, os sistemas filosóficos e outros humanos devaneios, nossos ou que nos são propostos ou impostos. Mas não sabemos o que é a verdade. Podemos procurá-la bem perto, às vezes bem escondida dentro de nós, outras vezes circundando-nos, mas quase sempre não a queremos encontrar porque ela nos traz aborrecimentos, o WikiLeaks que o diga. Não, não, três vezes não! O tal sítio, o tal sujeito, não difunde verdade, e muito menos a verdade; difunde, isso sim, a sua descarada manipulação por governantes, embaixadores, militares, políticos, tudo gente que era suposto trabalhar para o bem da Humanidade, do povo a que pertencem e de cada um de nós. Mas não, eles passam a vida a difundir mentiras que gostariam que os outros acreditassem que fossem verdades, e, tal como qualquer comum mortal, têm birras terríveis quando alguém o descobre, o que revela o seu lado psicótico perigoso para, se mais não for, a liberdade. E isso sabemos o que é.
Mas, descendo à terra, a nossa vida quotidiana também é assim. Nos grandes assuntos, nas pequenas coisas comezinhas, todas elas com o tempo cada vez mais contado.
Este livro de J. Rentes de Carvalho lê-se como os anteriores: primeiro o todo e depois rebobinando a leitura, que desta vez, tratando-se de um diário dos anos 1994 e 1995, nem sequer tem a distracção de um enredo, de uma estória para acabar. O personagem é o autor, e toda a humanidade com ele, desde as gravuras do Côa, passando pela aldeia de Estevais até à cosmopolita Amsterdam, também hoje cidade de “muitas e desvairadas gentes”. Um imenso painel literário de muitas e desencontradas vidas em que o autor tropeça mas não fica indiferente, ou porque não pode ou porque não o deixam, e põe isso em livro, com a sua prosa enxuta de lirismos tolos e, muito ao contrário do que possa parecer, com muita oficina, muito lavor, muita arte. Supomos que deve ser assim a Literatura. Neste seu novo livro J. Rentes de Carvalho não deixa de, a seu modo, homenagear quem lhe propôs que assim fosse o ofício de escritor, e «…que exerceu uma influência determinante na minha formação», escreve a 22 de Maio de 1994 quando em Lisboa procura a cidade queirosiana, (pág. 19/20). E logo a 18 de Agosto continua: «Eça de Queirós não é só um dos meus escritores favoritos, mas aquele a quem eu como escritor sinto que mais devo. Ainda hoje me maravilho com a elegância da sua prosa e foi nos seus livros que descobri a maleabilidade da língua portuguesa, o poder da ironia, a arte magistral de numa frase retratar um carácter. A sua crítica impiedosa de Portugal, das instituições e da sociedade, ajudou-me, se não a aceitar, pelo menos a compreender as forças profundas que continuam a determinar o modo de ser do país em que nasci.
Por isso e mais, o respeito e a admiração que tenho por Eça de Queirós continuam intactos, não sofreram com os anos. Bem ao contrário. Mantenho até para com ele a pontinha de idolatria que me ficou da adolescência. E por vezes falo ao seu retrato. Li-lhe hoje as boas críticas com que tem sido recebida a tradução holandesa d’ O Primo Basílio e tive a impressão de que ele apreciou» (pág. 110).
Este Tempo Contado, sucessão de acontecimentos tão verdadeiros que até parecem inventados, teve com certeza em conta o que escreveu Eça em 1895 aos seus amigos Arnoso e Sabugosa: «Todas as outras ocupações humanas tendem mais ou menos a explorar o homem, só essa de contar historias se dedica amoravelmente a entretê-lo, o que tantas vezes equivale a consolá-lo. Infelizmente, quase sempre, os contistas estragam os seus contos por os encherem de literatura, de tanta literatura que nos sufoca a vida!». Neste seu livro J. Rentes de Carvalho apresenta-nos a nudez crua da verdade, deixando aos seus leitores a escolha dos mantos, diáfanos ou não, com que a queiram cobrir de fantasia. Mas depois não se lamentem. É que o nosso tempo está mesmo cada vez mais contado e cada vez nos damos mais conta «… de como o tempo de uma vida é um instante irrisório…» (p. 294). Por isso façam o favor de viver hoje e preparar o saco para amanhã. E pouco mais valerá a pena. A eternidade é este suceder de dias em que, em todos eles, nos descobrimos com Tempo Contado.

J. A. Gonçalves Guimarães


Novo livro de Dagoberto

O livro chegou e as vagas notícias e referências antes havidas materializaram-se agora nesta nova edição de crónicas ecianas intitulada D’Eça (Nabuco, Gilberto) e d’outros, de Dagoberto Carvalho J.or, com gentileza de dedicatória a este vosso amigo e ainda a Manuel Costa e Maria da Conceição Nogueira da Póvoa de Varzim; a Carolina e António Alberto Calheiros Lobo, de Espinho; a Isabel Macedo, de Oeiras de Portugal; a Laura e Armando Areias, do Recife; a Marco Santana de Oeiras do Piauí, um grupo de amigos dispersos que o autor irmanou na abertura deste livro prefaciado por Celso Barros Coelho, ex-presidente da Academia Piauiense de Letras, e por Fonseca Neto membro da mesma. Os capítulos sucedem-se trazendo à lembrança Joaquim Nabuco, Gilberto Freyre, Beatriz Berrini, Isabel Pires de Lima, Campos Matos, Dário Castro Alves e muitos outros unidos pela prosa, pensamento e culto de Eça de Queirós, com temas tão interessantes como o Natal, as Academias, a Confraria Eciana de Oeiras, os festejos de S. João e, coroando com Arte esta peregrinação literária e afectiva, o Canto da Lembrança e da Província, um caderno de poesia sobre a terra natal de Dagoberto e as imperecíveis memórias da infância posta em verso, essa forma de escrever em bronze literário o que se quer que perdure e partilhe.
Como já nos foi habituando noutras edições anteriores, é este também um livro de erudição e de coração, de afectos em volta da memória de Eça, que um dia escreveu que o Brasil tem «… um povo superiormente inteligente, provadamente activo, e escandalosamente rico…» (Cartas de Paris).

 
A minha família

No passado dia 21 de Dezembro, Francisco Barbosa da Costa lançou no Salão Paroquial de Canelas um livro sobre a sua família, as referências genealógicas a várias gerações de Barbosas, “Brasileiros”, Cavadas, Costas (Ferreiras) e Vigários, perpetuados nos seus filhos e netos.
Muito para além do interesse particular ou circunscrito ao grupo familiar actual, estes registos genealógicos, quando feitos com critério histórico, como é o caso, apresentam-nos as teias sociais que várias gerações foram urdindo desde o século XVII, a sua dispersão a partir das terras de origem, o seu lugar económico e social, a sua não menos importante relação de um núcleo familiar com os restantes com quem contactou, com quem se fundiu, com quem se cruzou.
Muito mais do que um exercício de curiosidade é assim uma obra de Historia Social que, de aparentemente pessoal, se transforma em referência para muitas outras pessoas e famílias. É só ir lá e puxar os fios da História.

Trindade Coelho
Jornadas Culturais de Mogadouro

Assinalando os 150 anos do nascimento de Trindade Coelho, advogado, político e escritor, a Câmara Municipal de Mogadouro e a Confraria Queirosiana vão realizar nos dias 18 e 19 de Junho de 2011 umas jornadas culturais que recordem aquela figura contemporânea de Eça de Queirós, mas que igualmente divulguem a cultura do nosso tempo que liga o espaço transmontano ao mundo através da obra do escritor José Rentes de Carvalho, nascido em Vila Nova de Gaia em 1930, filho e neto de naturais de Estevais de Mogadouro e que ainda hoje divide as suas origens portuguesas com as circunstâncias que o levaram a Amsterdam na Holanda e aí ter escrito sobre este nosso mundo actual das grandes cidades e dos pequenos recantos da Humanidade, das grandes questões internacionais e do dia-a-dia comum a milhões de viventes.
O programa, para além de pretender levar a Mogadouro os seus naturais na diáspora, em dois dias de convívio com os residentes, pretende igualmente ouvir e divulgar aqueles que através das memórias, da literatura ou da história têm novos contributos a dar sobre a vida e obra de Trindade Coelho ou de José Rentes de Carvalho e da moldura geográfica que une estes dois pensadores, um do século XIX e o outro do nosso século XXI.
Nesta primeira fase de divulgação destas jornadas ambas as instituições aceitam inscrições provisórias para participação, com ou sem comunicação, bastando para tal os interessados contactarem a Câmara Municipal de Mogadouro ou a Confraria Queirosiana.
À medida que o programa for enriquecido com as diversas participações, serão os inscritos contactados para a concretização da sua inscrição.
A organização destas jornadas prevê a sua conveniente divulgação, bem assim como a publicação atempada das respectivas Actas.
Ir tomar café, ou não, com

Dia de Natal, o apelo implícito à boa vontade, à tolerância, à pancadinha nas costas, ao deixa lá, que só encontra eco no cidadão comum bem formado, faz com que desejemos ir tomar café com muita gente, entre eles:
Julien Paul Assange, por ter feito por via pacífica o que outros tentaram pela força: mostrar-nos como o mundo é governado por crápulas, ridículos nos seus “segredos”, perversos ao executá-los, hipócritas ao defendê-los; Virgílio Teixeira, um cowboy português de Hollywood que partiu para a pradaria celeste; D. Duarte de Bragança, por querer ser timorense no melhor sentido da portugalidade fraterna e universal; Tozé Brito, por 40 anos de canções felizes com gente dentro; Isabel Fernandes, a museóloga dos museus vivos; Ana Gomes, porque alguém tem de gritar “o rei vai nu”; Blake Edwards, o pai da Pantera Cor de Rosa; Carlos Pinto Coelho, porque ainda Acontece.
Mas também nem com todo o espírito natalício possível e disponível me apetece ir tomar café com: Carlos César o político das excepções paroquiais; Gilberto Madaíl, porque além de bancos falidos também temos estádios falidos que ninguém quer custear.

Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 28 – Sábado, 25 de Dezembro de 2010
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J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redacção: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral;