segunda-feira, 25 de maio de 2015


Para a Professora Ana Maria Amaro,
com um ramo de flores de ameixieira

     Conheci a Professora Doutora Ana Maria Amaro nas 1.as Jornadas de Antropologia Cultural em Vila Nova de Gaia em 1987. Era então professora de Antropologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e veio falar-nos «Da canje de Garcia d’Orta à canja tradicional nortenha». Anos depois, em 1996, no 2º Congresso Internacional sobre o Rio Douro, falou sobre «Uma prática tradicional de substituição de inseticidas na cultura da vinha na Bacia do Douro», já então como professora do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa. Tinha-a então como uma antropóloga com interesses pelas manifestações interculturais. Até que um dia, regressando a casa após as aulas que dava à noite na Universidade Portucalense, durante o tardio jantar, vejo-a a falar sobre Macau num programa da RTP2, e só então fiquei a saber que era uma ilustre sinóloga que passara muitos anos a ensinar e a aprender em Macau e na China.
   No Solar Condes de Resende, na antiga Coleção Marciano Azuaga, existe um pequeno núcleo asiático que nunca tinha sido estudado. Escrevi àquela professora a dar conta da sua existência, que o veio ver com uma assistente, e desde aí iniciamos uma colaboração que perdurou no tempo. Fiquei então a saber que era a dinamizadora, desde 1997, dos Estudos sobre a China naquele Instituto, então ainda na Junqueira, onde organizava as Semanas Culturais da China, procurando a elas atrair os estudiosos nacionais e estrangeiros da civilização chinesa, das relações entre aquele grande país asiático e o mundo e sobre a presença de Portugal em Macau desde o século XVI. Tendo-me convidado para nelas participar, perante os meus poucos conhecimentos sobre aquelas matérias, propus-lhe que apenas poderia apresentar alguns aspetos das relações entre o Porto e a China, ou sobre a presença na região de produtos e pessoas daí oriundas, o que aceitou com interesse, pois não estavam então esses estudos sistematizados. E foi assim que desde 2001 e até 2013 participei naqueles fóruns internacionais que se realizaram em Lisboa naquele Instituto (que entretanto mudara para as novas instalações no Alto da Ajuda), e depois noutros locais, tendo publicado nas respetivas atas justamente intituladas “Estudos Sobre a China”, e noutras publicações, uma dúzia de artigos sobre aquela temática, bem assim como sobre «A Representação dos chineses na obra de Eça de Queirós». Entretanto em 1999 a Professora voltara ao Solar Condes de Resende para participar no Colóquio D. Pedro IV e a sua época, onde nos falou sobre a menina chinesa oferecida ao imperador do Brasil e a implantação do liberalismo em Macau. Em 2002 organizamos um curso livre sobre Introdução ao Estudo de Línguas Antigas, onde o chinês foi por si ensinado e pela sua assistente Mestre Irene Rodrigues; em 2003 aí recebemos a exposição “ O Mundo Maravilhoso dos Papeis Recortados chineses” que organizara em Lisboa, e em 2008 também aí tivemos a exposição de “Instrumentos Musicais Tradicionais Chineses”, com a colaboração da Embaixada da República Popular da China. Quando em 2008 o fórum veio a Gaia, aí apresentamos «O núcleo chinês da Coleção Marciano Azuaga: o colecionismo como lazer», em colaboração com Susana Guimarães, depois publicado no n.º 6 da Revista de Estudos Chineses que entretanto fundara. Tudo por sugestão, acompanhamento e ação da Professora, como carinhosamente lhe chamávamos. Entretanto, com as mudanças operadas em 2005 na direção do Instituto de Ciências Sociais e Políticas, entendeu que a ação do Centro de Estudos Chineses que dirigia não estava a ser valorizada, e por isso partiu a procurar outros locais para a continuar a exercer. Em 2006, com um conjunto de amigos e colaboradores, fundara o Instituto Português de Sinologia e a Revista de Estudos Chineses - Zhongguo Yanjiu, que passou a assegurar a publicação dos estudos apresentados nos “Fórum Cultural da China”, que sucederam àquelas “semanas”, entretanto realizados no Porto, em Vila Nova de Gaia, em Lisboa e em Leiria, cada vez mais prestigiados com a presença de grandes sinólogos de universidades de todo o mundo, mas a que as autoridades portuguesas, académicas e outras, pouca ou nenhuma atenção dispensavam.
Nestas tarefas permanentes e esgotantes, quando poderia estar calmamente a usufruir da sua reforma de professora, o seu corpo foi ficando cada vez mais debilitado, enquanto o seu espírito teimava em dar continuidade a todos os projetos que tinha em mãos, nomeadamente a publicação atrasada dos seus próprios trabalhos, como a monumental obra «Jogos, brinquedos e outras diversões populares de Macau». Mas o corpo foi-lhe faltando, não resistindo ao inverno rigoroso da idade e a Professora deixou-nos no passado dia 12 de maio, certamente pedindo ao seu dragão celestial que proteja aqueles que a estimavam e que o seu saber, trabalho e abnegação inspiraram, ainda que desencontrados nas janelas de outras tarefas, quando a sua, a de estudar e dar a conhecer a civilização chinesa, lhe mereceu uma dedicação exclusiva que as centenárias relações entre ambos os países justificam.
Como advertiu Eça de Queirós em Os Maias, pela voz de Ega, o seu altar ego, «com os anos, a não ser a China, tudo na Terra passa»: por isso a memória da Professora Doutora Ana Maria Amaro perdurará como uma referência incontornável no estudo da civilização chinesa e das relações entre a China e Portugal.

J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor

Doutoramento
João Nicolau de Almeida

No próximo dia 29 de maio terá lugar na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) em Vila Real o doutoramento honoris causa do Eng.º João Nicolau de Almeida, enólogo formado pela Universidade de Bordéus e administrador delegado da Casa Ramos Pinto, neste no ano em que se celebram os 25 anos do seu “Duas Quintas”. É também autor, ou co-autor, de vários livros e artigos sobre vinhos e a sua elaboração e características.Na mesma sessão será também agraciado com a mesma distinção o Professor Engenheiro Luís Braga da Cruz, ex-presidente da Comissão de Coordenação da Região Norte.


Revista  e  livros

Eça-Dagobertiana

Chegou-nos de Oeiras-Piauí o n.º 3 da Revista da Confraria Eça-Dagobertiana referente a 2015, com uma bela capa que nos mostra como o espírito de Eça, eternamente elegante, é venerado nesta cidade brasileira através do nosso confrade escritor e historiador Dagoberto Carvalho Junior. No interior, para além de artigos de releitura e redescoberta do nosso patrono comum, sobre as suas mais diversas obras, quase diríamos sobre as suas “obras completas”, apresentados nos seus Eventos Literários, a revista abre com as atividades da Confraria ao longo de 2013 e fecha com um Caderno Especial Comemorativo do Centenário de António Santana Ferreira de Carvalho, «homem que pugnava pela retidão de carácter».


Sexo e sensualidade


No dia 20 de maio foi lançada em Lisboa no El Corte Inglês a nova edição, inteiramente remodelada, do livro «Sexo e Sensualidade em Eça de Queiroz» de A. Campos Matos, com magníficas ilustrações de Rui Campos Matos, publicado pela Editora Esfera Poética. Uma abordagem descomplexada de um tema caleidoscópico na obra queirosiana.




Flore Portugaise

No dia 23 de maio foi lançado no Parque Biológico de Gaia o livro «A Flore Portugaise e as viagens em Portugal de Hoffmannsegg e Link (1795 a 1801). Retrato de Portugal Setecentista», tese de doutoramento em Biologia de Nuno Gomes Oliveira, apresentada na Universidade de Coimbra, publicada pela Chiado Editora.



Peças  do  Solar  em  Mérida


Entre 23 de março e 30 de setembro deste ano está patente ao público a exposição “Lusitânia-Romana - origem de dois povos”, no Museu Nacional de Arte Romana em Mérida, organizada por este museu espanhol e pelo Museu Nacional de Arqueologia português, patrocinada pelo Governo da Extremadura.
Entre as várias instituições portuguesas presentes que cederam peças está o Solar Condes de Resende, que disponibilizou as duas tesserae hospitales do Monte Murado, Vila Nova de Gaia, as quais habitualmente estão expostas no seu Núcleo Museológico de Arqueologia. Durante a sua presente digressão ibérica foram aqui substituídas por réplicas devidamente identificadas.

Conferências e palestras
No passado dia 23 de abril, Luís Manuel de Araújo, egiptólogo da FLUL e diretor da Revista de Portugal, falou no Museu Nacional de Arqueologia sobre «Uma milenar ideia do Antigo Egito: viajar é estar vivo!»; entretanto dirigiu um curso em seis sessões sobre a mesma temática no El Corte Inglês de Lisboa e no dia 29 de abril apresentou uma palestra sobre o mesmo tema na Casa do Infante no Porto. No dia 9 de maio conduziu uma visita de estudo dos alunos da FLUL à coleção egípcia do Museu de Historia Natural da Universidade do Porto, tendo proferido no Salão Nobre da Reitoria uma conferência sobre «A Rainha Hatchepsut (c.1479-1458 a.C). Um notável rei do Antigo Egipto».
Por sua vez J. A. Gonçalves Guimarães, no passado dia 8 de maio falou sobre «O exercício profissional da escrita e Direitos de Autor» para os alunos de biblioteconomia do ESEIG – IP Porto.
No dia 20 de maio no auditório do Arquivo Municipal de Vila Nova de Gaia, o presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d’Oliveira Martins, proferiu uma palestra subordinada ao tema “Gestão política e responsabilidade financeira – o papel do Tribunal de Contas” para uma plateia de juristas, magistrados e autarcas.
A 22 de maio o psiquiatra e psicanalista Jaime Milheiro participou na Conferência sobre a Vida e Obra do Poeta Albano Martins na Biblioteca Pública Municipal de Gaia. Esta homenagem ao poeta do Fundão, há décadas radicado em Vila Nova de Gaia, termina no dia 30 de maio com uma sessão presidida pelo sociólogo e presidente da Câmara de Gaia Eduardo Vitor Rodrigues a qual contará com a presença de ensaísta Eduardo Lourenço e do compositor gaiense António Pinho Vargas.
No dia 28 de maio, na última quinta-feira do mês, no Solar Condes de Resende, José Manuel Tedim falará às 21.30 sobre «3 Mestres do Expressionismo Alemão: Franz Marc; August Macke e Gabriele Münter.

Homenagem  a  Nelson  Cardoso
A Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia inaugurou no passado dia 8 de maio o Pavilhão das Pedras – Nelson Cardoso, dando-lhe o nome do primeiro administrador da empresa municipal Gaianima falecido a 19 de janeiro de 2011. Tendo a obra sido lançada no mandato anterior, o atual executivo deu conclusão à obra e concretizou a homenagem àquele que durante anos foi um empenhado delegado do FAOJ, dirigente associativo, autarca, gestor municipal e presidente da Mesa da Assembleia Geral dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana.

Confraria  do  Pinhal  do  Rei
Decorreu no dia 16 de maio passado o VIII Capítulo da Confraria do Pinhal do Rei, Leiria, no qual a Confraria Queirosiana se fez representar pelo seu Confrade Eng.º Ricardo Chartres d' Azevedo.

Encontros  de  Maio

Nos próximos dias 28 e 29 de maio, no auditório do Parque Biológico de Gaia, organizado pelo Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT), com o patrocínio da Universidade do Porto e da Câmara de Gaia, e a colaboração da Confraria Queirosiana e de outras entidades, vai decorrer um seminário sobre «A Faixa Litoral de São Paio à Granja. Ocupação humana e processos geomorfológicos», em que serão conferencistas, entre outros, António Manuel S. P. Silva sobre «Mais de um século de arqueologia em Vila Nova de Gaia: investigação e gestão de um património em risco»;  e J. A. Gonçalves Guimarães e o anterior sobre «Trabalhos arqueológicos no Castelo de Crestuma (2010-2015): resultados e problemáticas», e Nuno Gomes Oliveira e outros sobre «Litoral de Vila Nova de Gaia: algumas medidas de conservação, com particular destaque para a biodiversidade». A entrada é livre obrigando a inscrição prévia.

Ervamoira  30  anos
Em 1985 tiveram inicio as escavações arqueológicas na Quinta de Ervamoira, Vale do Côa, desde então dirigidas por J. A. Gonçalves Guimarães, com a colaboração de Maria da Graça Peixoto e outros arqueólogos do Gabinete de História e Arqueologia de Vila Nova de Gaia (hoje Gabinete de História, Arqueologia e Património dos ASCR – Confraria Queirosiana), as quais se prolongaram, durante o Verão, até 2004, e desde 1996 complementadas com a Semana de Estudos Especializados nas férias da Páscoa. Um resumo desta atividade, pela qual passaram cento e setenta e quatro participantes individuais, alguns dos quais vários anos seguidos, pode ser visto no artigo «Da intervenção arqueológica ao Museu de Sítio: a experiência da Quinta da Ervamoira» de J. A. Gonçalves Guimarães, publicado em 2014 nas Atas das Conferências do Museu de Lamego/CITCEM, 2014:81-102. Mas a recordação destes trabalhos continua viva naquele museu inaugurado a 1 de novembro de 1997, que continua a receber os visitantes que ali acorrem ao longo do ano, e nas largas dezenas de trabalhos entretanto publicados sobre os seus resultados.
Para comemorar a data, a Confraria Queirosiana vai organizar nos dias 12 e 13 de setembro uma visita àquela Quinta e Museu e à região de Vila Nova de Foz Côa, estando já abertas as pré-inscrições, sendo os lugares disponíveis limitados a um autocarro.

Porto 1815

Uma garrafa de Vinho do Porto 1815 da Casa Ferreira, envelhecida durante dois séculos na frasqueira dos seus armazéns em Vila Nova de Gaia, foi vendida no passado dia 7 de maio num leilão na Torre de Londres, onde foi apresentada por Fernando Guedes, presidente do conselho de administração da Sogrape, sendo arrematada por 5000 libras (cerca de 6800 euros), pagos por um apreciador anónimo.
Este Porto, também conhecido por Porto Waterloo, Duque de Wellington, ou simplesmente “1815”, foi várias vezes referido na obra de Eça de Queirós, nomeadamente em “O Crime do Padre Amaro”, “Os Maias” e em “O Conde d’Abranhos”, pelo menos. Restam naquela empresa gaiense 49 garrafas que nem tu, nem eu, caro leitor, algum dia beberemos. Mas outras há que lhe pedem meças como o “1834” e o “1847”. Se os virem por aí, bebam-nos, pois dos bons vinhos, como dos bons amores, deles antes ter saudades que desgostos.
O produto da venda daquela garrafa destinou-se à Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica. (a partir de uma notícia de Manuel Carvalho publicada no Público no dia 9 de maio passado).



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Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 79 – segunda-feira, 25 de maio de 2015
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sexta-feira, 24 de abril de 2015

Eça & Outras, sábado, 25 de abril de 2015

Entregues à bicharada

            Meus amigos, eu não tenho qualquer pretensão de ter a ciência certa das coisas ou de ser uma autoridade no que quer que seja. Muito pelo contrário vivo em permanente dúvida metódica à procura da realidade possível quer no meu tempo, como cidadão participativo, quer no que diz respeito ao passado, condição base do exercício da minha profissão de arqueólogo e historiador. Ao longo da vida tenho-me deparado com monumentais patranhas que passam por verdadeiras, quase nunca inocentes, ou apenas fruto da burrice de quem as propala. Normalmente são divulgadas para vender uma ideia, um local, uma instituição, cujos promotores confiam na falta de capacidade ou de tempo por parte do público para quem as dirigem, para este as interrogar, as comparar, as confirmar. E assim se vão propalando mitos e lendas sem o menor sentido crítico, nomeadamente pelos setores ligados ao Turismo, que acham que o turista é uma espécie de pateta alegre em trânsito que come o que se lhe põe à frente, tira muitas fotografias, não leu nada sobre o sítio antes da prosa que lhe disponibilizam nos flyers e quando chegar a casa, entre os postais e as t-shirts que comprou, não vai interrogar a veracidade das informações que lhe deram. Já em determinada circunstância me encomendaram um texto sobre determinado aspeto histórico, acrescentando que, para além de rapidez na sua elaboração, não valeria a pena estar “com muitas investigações pois era para turistas”. Ao encomendante escapava que a seriedade na minha profissão é um valor a ter em conta e que um texto pode, ao mesmo tempo, ser agradável e correto. Mas adiante.
            Nos últimos tempos, por azar meu, tenho tropeçado em imenso lixo cultural servido em bandejas de prata ou quase. Ele são os imaginários Caminhos de Santiago (que tão bem aproveitam ao turismo galego); as gastronomias henriquinas que espantariam o próprio Infante, pois de algumas delas nunca poderia ter ouvido falar; Egas Moniz, o Aio, que, além de não ter ido a Leão com qualquer corda ao pescoço (tal foi inventado no século XIII, muito depois da sua morte), terá frequentado a Escola Médica de Lisboa e foi prémio Nobel (a sério! Isto estava no site de uma junta de freguesia!); a carqueja que vinha do Brasil e era levada para uns armazéns de Vinho do Porto que nunca existiram (isto foi publicado recentemente num jornal de grande tiragem!); a “história” de um certo concelho em redondilha maior publicada pele câmara local, a qual seria hilariante se não tivesse custado dinheiro aos contribuintes; Eça a escrever “A Cidade e as Serras” em Baião, certamente num bloco de apontamentos; um jornal que relata os divertimentos de uma escola secundária em volta da memória de D. Pedro I, o do século XIV, e o designer ilustra os dados biográficos do dito com a imagem do D. Pedro I do Brasil, quarto de Portugal, com a sua farda do século XIX; uma outra câmara que promove o erro histórico, há muito plenamente rebatido, da falsa naturalidade de Fernão de Magalhães, só porque um jornalista estrangeiro que investigou mal o caso tal escreveu; o «não digas que D. Afonso Henriques terá nascido em Viseu que os de Guimarães levam a mal»; monumentos geridos pelo Estado onde dificilmente encontraremos alguma literatura sobre o mesmo, mas lá estão as habituais “preciosidades literárias” ao lado dos galos de Barcelos, etc, etc. Chega. Não, não se trata apenas de erros, de mitos e lendas para as criancinhas serem treinadas na escola da falta de rigor e do “vale tudo” para subir na vida. Ele trata-se de um fenómeno mais grave que é o da chegada ao poder local, regional e nacional da geração da fotocópia, do jogo do “sabichão” e das suas mais recentes adaptações à internet e mesmo ao telemóvel. O alardear de umas coisinhas culturais, sem qualquer enquadramento ou espírito crítico, promovidas depois a “património” por qualquer vendedor da banha da cobra bem estabelecido.
            Convém notar que já não estamos no século XIX, quando Garrett ou Consiglieri Pedroso recolhiam as lendas populares para não se perderem as estorietas que a insuficiência de instrução então ainda repetia, vindas diretamente da oralidade ou, talvez o mais certo, vindas das poucas leituras acríticas de algum clero e letrados do passado. Valiam como Literatura e base de trabalho antropológico ou mesmo arqueológico. Depois daqueles eruditos mais alguns outros, até ao presente, continuaram a fazer criteriosas recolhas, de relatos onde a insuficiência de escola, o preconceito, ou pura e simplesmente a ignorância, são por demais evidentes, mas não os embandeirando em arco numa inexistente “história (com h) oral”, que, a existir, colocaria a cultura europeia ao nível da dos povos caçadores-recoletores. Depois da democratização do ensino e da difusão do positivismo, que vieram trazer o exercício da interrogação e as chaves das interpretações, persistir na utilização acrítica da História, nacional ou local, é emoldurar a ignorância e querer oferecê-la como prenda às gerações vindouras. Já Eça de Queirós nos anos sessenta do século XIX tinha constatado que « ( …entre nós, a mentira é um hábito público. Mente o homem, a política, a ciência, o orçamento, a imprensa, os versos, os sermões, a arte, e o país é todo ele uma grande consciência falsa. Vem tudo da educação.» (Uma Campanha Alegre). E esse desgraçado hábito tem sido por demais evidente na História e nas outras Ciências Sociais, onde muitos dos seus profissionais muitas vezes agem mais como clérigos do ritual do que como cientistas da análise e da conclusão.
Antigamente havia um grande problema com a conservação dos livros de papel que eram roídos pelos bichos, vários invertebrados que assim destruíam os textos e as gravuras privando-nos da sua totalidade ou, pelo menos, de boas partes do seu conteúdo; agora há outras formas de conservar os textos, de os analisar e divulgar, mas continuamos “entregues à bicharada” do nosso tempo, muito mais difícil de expurgar e já profundamente entranhada no papel de parede do nosso tecido cultural.

J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria


In memoriam
Humberto Baquero Moreno


           Faleceu no passado dia 5 de abril o Professor Doutor Humberto Baquero Moreno, um dos fundadores do Gabinete de História e Arqueologia de Vila Nova de Gaia, desde 2004 Gabinete de História, Arqueologia e Património (GHAP) integrado na Confraria Queirosiana. O ilustre finado nasceu em Lisboa em 1934 e era licenciado em História e Filosofia, diplomado em Ciências Pedagógicas e doutor em História da Idade Média pela Universidade de Lourenço Marques. Foi professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e vice-reitor da Universidade Portucalense, tendo sido também diretor do Arquivo Distrital do Porto e da Torre do Tombo. Membro da Academia Portuguesa da História e de outras instituições nacionais e internacionais deixa grande obra sobre a Idade Média portuguesa.
            Irmanados na recordação do seu professor, diretor, orientador e amigo, os atuais corpos gerentes dos ASCR-CQ e os coordenadores e colaboradores do Gabinete de História, Arqueologia e Património apresentaram a sua esposa e filho as suas sentidas condolências tendo estado representados no seu funeral pelo presidente da direção, José Manuel Tedim, e pelo coordenador do GHAP, J. A. Gonçalves Guimarães, para além de outros consócios e confrades.

Eça no Brasil

            Desta vez pela mão de Carlos Reis, professor da Universidade de Coimbra, Eça de Queirós esteve no Brasil em grande destaque no programa “Minha língua, minha pátria. Dois países, uma semana, dez autores”, portugueses e brasileiros, promovido pelo jornal Público na Livraria Cultura em São Paulo entre 10 e 15 de abril passados. Inaugurado com a conferência “Eça de Queirós ou a língua como pátria ausente”, aquele investigador aí aludiu às «incompreensões e mesmo atitudes de rejeição crítica com que foi brindado pelos compatriotas, no país fechado e mentalmente limitado que Portugal era, no século XIX», e ainda ao seu «… horror pelo purismo e pela vernaculidade conservadora» do tratamento da língua, situação que, em muitos casos, hoje se repete escusadamente, dizemos nós.
            A ouvi-lo na plateia, entre muitos outros, estiveram Elza Miné, especialista brasileira na obra do escritor, e Maria Adelaide Amaral, adaptadora de Os Maias para a Rede Globo em 2001.
            Foram ainda lembradas as edições em folhetim das obras de Eça no Brasil e a crítica que Machado de Assis lhes fez e que o escritor considerou nas edições seguintes.
            O programa prosseguiu com os restantes escritores a apresentarem as suas obras (Informação retirada do jornal Público).

Atividades culturais

            No passado dia 1 de abril na Universidade Portucalense o sociólogo Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, proferiu uma conferência sobre “Um desafio à criatividade na Política”, seguida de debate.
            No dia 11 de abril uma delegação de sócios e confrades dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, a convite da Confraria da Doçaria Conventual de Tentúgal, deslocou-se a esta linda terra do Mondego a qual, se é certo que é conhecida pelos seus doces, não o deveria ser menos pelo seu património histórico e artístico. Nesta terra de D. Sesnando, os visitantes foram recebidos pela Dr.ª Olga Cavaleiro, presidente da direção daquela Confraria, tendo em seguida visitado a igreja da Misericórdia, o convento do Carmo e a igreja do Mourão, onde o Prof. José Manuel Tedim falou sobre a arte coimbrã da Renascença, seguindo-se a visita a uma unidade de fabrico dos célebres pastéis, onde os viram confecionar e os degustaram. O jantar decorreu na Quinta das Lágrimas, promovido pelo Rotary Club de Coimbra-Sul, após o qual J. A. Gonçalves Guimarães falou aos presentes sobre “O Porto e os seus mitos”.
            No dia 18 de abril Eduardo Vítor Rodrigues foi moderador num colóquio sobre “O problema das crianças hiperativas” que teve lugar no Mosteiro de Corpus Christi em Gaia e no qual participou também o médico psiquiatra e psicanalista Jaime Milheiro, que falou sobre “Uma criança a crescer”, além de outros intervenientes.
            O Dia Internacional dos Monumentos e Sítios (18 de abril) foi comemorado pelo Solar Condes de Resende através da sua participação no Encontro do Castelo. Histórias e Memórias de Crestuma, organizado pela associação CRASTUMIA e pelo Gabinete de História, Arqueologia e Património dos ASCR-Confraria Queirosiana (GHAP) o qual se realizou na sede da Junta de Freguesia de Crestuma, tendo reunido para cima de sessenta participantes. Foram palestrantes, entre outros, António Manuel Silva, que falou “Para além do Castelo: revisitando o património arqueológico de Crestuma” e, em colaboração com J. A. Gonçalves Guimarães, sobre “Arqueologia do Castelo de Crestuma: desafios e novidades”. A sessão terminou com Fátima Teixeira sobre “A Companhia de Fiação de Crestuma. Cem anos de história: novos contributos”. No átrio da junta de freguesia estará exposta durante um mês a exposição itinerante “Castelo de Crestuma: a Arqueologia em busca da História”, organizada pelo GHAP com o patrocínio das Águas e Parque Biológico de Gaia.
            No próximo dia 30 de abril, J. A. Gonçalves Guimarães, nas habituais palestras da última quinta-feira do mês do Solar às 21,30 horas, falará sobre “As Guerras Coloniais: uma visão pessoal de historiador”.
            Para o mês que se segue, entre outras atividades, está prevista a participação dos funcionários e investigadores tarefeiros membros do GHAP da Confraria Queirosiana no 1º Encontro de História e Património de Mafamude, organizado pelos Amigos de Gaia e pela respetiva junta de freguesia, que decorrerá a 16 de maio, sábado, e onde serão palestrantes, entre outros, J. A. Gonçalves Guimarães sobre “Bibliografias de mafamudenses ilustres”; Maria de Fátima Teixeira sobre “A indústria têxtil em Mafamude”; Licínio Santos sobre “Cultura e lazer operário em Mafamude no final da Monarquia ao início da República (1893-1914); Susana Moncóvio sobre “O escultor Joaquim Gonçalves da Silva (1863-1912): a propósito da estátua funerária “A Dor”, no cemitério de Mafamude”; Teresa Campos Santos sobre “Paulino Gonçalves: um pintor de Mafamude”; Nuno Gomes Oliveira sobre “Viveiros da Quinta da Telheira, Santo Ovídio – a biodiversidade perdida”; Eva Baptista sobre “O legado Mourão: vicissitudes da criação de uma escola em Mafamude, concelho de Vila Nova de Gaia”; Sílvia Santos, sobre “A indústria do vidro em Mafamude no século XIX; e J. A. Gonçalves Guimarães; Fátima Teixeira e Eva Baptista sobre “Educação Cívica e Património Local (Atividade de Enriquecimento Curricular). Potencialidades da sua implementação em Mafamude”.

Livros e autores

A. Campos Matos           

Deverá aparecer em breve no mercado livreiro o novo “Dicionário de Eça de Queiroz”, organizado e coordenado por A. Campos Matos e editado pela Imprensa Nacional Casa da Moeda, o maior e mais completo repositório de análises sobre o universo queirosiano jamais publicado, fruto do trabalho de toda uma vida a tal dedicada, que irá continuar a oferecer-nos nos próximos tempos novidades sobre esta temática em outras obras de sua autoria.




J. Rentes de Carvalho

   “Pó, Cinza e Recordações” é o novo livro de J. Rentes de Carvalho que será lançado no próximo mês de maio em edição da Quetzal. Escrito entre 1999 e 2000, no dealbar do novo milénio, o autor, no seu estilo tão peculiar, brinca seriamente com a sua eternidade possível e com a dos outros.
     Sobre este escritor passou no dia 7 de abril um documentário na RTP2 intitulado “Memórias do Século XX: J. Rentes de carvalho – Tempo Contado” de António Pedro Vasconcelos e Leandro Ferreira, parcialmente filmado no Solar Condes de Resende.
    Entretanto a casa onde nasceu em 1930 em Vila Nova de Gaia, situada no Monte dos Judeus, encontra-se à venda, procurando a Confraria Queirosiana que a mesma seja transformada num polo cultural de uma área do Centro Histórico de Gaia que carece de beneficiação urbana e social, e onde a memória do local, do escritor e das relações entre Portugal e a Holanda, sejam preservadas e dinamizadas. A proposta pretende que tal programa seja apadrinhado pela autarquia local e pelas empresas de Vinho do Porto. Entretanto numa recente visita ao local o mesário-mor da Confraria Queirosiana propôs que a câmara retire o pouco sensato nome de Monte Coimbra com que no final dos anos vinte do século passado procurou fazer esquecer a designação do antigo nome de Monte dos Judeus pelo qual sempre foi e é conhecido.

Joaquim Santos

Jornalista profissional em Leiria e colaborador desta nossa página virtual, é também autor de vários livros dos quais agora nos apresenta “Dispersos sentimentos” (textos poéticos em prosa e verso) com ilustrações de Rui Martins; “Quilate de Sentimentos” (poemas), com ilustrações de Sandrine Vieira, e “Portugal precisa de um Salvador”, uma parábola política, também com ilustrações de Sandrine Vieira, todos editados pela Inforletra no final de 2014.


Outras

Assembleia Geral da FAMP

            Decorreu no passado dia 18 de abril no Museu Soares dos Reis no Porto a Assembleia Geral da Federação Amigos dos Museus de Portugal, na qual está filiada a associação Amigos do Solar Condes de Resende-Confraria Queirosiana, que teve a representá-la o membro diretivo Carlos Sousa.
            O próximo encontro mundial, onde estará presente a Federação portuguesa, decorrerá na cidade do México de 11 a 14 de junho próximo.

Em frente das pirâmides

Viagem ao Egito queirosiano

            Como previsto e divulgado nesta página, decorreu entre os dias 26 de março e 6 de abril passado mais uma viagem ao Egito queirosiano guiada pelo professor da Universidade de Lisboa e diretor da Revista de Portugal, o egiptólogo Luís Manuel de Araújo, a qual se realizou com plena satisfação dos que nela participaram.
            Segue-se a visita aos grandes museus na Europa com coleções egípcias, entre 13 e 23 de agosto e, no final do ano, a visita à Terra Santa queirosiana, entre 26 de dezembro e 3 de janeiro.

Exposição de retratos

            Na próxima terça-feira, dia 28 de abril, pelas 18 horas, abre ao público na galeria da Biblioteca Municipal de Cinfães, uma exposição de retratos do pintor Major Simões Duarte, uma mostra selecionada das suas obras em que predominam a figura feminina e a maternidade em vários continentes.

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Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 78 – sábado, 25 de abril de 2015
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quarta-feira, 25 de março de 2015

Camélias  queirosianas

Ele há coisas na vida que não nos servem para nada, mas que nos alegram silenciosamente a existência, e das quais não prescindimos, ainda que nos custem algum tempo e dinheiro. E entre elas, para muitos de nós, estão certamente as camélias que florescem no inverno, alegrando os seus arbustos ou árvores de sólidas folhas verdes com essas flores carnais e delicadas, com a alegria do seu branco, a feminilidade dos seus rosas, as pétalas de vermelho intenso de lábios de gueixa, as outras variedades que os seus devotos coletam e descrevem com paciência de monges. Conheço desde criança rosas, perpétuas e outras flores, mas as camélias sempre foram um assunto à parte, até porque vivi perto de uma Quinta das Camélias e quem era rico ali à volta também as tinha no seu jardim como motivo de curiosidade e devoção botânicas. Depois havia aquela história que foi ficando triste, a Dama das Camélias, e a pintura portuguesa do século XIX a elevá-las à categoria de símbolo nos quadros do Visconde de Menezes e nos de António José da Costa, que as pintava tão perfeitas como se acabadas de apanhar. Mas afinal, já desde o século XVII que os nossos pintores as enramalharam nos seus quadros, como se pode ver em obras de Josefa de Óbidos e nos painéis do coro alto do Mosteiro de Corpos Christi em Vila Nova de Gaia.
Algumas cidades e vilas querem entre nós ser as suas guardiãs, se possível em exclusivo, mas creio tal não ser possível, porque elas, românticas que são, não se comprazem com fidelidades turísticas e assim se distribuem por todo o país, creio que desde que D. João de Castro as trouxe no século XVI do oriente para a sua quinta de Sintra. Mas logo dali a beleza do seu exotismo as disseminou, vindo o romantismo oitocentista encontrá-las em Vila Nova de Gaia no jardim nasoniano da Quinta de Campo Bello e no antigo Convento de Santo António de Vale da Piedade e no de Oliveira do Douro, e no Porto, onde os jardins à inglesa as acolheram e os hortos as cultivaram para arrecadarem prémios internacionais, ou também em Santo Tirso, onde o seu cultivo tem vindo a acontecer com reminiscências das sombras monásticas. E em muitos outros locais em Portugal onde o culto da camélia pede meças aos japoneses.
O Solar Condes de Resende tem vindo a valorizar os exemplares centenários das suas Camellia japonica L., que Eça de Queiroz conheceu e, com certeza, apreciou nas muitas visitas que, pelo menos desde 1889, fez à Casa. E também porque estando os antigos proprietários ligados por laços familiares ao Vice-Rei da Índia acima referido, através dos Camelos de Miranda de Vilar do Paraíso, é possível que estas camélias descendam das sementes ou dos ramos plantados primordialmente em Sintra. E com certeza os Camelos terão gostado de camélias e haverá aqui ainda algumas histórias por acertar. Junto da estátua do escritor, ali colocada no ano 2000 e da autoria de Hélder de Carvalho, que no dia 22 passado trouxe um grupo de amigos a visitá-las, podemos apreciar exemplares bem antigos, tipos Saluenensis, de origem chinesa, Pomponia, Anemoniflora, Beni Assaku, Pamplona, criada pelo bisavô dos filhos de Eça, 1º Visconde de Beire e proprietário do Solar Condes de Resende, e a bastante rara Aka-Koshimino, a que os ingleses chamam Red Skurt, composta por cinco pétalas em estrela, com um desenvolvido pom-pom central, de cor vermelha.
Não desfazendo dos bicos de pés em que os outros querem por as suas camélias, e até dedicando, admitamos que por alguma inveja, uma certa fleuma aos festivais que organizam, não se me leve a mal que goste particularmente das camélias gaienses e em especial das do Solar, visitadas regularmente por grupos nipónicos da Sociedade da Camélia do Japão, em 1997 por uma equipa da NHK BS2 (televisão estatal) e muito recentemente pelos Senhores Hiroshi Azuma e Yukitaka Hihara, respetivamente embaixador do Japão em Lisboa e presidente & C.E.O. da Trubaki Co. Ltd., todos com reverências de estima pela sua existência no jardim desta Casa.
Um outro local emblemático das camélias gaienses é o Parque Conde das Devesas, situado junto da estação ferroviária do mesmo nome, no Centro Histórico, administrado pelo Parque Biológico de Gaia, onde, para além das ali existentes, entre elas a dedicada ao antigo proprietário, foram plantadas muitas outras variedades com nomes famosos desde o século XIX, como as Tedínia, Garrett, Pamplona, D. Pedro V e muitas outras.
No passado dia 21 de março, Dia Mundial da Árvore e do início da Primavera, foi aí lançado um livro da autoria do biólogo Doutor Nuno Oliveira, diretor dos Parques de Gaia e confrade queirosiano, com fotos de António Assunção, no qual apresenta uma seleção das mais notáveis variedades ali existentes, nomeadamente uma com o seu nome, tendo a obra sido apresentada pelo sociólogo Prof. Doutor Eduardo Vitor Rodrigues, presidente da câmara local.
Símbolos da beleza temporária, a que só a Ciência e a Arte dão perenidade, Eça de Queirós usou-as como termo de comparação literário, descrevendo certas mulheres com «o pescoço de uma brancura de camélia húmida», ou «uma carnação de camélia muito fresca».
Nestes tempos de angústias, elas são também o símbolo da renovação que se opera cada ano, pois voltarão a florir lá para os dias de outubro próximo, quando de novo as voltaremos a ver pontificando nos nossos jardins mais estimáveis. O seu colorido, sem perfumes embriagadores, voltará a alegrar-nos a vida. E este não é certamente um símbolo menor no esteio da perseverança da procura dos caminhos da humana felicidade, tão variados como as camélias, tão belos e discretos quanto elas.
J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria Queirosiana

Professor João  Francisco  Marques

No passado dia 6 de março faleceu em sua casa na Póvoa de Varzim o Professor Doutor Padre João Francisco Marques, antigo professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e confrade queirosiano. Autor de uma basta e erudita obra, marcou gerações com a sua proficiência, mas também com o seu trato amável e sempre acompanhado de uma fina ironia. Dos vários projetos que tinha em mãos, apresentou recentemente as Obras Completas do Padre António Vieira, com cuja equipa colaborou. O seu funeral teve lugar no domingo dia 8 e nele participaram muitos dos seus colegas, alunos e admiradores, entre os quais vários confrades queirosianos que assim quiseram prestar-lhe sentida homenagem.

 Assembleia Geral

No passado dia 20 de março decorreu no Solar Condes de Resende a Assembleia Geral ordinária dos ASCR-CQ para apresentação do Relatório e Contas de 2014 e do programa e orçamento para 2015, os quais foram aprovados pelos sócios presentes, tendo ainda sido exarados em ata votos de pesar pelo falecimento dos consócios Eng.º D. Diogo de Cernache, Eng.º José Pereira Gonçalves dos corpos gerentes, falecidos em 2014 e Professor Doutor Padre João Francisco Marques recentemente falecido. A Confraria queirosiana guarda e venera no Solar Condes de Resende a memória da vida e obra dos seus confrades.
O Relatório será publicado no n.º 12 da Revista de Portugal que sairá no próximo mês de novembro e será lançada no capítulo anual que ira decorrer no dia 21 desse mês.

Conferências

Colóquio sobre os Centros Históricos

Nos próximos dias 26 e 27 de março decorre na zona ribeirinha de Vila Nova de Gaia, no auditório da Cálem, a 1.ª Conferência Cidades de Rio e Vinho. Memória, Património e Reabilitação organizado pela empresa municipal Gaiurb – Urbanismo e Habitação, EM, na qual estarão presentes alguns reconhecidos especialistas das áreas da História, Urbanismo, Arquitetura, Geografia e outras, vindos de diversas universidades europeias e portuguesas que se vão debruçar sobre a problemática dos Centros Históricos em geral e do de Gaia em particular.
Da comissão organizadora fazem parte J. A. Gonçalves Guimarães e António Manuel Silva, coordenadores do Gabinete de História e Arqueologia dos ASCR – CQ que falarão sobre “O Centro Histórico de Gaia, a Barra do Douro e o Mundo” e “As construções do lugar. História (s) e Arqueologia (s) do Centro Histórico de Gaia”, respetivamente.
Paralelamente ao colóquio desenvolve-se outras atividades, nomeadamente a abertura de uma exposição sobre o antigo Entreposto do Vinho do Porto. As Atas com os textos apresentados serão publicadas brevemente.

… e visita guiada

No dia seguinte ao colóquio atrás referido, sábado dia 28, os Amigos de Gaia, associação com a qual os ASCR-CQ têm protocolo de colaboração, vai organizar uma visita guiada ao Centro Histórico de Gaia, a partir das 10 horas da manhã, conduzida pelo geógrafo Doutor Salvador Almeida, presidente da direção daquela associação, que apresentará os aspetos geomorfológicos e hidrológicos, e por J. A. Gonçalves Guimarães, historiador e diretor do Solar Condes de Resende, que apresentará a evolução histórica desta área classificada.
No final da jornada será inaugurada uma exposição de cerâmica na Casa Ferreira, organizada pela Confraria do Caco, intitulada “No Reinado do Vinho” com peças da autoria de Delfim Manuel.

Outras

Entretanto ao longo do mês de março diversos sócios e confrades queirosianos realizaram várias palestras e conferências. Assim, no dia 7, J. A. Gonçalves Guimarães, no solar Condes de Resende, falou sobre “A Arte do Vinho do Porto como emblema da região”, reedição da aula de abertura do Curso “História e carisma da região do Douro Atlântico (Gaia, Porto, Matosinhos), 5ª edição”; no dia 19 de março, na Escola Secundária de Canelas, para os alunos do Curso de Turismo, falou sobre “Os Roteiros Queirosianos na perspetiva do Turismo Cultural”. A última aula do Curso do Solar acima referido decorreu no passado dia 21 e foi proferida por José Manuel Tedim sobre o tema “Pensamento, Literatura e Arte Contemporânea na região portuense”, tendo este mesmo professor e investigador participado num programa da RTP2 sobre a Igreja de São Francisco do Porto, que passou no passado dia 23 cerda das 23 horas.
Amanhã, dia 26, pelas 21,30 horas e ainda no Solar Condes de Resende, a historiadora da Arte Susana Moncóvio falará sobre “Amadeu Souza-Cardozo: o Modernismo, uma proposta extemporânea no contexto nacional”.

Livros

Nuno Resende

    O historiador Nuno Resende, professor na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, tem vindo a publicar diversos livros sobre a região da Beira Douro, o último os quais intitulado Memórias dos Homens, Cartas do Tempo. Os Forais do atual Concelho de Resende, este em colaboração com as historiadoras Maria Alegria Marques da Silva e Paula Pinto da Costa, editado pela autarquia na comemoração dos 500 anos o seu foral manuelino, em versão livro e CD, lançado em dezembro passado e agora em distribuição. Mas já em agosto passado tinha lançado O Concelho de Magueija, editado pela União de Freguesias de Bigorne, Magueija e Pretarouca, e em maio do ano passado colaborou com um capítulo no utilíssimo Guia de Boas Práticas de Interpretação do Património Religioso, editado pelo Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja/Turismo de Portugal.

Mário Cláudio
No passado dia 5 de março na delegação do Porto da Ordem dos Médicos o escritor Mário Cláudio lançou um novo livro, edição das Publicações D. Quixote, intitulado O Fotógrafo e a Rapariga, que recria as relações entre uma imaginária Alice e o fotógrafo Lewis Carroll, o autor de Alice no País das Maravilhas, Charles Dodgson, contemporâneo de Eça de Queirós. Esta obra faz parte e uma trilogia sobre a relação entre pessoas com idades bastante diferentes em volta da escrita – Bernardo Soares e um jovem empregado de escritório; das Artes plásticas – Leonardo da Vinci e um seu aprendiz; e agora a jovem que pousa para a fotografia que a imobiliza antes de desaparecer por detrás do espelho.
  
Feira das Novidades

Convívio com os feirantes
No passado dia 1 de março fez um ano a Feira das Novidades promovida pela Confraria Queirosiana no primeiro domingo de cada mês. Trata-se de uma iniciativa que visa apoiar os vendedores dos mais diversos produtos que precisam de ganhar a vida e, ao mesmo tempo, proporcionar aos frequentadores do Solar Condes de Resende uma tarde de domingo animada.
Em virtude de a próxima Páscoa decorrer no primeiro domingo de abril, a próxima feira, a título excecional, foi antecipada para o dia 29 de março.

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Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 77 – Quarta-feira, 25 de março  de 2015
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015


Jornalismos ontem e hoje

Todos os estudiosos de Eça e, de um modo geral, muitos dos seus leitores, sabem que além de grande ficcionista, autor de obras imorredouras, que além das circunstâncias da época têm a perenidade da condição humana, o escritor foi também um grande jornalista, de cuja atividade nos deixou a sua prosa no jornal Distrito de Évora e n’ As Farpas, depois “filtradas” em Uma Campanha Alegre, e muitas outras crónicas publicadas ao longo da sua vida em jornais e revistas portuguesas e brasileiras, postumamente reunidas em vários volumes: Notas Contemporâneas; Cartas de Paris; Cartas de Inglaterra, e outros textos. Eça foi também um informadíssimo e não menos notável ensaísta profissional sobre Relações Internacionais, como funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros, sendo esta a sua prosa mais desconhecida a qual, jazendo talvez no arquivo daquele ministério ou noutros, estará por divulgar, à exceção do esgotadíssimo relatório Emigração como força civilizadora, publicado em 1979 pelo jornalista Raúl Rego e, mais recentemente, por Isabel Pires de Lima e José Lello.
Hoje falemos de Eça jornalista e do enorme interesse dos seus textos produzidos enquanto tal. O assunto já foi abordado por vários queirosianistas, nomeadamente Elza Miné, Eça de Queirós Jornalista, Livros Horizonte, 1986; Maria Filomena Mónica, livro com o mesmo título, Principia, 2003; e A. Teresa Peixinho, Textos jornalísticos de Eça de Queirós: o jornalismo oitocentista olhado pelo escritor/jornalista, «Estudos do século XX», n.º 7, 2007, p. 15-38.Temos pois já excelentes análises e antologias sobre tal. Na sua época, aquilo a que chamaríamos hoje o código deontológico do “comunicador social” (denominação que vai substituindo a de jornalista), era um pouco vago, se é que verdadeiramente existia ou sequer se achava que deveria existir. Não se distinguiria então muito o jornalista do literato. Aos “rapazes dos jornais” pedia-se que tivessem uma bela prosa e, para triunfarem na vida, que acertassem os seus textos e conclusões pelos interesses do proprietário da publicação, o qual, por sua vez, os aferia pelo partido político que estava no poder ou pelo peso social das instituições a quem servia, situações que embora hoje nos pareçam desatualizadas, afinal ainda não mudaram, a não ser através do grande empenhamento e, quantas vezes, do sacrifício pessoal dos intervenientes. Também no tempo de Eça havia os “canastrões” da comunicação social e não foi com eles e a sua prosa que o mundo mudou: o escritor caricatura-os em algumas das suas obras e hoje deliciamo-nos com esse quadro social e cultural que magistralmente nos deixou em herança, satisfeitos que estamos com o facto de apenas lidarmos com o quadro da época e os seus atores nos livros e no cinema, não valendo a pena tirar dores pelas suas ações, não lhes sentindo os perfumes ou o mau hálito. Tudo vantagens. Mas se aqui trago à colação estas lembranças faço-o a propósito das reflexões que me sugeriu o livro do jornalista Aurélio Cunha, Um repórter inconveniente. Bastidores do jornalismo de intervenção. Lisboa, Chiado Editora, recentemente lançado no Porto no auditório da Biblioteca Almeida Garrett repleto de público. O livro alude à sua atividade de profissional assumido e com um alto sentido da sua missão social, apresentando as grandes reportagens que publicou no “seu” Jornal de Notícias durante anos, as quais agitaram o país ao relatarem aspetos escabrosos, ou simplesmente parolos, nas áreas da Saúde, da Justiça, da Economia, do Municipalismo, do Desporto, da Solidariedade social, da vida quotidiana dos cidadãos, sistematicamente ludibriados por incompetentes ou chicos-espertos quase sempre “acima de qualquer suspeita”. Muitas chegaram ao parlamento e abalaram ministérios e governos. Graças a algumas delas a vida de muitas pessoas mudou para melhor e por isso também o autor reconhece, regista e agradece a ação de muitos outros profissionais que não pactuaram com estas situações, quantas vezes com risco da sua situação laboral ou mesmo da própria vida. Eles e o jornalista, que a coisa em alguns casos não era para menos. E também ali se relata a existência da censura interna que não permitiu a publicação de reportagens que envolvessem instituições religiosas ou a denúncia do terrorismo psicológico da indústria dos media sobre os jornalistas.
Um certo retrato da sociedade portuense e portuguesa, desde os anos setenta até ao início do seculo XXI, aí está nesse livro. Com uma grande diferença em relação aos retratos jornalísticos de Eça que tanto nos deliciam: é que estes, os que ali se descrevem, são histórias reais do nosso tempo, nós conhecemos os protagonistas, alguns deles ainda andam por aí a tentar retocar o retrato. Não, não estou a comparar o estilo literário de Eça com o de Aurélio ou outras inutilidades com que alguns quererão fugir à verdadeira questão que aqui importa. O livro está escrito numa boa e agradável prosa, mas agora estou apenas a comparar o sentido altamente cultural dos textos destes dois jornalistas separados por mais de um século. Quem quiser que os leia e tire as suas conclusões, talvez fazendo a seguinte pergunta a si próprio ou aos seus amigos: a sociedade portuguesa mudou para melhor? Tem mudado? Tem hipóteses de mudar? Eu cá por mim sou otimista e o livro de Aurélio Cunha, também com o seu humor, faz-me acreditar que sim, que tal é possível. Apesar de tudo estamos no ocidente, numa sociedade livre para se interrogar a si própria sem medos tolos, ainda que tarde, e de tal jamais abdicaremos.
«O jornalismo na sua justa e verdadeira atitude, seria a intervenção permanente do país na sua própria vida política, moral, religiosa, literária e industrial (…). É o grande dever do jornalismo fazer conhecer o estado das coisas públicas, ensinar ao povo os seus direitos e as garantias da sua segurança, estar atento às atitudes que toma a política estrangeira, protestar com justa violência contra os atos culposos, frouxos, nocivos, velar pelo poder interior da pátria, pela grandeza moral, intelectual e material em presença das outras nações, pelo progresso que fazem os espíritos, pela conservação da justiça, pelo respeito do direito, da família, do trabalho, pelo melhoramento das classes infelizes». Isto escreveu Eça de Queirós, então um jovem jornalista com vinte e dois anos, no Distrito de Évora em 1867. São estes bons e profissionais princípios que vejo agora no livro de Aurélio Cunha, cento e cinquenta anos depois ainda fazem falta.
Obrigado Aurélio: Eça com certeza terá gostado do seu livro. Deliciado mas, certamente, preocupado, pois afinal não mudamos ainda assim tanto para melhor.


J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria
Carteira Profissional de jornalista TE-638


Livros e publicações

 Douro 03

Acaba de ser publicado o número 3 da revista Douro-Vinho, História & Património/ Wine, History and Heritage, propriedade da Associação Portuguesa de História da Vinha e do Vinho/ GEHVID, dirigida por António Barros Cardoso, professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. O presente número tem a colaboração de J. A. Gonçalves Guimarães, membro do Conselho Consultivo da revista, que assina um estudo sobre “Vale Meão. Antecedentes de uma quinta vinícola e olivícola no Douro Superior”, feito no âmbito dos trabalhos do Gabinete de História, Arqueologia e Património dos ASCR-Confraria Queirosiana, e um outro estudo de Nuno Resende, também membro do mesmo gabinete, sobre “Pontes e vias medievais a sul do Douro na região de Montemuro: as primeiras questões”, entre os diversos artigos subscritos por investigadores nacionais e estrangeiros nesta edição referente ao ano de 2014.

 A. Campos Matos


É verdadeiramente notável a atividade editorial de A. Campos Matos que se anuncia para este ano de 2015: para além de ainda circularem no Brasil alguns já raros exemplares do seu livro Eça de Queiroz. Uma biografia, editado pela Universidade de Campinas (Unicamp), acaba de sair uma segunda edição revista e aumentada de Sexo e Sensualidade em Eça de Queiroz, pela editora Esfera Poética, com notáveis ilustrações de Rui Campos Matos. Em Maio sairá o segundo volume de Diário Íntimo de Carlos da Maia, e entretanto, o Dicionário de Eça de Queiroz, nova edição, tem a revisão terminada, devendo ser lançado ainda este ano. Este incansável investigador e autor de temática queirosiana trabalha ainda na preservação do seu espólio, provavelmente a maior biblioteca queirosiana do mundo, a qual deverá permanecer intacta e em Portugal, continuadamente enriquecida pelo seu proprietário e organizador.


Os Maias ilustrados

          No passado dia 13 de fevereiro na Galeria Fernando Pessoa do Centro Nacional de Cultura, ao Chiado, em Lisboa, a obra “Os Maias – antologia ilustrada”, de Rui Campos Matos, publicada pela Editora Exclamação, foi apresentada pelo presidente da instituição e nosso confrade, Prof. Dr. Guilherme de Oliveira Martins.

Exposições
        

           No passado dia 7 de fevereiro foi inaugurada no Solar Condes de Resende a exposição “ A Grande Guerra e a Literatura”, organizada por José Valle de Figueiredo, a qual apresenta um apreciável número de obras de escritores portugueses sobre a participação lusa naquele conflito de que se evoca o centenário. Para além da mostra bibliográfica, exibe-se um trecho do filme João Ratão, de Brum do Canto, a única produção cinematográfica portuguesa que evoca a participação portuguesa nos combates da Flandres. Em vitrinas, algum material bélico e bibliografia da época ou sobre a 1ª Grande Guerra das coleções do Solar Condes de Resende e da Confraria Queirosiana completam a exposição.

Cursos, palestras e conferências

       Integrada no curso “História e Carisma da Região do Douro Atlântico (Gaia, Porto, Matosinhos)”, 5ª edição, a decorrer no Solar Condes de Resende, no passado dia 7 de fevereiro teve lugar a aula do Professor Doutor Jorge Fernandes Alves sobre “A industrialização da região do Porto”.
         Hoje, 25 de fevereiro, às 18 horas, na Galeria Nave dos Paços do Concelho de Matosinhos, o Professor Doutor Francisco Ribeiro da Silva falará sobre “A participação das populações na elaboração dos Forais Manuelinos”, integrada no ciclo Conferências do Foral comemorativo dos seus quinhentos anos.
No próximo dia 26 deste mês, nas palestras das últimas quintas-feiras, J. A. Gonçalves Guimarães falará sobre “Há bruxas (e bruxos) em Gaia? Uma visão antropológica e histórica do tema”.
Nos dias 27 e 28, no 25º Fórum Avintense estarão presentes com comunicação, diversos membros da Confraria Queirosiana, nomeadamente Eva Baptista, J. A. Gonçalves Guimarães e Maria de Fátima Teixeira, que falarão sobre o projeto Cidadania e Património criado pelo Gabinete de História, Arqueologia e Património para as AECS aplicado à freguesia de Avintes, e aquela última investigadora falará ainda sobre o busto do industrial Pimenta da Fonseca, proprietário da Companhia de Fiação de Crestuma, da autoria do escultor avintense Henrique Moreira.
         No dia 28 pelas 15 horas e integrado no curso acima referido que decorre no Solar Condes de Resende, o historiador Joel Cleto falará sobre “ Matosinhos, do julgado de Bouças ao grande porto atlântico de Leixões”
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