quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Funcionários públicos

Meu caro concidadão, companheiro de percurso neste mundo e no Portugal que amamos e onde somos desgraçados. Provavelmente quando nasceste foste aparado por um médico e uma enfermeira ambos funcionários públicos. A auxiliar que depois limpou a sala de partos, o administrativo que te anotou na maternidade e depois o do registo civil, também o eram. Se não foste para um colégio religioso, o professor da pré-primária e depois todos os outros do teu percurso escolar em escolas públicas, o sargento que te apresentou os papeis na tropa que não quiseste frequentar por não estarmos em guerra com quase ninguém, os funcionários e professores da universidade onde te inscreveste para tirar aquele curso de que não gostas, mas que achaste que te dava emprego garantido, a funcionária do centro de emprego onde te habilitaste para ter trabalho remunerado, o do registo civil, outra vez, onde foste casar e, anos depois, divorciar-te, o da Segurança Social onde tratas do subsídio de desemprego e da pensão dos teus pais, os do tribunal onde foste levado por aquele assunto mesquinho que qualquer julgado de paz a funcionar capazmente teria prontamente resolvido com bom senso e justiça imediata, o polícia que te multou e aquele outro que prendeu o ladrão que te roubou o carro, os médicos, enfermeiros e técnicos de saúde que te radiografaram e trataram daquela apendicite que precisou de operação de urgência, os empregados das finanças que conferem e arrecadam os teus impostos que pagam as estradas úteis e as desnecessárias, todos eles, estes e muitos mais, são funcionários públicos e não podes viver sem eles, a não ser que voltemos a um outro feudalismo onde os senhores privados decidam e controlem toda a nossa vida. Já faltou mais para tal e há quem tolamente ache que esse é o caminho do “desenvolvimento”. Tenho para mim que seria boa política manter público o que a todos diz respeito e privado tudo o resto, preferindo, num meio adaptável às circunstâncias da produção e do mercado, um bom setor mutualista e cooperativo com gente capaz e de largos horizontes. Sou também pela iniciativa privada legítima, a favor de quem justamente a promove e distribui os seus resultados pela comunidade.
Na tua terra, desde os que tratam da administração do território e o mantêm habitável, até ao coveiro que ha-de sepultar-te ou levar-te ao crematório, todos eles são funcionários públicos, neste caso da administração local.
São poucos e bons? São muitos e maus? Há entre eles profissionais dedicados, sabedores e prestáveis? Ou, pelo contrário, é tudo uma caterva de ignorantes, corruptos, desleixados, em suma, ratazanada? Penso que qualquer destes extremos estará errado. Em todos os serviços por onde tiveres de passar haverá certamente uns e outros. E inúteis também. Terás de estar atento. E perguntar-te-ás como tal é possível: como é que, estando Portugal em paz desde 1975, hoje tem quase mais coronéis e generais do que soldados funcionários públicos e nós com tanto mar à espera de marinheiros; como foi possível o sistema de ensino ter no quadro professores com horário zero, “professores zero”? E porque é que um juiz ganha muito mais do que um professor no topo da carreira? Os criminosos são mais respeitáveis do que os cidadãos em formação? E as repartições onde os funcionários se acotovelam e se sentam à vez, por não haver cadeias para todos, e outras onde o trabalho se acumula porque são poucos e até lá têm um funcionário incapaz, mas que alguém meteu no quadro por concurso e arte e é promovido regularmente sem que se perceba por quê? E aqueles “técnicos superiores” que fizeram uma licenciatura “à la minuta”, que ganham como tal, mas que não fazem mais do que os antigos empregados administrativos, os “empregados de escritório” do setor privado, faziam?
Para tudo isto há responsabilidades, pois o Estado é um corpo hierárquico entre a base e a cúpula, organizado em todos os patamares da administração. Logo, se a função pública não é o exemplo que devia ser, a culpa é dos sucessivos governantes a nível nacional e local e daqueles em quem delegam funções. Seria interessante, sociologicamente falando e por amostragem, o saber-se como foi o percurso de cada funcionário público e da administração local desde 1974 para cá. Quando publicado, tal relatório criaria certamente mais estupefação do que o Relatório Kinsey. Estupefação fingida, já se vê, pois desde 1974 que é o povo que, com o seu voto, elege os governantes e estes legislam sobre a Função Pública que temos, ou não. Logo, em última instância, foram os eleitores os responsáveis pelo estado a que chegamos na administração central, na Saúde, na Escola, nos Tribunais, nas Forças Armadas, nas Autarquias. Por isso não se queixem sem, antes de mais, tentarem compreender. A questão não é de hoje, pois já no seu tempo Eça de Queirós escreveu: «Fomos outrora o povo do caldo da portaria, das procissões, da navalha e da taberna. Compreendeu-se que esta situação era um aviltamento da dignidade humana: e fizemos muitas revoluções para sair dela. Ficámos exatamente em condições idênticas.
O caldo da portaria não acabou. Não é já como outrora uma multidão pitoresca de mendigos, beatos, ciganos, ladrões, caceteiros que o vai buscar alegremente, ao meio dia, cantando o Bendito; é uma classe inteira que vive dele, de chapéu alto e paletó.
Esse caldo é o Estado. Toda a Nação vive do Estado. Logo desde os primeiros exames no liceu, a mocidade vê nele o seu repouso e a garantia do seu futuro. A classe eclesiástica já não é recrutada pelo impulso de uma crença; é uma multidão desocupada que quer viver à custa do Estado. A vida militar não é uma carreira; é uma ociosidade organizada por conta do Estado. (…) O Estado é a esperança das famílias pobres e das casas arruinadas. Ora como o Estado é pobre, paga pobremente, e ninguém se pode libertar da sua tutela para ir para a indústria ou para o comércio, esta situação perpetua-se de pais a filhos como uma fatalidade. Resulta uma pobreza geral» (Uma Campanha Alegre).
«… nos nossos tempos, em que o Estado está cheio de elementos mórbidos, que o parasitam, o sugam, o infeccionam e o sobre exercitam (…)» (A Correspondência de Fradique Mendes); apud A. Campos Matos, Dicionário de Citações de Eça de Queirós, Lisboa. Livros Horizonte, 2006, pp. 124/125.
Isto foi escrito no século XIX por um funcionário público empregado no Ministério dos Negócios Estrangeiros chamado Eça de Queirós. O que é terrível é que ainda está certo.
Meu caro concidadão, como já descobristes nem todos os funcionários são iguais e no setor privado também nem sempre os empregados são exemplares e os empresários mantêm-nos no posto vá-se lá saber porquê. E num e noutro setor descartam-se os mais aptos, mais capazes, mais empenhados ficando os quadros cheios de medíocres ronceiros. Mas, para além da compreensão do fenómeno importa melhorar o sistema. Isso vai demorar pelo menos uma geração, pois a máquina hoje está minada por cínicos e inúteis. Mas por entre eles há os funcionários zelosos, convictos e prestáveis que têm de aturar chefias de circunstância com ideias bizarras quantas vezes a esconderem a sua real incapacidade. Há para aí um Evangelho com a simples e sábia frase: «pelas obras os conhecereis». O mais hilariante é que alguns dos tais são dos que dizem que o leram, o professam, o têm como sagrado. Mas apenas em proveito próprio. Haja esperança nos tempos que virão.

J. A. Gonçalves Guimarães
Funcionário público na administração local;
Mesário-mor

Nota: as opiniões expressas nestes editoriais são da inteira responsabilidade do autor e apenas a ele o obrigam. A Confraria Queirosiana é estatutariamente uma associação plural onde coexistem todas as civilizadas correntes de opinião que lhe merecem o mesmo lugar de destaque e de controvérsia.


30 anos do Solar



No próximo dia 27 de setembro, sábado, pelas 15 horas, com a presença do presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Prof. Doutor Eduardo Vitor Rodrigues, abrirá ao público o curso “História e Carisma da Região do Douro Atlântico (Gaia, Porto, Matosinhos)”, organizado pela Academia Eça de Queirós, o qual decorrerá ao longo de treze sessões até março de 2015, ministrado por reconhecidos investigadores.
Com esta abertura iniciam-se também as comemorações dos 30 anos do Solar Condes de Resende como Casa Municipal de Cultura, pois para tal foi adquirido pelo município em 1984 à família da esposa de Eça de Queirós. Nesta sessão, aberta ao público em geral, serão entregues os diplomas e documentação do curso anterior sobre História Empresarial, tal como este curso certificado pelo Centro de Formação da Associação de Escolas Gaia Nascente do Ministério da Educação.
Entretanto prosseguem as palestras das quintas-feiras no Solar Condes de Resende, às 21,30 horas, com entrada livre: a 28 de agosto J. A. Gonçalves Guimarães falou sobre “As Praias de Gaia” e a 25 de setembro sobre “Espaços Públicos de Gaia: o Jardim do Morro, um emplastro urbanístico?”. A 23 de outubro Susana Moncóvio falará sobre “ O Centro Artístico Portuense” fundado por Soares dos Reis.
No próximo dia 2 de outubro tem aqui início o Curso de Pintura da professora Pintora Paula Alves e no próximo dia 5 de outubro aqui decorrerá a habitual Feira das Novidades, com vendedores de artesanato e outras coisas boas de coleção.


Dagoberto em Portugal

Dagoberto Carvalho J.or
A partir de 25 de outubro fará uma visita de saudade a Portugal o nosso confrade Dr. Dagoberto Carvalho J.or, médico, historiador da Arte e eciano maior, presidente da Sociedade Eça de Queiroz do Recife e autor de numerosos ensaios reunidos em livros sobre as relações culturais entre Portugal e o Brasil, mormente as que têm como eixo a vida, época, obra e evocações queirosianas. A partir de Lisboa, passará por Castelo Branco e depois Porto, com deslocação a Bragança, Chaves e Mirandela. Irá à Póvoa de Varzim “beijar a pedra” queirosiana e rever amigos de longa data.
No sábado, dia 25 de outubro, no Solar Condes de Resende a Confraria Queirosiana organizará em sua honra uma sessão de boas-vindas seguida de jantar por inscrição.


Escavações em Crestuma

 Escavações em Crestuma
Entre 25 de agosto e 5 de setembro decorreu mais uma campanha de escavações arqueológicas no Castelo de Crestuma dirigida pelos arqueólogos J. A. Gonçalves Guimarães e António Manuel Silva, do Gabinete de História, Arqueologia e Património da Confraria Queirosiana. Este ano, devido a restrições orçamentais, os trabalhos
incidiram apenas numa área junto à praia de Favaios onde foram descobertas estruturas construídas em pedra com abundante espólio do século VI d. C., tendo tido a visita do presidente da Câmara de Gaia, Prof. Doutor Eduardo Vitor Rodrigues e do diretor do Parque Biológico, Doutor Nuno Oliveira no dia 3 e setembro.
Entretanto diversos arqueólogos da equipa continuam a estudar o espólio e estruturas já exumadas desta impressionante estação arqueológica e a apresentar os resultados em vários colóquios internacionais, continuando em itinerância a exposição “Castelo de Crestuma: a Arqueologia em busca da História”.


Eventos culturais

Nos últimos tempos, um pouco por todo o país, diversos eventos culturais têm contado com a ação de vários confrades queirosianos, alguns dos quais passamos a divulgar.
Assim, a 13 de setembro passado decorreram em Penafiel as “1ªs Jornadas de Museologia nas Misericórdia”, organizadas pela instituição local e dinamizadas pela nossa consócia a museóloga Mestre Rita Pedras.

A 20 de setembro passado, o nosso presidente da Direção, Prof. Doutor José Manuel Tedim, conduziu uma visita guiada à nasoniana Igreja de Santa Marinha de Vila Nova de Gaia, para os sócios da Associação Cultural Amigos de Gaia.

De 2 a 5 de outubro próximo decorrerão no convento de Balsamão, Macedo de Cavaleiros, as “XVII Jornadas Culturais de Balsamão – Olhares sobre a vida e a morte”, que têm o empenhado apoio do nosso confrade Fernando Andrade Lemos, diretor do Centro Cultural Eça de Queirós de Lisboa e no qual apresentará uma comunicação o nosso confrade José Maia Marques.

A 9 e 10 de outubro decorrerá na Faculdade de Letras da Universidade do Porto o colóquio «A Grande Guerra (1914-1918): Problemáticas e representações», organizado pelo CITCEM, no qual será conferencista J. A. Gonçalves Guimarães, que falará sobre «Vila Nova de Gaia e a 1.ª Grande Guerra».

Nos dias 24 e 25 de outubro decorrerão as II Conferências do Museu de Lamego/CITCEM sob o tema “Quintas do Douro: História, Património e Desenvolvimento” no qual participarão os confrades Nuno Resende com uma comunicação sobre «“Santos da casa”: capelas, devoção e poder na região de Lamego. O património religioso ao serviço das elites» e J. A. Gonçalves Guimarães apresentará «Da intervenção arqueológica ao museu de sitio: a experiencia da Quinta da Ervamoira (Vale do Côa)».

Curandeiras chinesas

Um trabalho de investigação histórica de J. A. Gonçalves Guimarães, apresentado no Fórum Cultural da China no Museu do Oriente em 2011, organizado pelo Instituto Português de Sinologia, de que o autor é membro fundador, intitulado «O caso das curandeiras chinesas de Lisboa que queriam pôr os cegos a ver no primeiro ano da República Portuguesa», publicado em Zhongguo Yanjiu – Revista de Estudos Chineses, n.º 7, 2011, p. 225-246, serviu de base à elaboração de um romance histórico recentemente publicado sobre o mesmo tema, embora tal não apareça referido na publicação em causa. É costume os professores universitários citarem as fontes que usam e, no que diz respeito a romances históricos, até Garrett e Arnaldo Gama o faziam. Não é pois verdade que o assunto estava «varrido para debaixo do tapete da História Nacional», como escreveu o autor, pois, já mesmo antes daquele nosso artigo, o historiador Rui Ramos o tinha abordado na História de Portugal dirigida por José Mattoso, indo assim também por água abaixo a «inquirição original e pioneira» que o prefaciador lhe atribui. Já depois da obra publicada o autor informou-nos por email que se tinha inspirado naquele nosso texto para a sua elaboração. Aqui fica o registo a posteriori, para que conste.
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Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 73 – quinta-feira, 25 de setembro de 2014
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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

As guerras em nome de Deus

Estamos a evocar o centenário da I Grande Guerra, aquela que foi feita «para acabar com todas as guerras» e para durar «seis meses». Não consta que então algum dos beligerantes invocasse que ia rechaçar o inimigo em nome de Deus, porque se algum o fizesse ninguém o teria levado a sério. Mesmo assim, ainda se invocou a Santa Rússia, e os exércitos em confronto, perante a visão das mortes horríveis, foram acometidos de fenómenos de religiosidade espontânea, às vezes pouco ortodoxos, que os religiosos fardados, capelães católicos, protestantes e ortodoxos, tentaram enquadrar. Por toda a Europa, dentro e fora do teatro de guerra, ocorreram aparições da Virgem Maria, nomeadamente em Fátima, mas também, pelos vistos, se registaram fenómenos OVNI. A desgraça dos povos e a mortandade dos militares, dos civis e dos animais proporcionaram o extremar das crenças. Como ficou então muita coisa por clarificar, veio depois a II Grande Guerra.
Se na primeira ainda havia imperadores e impérios, vindos do século XIX, a segunda realizou-se já em plena soberania do povo, que, através de eleições, colocou no poder os governantes que a declararam e que a legitimaram, como foi o caso de Franco, Hitler, Mussolini, e outros governantes dos Aliados ou do Eixo. O povo podia ter vetado a guerra, mas estando então preocupado com as consequências da crise económica, do desemprego e da falta de perspetivas sociais, deixou isso na mão dos seus escolhidos, eleitos ou tolerados governantes. Depois foi morrer nos combates. Portugal, tendo entrado na primeira, fez-se neutro na segunda. E aqui, curiosamente, não foi o povo quem decidiu, mais o ditador de Santa Comba. Entretanto chegaram-nos mais algumas guerras avulsas depois, as da Coreia, do Vietnam, do Biafra e das colónias portuguesas de Angola, Guiné e Moçambique, além das do Médio Oriente, que continuou em guerra devido aos problemas ali deixados pelos intervenientes no segundo conflito mundial, nomeadamente os ingleses. Depois as guerras do Golfo, do Afeganistão, da Líbia, da Síria e, recentemente a da Ucrânia, feitas em nome da sociedade ocidental (leia-se interesses ingleses, alemães, franceses, russos e, sobretudo, americanos) contra os “ditadores locais”, então muito mais “ocidentalizados” do que os que se lhes seguiram e estão agora no poder, os quais, como se tivessem permanecido ou regressado à Idade Média, dizem que estão a fazer a guerra «em nome de Deus», o que até agora só era feito pelos judeus, que não abdicaram aindado projeto imperialista religioso do “Grande Israel”, que Jeová lhes terá prometido, mas que se esqueceu de combinar com os palestinianos, o que mostra que alguns povos ainda têm um deus totémico, mas não universal. Mas foi em nome desse ente universal que recentemente o Papa Francisco proclamou que não se fazem guerras em nome de Deus, talvez a sua declaração mais teológica, mais polémica, mais carregada de esperança futura de todo o seu pontificado, até porque ele é hoje o chefe de um estado europeu e de uma religião que, até ao século XVIII, patrocinou guerras em nome de Deus contra os muçulmanos, os hereges, os animistas, os de qualquer outra crença diferente. Trata-se não apenas de uma mudança radical da política da Igreja Católica, como esta declaração terá provavelmente um grande efeito civilizacional que influenciará os homens e mulheres bons de todo o mundo, pois daqui para a frente só os fanáticos, os intolerantes, os fundamentalistas, ou seja, só os criminosos à luz do direito e da ética universais, continuarão a fazer guerras em nome de Deus, do seu deus étnico, o que a Humanidade já não tolerará. Provavelmente ainda teremos mais algumas guerras locais, para definir direitos territoriais e fronteiras, para proteger o acesso a bens e produtos pelos seus proprietários, para conter e reprimir bandos armados, para meter na ordem internacional ditadorzecos de circunstância, para reprimir a pirataria e o banditismo localizados ou internacionais, para reprimir o tráfego de produtos não controlados, sejam eles os medicamentos, o tabaco, a droga, ou o dinheiro sujo dos banqueiros de colarinho branco, que já em grande parte dominam os governos de muitos países e a política internacional.
Tudo isto me lembra o que Eça de Queirós escreveu há mais de cem anos:
«Por todo o universo a religião desaparece das almas; e apenas lá fica essa vaga religiosidade, feita em parte do abalo que deu ao nosso coração uma tão longa sujeição ao sobrenatural, em parte do confuso terror que impera neste grande universo que nos cerca, tão simples e tão mal compreendido. Neste estado negativo, de passividade na dúvida, não se gera facilmente um impulso de ação forte. Um jehad no Islão é tão impraticável – como uma cruzada no cristianismo. Pedro Eremita hoje iria acabar na polícia correcional, por perturbador da ordem pública e das relações internacionais; e os fanáticos que, ainda hoje, às portas das mesquitas do Cairo, bradam contra o touriste estrangeiro as injúrias aconselhadas pela boa doutrina, são imediatamente levados para a enxovia, por fazerem alarido nas ruas!
Maomé, nas suas mesquitas, Cristo, nas nossas capelas, vão singularmente envelhecendo; o nosso Messias vai-se cobrindo pouco a pouco do pó que levanta o forte arado da razão, lavrando um mundo novo; e o profeta do Islão, tendo perdido a força da sua unidade, subdividido em mil profetas menores que presidem a mil seitas diferentes, mal pode resistir à lenta avançada da civilização ocidental. E com Cristo e Maomé, que eram os princípios militantes e vivos das suas religiões, desaparece o que nessas religiões havia de vivo e de militante. Resta Deus, resta Alá. Sublimes abstrações, incapazes de inspirar amor ou heroísmo» (Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra).
Hoje, no Iraque, na Síria, na Palestina, na Argélia, no Afeganistão e no Egito, onde os EUA e o “mundo ocidental” têm ido abanar o vespeiro fundamentalista islâmico e judeu, há de novo guerreiros assassinos a fazerem a guerra em nome de Alá e de Jeová. Como pediu o Papa, não lhes juntemos Deus, e que impere o bom senso armado para conter os loucos que ali estão diariamente a assassinar seres humanos em nome de outro deus, só porque querem roubar-lhes a terra, a casa, a sua vida simples, pensando assim justificar os seus crimes aos olhos, quase sempre muito distraídos, da Humanidade, que já não acredita nem aceita esta justificação: os crimes cometidos têm autores, que deverão ser levados como réus aos fóruns internacionais.

J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria Queirosiana


“Os Maias” por João Botelho

A 11 do próximo mês de setembro estreia nos cinemas a nova versão de “Os Maias – alguns episódios da vida romântica”, do realizador João Botelho, produzido pela Ar de Filmes, tendo as filmagens decorrido em Lisboa e Ponte de Lima com um elenco que integra grandes atores. Além da versão cinematográfica, haverá uma outra para série televisiva, com estreia garantida no Brasil.
Eça continua na ribalta nacional, agora “num cinema perto de si”.






Carta inédita de Eça

Tendo já publicado 913 cartas de Eça de Queirós, a maioria inéditas, A. Campos Matos acaba de divulgar mais uma, desta feita encontrada na Fundação Guerra Junqueiro no Porto, datada de 1878 e dirigida pelo primeiro ao patrono daquela fundação, a propósito do texto que o autor de “A Velhice do Padre Eterno” escreveu sobre “O Primo Basílio”. Esta carta está publicada na última página do “JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias”, dirigido por José Carlos de Vasconcelos, n.º 1145 de 20 de agosto passado, sendo um notável exemplo, entre outras razões, da admirável prosa queirosiana.


J. Rentes de Carvalho

Também o escritor J. Rentes de Carvalho continua “em grande”: para além do seu incontornável blogue “Tempo Contado”, onde posta notáveis textos e imagens imperdíveis, temos agora a segunda edição neerlandesa de “A Flor e a Foice” já no mercado (na Holanda e na FNAC de Bruxelas). Por sua vez “Ernestina” tem entre nós uma nova edição da Quetzal com uma capa bem apelativa.
No próximo mês de setembro, a 5, nova edição de “Montedor” chega às livrarias, aquele que foi o seu primeiro romance publicado em 1968 pela Prelo, no qual o prefácio de António José Saraiva então anunciava que «…o Autor, com essa matéria que é a vida portuguesa, inventando um símbolo, uma presença, [conseguiu] ter enriquecido o Olimpo literário com mais uma figura e uma fábula que lá não existiam», acrescentando então que « o maior elogio do livro que tenho o gosto de prefaciar, é que não é uma repetição, mas uma invenção» (Nota prefacial da 1ª edição).

Curso do Solar

Abrirá no próximo dia 27 de setembro, sábado, o novo curso do Solar Condes de Resende, organizado pela Academia Eça de Queirós, o qual decorrerá até Março de 2015, num total de treze sessões que decorrerão ao ritmo de dois sábados por mês, entre as 15 e as 17 horas, desta vez intitulado “História e Carisma da Região do Douro Atlântico (Gaia, Porto, Matosinhos), de que esta é a 5.ª edição, com novos temas com investigação recente a apresentar. São professores Amândio Barros, António Manuel S. P. Silva, António Barros Cardoso, Fantina Tedim, Francisco Ribeiro da Silva, J. A. Gonçalves Guimarães, Joel Cleto, Jorge Fernando Alves, José Manuel Tedim, Manuel Luís Real e Nuno Oliveira.
O curso será certificado pelo Centro de Formação da Associação de Escolas Gaia Nascente do Ministério da Educação e a todos os inscritos será passado um diploma de frequência e fornecida a respetiva bibliografia, sendo ainda os interessados orientados para diversos temas de investigação inédita que poderão apresentar em mestrados ou doutoramentos.
O Solar Condes de Resende realiza cursos livres desde 1991.

Real Gabinete Português de Leitura

Localizada na Rua Luís de Camões n.º 30 no Rio de Janeiro, fundada em 1837 e aberta ao público desde 1900, a biblioteca do Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro, possui a maior coleção de obras portuguesas fora de Portugal, incluindo algumas raridades como manuscritos de Eça de Queirós.
Em Julho passado foi classificada como uma das vinte mais bonitas, segundo a classificação da revista “Time”, aparecendo na quarta posição junto das mais famosas bibliotecas do mundo. É atual presidente da direção o nosso confrade honorário Dr. António Gomes da Costa.

Feira Medieval

No passado dia 4 de agosto, a convite da Confraria da Fogaça para uma visita à Feira Medieval de Santa Maria da Feira, ali se deslocou uma delegação da Confraria Queirosiana composta por Gonçalves Guimarães, Maria de Fátima Teixeira e Henrique Guedes, os quais constataram o enorme desenvolvimento desta realização e o fascínio que exerce sobre os visitantes.
Porém é pena que as entidades locais tenham abandonado o apoio à investigação científica sobre os temas medievais da Terra de Santa
Maria, a qual já existiu e com notáveis resultados, nos anos oitenta do século passado, quando então se publicaram obras de José Mattoso, A. de Almeida Fernandes e outros sobre a região. Supomos que a realização deste evento popular não prejudicaria um outro paralelo de caráter erudito. É que já temos visto feiras medievais com ciganos, beringelas e potes de ferro fundido de três pernas, estes últimos, como é sabido, um produto industrial do século XIX que não existia na Idade Média.

Palestras no Solar

Prosseguem no Solar as palestras das últimas quintas-feiras do mês, às 21,30 horas, entrada livre: no próximo dia 28 de agosto J. A. Gonçalves Guimarães falará sobre “As praias de Gaia como estâncias balneares” e, no dia 25 de setembro, sobre “O Jardim do Morro: um emplastro urbanístico?”.

Gastronomia em Vila do Conde





No passado dia 22 abriu ao público a 16.ª edição da “Cozinha à Portuguesa – Feira de Gastronomia de Vila do Conde”, organizada pela autarquia, este ano com renovada qualidade e apresentação de produtos de todas as regiões do país.
Na cerimónia de abertura estiveram presentes várias confrarias, entre as quais a Queirosiana que se fez representar por César Oliveira, Gonçalves Guimarães, Licínio Santos e António Pinto que se deslocaram àquele certame num automóvel histórico, marca Citroen, 1949, 11 BL, impecavelmente conservado e propriedade do presidente da MAG da confraria.

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Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 72 – segunda-feira, 25 de agosto de 2014
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sexta-feira, 25 de julho de 2014

Eça & Outras

 Afinal o que é a Cultura?

Volta e meia os políticos e outros cidadãos enchem a boca com a palavra cultura. Mas, na maior parte das vezes, estão a referir-se a espetáculos, show bizz, festivais, exposições, o que não é, nem nunca foi, a mesma coisa, embora, às vezes possam sobrepor-se e coincidir no conceito e nos objetivos. Estão a referir-se a artistas, atores, realizadores, músicos, empresários, jornalistas, designers e outros agentes da efemeridade, respeitáveis embora, mas profissionais do espetáculo, do marketing, da comunicação social, de outras coisas que não da cultura. Para defender o meu ponto de vista talvez chegue mais depressa ao que quero dizer através de uma metáfora, um suponhamos.
Se eu tivesse poder para tal, o próximo governo teria um Ministério da Cultura, não só porque Portugal é efetivamente um país que a tem e que a produz, como também a vende, através do Turismo e de outras ações. E nem valerá a pena recordar que temos vários Patrimónios Culturais da Humanidade, materiais e imateriais, uma História, uma Literatura, uma Ciência, uma Arte, Monumentos, Universidades, Institutos e tudo o mais onde ela (a cultura) se deve preservar, estudar, produzir e divulgar.
Esse ministério, com um ministro saído dos profissionais da área com curriculum, e não um diletante qualquer “com muito jeitinho para a cultura”, teria apenas duas secretarias de estado: a da Cultura que o É, e a da Cultura que Talvez o venha a ser, que depois abreviaríamos para secretaria de estado do que É, e a do Talvez.
A primeira trataria dos sítios, monumentos, museus, institutos, peças, obras e manifestações tradicionais classificadas ou ainda por classificar, através de arqueólogos, historiadores, antropólogos, museólogos, historiadores de Arte, patrimoniólogos, restauradores, bibliotecários, documentalistas e outros profissionais que produzem conhecimento sobre Arqueologia, História, Arte, Literatura, Ciência, Arquivos, Museus, Coleções e todos aqueles aspetos da portugalidade ou da humanidade sobre os quais estamos todos de acordo que cabem no conceito de cultura sem quaisquer dúvidas e como tal são tidos pela história e pela sociedade, ainda que uma boa parte dela habitualmente ignore ou mesmo despreze esses valores e se contente com banalidades, a maior parte das vezes elementos daquela massa acrítica que tudo come, desde que bem servido, e que vai a Serralves ou a qualquer galeria ou evento dito cultural como quem vai a um funeral, a Fátima, a Jerusalém ou a Meca, atentos veneradores e obrigados, sem qualquer espírito interrogativo, sem qualquer espírito crítico. Comem e pronto. E já vão previamente convencidos de que vão gostar antes de verem.
Na secretaria de estado do Talvez colocaria os teatros, cinemas, salas de espetáculo, companhias, produtores, atores, cantores, músicos, que interpretam obras atuais ou que executam artes ditas contemporâneas (pois que outro nome haveriam de ter?), bem assim como toda a arquitetura, arte pitórica ou outra, música, literatura, e todas aquelas manifestações recentes ou atuais, desde os anos cinquenta do século passado, que nenhum de nós sabe se “vão ficar” na “História da Cultura ou na Cultura dos povos”, por mais marketing, publicidade ou outras técnicas de influência de massas que lhes ponham em cima. Daí o Talvez, que só saberemos se será certo daqui por uns bons cinquenta anos. Alguém recordará então o La Féria? Alguém lerá Agustina? Alguém terá uma vivenda de Moura, ainda que classificada à pressa? Alguém terá uma daquelas instalações de Serralves em casa ou na empresa? Um quadro de Ângelo? Um filme de Monteiro? Uma música de Peixinho? Talvez. Talvez é o mais honesto que poderemos agora profetizar. Mas todos temos a certeza que já são e continuarão a ser cultura a Língua Portuguesa, Camões, Carlos Seixas, o Mosteiro da Batalha, Eça de Queirós, Nasoni, Amadeu Souza-Cardozo e tantas, tantas outras referências, quantas vezes ignoradas, esquecidas, mal estudadas, todas na cultura que É, e não na do Talvez dos lobbies. Como escreveu Eça de Queirós, «não há nada tão ilusório como a extensão de uma celebridade, parece às vezes que uma reputação chega até aos confins de um reino – quando na realidade ela escassamente passa das últimas casas de um bairro… e nada viaja com uma lentidão igual à da Fama» (Cartas de Inglaterra).
O dinheiro para a cultura, saído do orçamento do estado e das autarquias, conforme a importância e real incidência imediata dos projetos, seria de 75% para o “É” e 25% para o “Talvez”, que, achando-o insuficiente, teria de gerar autossuficiências através de mecenas privados, pois de outro modo o estado pode estar a financiar manifestações artísticas muito discutíveis que não deixarão quase nada, nem para as gerações atuais, nem para as futuras, a não ser, talvez, a memória de que existiram, o que é muito pouco. Porque cultura É, sempre e de certeza, o que fica, e não o que passa.
Aliás, caros amigos, nunca desconfiaram do fato de serem alguns banqueiros e outros empresários de poucas letras, quem, para além de gerirem mal a sua área (é o que todos os dias ouvimos nos media!), quererem ser eles, através dos bancos e empresas, a financiar a cultura do Talvez, aquela que provavelmente não deixará nada, ou muito pouco, em desfavor da cultura que “É”? Porque será que querem ser eles e os seus curadores e promotores, que as mais das vezes nunca escreveram uma linha sobre teoria da cultura, mas que produzem farfalhudos catálogos cheios de irrelevâncias e de design, a fazê-lo?!
Se queremos ter uma indústria e um comércio da cultura não poderemos usar essa palavra para designar o que não sabemos se algum dia o virá a ser, não poderemos nunca trocar os deslumbramentos do momento pelo que está solidamente consolidado entre os profissionais e na memória coletiva, ainda que todo este universo careça permanentemente de análise e de revisão, pois para o conceito ser aceitável e útil tem de ser vivo e mutante.
Mas a cultura também não é um entretenimento nem um chorrilho de banalidades para ocupação de tempos livres de criancinhas e velhinhos. Não é que não possa sê-lo, ou que até não deva sê-lo, mas isso é apenas uma parte das suas funções. Façam-lhe a justiça de achar que deve ser algo mais. E, se não sabem, aprendam, que não falta onde. Mas não me chamem cultura ao que, para já, ainda o não é, e que em muitos casos até estará a matar à fome ou de desprezo a atividade profissional em que a mesma se encontra nos monumentos, nos museus, nas universidades, por aí à nossa volta. Abram-me os olhos e vejam. Raramente o que parece, É. Na melhor das hipóteses, Talvez. Escolham se fazem favor.

J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria Queirosiana


Distinções autárquicas

No passado dia 28 de junho a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia distinguiu com a medalha de mérito municipal, entre outras personalidades, os confrades queirosianos Albino Jorge, administrador do Grupo Taylors e da Quinta da Boeira, criador do Vinho do Porto Confraria Queirosiana Reserva tawny; Amélia Traça, ex-autarca e membro dos anteriores corpos gerentes da Confraria; César Oliveira, empresário, ex-presidente da Assembleia Municipal, e atual presidente da Mesa da Assembleia Geral da Confraria, os quais têm tido ações relevantes no engrandecimento do município em vários domínios

Leiria queirosiana

No passado dia 22 de maio o Município de Leiria distinguiu com a medalha da Cidade o nosso confrade Joaquim Santos, jornalista, diretor do Notícias de Colmeias, investigador da Universidade de Coimbra e autor de diversas obras sobre a História da região.
No mesmo dia e também integrada nas festividades do município, o nosso confrade Ricardo Charters d’ Azevedo apresentou na Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira o primeiro volume dos “ Cadernos de Estudos Leirienses” por si patrocinado, que visam divulgar estudos históricos sobre a cidade e a região do Lis.


As Artes entre As Letras, ano V

No passado dia 28 de junho, na Casa das Artes do Porto, o jornal As Artes entre As Letras festejou com a sua diretora Nassalete Miranda e a sua equipa, os habituais colaboradores do jornal e muitos dos seus leitores, o seu 5º aniversário, tendo na ocasião sido projetado um depoimento do nosso confrade Guilherme de Oliveira Martins que através dessa possibilidade esteve presente no evento com as suas palavras sempre cheias de serena sabedoria, ponderação e incentivo. No varandim do auditório estavam artisticamente colocadas as 125 revistas já publicadas, um acervo cultural que muito prestigia o norte do país e que ficará como publicação de referência. Recordamos que desde o seu primeiro número que este jornal acolhe a publicação mensal da página Eça & Outras, que tem assim uma difusão maior no mundo lusófono.

Palestras e conferências

No passado dia 18 de julho, Isabel Pires de Lima proferiu uma conferência a convite do Centro de Conhecimento dos Açores, na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, sobre o tema “ Antero e Eça - mel e a cera (diálogos sobre a res publica)“, na qual analisou a complementaridade entre as utopias do primeiro e o obreirismo literário do segundo em volta da ideia republicana.
Ontem, dia 24, o grupo de investigação do Centro Eça de Queirós, do Lumiar, Lisboa, apresentou no Congresso Internacional dos Dominicanos, que decorreu na Sociedade de Geografia de Lisboa, uma comunicação sobre “A Quinta do Frade”, situada naquela localidade e que pertenceu à referida Ordem.

Boletim dos Amigos de Gaia

No passado dia 19 de julho foi apresentado no Solar Condes de Resende o número 78 do Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia, entidade com quem os ASCR-CQ têm um protocolo de colaboração. Na mesa estavam o presidente da direção, Salvador Almeida, o diretor do boletim Barbosa da Costa e o diretor adjunto Gonçalves Guimarães. Na assistência, além de vários autarcas, os sócios e habituais colaboradores do boletim. Saliente-se que este número, como alguns dos anteriores, teve a quase total colaboração de confrades queirosianos, nomeadamente os investigadores Virgília Braga da Costa, Maria de Fátima Teixeira, Licínio Santos, Eva Baptista e J. A. Gonçalves Guimarães, investigadores do Solar Condes de Resende. Na ocasião o diretor adjunto, numa breve alocução, pronunciou-se sobre o panorama nacional das revistas de incidência local.

Exposições

Entre julho e agosto o nosso confrade Major Simões Duarte apresenta as suas obras mais recentes numa exposição coletiva na galeria Atmosfera M, do Montepio Geral, ali bem perto d Palácio de Cristal no Porto.


Escavações arqueológicas

No próximo mês de agosto, a parti do dia 25 e até 5 de setembro, o Gabinete de História, Arqueologia e Património dos ASCR – CQ vai realizar mais uma campanha de escavações no Castelo de Crestuma, Vila Nova de Gaia, dirigidas pelos arqueólogos António Manuel Silva e Gonçalves Guimarães. Como este ano não houve qualquer financiamento para a ação, esta incidirá apenas numa frente junto ao Rio Douro, numa área onde no ano transato começaram a evidenciar-se construções eventualmente relacionadas com o porto romano já descoberto. Entretanto, no seguimento do estudo do espólio desta importante estação situada no Parque do mesmo nome, os arqueólogos da equipa têm estado presentes e apresentado comunicações em diversos fóruns nacionais e internacionais, publicadas nas respetivas atas.

Tomar um Porto com:

Já há muito tempo que desisti de revelar com quem gostaria de tomar um Porto. Fui acusado de parcialidade (o que é verdade), e de outras coisas mais. Mas desta vez não posso deixar de recordar o Professor Delgado Domingos, cientista e docente do Instituto Superior Técnico em Lisboa, falecido a 5 de julho passado, o cidadão conhecedor e probo que nos livrou de um programa e de uma central nuclear obsoletos, que a Westinghouse nos queria impingir nos anos 70, tendo então conquistado os amores de alguns políticos e governantes da época, quando o responsável em Portugal pelo controle das radiações ionizantes e o licenciamento das instalações onde elas se produziam era um médico cuja principal atividade científica era escrever versos para as revistas do Parque Mayer, e um físico do então LNETI teve chatices por andar a medir a radioatividade dos rios portugueses, nomeadamente os que vinham de Espanha! Lembram-se da projetada central nuclear em Ferrel, Peniche? Lembram-se da canção de Fausto “Rosalina se tu fores à praia…”? Pois aquele professor foi a consciência científica e cidadã contra a sucatada atómica que então alguns tecnocratas que ainda andam por aí nos queriam impingir. Nas suas palestras sempre tentou que os seus ouvintes distinguissem a Física Nuclear dos projetos comerciais de produção de energia atómica a qualquer preço. Vou pois tomar um Porto em sua memória. (J. A. G. G., ex-técnico de Radiologia, com formação em proteção contra radiações ionizantes).

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Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 71 – sexta-feira, 25 de julho de 2014
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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Eça & Outras


Ateu da religião do Futebol

Meus amigos, tenho sempre tanto pudor, tanto arrependimento, tanto desgosto em desiludi-los. Eu bem gostaria de ser um cidadão normalíssimo, sossegado, filiado num bom clube de futebol e num bom partido político, que cumprisse os preceitos cívicos e religiosos regulamentados, que tivesse uma consorte (com sorte?!) que não lesse muito os escritores premiados e que soubesse que há searas mais férteis do pensamento, enfim, apenas mais um entre iguais. E na realidade assim sou: um banalíssimo cidadão assalariado do seu trabalho, cumprindo os preceitos sociais e democráticos quanto baste, procurando ser útil aos seus concidadãos e aos seus semelhantes segundo aquele preceito universal comum a todos os humanos que não passam fome e que na solidão, ou na sua tribo, vivem um aparentemente sossegado quotidiano, como se fossem pastores do rebanho da normalidade. 
Não, não quero ajudar a criar nenhum império, nem militar nem filosófico, nem religioso, nem económico, nem futebolístico, consciente das tiranias e efemeridades dos que nos precederam, próprios ou alheios, e daqueles em que ainda vivemos mergulhados (FMI; BCE; multinacionais conhecidas e secretas; congregações religiosas internacionais de vários credos; FIFA; G7 ou G8 ou G6 ou G9, conforme as cimeiras, OTAN ou Pacto de Varsóvia, ou o que quer que lhes tenha sucedido e tutti quanti). Não votei jamais para que haja nações polícias do mundo e não reconheço qualquer “raça eleita” a não ser a do banalíssimo homo sapiens sapiens, e, mesmo assim, com interrogações.
Não quero destruir nenhuma civilização, por mais perversa que ela me pareça, pois tenho a certeza, dada pelo conhecimento da História, que também aí existem os que querem partilhar o seu copo de água fresca à sombra de uma boa árvore de fraterno convívio humano, se os deixarem.
Mas todo este arrazoado, oh leitores, para quê? E porquê? Para além do desafiar o enfado de vossa paciência? É que eu tenho direito a defender-me, mesmo na minha insignificância e para tal, socorro-me do nosso Eça, a ver se ganho alguma autoridade no que a seguir escrevo. Nestes tempos de Mundial de Futebol, uma das maiores religiões, atualmente quase universal, tenho sido olhado de soslaio e vítima de reprimendas sérias em público e em privado que têm como alvo o meu ateísmo futebolístico, que nem sequer é militante, mas que, pelos vistos, ofende os crentes, os devotos de S. Ronaldo, os bispos da FPF, os cardeais da FIFA, os agentes de viagem, os vendedores de cachecóis com frases idiotas, os fabricantes de imagens de jogadores de futebol, os vendedores de couratos e cervejas à porta dos templos, perdão, dos estádios, os canais de televisão e, obviamente, a tremendíssima máquina económica que está por detrás de tudo isso, sempre mergulhada em trapaças, quando não mesmo em crimes económicos e sociais. Choca-me que os indigentes e assalariados do meu país alimentem esta máquina e sobretudo que achem que assim é que está certo, para seres normais. O pária aqui serei eu.
Antes de mais deixem que lhes diga que não tenho nada contra o Futebol em si mesmo, como divertimento de multidões, espetáculo, e até, talvez, desporto, pelo menos para os meninos que, como eu fiz, jogam a bola na rua, ou de preferência num campo a tal destinado.
Mas eu sou daqueles estúpidos que ainda acreditam que isso poderia ser um bom motivo para festas da humanidade, uma oportunidade para o fair play, aquele abraço ao adversário que lealmente nos superou. Mas não, a coisa é posta pelos governantes e pelos eleitores como se a seleção nacional (?!) fosse o atual exército de Aljubarrota e dele dependesse a independência de Portugal, o que é, no mínimo, ridículo.
Cidadão terráqueo, o mais universal possível, que gostaria de ter um cartão das Nações Unidas, embora seja afetivamente palopiano (dos PALOP,s) e europeu, de matriz greco-latina matizada com valores nórdicos e mediterrânicos, português e duriense, não sou obviamente indiferente à afirmação no palco mundial da casa-mãe que habito com os meus concidadãos mais chegados, mas tudo isso dentro de algum bom gosto, bom senso e fraternidade universais. A festa, a partilha, percebem?!
Aos devotos da religião do futebol, aqueles que creem porque sim, indiferentes a qualquer interrogação sobre os fundamentos da sua “fé”, direi apenas que a minha consideração vai antes para todos os que «amam a pátria, não dedicando-lhe estrofes, mas com a serenidade grave e profunda dos corações fortes. Respeitam a tradição, mas o seu esforço vai todo para a nação viva, a que em torno deles trabalha, produz, pensa e sofre e, deixando para trás as glórias que ganhamos nas Molucas, ocupam-se da pátria contemporânea, cujo coração bate ao mesmo tempo que o seu, procurando perceber-lhe as aspirações, dirigindo-lhe as forças, torná-la mais livre, mais forte, mais culta, mais sábia, mais próspera, e por todas estas novas qualidades elevá-la entre as nações» (Eça de Queirós, Notas Contemporâneas). Ora, me desculpem, até à data e no meu modestíssimo entender, o mundo do futebol, local, nacional e internacional ainda não se encaixou nestas «formas superiores de pensamento» (Idem, idem) e por isso, repito, lamentando desapontá-los, continuarei quase indiferente ao concílio futebolístico que se desenrola lá para o Brasil e as telenovelas a que dará origem.
E aquele “quase”, podem crer, é uma tremenda tentativa de algum “espírito de tribo” da minha parte para com todos vocês, oh crentes da religião do futebol.
E ademais, como muito bem clarificou um tal treinador de futebol, homem riquíssimo graças aos pontapés na bola, «eu não sou o Eça de Queirós!». Isso já se sabia, mas talvez o dito ainda venha a lê-lo, para proveito seu e de todos nós. No próximo ano de 2015 Eça “jogará” em S. Paulo e, reparem bem nesta minha infinita serenidade de crente noutra “religião”: tenho a certeza absoluta que o escritor, eu próprio, todos vocês, Portugal, a Língua Portuguesa, a fraternidade universal, vamos ganhar esse “campeonato”. Vai um cachecol com o Eça?
J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria Queirosiana

Eça em S. Paulo

Criado em 2006, o Museu da Língua Portuguesa de São Paulo é caso único no panorama museológico mundial, ao dedicar-se exclusivamente à universalidade de um dos idiomas mais falados no planeta.
Em recente visita a Portugal o seu diretor, Carlos Augusto Santini, concedeu a Andreia Azevedo Soares uma entrevista, publicada no “Público” a 13 de junho passado em que concretiza mais um pouco a programação da projetada exposição sobre a vida e obra de Eça de Queirós que ali decorrerá em 2015 e que visa tornar o escritor mais familiar ao público ledor brasileiro, tendo em conta que ele é um património comum a brasileiros e portugueses, mas ao mesmo tempo universal.
Sendo um dos museus mais visitados do Brasil e da América Latina, esta exposição será certamente um marco importante na afirmação da lusofonia e servirá ainda para reduzir à sua verdadeira dimensão aspetos teóricos e técnicas como o Acordo Ortográfico, com que se têm entretido os escarafunchadores de banalidades a haver.
A falar, a ler e a escrever é que a gente se entende, com mais ou menos sotaque, mais ou menos ortografia acordada.

Eça de Queirós em Engenharia

No passado dia 30 de maio na Sala de Atos da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, o Club de Leitura da sua biblioteca organizou uma sessão sobre Eça de Queirós em que foram palestrantes, Isabel Margarida Duarte, da FLUP e Augusto Santos Silva da FEP, tendo sido moderador Sebastião Feyo de Azevedo, professor de Química, diretor daquela faculdade e Reitor eleito da Universidade do Porto. O mote foi: «Será que a leitura da obra deste autor nos ajuda a perceber melhor a realidade sócio cultural portuguesa?».

A. Campos Matos


Em entrevista concedida em abril passado a José Roberto de Andrade, e publicada no jornal As Artes entre as Letras de 11 de junho passado e que no próximo dia 28 festejará o seu quarto aniversário com uma sessão às 15 horas na Casa das Artes no Porto, A. Campos Matos, para além das suas contínuas reflexões pessoais sobre a vida e obra de Eça de Queirós, que vai revivificando e publicando indiferente à sornice de alguns meios literários, anunciou para breve algumas reedições dos seus trabalhos e uma nova obra sobre o escritor com mais de quatrocentas páginas, para além da saída, talvez ainda este ano, da 3.ª edição do seu Dicionário de Eça de Queirós em dois volumes, pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda: «Sou de facto um trabalhador persistente da obra queirosiana», afirmou na referida entrevista.

Livros

A Relíquia ilustrada

Chega-nos a notícia pela pena de Adelto Gonçalves, também no jornal As Artes entre as Letras, de que em 2013 foi editada pela Fundação Waldemar Alcântara, de Fortaleza, Brasil, a obra de Eça de Queirós A Relíquia. Uma Antologia Ilustrada, pelo traço do arquiteto Rui Campos Matos, que ao rigor iconográfico épocal alia uma linguagem plástica atual de grande qualidade.
Filho de A. Campos Matos, ilustrou Clepsidra de Camilo Pessanha em 2006 e uma antologia de Os Maias, em 2009, além de outras colaborações na Fotobiografia de Eça de Queiroz: vida e obra, da autoria de A. Campos Matos, publicada pela Leya em S. Paulo, em 2010. Fica assim esta edição como um marco incontornável de um dos romances portugueses que mais contribuíram para a maturidade da cultura portuguesa, reconhecida internacionalmente como uma obra-prima, mas olhada de soslaio entre nós.

Retrato de Rapaz

No passado dia 5 de junho, na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, foi apresentado pelo Professor Alexandre Quintanilha o mais recente livro de Mário Cláudio intitulado Retrato de Rapaz, editado por Publicações D. Quixote, uma novela sobre um endiabrado aprendiz no atelier de Leonardo Da Vinci.

Eventos

A maior garrafa do Mundo

A 31 de maio passado, na Quinta da Boeira, Vila Nova de Gaia, foi inaugurada a maior garrafa do Mundo em fibra de vidro, uma estrutura com 32 metros de comprimento e 9,5 metros de largura, podendo acolher 150 visitantes para provarem os vinhos das diferentes regiões vinícolas portuguesas. Volta assim Vila Nova de Gaia a ser a «taberna que dá vinho para todo o mundo» como um dia escreveu Camilo Castelo Branco, até porque ali decorreu a Portugal Wine Trophy, uma prova mundial de 1000 vinhos integrada neste evento, que teve o seu ponto alto na insigniação de confrades honorárias da Federação Portuguesas das Confrarias Báquicas, entre eles Eduardo Vitor Rodrigues, presidente de Câmara Municipal de Gaia e indigitado confrade queirosiano.
Situada na periferia do Centro Histórico de Gaia, a Quinta da Boeira acolheu uma feira de produtos tradicionais portugueses que passou a ser ponto de passagem obrigatório do circuito habitual dos turistas nacionais e estrangeiros da região do Porto e Norte.
Ao evento, dinamizado pelo nosso confrade Albino Jorge, estiveram presentes, entre outros confrades queirosianos, Manuel de Novais Cabral, presidente do IVDP, J. A. Gonçalves Guimarães, mesário-mor; César Oliveira, presidente da MAG; Guilherme Aguiar, vereador do Turismo da câmara de Gaia e Olga Cavaleiro, presidente da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas.

Feira das Novidades

 Eduardo Vitor Rodrigues
 no Solar Condes de Resende
No passado dia 1 de Junho, Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia visitou a Feira das Novidades no Solar Condes de Resende, iniciativa da Confraria Queirosiana para apoio a pequenos comerciantes e vendedores que fazem pela vida. Acolhido pelo presidente da direção, José Manuel Tedim, pelo mesário-mor J. A. Gonçalves Guimarães e por Ilda Castro, comissária do evento, tendo cumprimentado todos os feirantes comprou produtos em todas as bancas. No próximo dia 6 de julho, domingo, haverá nova edição.



Dia de Itália

Susana Moncóvio, José Manuel Tedim,
Ilda Tedim e J. A. Gonçalves Guimarães
no Palácio do Freixo
«A Itália será o eterno amor da Humanidade sensível», deixou escrito Eça de Queirós em O Mandarim. Por este motivo, e também como reconhecimento pela ação cultural de há anos a esta parte desenvolvida pelo presidente da Associazione Sócio-Cultural Italiana del Portogallo-Dante Alighieri, ten. General Ângelo Arena, a convite do cônsul honorário de Itália no Porto, Dr. Paolo Pozzan, estiveram presentes no Dia de Itália, presidido pelo embaixador Renato Varriale, que se celebrou no passado dia 8 de junho no Palácio do Freixo, José Manuel Tedim, J. A. Gonçalves Guimarães e Susana Moncóvio dos corpos gerentes da Confraria Queirosiana. Na exposição então inaugurada «Il Mondo in Italiano» evidenciavam-se os tributos daquele «eterno amor» que lhe têm devotado muitos artistas e intelectuais portugueses, muitos dos quais presentes nesta festa.

Cursos e palestras

Diversos membros dos corpos gerentes da Confraria Queirosiana e das suas comissões de trabalho têm realizado conferências e palestras para os mais diversos públicos e entidades. Assim, no Solar Condes de Resende, a 22 de maio, J. A. Gonçalves Guimarães dissertou sobre “Vila Nova de Gaia e 1.ª Grande Guerra” e a 13 de junho em Ponte de Lima sobre “Iconografia do Vinho Verde na comercialização do Vinho do Porto” no âmbito das 1.ªs Jornadas sobre o Vinho Verde. A 23 de junho participou num programa na Rádio Placard sobre as festividades populares de S. João. A 9 de julho na FLUP, lecionará no I Curso de Verão sobre O Vinho do Porto: Memória, Identidade & Recurso, organizado pelo CITCEM, o tema “ Vinho do Porto, vinho com Arte”.
Por sua vez, José Manuel Tedim, falará a 26 de junho no Solar Condes de Resende sobre “André Soares e Frei José de Santo António Ferreira Vilaça, artistas de Rococó em Portugal”, nas habituais conferências das últimas quintas-feiras do mês.
A 28 de julho, no Parque do Castelo de Crestuma, será a vez de António Manuel Silva, sobre aquela estação arqueológica, e Maria de Fátima Teixeira sobre a Fábrica de Fiação de Crestuma, numa caminhada cultural a realizar naquela localidade gaiense. A 24 de julho Susana Moncóvio falará, de novo no Solar Condes de Resende, sobre Picasso e a sua influência na Arte Contemporânea.
Entretanto, no próximo mês de julho, entre 14 e 18, vai realizar-se na Fundação Eça de Queirós em Baião, a 16ª edição do seu Curso Internacional de Verão – Seminário Queirosiano, desta vez sobre o tema “De Eça de Queiroz a Teixeira de Pascoais”, o qual se destina a professores, estudantes universitários portugueses e estrangeiros e outros interessados na obra queirosiana.
A partir de Setembro próximo decorrerá no Solar Condes de Resende o seu 21º curso livre, organizado pela Academia Eça de Queirós e certificado pelo Centro de Formação de Associação de Escolas Gaia Nascente do Ministério da Educação, sob o tema “História e Carisma do Douro Atlântico (Gaia, Porto, Matosinhos, 5.ª edição), o qual terá como professores Amândio Barros, António Barros Cardoso, António Manuel Silva, Fantina Tedim, J. A. Gonçalves Guimarães, José Manuel Tedim, Jorge Alves e outros. O curso desenvolver-se-á ao longo de treze sessões, aos sábados à tarde, entre outubro de 2014 e março de 2015 e apresentará as mais recentes investigações sobre a história da região.

In Memoriam


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Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 70 – quarta-feira, 25 de junho de 2014
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