sábado, 24 de maio de 2014

Eça & Outras, Domingo, 25 de maio de 2014


As atuais classes sociais

Parece-nos óbvio que a sociedade continua dividida em classes e resultou ingénua nos seus propósitos a tentativa de igualdade da Revolução Francesa, impossível de concretizar-se, como o demonstraria Darwin, porque estamos a falar de seres vivos e não de “peças”.
Se nos parece hoje completamente inapropriada a velha classificação classista em clero, nobreza e povo, ela própria já complicada desde o século XIV com a ascensão ao poder da burguesia urbana europeia, também nos parecem completamente fora da realidade as suas denominações derivadas, ainda sustentadas pela terminologia dos pensadores do século XIX, nomeadamente os marxistas, que falam ainda muito, e até aos dias de hoje, em povo e em burguesia. Ora parece-nos que tal já não tem fundamento nem histórico nem sociológico. Talvez seja apenas um comodismo cultural.
Ainda há pouco tempo ouvi, a propósito de terrenos baldios, um presidente de junta de freguesia falar em nome do povo exatamente como o fariam qualquer fidalgo ou frade do século XVIII sobre a sua coutada ou o seu couto, não por poderem ser úteis à comunidade, mas apenas porque lhe pertenceriam por direito, só faltando o “divino”, agora às vezes substituído pelo “constitucional”. Mas sem qualquer alusão à circunstância de tais terrenos servirem ou não para alguma coisa, ou mesmo gerarem despesa pública, como era o caso devido aos incêndios e seu combate. Rendimento? Interesse comunitário? Um rebanho de uma dúzia de cabras e a “satisfação da propriedade”. Ora o tal nobre ou o tal frade, ainda que com fundamentos ideológicos diversos, invocariam noutros tempos os mesmíssimos motivos deste representante do povo de agora. Porquê? Porque hoje já não há separação funcional das classes mas apenas graus ou gradações simbólicas, a sua representação social é transversal porque se democratizou e a única diferenciação efetiva é a económica, gerando ou mantendo a capacidade de sobrevivência e de preponderância do indivíduo, e não já da classe, na sociedade atual.
Nos dias de hoje são pois as seguintes as classes sociais existentes, desde a base da pirâmide para o vértice (para usar ainda uma imagem clássica): em primeiro lugar os Indigentes, aqueles que são completamente dependentes dos outros para sobreviver, não auferindo qualquer remuneração regular nem detendo qualquer meio ou força de produção de bens e serviços.
Seguem-se os Pensionistas, com diversas denominações, aqueles a quem a sociedade organizada, através dos setores público, privado ou misto, assegura uma remuneração regular e pré-determinada, quer ela corresponda à reforma devida pelos descontos que efetuaram durante a sua atividade produtiva, quer corresponda ao subsídio, ainda que temporário, de desemprego ou qualquer outra indeminização social.
Temos depois a grande massa dos Assalariados, aqueles que recebem uma remuneração contratada ou à tarefa, em troca do serviço que prestam ou dos bens que produzem. É também do seu trabalho que sai a maior parte dos descontos para sustentar os Pensionistas e os Indigentes.
Seguem-se os Produtores, aqueles que sob várias formas organizativas “trabalham por conta própria”, na produção de bens e serviços que a sociedade lhes paga diretamente, quer de bens intelectuais (pintores, escritores, músicos), quer de serviços (guias de viagem ou jornalistas free lancers, por exemplo), quer agricultores ou industriais. São os donos dos seus próprios meios de produção e deles, bem assim como da conjuntura económica, são totalmente dependentes.
Temos depois os Especuladores, aqueles que, sem nada produzirem diretamente, vivem dos rendimentos do capital que herdaram ou acumularam e das suas mais valias. Não tanto como os anteriores, o seu número e importância social variam muito, dependendo do capital investido e do saldo conseguido e do volume dos resultados alcançados. Normalmente os indivíduos desta classe seguram-se económica e socialmente como Pensionistas.
Finalmente, em volta do vértice da pirâmide, temos os poucos mas muito poderosos Capitalistas, aqueles que, partindo de ideologias religiosas ou políticas várias, são protegidos por governos, polícias e exércitos, detêm a riqueza das nações, mandam nos governantes – que todos os outros podem eleger ou suportar no poder – e controlam a sociedade de acordo com uma estratégia local, regional ou global de acumulação contínua de riqueza artificialmente valorizada na bolsa e na especulação bancária e não no mundo do trabalho, a qual pouco ou nada tem a ver com a racionalidade humana, as bondades das religiões, os desesperos das fomes e o socorro às desgraças naturais, enganando os cidadãos entretidos com fantasias sociais e culturais. Conseguem (e conseguem-no muitas vezes) transformar a guerra, a doença, a fome, as crenças, a vida das pessoas, a existência enfim, no lucro que continuamente oleia e alimenta a sua máquina.
São estas as classes sociais atuais, ainda que com algumas possibilidades de sobreposições e variantes. É certo que Eça de Queirós já falava de «tempos de semitismo e de capitalismo», quando ainda a «Burguesia Liberal aprecia, recolhe, assimila com alacridade um cavalheiro ornado de avoengos e solares» (A Relíquia), quando alguns padres sonhavam ainda ter «o privilégio de destronar os reis e dispor de coroas! (O Crime do Padre Amaro), e o povo tinha aquela «morosa paciência de boi manso» (A Correspondência de Fradique Mendes). Mas tudo isso é século XIX e vale hoje tanto como as poesias de Castilho. Saiba-me você, caro leitor, sem se enganar a si próprio, se é essencialmente um Indigente, um Pensionista, um Assalariado, um Produtor, um Especulador ou um Capitalista e vai ver que passa a perceber muito melhor o mundo que o rodeia. E arrume na sua estante, ao lado dos romances de Júlio Dinis, essas velhas e hoje inúteis denominações de clero, nobreza, burguesia e povo, ou semelhantes.
Mas, dir-me-á balbuciando, que farei eu a partir de agora com o estatuto social que supunha ter, a minha árvore de costados sem avós adúlteras, o título concedido a um longínquo antepassado que matou infiéis nas Cruzadas, a caveira de um servo da gleba morto em Aljubarrota de quem descendo segundo os mórmons, a memória de um visconde negreiro liberal, um tio-avô carbonário irmão do bispo do Dongo antepassado de um atual ministro de antiga colónia, um avô morgado membro da Internacional, um agricultor da campanha do trigo, um capitão da marinha mercante, um pai e uma mãe crentes nas aparições de Fátima e nas excelências do Estado Novo? Tudo isso vai para a lixeira da História, seu execrável positivista?! (chamar-me-á você assim à falta de melhor, mas olhe que já não se usa!). Não sei que lhe diga. Se puder, estime e cultive a sua dimensão humana, guarde as suas memórias, e se puder estude-as, ou dê a estudá-las a quem o saiba fazer, para se libertar do sarro da História, e talvez isso lhe seja útil e proveitoso.
Mas, dirá ainda você perante a minha já indisfarçável impaciência, mas então o meu doutoramento em semiótica quântica, a minha grã-cruz, a minha filiação no Ordem do Supremo Bem, a minha taça internacional de golf, o diploma de melhor pai de família do ano, não valem nada, não me separam dos “indiferenciados”?
Guarde-os bem guardados e que lhe façam bom proveito. Não sei se lhe agradará saber que muitos outros Indigentes, Pensionistas, Assalariados, Especuladores e (muito poucos) Capitalistas, têm curriculum idêntico ou mesmo superior ao seu e isso não os tem feito mudar de classe social, nem para “cima”, nem para “baixo”. A não ser na República da Fantasia, onde o ingresso ainda é grátis.

J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria



Eng.º José Pereira Gonçalves

 Faleceu anteontem em Lisboa, dia 23 de maio, o Eng.º José Luís Pereira Gonçalves, um dos nossos mais ativos e entusiastas confrades. Com um brilhante curriculum na área da Engenharia Electrotécnica, trabalhou em grandes empreendimentos em Timor, em Moçambique e em Portugal nas maiores empresas nacionais e internacionais da sua área profissional. Foi chefe de gabinete do Secretário de Estado da Industria Ligeira e Industria Pesada em 1977. Dedicou-se também ao ensino e ao desenvolvimento de programas relacionados com o mar, tendo sido administrados da Fundação Vasco da Gama, vice-presidente da APORVELA e membro da Academia de Marinha. Homem solidário e de projetos que visavam o engrandecimento do país e dos seus semelhantes, era membro de muitas associações e clubes, nomeadamente do Centro Nacional de Cultura, do Grémio Literário, da Associação 25 de Abril e dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, onde integrava os corpos gerentes, a Academia Eça de Queirós e estava a dinamizar o protocolo entre esta instituição e o Centro Cultural Eça de Queirós de Lisboa.
A Confraria perde assim um dos seus mais dinâmicos membros da região de Lisboa cujo exemplo será continuado por todos os seus Amigos e Confrades que sempre o recordarão com estima e apreço como um homem de ação ao serviço dos outros e da portugalidade.
A cremação do corpo ocorrerá hoje dia 25 de maio no Cemitério dos Olivais em Lisboa.

Livros

Eça de Queirós na China

No próximo mês de agosto, numa edição promovida pela Editora Literatura do Povo, com o apoio do Instituto Cultural de Macau e do seu vice-presidente Yao Jing Ming, vai ser lançada na China a coleção de literatura mundial “Espelho do Mar”, que se iniciará com a publicação de um volume de Eça de Queirós com a tradução de “ O Mandarim” e as crónicas “Chineses e Japoneses”. O escritor é já bastante conhecido do público ledor chinês desde que em 1984 foi traduzido “O Crime do Padre Amaro”, a que se seguiram
os seus outros romances. Cumpre-se assim a admiração que o escritor sempre teve pelo grande país do sol nascente.


J. Rentes de Carvalho

J. Rentes de Carvalho
e Francisco José Viegas
no LeV 2014.
Entre 9 e 11 de maio decorreu na Biblioteca Florbela Espanca em Matosinhos mais uma edição de LeV-Literatura em Viagem onde, como é habitual nestes festivais, estiveram presentes escritores a sério, escritores faz de conta, reformados que, não tendo nunca escrito sobre as suas profissões, passaram a dedicar-se afanosamente à Literatura, escritores fabricados pelas editoras, campeões de literatura de supermercado, políticos metidos a escritores, enfim, um curioso painel de espécimes humanos dando encontrões uns aos outros à porta do Olimpo literário.
Salvou-se a noite de sábado em que foi feita uma homenagem ao escritor gaiense José Rentes de Carvalho, numa sessão sobre o tema “Nasci escritor”, durante a qual, Francisco José Viegas anunciou que a Quetzal vai republicar em outubro próximo Montedor, o seu primeiro romance que em 1968 teve um prefácio de António José Saraiva, onde este escreveu «o maior elogio do livro que tenho o gosto de prefaciar, é que não é uma repetição, mas uma invenção», ou seja, que o escritor criara um novo tipo de personagem até aí inédito na Literatura Portuguesa. Em 2015 será a vez de um romance inédito. Na ocasião a Confraria Queirosiana esteve representada, entre outros confrades por Carlos Sousa, membro da direção.

Grande Guerra 1914-1918

Joaquim Santos
apresentando o seu livro no RAL 4
Depois de no passado dia 5 de abril ter sido lançado em Leiria o livro “Jornalismo Leiriense e a Grande Guerra 1914-18” de Joaquim Santos, no RAL 4, sessão essa que contou com a presença de diversas autoridades militares, foi o mesmo livro apresentado em sessão civil no passado dia 10 de maio na Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, onde foi apresentado o filme dos anos 20 sobre a ida dos dois Soldados Desconhecidos para o Mosteiro da Batalha.
Entretanto, como acima noticiamos, o Solar Condes de Resende, instituição que este ano celebra 30 anos como propriedade municipal, iniciou também no passado dia 22 de maio o ciclo evocativo deste acontecimento mundial, com a colaboração da Academia Eça de Queirós, desencadeando um conjunto de investigações sobre este tema que irão sendo publicadas até 2018.


História 8.º ano

A Editora Asa acaba de colocar no mercado o conjunto didático Páginas da História para o 8.º ano de escolaridade, o qual teve a colaboração de Eva Baptista licenciada em Ciências-Históricas Ramo Património, professora, membro e colaboradora do Gabinete de História, Arqueologia e Património dos ASCR-CQ e investigadora do Solar Condes de Resende.

Congressos, colóquios, palestras e visitas

No passado dia 2 de maio, J. A. Gonçalves Guimarães, para o curso de bibliotecários do Instituto Superior de Economia e Gestão do Instituto Politécnico do Porte proferiu a palestra “As Bibliotecas da Minha Vida”; no dia seguinte, no Solar Conde de Resende deu a aula de encerramento do Curso sobre História Empresarial e Institucional sobre o tema “Empresários e Instituições portuenses”; no dia 10 de Maio, na Escola de Artes & Ofícios de Ovar, num colóquio sobre o projeto “O Cantar dos Reis em Ovar. Uma História de Diferenciação”, falou sobre “O Cantar dos Reis em Ovar”. Tradição Cristã e Singularidade Vareira”; no dia 17, de novo no Solar Condes de Resende, para o Clube Unesco da Maia, “Eça de Queirós e a Geração de 70” e ainda nesse mesmo local, no dia 22, a palestra “A 1.ª Grande Guerra em Vila Nova de Gaia”.
No sábado dia 17, Luís Manuel de Araújo, egiptólogo e diretor da Revista de Portugal realizou uma visita guiada à coleção egípcia da Universidade do Porto seguida de conferência no Salão Nobre da Reitoria. Nesse mesmo dia, no Museu do Vinho do Porto, na cidade do mesmo nome, Manuel de Novaes Cabral, presidente do IVDP e nosso confrade falou sobre o Porto 1815, o primeiro vintage de que há notícia fiável, também conhecido por Porto Waterloo ou Porto do Duque de Wellington, largamente referido nas obras de Eça de Queirós e objeto de curiosas falsificações ao longo dos tempos.
O Centro Cultural Eça de Queirós de Lisboa, com quem a Confraria Queirosiana está em vias de estabelecer um protocolo de colaboração, realizou ontem dia 24 de maio uma visita guiada pelo nosso confrade Fernando Andrade Lemos à Mãe de Água, nas Amoreiras, Lisboa, a que se seguirá uma palestra no Grupo de Amigos de Lisboa sobre a Simbólica dos azulejos da entrada do Hospital de S. José no dia 31 de maio e uma visita ao Aqueduto das Águas Livres no dia 14 de junho.
Entre 22 e 24 se maio decorreu no Porto o II Congresso Internacional sobre Património Industrial organizado pela Universidade Católica, no qual participou Laura Sousa, membro dos corpos gerentes dos ASCR-CQ e do seu Gabinete de História, Arqueologia e Património, que falou sobre a Fábrica de Santo António de Vale da Piedade em Gaia.

Protocolo dos Professores

O protocolo entre os Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana e a Associação da Casa dos Professores e Educadores de Gaia foi recentemente alargado de modo a possibilitar aos sócios de ambas uma maior participação nas respetivas atividades, nomeadamente no projeto da Casa – residência cuja construção se iniciará em breve e para a qual decorre um período de inscrição dos interessados.


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Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 69 – domingo, 25 de maio de 2014
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quinta-feira, 24 de abril de 2014

Eça & Outras, sexta-feira, 25 de abril de 2014


1        Carta a J. Rentes de Carvalho

Meu Caro José

Esperei ansiosamente o seu livro Portugal. A Flor e a Foice. Li-o de fio a pavio. Voltei a lê-lo e a anotá-lo. Voltei a relê-lo. Estou certo que voltarei a folheá-lo. E, curiosamente, pareceu-me que já o tinha lido, mesmo sem termos ainda passado por outra encarnação: ou porque já li uma boa parte da sua obra e textos dispersos, ou porque conversamos sobre a edição holandesa, ou porque o conheço quanto baste. Talvez porque também tenha visto no livro uma daquelas reflexões que interessam sobre o 25 de Abril e que ainda não tinha lido de quem o viveu assim de perto, com uma tão grande e desgostosa lucidez. Tomara que nos tivéssemos enganado, que afinal a esperança tivesse sido para valer e chegado a redenção da Pátria e da nossa gente. Mas não, nada disso aconteceu, como todos sabemos. Estamos hoje genericamente melhor porque pior era impossível. Em 1974, atrás de nós, o país do iluminado de Santa Comba, só mesmo a Albânia e até houve quem de nós quisesse fazer os albaneses do ocidente depois daquela data.
Quando se deu o golpe militar estava eu em Moçambique no serviço militar obrigatório, desde 9 de Março. Não acreditei no interesse do golpe das Caldas, nem na ação dos spinolistas, além das movimentações políticas do general Kaúlza, cujo “Nó Górdio” ficou cada vez mais apertado onde eu estava. Tudo isso era problema deles, dos militares do quadro, já que era assim que colocavam as questões. Nós, os milicianos mais politizados, apenas queríamos então pouca coisa: acabar com aquela guerra estúpida, onde éramos a principal “carne para canhão”; conseguir para as colónias um estatuto decente no contexto internacional e nacional aceite pelos naturais (como tinha acontecido no Brasil em 1822!) e retomarmos a nossa vida profissional num país mais sensato e capaz. Não era pedir muito. Tudo o resto era o confronto dos diversos grupos sociais e económicos, nacionais e internacionais, que tinham interesses, ainda que aparentemente antagónicos, nas colónias e na guerra colonial, todos eles vindos do salazarismo, o regime acinzentador, onde se “era muito culto” por ler as Selecções do Reader’s Digest, vindas da América da civilização ocidental, ou, no caso dos meninos universitários «com a China na bota e o papá na algibeira» (Ary dos Santos), o Livro Vermelho de Mao, um sujeito sobre quem tinham uma vaguíssima ideia, mas mais simpático do que o façanhudo Estaline e sucessores e menos incómodo do que Che Guevara. Afinal era quase um mandarim! Logo nas primeiras notícias, nos primeiros contactos com estes redentores, também me dei conta, desconfiado, da caterva de charlatães a haver. E eles cresceram como cogumelos. Em nome da Revolução e da Democracia. Ámen.
Tive o privilégio de ouvir contar as operações militares na primeira pessoa pelo próprio Salgueiro Maia e tal bateu certo com a generosidade completamente desinteressada que no seu livro atribui a alguns militares. O Capitão de Abril viu anos depois ser-lhe negada, quando dela mais precisava, a pensão que o Estado atribuiu a outros; o mesmo Estado que tem distribuído condecorações, benesses e mordomias a quem tem posto os interesses pessoais e de casta acima dos direitos das classes produtivas. E já que cita o nosso patrono, deste seu livro e de si não poderia Eça de Queirós escrever como o fez a Oliveira Martins, a comentar-lhe os excessos descritivos do Nun’Alvares: «Também não me agradam muito certas minudências do detalhe plástico, como a notação dos gestos, etc. Como os sabes tu?... Estavas lá? Viste?...» (Eça de Queirós, Correspondência, 2.º volume, carta de 26.04.1894 a Oliveira Martins). Ora no seu livro não existem, felizmente, «esses traços… [que]… criam uma vaga desconfiança» (idem).
É que o José conheceu de perto os intervenientes, os protagonistas, esteve lá, falou com eles, viu a revolução de perto e com certeza com aquela alma generosa e profundamente crente na redenção humana, malgré tout, que eu lhe conheço, teria gostado imenso que tudo tivesse dado certo e que voltássemos todos a dançar nas ruas.
Mas não me desculpe o povo: sei que isso é uma generosa tradição dos pensadores dos séculos XIX e XX, como o próprio Eça e outros até aos dias de hoje, que viram nele o último reduto da moral após a falência das outras classes sociais depois da Revolução Francesa. Mas em 1974 já estávamos a entrar no último quartel do século XX. Se os D. Sebastiões existiram noutras épocas, havia então a miséria indescritível, o analfabetismo, a Inquisição, as ameaças dos infernos, as vagas promessas das bem-aventuranças celestiais e a obstinação de converter o inimigo à nossa paranoia institucional, na realidade aos nossos interesses. Mas nos nossos dias, depois de cento e cinquenta anos de sincero esforço de tantos homens e mulheres pela causa do ensino e da divulgação do conhecimento, do acesso fácil e grátis ao livro e à leitura, das liberdades de convívio e de debate de ideias entretanto conquistadas, da libertação da mulher no ocidente, do respeito pelas diferenças de etnia, de cor de pele, de religião, de ideologia, de costumes e maneiras de ser e estar, que não têm de ser aceitações caladas e acéfalas mas procuras de reciprocidades fraternas, depois de tudo isto que custou a vida e o bem-estar a tantos santos sociais, seria de esperar que o povo já não acreditasse em charlatães e apoiasse e elegesse os mais capazes, os mais sensatos, os mais honestos. Mas não foi, nem tem sido, isso que aconteceu: o povo continuou, as mais das vezes, a acreditar na sorte, na chico-espertice, nos dribles do futebol e só se queixa de tudo quando não pode ir de férias fazer nada. É triste, José, mas não vale a pena iludirmo-nos. E, no entanto, a esperança permanecerá, pois estamos a falar da família, de gente igual a nós. E também teremos falhado, mesmo quando apenas encolhemos os ombros, as mais das vezes por cansaço.
Como todos os acontecimentos marcantes na nossa História, o 25 de Abril criou desde logo os seus próprios mitos, ou foram-lhos criando. Com este seu livro corre o risco de, ou não acreditarem no que escreveu, ou concluírem mesmo que Portugal foi criado e só existe por milagre. Os que não viveram aqueles dias dificilmente saberão do que está a falar. O enquadrar o 25 de Abril na longa sequência da História pátria de mitos de estimação é de mestre, mas tem os seus riscos, pois cada viragem acredita-se genesíaca. Também aqui auguro que não lhe darão aplausos. Ainda não estamos a fazer história, pois as pessoas ainda estão vivas: os futuros historiadores, a serem sensatos e honestos, não poderão ignorar este seu depoimento, mas ele é-nos mais útil nos dias de hoje, Mas creio que só o futuro o aproveitará, pois continuará a ser difícil contrariar o triste destino matricial, habituados que estamos ao encortiçado cordão umbilical das nossas próprias desgraças.
O 25 de Abril foi uma estação de comboio nas nossas vidas onde pensávamos mudar o destino, mas o novo comboio só teve bilhetes para os do costume. Os que sempre se interrogam não tiveram outro remédio senão voltar à estação habitual, com novo visual, é certo, mas onde ainda não vislumbraram novo trajeto. Alguns continuam a ver passar os comboios. Outros desistiram e foram embora, a pé.
Em Portugal a foice cortou cerce a flor e não a deixou dar fruto. O cravo vermelho, que já foi noutros tempos a flor da causa miguelista, não dá polpa que se coma. Resta-nos voltar a pegar noutras sementes e recomeçar nova lavra da esperança.
Obrigado pelo seu livro, José. Um grande abraço do

J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria

Livros



No passado dia 5 de Abril no Regimento de Artilharia n.º 4 em Leiria foi feito o lançamento do livro “O Jornalismo Leiriense e a Grande Guerra” da autoria do nosso consócio Joaquim Santos, o qual resultou da sua investigação para tese de Mestrado na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
O presente estudo constitui um interessante contributo para a história da Grande Guerra, e da sua relação com a cidade e região de Leiria nas primeiras décadas do século XX e da participação dos seus naturais no grande conflito mundial que enlutou o país.




No passado dia 11 de Abril, Anabela Mimoso lançou em Lisboa na Casa dos Açores o livro “Rebelo de Bethencourt: Raízes de Basalto”, editado por Seixo Publishers e apresentado por Eduíno de Jesus, sobre este jornalista e poeta açoriano nascido em 1894, que fez parte da Geração Coimbrã e que em 1920 também escreveu «A hora é de incerteza mas é também de esperança. E essa hora de esperança, hora prometedora da nossa ressurreição, soará no dia em que, estrangeiros que somos, alcançaremos a nossa autonomia moral, deixando de ser os outros, para voltarmos a ser de novo e definitivamente – portugueses».




No próximo dia 29 de Abril, na Taylorian Institution da Universidade de Oxford, UK, a Professora Teresa Pinto Coelho, da Universidade Nova de Lisboa, especialista em Relações Anglo-portuguesas, lançará o seu livro, Eça de Queirós and the Victorian Pres, editado pela Tamesis, Londres e Nova Iorque.
Estarão presentes o Dr. João de Vallera, embaixador de Portugal no Reino Unido, e o Professor Emérito Tom Earle do King John II of Portuguese Studies.

Congressos, colóquios e palestras

Nos passados dias 11 e 12 de Abril decorreu na Universidade Católica do Porto o II Congresso O Porto Romântico, no qual participaram com comunicações os sócios e confrades Francisco Ribeiro da Silva, Laura Peixoto de Sousa, Teresa Campos dos Santos e Susana Moncóvio, as quais serão publicadas nas respetivas atas.

No dia 15 seguinte, o mesário-mor da Confraria Queirosiana, J. A. Gonçalves Guimarães, esteve presente no “Dia Internacional dos Monumentos e Sítios. Lugares de Memória”, comemorado pela Misericórdia de Gaia em volta do seu património doado por António Almeida da Costa, antigo empresário e proprietário da Fabrica de Cerâmica e da Fundição das Devesas, tendo na ocasião dissertado sobre a bibliografia sobre este notável complexo industrial e artístico desde os anos 70 do século passado até às mais recentes teses de mestrado e doutoramento sobre o mesmo, ao que se seguiu uma visita aos diversos edifícios na posse desta entidade que os pretende preservar, valorizar e divulgar mantendo-se fiel ao espírito do doador e à sua missão social.

No próximo dia 29 de Abril, pelas 21,30 horas, decorrerá no Solar Condes de Resende um colóquio subordinado ao tema «”Mudam-se os Tempos. Mudam-se as Vontades”; a década antes do 25 de Abril», organizado pelos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana e integrado nas comemorações oficiais do Município de Vila Nova de Gaia. Serão intervenientes: Eduardo Vítor Rodrigues Sociólogo e presidente da Câmara; Jaime Milheiro, Psiquiatra e Psicanalista; Joaquim Armindo Pinto de Almeida; Diácono da Igreja Católica e Engenheiro; e J. A. Gonçalves Guimarães, Historiador. Este colóquio pretende lembrar os acontecimentos mundiais, nacionais e locais que deram origem ao 25 de Abril e às suas consequências.

Curso sobre Joalharia



Organizado pela Confraria Queirosiana, decorrerá durante o mês de Maio, no Solar Condes de Resende, o curso livre sobre Classificação, Avaliação e Restauro de Jóias, em que será formadora Marília Ferreira, Avaliadora Oficial da Casa da Moeda.
As sessões, num total de 8 de duas horas cada, decorrerão às quartas das 13 às 15. A frequência do curso implica prévia inscrição e aos formandos será passado um certificado.



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Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 68 – sexta-feira, 25 de abril de 2014
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terça-feira, 25 de março de 2014

Eça & Outras

As canções não são eternas

Todos nós temos as canções da nossa vida, que normalmente são as da infância e as da juventude, aquelas que nos acompanharam com uma melodia, uns versos, um intérprete.
Já no tempo de Eça era assim, salientando o escritor em várias obras as qualidades do grande compositor popular do seu tempo, que «com quatro compassos e duas rabecas, deixou para sempre desautorizadas velhas instituições… Offenbach é uma filosofia cantada» (Uma Campanha Alegre). Também ouviu as grandes vedetas canoras da sua época, como Herminia Borghi-Mano, no S. Carlos em 1880, enquanto em A Cidade e as Serras se refere à cançonetista francesa Gilberte e o seu grande êxito Les Casquettes.
Ele próprio foi autor de versos que, eventualmente, poderiam vir a ser cantados e, com Jaime Batalha Reis, compôs os da opereta cómica A Morte do Diabo, musicada por Augusto Machado. Dos seus gostos musicais obviamente que só conhecemos o que nos deixou escrito e as respetivas partituras. Talvez tivesse tentado o fado coimbrão e sabemos que trauteava a Rosa Tirana, o “hino” dos Vencidos da Vida. Pouco mais, pois no seu tempo, o fonógrafo, inventado por Edison em 1877, era pouco mais do que uma curiosidade.
Mas já não era assim na década de sessenta do século passado: estávamos então no auge das emissões radiofónicas e a televisão, curiosamente inventada pelo português Adriano de Paiva em 1878, começava a fazer parte do nosso quotidiano, enquanto se generalizava a venda e utilização do disco de vinil e os respetivos gira-discos, os gravadores de bobines, os auto-rádios e os gravadores-reprodutores de cassettes. O próprio cinema passou a realizar grandes documentários sobre os acontecimentos musicais da época e os músicos e intérpretes mais famosos apareceriam regularmente no grande écran. A música yé-yé, depois pop, rock, os blues, o soul, a balada, e outras denominações para os diversos géneros que iam surgindo, passaram pois a fazer parte do mundo artístico daqueles que nasceram em meados do século XX. E também a música comercial e a pimba, cuja banalidade e mau gosto se tornou desde então insuportável, mas que vende milhões de cópias.
Cada um recordará as suas canções preferidas, mas para mim elas foram as seguintes: logo em 1962 a cançonetista francesa Françoise Hardy grava Tous Les Garçons Et Les Filles, uma canção sobre o amor juvenil numa época em que os liceus ainda não eram mistos. Mas para além dos problemas da adolescência, um muro de betão começava então a aparecer na estrada da vida dos rapazes, que mais tarde ou mais cedo o teriam pela frente: a Guerra Colonial, variante portuguesa da Guerra do Vietname que os americanos travavam lá longe contra o povo vietnamita, com a mesma origem ideológica do colonialismo e do imperialismo ocidental sobre os povos do Terceiro Mundo, mas também sobre os povos beligerantes, dentro dos seus próprios países também sujeitos à pobreza, à descriminação, ao subdesenvolvimento, como era então o caso das populações nativas, negra e migrante americanas, a maior parte da população rural e fabril em Portugal, e a então quase inexistente classe média das colónias portuguesas. Para tal eramos alertados por canções como We Shall Overcame, cantada por Pete Seeger, a Trova do Vento Que Passa, de Manuel Alegre cantada por Adriano Correia de Oliveira, ou Os Vampiros de José Afonso, todas elas lançadas em 1963, enquanto no ano seguinte Bob Dylan avisava que The Times They Are A Changin. Todos desejávamos que sim.
A incerteza do futuro ainda nos fazia considerar o encanto de algum tempo já perdido, como em Yesterday dos Beatles (1965), que no psicadélico álbum Sargent Pepper´s Lonely Hearts Club Band já futuravam em 1967 sobre When I’m Sixty-Tour, como estaria aquela geração em 2014. Digamos que, de um modo geral, estamos a rebobinar as cassettes que nos foram impingindo e achamos que ainda vamos a tempo de emendar o mundo.
Nesse mesmo ano de 1997 é lançado o hino de toda a geração hippie, San Francisco (Be Sure To Wear Some Flowers In Your Hair), cantado por Scott Makenzie, mas o ano ficará assinalado pelas três grandes e insuparáveis composições de toda a Música Pop: Good Vibrations, pelos Beach Boys; Whider Shade Of A Pale, pelos Procol Harum e Niths In White Satin, pelos Moody Blues. Não haveria melhor: são realmente as músicas emblemáticas dos anos sessenta, representativas de uma certa solidão tanto mais dolorosa quanto a época era de movimentos em torno de ideias coletivas. Por isso aqui também incluo o Let It Be dos Beatles e a Pedra Filosofal de António Gedeão, cantada por Manuel Freire. Ainda na senda da constatação das dificuldades do caminho, recordemos o primeiro disco de Fausto, com o poema Oh Pastor Que Choras (1970), de José Gomes Ferreira, que concluía que «carneiros é o que mais há». O mundo idílico desta geração tem depois o seu ponto alto em Imagine de John Lennon, um hino anarquista e libertário na melhor tradição oitocentista editado em 1971. Nesse mesmo ano José Mário Branco revisita a lírica camoniana com Mudam-se Os Tempos Mudam-se As Vontades, cantando a inevitabilidade da derrocada dos velhos do Restelo e de outros ancoradouros.
A nível do som e da dança os jovens de então já não andavam apenas candidamente com «les yeux dans les yeux» como dez anos antes, mas libertavam o corpo e a mente em afeto e prazer ao som de Black Magic Woman divulgado pelos Santana, a música mais sensual da década.
Entretanto ainda em 1971, José Afonso gravava Grândola Vila Morena no álbum Cantigas do Maio e de lá de fora Sérgio Godinho bem nos alertava para O Charlatão, no álbum Os Sobreviventes, também daquele ano. Não haveria um mas muitos.
Estas são as minhas canções de teenager, de antes do 25 de Abril de 1974, que rapidamente foram substituídas por outras melodias. Tenho a certeza que algumas serão também as vossas.
Voltemos a Eça: apreciador e conhecedor da grande Música, contudo também ele se extasiou perante «a impressão profunda daqueles cantos árabes nas ruas do Cairo. São tão belos que entristecem, tão sensuais que são quase lacrimosos, tão doces que desesperam: é a música dos nervos; são os nervos que cantam…» (Prosas Bárbaras). Diria hoje o mesmo quando ouve Vitorino ou Janita Salomé, ou outros melodistas portugueses cuja sonoridade comove os povos muito para além dos acordos fonográficos das canções de festival e da macaquice de imitação americanoide que perpassa insuportável nas rádios e televisões portuguesas. Quanto a isso, temos o povo no seu “melhor”. Eu cá por mim permaneço fiel às minhas canções dos anos sessenta, certo de que os atuais jovens também terão as suas para um dia recordarem. Eça continuará a ouvir, divertido, a chanson Les Casquettes, sobre os dissabores das meninas que vinham para Paris à procura de um marido, então cantada com sucesso por uma hoje desconhecidíssima Gilberte. C’est la vie!

J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria

Camélias

Eduardo Vitor Rodrigues, presidente da Câmara de Gaia e José Mauel Tedim, presidente de direção dos ASCR-CQ.
No passado dia 8 de março pelas 14,30 horas no Parque da Quinta do Conde das Devesas em Vila Nova de Gaia decorreu a iniciativa “Inverno: Tempo de Camélias em Flor” que chamou a atenção para as 127 variedades aí existentes, das quais 95 portuguesas. Do programa constou o lançamento de um livro sobre Camélias, uma intervenção do presidente da direção dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, José Manuel Tedim, sobre a camélia Tedinia criada por Sequeira Tedim em 1844, e por fim uma alocução do presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vitor Rodrigues, sobre o significado das flores na vida das pessoas, a que se seguiu a plantação daquela variedade de camélia no Parque.
Entretanto no Solar Condes de Resende florescem as últimas deste ano, que só voltarão com as suas cores em novembro próximo.


Conferências e debates

Entre 6 de março e 10 de abril decorre na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas o Ciclo Documental António Pedro Vasconcelos, durante o qual serão apresentados quatro documentários sobre quatro personalidades portuguesas do século XX: Cottinelli Telmo, J. Rentes de Carvalho, Eduardo Gageiro e Vasco Santana, realizados por Leandro Ferreira.
O documentário sobre J. Rentes de Carvalho, filmado no Solar Condes de Resende e no Monte dos Judeus em Gaia, contou com a colaboração desta Casa Municipal de Cultura e da Confraria Queirosiana, que ali preserva e divulga o espólio deste escritor seu Confrade de Honra.
Entretanto a revista Atual do Expresso de 22 de março dedicou a capa e o seu interior a Rentes de Carvalho, que nesse mesmo dia pelas 17 horas lançou na FNAC do Chiado, Lisboa, o seu mais recente livro “Portugal, a Flor e a Foice, só agora editado entre nós quando a primeira edição holandesa data de 1975. A apresentação esteve a cargo de Henrique Monteiro. Este será com certeza o texto de reflexão para a passagem do quadragésimo aniversário do 25 de Abril.

Eça em Aveiro

No passado dia 11 de março, no anfiteatro Aldónio Gomes da Universidade de Aveiro decorreu uma conferência pelo escritor luso-americano Carlos Queirós e pelo professor Pedro Calheiros, que falaram «das ligações ancestrais e das vivências do escritor Eça de Queirós com os seus avós, na altura a viver em Aradas e Verdemilho tão perto de Aveiro» (da divulgação da conferência).

Cursos e palestras no Solar

Prossegue no Solar Condes de Resende o curso livre sobre História Empresarial e Institucional, organizado pela Academia Eça de Queirós e certificado pelo Centro de Formação de Associação de Escolas Gaia Nascente: a 1 de março, José Manuel Tedim apresentou “O ensino das Belas Artes no Porto: da Academia à Faculdade; a 15, Susana Moncóvio falou sobre “O Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia”, e no próximo sábado, dia 29, Laura Peixoto dissertara sobre “As fábricas de bolachas e chocolates na Região do Porto”.
O curso terminará com as sessões proferidas por J. A: Gonçalves Guimarães a 12 de abril sobre “Empresários e Instituições gaienses” e a 13 de maio por Francisco Ribeiro da Silva sobre “ Empresários e Instituições portuenses”.
O próximo curso, a iniciar em outubro, será sobre “História e Carisma da Região do Douro Atlântico (Gaia, Porto, Matosinhos): novas abordagens”. A frequência destes cursos, ou das suas sessões, implica inscrição prévia.
Entretanto prosseguem também no Solar as palestras das últimas quintas-feiras do mês, com entrada livre. No próximo dia 27 de março José Manuel Tedim falará sobre “Lorain e os paisagistas da Europa do século XVII”.
A palestra do mês de abril deverá ser integrada na evocação dos 40 anos do 25 de Abril.

Livros


No próximo dia 28 de março na Casa Barbot em Vila Nova de Gaia, a nossa associada Dr.ª Maria Virgínia Monteiro lançará o seu mais recente livro de poesia intitulado Canto Quântico, o qual será apresentado por Salvato Trigo, reitor da Universidade Fernando Pessoa do Porto.




Tertúlia queirosiana

No passado mês fizemos referência às interrogações com que alguns dos nossos investigadores da História do século XIX se têm deparado sobre a identidade da mãe do filho do 5.º Conde de Resende, D. Luís Manuel Benedito da Natividade de Castro Pamplona, a qual não aparece nos registos genealógicos da família.
Sobre o assunto recebemos a seguinte informação de António Eça de Queiroz, bisneto do escritor, ele próprio jornalista e autor de diversas obras de crónica e ficção, a qual, com a sua autorização, passamos a divulgar:
«Tomei a liberdade de lhe mandar esta nota em relação à pergunta que faz sobre a desconhecida mãe de Luiz de Castro - ou “Luiz Grande”, como foi sendo conhecido na família. Naturalmente, só posso contar aquilo que me contaram os meus Pais - pois documentos ou algo de semelhante sobre o assunto desapareceu (admito que por vontade explícita do próprio Luiz Grande). A mãe seria uma cantora lírica francesa de passagem por Lisboa, com quem Luiz de Castro Pamplona teve um caso e um filho que ela não desejava - mas que o pai assumiu por completo. De acordo com os mesmos testemunhos, muitos anos mais tarde, já Luiz Grande era homem feito, recebe um cartão de visita de uma senhora francesa que solicitava a presença dele num hotel de Lisboa. Achando tratar-se de alguma conquista, o que não seria nada de estranho porque ele tinha fama de bem parecido, e movido por natural curiosidade, Luiz Grande apresentou-se à hora marcada no tal hotel. Mas, ao contrário de uma jovem faiscante de beleza, o que lhe surgiu pela frente foi uma senhora, não velha mas já matrona, que, depois de breve inquirição, se lhe apresentou como a sua mãe! Luiz de Castro não era pessoa fácil, e eram conhecidos na família os seus ataques de fúria, mas ali, naquele caso, limitou-se a cumprimentar a dita senhora, e a virar-lhe as costas depois de lhe dizer que se não o quisera conhecer até ali, então não valia a pena conhecê-lo agora. Sei bem que nada disto tem valor histórico, que eu saiba não há qualquer documento junto dos seus descendentes diretos, mas é esta a história que sempre conheci e que imaginei ter algum interesse em conhecer».
Ao nosso Caro Amigo agradecemos esta interessante achega que permitirá seguir a pista das cantoras líricas que passaram por Lisboa em 1869, o ano da ida do Conde (e de Eça) em peregrinação à Terra Santa para lavar a alma no Jordão, e que ali ainda permaneceriam em março de1870, para se tentar saber qual delas poderá ter sido a mãe de seu filho Luís, que virá a nascer a 28 de dezembro esse ano.

Novos corpos gerentes

No passado dia 14 de março, em assembleia eleitoral paralela à assembleia geral ordinária para aprovação do Relatório e Contas referentes a 2013, foram eleitos os Corpos gerentes dos ASCR-CQ – Confraria Queirosiana para o biénio 2014/2015. A única lista votada, proposta pela anterior direção, é assim constituída: Mesa da Assembleia Geral – César Fernando Couto Oliveira, presidente; José António Martin Moreno Afonso e Nuno Miguel Resende Jorge e Mendes, secretários; Henrique Manuel Moreira Guedes e Susana Maria Simões Moncóvio, suplentes; Direção: José Manuel Alves Tedim, presidente; Luís Manuel de Araújo, vice-presidente; Joaquim António Gonçalves Guimarães, secretário; Amélia Maria Gomes Sousa Cabral, tesoureira; Carlos Alberto Dias de Sousa, José Manuel de Carvalho Ribeiro e Ilda Maria Oliveira Pereira de Castro, vogais; José Luís Pereira Gonçalves e Maria de Fátima Teixeira, suplentes; Conselho Fiscal: Manuel Filipe Tavares Dias de Sousa, presidente; Pedro Almiro Neves, secretário; Licínio Manuel Moreira Santos, relator, Laura Cristina Peixoto de Sousa, suplente.


Prémio Prof. Reynaldo dos Santos

No passado dia 17 de fevereiro no Grémio Literário foi entregue o prémio Prof. Reynaldo dos Santos criado pela Federação dos Amigos de Museus de Portugal, no qual os ASCR-CQ estão filiados, referente a exposições realizadas em 2012.
O prémio foi ganho pelos Amigos do Museu Nacional do Azulejo, que propuseram a exposição “Um gosto português. O uso do azulejo no século XVII”. Foram ainda atribuídas duas menções honrosas, aos Amigos do Museu Nacional de Arte Antiga pela exposição “O Virtuoso Criador – Joaquim Machado de Castro 1731-1822”, e aos Amigos do Museu do Oriente pela exposição “O Chá. De Oriente para Ocidente”.

Mestrados e Doutoramentos



Concluiu no passado dia 24 de janeiro na Universidade de Coimbra o seu Mestrado em História, Especialização em Museologia, a nossa associada Dr.ª Rita Fernanda do Vale Pinto Pedras, que o apresentou também publicamente na Santa Casa da Misericórdia de Penafiel no passado dia 22 de março, subordinado ao tema “As Misericórdias e a sua ligação com a museologia: o caso particular do Museu de Arte Sacra de Penafiel”.






Também naquela Universidade, no passado dia 28 de fevereiro, apresentou a sua tese de doutoramento em Biologia, Especialização em Ecologia, o nosso sócio e Confrade de Honra Doutor Nuno Fernando da Ascenção Gomes Oliveira diretor do Parque Biológico de Gaia, sobre o tema “A Flore Portugaise e as viagens de Hoffmannsegg e Link a Portugal (1795-1801)”.
A ambos as nossas maiores felicitações.






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Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 67 – terça-feira, 25 de março de 2014
Cte. n.º 506285685 ; NIB: 001800005536505900154
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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Eça & Outras

Mar bravo

Foi há dias apresentado o mapa “Portugal é Mar” como um dos desígnios territoriais que vão orientar a vida dos portugueses para o futuro. Andamos nisto desde sempre, ou, pelo menos, desde que no século XIV fomos às Canárias e depois por esse mar aí fora. Não, este mapa não é, nem pode ser, o “Portugal não é um país pequeno” do tempo do Estado Novo que tínhamos pendurado na parede da escola primária e em que as colónias portuguesas se sobrepunham a uma Europa inteira quase até aos Urais.
Mas isto de ter mar implica duas pequenas verdades que os soldados de Monsieur de La Palice não desdenhariam: ele há que ter marinheiros; ele há que ter embarcações. Sem isso restam-nos as inúteis gaivotas, a que sempre poderemos chamar nossas, pois ninguém as quer. E o anticiclone dos Açores, que também é de graça. O resto tem-nos custado muito dinheiro.
Sobre a nossa marinha de guerra, face às realidades de hoje, já estaremos longe deste texto de Eça de Queirós, com quase 150 anos: «…uns poucos de navios, velhos, decrépitos, defeituosos, quase inúteis, sem artilharia, sem condições de navegabilidade, com cordame podre, mastreação carunchosa, e história obscura. É uma marinha inválida…». Sobre as corvetas da frota «Há ideia de as alugar – como hotéis. A nossa esquadra é uma colecção de jangadas – disfarçadas! Este grande povo de navegadores acha-se reduzido – a admirar o vapor de Cacilhas.
Têm um único mérito estes navios perante uma agressão estrangeira: impor pelo respeito da idade. Quem ousa atacar as cãs de um velho?» (As Farpas [Julho de 1871], I, 2004, 117). Hoje já estamos melhor, senão em quantidade, pelo menos em qualidade.
Um dos maiores equívocos sobre o Portugal marinheiro tem sido alimentado pela classe plumitiva: não há almirante reformado que, após longo tempo na “nau de pedra” (Ministério da Marinha), não se meta a historiar sobre as façanhas da nossa frota guerreira, e nicles sobre a nossa frota mercante e pesqueira (com exceção da do bacalhau), aquela que do mar realmente nos trouxe trabalho, proveito, pão e sardinhas e poucos dissabores. Mas os filhos, netos e bisnetos dos Gamas e Cabrais, arrumado no canto da sala de estar o pote de porcelana da China trazido como recuerdo das façanhas navegadoras, enjoaram de tal modo que não querem mais ouvir falar de barcos. Querem exemplos? Olhem à vossa volta: a cidade do Porto, por exemplo, que tudo, perdão TUDO, deve ao mar e à sua frota mercantil, não tem sequer um museuzito naval, e quando o pôde criar, por insistência do saudoso Lixa Filgueiras, fez um Museu dos Transportes… Terrestres, não fosse alguém querer atracar, mesmo de graça, um velho rebocador no cais da Alfândega. Explicações? Para mim foi enjoo de mar. Chegam-lhes os rabelos de Gaia no dia de S. João a fugirem da barra com as velas enfunadas. Mas valha-nos, para além do Museu da Marinha (de Guerra) em Lisboa, e pouco mais, ao menos Ílhavo e Vila do Conde com os seus museus que nos não envergonham, os quais estão muito bem divulgados numa recente obra sobre todos os museus navais ibéricos publicada… pelos espanhóis, também eles grandes pândegos neste assunto, pois o seu Museu Marítimo Nacional é em Madrid, que é sítio onde também as gaivotas chegam à procura de lixeiras. Não existem em Portugal praticamente estudos sobre a nossa marinha mercante; a arqueologia subaquática, depois de episódios pouco edificantes paridos nos anos noventa no Parlamento com um deputado em conluio com um pirata americano, parou na Ria de Aveiro e pouco avançou para norte. Os nossos naufrágios históricos, tal como o nosso peixe, continuam pois à mercê de quem tiver barcos e licenças para os pescar.
Todos os anos ouvimos que se vão deitar ao mar milhões de euros transformados em camiões de areia e de pedra para “repor a linha de costa”, e isto para proteger construções privadas ou públicas, a maior parte delas, se não tolas, pelo menos de duvidosa ou comprovada ilegalidade à luz da legislação que desde 1863 se produziu para ordenamento da orla marítima e fluvial, teimosia essa a que o mar oferece sonoras gargalhadas no inverno seguinte.
Existem estudos sólidos e credíveis para os decisores nacionais, regionais e locais saberem com segurança onde estará o nível do mar daqui por cinquenta ou cem anos e declararem de vez a zona costeira atual abaixo dessas cotas como zona de calamidade pública com as devidas consequências a assumir pelo Estado e pelos privados.
Mas ninguém de tal quer saber e por isso vamos continuar a brincar aos castelos na areia que a próxima invernia se encarregará de desfazer de novo. E assim se gasta o nosso dinheiro.
Para olhar por este nosso mar são precisos então barcos, aviões e submarinos. Mas não há unidade deles que se construa ou compre sem que tal dê origem a um romance policial caríssimo para o erário público. Será que também aqui estaremos ainda quase como no tempo de Eça: «O Índia, o melhor navio que temos, o navio novo, expressamente feito para uso do país, comprado com madura reflexão, examinado com escrupulosa ciência, glória da nossa marinha, defesa das nossas colónias, garantia da nossa honra, o Índia que sábias comissões aprovaram, que uma reta imprensa exaltou, que professores da Escola Normal celebraram, que é o nosso transporte para a Índia, que custou muitas mil livras, que é novo, perfeito, impecável, o Índia, - mete apenas cinco polegadas de água por dia!» (As Farpas [Janeiro de 1872], II, 2004, 329). Claro que no tempo de Eça os submarinos ainda estavam a nascer e por isso ele não fala neles. O escritor, que diabo, não pode prever tudo
Mas também não vamos longe no mar com aqueles marinheiros sessentões, com imponentes chapéus de pala com estrelas douradas, com iate ancorado em marina com amarras cuja laçada raramente se larga, cuja navegação se resume à leitura balançada do jornal de fim de semana enquanto bebem o seu whisky e um pescador local à espera de melhores dias lhes limpa o convés por meia dúzia de euros. É “isto” que se tem semeado pelos melhores atracadouros da costa.
Muito gostaríamos que o «Tanto mar! Tanto mar!» da canção de Chico Buarque da Holanda não servisse só para surfistas, fotógrafos, praiistas do lume brando do sol de verão, os poetas e os idealistas. É que não se exportam nem ondas, nem fotos amadoras, nem tempos de papo para o ar, nem versos, nem fantasias. Terão de ser outros os desígnios para Portugal “voltar ao mar”, se possível com uma nova geração que ainda não tenha “enjoado”. Então o mapa estará certo e será útil.

J. A. Gonçalves Guimarães
mesário-mor

Livros, textos e programas

O Solar nos Caminhos da História

fotografia Porto Canal

Hoje, dia 25 de fevereiro, o Porto Canal apresenta no programa “Caminhos da História” do historiador Joel Cleto, uma reportagem sobre o Solar Condes de Resende e Eça de Queirós, e entrevistará em estúdio Isabel Pires de Lima e J. A. Gonçalves Guimarães sobre a Vida e Obra do nosso patrono. O programa será depois repetido em outros horários e ficará disponível na Internet.





Portugal. A Flor e a Foice


Aproximando-se a data em que o “25 de Abril” faz 40 anos, e não sendo o facto ainda História por falta do necessário distanciamento cronológico, convém ler um dos textos mais lúcidos, mais claros, mais exemplares do que foi e do que poderia ter sido o “25 de Abril” escrito em 1978 por J. Rentes de Carvalho e agora disponível em português em tempocontado.blogspot.com, intitulado “Tomada de Consciência em Portugal” enquanto se aguarda para daqui a dias o livro Portugal. A Flor e a Foice, a publicar em março pela Quetzal. Este autor esteve no mês de Fevereiro no Correntes d’Escritas na Póvoa de Varzim a convite da organização, onde conviveu com esotéricos e umbiguentos autores. Sobre o assunto ver o mesmo blogue.


Telheiras Cadernos Culturais

Acaba de sair o n.º 6, segunda série, referente a Novembro de 2013, desta revista editada pelo Centro Cultural Eça de Queiroz, Escola Secundária Eça de Queirós e Centro Cultural de Telheiras, dirigida por Fernando Andrade Lemos, com abundante colaboração de temática queirosiana, nomeadamente “Eça de Queirós e o Museu Egípcio do Cairo” de Luís Manuel de Araújo; “Eça de Queirós bem-amado no Brasil” de César Veloso; e “A formação iniciática de Maria Eduarda Maia” de Fernando Andrade Lemos e Rita Rebelo Andrade Lemos.





Revista Montepio

A edição de inverno 2013 da Revista do Montepio, que distribui 400.000 exemplares, é dedicada a Eça de Queirós, apresentando no interior um artigo de Elsa Garcia sobre a opinião de Fernando Pinto do Amaral, diretor do Plano Nacional de Leitura sobre a atualidade de Os Maias e o recente filme inspirado nesta obra realizado por João Botelho. Entretanto nas tertúlias queirosianas desenvolvidas pelos nossos confrades há uma questão à procura de uma boa e documentada resposta: quem foi a senhora que teve um filho do 5.º Conde de Resende, o companheiro de Eça à Terra Santa em 1869, ano em que a criança nasceu? Porque é que a família a apagou dos registos genealógicos? Em que factos reais Eça se inspirou para a questão do incesto em Os Maias? Mais uma vez a realidade pode ser mais fantástica do que a fantasia, neste caso, literária.


Roteiros queirosianos

Leiria: Eça 2014

A Câmara Municipal de Leiria apresentou recentemente o programa Eça 2014 em torno do romance O Crime do Padre Amaro, quase com 140 anos de publicação e talvez a obra que até hoje mais contribuiu para a mudança de mentalidades em Portugal. Em 2013 decorreram visitas ao Centro Histórico pelos cenários que o escritor descreve naquela obra, as quais irão continuar no presente ano. O programa conta com recriações de Leiria no século XIX, concertos musicais, teatro de rua, gastronomia de evocação queirosiana, um desfile com cerca de mil figurantes que irão recordar os tempos de Eça em Leiria nos dias 21 de maio e 1 de junho, e um baile da época no Mercado de Santana naquele primeiro dia. A Confraria Queirosiana irá divulgando a todos os sócios os pormenores deste programa.

500 anos do Foral de Ovar

No passado dia 10 de fevereiro decorreram em Ovar as comemorações dos 500 anos do seu foral manuelino, bem assim como os de Pereira Jusã e de Cortegaça, as quais se iniciaram com uma mostra documental na Biblioteca Municipal, a que se seguiu um encontro evocativo aberto por Salvador Malheiro, presidente da edilidade, e por S.A.R. o Duque de Bragança, Senhor Dom Duarte, comissário da evocação. Foram oradores Silvestre Lacerda, diretor da Torre do Tombo e Francisco Ribeiro da Silva, professor jubilado da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Para além destes conferencistas estiveram também presentes José Manuel Tedim, J. A. Gonçalves Guimarães e Susana Moncóvio dos corpos gentes da Confraria Queirosana e do seu Gabinete de Historia, Arqueologia e Património e da Academia Eça de Queirós.

O Egito na Europa

Todos os anos o Instituto Oriental da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa organiza, durante as férias da Páscoa, uma visita ao Egito liderada pelo nosso vice-presidente e diretor da Revista de Portugal, Prof. Doutor Luís Manuel de Araújo.
No presente ano, devido à insegurança que se faz sentir naquele país provocada por grupos extremistas islâmicos que atacam pacíficos turistas, esta 15ª viagem estender-se-á pela Europa em visita a museus com coleções egípcias.
Assim, entre 13 e 23 de Abril, os participantes irão de Lisboa a Berlim, e daí a Osnabruck, Hannover, Haia, Leiden, Gent, Paris, Londres e de novo regresso a Lisboa. Durante o trajeto serão feitas curtas palestras sobre civilização egípcia, os museus e as coleções visitadas. Como habitualmente, e por especial deferência daquele Instituto e daquele professor membro da academia Eça de Queirós, a viagem estará aberta à participação de membros da Confraria Queirosiana até ao limite das inscrições disponíveis.

Mercado solidário

No passado dia 22 de fevereiro a Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas organizou no Cais de Vila Nova de Gaia, com a colaboração do Município, um Mercado Solidário cujo apuro se destinou à CerciGaia e à APPACDM.
Participaram numerosas confrarias com os seus produtos tradicionais e também a Confraria Queirosiana, com as suas edições e o seu Vinho do Porto.
No final deste dia de convívio e solidariedade o crítico de cinema Mário Augusto e a vereadora Elisa Cidade entregaram os donativos das confrarias às referidas instituições.
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Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 66 – terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
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