sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Eça & Outras


 Sovados, humilhados, arrasados!

Como historiador profissional sempre entendi que a História tem uma importante função social a desempenhar. Se assim não for não passará de uma decoração natalícia, vistosa e piscante, com lugar certo na vida das comunidades, mas que logo depois se guarda nos arrumos à espera de nova ocasião de uso, em que se oscila entre a tradição e a inovação, mas apenas decorativa e efémera. Ora não é esse o conceito da História que tenho trabalhado, ensinado e divulgado, como aliás não é o de muitos outros bons companheiros de jornada, antigos e atuais. Claro que ainda hoje, mesmo pessoas com formação académica, à História preferem a mitologia, por ser mais “cultural”, mais pacífica, mais preenchente do ego, pouco questionável (para quê, se são mitos?), mais decorativa, ou seja mais inútil, porque incapaz de produzir pão, máquinas e riqueza para o dia-a-dia de milhões de seres em todo o mundo. Compreendo que os famintos de pão, de trabalho, de dinheiro, de sossego e de convívio humano, ainda que ricos, se sintam inclinados para os mitos, as grandes ou pequenas fantasias, as grandes ou pequenas burlas, as mais das vezes revestidas com papéis prateados da “técnica”, da “saúde”, da “ciência” e, oh deuses! “da cultura”, e mais recentemente “do social” ou dos “media”. Compreendo, mas não aceito, porque eles não fazem sequer ideia do que é a solidão dos fraternos, dos desalinhados, dos caminheiros infatigáveis em busca da humana felicidade, essa «…pluma que o vento vai levando pelo ar» (Vinícius de Morais, parabéns por seus 100 anos de eterna juventude. Sarabá!) Mas então quais são as diferenças ensinadas pela História? São simples, como quase tudo na vida: os pobres são consumidores e divulgadores de mitologias. Os ricos produzem-nas e institucionalizam-nas para se manterem no poder. Os remediados, quando têm algum incómodo social, trocam de mitologias e, quando alguns deles chegam a ricos depois das revoluções, passam a produzir novas mitologias para os povos passarem a consumi-las. Sempre assim tem sido. Nos últimos tempos tem crescido o número de ricos e de pobres e há cada vez menos remediados, razão pela qual as mitologias se têm vindo a reforçar sem conseguirem mudar nada nem coisa nenhuma. Por isso, nestes dias em que o terrorismo de Estado e dos fundamentalistas, nacional e internacional, nos entra a toda a hora pela casa adentro, lembro-me daquelas palavras de Eça quando um dia imaginou (ingénuo!) meter medo aos políticos portugueses colocando no mercado uma ficção sobre a invasão de Portugal pela Espanha. Imaginava então ele que «sovados, humilhados, arrasados, escalavrados, tínhamos de fazer um esforço desesperado para viver. E em que bela situação nos achávamos! [Sem governo], sem essa caterva de políticos, sem esse tortulho [da troika], porque tudo desaparecia, estávamos novos em folha, limpos, escarolados, como se nunca tivéssemos servido. E recomeçava-se uma história nova, um outro Portugal, um Portugal sério e inteligente, forte e decente, estudando, pensando, fazendo civilização como outrora… Meninos, nada regenera uma nação como uma medonha tareia… Oh! Deus de Ourique, manda-nos o [banqueiro internacional]! (Eça de Queiroz, Os Maias, [com atualização de expressões da minha responsabilidade], sossegando-nos porém, através de Ega, que a «… invasão [da troika] não significa perda absoluta da independência. Um receio tão estupido é digno só de uma sociedade tão estupida como a do Primeiro de Dezembro. Não havia exemplo de [dez] milhões de habitantes serem engolidos, de um só trago, por um [consórcio de algumas centenas de banqueiros que devem viver algures, dormir em mansões de luxo e ir à sanita de vez em quando como qualquer mortal].
Depois ninguém consentiria em deixar cair nas mãos [deles] esta bela linha de costa de Portugal [e a sua área marítima exclusiva que vale quinquilhões]. Sem contar as alianças que teríamos a troco das [regiões autónomas] – das [regiões autónomas] que só nos servem, como a prata de família aos morgados arruinados, para ir empenhando em caso de crise… Não havia perigo; o que nos aconteceria, dada uma invasão [dos mercenários da União Monetária Internacional], num momento de guerra europeia, seria levarmos uma sova tremenda, pagarmos uma grossa indeminização, perdermos uma ou duas [regiões autónomas], ver talvez a Galiza estendida até ao Douro…» (idem, idem, idem, peço desculpa pela atualização, meu Eça, mas tem de ser). Ora eu, não querendo ser troikano, também não quero ser galego, nem castelhano, nem alemão. Sou português, gaiense, portucalense, duriense, alentejano, açoriano, madeirense, algarvio, lisboeta, e o mais que for preciso, desde que universal pela mão de Camões, de Vieira ou de Rentes de Carvalho, tal como tu, meu Eça.
Já estamos a ser sovados desde o século passado. Será que estamos a aprender? Estamos efetivamente a regenerarmo-nos? Meu Eça, como eu desesperadamente quero que isso seja verdade. Se tal acontecer, irei a pé à tua imaginada Torges em peregrinação, pensando «… que outros homens [e mulheres], com uma certeza mais pura do que é a Vida e a Felicidade, dariam como eu com o pé no lixo da supercivilização, e, como eu, ririam alegremente da grande ilusão que findara, inútil e coberta de ferrugem» (Eça de Queirós, Civilização).

J. A. Gonçalves Guimarães

Livros

O Crime do Padre Amaro

No âmbito das comemorações dos 500 anos da Biblioteca da Universidade de Coimbra, o jornal O Público está a divulgar uma coleção de primeiras edições fac-similadas do espólio daquela instituição, entre as quais Os Lusíadas, de Luís de Camões; As Praias de Portugal, de Ramalho Ortigão, com a Granja por onde passaria Eça de Queirós; Coração, Cabeça e Estomago, certamente o melhor romance de Camilo Castelo Branco; e O Crime do Padre Amaro de Eça de Queirós, posto à venda em livro em 1876. Quanto às restantes obras, ai encontramos autores como o Padre António Vieira, Vitorino Nemésio, Almeida Garrett, Soeiro Pereira Gomes, Almada Negreiros, Mário de Sá Carneiro, Raul Brandão e Maria Angelina, José Régio, António Nobre, Irene Lisboa, Natália Correia e Fernando Pessoa.


Saúde Mental

No passado dia 10 de Outubro, na Ordem dos Médicos do Porto foi lançado o livro, O Centro de Saúde Mental de Vila Nova de Gaia de Jaime Milheiro, no dia mundial dedicado à saúde mental, tendo o livro sido oferecido a todos os presentes.
Segundo o autor, «particularizado em Gaia, neste livro discutem-se problemas assistenciais e mentalidades, estigmas e comunidades. Fazendo história e solicitando futuro, discute-se a forma como se ganha ou como se perde a Saúde Mental de todos e de cada um, numa narrativa breve… feita na primeira pessoa».



Obra Selecta

No dia 11 de Outubro, no salão nobre da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim foi lançado o Tomo II vol. I das obras completas do Professor Doutor João Francisco Marques, dedicado a temas sobre Religião, Política e Sociedade. O autor é professor jubilado da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Vinhos e Arte

No próximo dia 7 de Novembro, no restaurante 100 Maneiras em Lisboa, será feita a pré-apresentação do livro Adriano Ramos Pinto Vinhos e Arte de Graça Nicolau de Almeida e J. A. Gonçalves Guimarães, num jantar organizado pela Casa editora. O livro traça a biografia do fundador e dos seus diretos sucessores à frente da empresa, dando especial destaque ao seu universo de inconfundível Arte Publicitária, divulgando muitos documentos e imagens inéditas do seu Arquivo.




Os Idiotas

No dia 26 de Outubro, na livraria Traga-Mundos de Vila Real, o escritor José Rentes de Carvalho apresentará o primeiro romance do escritor Rui Ângelo Araújo intitulado Os Idiotas, imprescindível para percebermos com que linhas se tem cosido o Portugal democrático e como ele se tem implantado por essa paisagem fora.


Leiria no século XIX



Ricardo Charters de Azevedo continua a divulgar preciosos textos sobre Leiria, desta vez William Charters, um oficial inglês em Leiria no século XIX, obra que terá a sua apresentação no Arquivo Distrital de Leiria no próximo dia 16 de Novembro, e que abarca o período das «invasões francesas, as guerras liberais e as vivências socioculturais, com um estudo sobre a família Charters».



Cinema e visitas

Os Maias no cinema

A filmografia queirosiana conta já com muitas e várias versões de obras do escritor. Nestes dias o realizador João Botelho está a rodar a primeira adaptação cinematográfica de Os Maias, a qual deverá aparecer a público em Setembro do próximo ano e conta com um elenco de grandes atores portugueses e brasileiros. Será apresentada em duas versões, uma para cinema, outra como série televisiva.


O Porto de Eça

No próximo dia 27 de Outubro, o jornalista Germano Silva vai continuar uma série de passeios à descoberta da cidade do Porto, desta vez subordinado ao tema “Eça de Queirós e o Porto”, cidade onde o escritor frequentou o ensino secundário no Colégio da Lapa, onde casou em 1886 e onde teve os seus principais editores, não só em vida, mas mesmo ao longo do século XX.
No próximo número da Revista de Portugal será publicado um novo artigo sobre os roteiros queirosianos que se vão fazendo em todas as latitudes relacionadas com a vida e obra do escritor.

Cursos, colóquios e centros

História Empresarial

A partir de 16 de Novembro próximo, a Academia Eça de Queirós, grupo de trabalho profissional dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, vai realizar no Solar Condes de Resende um curso livre sobre este tema. Se é certo que sobre História Institucional existem muitas obras publicadas, algumas de grande valia, sobre a História Empresarial elas são muito escassas, sendo na realidade esta área historiográfica muito pouco cultivada pelos profissionais portugueses da História Moderna e Contemporânea. Daí a grande oportunidade deste curso, que decorrerá ao longo de 13 sessões, aos sábados à tarde, entre as 15 e as 17 horas, ao ritmo de duas por mês.
Serão conferencistas os investigadores Ana Cristina Correia de Sousa; Francisco Ribeiro da Silva, J. A. Gonçalves Guimarães, Joel Cleto, José Manuel Tedim, Laura Peixoto, Nuno Resende, Silvestre Lacerda e Susana Moncóvio.
O programa definitivo poderá ser visto em confrariaqueirosiana.blogspot.com
A todos os participantes será entregue no final do Curso um certificado de frequência e um CD com os textos dos professores.
A frequência do Curso implica a inscrição prévia.

XIX Colóquio dos Olivais

O Centro Cultural Eça de Queiroz e outras entidades, vão promover nos dias 25 a 30 de Novembro próximo o seu XIX Colóquio nas Escolas Secundárias Eça de Queirós e António Damásio em Lisboa. Coordenado pelo nosso confrade Fernando Andrade Lemos, no programa participarão ainda, entre outros, os confrades Luís Manuel de Araújo e César Veloso, num programa evocativo, entre muitos outros aspetos, dos 125 anos da publicação de Os Maias.

Centro Mário Cláudio

Foi recentemente inaugurado no lugar de Venade, freguesia de Ferreira, Paredes de Coura, um centro com o nome deste escritor, autor de As Batalhas do Caia, obra inspirada em Eça de Queirós. Foi o mesmo instalado na antiga escola primária, há muito desativada devido à desertificação humana do mundo rural. O centro destina-se a ser «um local de pesquisa sobre literatura portuguesa do século XX» onde estarão presentes, entre outros, os escritores Afonso Ribeiro, pioneiro do neorrealismo e José Rentes de Carvalho, um dos mais internacionais dos escritores portugueses do nosso tempo, para além, obviamente, do próprio patrono, que sazonalmente vive na casa fronteira ao centro agora criado com o apoio da autarquia local e ao qual cedeu o seu arquivo documental.

Confrarias

Propostas da Confraria Queirosiana

Mais duas novas propostas estão a ser equacionadas pela Confraria Queirosiana para apresentar às entidades nacionais, regionais e locais.
A primeira é a criação de uma comissão regional para a evocação da I Grande Guerra, até porque em Vila Nova de Gaia, onde a Confraria tem a sua sede, no Regimento de Artilharia foram formados batalhões para a Flandres e também para Angola e Moçambique, onde morreram muitos mais soldados do que no teatro europeu, muitos deles de fome, doença e abandono por parte das autoridades portuguesas da época; depois porque aqui, no Seminário dos Carvalhos, teve origem o culto de Nossa Senhora das Trincheiras, que seria depois obscurecido pelo de Nossa Senhora de Fátima; finalmente porque a gripe pneumónica, que destruiu milhares de vidas em Portugal e no mundo, foi difundida a partir dos expedicionários das colónias regressados àquele regimento em 1918. Já existe uma comissão militar para a evocação mas, parafraseando Clemenceau «A guerra é demasiado importante para ser entregue apenas a militares».
Uma outra proposta que a Confraria vem trabalhando de há anos a esta parte é a criação de um Centro José Rentes de Carvalho, na casa onde o escritor nasceu e viveu os primeiros quinze anos de vida, no Monte dos Judeus à Beira Rio, colaborando na reabilitação do local e da casa e aí guardando o seu espólio num centro de ligação entre os povos europeus e o mundo, levando este escritor tão incidente na cultura portuguesa e europeia atuais, mormente na Holanda, a partilhar a sua intensa humanidade com os seus conterrâneos gaienses e com todos os cidadãos do mundo que com ele queiram partilhar a alegria de estarmos vivos. Com todos os desgostos que a espécie humana nos dá, e dos quais estamos fartos, ainda não desistimos de criar o céu na terra.

Jantar de Confrarias

No passado dia 18 de Outubro decorreu na Quinta da Boeira em Vila Nova de Gaia um jantar de Confrarias Gastronómicas do Norte do pais promovido pela Federação das Confrarias Gastronómicas Portuguesas para promover o seu maior conhecimento mútuo e o alinhamento de estratégias como imprescindível parceiro social no âmbito da Cultura, da Saúde, do Turismo, da Gastronomia e da Enofilia. O evento foi muito participado, estando a Confraria Queirosiana representada pelos confrades José Manuel Tedim, presidente da direção, J. A. Gonçalves Guimarães, mesário-mor e Fátima Teixeira.

XI Capítulo da Confraria Queirosiana

No próximo dia 23 de Novembro terá lugar o XI Capítulo da Confraria Queirosiana no Solar Condes de Resende com a insigniação de novos confrades de honra e de numero, a apresentação de obras realizadas pelos seus investigadores, o lançamento do numero 10 da Revista de Portugal, para além da assinatura de um protocolo de cooperação com o Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro, a que se seguirá um jantar queirosiano com a atuação musical de confrades queirosianos e que terminará com o habitual Baile das Camélias, este ano com a colaboração do Grupo de Danças de Salão da Associação Recreativa de Canelas.


Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 62 – Sexta-feira, 25 de Outubro de 2013
Cte. n.º 506285685 ; NIB: 001800005536505900154

IBAN: PT50001800005536505900154; Email:queirosiana@gmail.com
www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; academiaecadequeiros.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Eça & Outras


Património dos lugares

Decorreu recentemente o concurso 7 Maravilhas de Gaia, promovido pelo jornal O Gaiense, que veio assim proporcionar uma reflexão pública sobre o património existente na área deste município que, como é sabido, é um dos maiores do país em território, em população e em outros valores, alguns ignorados, outros pouco conhecidos, todos suscetíveis de serem mais divulgados.
Tendo sido o autor destas linhas convidado para integrar o júri formado por sete personalidades de diversas áreas relacionadas com a cultura, a arte, a natureza e o turismo, penso que por ser profissional do Património, o que se segue é apenas uma sua reflexão a convidar ao diálogo sobre o tema desta iniciativa.
 Antes de mais, o regulamento do concurso condicionou o património em análise ao apresentado pelas Juntas de Freguesia, e o que cada uma delas considera que é o “seu”, seja ele propriedade privada, institucional, municipal, regional, nacional e até Património Cultural da Humanidade, tendo sido escolhidos os edifícios e sítios mais visíveis e pouco mais. O sentimento de “pertença” reside aqui no facto de serem aquelas entidades as que representam os cidadãos que votam no território onde se encontram os elementos considerados. Tal aspeto condicionou, em muitos casos negativamente, o conceito que esteve por detrás das escolhas, originando lacunas, só aparentemente incompreensíveis. É pois interessante o interrogarmo-nos sobre qual o conceito de património que têm os autarcas locais e o respetivo executivo ou, em última análise, os seus eleitores, que neste concurso também se pronunciaram sobre o que eles indicaram. Será útil, por exemplo, interrogarmo-nos sobre a candidatura de elementos recentes de duvidoso interesse arquitetónico ou outro, ou ainda sem “curriculum” para serem já julgados como elementos identificadores de uma comunidade. É que o património, para além de uma boa dose de qualidade, tem de ter uma razoável quantidade de memória própria, e não idealizada ou desejada por qualquer pessoa ou grupo. Ainda que muito individualizado, é sempre coletivo, pois é a comunidade em geral que o suporta e nele se revê. Ou não. 
            Foram também apresentados elementos que afetam negativamente a população, como praias fluviais onde todos os anos morre gente, ou que a mantêm num estado de menoridade intelectual, analfabetismo cultural, crendices, patologia mental e social, etc. Será isto património? Se é certo que compete aos patrimoniólogos e aos cidadãos em geral respeitarem essas manifestações e procurarem entendê-las, outra coisa muito diferente é promovê-las como “maravilhas”. A compreensão implica respeito, mas não necessariamente aceitação acéfala, pois a cultura e a ciência não tencionam retroceder aos tempos obscuros da barbárie de que, felizmente, já estamos longe. O património é pois um conceito valorativo e não uma mera constatação de existências.
            Outro aspeto pouco positivo foi a apresentação de elementos que sofreram graves atentados patrimoniais ou em que foram feitas obras “à má fila”, à revelia do que está legislado, do concurso de profissionais competentes e sobretudo com falta de bom senso. Ou a apresentação da candidatura de estações arqueológicas vandalizadas ou ainda pouco estudadas e, de todo, sem programa de valorização enquanto tal, o que aliás também acontece com alguns dos edifícios e monumentos apresentados.
            Foram mesmo propostos edifícios degradados, banalidades, coisas só conhecidas lá na rua. E também monumentos a que se atribuíram classificações erradas ou imaginárias, “tradições” absolutamente recentes como “coisa antiga”, frutos da terra hoje sem qualquer produção local significativa, profissões que já não existem ou que existiram um pouco por toda a parte, e muito disto inicialmente descrito em textos com erros históricos grosseiros, com atribuições não sustentadas pela investigação, falsas ou incompletas descrições, invencionices recentes. Aliás não eram assinados, logo eram “coletivos”, alguns deles fruto de leitura de informação há muito desatualizada, muita dela “disponível na internet”, mas errada.
            Para quem gosta de estatísticas, dos elementos apresentados e escolhidos, no que se refere à sua gestão, 37,5% são da responsabilidade de concordata entre o Estado e a Igreja Católica (9 casos); 33,3% da gestão autárquica municipal (8 casos); 20% de acordos de gestão entre o Estado e a Câmara Municipal (5 casos); 8,3% de gestão associativa local (2 casos) e 4,1% de gestão privada (1 caso), ou seja, do património proposto nenhum está dependente das Juntas de Freguesia e só em dois casos a comunidade local terá responsabilidades na sua gestão.
            No que diz respeito às caraterísticas dos elementos propostos, 37,5% são edifícios religiosos; 16,6 % edifícios ou construções cívicas; 12,5% parques e reservas naturais; 8,3% praias; 8,3% associações musicais; 8,3% estradas antigas; 4,2% sítios arqueológicos e 4,2% comunidades locais.
            Ao júri competiu, condicionado pelas propostas e a partir do curto leque de três possibilidades, escolher um único elemento por cada uma das vinte e quatro freguesias, segundo critérios de qualidade, memória, disponibilidade e universalidade. No seu conjunto não será de admirar a presença do património natural, os parques, as reservas, os vales dos rios Douro, Uíma e Febros, pois este tem sido um dos emblemas de Vila Nova de Gaia de há trinta anos a esta parte, desde a criação do Parque Biológico de Gaia, a que outros se seguiram, bem assim como a valorização das praias marítimas.
            Depois os grandes monumentos de caráter internacional e nacional, como os conventos da Serra do Pilar e de Grijó, a Clínica Heliântia, a Ponte D. Maria Pia, além do que resta do românico regional e uma ou outra preciosidade de outras épocas, como o Castelo de Crestuma, a única estação arqueológica apresentada com estudo sistemático e que é também um notável parque natural.
            Também alguns valores humanos, como uma banda, um rancho folclórico, uma comunidade piscatória que convém conhecer para além dos postais ilustrados.
            Surpreendentemente, ou talvez não, ficaram de fora alguns valores de caráter universal ou muito para além dos horizontes locais. Se é certo que o Parque Biológico de Gaia ou o Solar Condes de Resende, com as suas diversas componentes construídas ou institucionais, são já referências com projeção muito para além da freguesia onde se situam e do próprio município, sendo ao mesmo tempo eles próprios produtores de informação patrimonial, foram inadmissíveis as omissões referentes ao Vinho do Porto, ao Castelo de Gaia ou ao Centro Histórico, “que deu nome a Portugal!”, ou às povoações de Arnelas ou da Granja, mas também à “Escola de Escultura de Gaia”, com estátuas em todo o país, no Brasil e em outras latitudes, aos Mareantes do Rio Douro, associação ribeirinha que se reporta ao século XVII, aos Cernaches, que vivem em Gaia desde o século XV, e a muitas personalidades aqui nascidas, como José Rentes de Carvalho, ou que aqui se criaram, como Almeida Garrett, outros escritores como Eça de Queirós ou Afonso Ribeiro, antigos navegadores como Fernão de Magalhães, cientistas como Adriano de Paiva, o pioneiro da televisão, músicos como Artur Napoleão ou António Pinho Vargas, pedagogos como Diogo Cassels, cineastas como António Reis, pintores como Fernando Azevedo, Guilherme Camarinha e tantos outros, comerciantes como Adriano Ramos Pinto, industriais como o Costa das Devesas, Pimenta da Fonseca, Salvador Caetano, e toda uma plêiade de figuras, geralmente ignoradas ou esquecidas, muito mais importantes do que o anedotário local, embora todas elas relacionadas com várias outras terras, pouco nos importando – e ao mundo também – se têm de ser partilhadas com outras comunidades, outras cidades, outros países, outras realidades, pois é isso que faz a sua verdadeira grandeza e deveria também fazer a grandeza local, se para tal houvesse estaleca.
            Depois algumas instituições centenárias, ou quase, como a Liga Vilanovense das Associações de Socorros Mútuos, a Misericórdia de Gaia, a Associação Comercial e Industrial, as Creches de Santa Marinha, algumas empresas de vinhos que têm preservado o seu património, e até ainda alguma imaterialidade, como o próprio município de Gaia e a sua teima em persistir autónomo ao longo dos tempos. Outro aspeto não considerado foi a diáspora, sobretudo no Brasil.
Este outro património não foi proposto, o que poderá querer dizer que ele será desconhecido dos eleitos que os gaienses têm colocado à frente das suas autarquias desde 1974, quando o regime democrático prometeu respeitar e promover a memória local. Mesmo assim, o património queirosiano esteve em evidência, ao serem considerados como elegíveis o Solar Condes de Resende e a Praia da Granja, tão intimamente ligados à vida de Eça, e a Casa-Museu Teixeira Lopes, onde existe o seu busto feito por Rafael Bordalo Pinheiro e o original da estátua que se ergue em Lisboa no Largo do Barão de Quintela. Em 1906 Edgar Prestage publicou em Londres a tradução inglesa do seu conto O Defunto, sob o título Our Lady of The Pilar, invocação do Mosteiro que haveria de ficar em primeiro lugar neste concurso, que Eça com certeza conheceu, pelo menos de vista, o que não deixa de ser uma interessante coincidência.
Mas, enfim, outras oportunidades haverá e o conceito de património é, por natureza, dinâmico, embora às vezes, como se verifica pelo que atrás se expôs, apenas uma ínfima parte da população saiba da sua existência, ou com ele se identifique, para além do óbvio: «Dir-me-ão que eu sou absurdo ao ponto de querer que haja um Dante em cada paróquia, e de exigir que os Voltaires nasçam com a profusão dos tortulhos. Bom Deus, não! Eu não reclamo que o país escreva livros, ou que faça artes: contentar-me-ia que lesse os livros que já estão escritos, e que se contentasse com as artes que já estão criadas. A sua esterilidade assusta-me menos que o seu indiferentismo…» (Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra).
            Quanto ao concurso, às votações do público, a escolha de sete entre as vinte e quatro “Maravilhas”, tratou-se de um jogo, de interesses pois claro, o que em si não tem mal nenhum de maior, e que também nada justificaria que se pretendesse virginal nas intenções. Trata-se apenas de uma escolha em que pesam com certeza muitos outros fatores que nada terão a ver com cultura. Mas o jogo é esse mesmo.
            Com esta iniciativa o património local passou certamente a ter muito mais visibilidade, e pode ser que um dia o público descubra que existe muito outro já estudado e disponível para seu conhecimento e possibilidade de usufruto. É apenas uma questão de se passar dos fait divers para uma maior atenção ao exercício dos profissionais desta área ao serviço da comunidade e que de há anos a esta parte o estudam, divulgam e promovem.

J. A. Gonçalves Guimarães

Solar Condes de Resende – 25 anos

Embora aí tenham decorrido desde 1984 trabalhos de História e de Arqueologia, passaram agora 25 anos sobre a data oficial de abertura ao público do Solar Condes de Resende: a ata do seu Livro de Honra diz o seguinte: «Aos vinte de Setembro de mil novecentos e oitenta e oito, com a presença dos representantes dos órgãos autárquicos, representantes da administração central e local, de instituições científicas e culturais, dos trabalhadores do sector de Ação Cultural e de outros departamentos, é solenemente inaugurado o Solar Condes de Resende como Casa Municipal de Cultura do Município de Vila Nova de Gaia». Seguem-se as assinaturas do presidente da Câmara, Coronel Mário Pinto Simões, vereação e muitas outras personalidades presentes.
Logo no dia seguinte aí decorreu a sessão inaugural do Congresso Internacional sobre Bartolomeu Dias e a sua Época, organizado pela Universidade do Porto com a colaboração do Gabinete de História e Arqueologia de Vila Nova de Gaia e o apoio da Câmara Municipal e de outras entidades, que trouxeram até aqui os maiores especialistas mundiais em História da Expansão Europeia e dos Descobrimentos.
Desde então aqui tiveram lugar grandes eventos de caráter regional, nacional e internacional nos domínios da História, Arqueologia, Antropologia Cultural, Literatura e Artes ao longo deste quarto de século.

Gala das 7 Maravilhas de Gaia

Embora a título pessoal, vários elementos dos corpos gerentes dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, estiveram presentes na Gala das 7 Maravilhas que decorreu no passado dia 14 de Setembro no Pavilhão Municipal. Para além do júri, integrado por Manuel Filipe, do conselho fiscal, J. A. Gonçalves Guimarães, da direção, e ainda o sócio Nuno Oliveira, no evento estiveram presentes: César Fernando Couto Oliveira e Maria Amélia Traça Machado, da mesa da assembleia geral; José Manuel Alves Tedim, J. A. Gonçalves Guimarães; Ilda Maria Oliveira Pereira de Castro, da direção; Manuel Filipe Tavares Dias de Sousa e Virgília Braga da Costa, do conselho fiscal, e a funcionária Maria de Fátima Teixeira,
De referir ainda que o troféu referente à Capela do Senhor da Pedra foi recebido pelo nosso associado maestro Dr. Ramiro Lopes em representação da Junta de Freguesia de Gulpilhares.
Na assistência e no palco também muitos outros associados queirosianos presentes, desde artistas e escritores até candidatos às eleições autárquicas.

Jornadas Europeias de Património

Conforme anteriormente anunciado, decorreram no passado dia 21 de Setembro as Jornadas Europeias de Património no Solar Condes de Resende, durante as quais foram apresentados os projetos de investigação aqui realizados durante o ano de 2013, quer pelos técnicos superiores da Casa, quer pelos investigadores tarefeiros do protocolo da Confraria com a Gaianima. No início da sessão, a presidente da Junta de Freguesia de Canelas, D. Adelaide Canastro, depositou nas mãos do diretor deste equipamento o troféu atribuído ao Solar no concurso das 7 Maravilhas de Gaia.
A sessão foi presidida pelo Professor Doutor Francisco Ribeiro da Silva, professor catedrático jubilado da Universidade do Porto e membro da Academia Eça de Queirós, ladeado por outros membros da mesma.
Todos os projetos apresentados foram já, ou serão em breve, objeto de publicação.

Castelo de Crestuma

Nos passados dias 22 e 23 de Setembro foram realizados trabalhos complementares das escavações arqueológicas que decorreram em Crestuma no passado mês de Agosto. Assim, no primeiro daqueles dias, voltou a ser posta a descoberto a estrutura do cais com grandes pedras aparelhadas de granito encontrado no ano transato, desta vez revelando a existência de madeiramentos antigos aparelhados, que foram estudados enquanto as águas o permitiram, pois encontram-se soterrados na praia na zona de entre-marés.
No dia 23 foi feita uma ação de prospecção de arqueologia subaquática em frente da muralha ribeirinha do Castelo pela arqueóloga Dr.ª Cândida Simplício, acompanhada pelo corpo de mergulhadores da Companhia de Sapadores Bombeiros de Vila Nova de Gaia e apoio terrestre, tendo durante as operações sido descoberto um fragmento de inscrição romana na margem pela Dr.ª Fátima Teixeira e, submersas no Rio Douro, muitas cantarias de granito, de entre as quais um fuste de coluna, que veio assim mais uma vez confirmar que existiram aqui construções monumentais, depois demolidas e substituídas por construções em madeira.
Entretanto na Junta de Freguesia de Crestuma e no Solar Condes de Resende continua patente ao público a exposição “Castelo de Crestuma: a Arqueologia em busca da História”, a qual seguirá posteriormente a sua itinerância.

Exposição de Pintura

Entre os dias 13 e 20 de Setembro esteve patente ao público na Junta de Freguesia de Matosinhos uma Exposição de Pintura do Major Simões Duarte composta por “Retratos e Paisagens”, cuja venda reverteu também em favor dos Bombeiros Voluntários de Leixões.

125 anos de Os Maias

Assinalando os 125 da publicação da obra prima de Eça de Queirós, no próximo dia 12 de Outubro será realizada no Solar Condes de Resende uma conferência intitulada “Os Maias vistos pelo seu autor” por J. A. Gonçalves Guimarães. Esta efeméride será igualmente comemorada no XI Capitulo da Confraria Queirosiana que terá aí lugar no próximo dia 23 de Novembro, bem assim como na Revista de Portugal n.º 10 (nova série) lançada nesse mesmo evento.

Cursos do Solar

A partir do próximo mês de Novembro terão início no Solar Condes de Resende os habituais cursos de Inverno promovidos pela Confraria Queirosiana, este ano sobre História Empresarial (ao longo de doze sessões, até Abril de 2014), certificado pelo Ministério da Educação através do Centro de Formação de Associação de Escolas Gaia Nascente. Os seus professores, como habitualmente, são alguns dos melhores investigadores na matéria, membros da Academia Eça de Queirós.
Entretanto, já na primeira quinta-feira do mês de outubro pelas 18 horas, terá início também no Solar Condes de Resende, o curso livre de Pintura e Expressão Plástica orientado pela Professora Pintora Paula Alves.

Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 61 – Quarta-feira, 25 de Setembro de 2013
Cte. n.º 506285685 ; NIB: 001800005536505900154 IBAN: PT50001800005536505900154; Email:queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; academiaecadequeiros.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638);
 redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.

domingo, 25 de agosto de 2013

Eça & Outras


«A prestigiosa estagnação»

Neste ano 125 da publicação de Os Maias, o romance cumpre como que uma maldição sobre o povo português, ao manter-se ainda mais tipicamente certo do que quando foi escrito, pese aí o anacronismo da constatação. No meio das dificuldades gerais, quando se pedem mudanças a sério, tal como no tempo de Eça, o que vamos tendo são imposições tecnocráticas avulsas, que já fizeram a desgraça de vários países ditadas, pelos banqueiros internacionais e pelos seus capos lusitanos, normalmente rapazes nascidos de modesta condição provinciana, que depois de obterem o canudo, rapidamente chegaram a lugares de topo na carreira política, passando pelo parlamento. Os atuais deputados, na sua grande maioria, são licenciados em leis, e as que elaboram e aprovam são de uma clareza e equilíbrio social que assombra o cidadão que tem conviver com elas. Os exemplos abundam no Diário da República e em livros normalmente grossos, onde é possível encontrar para a mesma coisa vários sins e os seus contrários. A tal “diarreia legislativa”, como a definiu um ilustre causídico.
Veja-se, por exemplo, a lei sobre a limitação de mandatos e a jurisprudência que sobre ela vai sendo produzida, não já pela Assembleia da República, como lhe devia ter competido em devido tempo, mas agora pelos tribunais, desde o de comarca até ao constitucional. Todos os interessados, por este ou aquele motivo, jogaram ao faz de conta, quer se trate de velhos democratas instalados, quer de novos candidatos, todos eles no fundo desejando que as indignações a clamar por mudanças não mudem coisa nenhuma, a não ser o pensar-se que não estamos a mudar nada do que quer que seja, uma mudança talhada à imobilidade de cada um. Parece confuso mas não é.
Mas para não pensarem que tenho qualquer preconceito contra a classe jurídica, mesmo quando ela dá deputados, gostaria de informar que tal não é verdade, e mais que, se na realidade é possível descortinar nas profissões dos dias de hoje alguns princípios medievais de casta, nos advogados, nos diplomatas, nos médicos, nos militares, nos estivadores e outras, eu sempre distingo as pessoas, os espíritos ilustrados para além dessas outras condições, quantas vezes talhadas logo à nascença, ou no colégio particular.
Para tal provar permitam-me que lhes ofereça este belo trecho de sábia prosa que fui encontrar na Revista da Confraria Eça-Dagobertiana de Oeiras (Brasil), n.º 2, 2013, página 179, da autoria do meritíssimo juiz Dr. Nazareno César Moreira Reis, que além de juiz federal pertence à Academia de Letras da Confederação Valenciana, cujo título, pedido emprestado, encima esta prosa:
«Haverá sempre uma tentação para avaliar a atualidade da crítica de Eça, não apenas em relação a Portugal, mas também ao Brasil e à sua vida intelectual, política e social. Aqui também os ecos de Fradiques e Pachecos parecem ainda reboar, e quando se discutem temas como Ciência, Educação, Política, Justiça, Economia, não são poucas as ocasiões em que são lembradas as nossas promissoras condições naturais, nossos grandes pensadores, nossos colossos teóricos, nosso futuro auspicioso – que, no entanto, não vingam na prática.
E o marasmo daí decorrente não é percebido como trágico, pois jamais se chega a formar um consenso sério sobre a gravidade do problema; ao contrário, ele é assimilado – nos momentos alegres das pequenas vitórias, por comemorações excessivas de bufonaria; nas pequenas derrotas, pelas portas da zombaria e do escárnio; e, nos momentos de funda tristeza, pela autocomiseração e falsa indignação coletiva – e se replica em mil novas manifestações, num estéril jogo catártico entre a algazarra, o deboche e a lamentação.»
            Nada mais verdadeiro, nada mais exato. E é triste a constatação de que transmitimos pelo ADN esta nossa imutável maneira de ser aos brasileiros e nem a esperança da miscigenação afro e ameríndia terá melhorado o fado. O Brasil, já de antes do tempo de Eça que é para nós portugueses uma esperança, as mais das vezes material, mas, que diabo, também física e mental para a regeneração dos viventes do Quinto Império, se possível antes do século XXIII. Mas escrito assim tão lapidarmente por aquele ilustre cidadão e ainda por cima homem de leis habituado a pesar a debilidade humana e a chicoespertice lusa, tropical ou não, varre-se-me de todo a esperança numa ideia de verdadeira mudança que me entretinha o alento.
É que, como já escreveu Eça em Os Maias «… a política em Portugal também se lançou na corrente realista. [Dantes] a política era o progresso, a viação, a liberdade, o palavrório…. Hoje é o facto positivo – o dinheiro, o dinheiro! O bago! A massa! A rica massinha da nossa alma, menino! O divino dinheiro! (Os Maias, p. 579).
Por este andar, o século XIX ainda vai continuar por muito tempo em Portugal. E no Brasil. Os Maias continuarão pois a ser admirados à procura do seu próprio esconjuro. José Rentes de Carvalho fez recentemente o funeral ao Carlos da Maia e ao Ega no seu «O Rio Somos Nós» (Expresso), mas agora teremos de aturar os netos dos caseiros do primeiro que entretanto subiram na política.
Esta prosa também não saiu grande coisa, mas foi o que se pôde arranjar nestes dias de trabalho estival, enquanto o povão se diverte. Felizes os néscios.

J. A. Gonçalves Guimarães

Livros, Revistas e Jornadas


           Vinda de Oeiras – Piauí, Brasil, acaba de nos chegar às mãos o n.º 2 da Revista da Confraria Eça Dagobertiana, referente a 2013, recheado de notícias das suas atividades, comunicações e colaborações dos seus confrades, a qual, pela mão de Dagoberto Carvalho J.or, «confirma a perenidade da audiência de Eça de Queiroz no Brasil e que resiste incólume à passagem demolidora que o tempo, por vezes, tão injustamente provoca», como na contracapa se cita do prefácio que A. Campos Matos escreveu para Eça de Queiroz e Machado de Assis: o Realismo de cada um, daquele seu incansável divulgador no país irmão.
Entre o relato de encontros, seminários, saraus, lançamentos de livros, comemorações, defesa do património, a revista apresenta estudos sobre Os Maias, A Cidade e as Serras e A Ilustre Casa de Ramires, e ainda artigos sobre o escritor português e seu devoto seguidor e estudioso do Piauí, com a sua bibliografia aqui acrescentada com vários artigos sobre a sua amada Oeiras, assim batizada há 250 anos em homenagem ao Conde de Oeiras, depois Marquês de Pombal, por um seu irmão governador do Grão Pará.



Eça na Tailândia

Em 2011 fez 500 anos que os portugueses chegaram à Tailândia (Rio de Sião). Em 1820 Portugal foi o primeiro país ocidental a instalar aí uma missão diplomática. A 30 de Março passado foi ali lançada, na Galeria Nacional de Banguecoque, a tradução tailandesa de O Mandarim, feita pela Dr.ª Pralom Boonrussamee e revista pelo Dr. Wirat Siriwatananawin.
Entre a centena de convidados podiam ver-se entidades governamentais, corpo diplomático, professores e alunos das universidades de Chulalongkorn e de Tammasat (onde se ensina português) e descendentes de portugueses.
A edição foi patrocinada pelo Instituto Português do Oriente, com sede em Macau, presidido pelo Prof. Dr. António Vasconcelos de Saldanha, que esteve presente nesta cerimónia, bem assim como o Embaixador de Portugal Lima Pimentel, que apresentou uma síntese da biografia de Eça de Queirós como homem, escritor e diplomatas.
 (adaptado de José Martins/Maquiavelices. blogspot.com, 12 de julho 2013.

“ Eça Agora”


Com a publicação de Introdução à leitura d’ Os Maias, da autoria do nosso confrade Carlos Reis, completou-se ontem, dia 24 de Agosto, a oferta pelo jornal Expresso da sua edição comemorativa dos 125 anos deste romance, a qual, para além de mais uma reedição dessa obra em três volumes de bolso, contou com a edição de outros de três com contos de seis escritores atuais, que “prolongaram” aquela obra para além do romance original. Com este sétimo volume final ficam os leitores apetrechados para uma nova releitura deste clássico da Literatura Portuguesa Contemporânea.




Jornadas Europeias de Património

No próximo dia 21 de Setembro decorrerão no Solar Condes de Resende as comemorações destas jornadas, a partir das 15 horas, com a apresentação de vários projetos de investigação que decorrem nesta instituição realizados pelos técnicos superiores da Casa e pelos investigadores do Gabinete de História, Arqueologia e Património da Confraria Queirosiana conforme o seguinte programa: Joaquim António Gonçalves Guimarães – “Património Gaiense: um ponto da situação (a propósito do concurso das 7 Maravilhas de Gaia)”; António Manuel Silva – “O Castelo de Crestuma: notícia dos trabalhos de 2013”; António Sérgio dos Santos Pereira – “Acompanhamento arqueológico da Rua Rei Ramiro”; Susana Cristina Gomes Gonçalves Guimarães – “Aprestos e representações equestres da Coleção Marciano Azuaga”; Susana Maria Simões Moncóvio – “Francisco Pinto da Costa (1826-1869), desfiar a memória”; Sílvia Alexandra Monteiro dos Santos – “A indústria do vidro em Vila Nova de Gaia”; Maria de Fátima Teixeira – “Os Pimenta da Fonseca e a Companhia de Fiação de Crestuma”; Licínio Manuel Moreira Santos – “As cooperativas em Vila Nova de Gaia, dos finais de oitocentos ao advento da República”; Eva Cristina Ventura Baptista – “Biografia de Bernardo de Almeida Lucas”; Teresa Campos dos Santos - "Quem foi Paulino Gonçalves ?: Estudo sobre o pintor gaiense (1869-1953)".
Este evento assinala também os 25 anos de abertura do Solar Condes de Resende ao público, que ocorreu a 20 de Setembro de 1988 para acolher o Congresso Internacional sobre Bartolomeu Dias e a sua Época organizado pela Universidade do Porto com a colaboração do Gabinete de História e Arqueologia e da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, o qual reuniu então aqui um considerável número de especialistas mundiais em História da Expansão.


Outras

Escavações em Crestuma

Desde o dia 12 de Agosto prosseguem as escavações arqueológicas no Castelo de Crestuma, as quais decorrerão até ao dia 30, dirigidas pelos arqueólogos Gonçalves Guimarães e António Manuel Silva, com uma equipa formada por jovens arqueólogos do Gabinete de História, Arqueologia e Património tarefeiros no Solar Condes de Resende e estudantes de arqueologia. Os trabalhos este ano incidem na encosta poente e nos níveis elevados da praia de Favaios. No dia 22 de Setembro, aproveitando a maré, haverá uma nova intervenção no cais romano que se encontra soterrado naquela praia fluvial.
No passado dia 10, junto à entrada do Parque Botânico foi ali inaugurada a exposição itinerante: «Castelo de Crestuma: a Arqueologia em busca da História», na qual estiveram presentes César Oliveira, presidente da Assembleia Municipal, vários vereadores, Nuno Oliveira, diretor do Parque Biológico, José Ferreira, presidente da Junta de Freguesia de Crestuma e vários convidados, tendo na ocasião os arqueólogos coordenadores do projeto referido os objetivos e os apoios recebidos para a concretização e divulgação do mesmo. A exposição está aberta todos os dias e no próximo dia 21 de Setembro, nas Jornadas Europeias de Património, abrirá ao público no Solar Condes de Resende.

Feira de Gastronomia de Vila do Conde

No passado dia 23 de Agosto abriu ao público a 15.ª edição da Feira de Gastronomia de Vila do Conde, este ano dedicada ao Pão.
Terra queirosiana por excelência, como habitualmente, a Confraria fez-se representar por vários confrades na cerimónia e no jantar de abertura que decorreu no restaurante da Feira.


Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 60 – Domingo, 25 de Agosto de 2013
Cte. n.º 506285685 ; NIB: 001800005536505900154

IBAN: PT50001800005536505900154; Email:queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; academiaecadequeirós.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: Dagoberto Carvalho J.or.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Eça & Outra

Viaje com Eça

Não sei se você, meu caro leitor, ainda é um daqueles felizardos que, além de não trabalhar um mês por ano, vulgarmente conhecido por “estar de férias” ou “ir de férias”, durante o qual continua a ganhar o que a sua empresa ou o Estado lhe pagam e ainda lhe acrescentam uma remuneração idêntica chamada “subsídio de férias”. Na prática recebe dois meses de salário fazendo nada durante um mês para quem lhe paga a dobrar. Esta “bondade” social já o devia ter incomodado, levado a refletir sobre o seu porquê e, no mínimo, já deveria ter desconfiado da aparente passividade da sua existência, da sociedade em que temos vivido dar este facto como adquirido, de os sindicalistas (e os usufrutuários) o considerarem um “direito” e de o mesmo ser extensivo a muitos daqueles que já nada produzem ou asseguram. Temos ainda outra bizarria social no chamado “subsídio de Natal”, um bónus que lhe dão em nome do Menino Jesus ter nascido em Belém há dois mil anos, o que também já o deveria ter levado a desconfiar da sua “justificação”. Mas este não vem agora ao caso. Se ainda recebe ambos e apenas não trabalha por ano durante um mês, então parabéns e considere-se um felizardo. Pagassem-lhe bem o seu trabalho efetivo, descontassem-lhe impostos sensatos, e você seria completamente capaz de atribuir subsídios a si próprio, de aniversário, de carnaval, de inverno, sem precisar da bizantinine daqueles outros. Mas agora pretendo falar de férias, conceito social e económico que se começou a desenvolver no século XIX entre as famílias burguesas e que, no século XX, com o aumento exponencial dos assalariados, o declínio das estações balneares famosas, o desenvolvimento dos transportes e a tentativa de racionalizar o trabalho, se tornou “universal” no mundo ocidental ou ocidentalizado. Claro que em tempos anteriores sempre houve breves períodos de pausa no trabalho e feriados religiosos no mundo rural, com o calendário muito marcado pela sazonalidade das sementeiras e das colheitas. Mas na sociedade industrial e urbana o ritmo de produção e a economia impunham outras regras e outros interesses. E assim nasceram as férias.
Para a maior parte dos cidadãos tal período significa hoje o estar deitado numa praia mais ou menos apinhada de gente, expor a pele aos maléficos raios do sol, tomar banhos regulares numa água do mar que se deseja sem muita poluição, e assim alimentar a “época alta” do chamado Turismo, atividade que tudo nivela e banaliza e cujo grande mérito talvez seja aumentar a possibilidade da mistura pacífica das multidões e o consequente desmotivar das hipotéticas ou previsíveis guerras, o que já não é mau.
Tal como no tempo de Eça, ele há quem faça férias «… com a esposa, a cunhada, uma amiga da cunhada, uma conhecida desta amiga, sete filhos, seis criados, dez cães, e outros cães conhecidos destes cães…» (Cartas de Inglaterra), só que agora os criados são menos ou já lá estão no resort, no bungalow, enfim, no destino turístico. Os viajantes singulares ou em grupos «… trotam, assobiam, dão obviamente a volta ao Mundo… Mas estes sujeitos trotam pelo gosto corporal de trotar… e no seu trote continuo através dos continentes vão assobiando, porque não vão pensando. Na realidade são vagabundos» (Notas Contemporâneas). Quer explicações para tal fenómeno? «Todos os filósofos e todos os donos de hotéis são unânimes em dizer que se viaja para ver o que há de interessante no mundo. Ora, no mundo, só há de interessante, verdadeiramente, o Homem e a Vida» (Correspondência, carta ao Conde de Arnoso, 1885). Porque, as mais das vezes e para o comum dos mortais, «viajar é… deixar um sítio onde se estava comendo num hotel triste… para ir, através da poeira, confusão, e bagagens, comer a outro hotel mais triste… e as igrejas, as lojas, os homens, sendo por toda a parte iguais, não vale a pena partir para ir apenas e em definitivo, sentir a melancolia infinita que inspiram as multidões estranhas». (Correspondência, carta à Condessa de Ficalho, 1885).
Alguns, poucos, aproveitam as férias para verem o que nunca viram, aprender o que ainda não foi possível, entenderem melhor o seu mundo e o dos outros. Gastam, sem se endividarem, o tal subsídio para se tornarem melhores pessoas e melhores cidadãos. Mas são poucos.
Por isso, caro leitor ainda com férias e respetivo subsídio, aqui lhe deixo a sugestão já tardeira (mas este ano terá Verão até dezembro) de fazer férias nos roteiros queirosianos, desde a Póvoa até Coimbra, Leiria, Lisboa, Cascais, Sintra, com uma incursão ao Vale do Douro, a Gaia, a Évora e a Serpa, ou ainda a Cuba e States, Inglaterra, Paris e outros locais por onde Eça andou, sobre os quais escreveu ou deles se utilizou como cenário para a sua ficção, o que, como sabe, o pode levar à China à procura da família do mandarim para se redimir das campainhadas pouco honestas que tem vindo a tocar na vida.
Este seu amigo e confrade deseja-lhe umas queirosianas férias.
J. A. Gonçalves Guimarães

Livros, Revistas e Jornadas

“Eça Agora”

Nos 125 anos da publicação de Os Maias e nos 40 da edição do Expresso, este semanário põe à disposição dos seus leitores uma interessante coleção de 7 volumes de bolso contendo uma nova edição deste romance no qual, como já em 2001 J. Rentes de Carvalho escreveu no pós-fácio da sua edição neerlandesa «atente-se apenas nos personagens e ver-se-á que o romance de 1888 espelha grosso modo os vícios e as virtudes da sociedade portuguesa contemporânea. É como se, com a sua arte, o escritor tivesse sido capaz de tornar visível a presença daqueles elementos que, misteriosos e imutáveis no tempo, parecem formar a essência de um povo» (Leia a totalidade deste texto no blogue Tempo Contado de 20 de julho passado).
Para além do romance de Eça, aquele semanário desafiou seis escritores contemporâneos a “completarem” a obra, ou seja a darem-lhe mais tempo e mais vida para além do texto eciano, em três livros intitulados Os Novos Mais, tendo para tal José Rentes de Carvalho escrito O Rio Somos Nós, onde põe Carlos da Maia e João da Ega a passarem os seus últimos dias de vida numa Quinta do Douro nos finais dos anos trinta do século passado. O texto, para além de tudo o mais que se lhe possa enaltecer, tem também aquele encanto literário de a mais delirante ficção ter foros de inatacável verosimilhança.
A coleção finaliza com o livro de um outro autor também nosso confrade, Carlos Reis, com um seu notável estudo intitulado Introdução à leitura de Os Maias.
Entretanto o livro Portugal, a Flor e a Foice, de José Rentes de Carvalho, uma das mais lúcidas visões sobre o golpe militar de 25 de Abril de 1974 e os equívocos da revolução consequente, que geraram as ilusões e os poderes ainda hoje em presença no nosso país quarenta anos passados sobre aqueles acontecimentos, vai ter uma segunda edição na Holanda no próximo ano, o que não acontecerá tão cedo em Portugal, onde os devotos cultores dos mitos revolucionários continuam a preferir as suas profissões de fé à análise histórica e social.

30 anos do Parque Biológico

No passado dia 15 de Julho foi lançado no Parque Biológico de Gaia o livro comemorativo dos 30 anos da instituição, coordenado pelo seu criador, diretor e nosso sócio Nuno Gomes Oliveira. Apresenta textos e ilustrações de vários autores, não apenas sobre a história da instituição, mas também as espécies vegetais e animais presentes e aquelas que, numa visão global, os diversos serviços do Parque põem à disposição dos visitantes e dos estudiosos, desde a Pré-história até à atualidade, passando pela História Natural no nosso país e as suas relações internacionais.


Castelo de Crestuma

Ainda no Parque Biológico de Gaia está também patente ao público a exposição itinerante “Castelo de Crestuma. A Arqueologia em busca da História”, para a qual foi editado por aquela entidade, em parceria com a Confraria Queirosiana, um catálogo ilustrado e elaborado por António Manuel S. P. Silva e J. A. Gonçalves Guimarães, os arqueólogos coordenadores do projeto, o qual tem vindo a ser implementado pelo Gabinete de História, Arqueologia e Património dos ASCR-CQ.
A abertura desta exposição e o lançamento do seu catálogo decorreram no passado dia 28 de junho durante as I.as Jornadas Arqueológicas do Castelo de Crestuma, que tiveram como conferencistas Álvaro Brito Moreira; António Carvalho Lima; António Manuel S. P. Silva; Carlos Fabião; J. A. Gonçalves Guimarães; José Carlos Sanchez Pardo; Laura Sousa; Luís Carlos Amaral e Luís O. Fontes, que ali apresentaram os mais recentes resultados sobre a História e as intervenções arqueológicas do período suévico-visigótico em Portugal e em Espanha, algumas completamente inéditas, como foi o caso da também recente descoberta de uma basílica paleocristã no Castelo de Gaia. As jornadas terminaram com uma visita ao Castelo de Crestuma no dia 29.

Boletim dos Amigos de Gaia

Está em distribuição aos sócios o Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia, entidade com protocolo de colaboração com os ASCR-CQ. O n.º 76, referente a junho de 2013, tem colaboração de vários dos nossos sócios e confrades, nomeadamente do seu diretor, Francisco Barbosa da Costa, e J. A. Gonçalves Guimarães, Abel Barros, Fátima Teixeira e Eva Baptista. Refira-se que os trabalhos apresentados por estas duas últimas foram feitos no âmbito do projeto dos investigadores tarefeiros do Solar Condes de Resende.

Outras

7 Maravilhas de Gaia

O Solar Condes de Resende foi nomeado pelo júri deste concurso, promovido pelo jornal O Gaiense, como uma das “Maravilhas de Gaia”, agora postas a concurso junto do público para eleger as sete finais. Como salienta o texto distribuído, é nesta Casa que a Confraria Queirosiana tem a sua sede e a partir daí desenvolve a sua atividade cultural por todo o Portugal e todo o mundo lusófono.

Cursos

Entre os dias 10 e 31 de julho decorre na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa o curso de Verão “Erotismo e Sexualidade no Antigo Egito”, coordenado pelos professores Luís Manuel de Araújo, nosso confrade, e José Varandas, organizado pelo respetivo Centro de História e com sessões no Anfiteatro III.
Prossegue também na cidade do Porto o curso “Porto Arte e História” com direção científica do nosso confrade José Manuel Tedim, no qual participa também o confrade Francisco Ribeiro da Silva, entre outros professores. O curso abriu no dia 27 de junho na Casa do Infante e prosseguirá todas as quartas-feiras até Dezembro próximo.

Exposições



Desde 4 de julho e até 30 de agosto, a nossa confrade Beatriz Pacheco Pereira expõe um conjunto de esculturas em bronze denominado “Barrocos” na Casa Barbot em Vila Nova de Gaia.



Concerto

No passado dia 21 de julho decorreu na Fundação Eça de Queiroz em Baião o habitual Concerto de Verão com a Orquestra do Norte, de que é maestro titular José Ferreira Lobo, onde foram executadas obras de Mozart, Bottesini e Elgar sob a direção de Artur Pinho Maria, formado pelo Conservatório de Música de Gaia, tendo como solistas o violinista Rómulo Assis e o contrabaixista Bruno Carneiro.

Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 59 – Quinta-feira, 25 de Julho de 2013
Cte. n.º 506285685 ; NIB: 001800005536505900154

IBAN: PT50001800005536505900154; Email:queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; academiaecadequeirós.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: blogue Tempo Contado.