terça-feira, 25 de junho de 2013

Eça & Outra

Eça e as autárquicas

«Para todo o homem, mesmo o mais culto, a humanidade consiste essencialmente naquela porção de homens que residem no seu bairro» (Eça de Queirós, Bilhetes de Paris). Vamos ter eleições autárquicas a 29 de Setembro e,«para não dizerem que só falei de flores» como escreveu certo poeta, aqui me vou a elas. Com Eça, como sempre: «O patriotismo só existe pela afeição cheia de raízes que prende o povo às localidades. Ele só ama a pátria por aqueles trabalhos, aqueles descansos suaves, aqueles afetos delicados que tem nos seus vinte palmos de terra, entre a humanidade das veigas e a sombra das árvores. O patriotismo é gerado de afeições, de hábitos, de recordações – estas coisas só se encontram na intimidade serena da vida local» (Distrito de Évora). E isto é tão verdade para Nova Iorque como para qualquer aldeia serrana.
Pois é. Mas em muitos casos tal não tem sido assim e a vida local mais parece uma versão requentada da vida nacional. O buraco da sua rua, que os operários da junta ou da câmara facilmente poderiam resolver, é então equiparado ao “buraco” do orçamento nacional. Deduza você porquê. Mas deixemo-nos de lamúrias: os autarcas bons, maus e assim-assim que existem pelo país fora, tal como os governantes, foram eleitos pelo povo e os eleitores têm sempre de pensar que estão a votar em pessoas concretas para exercerem o poder democrático durante quatro ou cinco anos num determinado quadro social, económico, cultural e, por fim político, e não para serem substituídos a capricho, a não o serem por condenação judicial. Por isso, meus amigos, tendo a convicção de que sabem para que servem os três boletins de voto que terão à vossa disposição nas próximas eleições – há muita gente que pensa que se trata de um original e dois duplicados, e não estou a falar de analfabetos! -, reflitam nestas questões e respondam a vós próprios a estas perguntas: sabem quem são os candidatos à vossa assembleia municipal, à vossa câmara, à vossa junta de freguesia? Conhecem-nos, sabem a sua profissão, sabem o seu trajeto de vida, a sua verdadeira biografia? Sabem se eles conhecem a vossa cidade, a vossa vila, a vossa aldeia que dizem querer transformar num paraíso terreal? Sabem, por provas dadas, se eles conhecem as pessoas e as potencialidades locais e se serão capazes de as gerir ou se, pelo contrário, não passam de uns “cabeças de turco” que vão entregar a gestão dessas vossas questões quotidianas a empresas, a assessores, a mercenários do poder local que vocês não conhecem e que, provavelmente, nem querem conhecer?
Hoje corre muito a desastrosa ideia de que há profissões muito vocacionadas para a gestão local. Até há cursos ditos superiores para tal. Nada mais errado, pois o facto de haver esses “canudos”, nada garante que os seus possuidores tenham um bom desempenho na coisa pública. Dispenso-me de lhes lembrar maus exemplos. O curriculum pessoal, o bom nome na praça, o conhecimento da realidade, os objetivos sensatos dos candidatos, eis o que os deve preocupar no ato de escolher pelo voto. Se votarem em bandeirinhas é isso que terão: não mais que bandeirinhas.
E já agora, no que diz respeito à Cultura, palavra hoje usada para carimbar atividades que com ela nada têm a ver, os tais “especialistas” do direito autárquico até já a vão banindo da organização autárquica. Como haveriam de falar do que não entendem, ou do que poderia lá estar para aperrear as suas insuficiências, as suas equivalências, os seus créditos que, as mais das vezes, não correspondem a quase nada ou mesmo a coisa nenhuma? Aliás, desde o 25 de Abril que muitas autarquias entregaram a Cultura a pessoas cujas credenciais para o efeito eram o eles dizerem que têm muito jeitinho para a dita e que confundem criação com banalidades, História com lendas, Artes com oportunismos bacocos, Música com barulheira, Ciência com ilusionismos, elaboração de pensamento com instantâneos fotográficos, e outros equívocos, mais ou menos vistosos e mediáticos, mas que não passam de chicletes que alguns mastigam enquanto estão doces, mas que depois deitam fora, não de vez, como o bom senso mandaria, mas para serem rapidamente substituídos pelo chiclete seguinte, num despesismo tolo que alimenta muita da programação dos “centros culturais” e quejandos e os seus amadores iluminados ou profissionais inertes, que não deixam nada que valha a pena em termos de presente e de futuro. A não ser bacoquice e endividamento estéril. E tudo isto em desfavor de muitos profissionais de Cultura com prestígio e obra disponível para apreciação existentes nos quadros das autarquias e que têm de ir longe procurar quem lhes reconheça o mérito.
Portanto, caros amigos, participem nas eleições e elejam os vossos candidatos conhecendo-os primeiro. É o mínimo que se pode pedir a um eleitor. E, já agora, vejam quais as ideias que eles apresentam sobre Cultura local, pois é por aí que a Humanidade tem sobrevivido e feito a diferença com o resto dos primatas que, como é sabido desde os estudos de Desmond Morris, também sabem pintar, adoram espetáculos e ajuntamentos e batem as palmas e as plantas dos pés no chão quando estão contentes. O ser humano precisa e merece algo mais.
Alguns confrades queirosianos são candidatos autárquicos, porque são cidadãos empenhados e com provas dadas e conhecidas na praça. Concorrem por vários partidos ou movimentos de cidadãos, numa saudável diversificação democrática. Por dever estatutário a Confraria não apoia nenhum deles, deixando isso ao alto critério dos seus assocados. E ao dever de se informarem e esclarecerem os outros. O autor destas linhas não é candidato e todos lhe merecem igual consideração Mas anda seriamente a interrogar-se, como aliás sempre fez, sobre quais os seus melhores candidatos para a sua terra, parte inalienável do seu país, da sua Europa e do seu Mundo. E de todos vós.
Voltando a Eça de Queirós, «Os sentimentos que prendem à vida local são fortes, desinteressados, imaculados e nobres; os sentimentos que prendam à capital central são frouxos, agressivos, interessados e ásperos. Aniquilar aqueles sentimentos, para desenvolver estes, é uma política deplorável». (Distrito de Évora). Também aqui concordo com Eça.

J. A. Gonçalves Guimarães

Universidade de Coimbra

Postal de Edições Âncora, Lisboa, anos 60 do século XX













A universidade que Eça de Queirós frequentou acaba de ser declarada Património Cultural da Humanidade pela UNESCO, juntando à “alta” a rua da Sofia e os seus colégios e o fado coimbrão, e com tudo isto um longo painel de Homens e Mulheres da Cultura Portuguesa universalizante onde poderemos encontrar Antero de Quental, Adriano de Paiva, Maria Helena da Rocha Pereira, Jorge de Alarcão, e tantos, tantos outros, como alunos, professores e investigadores desde, pelo menos, o século  XVI, e ainda os que passaram à sua porta, ou frequentaram os seus colégios com outros nomes, como Luís de Camões, ou os que, em tempos mais recentes, lhe cantaram a alma, como Manuel Alegre, José Afonso, Adriano Correia de Oliveira e tantos, tantos outros. Sobre Eça em Coimbra recomendamos os livros do nosso confrade Carlos Santarém Andrade ou a biografia e fotobiografia de A. Campos Matos.
Coimbra é, e será sempre, “uma lição de amor” à Cultura Portuguesa num grande abraço ao Mundo.


J. Rentes de Carvalho

J. Rentes de Carvalho – O Primeiro Olhar 
 Óleo de Adélio Martins
O decano dos escritores portugueses continua a publicar com sucesso, agora obras inéditas escritas nos últimos tempos e em breve surpreenderá os seus leitores com uma obra de recreação literária que tivemos a honra de ler em primeira mão na recente visita que lhe fizemos a Estevais de Mogadouro. Mas a seu tempo dela falaremos.
Entretanto o seu incondicional admirador e nosso consócio Adélio Martins acaba de concluir uma terceira pintura sobre o escritor, em que o tema são as escadas do Monte dos Judeus em Vila Nova de Gaia, local da sua infância que a Confraria Queirosiana tudo fará para que o mesmo seja valorizado e dignificado como local de origem do escritor, que daqui lançou novas pontes imorredoiras entre Portugal, a Europa e o Brasil.

Livros e jornais

No passado dia 5 de Junho a nossa consócia Maria Virgínia Guerra Monteiro, filha do poeta Oliveira Guerra, no Estúdio de Agostinho Santos, em Vila Nova de Gaia, lançou o livro de poesia Voz Submersa o qual foi apresentado pela Professora Isabel Ponce de Leão.
A 13 de Junho o nosso confrade Mário Dorminsky lançou no Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto o seu novo livro Portugal à Espera – Crónicas do Porto, com apresentação do Dr. Manuel de Novaes Cabral, presidente da instituição. A sessão foi repetida na Casa Barbot em Vila Nova de Gaia no dia 22.
A 15 de Junho, os nossos confrades Ana Margarida Dinis Vieira e Orlando Cardoso lançaram na Livraria Arquivo em Leiria um novo livro intitulado Os Olhares de Eça – Leiria Revisitada, um novo roteiro que reorganizou os anteriormente escritos por ambos os autores. O evento esteve integrado na 5.º edição dos Olhares Queirosianos que inclui um curso livre sobre Eça de Queirós.



No mesmo dia, no Salão Árabe do Palácio da Bolsa, realizou-se a sessão comemorativa do 4.º aniversário do jornal As Artes entre as Letras com a publicação do seu número 100, de que é diretora a nossa confrade Nassalete Miranda, o qual apresenta colaboração dos confrades Guilherme de Oliveira Martins, Beatriz Pacheco Pereira, J. A. Gonçalves Guimarães, Francisco Ribeiro da Silva e A. Campos Matos, alguns dos quais presentes na ocasião que encheu aquele magnifico salão com colaboradores e leitores deste jornal que publica todos os meses a página Eça & Outras da Confraria Queirosiana.
Na ocasião Nassalete Miranda lançou o seu livro Entre 100 Sentidos, onde reuniu os seus editoriais publicados entre 2009 e 2013, acompanhados de excelentes reproduções de obras dos seus artistas preferidos. O livro tem um prefácio de D. Manuel Clemente, Cardeal Patriarca de Lisboa e anterior Bispo do Porto.



Vinhos

No 2.º Festival da Vinha do Douro Superior, que decorreu em Vila Nova de Foz Côa em 25 de Maio passado, o Quinta da Ervamoira Porto Vintage 2009, produzido pela Casa Ramos Pinto, de que é administrador o nosso confrade João Nicolau de Almeida, foi premiado com medalha de ouro atribuído por um júri composto por mais de 20 críticos de vinhos, escanções, jornalistas e outros que escolheram os três “Melhores Vinhos” de um total de 160 a concurso.
Este mesmo produtor, vai lançar em breve no mercado um vinho familiar que fará jus ao que já em 1867 Eça de Queirós, bisavô dos seus filhos, escreveu, de que no Douro havia vinhos «bem feitos e bem preparados» (Páginas de Jornalismo).

7 Maravilhas de Gaia

O jornal O Gaiense está a organizar um concurso que, numa gala a realizar em Setembro, elegerá as 7 Maravilhas locais no que diz respeito ao património cultural, arquitectónico, humano e natural.
Para integrarem o júri foram escolhidas diversas personalidades entre as quais os membros da Confraria Queirosiana Manuel Filipe Sousa, director dos Auditórios de Gaia e presidente do júri, Nuno Oliveira, director do Parque Biológico de Gaia e J. A. Gonçalves Guimarães, mesário-mor da Confraria Queirosiana.

Palestras, conferências e cursos

No dia 6 de Junho o nosso confrade Fernando Andrade Lemos, do Centro Eça de Queirós de Telheiras, proferiu na Associação dos Arqueólogos Portugueses em Lisboa uma conferência sobre D. João Príncipe de Candia, depois de no dia anterior ter conduzido uma visita guiada ao túmulo Palmela, cunhado do Visconde de Beire, bisavô dos filhos de Eça de Queirós, no cemitério dos Prazeres também naquela cidade.
A partir de Outubro próximo vai decorrer no Solar Condes de Resende, duas tardes de sábado por mês entre as 15 e as 17 o curso sobre História Empresarial e Institucional, organizado pela Academia Eça de Queirós e coordenado por J. A. Gonçalves Guimarães e José Manuel Tedim no qual serão professores Ana Cristina Correia de Sousa; Francisco Ribeiro da Silva; Joel Cleto; Laura Peixoto; Nuno Resende; Silvestre Lacerda e Susana Moncóvio, além dos coordenadores.
Entretanto a Câmara Municipal do Porto está também a organizar um curso livre sobre História do Porto que conta com a direcção científica de José Manuel Tedim, presidente da direcção dos ASCR-CQ, e a colaboração de mais alguns confrades queirosianos, o qual terá início em Julho e se prolonga até Dezembro.
Por sua vez a Academia Eça de Queirós tem também organizado um curso itinerante sobre Eça de Queirós, sua vida, sua obra e sua época, composto por quatro sessões de quarenta e cinco minutos cada seguidas de intervalo, (manhã e tarde ou tarde e noite), ministrado pelos seus investigadores com recurso a power point e ajustável aos mais diversos tipos de público.

FAMP

A Federação dos Amigos dos Museus de Portugal, de que os Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana são associados, e que por sua vez é membro da Federação Mundial de Amigos dos Museus, na sua Assembleia Geral de Maio passado elegeu por unanimidade como presidente da direcção Isabel Silveira Godinho, ex-diretora do Palácio Nacional da Ajuda, onde realizou notável obra de direcção e valorização.
Esta prestimosa associação vai realizar um encontro informal em Alcobaça nos próximos dias 7 e 8 de Setembro.

José Bonifácio

Nos 250 anos do Nascimento de José Bonifácio de Andrade e Silva, primeiro director das florestas de Portugal, primeiro ecologista português e patriarca da independência do Brasil, conforme se pode ler no livro do nosso consócio Dr. Nuno Gomes Oliveira já divulgado nesta página, com o patrocínio das Águas e Parque Biológico de Gaia foi apresentado nas suas instalações de Vila Nova de Gaia no passado sábado dia 15 um documentário sobre aquela figura maior da História de Portugal e do Brasil realizado por Francisco Manso para a RTP onde passou nos seus diversos canais no dia 17 de Junho em horário nobre.


Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 58 – Terça-feira, 25 de Junho de 2013
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sexta-feira, 24 de maio de 2013

Eça & Outras



Genealogias informáticas

Graças ao Google, ou a empresas parecidas, o cidadão comum tem acesso a uma quantidade imensa de informação em parte paga com o atual desemprego e desgraça social. Como quantidade não é qualidade, tal granelagem presta-se a incríveis confusões, até porque tal excesso informativo na Internet não convida à reflexão, à triagem, à escolha, à seleção. E há quem pense que “alguém” decide bem por cada um de nós, erro tremendo que pagamos caro, enquanto o Bil Gaitas & Partners lucram triliões por ano, dos quais distribuem umas migalhas pelos pobrezinhos e compram a opinião pública com outras migalhas para aquilo que chamam cultura mas que não passa de entretenimento. Permitam-me que desta vez recorra a aspetos pessoais para ilustrar esta crónica: se digitarem no Google J. A. Gonçalves Guimarães, terão a indicação de cerca de 5.730.000 consultas com esta entrada (2013.05.24). Mas tal tem pouco a ver comigo. É certo que eu estou lá, as minhas fotografias (e outras que promovi, mas que não são minhas), os meus livros, as minhas palestras, o Solar Condes de Resende, a Confraria Queirosiana, grande parte da minha vida, mas também muitos outros Gonçalves Guimarães que não são meus parentes, a não ser por remota hipótese de recomposição social dos sobrenomes. Sou Gonçalves Guimarães porque a família de minha mãe se chama Gonçalves Rua, de Lamego, e a de meu pai Peixoto Guimarães, de Guimarães e, desde o século XVIII, do Porto. E eu nasci em Vila Nova de Gaia, bem assim como meus irmãos e nossos descendentes. Na realidade devia chamar-me J. A. Rua Guimarães, mas tal não aconteceu por uma historieta hilariante que contarei noutra ocasião.
Acontece que, sobretudo no Brasil, há muitos outros Gonçalves Guimarães, alguns dos quais até talvez sejam meus primos: meu tio Alfredo Peixoto Guimarães foi para o Rio de Janeiro e depois para S. Paulo. E aí teve descendência. Mas nesta coisa do Google há o Vitória de Guimarães com jogadores chamados Gonçalves e outras recomposições absurdas dos dois nome e, obviamente, muitos outros cidadãos filhos de uma senhora Gonçalves e de um senhor Guimarães. Coincidências. Assim, gostaria de dizer a quem interesse que não sou coronel da Guarda Nacional, nunca fui prefeito de nenhuma cidade do Brasil e o professor Gonçalves Guimarães da Universidade de Coimbra de finais do século XIX, que eu saiba, não é meu parente e a única coisa que nos une, além dos apelidos, é o facto de ele ter sido professor de História Natural e eu de Património Natural, mas noutra universidade e em tempos mais recentes. Tenho um irmão José e duas irmãs, Amália e Laura, todos Gonçalves Guimarães e portugueses, a despeito de vários homónimos brasileiros.
Tenho obviamente a maior simpatia pela Alexandra, Ana, Ana Maria, Bárbara Sofia, Bianca Taina, Beatriz, Camila, Cíntia, Dayse, Edna, Fávia, Inocência, Janaína, Laura, Luana, Maria Valtiana, Mirce, Patricia, Raquel, Rosalina, Ruth, Maria, Stela, Wilma, todas elas, e muitas mais, também Gonçalves Guimarães, mas não sei quem são; do mesmo modo não conheço Adir, Alex, Alvaro, Anderson, António, Brian, Camões, Carlos, Cosme, Delbão, Fabiano, Fábio, Felipe, Fernando, Frederico, Godofredo, José, Manuel, Marcelo, Melo, Nilton, Otoni, Pedrenrique, Pedro, Rafael, Rodrigo, Sebastião, Tiago, Vanderson, Vinícius, Willer, Yasmin, também todos Gonçalves Guimarães. Com Fábio Luiz posso partilhar o gosto por cavalos; Jorge estuda S. Gonçalo de Lagos e eu o de Amarante, sendo os meus trabalhos citados no Brasil a propósito do tema. Mas nunca lá fui, não tenho lá propriedades nem problemas com a Justiça, mas já recebi um email de um tribunal para ir a uma acareação que, obviamente, não era para mim. Milagres da informática. Assim, graças a estas “genealogias informáticas”, eu e a minha família passamos a fazer parte deste universo de Gonçalves Guimarães, portugueses, açorianos e brasileiros, em todo o caso muito menor do que os Silva, os Sousa ou os Costas. Isso dá-me um certo conforto palopiano, parecido com o daquele homem prático que recusou ao genealogista que lhe fizesse a árvore de onde tinha descido dizendo: “se você encontra um santo como meu antepassado fico contente. Mas se me encontra um pulha ou uma p… fico furioso. Deixe pois minha árvore assim perdida e anónima na humana floresta da vida. Sabemos que existiu e que deu rebentos, frutos, barcos, abrigo e proteção, mas pode também ter dado cacetes, forcas, ataúdes…. Deixe pois minha árvore em paz e os seus galhos. Eu valho pelo que sou e não pelos que me precederam ou pelos que me hão-de seguir. Gostaria que todos fossem santos, mas sobre os que passaram já nada posso fazer; sobre os que hão-de ser, oxalá o meu esforço valha a pena”.
Sobre a nossa relação com os outros escreveu o grande Eça de Queirós: «Há, é verdade, em roda de mim uns quatro ou cinco milhões de seres humanos. Mas que é isso? As pessoas que nos não interessam e que se não interessam por nós, são apenas uma outra forma da paisagem, um mero arvoredo um pouco mais agitado. São, verdadeiramente, como as ondas do mar, que crescem e morrem, sem que se tornem diferenciáveis uma das outras, sem que nenhuma atraia mais particularmente a nossa simpatia enquanto rola, sem que nenhuma, ao desaparecer, nos deixe uma mais especial recordação» (Eça de Queirós, Correspondência).
Não há pois Google, Facebook e quejandos que nos valham, se não falarmos uns com os outros, parentes ou não.

J. A. Gonçalves Guimarães

Inéditos d´ Eça

Depois de A. Campos Matos nos ter confidenciado que tem mais uma carta inédita de Eça de Queirós para publicar (têm a certeza de que Eça não tem continuado a copiar os seus inéditos que foram para o fundo do mar? Não haverá por aí falsários geniais? Será que Eça não tem agora um blog a partir do céu?), no próximo dia 4 de Junho será publicada pela Editorial Caminho a opereta cómica inacabada “A Morte do Diabo”, de Eça de Queirós com Jaime Batalha Reis e Augusto Machado, composta em 1896, recentemente descoberta por Irene Fialho entre o espólio daquele compositor na Biblioteca Nacional em Lisboa. A presente publicação tem ainda a colaboração do nosso confrade Mário Vieira de Carvalho e de José Brandão.
Como já lembramos neste blog, o diabolismo de Eça de Queirós corre a par com o de vários autores da sua época, nomeadamente o de Oskar Panizza em “O Concílio do Amor” de 1894, editado em Portugal em 1974 pela Editorial Estampa, e com o de Guerra Junqueiro em várias das suas composições poéticas onde o Diabo se mostra perplexo com a inabilidade do Criador da espécie humana.
Depois de Eça no Teatro e no Cinema vamos agora tê-lo na Ópera.

Academias

Fundada em 1917 para «difundir o gosto das boas letras e dos estudos de história e de geografia do Piauí», a Academia Piauiense de Letras logo em 1918 lançou a sua Revista de que acaba de ser publicado o n.º 68 referente ao ano de 2010.
Nas suas 250 páginas apresenta discursos de vários académicos e conferências, entre elas «Joaquim Nabuco e o Pioneirismo da “Inclusão Social”» aí proferida pelo nosso confrade Dagoberto Carvalho J.or que ocupa a cadeira n.º 25 desta quase centenária instituição. Apresenta ainda recensões e vária colaboração, terminando com o quadro das quarenta cadeiras, seus patronos e ocupantes ao longo destes anos e ainda os agraciados com a comenda de mérito cultural Lucídio Freitas (1894-1921), advogado e poeta teresinense em cuja casa a Academia tem a sua sede.
Presentemente é seu presidente Reginaldo Miranda da Silva, advogado e escritor que nesta mesma revista publicou um artigo sobre “Vultos da História do Piauí – Ouvidor Moraes Durão”.
Entretanto a Academia Eça de Queirós, criada pela Confraria Queirosiana para suporte académico dos cursos que ministra no Solar Condes de Resende e em outros espaços, já tem o seu blogue com o respectivo Regulamento, passando em breve a divulgar o curriculum essencial dos seus membros, a sua bibliografia, e textos produzidos no seu contexto (ver colofon desta página)

Conferências e cursos

No passado dia 14 de Maio, no 1.º Congresso Internacional sobre o Cavalo e o Touro na Pré-História e na História que decorreu na Golegã e na Chamusca, Fernando Coimbra e Giorgos Iliadis falaram sobre “A possible horse hunting scene in the rock art from Philippi (Greece)” e o primeiro sobre “O cavalo como animal psicopompo na Europa do I milénio a. C.”; Luís Manuel de Araújo sobre “O cavalo no Egito faraónico: uma avalizadora semiótica do poder” e “KA NAKHT, “Touro Poderoso”: um expressivo título da realeza egípcia”; J. A. Gonçalves Guimarães (com Susana Guimarães) sobre “Aprestos e representações equestres da Coleção Marciano Azuaga (Solar Condes de Resende)”.
No dia 18 de Maio o nosso consócio arqueólogo António Manuel Silva proferiu na Casa – Museu Regional de Oliveira de Azeméis uma palestra sobre “Proto-História e Romanização no Entre Douro e Vouga”, onde abordou os trabalhos no Castro de Salreu realizados em 2011, integrada num colóquio sobre o Dia Internacional dos Museus.
No próximo dia 24 de Maio o mesário-mor da Confraria Queirosiana J. A. Gonçalves Guimarães fará na Junta de Freguesia de Crestuma uma palestra sobre “Navegações no Rio Douro” para o curso de Geografia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e no dia 30 de Maio na Universidade Lusófona do Porto sobre “Marquês de Soveral homem do Douro e do Mundo” no II Encontro Científico sobre Cidades, Espaços e Identidades.
Nos próximos dias 28 e 29 de Junho decorrerá no Parque Biológico de Gaia e no Parque do Castelo de Crestuma a I Jornada Arqueológica do Castelo de Crestuma, onde serão oradores Álvaro Brito Moreira, André Nascimento, António C. Lima, António Manuel Silva, Carlos Fabião, Filipe Pinto, J. A. Gonçalves Guimarães, Laura Peixoto, Lino Tavares Dias, Luís Carlos Amaral, Luís O. Fontes, Paulo Lima, Pedro Pereira, Sanchez Pardo e Teresa Pires de Carvalho, com comunicações inéditas sobre a Arqueologia da Alta Idade Média em Vila Nova de Gaia, em Portugal e na Galiza.
A participação obriga a inscrição no Parque Biológico ou na Confraria Queirosiana.
Entre 15 e 19 de Julho decorrerá na fundação Eça de Queiroz em Baião o habitual Curso Internacional de Verão, este ano subordinado ao tema “Eça de Queiroz no contexto da História dos media”.


Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 57 – Sábado, 25 de Maio de 2013
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quarta-feira, 24 de abril de 2013

Eça & Outras



O condomínio da Europa

Gravura do Charivari, 1889.
Por norma o cidadão comum sabe pouco da História da sua terra, do seu país, da Europa e do Mundo. Regra geral, saberá as vicissitudes do atual campeonato de futebol, se for homem, e as monótonas futilidades das telenovelas, se for mulher. Na escola matraquearam-lhe uns vagos Romanos, um D. Afonso Henriques fundador, um Infante D. Henrique navegador, um Vasco da Gama descobridor, e pouco mais ficou. O “resto” é tudo vago, nevoento, feito de curiosidades para eruditos, normalmente aborrecidas. Daí que explicar ao dito cidadão o que tem sido a evolução da Humanidade e, agora o que mais interessa, a da Europa, não seja tarefa fácil. Para ver se ele compreende, parafraseando Salgueiro Maia na véspera do 25 de Abril, «o Estado a que isto chegou» elaboramos a metáfora que se segue. É aliás para isso que serve a História: reter memórias credíveis para criar o paraíso na Terra. Se não for assim é justo que o cidadão normal continue no ópio do futebol ou a chafurdar na monotonia televisiva. Os outros, os que se preocupam, que se amanhem. Ele “está-se nas tintas” para a política. A sua principal preocupação são as próximas férias “de papo para o ar”.
A Europa é um condomínio fechado, uma espécie de propriedade em terraços, como nos complexos turísticos, em que os ricos habitam mais acima, com melhores vistas para o mar largo da economia, e os mais pobres, indigentes e insolventes, habitam nos rez de chaussée. A vigilância da propriedade tem sido assegurada pela NATO, uma empresa norte-americana com escritórios nos Açores e noutros locais, que não só recebe pelo serviço como, em contrapartida, pode intervir noutros países e outras regiões do globo como lhe apraz, que a administração do condomínio europeu não se opõe. É certo que tem ido longe buscar lenha para se queimar em casa, mas o saldo em mortes a seu favor é astronómico. Nesta administração europeia quem manda são obviamente os proprietários ricos que elegem sistematicamente a Alemanha para mandar no condomínio e trancar o elevador, as “partes comuns”, a garagem, as antenas parabólicas, decidir as despesas e as obras a fazer. Anos atrás, os ricos do norte entusiasmaram os pobres condóminos do sul a gastarem à tripa forra, a fazerem obras, a comprarem o que lhes deu na republicana gana para embelezarem os “apartamentos”, emprestando-lhes dinheiro com fartura. Foi um plano diabólico para apanharem de vez a administração do condomínio e, na melhor das hipóteses, reduzirem os proprietários do sul a trabalhadores precários da limpeza, jardineiros, canalizadores, pobres contribuintes endividados e sem dinheiro para pagar as prestações a tempo e horas. Já para não falar naquele condómino amalucado do norte com quem é difícil conviver: a Inglaterra, neste edifício da Europa, sempre se portou como uma velha rezingona que gosta mais do seu bichinho de estimação – a libra – do que de qualquer “politica comum”. Sempre foi assim desde Isabel I até ao recente funeral da dama de ferro de engomar.
Fala-se, de vez em quando, que os condóminos do sul deveriam reunir-se para decidirem como é que podem voltar a ter voz ativa no prédio. Mas ninguém os leva a sério, nem eles próprios, pois o que eles gostam mesmo é de continuar a ver futebol e telenovelas, não nos intervalos do dia-a-dia, como os seus vizinhos do norte, mas a todas as horas do dia e da noite, entre duas varredelas, duas cortadelas de relva, uma torneira deixada a pingar, um escândalo no futebol, um banco a prometer 25% de juros. Os condóminos do sul, mesmo com vulcões nos Capelinhos e na Itália, acreditam em muitas e estranhas coisas, entre as quais, que a Europa permanecerá necessária para os condóminos do norte continuarem a passar férias baratas nas praias do sul e e mandarem na administração do condomínio, cada vez menos fechado é certo, que a concorrência entre as “empresas de vigilância” americanas, russas, chinesas e iranianas começa a ser grande. E todas elas a quererem “proteger a Europa”. Mas, no fundo, no fundo, o que elas querem é demolir este “prédio” que, apesar de tudo, lhes têm dado um padrão de referências, humanamente nem sempre muito melhor do que o seu, mas, que diabo, mais universal, mesmo que com prejuízo da própria Europa, o continente onde o respeito pelo outro e a tolerância deixaram escola, ainda que vagamente filosófica ou poética, ainda que com cartilhas diferentes no norte e no sul, ou seja, inútil e despesista como diria um MBA de qualquer universidade de Porto Rico. Como escreveu Eça de Queirós ainda em oitocentos, «… de todos os homens, só o europeu verdadeiramente possui fantasia – quero dizer, a faculdade de ser ou de criar com genuína originalidade. Só ele põe fantasia, não só na sua obra, mas também na sua vida» (Notas Contemporâneas “A Europa em resumo”).
 Eça foi um inegável europeu chauvinista e clarividente. A velha Europa acabará por erguer-se, como o seu mito da Fénix renascida, mas não será por obra e graça dos corretores de Wall Street. Mas o mundo será certamente diferente. Preparem desde já as veredas e mandem lavar as vestes, mas desculpem não vos poder confidenciar quando chegará essa boa nova.

J. A. Gonçalves Guimarães

Grémio Literário

Esta centenária instituição lisboeta fundada, entre outros, por duas personalidades gaienses, Almeida Garrett e D. Manuel Bento Rodrigues, e frequentada por Eça de Queirós e por muitas outras figuras da Cultura portuguesa, com a qual a Confraria Queirosiana tem um protocolo de colaboração, se o bom senso não voltar ao país corre o risco de, a breve prazo, encerrar devido à recente lei das rendas que vai destruir, em nome do economês, o equilíbrio social e cultural das cidades e vilas, ou seja, a sua alma. Contra as medidas cegas desta lei já se manifestaram a própria Câmara Municipal de Lisboa e outras agremiações de cidadãos.

Livros

Aqui nasceu J. Rentes de Carvalho

(reprodução autorizada pelo artista)
Adélio Martins, que já tinha pintado um retrato do escritor, recriou agora a casa onde ele nasceu no Monte dos Judeus em Gaia (ver o blogue Pintar na Terra), devolvendo ao lugar, através da sua recriação artística, a dignidade que lhe foi tirada pelas construções espúrias que ali foram sendo edificadas desde os anos cinquenta do século passado e até por aquela tentativa de lhe chamar Monte Coimbra que não vingou. A Confraria Queirosiana apoiará todos os projetos que queiram dignificar o local central do romance Ernestina.
Como noticiamos, foi recentemente lançado o seu novo romance Mentiras & Diamantes que tem sido acolhido com enorme aplauso pelos seus muitos leitores que consideram que «não há nada que se compare aos livros de José Rentes de Carvalho na literatura contemporânea» (hmbf). O autor tem falado sobre esta nova obra em várias revistas e são-lhe dedicadas páginas da Ipsilon de 26 de Abril e da Ler de 2 de Maio próximos.
Entretanto, para além da divulgação da sua obra em Itália, outras grandes editoras preparam-se para inserir os seus textos em antologias da literatura portuguesa contemporânea ainda no presente ano.

Arte Sacra

Acaba de ser publicado o catálogo do Museu de Arte Sacra de Trevões, da autoria do nosso confrade Prof. Doutor Nuno Resende, que é também o autor do projeto museográfico desta enriquecedora “oficina de Cultura” situada naquela freguesia de S. João da Pesqueira de que é dinâmico pároco o P.e Amadeu da Costa e Castro.
O catálogo, com excelente apresentação gráfica, mostra as peças existentes neste Museu, desde uma cupa romana a uma máquina de relógio, separadas por cerca de 2000 anos, e também os paramentos, a pintura retabular, a escultura religiosa, livros sacros, alfaias religiosas de prataria portuguesa, e ainda uma referência aos magníficos frescos da igreja paroquial.
O autor, professor na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, tem um notável conhecimento do Património Religioso da Diocese de Lamego, já acessível em vária da sua seleta bibliografia.

Monografia

No passado dia 12 de Abril na sede da Tuna Musical de Vilar de Andorinho, Vila Nova de Gaia, foi lançado o livro São Salvador de Vilar de Andorinho. Notas monográficas, da autoria do nosso sócio Dr. Francisco Barbosa da Costa com a colaboração do Dr. Paulo Costa, editado pela respetiva Junta de Freguesia.
A terra do escultor Alves de Sousa e do industrial Salvador Caetano ficou assim com uma nova referência bibliográfica para a sua compreensão desde tempos remotos.

Brasil

A Confraria Eça-Dagobertiana de Oeiras, Piauí, realizou no passado dia 30 de Março o seu XV Encontro Litero-gastronómico no Cine Teatro local, onde foram analisados A Ilustre Casa de Ramires, pela Prof.ª Maria da Conceição Neiva Santos Barbosa, e Arte Sacra Popular e Resistência Cultural, de Dagoberto Carvalho J.or, pelo Prof. Edson Sá. Esta atividade teve o apoio da Secretaria Municipal de Cultura local.

 Casas queirosianas

Verdemilho, Aveiro

A comunicação social noticiou que a Câmara Municipal de Aveiro finalmente tem um plano para salvar, dignificar e valorizar a casa do avô de Eça de Queirós em Verdemilho, onde o escritor viveu entre os cinco e os dez anos. A ação deveria igualmente abranger o jazigo de família situado no cemitério de Outeirinho. Recorde-se que o avô de Eça, que ele provavelmente não conheceu, foi o mentor da revolta de 1828 contra o absolutismo, acabando por ter de exilar-se.
O Arq.to A. Campos Matos em tempos apresentou à edilidade um projeto de recuperação daquela casa tão singelo quanto digno da memória do escritor, de seu pai e seu avô, o qual terá, obviamente, de ser considerado neste processo, pois foi elaborado pelo arquiteto que mais sabe sobre Eça de Queirós.

Hotel em Lisboa

A capital portuguesa já tem o seu hotel queirosiana. Chama-se Palácio Ramalhete e fica às Janelas Verdes, em frente ao Museu Nacional de Arte Antiga, num soberbo edifício onde se restaurou tudo o que era de qualidade e se instalaram equipamentos para o conforto atual.
A administração não quer impingir aos seus hospedes uma ideia falsamente biográfica de Eça de Queirós, mas tão só literária em volta de Os Maias e das ficções do escritor sobre a Lisboa e o Portugal oitocentistas. E isso lhe basta para vender o charme deste edifício que poderá ter inspirado a descrição da casa da família de Carlos da Maia. E no meio de um cenário acolhedor e de bom gosto sempre se pode voltar a reler este romance e toda a obra do escritor, ou o roteiro queirosiano de A. Campos Matos sobre Lisboa e Arredores.


 Palestras e Cursos

No passado dia 6 de Abril, na abertura da Cartogaya 2013, exposição de postais dedicada aos 250 anos da Torre dos Clérigos no Mosteiro de Corpus Christi, organizada pelo Clube de Colecionadores de Gaia, o presidente da direção dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, Prof. Doutor José Manuel Tedim, fez uma conferência sobre “Nasoni e a Torre dos Clérigos”.
No passado dia 18 no Solar Condes de Resende, com uma dissertação sobre “A Serra do Pilar ao longo dos tempos” pelo mesário-mor da Confraria Queirosiana J. A. Gonçalves Guimarães, terminou o 1.º ciclo de palestras das 5.as feiras, iniciado em Outubro passado e nas quais colaboraram também José Manuel Tedim, António Manuel Silva, Susana Moncóvio e Eva Baptista, que versaram os mais variados temas. Estas noites de Cultura serão retomadas em Outubro próximo.
Naquele mesmo dia 18 de Abril, J. A. Gonçalves Guimarães participou numa ação organizada pela Misericórdia de Gaia, integrada no Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, sobre o Património da Fábrica Cerâmica das Devesas, com visitas guiadas ao seu complexo edificado, uma boa parte do qual pertence a esta instituição de beneficência que o pretende conservar, valorizar e divulgar.
No dia 20 de Abril o mesmo investigador ministrou no curso livre “Esplendor da Arqueologia: Ciência, Cultura e Turismo”, que decorre no Solar Condes de Resende organizado pela Academia Eça de Queirós, uma aula sobre “A outra Arqueologia do Côa: a estação arqueológica de Ervamoira”. Este curso termina no próximo dia 4 de Maio com uma aula sobre “De Portucale a Cale - reflexões arqueológicas sobre uma questão historiográfica” por António Manuel Silva.
Em Outubro próximo a mesma instituição vai promover um novo curso sobre História Empresarial e Institucional para o qual já tem assegurada a colaboração de vários investigadores de reconhecido mérito.

Exposições de Arte

Helder de Carvalho inaugurou na Misericórdia de Braga, nas comemorações dos seus 500 anos, uma exposição de retratos de figuras locais intitulada Rostos & Pessoas, na qual este artista nosso consócio capta a expressão própria de cada um para além da verosimilhança física.
Valença Cabral inaugurou no passado dia 20 de Abril no Posto de Turismo da Beira Rio em Vila Nova de Gaia uma exposição dos seus transcendentes quadros, em que a natureza se aproxima da abstração, intitulada Paisagens, a qual está patente ao público até 11 de Maio.

Arqueologia urbana

No Centro Histórico de Gaia decorrem obras de requalificação da Rua Rei Ramiro, ao Castelo de Gaia, as quais estão a ser acompanhadas pelo nosso consócio Arqueólogo António Sérgio dos Santos Pereira, membro do Gabinete de História, Arqueologia e Património dos ASCR – CQ.

Colóquios, Jornadas e Congressos

Nos próximos dias 15 a 19 de Maio decorre na Golegã e na Chamusca o 1.º Congresso Internacional o Cavalo e o Touro na Pré-história e na História, na qual estarão presentes com comunicações os sócios e confrades Fernando Coimbra, Luís Manuel de Araújo, J. A. Gonçalves Guimarães e Susana Guimarães.
Nos dias 6 a 8 de Junho o confrade Paulo Sá Machado promove em Boticas o Colóquio Internacional de Cultura Popular comemorativo do 120º aniversário do nascimento de Gomes Monteiro.
Nos dias 28 e 29 de Junho o Gabinete de História, Arqueologia e Património dos ASCR-CQ, com o patrocínio da empresa Águas e Parque Biológico de Gaia e a colaboração da Junta de Freguesia de Crestuma e do Clube Náutico, vai realizar as 1.as Jornadas Arqueológicas do Castelo de Crestuma com a participação de arqueólogos e historiadores portugueses e espanhóis.
A intervenção nesta estação arqueológica deverá ter uma nova campanha no próximo verão.


Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 56 – Quinta-feira, 25 de Abril de 2013
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segunda-feira, 25 de março de 2013

Eça & Outras

O verbo eurroubar

Eurroubar! Faz istoalgum sentido? Não, não faz, mas também não será das coisas mais graves que nos últimos tempos não fazem sentido na Europa, onde se conjuga regularmente o verbo eurroubar no presente do indicativo, em nome da estabilidade de uns quantos à custa do desequilíbrio de todos.
Sobre a Europa do seu tempo, quando já então se caminhava a passos largos para os conflitos “inevitáveis” da primeira metade do século XX, escreveu Eça de Queirós: «A situação na Europa, na realidade, nunca deixou de ser medonha (…) A “crise” é a condição quase regular da Europa. E raro se tem apresentado momento em que um homem, derramando os olhos em redor, não julgue ver a máquina a desconjuntar-se, e tudo perecendo, mesmo o que é imperecível – a virtude e o espírito» (Notas Contemporâneas).
E noutro texto: «Não há, nunca houve Europa, no sentido que esta palavra tem em diplomacia. Há hoje um grande pinhal de Azambuja, onde rondam meliantes cobertos de ferro que se odeiam uns aos outros, tremem uns dos outros, e, por um acordo tácito, permitem que cada um por seu turno se adiante – e assalte algum pobre diabo que vegeta ou trabalha ao canto do seu cerrado (…). A Europa, como os campos de corridas em Inglaterra, devia estar coberta destes avisos em letras gordas: Bewareofpick-pokets! (Cautela com os salteadores!)» (Cartas de Inglaterra).
Muitos destes “salteadores” não eram eleitos, nem pelo voto universal, em que a abstenção sempre conta a favor dos eleitos, ainda que signifique maior número de cidadãos do que o total de votos dados ao “vencedor”, mas por outras formas de legitimação “em nome do povo”. E o que não se conseguia na mente dos cidadãos, impunha-se nos jogos de bastidores e lá estava sempre uma troika, um exército, uma polícia, ou uma política monetária para devolver aos eleitores os resultados da sua abstenção, que sempre tem permitido os “salteadores” governarem em seu nome. Esse distanciamento entre o real interesse dos povos e o dos governantes conduziu às várias guerras mundiais, continentais, regionais e locais, que se traduziram em mortandades incríveis e infames em todos os cenários e por todos os exércitos beligerantes. Começou - se já por toda a Europa a lembrar a estúpida carnificina da Iª Grande Guerra. Por aqui, ainda não. E hoje a Europa está tão parecida com a de 1913…
Vamos então para a guerra? Não o creio. Um século de reflexão serviu para alguma coisa. Se falhou a economia e a política, atividades hoje tão “profissionais” como os prestamistas e os cangalheiros, ouçamos ao menosos historiadores e os ambientalistas que têm dado algum bom senso ao mundo que nos rodeia: os primeiros ajudaram-nos a perceber o porquê das crises, dos conflitos, das faltas de inteligência coletiva a que ciclicamente estamos sujeitos; os segundos alertam-nos para que não queiramos ver outra vez dilacerados por armas e maquinaria de guerra os verdes prados ou as verdes colinas das nossas aldeias europeias onde queremos ir passear. Em muitas delas já existem cemitériosgigantescos. Não queremos mais. E também não queremos voltar a ver os monumentos destruídos e a nossa memória,naquilo que, apesar de tudo, tem de melhor, esventrada e reduzida a cinzas. Queremos que a Vénus de Milo volte a abraçar uma ideia boa de Europa, como a sonharam os portugueses Padre Himalaia e o economista Professor Francisco António Correia, esquecidos “avós” da atual União Europeia, que lhes devia pedir conselhos. Saberão os nossos “deputados europeus” quem foram e o que escreveram sobre o assunto. No locreo!
Voltemos ao nosso Eça: «E na Europa, como em qualquer espesso bosque, num fundo vale, um momento vem em que tudo decai e fenece… Ora estes tempos que vamos atravessando são o Outubro fresco que anuncia um dos grandes Dezembros do mundo. Temos já misérias, crises, dissoluções, velhas raízes que se despegam, prantos no vento; pior nos irá quando Dezembro vier: mas através de todas as vicissitudes sempre se conservará, como na Natureza, a eterna seiva, que é a eterna força» (Notas Contemporâneas).
Este ano não há Primavera; mas sabemos que, um dia, ela virá, como sempre. Talvez mais cedo se escutarmos os trabalhadores da Memória, os únicos que nos podem sossegar e prevenir contra os gordos vendedores das inevitabilidades, pois todos somos, pelo menos, tão imprescindíveis como os remadores das galés: pode haver muito chicote, mas os senhores do mundo não sabem remar nem estão para aí virados. Logo precisam de nós, nem que seja para manter o seu estúpido sistema à tona da água. E um dia viramos o barco e fazemos outro. Sempre foi assim.
Em 1913 estreou A Sagração da Primavera de Stravinsky: a esperança há-de pois um dia voltar. No nosso tempo, que é aquele que conta. E sem guerras, que as não queremos de todo. Já passamos essa fase da barbárie.

J. A. Gonçalves Guimarães

Centro cívico Eça de Queiroz

Em Leiria, junto à Rua da Tipografia onde habitou Eça de Queirós, quando percorreu o cenário que lhe inspirou O Crime do Padre Amaro, num terreno que até há pouco tinha casas velhas, ruínas, vegetação espontânea e gatos e ratos, a Câmara Municipal de Leiria construiu um moderno e funcional centro cívico Eça de Queiroz, o qual está entregue à gestão da associação cultural Sempre Audaz dirigida pela Prof.ª Helena Carvalhão.
Para além da evocação permanente do escritor, da sua passagem por Leiria e das personagens da sua ficção, o espaço amplo e polivalente acolhe já um conjunto de atividades lúdicas e culturais, desde teatro, dança, artes plásticas e organização de palestras e passeios, até aulas de inglês, geografia, filosofia, espiritualidade, literatura e história, servindo todos os públicos. Ainda numa fase de organização, o espaço tem potencialidades para uma dinâmica divulgação da vida, obra e época de Eça de Queirós nas quais a cidade de Leiria foi um marco incontornável.

FACEQ

A Faculdade Eça de Queirós é uma das várias instituições de ensino que pertencem à UNIESP, a universidade privada do Estado de S. Paulo, Brasil e fica localizada no município de Jandira na Grande São Paulo. Para além das muitas faculdades e colégios, este grupo de ensino tem ainda uma rádio e uma estação de TV e um Projeto Ambiental, entre outros grupos de trabalho.
Em funcionamento desde 2005, baseia a sua ação no «crescimento do ser humano por meio da educação, em especial da educação superior».

VIII FIS

Entre 21 e 23 de Fevereiro decorreu na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria o VIII Fórum Internacional de Sinologia, organizado pelo Instituto Português de Sinologia de que é presidente a Professora Doutora Ana Maria Amaro, nesta edição com a colaboração da autarquia local. Como nas anteriores estiveram presentes neste evento de renome mundial investigadores das universidades de Aveiro, Belgrado, Cambridge, Edimburgo, Estocolmo, Florença, Ghent, Hong Kong, Kyoto, Lisboa (Técnica; Nova; Católica), Lund, Madrid (Autónoma), Manchester, Moscovo, Paris (Diderot; Escola Prática de Altos Estudos), Praga (Charles); Yonsei, Würzburg, e ainda da Academia Chinesa das Ciências Sociais (Pequim), do Observatório da China (Lisboa), e da Academia Eça de Queirós (Vila Nova de Gaia), esta representada por J. A. Gonçalves Guimarães com a comunicação “Macau na Primeira Exposição Colonial Portuguesa – Porto, 1934. A viagem à China ao pé da porta». Foi também lançado o n.º 8 da Revista de Estudos Chineses – ZhongguoYanjiu, com o seu texto “A Representação dos Chineses na obra de Eça de Queirós” apresentado no VII Fórum que decorreu no Porto em 2012.

Douro 02

No passado dia 15 de Março no Museu do Vinho do Porto, na cidade do mesmo nome,foi lançado o número doisreferente a 2013, da revista Douro - Vinho, História e Património, propriedade da Associação Portuguesa de História da Vinha e do Vinho (APHVIN/GEHVID), em sessão dirigida pelo presidente do Instituto dos Vinhos do Porto e Douro, Dr. Manuel Novais Cabral, pelo presidente da direcção da APHVIN, Prof. Doutor António Barros Cardoso e pelo presidente da respectiva assembleia geral, Professor Doutor Francisco Ribeiro da Silva, nosso confrade. Entre os diversos artigos apresentados pela revista encontra-se «O Ermo de São Salvador do Mundo, santuário duriense» de J. A. Gonçalves Guimarães, que condensa os estudos sobre este imponente lugar de S. João da Pesqueira realizados pela equipa do Gabinete de História, Arqueologia e Património dos ASCR-CQ que aí dirigiu nas férias dos anos 2005 a 2008.

J. Rentes de Carvalho Mentiras & Diamantes

Para o próximo dia 17 de Abril, a tertúlia Comunidade de Leitores – Quadricultura, propõe a leitura e debate das seguintes obras de J. Rentes de Carvalho: Tempo Contado; Os lindos braços da Júlia da farmácia; Com os holandeses e Ernestina; ver blogue http://www.quartascomletras.blogspot.com. Entretanto o escritor regressou a Estevais do Mogadouro vindo de Amsterdam. Ena próximo dia 12 de Abril será lançado também em Lisboa o seu novo e inédito romance intitulado Mentiras & Diamantes, como sempre pela Quetzal.

Anabela Mimoso e a Sagração do Amor

No passado dia 1 de Março, na Biblioteca Municipal de Vila Nova de Gaia, a escritora Anabela Mimoso lançou o seu mais recente romance intitulado A Sagração do Amor, Publicado pela Seixo Publishers.

Tango Argentino



Nos próximos dias 13 e 14 de Abril, sábado e domingo, entre as 15 e as 18 horas, decorrerá no Solar Condes de Resende um workshop de Tango Argentino ministrado pelos professores Alexandra Baldaque e Fernando Jorge, campeões da Europa da modalidade e participantes habituais dos concursos de Buenos Aires. A frequência implica prévia inscrição.

Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 55 – Segunda-feira, 25 de março de 2013
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013




Oh! Esta Sintra!


«… Não nego que seja uma linda vista. Mas por Deus! Ninguém se lembra de habitar uma vista! (Eça de Queiroz, carta para o Conde de Arnoso, 24.07.1895). O escritor terá passado por aqui várias vezes ao longo da vida: se deixarmos de lado a sua ficção e alguns testemunhos indiretos, que convém conferir com a biografia fatual, pela sua correspondência confirma-se que aqui esteve, pelo menos, em Maio de 1887, hospedado no Hotel Lawrence, e entre Julho e Outubro de 1895, na Vila Fontes nos Castanhais (Cf. Eça de Queiroz Correspondência, org. de A. Campos Matos, Caminho 2008). Na primeira data, depois de ter estado no Porto, na Quinta de Santo Ovídio, onde lhe nasce o primeiro filho, Maria, ao mesmo tempo que publica A Relíquia na Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro e que nesse mesmo mês de Maio é publicada em livro, enquanto recebe o passaporte para regressar ao seu posto consular em Bristol, com a esposa e uma empregada. As cartas de Sintra são enviadas ao editor Genelioux precisamente para tratar da promoção editorial daquela obra.
Na segunda estadia documentada, Eça regressara de Paris em Abril para passar férias com a família, hospedando-se no Chiado e depois na Quinta dos Castanhais em Sintra, que sua mulher terá detestado, por ser «toda em socalcos, descidas, precipícios (carta para Emília de Castro, de 2 de Junho de 1898). Daí escreve ao Conde de Arnoso para que interceda junto de D. Carlos para que o prazo do concurso para fornecimento de cozinhas militares seja prolongado de modo a que o seu protegido, o inventor Luís Serra, possa concorrer, assunto que repete em três cartas posteriores. Escreve uma outra carta a Luís de Magalhães, remetendo-lhe parte do prometido artigo para o livro em memória de Antero de Quental, e de que Eça exige rever segundas provas «questão de pontos e vírgulas – mas essencial» e a quem se queixa: «Eu tenho passado mal nesta Sintra, tão celebrada, e que é um poço de humidade, e mesmo de melancolia». Uma outra carta é enviada a Carlos Roma du Bocage pedindo-lhe para que no seu regresso a Portugal seja portador de um seu «simples fato, de Verão, leve, de pouco volume – e um tímido par de botas, até já usadas…», e de novo as queixas: «A nossa Sintra está desamável. De dia calor violento; de noite nevoeiro formidável, entre o dia e a noite poeira pavorosa; e tanto de noite como de dia, um[a] insipidez nocturna. Tais são os prazeres deste Éden». E noutra das cartas. «O “lindo panorama” [Sintra] como animal ressabiado deu-me outro coice. É verdade, amigo. Estive doente, com visita de Lancastre [médico], e dois mil reis de botica. Agora, graças a Deus, estou melhor…».
Para além destas cartas e do artigo referido, Eça escreveu aqui muito mais prosa e reviu textos em vias de publicação. Numa outra carta queixa-se de que «só dispunha desta folha de papel e em Sintra não há papel!... Oh esta Sintra!». Tê-lo-á o escritor esgotado nos estanqueiros locais?
Como podemos facilmente verificar a Sintra da ficção queirosiana é completamente diferente da destes queixumes pessoais. Para tal perceber recomendo a leitura de “Sintra na obra de Eça de Queirós” de João Rodil, 2.ª edição, 2000, Câmara Municipal de Sintra, e também das páginas que lhe são dedicadas em “Roteiro da Lisboa de Eça de Queiroz e seus arredores”, de A. Campos Matos. Parceria A. M. Pereira, 2011. A Arte é sempre para os outros e não para o artista. Nas suas obras de ficção Eça é como Fradique Mendes, um «cidadão das cidades que visitava» que não se limitava a «estuda[r] apenas o aéreo relevo dos monumentos e a roupagem das multidões», mas a dar vidas e enredos às paisagens e construções humanas adivinhando nelas almas sôfregas de emoções que sintetizou em páginas admiráveis.
«Oh esta Sintra!... Oh esse Lord Byron, que foi quem a lançou!» exclama Eça ainda na primeira carta referida.
Sintra continuaria romântica nas suas páginas e por certo para sempre. Eça viveu aqui o realismo de ter uma família para manter e granjear um dinheirinho extra que o ajudasse a sustentar o seu status. Não era um lorde à procura de emoções e versos, mas sim um funcionário público e trabalhador intelectual a tentar melhorar as suas condições de vida. Num tempo muito parecido com o nosso, o de hoje. Perceberam?!

J. A. Gonçalves Guimarães


Ernestina publicado em Itália


Acaba de ser publicado em Roma, pela editora Cavallo di Ferro, com tradução de Valentina Giura, o romance “Ernestina” de José Rentes de Carvalho.
Sobre a sua terra natal, escreveu recentemente o autor: «A Gaia milenária onde nasci é segunda pele, feita de recordações, momentos e imagens, filme de espectador único, mala de cartão que levo por onde ando e não pesa. É a Gaia que não muda, que ninguém conseguirá mudar, descobre-a quem sabe ver por detrás do fato novo». J. Rentes de Carvalho, «Vozes», blogue Tempo Contado, 15 de Janeiro de 2013).



Póvoa de Varzim

No passado dia 2 de Fevereiro, no Diana Bar, foi apresentado o livro de Antero Simões “O meu irónico e trágico Eça de Queirós”, por Salvato Trigo, reitor da Universidade Fernando Pessoa. O autor nasceu na Póvoa de Varzim em 1930 e tem vasta obra publicada sobre Literatura portuguesa.
A 8 de Fevereiro, nas instalações do Serviço de Turismo, foi inaugurada a exposição “Eça é que é essa – Eça de Queirós, mostra colecionística propriedade do nosso confrade Paulo Sá Machado (ver artigo publicado na Revista de Portugal, nova série, n.º 1, Novembro de 2004, pp. 60-72, “Eça de Queiroz no coleccionismo”).

César Oliveira distinguido

No passado dia 4 de fevereiro decorreu no Teatro Sá da Bandeira no Porto a gala anual do jornal Audiência, na qual estiveram presentes diversos confrades queirosianos como convidados e como galardoados com os troféus atribuídos por esta empresa de comunicação social com interesses na imprensa, rádio, televisão e informedia regionais. Entre os que receberam os troféus “Audiência” foi galardoado César Oliveira, presidente da assembleia geral dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana e presidente da Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia que recebeu o troféu “Dedicação”.

Helder de Carvalho

No passado dia 9 de fevereiro o escultor Helder de Carvalho inaugurou na igreja matriz de Pombal de Ansiães (Carrazeda de Ansiães) a exposição “Tua, do Ser ao Sentir”, com as suas mais recentes produções artísticas, um conjunto de desenhos a carvão sobre aquela paisagem que vai desaparecer, acompanhadas pela utilização artística de godos daquele rio que irá deixar de correr. Esta exposição contou com um programa paralelo de Turismo e Gastronomia que incluiu provas de vinhos e de produtos da terra, visita a monumentos e participação no entrudo de Podence.

Prémio APOM

O catálogo da Colecção Egípcia da Universidade do Porto da autoria do egiptólogo Luís Manuel de Araújo, vice-presidente dos ASCR-CQ e comissário científico da sua exposição na reitoria na Praça dos Leões no Porto, foi distinguido com o premio “Melhor Catálogo” de 2012 pela Associação Portuguesa de Museologia (APOM). A referida exposição foi também uma das nomeadas para o prémio “Melhor Exposição do Ano”. Aquele prémio, que distinguiu o saber e o trabalho do nosso confrade, foi atribuído em sessão pública realizada no passado dia 14 de fevereiro no Museu da Farmácia em Lisboa.

Jornada Queirosiana de Sintra

No passado dia 16 de Fevereiro decorreu em Sintra a Jornada Queirosiana, com o tema “O ensino de Eça e o gosto pela Literatura”, organizada pela Câmara Municipal através do Gabinete de Apoio à Vereação da Cultura. A sessão de abertura e a apresentação das comunicações decorreram no Palácio Valenças. Na primeira falaram João Gabriel Rocha, da equipa dos Roteiros, Paula Simões, vereadora da Cultura e o presidente da autarquia Fernando Seara, estando presentes a comissão de honra formada pelo Centro Cultural Eça de Queirós dos Olivais, representado pelo nosso confrade Fernando Andrade Lemos; Centro de Estudos Literários e Literacia; Círculo Eça de Queiroz; Confraria Queirosiana, representada pelo confrade Pereira Gonçalves; Fundação Eça de Queirós; Grémio Literário e Prof. José Rodrigues dos Santos.
Após a abertura, a centena de visitantes inscritos dividiu-se em três grupos que percorreram outros tantos percursos do Roteiro Queirosiano de Sintra.
Pela tarde, de novo no Palácio Valenças, apresentaram comunicações Gonçalves Guimarães, mesário-mor da Confraria Queirosiana, sobre “Roteiros queirosianos, da biografia à ficção literária”, a que se seguiu Maria João Simões, docente da Universidade de Coimbra, “Aprender com os estereótipos espaciais da ficção realista de Eça de Queiroz”; A. Campos Matos, também confrade da Confraria Queirosiana, sobre “Eça de Queiroz no Ensino Secundário”; e Edviges Ferreira, da Associação de Professores de Português, e Isabel Alçada, ex-ministra da Educação e comissária do Plano Nacional de Leitura, sobre “Despertar o gosto por Eça de Queirós”. As comunicações foram seguidas com interesse pela assistência onde se encontravam, entre outros, os confrades Luís Manuel de Araújo, Manuel Nogueira, Alda Barata Salgueiro, para além dos já referidos.
No intervalo dos trabalhos foi servido um Colares de honra, o vinho mais referido por Eça de Queirós na sua obra. Todos os participantes foram unânimes na oportunidade e excelência desta Jornada dinamizada pela vereadora Paula Simões e pela equipa dos Roteiros da autarquia, tendo sido sugerido que, para além de outras ações de valorização do Roteiro , se realize uma jornada anual idêntica a esta. As comunicações apresentadas serão divulgadas na revista on-line Tritão, disponível em Julho próximo.


Os Maias, de novo no TEP



No passado dia 18 de fevereiro o Teatro Experimental do Porto apresentou em «ensaio aberto» à Comunicação Social no Auditório Municipal de Gaia a adaptação teatral de “Os Maias” de Eça de Queirós, com encenação de Gonçalo Amorim, destinado primordialmente ao público escolar. A peça está em cena até 27 de Março. Na ocasião foi distribuída uma brochura sobre as adaptações deste romance ao palco, com textos de Júlio Gago, Gonçalo Amorim, Luiz Francisco Rebello e outros.





Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 54 – Segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Eça & Outras



Relíquias

Lodoicea maldivica, Solar Condes de Resende

O ser humano tem o hábito de guardar relíquias, objectos aos quais atribui um significado, uma mensagem, um poder, um valor muito mais elevado do que o preço dos materiais de que são feitos. Na natureza outros animais têm atitudes parecidas, mas com objetivos mais práticos. E afinal foram os egípcios que deram um significado cultural às coleções de bolas de estrume dos escaravelhos. Adiante.
As relíquias variam em antiguidade – podem ser pré-históricas ou um lenço de Marylin Monroe; na matéria de que são feitas – desde a vulgar pedra de calçada até aos diamantes; podem ser obras de Arte ou um vulgar osso que a natureza criou; podem ter, à partida, diversas origens: religiosas; históricas; mágicas, ou ir assumindo todos estes significados, como é o caso da pá do forno da padeira de Aljubarrota. São-lhes atribuídos diversos poderes: o de fidelizar comunidades, o de curar achaques e doenças, o de estabelecer contatos com o divino, o de dar sorte, o de materializar crenças, o de caraterizar grupos, o de individualizar pessoas, o de simbolizar atividades.
Todos conhecemos exemplos: as “jóias da Coroa”; a Magna Carta; um bastão de marechal de império; as calças de Gungunhana, uma madeixa de D. Inês de Castro; um osso de santo; uma imagem de Buda, uma taça de futebol; o retrato do avô. Guardam-se em templos, museus, edifícios públicos, coleções privadas e, obviamente, em nossas casas. Por elas se luta e se morre, se percorrem distâncias, se fazem despesas. Mas são-nos fundamentais para o nosso dia-a-dia. Dispensaremos facilmente filósofos, sociólogos, psicólogos, politólogos e outros que tais com a simples asserção: diz-me que relíquias venéras e dir-te-ei quem és. Este mundo simbólico dá emprego a políticos, gestores, sacerdotes, museólogos, historiadores, comunicadores, seguradoras, e tantos mais. Não é diretamente cotado em bolsa, mas movimenta triliões de euros, dólares, yenes, mesmo não se sabendo onde param certas relíquias, como a Arca da Aliança, o Santo Graal, o livro de ouro de José Smith J.or, e tantas outras, fontes aliás inesgotáveis para livros, filmes e outras fantasias. Mas toda esta devoção corre agora o risco de ser substituída pela das imagens-relíquia guardadas nessa nova capelinha caseira que dá pelo nome de computador pessoal, que já vai ajudando a substituir aquelas outras e com algumas a serem descartadas, como é o caso dos livros, onde dantes se descreviam todas elas.
Ainda pior do que isso, existem ideias que se estão rapidamente a transformar em ideias-relíquias e que correm o risco de, tal como aquelas, passarem a ser apenas referências e símbolos a que o mercado, liderado e participado pelos efémeros cidadãos das modas, atribuirá cada vez menos valor. Por exemplo, a capacidade de trabalho; a sabedoria; a honestidade; a bondade; a modéstia. Face a tal panorama, resta-nos a nós historiadores (os trabalhadores da Memória), para sobrevivermos, irmos procurando que nos comprem algumas «medalhas, bentinhos, águas, lascas, pedrinhas, palhas», procurando que mantenham «a qualidade omnipotente de valores», ainda que poucos, dando nós «um caco de barro-» e recebendo «uma rodela de ouro…» (Eça de Queirós, A Relíquia), isto no que se refere às relíquias materiais, porque quanto às ideias-relíquia, já outros vendilhões delas se apropriaram e à custa da sua venda vivem como nababos. Culpa nossa, meus irmãos!

J. A. Gonçalves Guimarães

Cursos e palestras

Prossegue no Solar Condes de Resende o curso livre “Esplendor da Arqueologia: ciência, cultura e turismo”, no qual, no próximo dia 2 de Fevereiro, entre as 15 e as 17 horas, o Dr. Manuel Real, arqueólogo, historiador e diretor aposentado da Casa do Infante no Porto, falará sobre “Reflexões sobre o moçarabismo no Gharb Al-Andaluz”. A frequência do curso implica prévia inscrição.
Entretanto continuam as palestras das quintas-feiras às 21 horas no mesmo local, em que têm apresentado temas diversos J. A. Gonçalves Guimarães, José Manuel Tedim e António Manuel Silva, estas de entrada livre.
No próximo ano lectivo a Academia Eça de Queirós vai promover um curso livre sobre História Empresarial e Institucional, que contará com a colaboração de J. A. Gonçalves Guimarães, José Manuel Tedim, Silvestre Lacerda, António Manuel Silva e outros investigadores com obra publicada sobre estas temáticas.

Jantares

Jantar em Sintra

Aproveitando a presença de vários sócios e confrades na Jornada Queirosiana “O Ensino de Eça e o gosto pela Literatura” organizada pela Câmara Municipal de Sintra, no dia 16 de Fevereiro, sábado, no final dos trabalhos, decorrerá um jantar informal entre os queirosianos da região em local a indicar.
Aquelas jornadas são já um êxito devido ao elevado número de inscritos que ultrapassaram largamente o previsto.
As inscrições para o jantar terão de ser feitas para a Confraria Queirosiana.

Jantar em Leiria

Do mesmo modo, o mesário-mor da Confraria Queirosiana e outros confrades vão estar em Leiria entre os dias 21 a 23 de Fevereiro para participar no VIII Fórum Internacional organizado pelo Instituto Português de Sinologia, devendo na ocasião reunir num jantar os sócios e confrades daquela região para debate de ideias e implementação de acções queirosianas.

Livros

“Feliz de quem a abraça”

Na sua extensa bibliografia Luís Manuel de Araújo, egiptólogo e professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, apresenta agora um novo título muito apelativo em todos os aspectos: “Erotismo e Sexualidade no Antigo Egipto”, Edições Colibri, edição profusamente ilustrada a cores e em monocromia, ao longo das suas 614 páginas.
Não sendo um novo tema nos estudos do autor – em 1995 publicou “Estudos sobre Erotismo no Antigo Egipto”, que teve duas tiragens e se encontra esgotado -, à facilidade de uma nova edição preferiu fazer obra mais dilatada, com novos dados sobre assunto tão interessante, coligindo e revisitando as suas análises publicadas em diversas revistas científicas e compulsando a investigação de outros egiptólogos nacionais e estrangeiros com interessantíssimas aproches sobre o tema.
Sendo este um daqueles livros que tanto interessam ao especialista e ao erudito, como ao cidadão ilustrado ou simplesmente curioso, pois a elegante escrita e hábil organização editorial da obra, já habitual nos títulos do autor, a todos contenta certamente com aplauso, pois aí poderão encontrar todas as situações que envolvem o afeto, o bem querer, a beleza do corpo e os prazeres da vida, que tão bem cultivados foram pelos antigos egípcios e que hoje nos podem servir de ponto de reflexão para o nosso quotidiano em muitos aspetos mais amargurado e mais triste, afinal mais desumanizado pelos tabus e preconceitos que os zangados guardiões da moral desde então nos tentaram impor, sem grande sucesso, como é sabido.
O autor, além de outros cargos é também grão-louvado da Confraria Queirosiana, membro da Academia Eça de Queirós, vice-presidente da direção dos ASCR-CQ e diretor da Revista de Portugal.

Ansiães

No próximo dia 26 de Janeiro, sábado, pelas 17 horas na Câmara Municipal de Ansiães, será lançado o livro do nosso confrade Eng.º Charters de Azevedo “Os Soares Barbosa – Ansianenses Ilustres”, que será apresentado pelo Dr. Manuel Augusto Dias, editado pela Textiverso.

Reedição de livro sobre Eça

No próximo dia 29 de Janeiro, terça-feira, no Grémio Literário em Lisboa será lançado o livro “Eça de Queiroz entre os seus. Cartas Íntimas”, apresentado pela Dr.ª Isabel Alçada e editado pela Leya/Caminho.


Mestrado

Concluiu com êxito as suas provas de Mestrado em Portugal Islâmico e o Mediterrâneo, o nosso consócio Dr. Marco Valente, que para tal apresentou a tese “Circulação monetária na urbe de Faro. O sítio da Horta da Misericórdia (D. Sancho I a D. Afonso V,1185 - 1481)”. O júri foi constituído pelos Professores Susana Gomes Martinez, Fernando Branco Correia, João Pedro Bernardes e Luís Filipe Oliveira, que lhe atribuíram a classificação de Muito Bom.

Blogues

«Desiluda-se amigo/a: com blogue, twitter, iPhone, Facebook e o resto, você, eu, Lady Gaga, o Príncipe das Astúrias, o senhor Bernardino da padaria, Lili Caneças, e os restantes sete mil milhões de amarelos, pretos, esquimós, índios do Amazonas, suecos e minhotos, estamos sós, somos nada. Não adianta o fraseado. Oito, no melhor nove décadas, vamo-nos, ninguém dá conta que estivemos», lê-se no blogue “Tempo Contado” de J. Rentes de Carvalho (2013.01.21). Mas o que é certo, e até virem os deuses das outras galáxias diminuir a nossa orfandade humana, este blogue e o seu autor permanecem cada vez mais entre os seus amigos e admiradores. Entretanto a Panavídeo está a realizar para a RTP uma série de quatro documentários sobre personalidades portuguesas do século XX, entre as quais este escritor nosso confrade.

Por sua vez António Eça de Queiroz tem andado a coligir narrativas sobre os seus antepassados em www.escreveretriste.com. Na família todos temos vilões e santos e a memória nem sempre os distingue, sobretudo quando uns já no passado se vestiram de “santos” e outros tiveram o azar de serem rotulados de “diabos”. Uns e outros percorreram os caminhos da História, mas diferente foi a sua pegada. Mas inquiri-los vale sempre pelas possibilidades de uma boa reflexão.

Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 53 – Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2013
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