segunda-feira, 25 de março de 2013

Eça & Outras

O verbo eurroubar

Eurroubar! Faz istoalgum sentido? Não, não faz, mas também não será das coisas mais graves que nos últimos tempos não fazem sentido na Europa, onde se conjuga regularmente o verbo eurroubar no presente do indicativo, em nome da estabilidade de uns quantos à custa do desequilíbrio de todos.
Sobre a Europa do seu tempo, quando já então se caminhava a passos largos para os conflitos “inevitáveis” da primeira metade do século XX, escreveu Eça de Queirós: «A situação na Europa, na realidade, nunca deixou de ser medonha (…) A “crise” é a condição quase regular da Europa. E raro se tem apresentado momento em que um homem, derramando os olhos em redor, não julgue ver a máquina a desconjuntar-se, e tudo perecendo, mesmo o que é imperecível – a virtude e o espírito» (Notas Contemporâneas).
E noutro texto: «Não há, nunca houve Europa, no sentido que esta palavra tem em diplomacia. Há hoje um grande pinhal de Azambuja, onde rondam meliantes cobertos de ferro que se odeiam uns aos outros, tremem uns dos outros, e, por um acordo tácito, permitem que cada um por seu turno se adiante – e assalte algum pobre diabo que vegeta ou trabalha ao canto do seu cerrado (…). A Europa, como os campos de corridas em Inglaterra, devia estar coberta destes avisos em letras gordas: Bewareofpick-pokets! (Cautela com os salteadores!)» (Cartas de Inglaterra).
Muitos destes “salteadores” não eram eleitos, nem pelo voto universal, em que a abstenção sempre conta a favor dos eleitos, ainda que signifique maior número de cidadãos do que o total de votos dados ao “vencedor”, mas por outras formas de legitimação “em nome do povo”. E o que não se conseguia na mente dos cidadãos, impunha-se nos jogos de bastidores e lá estava sempre uma troika, um exército, uma polícia, ou uma política monetária para devolver aos eleitores os resultados da sua abstenção, que sempre tem permitido os “salteadores” governarem em seu nome. Esse distanciamento entre o real interesse dos povos e o dos governantes conduziu às várias guerras mundiais, continentais, regionais e locais, que se traduziram em mortandades incríveis e infames em todos os cenários e por todos os exércitos beligerantes. Começou - se já por toda a Europa a lembrar a estúpida carnificina da Iª Grande Guerra. Por aqui, ainda não. E hoje a Europa está tão parecida com a de 1913…
Vamos então para a guerra? Não o creio. Um século de reflexão serviu para alguma coisa. Se falhou a economia e a política, atividades hoje tão “profissionais” como os prestamistas e os cangalheiros, ouçamos ao menosos historiadores e os ambientalistas que têm dado algum bom senso ao mundo que nos rodeia: os primeiros ajudaram-nos a perceber o porquê das crises, dos conflitos, das faltas de inteligência coletiva a que ciclicamente estamos sujeitos; os segundos alertam-nos para que não queiramos ver outra vez dilacerados por armas e maquinaria de guerra os verdes prados ou as verdes colinas das nossas aldeias europeias onde queremos ir passear. Em muitas delas já existem cemitériosgigantescos. Não queremos mais. E também não queremos voltar a ver os monumentos destruídos e a nossa memória,naquilo que, apesar de tudo, tem de melhor, esventrada e reduzida a cinzas. Queremos que a Vénus de Milo volte a abraçar uma ideia boa de Europa, como a sonharam os portugueses Padre Himalaia e o economista Professor Francisco António Correia, esquecidos “avós” da atual União Europeia, que lhes devia pedir conselhos. Saberão os nossos “deputados europeus” quem foram e o que escreveram sobre o assunto. No locreo!
Voltemos ao nosso Eça: «E na Europa, como em qualquer espesso bosque, num fundo vale, um momento vem em que tudo decai e fenece… Ora estes tempos que vamos atravessando são o Outubro fresco que anuncia um dos grandes Dezembros do mundo. Temos já misérias, crises, dissoluções, velhas raízes que se despegam, prantos no vento; pior nos irá quando Dezembro vier: mas através de todas as vicissitudes sempre se conservará, como na Natureza, a eterna seiva, que é a eterna força» (Notas Contemporâneas).
Este ano não há Primavera; mas sabemos que, um dia, ela virá, como sempre. Talvez mais cedo se escutarmos os trabalhadores da Memória, os únicos que nos podem sossegar e prevenir contra os gordos vendedores das inevitabilidades, pois todos somos, pelo menos, tão imprescindíveis como os remadores das galés: pode haver muito chicote, mas os senhores do mundo não sabem remar nem estão para aí virados. Logo precisam de nós, nem que seja para manter o seu estúpido sistema à tona da água. E um dia viramos o barco e fazemos outro. Sempre foi assim.
Em 1913 estreou A Sagração da Primavera de Stravinsky: a esperança há-de pois um dia voltar. No nosso tempo, que é aquele que conta. E sem guerras, que as não queremos de todo. Já passamos essa fase da barbárie.

J. A. Gonçalves Guimarães

Centro cívico Eça de Queiroz

Em Leiria, junto à Rua da Tipografia onde habitou Eça de Queirós, quando percorreu o cenário que lhe inspirou O Crime do Padre Amaro, num terreno que até há pouco tinha casas velhas, ruínas, vegetação espontânea e gatos e ratos, a Câmara Municipal de Leiria construiu um moderno e funcional centro cívico Eça de Queiroz, o qual está entregue à gestão da associação cultural Sempre Audaz dirigida pela Prof.ª Helena Carvalhão.
Para além da evocação permanente do escritor, da sua passagem por Leiria e das personagens da sua ficção, o espaço amplo e polivalente acolhe já um conjunto de atividades lúdicas e culturais, desde teatro, dança, artes plásticas e organização de palestras e passeios, até aulas de inglês, geografia, filosofia, espiritualidade, literatura e história, servindo todos os públicos. Ainda numa fase de organização, o espaço tem potencialidades para uma dinâmica divulgação da vida, obra e época de Eça de Queirós nas quais a cidade de Leiria foi um marco incontornável.

FACEQ

A Faculdade Eça de Queirós é uma das várias instituições de ensino que pertencem à UNIESP, a universidade privada do Estado de S. Paulo, Brasil e fica localizada no município de Jandira na Grande São Paulo. Para além das muitas faculdades e colégios, este grupo de ensino tem ainda uma rádio e uma estação de TV e um Projeto Ambiental, entre outros grupos de trabalho.
Em funcionamento desde 2005, baseia a sua ação no «crescimento do ser humano por meio da educação, em especial da educação superior».

VIII FIS

Entre 21 e 23 de Fevereiro decorreu na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria o VIII Fórum Internacional de Sinologia, organizado pelo Instituto Português de Sinologia de que é presidente a Professora Doutora Ana Maria Amaro, nesta edição com a colaboração da autarquia local. Como nas anteriores estiveram presentes neste evento de renome mundial investigadores das universidades de Aveiro, Belgrado, Cambridge, Edimburgo, Estocolmo, Florença, Ghent, Hong Kong, Kyoto, Lisboa (Técnica; Nova; Católica), Lund, Madrid (Autónoma), Manchester, Moscovo, Paris (Diderot; Escola Prática de Altos Estudos), Praga (Charles); Yonsei, Würzburg, e ainda da Academia Chinesa das Ciências Sociais (Pequim), do Observatório da China (Lisboa), e da Academia Eça de Queirós (Vila Nova de Gaia), esta representada por J. A. Gonçalves Guimarães com a comunicação “Macau na Primeira Exposição Colonial Portuguesa – Porto, 1934. A viagem à China ao pé da porta». Foi também lançado o n.º 8 da Revista de Estudos Chineses – ZhongguoYanjiu, com o seu texto “A Representação dos Chineses na obra de Eça de Queirós” apresentado no VII Fórum que decorreu no Porto em 2012.

Douro 02

No passado dia 15 de Março no Museu do Vinho do Porto, na cidade do mesmo nome,foi lançado o número doisreferente a 2013, da revista Douro - Vinho, História e Património, propriedade da Associação Portuguesa de História da Vinha e do Vinho (APHVIN/GEHVID), em sessão dirigida pelo presidente do Instituto dos Vinhos do Porto e Douro, Dr. Manuel Novais Cabral, pelo presidente da direcção da APHVIN, Prof. Doutor António Barros Cardoso e pelo presidente da respectiva assembleia geral, Professor Doutor Francisco Ribeiro da Silva, nosso confrade. Entre os diversos artigos apresentados pela revista encontra-se «O Ermo de São Salvador do Mundo, santuário duriense» de J. A. Gonçalves Guimarães, que condensa os estudos sobre este imponente lugar de S. João da Pesqueira realizados pela equipa do Gabinete de História, Arqueologia e Património dos ASCR-CQ que aí dirigiu nas férias dos anos 2005 a 2008.

J. Rentes de Carvalho Mentiras & Diamantes

Para o próximo dia 17 de Abril, a tertúlia Comunidade de Leitores – Quadricultura, propõe a leitura e debate das seguintes obras de J. Rentes de Carvalho: Tempo Contado; Os lindos braços da Júlia da farmácia; Com os holandeses e Ernestina; ver blogue http://www.quartascomletras.blogspot.com. Entretanto o escritor regressou a Estevais do Mogadouro vindo de Amsterdam. Ena próximo dia 12 de Abril será lançado também em Lisboa o seu novo e inédito romance intitulado Mentiras & Diamantes, como sempre pela Quetzal.

Anabela Mimoso e a Sagração do Amor

No passado dia 1 de Março, na Biblioteca Municipal de Vila Nova de Gaia, a escritora Anabela Mimoso lançou o seu mais recente romance intitulado A Sagração do Amor, Publicado pela Seixo Publishers.

Tango Argentino



Nos próximos dias 13 e 14 de Abril, sábado e domingo, entre as 15 e as 18 horas, decorrerá no Solar Condes de Resende um workshop de Tango Argentino ministrado pelos professores Alexandra Baldaque e Fernando Jorge, campeões da Europa da modalidade e participantes habituais dos concursos de Buenos Aires. A frequência implica prévia inscrição.

Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 55 – Segunda-feira, 25 de março de 2013
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013




Oh! Esta Sintra!


«… Não nego que seja uma linda vista. Mas por Deus! Ninguém se lembra de habitar uma vista! (Eça de Queiroz, carta para o Conde de Arnoso, 24.07.1895). O escritor terá passado por aqui várias vezes ao longo da vida: se deixarmos de lado a sua ficção e alguns testemunhos indiretos, que convém conferir com a biografia fatual, pela sua correspondência confirma-se que aqui esteve, pelo menos, em Maio de 1887, hospedado no Hotel Lawrence, e entre Julho e Outubro de 1895, na Vila Fontes nos Castanhais (Cf. Eça de Queiroz Correspondência, org. de A. Campos Matos, Caminho 2008). Na primeira data, depois de ter estado no Porto, na Quinta de Santo Ovídio, onde lhe nasce o primeiro filho, Maria, ao mesmo tempo que publica A Relíquia na Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro e que nesse mesmo mês de Maio é publicada em livro, enquanto recebe o passaporte para regressar ao seu posto consular em Bristol, com a esposa e uma empregada. As cartas de Sintra são enviadas ao editor Genelioux precisamente para tratar da promoção editorial daquela obra.
Na segunda estadia documentada, Eça regressara de Paris em Abril para passar férias com a família, hospedando-se no Chiado e depois na Quinta dos Castanhais em Sintra, que sua mulher terá detestado, por ser «toda em socalcos, descidas, precipícios (carta para Emília de Castro, de 2 de Junho de 1898). Daí escreve ao Conde de Arnoso para que interceda junto de D. Carlos para que o prazo do concurso para fornecimento de cozinhas militares seja prolongado de modo a que o seu protegido, o inventor Luís Serra, possa concorrer, assunto que repete em três cartas posteriores. Escreve uma outra carta a Luís de Magalhães, remetendo-lhe parte do prometido artigo para o livro em memória de Antero de Quental, e de que Eça exige rever segundas provas «questão de pontos e vírgulas – mas essencial» e a quem se queixa: «Eu tenho passado mal nesta Sintra, tão celebrada, e que é um poço de humidade, e mesmo de melancolia». Uma outra carta é enviada a Carlos Roma du Bocage pedindo-lhe para que no seu regresso a Portugal seja portador de um seu «simples fato, de Verão, leve, de pouco volume – e um tímido par de botas, até já usadas…», e de novo as queixas: «A nossa Sintra está desamável. De dia calor violento; de noite nevoeiro formidável, entre o dia e a noite poeira pavorosa; e tanto de noite como de dia, um[a] insipidez nocturna. Tais são os prazeres deste Éden». E noutra das cartas. «O “lindo panorama” [Sintra] como animal ressabiado deu-me outro coice. É verdade, amigo. Estive doente, com visita de Lancastre [médico], e dois mil reis de botica. Agora, graças a Deus, estou melhor…».
Para além destas cartas e do artigo referido, Eça escreveu aqui muito mais prosa e reviu textos em vias de publicação. Numa outra carta queixa-se de que «só dispunha desta folha de papel e em Sintra não há papel!... Oh esta Sintra!». Tê-lo-á o escritor esgotado nos estanqueiros locais?
Como podemos facilmente verificar a Sintra da ficção queirosiana é completamente diferente da destes queixumes pessoais. Para tal perceber recomendo a leitura de “Sintra na obra de Eça de Queirós” de João Rodil, 2.ª edição, 2000, Câmara Municipal de Sintra, e também das páginas que lhe são dedicadas em “Roteiro da Lisboa de Eça de Queiroz e seus arredores”, de A. Campos Matos. Parceria A. M. Pereira, 2011. A Arte é sempre para os outros e não para o artista. Nas suas obras de ficção Eça é como Fradique Mendes, um «cidadão das cidades que visitava» que não se limitava a «estuda[r] apenas o aéreo relevo dos monumentos e a roupagem das multidões», mas a dar vidas e enredos às paisagens e construções humanas adivinhando nelas almas sôfregas de emoções que sintetizou em páginas admiráveis.
«Oh esta Sintra!... Oh esse Lord Byron, que foi quem a lançou!» exclama Eça ainda na primeira carta referida.
Sintra continuaria romântica nas suas páginas e por certo para sempre. Eça viveu aqui o realismo de ter uma família para manter e granjear um dinheirinho extra que o ajudasse a sustentar o seu status. Não era um lorde à procura de emoções e versos, mas sim um funcionário público e trabalhador intelectual a tentar melhorar as suas condições de vida. Num tempo muito parecido com o nosso, o de hoje. Perceberam?!

J. A. Gonçalves Guimarães


Ernestina publicado em Itália


Acaba de ser publicado em Roma, pela editora Cavallo di Ferro, com tradução de Valentina Giura, o romance “Ernestina” de José Rentes de Carvalho.
Sobre a sua terra natal, escreveu recentemente o autor: «A Gaia milenária onde nasci é segunda pele, feita de recordações, momentos e imagens, filme de espectador único, mala de cartão que levo por onde ando e não pesa. É a Gaia que não muda, que ninguém conseguirá mudar, descobre-a quem sabe ver por detrás do fato novo». J. Rentes de Carvalho, «Vozes», blogue Tempo Contado, 15 de Janeiro de 2013).



Póvoa de Varzim

No passado dia 2 de Fevereiro, no Diana Bar, foi apresentado o livro de Antero Simões “O meu irónico e trágico Eça de Queirós”, por Salvato Trigo, reitor da Universidade Fernando Pessoa. O autor nasceu na Póvoa de Varzim em 1930 e tem vasta obra publicada sobre Literatura portuguesa.
A 8 de Fevereiro, nas instalações do Serviço de Turismo, foi inaugurada a exposição “Eça é que é essa – Eça de Queirós, mostra colecionística propriedade do nosso confrade Paulo Sá Machado (ver artigo publicado na Revista de Portugal, nova série, n.º 1, Novembro de 2004, pp. 60-72, “Eça de Queiroz no coleccionismo”).

César Oliveira distinguido

No passado dia 4 de fevereiro decorreu no Teatro Sá da Bandeira no Porto a gala anual do jornal Audiência, na qual estiveram presentes diversos confrades queirosianos como convidados e como galardoados com os troféus atribuídos por esta empresa de comunicação social com interesses na imprensa, rádio, televisão e informedia regionais. Entre os que receberam os troféus “Audiência” foi galardoado César Oliveira, presidente da assembleia geral dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana e presidente da Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia que recebeu o troféu “Dedicação”.

Helder de Carvalho

No passado dia 9 de fevereiro o escultor Helder de Carvalho inaugurou na igreja matriz de Pombal de Ansiães (Carrazeda de Ansiães) a exposição “Tua, do Ser ao Sentir”, com as suas mais recentes produções artísticas, um conjunto de desenhos a carvão sobre aquela paisagem que vai desaparecer, acompanhadas pela utilização artística de godos daquele rio que irá deixar de correr. Esta exposição contou com um programa paralelo de Turismo e Gastronomia que incluiu provas de vinhos e de produtos da terra, visita a monumentos e participação no entrudo de Podence.

Prémio APOM

O catálogo da Colecção Egípcia da Universidade do Porto da autoria do egiptólogo Luís Manuel de Araújo, vice-presidente dos ASCR-CQ e comissário científico da sua exposição na reitoria na Praça dos Leões no Porto, foi distinguido com o premio “Melhor Catálogo” de 2012 pela Associação Portuguesa de Museologia (APOM). A referida exposição foi também uma das nomeadas para o prémio “Melhor Exposição do Ano”. Aquele prémio, que distinguiu o saber e o trabalho do nosso confrade, foi atribuído em sessão pública realizada no passado dia 14 de fevereiro no Museu da Farmácia em Lisboa.

Jornada Queirosiana de Sintra

No passado dia 16 de Fevereiro decorreu em Sintra a Jornada Queirosiana, com o tema “O ensino de Eça e o gosto pela Literatura”, organizada pela Câmara Municipal através do Gabinete de Apoio à Vereação da Cultura. A sessão de abertura e a apresentação das comunicações decorreram no Palácio Valenças. Na primeira falaram João Gabriel Rocha, da equipa dos Roteiros, Paula Simões, vereadora da Cultura e o presidente da autarquia Fernando Seara, estando presentes a comissão de honra formada pelo Centro Cultural Eça de Queirós dos Olivais, representado pelo nosso confrade Fernando Andrade Lemos; Centro de Estudos Literários e Literacia; Círculo Eça de Queiroz; Confraria Queirosiana, representada pelo confrade Pereira Gonçalves; Fundação Eça de Queirós; Grémio Literário e Prof. José Rodrigues dos Santos.
Após a abertura, a centena de visitantes inscritos dividiu-se em três grupos que percorreram outros tantos percursos do Roteiro Queirosiano de Sintra.
Pela tarde, de novo no Palácio Valenças, apresentaram comunicações Gonçalves Guimarães, mesário-mor da Confraria Queirosiana, sobre “Roteiros queirosianos, da biografia à ficção literária”, a que se seguiu Maria João Simões, docente da Universidade de Coimbra, “Aprender com os estereótipos espaciais da ficção realista de Eça de Queiroz”; A. Campos Matos, também confrade da Confraria Queirosiana, sobre “Eça de Queiroz no Ensino Secundário”; e Edviges Ferreira, da Associação de Professores de Português, e Isabel Alçada, ex-ministra da Educação e comissária do Plano Nacional de Leitura, sobre “Despertar o gosto por Eça de Queirós”. As comunicações foram seguidas com interesse pela assistência onde se encontravam, entre outros, os confrades Luís Manuel de Araújo, Manuel Nogueira, Alda Barata Salgueiro, para além dos já referidos.
No intervalo dos trabalhos foi servido um Colares de honra, o vinho mais referido por Eça de Queirós na sua obra. Todos os participantes foram unânimes na oportunidade e excelência desta Jornada dinamizada pela vereadora Paula Simões e pela equipa dos Roteiros da autarquia, tendo sido sugerido que, para além de outras ações de valorização do Roteiro , se realize uma jornada anual idêntica a esta. As comunicações apresentadas serão divulgadas na revista on-line Tritão, disponível em Julho próximo.


Os Maias, de novo no TEP



No passado dia 18 de fevereiro o Teatro Experimental do Porto apresentou em «ensaio aberto» à Comunicação Social no Auditório Municipal de Gaia a adaptação teatral de “Os Maias” de Eça de Queirós, com encenação de Gonçalo Amorim, destinado primordialmente ao público escolar. A peça está em cena até 27 de Março. Na ocasião foi distribuída uma brochura sobre as adaptações deste romance ao palco, com textos de Júlio Gago, Gonçalo Amorim, Luiz Francisco Rebello e outros.





Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 54 – Segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Eça & Outras



Relíquias

Lodoicea maldivica, Solar Condes de Resende

O ser humano tem o hábito de guardar relíquias, objectos aos quais atribui um significado, uma mensagem, um poder, um valor muito mais elevado do que o preço dos materiais de que são feitos. Na natureza outros animais têm atitudes parecidas, mas com objetivos mais práticos. E afinal foram os egípcios que deram um significado cultural às coleções de bolas de estrume dos escaravelhos. Adiante.
As relíquias variam em antiguidade – podem ser pré-históricas ou um lenço de Marylin Monroe; na matéria de que são feitas – desde a vulgar pedra de calçada até aos diamantes; podem ser obras de Arte ou um vulgar osso que a natureza criou; podem ter, à partida, diversas origens: religiosas; históricas; mágicas, ou ir assumindo todos estes significados, como é o caso da pá do forno da padeira de Aljubarrota. São-lhes atribuídos diversos poderes: o de fidelizar comunidades, o de curar achaques e doenças, o de estabelecer contatos com o divino, o de dar sorte, o de materializar crenças, o de caraterizar grupos, o de individualizar pessoas, o de simbolizar atividades.
Todos conhecemos exemplos: as “jóias da Coroa”; a Magna Carta; um bastão de marechal de império; as calças de Gungunhana, uma madeixa de D. Inês de Castro; um osso de santo; uma imagem de Buda, uma taça de futebol; o retrato do avô. Guardam-se em templos, museus, edifícios públicos, coleções privadas e, obviamente, em nossas casas. Por elas se luta e se morre, se percorrem distâncias, se fazem despesas. Mas são-nos fundamentais para o nosso dia-a-dia. Dispensaremos facilmente filósofos, sociólogos, psicólogos, politólogos e outros que tais com a simples asserção: diz-me que relíquias venéras e dir-te-ei quem és. Este mundo simbólico dá emprego a políticos, gestores, sacerdotes, museólogos, historiadores, comunicadores, seguradoras, e tantos mais. Não é diretamente cotado em bolsa, mas movimenta triliões de euros, dólares, yenes, mesmo não se sabendo onde param certas relíquias, como a Arca da Aliança, o Santo Graal, o livro de ouro de José Smith J.or, e tantas outras, fontes aliás inesgotáveis para livros, filmes e outras fantasias. Mas toda esta devoção corre agora o risco de ser substituída pela das imagens-relíquia guardadas nessa nova capelinha caseira que dá pelo nome de computador pessoal, que já vai ajudando a substituir aquelas outras e com algumas a serem descartadas, como é o caso dos livros, onde dantes se descreviam todas elas.
Ainda pior do que isso, existem ideias que se estão rapidamente a transformar em ideias-relíquias e que correm o risco de, tal como aquelas, passarem a ser apenas referências e símbolos a que o mercado, liderado e participado pelos efémeros cidadãos das modas, atribuirá cada vez menos valor. Por exemplo, a capacidade de trabalho; a sabedoria; a honestidade; a bondade; a modéstia. Face a tal panorama, resta-nos a nós historiadores (os trabalhadores da Memória), para sobrevivermos, irmos procurando que nos comprem algumas «medalhas, bentinhos, águas, lascas, pedrinhas, palhas», procurando que mantenham «a qualidade omnipotente de valores», ainda que poucos, dando nós «um caco de barro-» e recebendo «uma rodela de ouro…» (Eça de Queirós, A Relíquia), isto no que se refere às relíquias materiais, porque quanto às ideias-relíquia, já outros vendilhões delas se apropriaram e à custa da sua venda vivem como nababos. Culpa nossa, meus irmãos!

J. A. Gonçalves Guimarães

Cursos e palestras

Prossegue no Solar Condes de Resende o curso livre “Esplendor da Arqueologia: ciência, cultura e turismo”, no qual, no próximo dia 2 de Fevereiro, entre as 15 e as 17 horas, o Dr. Manuel Real, arqueólogo, historiador e diretor aposentado da Casa do Infante no Porto, falará sobre “Reflexões sobre o moçarabismo no Gharb Al-Andaluz”. A frequência do curso implica prévia inscrição.
Entretanto continuam as palestras das quintas-feiras às 21 horas no mesmo local, em que têm apresentado temas diversos J. A. Gonçalves Guimarães, José Manuel Tedim e António Manuel Silva, estas de entrada livre.
No próximo ano lectivo a Academia Eça de Queirós vai promover um curso livre sobre História Empresarial e Institucional, que contará com a colaboração de J. A. Gonçalves Guimarães, José Manuel Tedim, Silvestre Lacerda, António Manuel Silva e outros investigadores com obra publicada sobre estas temáticas.

Jantares

Jantar em Sintra

Aproveitando a presença de vários sócios e confrades na Jornada Queirosiana “O Ensino de Eça e o gosto pela Literatura” organizada pela Câmara Municipal de Sintra, no dia 16 de Fevereiro, sábado, no final dos trabalhos, decorrerá um jantar informal entre os queirosianos da região em local a indicar.
Aquelas jornadas são já um êxito devido ao elevado número de inscritos que ultrapassaram largamente o previsto.
As inscrições para o jantar terão de ser feitas para a Confraria Queirosiana.

Jantar em Leiria

Do mesmo modo, o mesário-mor da Confraria Queirosiana e outros confrades vão estar em Leiria entre os dias 21 a 23 de Fevereiro para participar no VIII Fórum Internacional organizado pelo Instituto Português de Sinologia, devendo na ocasião reunir num jantar os sócios e confrades daquela região para debate de ideias e implementação de acções queirosianas.

Livros

“Feliz de quem a abraça”

Na sua extensa bibliografia Luís Manuel de Araújo, egiptólogo e professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, apresenta agora um novo título muito apelativo em todos os aspectos: “Erotismo e Sexualidade no Antigo Egipto”, Edições Colibri, edição profusamente ilustrada a cores e em monocromia, ao longo das suas 614 páginas.
Não sendo um novo tema nos estudos do autor – em 1995 publicou “Estudos sobre Erotismo no Antigo Egipto”, que teve duas tiragens e se encontra esgotado -, à facilidade de uma nova edição preferiu fazer obra mais dilatada, com novos dados sobre assunto tão interessante, coligindo e revisitando as suas análises publicadas em diversas revistas científicas e compulsando a investigação de outros egiptólogos nacionais e estrangeiros com interessantíssimas aproches sobre o tema.
Sendo este um daqueles livros que tanto interessam ao especialista e ao erudito, como ao cidadão ilustrado ou simplesmente curioso, pois a elegante escrita e hábil organização editorial da obra, já habitual nos títulos do autor, a todos contenta certamente com aplauso, pois aí poderão encontrar todas as situações que envolvem o afeto, o bem querer, a beleza do corpo e os prazeres da vida, que tão bem cultivados foram pelos antigos egípcios e que hoje nos podem servir de ponto de reflexão para o nosso quotidiano em muitos aspetos mais amargurado e mais triste, afinal mais desumanizado pelos tabus e preconceitos que os zangados guardiões da moral desde então nos tentaram impor, sem grande sucesso, como é sabido.
O autor, além de outros cargos é também grão-louvado da Confraria Queirosiana, membro da Academia Eça de Queirós, vice-presidente da direção dos ASCR-CQ e diretor da Revista de Portugal.

Ansiães

No próximo dia 26 de Janeiro, sábado, pelas 17 horas na Câmara Municipal de Ansiães, será lançado o livro do nosso confrade Eng.º Charters de Azevedo “Os Soares Barbosa – Ansianenses Ilustres”, que será apresentado pelo Dr. Manuel Augusto Dias, editado pela Textiverso.

Reedição de livro sobre Eça

No próximo dia 29 de Janeiro, terça-feira, no Grémio Literário em Lisboa será lançado o livro “Eça de Queiroz entre os seus. Cartas Íntimas”, apresentado pela Dr.ª Isabel Alçada e editado pela Leya/Caminho.


Mestrado

Concluiu com êxito as suas provas de Mestrado em Portugal Islâmico e o Mediterrâneo, o nosso consócio Dr. Marco Valente, que para tal apresentou a tese “Circulação monetária na urbe de Faro. O sítio da Horta da Misericórdia (D. Sancho I a D. Afonso V,1185 - 1481)”. O júri foi constituído pelos Professores Susana Gomes Martinez, Fernando Branco Correia, João Pedro Bernardes e Luís Filipe Oliveira, que lhe atribuíram a classificação de Muito Bom.

Blogues

«Desiluda-se amigo/a: com blogue, twitter, iPhone, Facebook e o resto, você, eu, Lady Gaga, o Príncipe das Astúrias, o senhor Bernardino da padaria, Lili Caneças, e os restantes sete mil milhões de amarelos, pretos, esquimós, índios do Amazonas, suecos e minhotos, estamos sós, somos nada. Não adianta o fraseado. Oito, no melhor nove décadas, vamo-nos, ninguém dá conta que estivemos», lê-se no blogue “Tempo Contado” de J. Rentes de Carvalho (2013.01.21). Mas o que é certo, e até virem os deuses das outras galáxias diminuir a nossa orfandade humana, este blogue e o seu autor permanecem cada vez mais entre os seus amigos e admiradores. Entretanto a Panavídeo está a realizar para a RTP uma série de quatro documentários sobre personalidades portuguesas do século XX, entre as quais este escritor nosso confrade.

Por sua vez António Eça de Queiroz tem andado a coligir narrativas sobre os seus antepassados em www.escreveretriste.com. Na família todos temos vilões e santos e a memória nem sempre os distingue, sobretudo quando uns já no passado se vestiram de “santos” e outros tiveram o azar de serem rotulados de “diabos”. Uns e outros percorreram os caminhos da História, mas diferente foi a sua pegada. Mas inquiri-los vale sempre pelas possibilidades de uma boa reflexão.

Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 53 – Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2013
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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Eça e Outras

Terça-feira, 25 de Dezembro de 2012

Vínculos Quebrantáveis

Passada a euforia esperançada do golpe militar de 25 de Abril de 1974, talvez consciente dos seus previsíveis falhanços, a sociedade portuguesa com alguma cultura foi à História buscar alguns porquês e procurar um fio condutor para o devir do qual, felizmente, não desiste.
Creio ser este fenómeno, obviamente merecedor de maior explanação, que, desde os anos oitenta do século passado, justifica o afã editorial de várias e múltiplas histórias de Portugal produzidas, na maior parte dos seus capítulos, por historiadores profissionais. Mas nestes trinta anos assistiu-se também à chegada de jovens historiadores à História Local e Regional até aí, e salvo raras excepções, quase domínio exclusivo dos memorialistas locais e de profissionais de outras artes, os quais, desprezando o saber das profissões que lhes deram status e largueza de bolsa, descobrem-se na senectude vocacionados para as estórias, tirando as mais das vezes o ganha-pão àqueles novos operários da memória, pois a classe dominante que os acalenta, protege e paga não distingue a História das fantasias literárias e, assim como assim, prefere estas por mais inofensivas, pois que a memória escrita, se quando colectiva é glória, quando se aproxima do diário pessoal é para eles preocupação séria que só as mitologias dos grupos e instituições mitigam, abafam ou escondem.
No caso do presente livro do Doutor Nuno Resende resultante da sua tese de mestrado, agora editado pela Palimage com a colaboração da Confraria Queirosiana, estamos perante uma obra cujo rigor científico não desmerece da bondade evocativa que a História deverá ter, aquele sorriso generosamente humano que o historiador oferece àqueles que nos precederam na estrada larga da vida. Aqui documentalmente se conta como um clérigo do século XVI, morador no Porto, se preocupou com o futuro de seu filho deixando-lhe um morgadio em Cinfães, o qual deveria ter serenamente passado de geração em geração, através de filhos legítimos, segundo a lei e a moral social vigente. Mas o homem põe e a vida dispõe e, mais uma vez, temos aqui um exemplo de que as estratégias matrimoniais, que os românticos europeus tanto ridicularizaram noutras civilizações, nem sempre funcionaram, e que a família nem sempre foi o bom espelho da ordem social, sendo antes, bem pelo contrário, um palco de conflitos, uma feira de ganâncias, uma mina permanente para a raposisse de causídicos.
Tendo esta obra resultado da generosidade esclarecida que permitiu a salvaguarda de um arquivo de família tratado por um jovem historiador já com obra sólida, este livro mostra como a história, por mais particular e localizada que seja, pode ser um capital para os viventes, escola de tolerância e compreensão para com as humanas misérias dos que já partiram, para que a sociedade, se não já a de agora pelo menos a de amanhã, venha a tornar-se a utopia dos paraísos que a humanidade tem ardentemente desejado.
A obra Vínculos Quebrantáveis tem, além do mais, um felicíssimo título: a sua irreconciliável contradição é afinal a história de Jorge Vaz Campelo e a dos seus descendentes e herdeiros nestes últimos quatro séculos e meio: por ela perpassam todos os defeitos e virtudes que se exibiram numa terra e numa paisagem concretas, mas ao mesmo tempo tão cheios de universalidades que oscilam entre os dogmas das instituições e as quotidianas velhacarias dos que pensam viver à custa da fazenda alheia, neste caso dos parentes, dos chegados, dos do mesmo sangue e do mesmo afecto matricial. Leiam-no e vejam do que é que a sociedade portuguesa tem sido feita e onde o povo tem ido buscar os exemplos desde quinhentos até aos dias de hoje, com tanto vínculo desatado e com quebrantos que nos têm tolhido. Lendo os de outros tempos e pessoas talvez possamos esconjurar os nossos, os de agora. Útil tarefa a do historiador.

J. A. Gonçalves Guimarães

Congresso, colóquios e jornadas

Para além da já divulgada Jornada Queirosiana de Sintra (16 de Fevereiro) e do Fórum Internacional de Sinologia em Leiria (21 a 23 de Fevereiro), vai decorrer na Golegã e Chamusca entre 15 e 19 de Maio o “I Congresso Internacional O Cavalo e o Touro na Pré-História e na História” e, entre 27 e 29 de Junho no Parque Biológico de Gaia, “Suevos e Visigodos no Noroeste Peninsular – Colóquio Arqueológico do Castelo de Crestuma”, este último em colaboração com o Gabinete de História, Arqueologia e Património dos ASCR-CQ. Em todos eles estarão presentes sócios e confrades queirosianos.




Cursos e palestras

Prossegue no Solar Condes de Resende o curso livre “Esplendor da Arqueologia: Ciência Cultura e Turismo”, com aulas de Joel Cleto (5 de Janeiro), Armando Coelho Ferreira da Silva (19 de Janeiro) e Manuel Real (2 de Fevereiro) e seguintes.
Continua igualmente o curso de Pintura pela Professora Paula Alves e a iniciação ao bridge pelo Juiz Desembargador Calheiros Lobo.
Às 5.as feiras, tertúlias queirosianas às 21 horas com diversos temas e palestrantes.

Livros e revistas

No próximo dia 28 de Dezembro, pelas 17 horas, será lançado na Casa da Cultura de Cinfães o livro “Vínculos quebrantáveis. O Morgadio de Boassas e suas relações, séculos XVI-XVIII”, da autoria de Nuno Resende, Doutor em História da Arte e nosso confrade, editado pela Palimage, o qual estará à venda na loja on-line da Confraria a partir de Janeiro próximo.

No passado dia 14 de Dezembro no edifício dos Congregados em Braga foi lançada a obra colectiva “Escolas de Formação de Professores em Portugal” que teve como colaborador o nosso sócio Prof. Doutor José António Martin Moreno Afonso, professor na Universidade do Minho, publicado por Edições Colibri, com o apoio da Universidade de Lisboa e da Fundação Ciência e Tecnologia.




Em Outubro passado foi publicado o n.º 5 da 2.ª série da revista “Telheiras - cadernos culturais” publicada pelo Centro Cultural Eça de Queiroz/Escola Secundária Eça de Queirós/Centro Cultural de Telheiras e dirigida pelo nosso confrade Fernando Andrade Lemos, desta vez com o busto de Eça de Queirós da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro na capa. Colaboraram neste número, entre muitos outros articulistas, o nosso confrade director, com vários artigos, um deles intitulado «Eça de Queiroz e o Fado», e António Eça de Queirós com «Eça visto por outros».



O Jornal As Artes entre as Letras, publicado no Porto sob a direcção da nossa confreira Nassalete Miranda, dedicou o seu número 86 de 14 de Novembro à edição de “Mazagran” de J. Rentes de Carvalho, com o busto do escritor de Helder de Carvalho na capa e dentro o texto de apresentação do livro de J. A. Gonçalves Guimarães, e o número 88 de 12 de Dezembro, que apresenta no interior a entrevista que o redator deste blogue lhe fez na ocasião e em que o celebrado escritor reafirma, mais uma vez, a importância de Eça de Queirós desde a sua formação até aos dias de hoje. Uma produtora de documentários irá rodar um filme sobre a sua vida e obra em Gaia, Viana, Paris, Amsterdam e Trás-os-Montes, devendo sair outra obra sua em Portugal no próximo mês de Maio.

Entretanto a Caminho reeditou agora a obra “Eça de Queiroz entre os seus apresentado por sua filha. Cartas Íntimas” publicado pela primeira vez em 1949 e com reedição em 1987. O seu interesse, depois da edição de “Eça de Queiroz Correspondência”, organizada por A. Campos Matos, deve-se apenas ao fato de aquelas duas edições serem já difíceis de encontrar no mercado.

Novo blogue queirosiano

O Professor Doutor Carlos Reis, nosso confrade e director do Departamento de Línguas, Literatura e Culturas da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, criou um novo blogue queirosiano, com o seguinte endereço electrónico: www.queirosiana.wordpress.com, ao qual os interessados poderão ser adicionados como seguidores e assim ficarem a par das mais recentes novidades sobre os textos de Eça.

Convívios de Natal

O Solar Condes de Resende e o seu bar gerido pela Confraria foram escolhidos para a realização de convívios de Natal, como foi o caso dos antigos Jovens do Torne, famoso grupo gaiense dos anos sessenta que hoje percorre a vida e o mundo; pessoal da Cerâmica do Douro e também os Corpos Gerentes e pessoal do Solar, entre outros.
E já que estamos no Natal, lembremo-nos que Eça escreveu o seguinte: «a presença angustiosa das misérias humanas, tanto velho sem lar, tanta criancinha sem pão, e a incapacidade ou indiferença de monarquias e repúblicas para realizar a única obra urgente do mundo – a “casa para todos, o pão para todos”, lentamente me tem tornado um vago anarquista entristecido, idealizador, humilde, inofensivo…» (A Rainha, in Revista Moderna, 1898).
A todos os seus sócios, confrades, leitores e homens e mulheres de boa vontade a direcção dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana e do blogue Eça & Outras deseja um ano de 2013 mais fraterno, esperançoso e realizador.

Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 52 – Terça-feira, 25 de Dezembro de 2012
Cte. n.º 506285685 ; NIB: 001800005536505900154
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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Eça & Outras

Domingo, 25 de novembro de 2012

É a Cultura que temos

Volta e meia tropeçamos em conceitos que nos parecem óbvios, mas não são. A banalização da sua designação é que nos faz crer em tal, mas não é verdade. É o que se passa com aquilo que comummente designamos por Cultura. Toda a gente fala dela, mas poucos saberão do que realmente se trata. Talvez não fosse mal regressarmos aos dicionários, essa espécie de congeladores de pensamento sob a forma de palavras que representam o ponto de chegada de séculos de reflexão e sabedoria. O Dicionário da Língua Portuguesa de Cândido de Figueiredo, de 1949 (14ª edição) diz, entre outras coisas, que Cultura é o «estado de quem tem desenvolvimento intelectual… estudo… elegância, esmero» (vol. I, p. 776, b), o que nos parece uma definição mais linguística do que antropológica. O da Porto Editora, 5.ª edição, anos 60 do século passado, para além do cultivo da lavoura, etimológico, refere aquela mesma definição geral do anterior dicionário mas acrescenta domínios particulares literários, artísticos, das ciências exatas, filosofia, etc. Considera aspetos da herança social dos indivíduos e das coletividades e, por fim lá volta à sabedoria, ao apuro, à elegância (pag. 401, b). Por sua vez a Lexicoteca, Moderna Enciclopédia Universal, Lisboa Círculo de Leitores, 1985, no seu 6º volume pag.ª 165/166, apresenta-nos conceitos de filosofia da Cultura, história da Cultura, elementos, estratos, e ainda de Cultura física, popular e superior, além de expressões similares de outras áreas que não a que agora nos interessa. Poderíamos dar a referência de outras obras mais atuais e profundas, mas que apenas complicariam o que nos propomos aqui analisar de forma simples e direta. Cultura, no sentido erudito, é o conjunto de atividades que estão para além da sobrevivência do individuo e da sociedade e que contribuem para a preservação da memória, da sua interpretação, da sua divulgação agora e da sua transmissão no futuro. A Cultura é pois um bem imaterial, supérfluo, mas o único, perante os valores humanos, capaz de acrescentar mais valia às sociedades. Entendamo-nos: os egípcios não ficaram na história por produzirem muito trigo; os chineses por comerem muito arroz; os americanos por matarem índios; os portugueses por estarem sempre a fugir da sua terra; a Suécia por ter loiras esbeltas; os suíços por guardarem muito dinheiro nos bancos, etc. etc.. Ficam na memória sua e dos outros povos por realizarem atos de cultura materializados em obras filosóficas, peças de Arte, edifícios, e até hábitos de culinária, elegância e de higiene.
Em todas as civilizações a Cultura esteve sempre dependente de produtores (criadores), comentadores (investigadores), e de divulgadores (professores), às vezes aglutinando estas três funções numa só pessoa, tendo como público, mais ou menos interessado, os consumidores, aqueles que depois dos bens essenciais se podem dar ao luxo de despender tempo e dinheiro com a Cultura. Repare-se que, mesmo nas culturas primitivas, só há actividade cultural quando existe alguma acumulação de bens que possibilitem a existência de criadores, de divulgadores e de consumidores, e da materialização dessa atividade cultural em gravura, pintura, escrita, ritualidade, através da possibilidade de ócio de uns e outros para a sua produção e o seu usufruto. Nas sociedades contemporâneas os criadores, os investigadores e os divulgadores profissionalizaram-se mas, ao mesmo tempo, viram-se prejudicados nas suas atividades pela banalização da informações, ainda que ela normalmente corra sem critérios de exigência, de veracidade ou de qualidade.
Temos visto acontecer que, enquanto nas áreas das ciências exatas, económicas, da natureza e da técnica o exercício profissional é fortemente condicionado pela obtenção de títulos académicos fortemente vigiados, não apenas pelas universidades mas também pelas associações profissionais (ordens), nas ciências humanas tal não acontece e o setor está invadido por amadores vindos de outras áreas que não só puxam para baixo a qualidade do produto final apresentado, como descredibilizam o exercício profissional daqueles que fizeram destas áreas o seu ganha-pão. Se refletirmos que a maior parte das universidades, embora prepare investigadores nestas áreas, não lhes indica para a sua sobrevivência qualquer “saída profissional” a não ser como divulgadores (professores), se atentarmos que o próprio sistema de ensino descredibilizou o ensino das Ciências Humanas, se pensarmos que não há qualquer prémio internacional que se veja, nem Nobel nem nada que se pareça para premiar os grandes obreiros da Memória a nível internacional, então perceberemos porque é que os profissionais desta área estão a pensar em mudar de vida. E aqueles que tiverem mais artes divinatórias sempre poderão ir para economistas e fazerem gala pública de adivinharem o futuro… à posteriori.

J. A. Gonçalves Guimarães

Capítulo queirosiano


Aspeto geral do capítulo


Ontem, 24 de Novembro, véspera de aniversário de Eça de Queirós, realizou-se no Solar Condes de Resende o 10.º Capítulo anual da Confraria Queirosiana, comemorativo do decénio da associação.
A sessão foi presidida por César de Oliveira presidente da mesa de assembleia geral, ladeado pela Dr.ª Amélia Traça, vereadora da Câmara de Gaia em representação do presidente Dr. Luís Filipe Meneses, pelo Prof. Doutor José Manuel Tedim, presidente da direcção, pelo Eng.º Leite da Silva, em representação da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas e por Gonçalves Guimarães, mesário-mor da Confraria.
Com o salão nobre repleto, a sessão foi abrilhantada com um trio de flautas e clavinova da Escola de Música de Perosinho.
Através do lançamento do n.º 9 da nova série da Revista de Portugal foi prestada homenagem aos confrades já falecidos, Joaquim Ferreira Gomes, François Guichard, Maria Madalena de Assunção Gonçalves da Silva, Nelson Cardoso, D. Maria das Dores de Castro d’Eça de Queiroz (Marquesa de Ficalho), Manuel Lopes, Fernando Peixoto, António Ferreira Gomes, D. Emília Cabral, Raul Ferreira da Silva e Manuel Soares Gonçalves, estando presentes alguns dos seus familiares e descendentes. Luís Manuel de Araújo, seu director, entregou também a revista aos autores presentes. Seguidamente foram apresentados os novos confrades de honra e de número, tendo na ocasião sido proclamados confrades honorários o Comendador Fernando Fernandes, representado por suas filhas Susana e Elsa Fernandes, e o Dr. António Gomes da Costa, presidente da direcção do Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro.
Foram depois insigniados os confrades de número, Eng.º Amílcar Barata-Salgueiro; Dr. António Pinto Bernardo; Dr. Lícinio Manuel Moreira Santos; Dr. Manuel Guimarães da Fonseca Nogueira e Eng.º Manuel Pereira Névoa.
Seguidamente foi assinado um protocolo entre os ASCR-Confraria Queirosiana e a Associação da Casa dos professores e Educadores de Gaia, representados no ato pelos professores José Manuel Ribeiro e Pedro Almiro Neves. Após o discurso de encerramento proferido pelo presidente da direção, os presentes foram colocar uma coroa de louros na estátua de Eça de Queirós existente no Jardim das Camélias.
O habitual jantar realizado no pavilhão do Solar, servido pela empresa Gertal e que muito agradou aos presentes pela qualidade da confecção verdadeiramente queirosiana, foi abrilhantado pelo barítono António Rua, que cantou o Hino da Confraria, a melodia popular Rosa Tirana celebrizado pelos “Vencidos da Vida”, com a letra adaptada para a ocasião, e algumas “canções confrádicas” dedicadas às Confrarias do Vinho do Porto, das Tripas, da Doçaria Conventual de Tentúgal, aos queirosianos brasileiros e à Casa Ramos Pinto, acompanhado pela pianista Maria João Ventura.
De seguida atuaram os bailarinos Alexandra Baldaque e Fernando Jorge, campeões da Europa e 16.os do Mundo em Tango Argentino (2012) que se exibiram em tango, milonga e fado dançado.
A noite terminou com o Baile das Camélias que se prolongou até ao novo dia.
Eça de Queirós foi assim condignamente recordado pela sua Confraria.

Rentes de Carvalho no Brasil

J. Rentes de Carvalho com Dagoberto Carvalho
J.or, Cristina Carvalho e Zuleide Duarte.















Entre 15 e 18 de Novembro J. Rentes de Carvalho esteve n Brasil na FLIPORTO, a 8ª Festa Literária Internacional de Pernambuco, que decorreu em Olinda, com a presença de outros escritores portugueses, como Mia Couto e José Eduardo Agualusa, brasileiros como Adriano Suassuna e ainda outros de expressão castelhana e inglesa.
No sábado dia 17 foi recebido por Dagoberto Carvalho J.or presidente da Sociedade Eça de Queiroz do Recife e pelos directores Cristina Carvalho e Zuleide Duarte, que lhe entregaram o diploma de sócio honorário daquela prestimosa instituição pernambucana.

Em 2011 a FLIPORTO recebeu mais de 80 mil visitantes, estimando-se que este número tenha sido largamente ultrapassado no corrente certame já incontornável no panorama cultural do Atlântico Sul e que a cada edição mais se internacionaliza.
Do Brasil recebemos o seguinte texto, que aqui publicamos com autorização do autor:

J. Rentes de Carvalho na FLIPORTO

Já os bons ventos do FESTLATINO haviam trazido ao Recife a professora doutora Isabel Pires de Lima, da Universidade do Porto – confreira, no quadro de honorários da Confraria Queirosiana de Vila Nova de Gaia, ex-deputada à Assembléia da República Portuguesa e ex-ministra da Cultura do país irmão –, quando a FLIPORTO convida para sua versão olindense de 2012, outro grande referencial da literatura lusa contemporânea: José Rentes de Carvalho. A consagrada autora de “As Máscaras do Desengano” (para uma abordagem sociológica de “Os Maias” de Eça de Queirós), falou aos ecianos do Recife, no Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco, evento organizado pela Associação de Estudos Portugueses Jordão Emerenciano, Sociedade Eça de Queiroz e UFPE / Belvidera – Núcleo de Estudos Oitocentistas. Tema: “A paleta de Eça de Queiroz e as artes visuais contemporâneas”.
Vem-nos agora, a oportunidade de conhecer pessoalmente, Rentes de Carvalho, outro integrante do mesmo quadro de honorários, da confraria gaiense que, não por acaso, lhe dedicou – através da admiração e senso de justiça do mesário-mor J. A. Gonçalves Guimarães – o 4º número da Revista de Portugal (2007), em sua terceira fase, contada a história da publicação vitoriosa, a partir da pioneira e parisiense criação de Eça de Queiroz. Eça que ajudou como ninguém, a divulgar na Holanda –, onde Rentes residiu e fez vida acadêmica, como professor de Literatura Portuguesa, da Universidade de Amsterdã – publicando-lhe cinco grandes romances.
Não lhe podendo comentar os livros que apenas conheço por referências de Gonçalves Guimarães – entre os quais “Holandeses” (“Onde vive o outro Deus”, na tradução nederlandesa); “A ira de Deus sobre a Holanda”; “Portugal: um guia para amigos” e “Ernestina” – julgo suficiente, para a admiração que se declara a extraordinária qualidade literária do cronista, depreendida das páginas memorialísticas de “O desaparecer de Lisboa”; bela crônica estampada na mencionada Revista. A outras boas conclusões, quanto ao mérito intelectual do escritor homenageado, chega-se através de muito inteligente – também, pela ótica das oportunas e perspicazes perguntas –, entrevista por ele, recentemente, concedida ao bom condutor da referida Confraria. Vale ouvi-lo em mesa-redonda da FLIPORTO. Os ecianos, o receberemos como Honorário de nossa Sociedade.
De confessada influência eciana, o português de Santa Marinha – encantado reino cultural porto-gaiense – J. Rentes de Carvalho, soma em seu roteiro de vida e conquistas, um tempo brasileiro que o reencontro literário pernambucano resgata e consagra.

Dagoberto Carvalho Jr.
Escritor
Diario de Pernambuco, 17 de novembro de 2012

Congressos e colóquios

No próximo dia 16 de Fevereiro decorrerá em Sintra a Jornada Queirosiana intitulada “O ensino de Eça e o gosto pela leitura”, organizada pela respectiva Câmara Municipal, em que serão oradores J. A. Gonçalves Guimarães, Maria João Simões, A. Campos Matos, Edviges Ferreira e Isabel Alçada. Esta realização tem o apoio de: Centro Cultural Eça de Queirós (Olivais); Centro de Estudos Literários e Literacia; Círculo Eça de Queiroz; Confraria Queirosiana; Fundação Eça de Queiroz; Grémio Literário e Doutor José Rodrigues dos Santos, escritor, jornalista e professor.
Inscrições em: roteiros@cm-sintra.pt.
Nos dias 21 a 23 de Fevereiro decorrerá em Leiria, no Instituto Politécnico, o VIII Forum Internacional de Sinologia no qual serão conferencistas, entre outros, J. A. Gonçalves Guimarães em representação da Academia Eça de Queirós, que irá falar sobre “Macau na Exposição Colonial Portuguesa de 1934: uma viagem à China ao pé da porta”.
Inscrições: ipsinologia@gmail.com

Livros
Vários são os confrades queirosianos que nos últimos tempos têm lançado no mercado livros sobre os mais diversos temas. Assim, Dagoberto Carvalho J.or apresenta-nos “Tempo da Farmácia” lançado a 8 de Novembro no centro de Convenções de Pernambuco; a 11 de Novembro Joaquim Santos lançou em Leiria, na Casa Museu João Soares em Cortes, “Imagens com foco - A cidade e a aldeia”; também nesse mesmo dia no Solar de Louredo em Geraz do Lima, a APHVIN/GEHVID lançou as “Actas do Congresso Internacional Vinhas e Vinhos”, o qual apresenta, entre muitos outros artigos, os dos confrades Francisco Ribeiro da Silva, sobre “Vinha e paisagem nos concelhos de Amarante e Valpaços nos meados do séc. XVIII” e J. A. Gonçalves Guimarães e Susana Guimarães sobre “Vinhos do Douro na Casa dos Condes de Resende”.
No dia 24 de Novembro foi a vez de Beatriz Pacheco Pereira lançar no Palacete dos Viscondes de Balsemão no Porto, o seu último livro intitulado “ O homem que trazia instruções e outras estórias”.

Exposições

Enquanto continua exposto no Solar Condes de Resende o Salon d’Automne queirosiano 2012 até 2 de Dezembro, com pinturas, desenhos, fotografias e cerâmicas dos sócios artistas e outros convidados, no passado dia 10 de Novembro Beatriz Pacheco Pereira apresentou no Espaço REM, no Porto, a sua exposição de esculturas em bronze intitulada “ O olhar e o gesto”.

Conferências e palestras

No passado dia 8 de Novembro Maria Isabel Queiroz Silva de Lacerda proferiu no Arquivo Municipal de Gaia uma conferência intitulada “O traje de outros tempos na freguesia de Mafamude”.
No dia 14 de Novembro e para a associação cultural Amigos de Gaia, J. A. Gonçalves Guimarães falou no Quartel da Serra do Pilar em Vila Nova de Gaia sobre “A batalha de 14 de Outubro de 1832, acontecimento maior do Ceco do Porto”, a propósito dos 130 anos daquela vitória dos liberais.
A equipa das escavações arqueológicas de Crestuma, representada pelo arqueólogo António Manuel Silva e outros colaboradores, esteve recentemente na Universidade de Zamora, Espanha, a 22 de Novembro, e na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa a 24 num colóquio organizado pela Associação dos Arqueólogos Portugueses a apresentar os mais recentes estudos sobre este sítio arqueológico em estudo pelos arqueólogos do Gabinete de História, Arqueologia e Património da Confraria Queirosiana.
Prosseguem entretanto as palestras de quinta-feira à noite no Solar Condes de Resende em Vila Nova de Gaia, em que têm sido oradores J. A. Gonçalves Guimarães, António Manuel Silva e, a 6 de Dezembro, José Manuel Tedim, bem assim como o curso livre “Esplendor da Arqueologia: Ciência, Cultura e Turismo” cuja próxima sessão será a 15 de Dezembro, proferida por Fernando Coimbra sobre “Arte Rupestre Europeia e Arqueologia”.
No dia 27 de Novembro J. A. Gonçalves Guimarães participará numa tertúlia sobre “Cultura e Património”, com Germano Silva, Helder Pacheco e Ilda Figueiredo no atelier de Agostinho Santos, às 21.30 horas.

Federação

A Confraria da Doçaria Conventual de Tentúgal foi eleita no passado dia 26 de Outubro para a direcção da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, culminando assim um trabalho de anos na divulgação de produtos de excelência da doçaria portuguesa.

Cônsul do México

No próximo dia 10 de Dezembro no Solar Condes de Resende em Vila Nova de Gaia, será oficialmente empossado como cônsul honorário do México pelo embaixador Dr. Benito Andrion o nosso confrade Silva Fernandes. Para o ato está convidado todo o corpo consular da Área Metropolitana do Porto.

Revista de Portugal
No passado dia 24 foi lançado o n.º 9 da nova série da Revista de Portugal apresentado no capítulo da Confraria Queirosiana pelo seu diretor Luís Manuel de Araújo. Este número apresenta uma homenagem e a curta biografia dos confrades que já partiram e ainda artigos de Susana Guimarães, J. A. Gonçalves Guimarães, Anabela Mimoso, Jaime Milheiro, Luís Manuel de Araújo e Adélio Martins. Como habitualmente apresenta ainda a bibliografia dos confrades publicada em 2011 e o relatório de atividades da associação entre 2001 e 2005, que não estava publicado, e o daquele último ano.
A impressão deste número da revista foi patrocinada pela Junta de Freguesia de Canelas, onde se localiza o Solar Condes de Resende. Para além dos associados, esta publicação é distribuída em regime de permuta com cento e vinte instituições em Portugal, restante Europa e Brasil.

Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 51 – Domingo, 25 de Novembro de 2012
Cte. n.º 506285685 ; NIB: 001800005536505900154
IBAN:PT50001800005536505900154;Email:queirosiana@gmail.com; confrariaqueirosiana.blospot.com;
eca-e-outras.blogspot.com; coordenação da página; www.queirosiana.pt
J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral. Colaboração: Dagoberto Carvalho Júnior.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Eça & Outras


Mazagran

Temos entre mãos um novo livro de J. Rentes de Carvalho que a Quetzal acaba de publicar no meritório propósito de continuar a dar ao público português este seu escritor e a sua obra tão conhecidos na Holanda, mas entre nós, até à pouco, só coletados por atentos leitores que não apreciam capelinhas dos fumos bentos da fama e se vão à procura das melhores colheitas de pensamento e arte em prosa, de literatura que nos espelhe o tempo em que vivemos com uma boa dose de eternidade que se adivinhe. Tal é o caso de mais este livro, editado pela primeira vez em 1992 com o mesmo título pela editora De Arbeiderspers de Amsterdam e só agora em português, embora algumas das peças que o compõem já tivessem sido apresentadas no famoso blogue do autor intitulado Tempo Contado, cuja falta tornou os dias presentes mais tristes e inconsoláveis muitos dos seus leitores. Quanto ao título, normal entre nós para os frequentadores dos cafés nos anos sessenta do século passado, eu próprio fiquei contente por ter encontrado recentemente uma jovem morena que sabia o que era um mazagran e como se preparava. Temendo que tal não seja frequente o autor encarrega-se de nos dizer o que é e deixa adivinhar os prazeres de o saborear, o mesmo se podendo aplicar a estas suas cartas agora reunidas neste volume, escritas para pessoas concretas e para ninguém em especial, cartas para si próprio e para o leitor de quem não sabe a morada e a quem, mesmo assim, escreve.
Nesta era dos emails estes textos epistolares são pois duplamente preciosos, quase sempre short stories de duas páginas e meia onde haverá sempre uma carta, ou várias, ou muitas para cada um de nós, estejamos certos. Nestas páginas nos encontraremos com certeza com este autor que nos confronta permanentemente com espelhos onde nos refletimos sem muita possibilidade de retocar a imagem, mas onde também nos podemos deliciar com as molduras. E é isso esta sua prosa; e é isto a sua arte literária.
Do género epistolográfico em literatura sabemos todos nós: é possível que alguém ainda leia as “Cartas Familiares” ou a “Carta de guia de casados” de D. Francisco Manuel de Melo, pois não mudamos assim tanto em mais de trezentos anos. Duvido é que alguém leia hoje as “Cartas a uma noiva” de Maria Amália Vaz de Carvalho, enquanto que as “Lèttres de mon moulin” de Alfonse Daudet lá vão aparecendo nas “literaturas universais” à venda nas tabacarias. Entretanto publicam-se as cartas dos escritores e dos personagens célebres da História para descobrir o seu quotidiano e o seu “verdadeiro pensamento”, às vezes um desespero de banalidades domésticas ou uma pieguice insuportável, como as Cartas de Amor de Fernando Pessoa a uma meninota lisboeta.
Eça de Queirós, de quem J. Rentes de Carvalho se reclama devoto discípulo, já tinha avisado; «Eis aí uma maneira de perpetuar as ideias de um homem que eu afoitamente aprovo – publicar-lhe a correspondência! … Além disso uma Correspondência revela melhor que uma obra a individualidade, o homem; e isto é inestimável para aqueles que na Terra valeram mais pelo caráter do que pelo talento. Acresce ainda que, se uma obra nem sempre aumenta o pecúlio do saber humano, uma Correspondência, reproduzindo necessariamente os costumes, os modos de sentir, os gostos, o pensar contemporâneo e o ambiente, enriquece sempre o tesouro da documentação histórica. Temos depois que as cartas de um homem, sendo o produto quente e vibrante da sua vida, contém mais ensino que a sua filosofia – que é apenas a criação impessoal do seu espírito. Uma filosofia oferece meramente uma conjetura mais, que se vai juntar ao imenso montão das conjeturas: uma vida que se confessa constitui o estudo duma realidade humana, que, posta ao lado de outros estudos, alarga o nosso conhecimento do Homem, único objecto acessível ao esforço intelectual. E finalmente como cartas são palestras escritas (assim afirma não sei que clássico), elas dispensam o revestimento sacramental de tal prosa como não há…» (A Correspondência de Fradique Mendes).
Deixemos também dito que esta coletânea de cartas que J. Rentes de Carvalho escreveu a muitas e diversas pessoas, a si próprio, a todos, a ninguém em especial e até a Deus, não são exatamente as mesmas da edição holandesa, que apresenta um número muito inferior de textos. Umas são as mesmas, outras não. E qual o seu encanto, qual o seu interesse, qual a sua validade? Aqui, meus amigos, permitam que fale eu próprio, eu que não sou pessoa de literaturas. É certo que li os clássicos, li os contemporâneos até aos anos setenta e a partir daí passei-me para a História convicto que às fantasias reunidas pelos escritores preferia de longe a busca da “clara certidom da verdade”, seja lá isso o que for, mas em todo o caso muito mais interessante do que as banalidades domésticas de algumas escritoras por aí muito famosas, ou a deprimente prosa indutora de aumento do consumo de anti depressivos praticada por ex-médicos de malucos quando lhes deu para a escrita. Não, não há pachorra para tal: a sonolência ou o tédio atacam-me logo à segunda página. Ou o sentimento de estar a perder tempo sem gosto algum. Defeito meu. Irreparável. Definitivo. Incapaz de convalescença ou cura. Pronto a subir ao cadafalso do insulto dos intelectuais que abundam por aí. Não gosto e pronto. Tenho o meu direito.
Com a prosa de J. Rentes de Carvalho é diferente. Há muitos anos que o li sem o conhecer e com uma imediata identificação em tudo que dele me aparecia. Lembro-me, quando li Montedor e O Rebate no princípio dos anos setenta do século passado, ter pensado que a fotografia do escritor na badana devia ser treta do editor, talvez até disfarce para iludir a censura da época. Aquilo era prosa fresca demais para ser escrita por um caixa d’óculos de fato e gravata. Eu nessa altura era cabeludo e quase hippie. E aquela prosa era diferentíssima e não lhe fiquei indiferente.
Anos mais tarde, nas aulas na Universidade, oferecia à leitura dos meus alunos dois textos seus: “A procissão”, para perceberem numa “fotografia de família” como era a sociedade portuguesa atual, e “A praga” (incluído no presente livro) para perceberem como seria a maioria dos clientes de Cultura e Património que iriam ter de aturar como profissionais da área. Depois li Ernestina e confirmei então que a sua literatura podia ser a historia possível da gente comum «desses homens e mulheres que apenas nasceram, viveram, procriaram e morreram, mais ou menos felizes, sem que deles tenha ficado especial memória» (J. A. Gonçalves Guimarães, «Da arte de viver pobre ao oficio de morrer rica: história de uma mulher de Avintes no século XIX», in Fórum V, 2006, p. 76), gente normal de quem quase todos descendemos e que, se o historiador lhes pode interpretar o percurso biográfico possível, ao escritor interessarão muito mais, e com mais arte, a caterva de alegrias e tristezas que distribuíram ou sofreram e que a Ciência Histórica terá sérias dificuldades em contabilizar. E entender.
Para esta análise de Mazagran comecei por cair na tentação de selecionar cartas, temas, cronologias biográficas de J. Rentes de Carvalho. Chatices; banalidades. Isto é livro parecido com uma garrafeira de bons vinhos: não é possível bebê-los todos de uma só vez (ler todas estas cartas e depois arrumá-las), mas o mais certo é que se abram várias garrafas das quais se bebam um copo, voltando tempos depois a saborear outro copo (perdão, outra leitura, e outra, e outra) da mesma garrafa (perdão, da mesma carta ou do livro todo), desta garrafeira de humanas situações e descrições locais, do recanto do pátio, mas ao mesmo tempo universais do seu bairro gaiense do Monte dos Judeus e da beira-rio; das suas cidades do Porto e de Amsterdam, da sua Lisboa e do seu Brasil, das suas andanças na procura impossível de aquietar a curiosidade de um puto que nasceu num porto ainda com navios e se descobriu a ver a humanidade por uns binóculos e que, passados estes anos e o seu inegável sucesso literário, despede-se de nós, por agora, escrevendo: «O meu medo é notar que com os anos me vou tornando razoável em excesso, quase doentiamente tolerante. É disso que quero que me guardeis, Senhor». A que acrescenta esta oração: «Dai-me raivas. Mantende em mim a capacidade de me enfurecer. Deixai que continue a chamar às coisas pelo seu nome, a criticar sem medo, a rir de mim próprio, e livrai-me até ao último momento das aceitações que crescem com a idade».
Oxalá esta carta nos acompanhe per omnia saeculae saeculorlum. Ámen. Estão convidados para daqui irmos todos tomar um Mazagran enquanto saboreamos este prazer literário na esplanada da vida. Enquanto já desejamos a próxima obra de J. Rentes de Carvalho.

J. A. Gonçalves Guimarães

História dos Vinhos

Entre os dias 12 e 19 de Outubro decorreu no Porto, Marco de Canaveses, Barcelos e Ponte de Lima o 2.º Congresso Internacional do Vinho Verde – Economia, Sociedade e Património, organizado pela Associação Portuguesa da História da Vinha e do Vinho (APHVIN/GEVID) no qual participaram alguns confrades queirosianos com comunicações sobre o tema, nomeadamente J. A. Gonçalves Guimarães e Graça Nicolau de Almeida sobre “A comercialização de Vinho Verde por empresas de Vinho do Porto: o caso da Casa Ramos Pinto” e Francisco Ribeiro da Silva sobre “Vinha, paisagem e economia do concelho de Ponte de Lima nos meados do século XVIII”.
Entretanto no próximo dia 10 de Novembro serão lançadas em Viana do Castelo as Atas do Congresso Vinhas e Vinhos – I Congresso Internacional, realizado em Outubro de 2010, também pela mesma associação, onde igualmente estiveram presentes alguns investigadores do Gabinete de História, Arqueologia e Património da Confraria Queirosiana.

Eça no Brasil

Ontem, dia 24 de Outubro, a Prof. Doutora Isabel Pires de Lima em visita ao Recife como delegada da Fundação Eça de Queirós, Baião, proferiu no auditório do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco uma conferência intitulada “ A paleta de Eça de Queiroz e as artes visuais contemporâneas”. Esta apresentação teve o apoio e a presença da Sociedade Eça de Queiroz do Recife, de que é presidente o nosso confrade Dr. Dagoberto Carvalho J.or, distinto médico, historiador de Arte e militante queirosianista.

Dois livros queirosianos

A. Campos Matos acaba de dar à estampa mais duas obras suas, como sempre de temática queirosiana, como é o caso de “Silêncios, Sombras e Ocultações”, publicado por Edições Colibri, e de “Um caso insensato da cultura nacional. Querela inútil mas inevitável”, pela mesma editora.
No primeiro caso trata-se de um tema que inicialmente foi publicado com o mesmo título no Boletim Cultural Póvoa de Varzim, vol. 42 em 2008 e depois, muito bem acompanhado de mais dezoito temas queirosianos e onze sobre diversos outros escritores, publicado no Brasil pela editora Movimento com o patrocínio do Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro em 2011.
A presente 2.ª edição tem mais oito artigos do que a edição brasileira, vindo assim enriquecer a sua já vasta e imprescindível bibliografia queirosana e, além do mais, agora com estampas a cores que muito a valorizam.
O segundo trabalho deste incansável autor é uma brochura de meia centena de páginas nas quais reúne a sua querela recente com a Fundação Eça de Queiroz de Baião, a propósito desta entidade não ceder peças aí depositadas que pertenceram ao escritor para figurarem na exposição internacional que vai decorrer em S. Paulo, no Brasil, em 2013.
Para além da querela, que justificou a A. Campos Matos o título, junta-lhe o artigo já publicado no seu “Suplemento ao Dicionário de Eça de Queiroz”, Lisboa, Caminho, 2000, com o título “Relações da família de Eça de Queiroz com os críticos”, complementado com uma “actualização” sobre o tema.
Ambas as obras foram lançadas em Lisboa na Livraria Ferin no passado dia 12 de Outubro, apresentados pelo Prof. Doutor Eugénio Lisboa.

Os Ourives

Através da Associação dos Amigos de Pereiros, Alberto Júlio da Silva Fernandes acaba de publicar um livro sobre ourives prateiros que é também ele próprio uma obra de Arte graças ao seu grafismo, e por ser também um belo catálogo da melhor produção de António do Nascimento Fernandes & Irmão, e de Joaquim do Nascimento Bastardo Lda.
Nascido de um desafio de gerações familiares que não querem que se perca esta memória, já materializada num núcleo museológico na aldeia de Pereiros, S. João da Pesqueira, o livro apresenta ainda imprescindíveis dados históricos sobre a Confraria de Santo Elói e dados técnicos sobre como se fazia, por exemplo, uma taça a partir de uma moeda de prata, entre muitas outras sabedorias de uma profissão que deixou por instituições, monumentos e particulares uma das mais ricas evidências da arte nacional: as pratas cinzeladas.
À venda na Loja on-line da Confraria.

Atividades da Confraria

Prosseguem no Solar Condes de Resende as actividades locais da Confraria Queirosiana: assim, para além do curso de Pintura e expressão plástica, que passou para as 4ªs feiras às 18 horas, prosseguem as 5.ªs de Cultura com iniciação ao bridge às 18.30 h e palestra às 21 horas com entrada livre.

No próximo dia 3 de Novembro, sábado, pelas 17 horas, decorrerá a abertura ao público do Salon d’Automne queirosiano 2012, a exposição anual de artes plásticas da Confraria, este ano comemorativa do seu 10.º aniversário e, por esse motivo, alargada a não sócios.


Feira de S. Martinho, 2011









Nos dias, 9, 10 e 11 decorrerá, também no Solar, a tradicional Feira de S. Martinho de produtos do Douro, em colaboração com a Gaianima e a Junta de Freguesia de Canelas, com animação e também entrada livre.

No dia 24 de Novembro, sábado, terá lugar o Capítulo anual durante o qual será homenageado o Comendador Fernando Fernandes, livreiro do Porto, e insigniados os nossos confrades.


Colóquio dos Olivais

Nos próximos dias 24 a 30 de Novembro decorrerá na Escola Secundária Eça de Queirós, em Olivais, Lisboa o XVIII Colóquio dos Olivais organizado pelo nosso confrade Fernando Andrade Lemos, que no dia 27 apresentará a comunicação “Ensaio sobre a possível mitogenia da freguesia de Santa Maria dos Olivais”, em colaboração com José António Silva; no dia 28 será a vez de Luís Manuel de Araújo apresentar “Eça de Queirós e o Museu Egípcio do Cairo” e o lançamento do n.º 5 dos “Cadernos Culturais de Telheiras, Lumiar, Olivais” dirigidos também por aquele director do Centro Cultural Eça de Queirós.

Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 50 – Quinta-feira, 25 de Outubro de 2012
Cte. n.º 506285685 ; NIB: 001800005536505900154
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 redacção: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.